Na região da Cisjordânia, a política bárbara de discriminação que Israel vem aplicando contra os palestinos voltou mais uma vez a entrar no alvo das críticas.
Recentemente, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos publicou um relatório no qual enumerou de forma concreta que, em virtude das leis e políticas racistas de Israel, os palestinos estão sofrendo pressões em diversos aspectos da vida cotidiana nas áreas ocupadas da Cisjordânia, incluindo Al-Quds Oriental. Segundo o relatório, os colonos israelenses e os palestinos que vivem nessa região estão submetidos a sistemas jurídicos distintos. Em particular, afirma-se que existe uma desigualdade extrema nas questões relacionadas com a terra e a água.
A história dos atos discriminatórios de Israel contra os palestinos é longa.
Em 1967, ao provocar a Terceira Guerra do Oriente Médio e ocupar vastas áreas de terras palestinas, incluindo a Cisjordânia, Israel implementou uma política de discriminação severa contra os palestinos que ali viviam. Não só controlou rigidamente a vida cotidiana, como também, sob pretextos injustificados, demoliu à força casas e expulsou pessoas para zonas desertas. Muitos palestinos — aqueles nascidos na Faixa de Gaza ou com um dos pais oriundo da Faixa de Gaza, bem como pessoas originárias da Cisjordânia que não obtiveram ou perderam a autorização de residência, ou cujo prazo dessa autorização expirou — foram rotulados como “residentes ilegais” ou “infiltrados” e violentamente expulsos da Cisjordânia.
Em julho de 2018, Israel adotou a chamada Lei do Estado-Nação do Povo Judeu, que define como Estado judeu todo o território que ocupa, incluindo Al-Quds. Essa lei fixou o hebraico como língua oficial e concedeu ao árabe apenas um estatuto formal. Tratou-se, na prática, da manifestação de uma intenção sinistra de privar os palestinos até mesmo da sua língua.
Além disso, ao expandir os colonatos judaicos nessa região, Israel comprimiu o espaço de sobrevivência dos palestinos.
Esses atos extremamente perversos de discriminação atingiram o auge após o desencadeamento da crise em Gaza.
Desde 7 de outubro de 2023, em menos de cinco meses, o exército israelense prendeu cerca de 7.220 palestinos na Cisjordânia. Segundo revelou então a Associação dos Prisioneiros Palestinos, as autoridades militares israelenses emitiram milhares de mandados de detenção com validade de três a seis meses para prender palestinos sem qualquer prova clara. Aproveitando-se da crise em Gaza, procuraram realizar uma purga em larga escala também na Cisjordânia.
Mesmo com a entrada do novo ano, essa onda de repressão continua.
Nos dias 14 e 15 passados, o exército israelense deteve 80 palestinos inocentes em várias cidades da Cisjordânia, incluindo Hebron e Jenin. Os palestinos que vivem na Cisjordânia enfrentam uma ansiedade constante devido a essas operações de purga.
Enquanto prende e expulsa incessantemente os palestinos, Israel leva adiante de forma obstinada as manobras de expansão dos colonatos judaicos.
Em dezembro do ano passado, o gabinete israelense aprovou a construção de 19 novos colonatos judaicos na Cisjordânia. Com isso, o número de colonatos judaicos legalizados ou aprovados nos últimos três anos aumentou para 69.
O ministro das Finanças de Israel proclamou que essa medida faz parte de um amplo esforço para reforçar os colonatos judaicos na Cisjordânia, território ocupado por Israel na guerra do Oriente Médio de 1967 e que a Palestina pretende transformar no núcleo de um futuro Estado independente, declarando abertamente: “Continuaremos desenvolvendo, construindo e colonizando esta terra, que é um património herdado dos nossos antepassados.”
Trata-se da intenção de expulsar definitivamente os palestinos que, durante décadas, foram discriminados e perseguidos. Pode-se dizer que é o cúmulo da discriminação étnica.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos condenou Israel por violar o direito internacional que proíbe e exige a erradicação da discriminação, afirmando que existem provas claras de que Israel procura tornar permanentes a segregação, a discriminação e a subordinação para manter a opressão e o domínio sobre os palestinos.

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