segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

República Árabe Unida no Anuário da RPDC (1959)

República Árabe Unida

Originalmente, os países do Oriente Árabe, incluindo o Egito e a Síria, constituíam uma única e poderosa entidade unificada, como uma mesma nação árabe, possuindo a mesma língua, a mesma escrita e a mesma religião.

Entretanto, a partir do século XVI, em consequência das invasões de potências estrangeiras, entre elas o Império Otomano, os povos árabes passaram a viver divididos.

No processo de luta contra os colonialistas ocidentais, os povos árabes passaram a sentir de forma ainda mais premente a necessidade de unidade e coesão entre si. Assim, a aspiração pela unidade nacional árabe levou, em 1945, à criação da Liga Árabe, composta por nove países: Egito, Síria, Iêmen, Arábia Saudita, Líbano, Jordânia, Iraque, Sudão e Líbia. Após os imperialistas terem forjado o Pacto de Bagdá em 1955, o Egito e a Síria reforçaram uma estreita relação de cooperação para se opor aos blocos agressivos. Ambos os países firmaram um tratado de defesa conjunta em outubro de 1955 e, em janeiro de 1956, estabeleceram um comando militar unificado.

Quando, em 1957, se intensificaram as provocações agressivas dos Estados Unidos e de seus aliados contra a Síria, as tropas egípcias avançaram para o território sírio com base no tratado de defesa conjunta.

Em junho de 1956, o presidente sírio Shukri al-Quwatli apresentou oficialmente a proposta de organizar uma frente conjunta egípcio-síria, e em julho do mesmo ano o parlamento sírio aprovou uma resolução concedendo ao governo a autoridade para estudar, em conjunto com o Egito, a formação de uma união.

Em novembro de 1957, representantes do Congresso Nacional Egípcio visitaram a Síria e discutiram a questão da união com o parlamento sírio. Em 18 de novembro do mesmo ano, o parlamento egípcio adotou uma resolução exigindo do governo medidas para concretizar a união.

Em meados de janeiro de 1958, como resultado das negociações entre uma delegação governamental síria composta por 15 membros, incluindo o presidente Shukri al-Quwatli e o primeiro-ministro Sabri al-Asali, e uma delegação governamental egípcia liderada pelo presidente Gamal Abdel Nasser, foi anunciada, em 1º de fevereiro, a decisão de fundar a República Árabe Unida. Em 5 de fevereiro, os parlamentos do Egito e da Síria aprovaram, respectivamente, os princípios fundamentais da constituição da república e recomendaram Nasser como candidato à presidência.

Por meio do plebiscito realizado em 21 de fevereiro de 1958, a união entre o Egito e a Síria foi estabelecida, e Nasser foi eleito presidente. Assim, a República Árabe Unida foi oficialmente fundada. A unidade das forças que se opõem ao imperialismo é necessária, porém as formas concretas dessa unidade podem variar, e, em particular, a fusão de Estados não é a única forma de unidade, como ficou claramente demonstrado pela situação no Oriente Médio após a vitória da Revolução Iraquiana.

[Constituição] A constituição provisória da República Árabe Unida foi promulgada em 5 de março de 1958. Ela é composta por 73 artigos. De acordo com essa constituição provisória, o poder legislativo pertence à Assembleia Nacional, enquanto o poder executivo pertence ao Presidente da República Árabe Unida.

A República Árabe Unida é composta por duas regiões, a do Egito e a da Síria, e o Comitê Executivo é dirigido por um presidente nomeado pelo chefe de Estado. Além disso, a constituição provisória estipula que todos os tratados e acordos internacionais celebrados separadamente pelo Egito e pela Síria continuam válidos, de acordo com os princípios do direito internacional, dentro do âmbito territorial definido no momento de sua celebração. Estabelece-se também que as funções e os sistemas administrativos das instituições públicas existentes no Egito e na Síria no momento da unificação continuam em vigor até que sejam reformados e unificados por decreto do Presidente da República Árabe Unida.

[Capital] Cairo (população de 2,89 milhões em 1957)

[Assembleia Nacional] Os membros da Assembleia Nacional são nomeados pelo presidente, sendo que metade deles é escolhida entre os deputados do parlamento sírio e do parlamento egípcio. A Assembleia Nacional é convocada pelo presidente.

[Governo] O atual governo foi nomeado em 7 de outubro de 1958 pelo presidente Nasser.

Presidente: Gamal Abdel Nasser (eleito em 21 de fevereiro de 1958)

Vice-presidente e ministro do Planejamento: Abdel Latif Boghdadi

Vice-presidente e ministro da Defesa: Abdel Hakim Amer

Vice-presidente e ministro da Justiça: Akram al-Hourani

Ministro das Relações Exteriores: Mahmoud Fawzi

Ministro do Interior: Zakaria Mohieddin

Ministro dos Assuntos Sociais e do Trabalho: Hussein el-Shafei

Ministro da Educação: Kamal el-Din Hussein

Ministro da Economia:  Abdel Moneim El-Kaissouni. 

Ministro da Cultura e da Orientação Nacional: Salah ad-Din al-Bitar

Ministro dos Transportes: Amin Nafouri

Ministro da Saúde: Bashir al-Azma

Ministro da Indústria: Aziz Sedky

Ministro do Abastecimento: Kamal Ramzi Stino

Ministro da Agricultura e da Reforma Agrária: Sayed Marei

Ministro dos Assuntos Religiosos: Ahmad Hassan al-Baqouri

Ministro da Presidência: Ali Sabri

Ministros de Estado: Faher Kayali e Kamal Rifaat

[Relações Exteriores] A República Árabe Unida se opõe ao imperialismo e aos blocos militares agressivos e adota uma política de neutralidade positiva. Defende também a unidade dos países árabes e apoia a luta dos povos das colônias e dos países dependentes.

Relações com os países do campo socialista… Logo após a fundação da República Árabe Unida, o primeiro-ministro Kim Il Sung enviou uma mensagem de congratulação ao governo da república, notificando o reconhecimento da República Árabe Unida. Em resposta, o presidente Nasser expressou sua convicção de que os laços amistosos e de amizade existentes entre nossos dois países continuariam sendo mantidos e se tornariam ainda mais estreitos.

Em dezembro de 1958, uma delegação cultural de nosso país, chefiada por Ho Jong Suk, visitou a República Árabe Unida em missão de amizade e, por meio de várias apresentações artísticas, fortaleceu ainda mais os laços de amizade entre os povos dos dois países. Durante a visita, foi assinado um acordo cultural entre os dois Estados, e, a partir de 27 de dezembro, realizou-se no Museu de Arte Moderna do Cairo uma exposição fotográfica de nosso país.

Além disso, para promover as relações comerciais entre os dois países, em 20 de março de 1958 foi assinado em Pequim um memorando sobre a troca de missões comerciais com a região egípcia da República Árabe Unida. Com base nisso, em 24 de julho do mesmo ano, membros da missão comercial de nosso país chegaram ao Cairo, e em 17 de setembro o chefe da missão comercial, Pak Yong Un, entregou ao presidente Nasser os presentes enviados pelo primeiro-ministro Kim Il Sung.

Também nas relações com os países do campo socialista, liderados pela União Soviética, houve uma melhoria notável no ano anterior. Entre a República Árabe Unida e esses países, o intercâmbio mútuo de diversas delegações, inclusive governamentais, fortaleceu ainda mais os laços de amizade entre eles. O presidente Nasser realizou, em 29 de abril de 1958, uma visita amistosa à União Soviética a convite de seu governo. Durante essa visita, os líderes dos dois governos condenaram o colonialismo, defenderam firmemente a causa da Argélia e divulgaram um comunicado conjunto, em 15 de maio, opondo-se à ingerência dos Estados Unidos nos assuntos internos da Indonésia.

Em julho de 1958, quando os imperialistas estadunidenses e britânicos tentaram esmagar a jovem República do Iraque e a luta de libertação nacional dos povos do Oriente Médio por meio de intervenções armadas na região, o presidente Nasser visitou a União Soviética em 18 de julho e discutiu com o primeiro-ministro Khrushchov, entre outros, as questões de impedir a agressão praticada pelos Estados Unidos e outras potências coloniais contra o Oriente Médio, bem como de salvaguardar a paz e a independência dos países árabes.

Além disso, em setembro do mesmo ano, na primeira sessão do Conselho Federal da República Árabe Unida, o presidente Nasser condenou as provocações militares realizadas pelos Estados Unidos no Estreito de Taiwan, declarando que a ocupação de Taiwan pelos Estados Unidos era totalmente injustificável.

Houve ainda a visita à Alemanha Democrática, em agosto de 1958, de uma delegação governamental da República Árabe Unida chefiada pelo ministro da Indústria Aziz Sedky; a visita à Tchecoslováquia e à União Soviética, em outubro do mesmo ano, de uma delegação governamental chefiada pelo vice-presidente e ministro da Defesa Abdel Hakim Amer; e a visita à China, em abril do mesmo ano, de uma delegação militar da República Árabe Unida liderada pelo general Mohamed Ibrahim. Além disso, por coordenação do governo da República Árabe Unida, em setembro de 1958 ocorreu a visita do presidente do Comitê de Relações Exteriores do Soviete Supremo da União Soviética, N. A. Mukhitdinov, à República Árabe Unida; em novembro do mesmo ano, a visita de uma delegação técnica soviética chefiada por N. Nikitin, vice-presidente do Comitê Estatal de Relações Econômicas Exteriores do Conselho de Ministros da União Soviética, para realizar estudos locais sobre a construção da Barragem de Assuã; e, em junho do mesmo ano, a visita à República Árabe Unida de uma delegação do Soviete dos Deputados dos Trabalhadores de Moscou e Leningrado.

Relações com países da Ásia, da África e outros. Em março de 1958, o príncipe herdeiro do Iêmen, Badr, realizou uma visita amistosa à República Árabe Unida e assinou, em 8 de março, um acordo sobre a formação de uma união árabe entre a República Árabe Unida e o Iêmen. Em junho do mesmo ano, o príncipe Badr voltou a visitar a República Árabe Unida para concluir a questão da formação da união. Em 11 de maio do mesmo ano, o porta-voz do governo da República Árabe Unida divulgou uma declaração condenando o fato de rebeldes que se opunham ao governo legítimo da Indonésia estarem recebendo apoio de alguns países e expressando apoio à luta do povo indonésio.

Em 22 de junho do mesmo ano, o primeiro-ministro de Gana, Kwame Nkrumah, realizou uma visita amistosa à República Árabe Unida e divulgou, juntamente com o presidente Nasser, uma declaração conjunta sobre o fortalecimento da cooperação e da assistência mútua entre os países africanos. A República Árabe Unida apoiou ativamente a luta do povo libanês desenvolvida no verão de 1958 contra o imperialismo e, em 14 de julho do mesmo ano, reconheceu oficialmente a República do Iraque, condenando veementemente as manobras de provocação militar dos imperialistas estadunidenses e britânicos contra a jovem república iraquiana.

Em 16 de julho do mesmo ano, o presidente Nasser declarou que qualquer agressão contra o Iraque seria considerada uma agressão contra a República Árabe Unida, e, em 19 de julho, a República Árabe Unida e a República do Iraque firmaram em Damasco um tratado de defesa conjunta.

Em 15 de agosto do mesmo ano, o primeiro-ministro da Arábia Saudita, Faisal, e, em 26 de outubro, o primeiro-ministro da Indonésia, Djuanda, realizaram visitas amistosas à República Árabe Unida, divulgando respectivamente comunicados conjuntos sobre o fortalecimento da cooperação amistosa entre as partes.

Em 5 de dezembro de 1958, o presidente da Iugoslávia, Tito, visitou a República Árabe Unida. Ainda em dezembro de 1958, o governo da República Árabe Unida enviou ajuda humanitária aos refugiados argelinos no Marrocos, incluindo 2 mil toneladas de grãos, 200 toneladas de açúcar e 50 toneladas de óleo e tecidos, e, em 19 de setembro do mesmo ano, reconheceu oficialmente o Governo Provisório da República Argelina.

Os imperialistas estadunidenses, com o objetivo de manter suas posições abaladas no Oriente Médio, lançaram todo tipo de manobras sinistras para desagregar a unidade dos povos árabes que se opõem ao imperialismo, voltando a lança de ataque contra a República Árabe Unida.

Em 5 de agosto de 1958, o enviado especial do presidente dos Estados Unidos, Murphy, realizou no Cairo uma reunião de quatro horas com o presidente Nasser.

Além disso, em dezembro do mesmo ano, o subsecretário de Estado dos Estados Unidos, Rountree, visitou a República Árabe Unida e manteve conversações com os dirigentes do país com o objetivo de melhorar as relações entre a República Árabe Unida e os Estados Unidos, porém não obteve resultados significativos. 

Principais acordos celebrados em 1958… com base no acordo cultural entre a República Árabe Unida e a União Soviética foi assinado o plano de intercâmbio cultural para 1958 (10.4); protocolo comercial entre a República Árabe Unida e a Polônia (12.6); acordo de aviação entre a República Árabe Unida e a Hungria (24.7); acordo de cooperação em aviação civil entre a República Árabe Unida e a Romênia (14.8); acordo de intercâmbio postal entre a China e a República Árabe Unida (25.8); acordo entre a Alemanha Democrática e a República Árabe Unida sobre cooperação econômica e científico-técnica (29.8); acordo cultural entre a República Árabe Unida e a Bulgária (11.9); acordo de navegação entre a União Soviética e a República Árabe Unida (18.9); acordo de transporte marítimo entre a República Árabe Unida, a União Soviética e a Alemanha Democrática (2.11); acordo comercial e de pagamentos entre a China e a República Árabe Unida (15.12); acordo comercial para 1959-1961 entre a República Árabe Unida e a Alemanha Democrática (13.12); acordo entre a União Soviética e a República Árabe Unida sobre a prestação de assistência técnica para a construção da primeira barragem de Assuã (27.12); acordo cultural entre a República Árabe Unida e a Índia (25.9); acordo econômico-técnico entre o Iraque e a República Árabe Unida (12.10); acordo de assistência técnica entre a República Árabe Unida e a Iugoslávia (27.10); acordo cultural entre o Iraque e a República Árabe Unida (29.10).

Região egípcia

O Egito situa-se no nordeste do continente africano; ao norte limita-se com o Mar Mediterrâneo e estende-se até a Península do Sinai; a oeste faz fronteira com a Líbia e ao sul com o Sudão. A oeste do rio Nilo encontra-se o deserto da Líbia, com numerosos oásis, e entre o Nilo e o Mar Vermelho situa-se o deserto da Arábia. As águas do Nilo são a principal fonte de irrigação. O vale do Nilo é naturalmente fértil devido ao lodo e aos sedimentos trazidos pelas cheias do rio.

O clima é, de modo geral, seco.

[Área] 994.300 km²

[População] 24.781.000 habitantes (1958). 96% da população é árabe, havendo também outras minorias étnicas.

Cerca de 90% da população é muçulmana e 7% cristã. A língua principal é o árabe; nas cidades também se utilizam amplamente o inglês e o francês.

Principais cidades: Alexandria (população de 1,1 milhão), Port Said (população de 190 mil).

[História] O Egito é um dos berços da antiga civilização humana, com uma história de cerca de 6.000 anos. A astronomia, a geometria, a medicina, a escultura e a arquitetura do antigo Egito ocupam um lugar importante na história do desenvolvimento da cultura mundial. Esse esplêndido patrimônio cultural do povo egípcio foi saqueado por invasores estrangeiros. Em 1517, o Egito foi invadido pelos otomanos e passou a ficar sob seu domínio. Com a abertura do Canal de Suez em 1869, intensificou-se a disputa entre os capitais britânico e francês para submeter o Egito. Em 1882, aproveitando-se de grandes distúrbios antibritânicos ocorridos em Alexandria, a Grã-Bretanha ocupou militarmente o Egito e, em 1899, impôs ao país o acordo de “condomínio” sobre o Sudão. Em 1914, o Egito tornou-se um protetorado britânico.

Sob a influência da Grande Revolução de Outubro, a luta de libertação nacional do povo egípcio se intensificou, levando a Grã-Bretanha a mudar a forma de dominação e, em 28 de fevereiro de 1922, a reconhecer formalmente um reino “independente”. Em 26 de agosto de 1936, usando como pretexto a prevenção de uma invasão italiana ao Egito a partir da Etiópia ocupada, a Grã-Bretanha impôs o tratado anglo-egípcio e obteve o direito de manter tropas na zona do Canal de Suez.

Após a Segunda Guerra Mundial, com o crescimento do movimento anti-Grã-Bretanha do povo egípcio, o parlamento egípcio, em 15 de outubro de 1951, denunciou o tratado de 1936 e o acordo de 1899 sobre o Sudão. A Grã-Bretanha continuou estacionando tropas na zona do Canal de Suez e no Sudão, reprimiu violentamente forças governamentais e, em janeiro de 1952, manipulou grupos reacionários sob o rei Farouk, desarmou o povo e reprimiu brutalmente as massas populares.

Apesar da repressão militar dos colonialistas britânicos, a luta do povo egípcio contra o colonialismo e o regime monárquico feudal intensificou-se ainda mais. Em 1952, a situação política do Egito entrou em uma fase decisiva. Em 23 de julho de 1952, um golpe militar liderado por Nasser derrubou a monarquia e estabeleceu o Conselho do Comando Revolucionário. Contudo, a monarquia foi formalmente mantida, sendo proclamado rei o filho de Farouk, Fuad.

O novo governo formado em setembro de 1952 declarou o período de janeiro de 1953 a janeiro de 1956 como período de transição, proclamou o estado de emergência em todo o país, proibiu as atividades dos partidos políticos, introduziu a censura sobre as identidades e anunciou que o Conselho do Comando Revolucionário exerceria os poderes do parlamento. Em 18 de junho de 1953, o Conselho do Comando Revolucionário aboliu definitivamente a monarquia e proclamou a República do Egito. Em 1954, Nasser consolidou o poder supremo ao suprimir uma tentativa de golpe contra sua política.

Como resultado da luta heroica do povo egípcio, em 19 de outubro de 1954 a Grã-Bretanha foi obrigada a assinar o acordo sobre a evacuação da base do Canal de Suez. Em 19 de junho de 1956, as tropas britânicas retiraram-se definitivamente da zona do Canal de Suez.

Em 23 de junho de 1956, por meio de plebiscito, a constituição egípcia foi ratificada e Nasser foi eleito presidente. Em 25 de junho do mesmo ano, o Conselho do Comando Revolucionário foi dissolvido.

Em 26 de julho de 1956, o Egito promulgou a histórica lei de nacionalização do Canal de Suez. Diante da frustração das conspirações britânicas e francesas para colocar o canal sob administração internacional, Israel iniciou uma invasão armada contra o Egito em 29 de outubro de 1956, à qual, no dia 31, juntaram-se os imperialistas britânicos. Contudo, diante da resistência heroica do povo egípcio e da forte pressão dos povos do mundo, incluindo a República Popular da China, os agressores anglo-franceses foram obrigados a abandonar suas ambições agressivas.

Política

[Comitê Executivo] Foi estabelecido em 31 de março de 1958 por ordem direta do presidente Nasser.

Presidente: Nureddin Tarraf

Ministro das Finanças: Hassan Salah el-Din

Ministro do Interior: Abbas Radwan

Ministro da Saúde: Mohamed Nafaar

Ministro da Justiça: Ahmed Hosni

Ministro dos Transportes: Mustafa Khalil

Ministro das Obras Públicas: Massa Arafa

Ministro da Agricultura: Ahmed al-Mahrouqi

[Partidos e organizações sociais] União Nacional

É o único partido legal na região egípcia. Em 2 de novembro de 1957, o presidente Nasser promulgou um decreto para a criação da União Nacional. De acordo com esse decreto, os cidadãos com mais de 16 anos têm o direito de filiar-se livremente. Os membros são divididos em membros provisórios e efetivos, sendo o período provisório de dois anos. Em 22 de janeiro de 1958, a primeira sessão do Comitê Executivo Supremo dissolveu o Congresso de Libertação Nacional, organizado em 1953.

Presidente: Gamal Abdel Nasser

Comitê Egípcio de Amizade pela Paz: presidente, Dr. Ibrahim Richard

União das Mulheres Egípcias

Comitê da Região Egípcia contra os Testes Nucleares (8.4.1959)

Partido Comunista Egípcio

No Egito existiam três partidos comunistas: o Partido Comunista Egípcio, o Partido Comunista Unificado do Egito e o Partido Comunista dos Trabalhadores e Camponeses. Em maio de 1957, o Partido Comunista Egípcio e o Partido Comunista Unificado do Egito fundiram-se sob o nome de Partido Comunista Unificado do Egito. Em dezembro de 1957, este partido e o Partido Comunista dos Trabalhadores e Camponeses fundiram-se, adotando o nome de Partido Comunista Egípcio, que atualmente se encontra na ilegalidade.

Economia

O Egito é um país agrícola. Segundo estatísticas de 1954, o valor bruto da produção agrícola e industrial representava 48% da renda nacional total, sendo cerca de 12% da indústria e cerca de 36% da agricultura. A participação da indústria pesada é extremamente reduzida, predominando a indústria leve. O principal produto agrícola é o algodão, cuja área de cultivo representa mais de 30% das terras cultivadas. Os principais recursos minerais são petróleo, ouro, manganês, tungstênio, mercúrio e fosfatos.

Após a nacionalização do Canal de Suez em 1956, os imperialistas impuseram um bloqueio econômico ao Egito. Contudo, graças à ampla ajuda dos países do campo socialista, liderados pela União Soviética, esse bloqueio foi derrotado.

Para desenvolver uma economia nacional independente, o Egito vem executando desde 1957 um plano quinquenal de desenvolvimento industrial.

[Agricultura] A população agrícola do Egito ultrapassa 15,5 milhões de pessoas, cerca de 66,6% da população total. No início de 1957, a área cultivada era de 2.500.500 hectares, aproximadamente 2,5% do território nacional, o que torna a questão das terras um problema central da economia egípcia.

Para o desenvolvimento agrícola, o governo egípcio planejou investir, entre 1903 e 1960, um total de 99,38 milhões de libras egípcias, dando especial importância à construção da Barragem de Assuã. Essa obra está planejada para um período de 10 a 15 anos, com custo estimado em 1,35 bilhão de dólares. Com sua conclusão, será possível obter adicionalmente 840 mil hectares de terras cultiváveis, equivalentes a um terço da área atualmente cultivada. Outro grande projeto é a recuperação de vastas áreas do deserto da Líbia entre Cairo e Alexandria, onde será criado o distrito de Tahrir, prevendo-se a recuperação de 1,2 milhão de acres de terras em 15 anos.

Para resolver o problema fundiário, o governo egípcio promulgou, em 9 de setembro de 1952, a lei de reforma agrária. Essa lei estabeleceu o limite máximo de propriedade da terra em 84 hectares; as terras que excedem esse limite são expropriadas pelo Estado mediante indenização ao longo de 15 anos e redistribuídas, também mediante pagamento, aos camponeses sem terra ou com pouca terra.

Os principais produtos agrícolas do Egito são algodão, cana-de-açúcar, sorgo, milho, arroz, cevada e feijão. Entre 70% e 75% dos camponeses dedicam-se ao cultivo do algodão, cuja produção média anual atinge 300 a 400 mil toneladas, ocupando o quinto lugar no mundo, sendo a qualidade do algodão egípcio extremamente elevada.

Na região egípcia, a produção de algodão em 1957/1958 alcançou 397.200 toneladas.

[Indústria] A indústria egípcia encontra-se em estado extremamente atrasado devido à repressão de seu desenvolvimento pelos colonialistas ocidentais. Após a revolução, a indústria pesada teve algum desenvolvimento, mas ainda em nível baixo.

A indústria leve limita-se principalmente aos setores têxtil e alimentício, sendo em grande parte artesanal. Dois terços dos operários industriais trabalham nos setores têxtil e alimentício, enquanto os metalúrgicos representam apenas 5% do total de trabalhadores industriais, respondendo por cerca de 3% da produção industrial.

Em novembro de 1957, o número total de pessoas empregadas era de 6,71 milhões, sendo a metade trabalhadores agrícolas.

Para desenvolver a atrasada indústria nacional, o governo egípcio vem executando planos de longo prazo. O plano quinquenal de desenvolvimento industrial anunciado em 1957 prioriza investimentos nos setores de mineração, metalurgia, fabricação de máquinas, extração de petróleo, transportes e comunicações.

Mais da metade das fábricas está sendo construída com ajuda externa. O ministro da Indústria da República Árabe Unida, Aziz Sedky, prevê a conclusão antecipada do plano quinquenal de desenvolvimento industrial.

Após a implementação do plano quinquenal de desenvolvimento industrial, estima-se que a renda nacional da região egípcia aumentará anualmente em 135 milhões de libras egípcias. Em 1957, a renda nacional total era de 900 milhões de libras egípcias, dos quais 11% provinham da indústria. Durante o período do plano quinquenal, prevê-se ainda um aumento de várias centenas de milhares no número de trabalhadores industriais.

【Comércio exterior】

Os principais produtos de exportação são o algodão (representando cerca de 80% do total das exportações), arroz, fios de algodão, fosfatos, entre outros. Os produtos importados incluem trigo e pão, máquinas e produtos metálicos, fertilizantes, petróleo bruto e derivados de petróleo. No ano de 1957–58 (setembro–janeiro), foram exportadas do Egito 92.600 toneladas de algodão, enquanto no mesmo período de 1958–59 as exportações atingiram 129.500 toneladas. Do total do comércio exterior egípcio em 1957, a participação dos países socialistas foi de 37,9%, enquanto a dos países capitalistas foi de 62,1%.

【Finanças】

O ano fiscal do orçamento do Egito vai de 1º de julho até 30 de junho do ano seguinte. O orçamento anual é dividido em dois: o orçamento geral do governo e o orçamento da produção nacional.

O ministro da Economia da República Árabe Unida anunciou o orçamento para o exercício de 1959–60 para a região egípcia, com aumento em relação ao ano anterior. Segundo esse orçamento, as receitas na região egípcia passaram de 280.715.000 libras egípcias no ano anterior para 321.489.000 libras egípcias em 1959–60. As despesas também aumentaram, passando de 271.465.000 libras egípcias para 298.800.000 libras egípcias no mesmo período.

Além disso, os gastos das instituições unificadas da região egípcia, como a presidência, os serviços médicos e a defesa nacional, aumentaram de 113.899.500 libras egípcias no ano anterior para 123.630.000 libras egípcias em 1959–60. O auxílio à Argélia também atingiu 1.700.000 libras egípcias na região egípcia.

Nos últimos cinco anos, a receita obtida com o Canal de Suez alcançou 200 milhões de libras egípcias. Deste montante, 130 milhões de libras egípcias foram utilizados para a expansão do canal, enquanto o restante foi destinado ao pagamento de dividendos a alguns antigos proprietários e a despesas administrativas.

Aspectos sociais e culturais

Como resultado da exploração severa exercida durante longo período por imperialistas e latifundiários, o nível de vida da população é extremamente baixo. Entre 1954 e 1956, a renda anual média dos camponeses foi de 42 libras egípcias. A maioria dos camponeses entrega cerca de metade de sua renda em diversos impostos.

Segundo estatísticas de novembro de 1957, havia 360.000 desempregados em todo o país, o que correspondia a 5,9% da força de trabalho nacional. Após a revolução, o governo egípcio eliminou a influência imperialista e estabeleceu um sistema educacional para o povo.

O Egito implementa um sistema de educação obrigatória gratuita para crianças de 6 a 12 anos. Em todo o país existem 19.250 escolas primárias e secundárias e 4 universidades. Em 1957, o número total de estudantes em todos os níveis de ensino era de 2.551.034, dos quais 2.428.000 recebiam educação básica e 74.000 eram universitários.

【Publicações】

Agência de Notícias do Oriente Médio; jornais: Al-Gumhuriya (porta-voz do governo, diário em árabe), Al-Shahab (órgão oficial do governo), Al-Akhbar (diário em árabe).

Região da Síria

A Síria está situada na costa oriental do Mar Mediterrâneo e faz fronteira com o Iraque, Turquia, Israel, Líbano e Jordânia. A parte ocidental possui clima mediterrâneo, enquanto a parte oriental apresenta clima continental.

【Área】

187.000 km²

【População】

4.421.000 habitantes (1958), composta majoritariamente por árabes, além de outras minorias étnicas.

【História】

Antes do século IX, a Síria fazia parte de um império árabe unificado, mas em 1516 foi conquistada pelo Império Otomano.

Após a derrota do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial, em abril de 1920 a Síria passou a ser território sob mandato da França. Com o fortalecimento do movimento de libertação nacional, a França foi obrigada em 1930 a promulgar a Constituição da República Síria. No entanto, as autoridades francesas frequentemente a violaram e a aboliram em 1939. No início da Segunda Guerra Mundial, após a Alemanha nazista ocupar a França, a influência francesa no Oriente Médio enfraqueceu, e em junho de 1941 o Reino Unido enviou tropas à Síria e ao Líbano, colônias francesas na região. Desde então, forças britânicas e francesas ocuparam a área.

Em 27 de dezembro de 1943, a França reconheceu a independência da Síria e do Líbano, e em 1º de janeiro de 1944 foi firmado um acordo tripartite para transferir os poderes do mandato francês a esses países. Contudo, mesmo após o fim da Segunda Guerra Mundial, Reino Unido e França retardaram a retirada de suas tropas, ignorando as exigências sírias. Em fevereiro de 1946, com o apoio da União Soviética na ONU, a exigência síria de retirada das tropas estrangeiras foi atendida, e em 17 de abril as forças britânicas e francesas se retiraram da Síria. O povo sírio celebra essa data como feriado nacional.

Entre 1949 e novembro de 1951, em meio à disputa entre Estados Unidos, Reino Unido e França pela hegemonia no Oriente Médio, ocorreram quatro golpes de Estado. A Síria rejeitou as tentativas anglo-americanas de incluí-la no agressivo Pacto de Bagdá e, em outubro de 1955, firmou um acordo de defesa mútua com o Egito.

Em novembro de 1956 e agosto de 1957, a Síria derrotou conspirações golpistas de forças reacionárias internas aliadas aos imperialistas, consolidando assim seu regime político.

Política

【Comitê Executivo】

A composição do comitê nomeado por Nasser em 7 de outubro de 1958 é a seguinte:

Presidente e ministro das Obras Públicas e do Planejamento: Nureddin al-Kafla

Ministro das Finanças: Abdul-Wahab Hawmad 

Ministro do Interior: Abdel Hamid al-Sarraj

Ministro da Saúde: Shawkat al-Qanawati 

Ministro da Justiça: Nihat al-Qasim

Ministro da Reforma Agrária: Mustapha Hamdun

Ministro da Economia: Khalil al-Kallas

Ministro da Agricultura: Ahmed al-Hajj Younis 

Ministro dos Assuntos Sociais e do Trabalho: Abdel Ghani Qanawat 

Ministro da Educação: Amjad al-Tarabulsi

【Partidos e organizações sociais】

Em 12 de março de 1958, o presidente Nasser anunciou a dissolução dos partidos e organizações políticas na região síria. Entre os principais partidos estavam:

Partido Comunista Sírio-Libanês (fundado em 1930), que em 1958 se dividiu nos Partidos Comunistas da Síria e do Líbano; secretário-geral: Khalid Bakdash

Partido Nacional, fundado em 1947, partido dos latifundiários burgueses; secretário-geral: Sabri al-Asali.

Partido do Povo, fundado em 1948, representando os interesses dos latifundiários feudais e da burguesia nacional; presidente: Rushdi al-Kikhya.

Partido Socialista do Renascimento Árabe, fundado em 1953 pela fusão do Partido do Renascimento Árabe com o Partido Socialista Árabe, composto por pequena burguesia e intelectuais; líder: Akram al-Hourani

Comitê de Defesa da Paz, fundado em 1950; presidente: Sheikh Mohammed al-Ashmar, laureado em 1955 com o Prêmio Lenin Internacional pela consolidação da paz entre os povos.

Congresso dos Trabalhadores, filiado à Federação Sindical Mundial

União das Mulheres Sírias, fundada em 1948, filiada à Federação Democrática Internacional de Mulheres.

Economia

Trata-se de um país agrícola atrasado, onde mais de dois terços da população se dedicam à agricultura, que responde por 65% da renda nacional.

Em setembro de 1958, a Síria promulgou uma lei de reforma agrária, segundo a qual os proprietários podem possuir até 80 hectares de terras irrigadas e até 300 hectares de terras não irrigadas.

Em 23 de fevereiro de 1959, os camponeses sírios receberam títulos de propriedade da terra. O total de terras a serem distribuídas chega a 1.631.000 hectares, dos quais 130.000 hectares são irrigados e 1.500.000 hectares não irrigados. A reforma agrária beneficiará cerca de 80.000 famílias, e até 23 de fevereiro de 1959 já haviam sido distribuídos 61.000 domuns.

Os principais produtos agrícolas são trigo, cevada, algodão e lã. A grande inundação ocorrida em junho de 1958 na região síria causou enormes prejuízos à agricultura. No ano anterior, a produção de alguns produtos foi de 96.505 toneladas de algodão e 12.000 toneladas de lã.

Os recursos minerais incluem fosfatos, chumbo, cobre, antimônio e gás natural, mas permanecem pouco explorados. A Síria possui apenas indústrias leves de pequeno porte, como têxteis, açúcar, conservas, sabão, vidro, cimento, óleos, tabaco e couro.

O plano quinquenal de desenvolvimento industrial da região síria prevê o desenvolvimento das indústrias de petróleo, mineração e transformação. Estima-se que, em 1964, o número de trabalhadores industriais alcance cerca de 150.000, o dobro do nível atual.

Os principais produtos de exportação são algodão, trigo, lã, cevada, leguminosas e sementes de algodão. Os principais produtos de importação são máquinas (incluindo máquinas têxteis), petróleo, equipamentos de transporte, combustíveis e produtos químicos.

Após a unificação com o Egito, a produção agrícola e industrial da região síria entrou gradualmente em declínio.

No setor rural, a produção de algodão em 1958 diminuiu cerca de 10% em relação ao período anterior à unificação, e o volume exportado caiu em um terço. A produção de grãos também diminuiu, com uma redução de cerca de 700.000 toneladas de excedentes.

O setor industrial apresenta situação ainda mais grave. Após a unificação, quase não houve avanço na construção industrial, e a interrupção de algumas obras resultou no desemprego de cerca de 4.000 trabalhadores. Na indústria têxtil, a produção de tecidos caiu quase 50%, muitas pequenas e médias empresas foram fechadas, e a produção de meias e roupas íntimas diminuiu 25%.

Aspectos sociais e culturais

Devido ao prolongado domínio colonial imperialista, o nível cultural da Síria é extremamente baixo.

Segundo dados de 1957, havia 2.636 escolas primárias com 345.367 alunos, 267 escolas secundárias com 63.435 alunos, 5.348 universitários, além de escolas profissionais. A principal instituição de ensino superior é a Universidade da Síria.

【Jornais】

Al-Baath, Al-Nour e Al-Nasr.

Anuário da República Popular Democrática da Coreia de 1959 (páginas 178, 179, 180, 181, 182 e 183)

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