Historicamente, sempre que um novo governo surge no Japão, tornou-se quase um costume que as autoridades se dirijam em fila aos Estados Unidos.
A viagem de Koizumi aos Estados Unidos também se insere nesse padrão, mas há um ponto que a diferencia do passado. Ela ocorreu num momento em que as manobras de transformação do Japão em uma potência militar estão sendo intensificadas de forma sem precedentes, configurando um movimento extremamente negativo que visa acelerar ainda mais a expansão para o exterior.
Desta vez, Koizumi afirmou ter trocado materiais sobre tecnologias de ponta que utilizam inteligência artificial e sistemas não tripulados com representantes de várias empresas da indústria militar estadunidense, e declarou que irá refletir isso nos debates para a revisão dos documentos de segurança que o Japão vem promovendo. Também manifestou a intenção de utilizar, nos debates deste ano para reorganizar a Força Aérea de Autodefesa em Força Aeroespacial de Autodefesa, tecnologias de empresas especializadas na coleta de informações por satélite.
Isso demonstra claramente que a ida de Koizumi aos Estados Unidos teve como um de seus principais objetivos acelerar a militarização do Japão e intensificar os preparativos para uma nova agressão.
Atualmente, a força governante japonesa está avançando de forma coercitiva com o objetivo de estabelecer, ainda neste ano, três novos documentos de segurança, cujo conteúdo central inclui o aumento dos gastos militares e o desenvolvimento em larga escala de capacidades militares ofensivas.
Esses documentos, incluindo a Estratégia de Segurança Nacional, entram de fato em contradição com o princípio da “defesa exclusiva” e são, na essência, documentos de estratégia de guerra voltados completamente para a expansão no exterior.
A expansão para o exterior é uma ambição que os reacionários japoneses sempre perseguiram.
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o Japão jamais abandonou o sonho de se tornar uma grande potência militar, nem o velho sonho da “Esfera de Coprosperidade da Grande Ásia Oriental”. Para concretizá-los, sob diversos pretextos, tornou inúteis as disposições legais que impunham limites à militarização. Em 2015, com a imposição da adoção das leis relacionadas à segurança, ampliou o âmbito das atividades militares das Forças de Autodefesa para uma escala global. Em 2022, revisou e complementou a Estratégia de Segurança Nacional, a Estratégia de Defesa Nacional e o Plano de Desenvolvimento das Capacidades de Defesa, institucionalizando a posse de capacidades de ataque a bases inimigas. Com isso, despejou enormes recursos na introdução de armamentos destinados a ataques preventivos, como a aquisição de caças furtivos de última geração, o desenvolvimento de mísseis de longo alcance e a posse de porta-aviões.
As Forças de Autodefesa transformaram-se de uma força de defesa em uma força agressiva de invasão. Não satisfeitos com isso, os reacionários japoneses estão tentando ampliar o âmbito operacional e as atividades militares das Forças de Autodefesa para o espaço, utilizando também inteligência artificial e tecnologias de sistemas não tripulados, com o objetivo de realizar ataques preventivos súbitos em terra, no mar, no ar e no espaço, e assim concretizar ambições que não conseguiram realizar no passado. É precisamente por isso que pretendem deformar ainda mais os três documentos de guerra, tornando-os mais agressivos, e introduzir tecnologias estadunidenses de inteligência artificial, sistemas não tripulados e informação espacial.
O Japão planeja, no ano fiscal de 2026, investir 100,1 bilhões de ienes na aquisição de milhares de drones de dez tipos diferentes, e 4,8 bilhões de ienes na pesquisa e desenvolvimento de drones que utilizam inteligência artificial. Também decidiu renomear a Força Aérea de Autodefesa como Força Aeroespacial de Autodefesa e organizar recentemente um grupo de operações espaciais.
Assim como no passado, o objetivo final da força governante é transformar o país em um Estado plenamente militarista, um Estado de guerra, e lançar-se a qualquer momento no caminho da agressão externa.
É mais do que evidente que, se os perigosos movimentos militares do Japão forem deixados sem controle, acabarão inevitavelmente prejudicando a paz regional.
Recentemente, em uma coletiva de imprensa, a governante japonesa falou sobre as “ameaças” dos países vizinhos e declarou publicamente que irá acelerar a revisão dos três documentos para se preparar para novas táticas de combate, incluindo o uso massivo de drones.
O ministro da Defesa do Japão, em sua reunião desta vez com o secretário de Defesa dos Estados Unidos, comprometeu-se a concentrar esforços no fortalecimento da aliança Japão–Estados Unidos para ampliar sua influência na região.
Isso não é diferente de uma declaração pública de que os países vizinhos são áreas de operações militares. O Japão já vem elaborando planos operacionais para esse fim e realizando com frequência exercícios militares para colocá-los em prática.
Mais uma vez, ficou claramente exposta a tendência aventureira dos reacionários japoneses de se lançarem sem hesitação no caminho da expansão externa e da destruição da paz.
O Japão está avançando a passos largos para violar os interesses dos países da região e tornar ainda mais instável o ambiente de segurança da Ásia e do mundo.
A visita de Koizumi aos Estados Unidos, voltada para a transformação do Japão em uma potência militar, não passará de um passo insensato que acelera a autodestruição do próprio Japão.
A conduta temerária das novas forças militaristas japonesas, que tentam aproveitar as mudanças radicais na configuração das relações internacionais para trilhar novamente o caminho criminoso do passado, está intensificando a forte vigilância e a indignação dos países da região.
A força governante japonesa deve compreender claramente que, se esquecer a derrota do passado, perderá o futuro.

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