Há pouco tempo, um instituto de pesquisa das Nações Unidas divulgou um relatório alertando que, devido ao uso excessivo das águas subterrâneas e à poluição da qualidade da água, três quartos da população mundial estão enfrentando uma situação de “falência hídrica”. Até agora, as Nações Unidas e outras organizações internacionais vinham debatendo o problema do esgotamento dos recursos hídricos usando conceitos como estresse hídrico e crise hídrica, partindo do pressuposto de que seria possível uma recuperação no futuro, mas esta foi a primeira vez que se utilizou o termo “falência”.
Isso se deve ao fato de que, no passado, a humanidade utilizou a água de aquíferos, rios e cursos d’água a uma velocidade excessivamente rápida e, somado às mudanças climáticas e à poluição da água, o abastecimento hídrico já ultrapassou a fase de crise.
Na realidade, a quantidade de água disponível para uso humano diminuiu a um nível irrecuperável, e a escassez de água tornou-se um problema extremamente grave que ameaça a sobrevivência da humanidade.
Tudo isso foi causado pela própria atividade humana.
No ano passado, o Irã sofreu com a escassez de água. A quantidade de chuvas no país diminuiu 98,6% em comparação com o ano anterior.
Em Teerã, no outono, não caiu uma única gota de chuva pela primeira vez em 100 anos.
Devido a uma seca sem precedentes, 19 reservatórios em todo o Irã secaram, e em mais de 40 cidades o abastecimento de água foi limitado ou interrompido.
Até mesmo na capital, Teerã, as pessoas sofreram com a falta de água.
Na Turquia, as altas temperaturas e a redução das chuvas fizeram baixar o nível das águas dos lagos.
Na ilha da Sicília, na Itália, seis reservatórios secaram, enquanto na ilha da Sardenha o volume de água dos reservatórios caiu para apenas 57% da capacidade de armazenamento.
Em junho de 2024, na Tunísia, o nível dos reservatórios atingiu o ponto mais baixo, com o volume de água reduzido em cerca de 200 milhões de m³ em comparação com o mesmo período do ano anterior; já em março, em Windhoek, na Namíbia, e em suas regiões vizinhas, o volume de água de três reservatórios que abastecem a população caiu de 42,5% para 20,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Não são apenas esses países. Em muitos outros, a escassez de água atingiu um nível catastrófico, forçando os moradores a se verem obrigados a abandonar seus locais de residência.
O aquecimento global provocou esses resultados.
Em certa ocasião, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas anunciou que o aquecimento global alterou a temperatura, o regime de chuvas e a evaporação da umidade. Na época, o órgão advertiu que, se a temperatura média global aumentasse, bilhões de pessoas enfrentariam a escassez de água.
Hoje, isso deixou de ser uma simples previsão e tornou-se realidade.
Não era algo impossível de evitar. Mesmo medidas que poderiam ter sido plenamente implementadas não foram adotadas, porque muitos países se concentraram exclusivamente no desenvolvimento econômico unilateral.
Esses países buscaram apenas lucros econômicos imediatos e, desde o início, não deram atenção à proteção da natureza. O desmatamento e a emissão excessiva de dióxido de carbono provocaram fenômenos climáticos anormais e destruíram o meio ambiente ecológico.
Devido aos efeitos do aquecimento global, as geleiras, que representam 68,7% da água doce do mundo, estão derretendo rapidamente.
Segundo dados, todos os anos derretem cerca de 273 bilhões de toneladas de gelo, o que equivale à quantidade de água consumida pela população mundial ao longo de 30 anos.
A poluição da água causada pela atividade humana também acelerou a redução dos recursos hídricos.
Até hoje, em escala mundial, a maior parte do esgoto doméstico e dos efluentes industriais foi despejada diretamente em rios e cursos d’água sem passar por processos de tratamento. Como consequência, a qualidade da água dos rios se deteriorou, tornando difícil garantir recursos hídricos limpos.
Em um país da Ásia, cerca de metade da população não consegue obter água potável sanitariamente segura. Em algumas regiões atrasadas, até mesmo lavar as mãos com água limpa é considerado um luxo. Em certa ocasião, em uma região, as pessoas sobreviveram com a “água de socorro” fornecida pelo governo, mas essa água era tão suja que nem os animais domésticos a bebiam.
Como consequência do uso de água contaminada, inúmeras pessoas estão perdendo a vida em todo o mundo.
A contradição entre a oferta e a demanda de recursos de água doce está se agravando a cada dia. Enquanto a demanda por água doce cresce rapidamente, a oferta, ao contrário, está diminuindo.
Diante dessa realidade, muitos países ao redor do mundo estão voltando grande atenção aos esforços para proteger os recursos hídricos e economizar água.
Especialistas afirmam que a “falência hídrica” não é algo que possa ser ignorado, mas um problema extremamente grave relacionado à sobrevivência da humanidade, e defendem que se concentrem esforços em minimizar os danos, apelando para que todos se mobilizem na proteção dos recursos hídricos e no combate ao aquecimento global.

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