sábado, 24 de janeiro de 2026

Contradições que se intensificam em torno da Groenlândia

Alegações de que as contradições entre os países ocidentais geradas pela questão da Groenlândia estão se agravando e podem passar a uma fase mais séria ecoam em vários países. Figuras de alto escalão da Europa estão se posicionando publicamente contra as tentativas dos Estados Unidos de anexar a Groenlândia.

A primeira-ministra da Dinamarca, ao refutar as alegações relacionadas à compra da Groenlândia pelos Estados Unidos, criticou os EUA afirmando que não se deve tratar outros países e povos como mercadorias, e que a mentalidade de recorrer à pressão é uma visão de mundo antiquada que deseja se apropriar de outros países e povos. Ela advertiu que, caso os Estados Unidos ataquem um país europeu, tudo ficará paralisado.

A presidente da Comissão Europeia exigiu que os Estados Unidos respeitem a soberania territorial da Dinamarca e da Groenlândia, afirmando que “a lei é mais forte que a força”. O presidente do Conselho Europeu denunciou as ambições territoriais dos Estados Unidos, declarando que “a questão da Dinamarca e da Groenlândia não pode ser decidida sem as partes interessadas”.

O comissário europeu para Defesa e Espaço declarou que, se a Dinamarca solicitar, a União pode ajudar a fornecer segurança à Groenlândia. Afirmou que a tomada da Groenlândia pelos Estados Unidos por meio da força levaria ao fim da OTAN, e disse concordar com a visão da primeira-ministra dinamarquesa de que a anexação da Groenlândia representaria um golpe fatal e destruiria gravemente as relações transatlânticas. Acrescentou que a tomada da Groenlândia pelos Estados Unidos pela força provocaria fortes reações negativas entre os europeus. Ressaltou ainda que o artigo 42, parágrafo 7, do Tratado da União Europeia estabelece que, caso um Estado-membro sofra agressão armada, os demais Estados-membros têm a obrigação de prestar assistência mútua.

O ministro da Defesa da Alemanha afirmou que as ambições dos Estados Unidos em relação à Groenlândia são sem precedentes, reafirmou o apoio à Dinamarca e sustentou que a segurança da Groenlândia será assumida de forma coletiva.

O ministro das Relações Exteriores da França declarou que os europeus têm plena capacidade de defender seus territórios contra qualquer ameaça, afirmando que a Groenlândia é território europeu e que sua segurança é inseparável da segurança da Europa.

Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Países Baixos, Noruega, Suécia e Reino Unido divulgaram uma declaração conjunta relacionada às ameaças de imposição de tarifas pelos Estados Unidos. A declaração expressou total solidariedade com a Groenlândia e alertou que as ações dos Estados Unidos podem provocar um perigoso círculo vicioso nas relações transatlânticas. Destacou ainda que os países que se tornaram alvo das ameaças tarifárias dos Estados Unidos se comprometeram a adotar medidas de resposta “unidas e coordenadas”.

O alto representante da União Europeia para a Política Externa e de Segurança afirmou que as ameaças tarifárias contrariam os interesses da União Europeia, que a soberania não é objeto de negociação e que a Europa dispõe de diversos meios para defender seus interesses.

O porta-voz do governo alemão classificou as ameaças de imposição de tarifas pelos Estados Unidos como inaceitáveis, afirmou que elas agravarão os conflitos e declarou que a União Europeia responderá com medidas eficazes, incluindo tarifas de retaliação.

O jornal estadunidense The Wall Street Journal avaliou que as ameaças dos Estados Unidos contra os países europeus que resistem à anexação da Groenlândia estão lançando as alianças ocidentais em sua maior crise.

Especialistas também afirmam que, por causa da questão da Groenlândia, a situação pode evoluir em diversas direções imprevisíveis, que já não é mais limitada e que o quadro atual pode acarretar consequências catastróficas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário