quarta-feira, 11 de março de 2020

República Popular da Coreia - Esboço de poder burguês antipopular


Como todos sabem, em 15 de agosto a Coreia tornou-se livre do domínio colonial do imperialismo japonês após quase quatro décadas de opressão e exploração.

Aproveitando-se da situação de rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos invadiu arbitrariamente o sul da Coreia em setembro de 1945 e passou a governar o território sul em relação ao Paralelo 38 sob um sistema de governo militar alegando ser uma fase preparatória para que a Coreia se tornasse um país livre, independente e unificado futuramente.

Por outra lado, os soviéticos combateram junto aos guerrilheiros coreanos nos últimos dias da Luta Armada Antijaponesa e acompanharam o regresso das tropas derrotadas do Japão, prestando importante auxílio ao povo norte-coreano que viu-se final e plenamente livre das forças imperialistas.

Ao contrário das forças do imperialismo ianque, que permanecem até os dias atuais acantonados no sul da Coreia, as tropas do Exército Vermelho regressaram à URSS em 25 de agosto.

Em uma situação complexa no contexto da Guerra Fria, onde os EUA almejava conter o avanço dos comunistas na região, tomar toda a Coreia à médio-longo prazo e aumentar sua influência na região, foi realizada a Conferência de Moscou onde os ministros das Relações Exteriores de EUA, Reino Unido, China (ainda não RPC) e União Soviética discutiram de 16 a 26 de dezembro a situação da Coreia.

Ficou decidido que seriam formadas administrações provisórias de tutela das forças estrangeiras, onde os EUA tutelaria a Coreia do Sul e a URSS o faria com a Coreia do Norte até que ambas partes estivessem desenvolvidas e preparadas, segundo conceitos extremamente ambíguos, para se tornar uma só Coreia democrática e independente capaz de se desenvolver por conta própria.

Na prática, os EUA desde a chegada de suas tropas em solo sul-coreano comandou por ordenanças e trouxe para seu lado figuras anti-nacionais e pró-japonesas, reprimindo duramente nacionalistas, democratas e comunistas. Em contraste, a União Soviética respeitou a auto-determinação do povo coreano, trabalhando em conjunto com figuras nacionais para o desenvolvimento democrático do país liderado pelo General Kim Il Sung.

Mas como a história da "questão coreana" é muito complexa e cheia de nuances, há um pequeno capítulo que entra no curso desse período entre a libertação da Coreia e a Conferência de Moscou.

Foi a fundação da "República Popular da Coreia" pelas forças majoritariamente reacionárias lideradas pelo anticomunista Ri Sung Man em 6 de setembro de 1945, proclamando-se o primeiro "governo" da Coreia independente que seria, na teoria, gerido pelos próprios coreanos.

Sua plataforma incluía, "estabelecer um Estado totalmente independente, tanto econômico quanto politicamente; eliminar os remanescentes dos agressores japoneses e feudais; ser fiel aos princípios democráticos; melhorar radicalmente a qualidade de vida dos trabalhadores e camponeses, etc"

Foi uma sórdida tentativa dos reacionários de atrair e manipular as massas populares para o estabelecimento de um regime anti-popular a serviço das minorias das classes privilegiadas composto por traidores da nação.

Sem contar com o amplo apoio das massas que vislumbravam um futuro próspero sob a direção do General Kim Il Sung, genuíno patriota e líder do povo, a trama de Ri Sung Man fracassou, terminando oficialmente em fevereiro de 1946, apenas cinco meses depois de sua proclamação, apesar de já estar limitada desde o "Decreto de MacArthur" em 7 de setembro de 1945.

Existe uma discussão se tal "República Popular" realmente existiu tendo em vista que teve somente um dia de "governança" sobre o sul da Coreia efetivamente, já que os EUA assumiu o controle completo das atividades no país e não permitiu que um "poder" paralelo exercesse papel ativo na sociedade.

Há também quem defenda que não foi um governo "reacionário", pois continha figuras centristas e alguns esquerdistas. Mas, de fato, predominavam os reacionários de extrema-direita, pró-japoneses, falsos democratas, oportunistas e falsos revolucionários. Dentre eles, não poucas figuras vieram a ocupar cargos importantes após o término da "RP da Coreia" sob confiança das forças de ocupação estadunidenses.

Em seu discurso "Para estabelecer um genuíno governo do povo" em 15 de novembro de 1945, o General Kim Il Sung apresenta uma dura oposição à dita "República Popular" formada em Seul e enfatiza trata-se de uma "isca" dos imperialistas japoneses.

O grande Líder disse: "Não devemos morder a isca das intrigas dos imperialistas, relativas ao estabelecimento do poder. Agora, estes, com todo tipo de artimanhas, tratam de estabelecer com seus lacaios um governo reacionário em nosso país, e assim converter de novo nosso povo em seu escravo colonial. Se nestas condições aprovamos um governo anticomunista e antipopular, isso não só será trair as aspirações nacionais do povo coreano, mas também ajudar os imperialistas em sua política de escravização colonial."

De forma sucinta, essa é a curiosa história do Estado reacionário que só existiu no papel na parte sul da Coreia.

Foto: Jornal "Maeil Ilbo" anunciando a fundação da "República Popular da Coreia" em sua edição de 7 de setembro.

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