segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Sofredores que não conseguem escapar da situação infeliz

Um meio de comunicação japonês publicou um artigo sobre a situação dos desabrigados. Segundo o conteúdo, em poucas palavras, diversos fatores, como as péssimas condições dos abrigos, fazem com que ocorram muitas mortes entre os desabrigados. Ao relatar essa realidade, o veículo lamentou que, mesmo tendo sobrevivido a terremotos ou tsunamis, muitas pessoas sofram com as miseráveis condições de vida nos abrigos ou percam a vida em decorrência do agravamento de doenças crônicas, numa sucessão interminável.

O Japão é, como até seus próprios cidadãos reconhecem, um país frequentemente assolado por desastres naturais.

Somente nos últimos anos, terremotos, chuvas torrenciais e tufões causaram enormes danos humanos e materiais neste país. Inúmeras pessoas perderam a vida. As que sobreviveram por um triz precisam viver em abrigos até que sejam estabelecidas medidas de socorro. O problema é que nem mesmo condições básicas de vida são garantidas nesses abrigos.

Além da escassez de água potável e alimentos, as instalações de aquecimento e de higiene são lastimáveis, obrigando os desabrigados a levar uma vida penosa em condições que pouco diferem de um acampamento improvisado. Mesmo em pleno inverno, muitas pessoas têm de se amontoar e dormir encolhidas sobre o frio chão de concreto. A água nas regiões afetadas é extremamente insalubre, mas, sem acesso a água limpa para uso cotidiano, os desabrigados não têm outra opção senão utilizá-la.

Mesmo com a proliferação de diversas doenças, a falta de medicamentos impede um tratamento adequado, e a inexistência de condições para isolar os pacientes faz com que, ao surgir uma doença contagiosa, ela se espalhe rapidamente por todo o abrigo. Não foi por acaso que, durante o terremoto da península de Noto, um médico, ao descrever a situação dos abrigos, expressou extrema sensação de crise ao afirmar: “Há pessoas infectadas, mas não há como isolá-las. Os moradores locais estão passando dias dolorosos sem qualquer apoio.”

Nesse contexto, mortes sucessivas vêm ocorrendo entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, e não são poucos os que perdem a vida em razão do sofrimento psicológico.

O número de mortes causadas pelas péssimas condições de vida supera em muito o número de vítimas fatais ocorridas no momento do desastre. De acordo com dados revelados recentemente, ainda hoje, dois anos após o terremoto da península de Noto, não são poucos os atingidos que continuam vivendo em abrigos, e entre eles mais de 470 pessoas morreram, um número que corresponde ao dobro das mortes registradas no momento do terremoto.

A causa fundamental dessa situação reside na indiferença das autoridades japonesas em relação ao destino dos desabrigados.

A questão da melhoria das condições dos abrigos no Japão não é algo novo.

Sempre que ocorre um desastre, esse problema inevitavelmente se torna objeto de controvérsia, mas as autoridades, alegando dificuldades financeiras, sempre o ignoraram. No máximo, políticos visitavam os abrigos uma única vez, e nada mais.

Com o passar do tempo, as condições dos abrigos tornam-se cada vez piores e o sofrimento imposto aos desabrigados se agrava, mas as autoridades continuam adotando uma atitude fria e indiferente em relação ao destino dessas pessoas. Chegaram até a dificultar o pagamento da já escassa ajuda financeira destinada às famílias dos falecidos, concentrando-se apenas em verificar se a pessoa era ou não oficialmente reconhecida como desabrigada, o que só aumentou o descontentamento popular.

Um meio de comunicação japonês denunciou que, no caso das mortes relacionadas a desastres, as autoridades centrais e os governos locais “necessitam de meses ou até anos para reconhecê-las”, criticando o fato de que, apenas em relação ao terremoto da península de Noto, “ainda não foi concluída a análise de centenas de casos de óbito”.

Enquanto não forem estabelecidas de maneira adequada medidas de proteção e socorro aos desabrigados, será impossível evitar que o número de mortes continue aumentando no futuro. Mesmo segundo estimativas preliminares, prevê-se que, caso ocorra um terremoto na capital do Japão, até cerca de 40 mil pessoas poderão morrer em decorrência do desastre, e, no caso de um terremoto na fossa de Nankai, esse número poderá chegar a cerca de 50 mil. No entanto, embora despejem enormes somas de dinheiro no fortalecimento militar e no socorro aos grandes conglomerados empresariais, as autoridades japonesas tratam as difíceis condições de vida dos desabrigados como se fossem um problema alheio.

O aumento das mortes entre os desabrigados não é uma consequência inevitável dos desastres naturais, mas uma tragédia provocada inteiramente pelas políticas antipopulares das autoridades.

Un Jong Chol

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