Informe apresentado pelo camarada Kim Il Sung no Congresso dos Comitês Populares de Província, Cidade e Condado da Coreia do Norte
19 de fevereiro de 1947
Após a libertação, na Coreia do Norte o poder passou às mãos do povo, foram realizadas reformas democráticas de significado histórico, especialmente a reforma agrária e a nacionalização das principais indústrias, graças às quais foram criadas condições para desenvolver de forma planejada nossa economia nacional.
Nacionalizadas as indústrias de base, os transportes, as comunicações e as instituições financeiras, não poderemos desenvolver as forças produtivas e melhorar a vida do povo sem reger de maneira planejada a economia nacional.
Somente administrando e dirigindo de forma planejada a indústria, a agricultura, os transportes, as comunicações, o comércio e demais ramos da economia nacional, isto é, de acordo com um plano estatal único, será possível restabelecer e desenvolver a economia e elevar o bem-estar do povo em um curto espaço de tempo.
É necessário preparar a base independente da economia nacional para liquidar sua deformidade e unilateralidade coloniais, consequência do prolongado domínio do imperialismo japonês, e elevar o nível de vida material e cultural de nosso povo. Com vistas a realizar este objetivo fundamental, é preciso cumprir em 1947 as seguintes tarefas:
Primeiro, duplicar aproximadamente a produção industrial em relação a 1946, reabilitando e colocando em funcionamento numerosas empresas.
Segundo, elevar a produtividade do trabalho, aumentar rapidamente a produção e melhorar a vida dos trabalhadores, renovando a organização da produção, introduzindo o sistema de autofinanciamento, realizando rigorosamente a economia e aplicando amplamente o sistema de trabalho por empreitada.
Terceiro, satisfazer a demanda da indústria e dos transportes por combustível, aumentando a extração de carvão mediante a recuperação e o desenvolvimento da indústria carbonífera.
Quarto, melhorar radicalmente os transportes, especialmente o ferroviário. Devemos procurar que o tráfego ferroviário seja pontual e rápido para assegurar satisfatoriamente o transporte dos materiais necessários a todos os setores da economia nacional.
Quinto, satisfazer as necessidades da população em cereais e artigos de primeira necessidade, mediante o desenvolvimento da economia rural e da indústria de artigos de uso diário.
Sexto, assegurar um frutífero intercâmbio de mercadorias entre a cidade e o campo e fornecer adequadamente à população artigos de primeira necessidade, ampliando a rede comercial do Estado e a das cooperativas de consumo e estendendo esta última até as aldeias montanhosas.
Além de desenvolver a produção de artigos de uso diário na indústria estatal e nas organizações cooperativas, é preciso fomentar em vários aspectos a iniciativa individual, introduzindo o capital privado na produção de artigos de primeira necessidade e na circulação de mercadorias.
1. Sobre o desenvolvimento industrial
Tempos atrás, o imperialismo japonês transformou a Coreia em uma base militar para sua agressão à Ásia e em uma base de fornecimento de matérias-primas. Essa foi a causa de a indústria coreana padecer de uma grave unilateralidade colonial. Depois de monopolizar a indústria coreana, o capital financeiro do Japão desenvolveu apenas os ramos necessários aos seus planos de agressão e transformou a economia coreana em um apêndice da economia japonesa.
A unilateralidade colonial de nossa indústria manifesta-se, antes de tudo, na falta de fábricas de máquinas e peças de reposição, locomotivas e vagões e, de modo geral, no subdesenvolvimento total da indústria de transformação. Hoje, a principal tarefa no desenvolvimento de nossa economia nacional consiste em lançar as bases de uma economia independente capaz de pôr fim à unilateralidade colonial de nossa indústria e de atender com sua própria produção às necessidades de artigos indispensáveis no país.
Os imperialistas japoneses destruíram grande quantidade de nossas empresas ao fugir após a derrota. Inundaram completamente 64 minas, inundaram parcialmente ou destruíram outras 178, devastaram a Fundição de Ferro e a Siderúrgica de Chongjin e a Central Elétrica de Suphung.
Além disso, destruíram oficinas, instalações de produção e outros equipamentos importantes, como altos-fornos e fornos de coque, em 47 empresas. Explodiram ou incendiaram a oficina de coque e química das fundições de ferro e importantes oficinas da Fábrica Química de Pyongyang.
Em 1946, empenhamo-nos em restabelecer e colocar em ordem as empresas destruídas. Apesar das múltiplas dificuldades, 822 empresas foram colocadas em funcionamento até 1º de janeiro de 1947, graças ao esforço abnegado de nossos trabalhadores. Entre elas estavam a Fábrica Química de Hungnam, a Fundição de Ferro de Hwanghae, a Siderúrgica de Songjin, a Siderúrgica de Kangson, as Fundições de Metais Não Ferrosos de Nampho, Haeju e Munphyong, as Minas de Sohung, Holdong, Suan e Komdok e outras 594 empresas médias e pequenas. Desse modo, no final de 1946, a indústria da Coreia do Norte havia sido restabelecida em grau considerável e haviam sido preparadas as condições para seu rápido desenvolvimento futuro.
No processo de recuperação da indústria, realizou-se paralelamente a preparação de quadros técnicos nacionais e, em 1946, foram formados mais de 500 técnicos e 3.000 operários qualificados. Atualmente, mais de 600 alunos estudam nas faculdades técnicas dos institutos superiores e mais de 5.000 em diversas escolas técnicas especializadas. Foi criado um centro de cursos para diretores de empresas. Hoje necessitamos de muito mais engenheiros, técnicos auxiliares e operários qualificados. Por isso, em 1947 devemos continuar fazendo enormes esforços para formar técnicos.
Em 1947, na indústria, deve-se prestar atenção especial ao aumento da fabricação de instrumentos de produção, artigos elétricos, tecidos, diversos utensílios, fósforos e outros artigos de uso diário.
O projeto de plano prevê para 1947 um aumento de 92% da produção industrial em relação a 1946. Para cumprir com êxito esta tarefa, é necessário melhorar radicalmente a organização da produção, introduzir o sistema de autofinanciamento nas empresas importantes, melhorar de modo geral o método de administração econômica e elevar incessantemente a produtividade do trabalho.
Prevê-se que, em 1947, a produtividade do trabalho na indústria aumentará 48% em relação a 1946. Para alcançar tal aumento, é preciso introduzir novas máquinas e equipamentos, elevar o nível técnico e a qualificação dos operários, aumentar seus salários e estimular o interesse pela produção.
Por setores da indústria, devemos resolver as seguintes tarefas:
Aumentar a extração de carvão, o que é de suma importância para desenvolver a economia nacional. Pode-se dizer que o carvão é o alimento da indústria e dos transportes. Em 1947 temos de mais que duplicar a extração de carvão em comparação com 1946: a hulha, em 2,8 vezes, ou seja, 1,3 milhão de toneladas; o antracito, em 90%, ou seja, 1,5 milhão de toneladas; os briquetes, em 35%, ou seja, 280 mil toneladas. Devemos empenhar-nos particularmente na produção de hulha, de vital necessidade para a indústria e os transportes. Em 1947 investiremos a soma de 103 milhões e 400 mil wons no desenvolvimento da indústria carbonífera, e mais da metade dessa soma será destinada a elevar a produção de hulha.
Em 1947 haverá também um grande progresso na indústria química. Para aumentar as colheitas agrícolas, devemos prestar grande atenção à produção de fertilizantes químicos, que quase duplicará em relação a 1946, alcançando 300 mil toneladas.
A produção de oxigênio e carbureto de cálcio aumentará mais de duas vezes em relação a 1946. O plano prevê reconstruir 5 filiais da Fábrica Química de Hungnam e construir outras 6 novas para a produção de medicamentos, artigos de uso diário e matérias-primas químicas.
Em 1947, os investimentos na indústria química chegarão a 100 milhões de wons, e a maior parte será destinada à reconstrução e reparação geral da Fábrica Química de Hungnam e à construção de novas filiais.
Essas grandes obras de construção exigem grande quantidade de ferro. Por isso, prevemos no plano de 1947 um rápido desenvolvimento da metalurgia ferrosa. Neste ano, planejamos aumentar, em comparação com 1946, duas vezes a produção de ferro-gusa; 1,3 vezes a de aço; 5,8 vezes a de materiais de aço; e 5 vezes a de ligas de ferro. Dessa maneira, neste ano a produção de ferro-gusa chegará a 60 mil toneladas; a de aço, a 70 mil; a de materiais de aço, a 60 mil; e a de ligas de ferro, a 4 mil.
O plano de 1947 prevê construir em todas as importantes fábricas siderúrgicas unidades filiais para a produção de artigos de uso diário, cujo volume ascenderá durante o período do plano a 59 milhões de wons (a preços de 1946). Com vistas a elevar rapidamente a produção de metais ferrosos, é necessário restaurar os equipamentos metalúrgicos importantes. Assim, é preciso reabilitar um alto-forno, dois fornos de coque e dois fornos elétricos da Fundição de Ferro de Hwanghae e construir uma fábrica filial produtora de tubos de ferro na Siderúrgica de Kangson. Em 1947 serão investidos 60 milhões de wons na metalurgia ferrosa, dos quais cerca de 40 milhões serão destinados à recuperação da Siderúrgica de Kangson e da Fundição de Ferro de Hwanghae.
No domínio da mineração, é necessário recuperar 31 minas em 1947 para satisfazer a demanda de minérios de ferro e outros minerais úteis. Deve-se aumentar consideravelmente a produção de ouro, chumbo, zinco e outros metais não ferrosos e preciosos. Neste ano, serão investidos 39,5 milhões de wons na indústria mineral.
Em 1947, a produção da indústria de construção de máquinas aumentará cerca de 2,5 vezes. O plano prevê organizar amplamente a produção de peças de reposição para instalações de minas e empresas, construir 52 navios de carga com deslocamento de 40 a 150 toneladas e aumentar 2,4 vezes a produção de motores para navios.
A fábrica de reparação de automóveis e a fábrica mecânica construídas em Pyongyang em 1946 poderão reparar 450 veículos e produzir diversas máquinas em 1947.
Em 1947, prevemos construir em Pyongyang outra fábrica de construção de máquinas que produzirá 50 máquinas de corte de metais. Neste ano, investiremos 7 milhões de wons na indústria de construção de máquinas, dos quais 4 milhões serão destinados à construção de uma nova empresa e o restante à reconstrução das empresas existentes.
Devemos dedicar grandes esforços à recuperação e ao desenvolvimento da indústria elétrica. Durante a Segunda Guerra Mundial, os imperialistas japoneses exploraram excessivamente e sem realizar reparações os equipamentos geradores e as instalações elétricas, destruindo-os barbaramente ao fugir. Portanto, para assegurar a produção de energia elétrica, é muito importante reparar e colocar em ordem os equipamentos geradores e as instalações elétricas. Em 1947, investiremos 30 milhões de wons nisso.
Para reconstruir e desenvolver a indústria, é preciso aumentar consideravelmente a produção de materiais de construção. No ano em curso, temos de produzir 300 mil toneladas de cimento e quase duplicar a produção de tijolos. Em 1947, propomo-nos investir 8,1 milhões de wons na indústria de materiais de construção.
No ramo da indústria leve, a produção de tecidos de diversos tipos aumentará 2,5 vezes, chegando a 4 milhões de metros, e a de papel alcançará 9 mil toneladas em 1947.
Projetamos produzir neste ano 12 milhões de peças de roupas de algodão e 1 milhão de pares de calçados de borracha. Setenta e cinco por cento daquelas e 90 por cento destes serão produzidos por fábricas privadas.
Além disso, instalaremos nas empresas da indústria pesada fábricas filiais de artigos de uso diário, que produzirão várias classes desses artigos no valor total de 119 milhões de wons (a preços de 1946). Para desenvolver a indústria leve, investiremos neste ano 70 milhões de wons, dos quais 50 milhões serão destinados à construção de uma nova fábrica têxtil com 15 mil fusos, mais de 15 milhões à restauração e 4,7 milhões à construção de novas instalações. Com vistas a solucionar o problema das matérias-primas inexistentes em nosso país para a indústria leve, prevemos adquirir neste ano 600 toneladas de borracha bruta e 2 mil toneladas de fios de algodão.
Em relação à rápida recuperação e ao desenvolvimento da indústria, o número de trabalhadores na indústria estatal registrará em 1947 um aumento aproximado de 20% em comparação com 1946. A soma total dos investimentos básicos para restabelecer e desenvolver a indústria, prevista no plano, ascende a 880 milhões de wons.
2. Sobre a indústria local
A indústria local, que está sob a jurisdição dos comitês populares provinciais, deverá desempenhar um papel importante no aumento da produção de artigos de primeira necessidade. O imperialismo japonês não desenvolveu na Coreia a produção de artigos de uso diário nem a indústria alimentícia. A fim de eliminar esses pontos fracos de nossa economia e fomentar a produção de artigos de primeira necessidade, é necessário estimular ativamente a iniciativa criadora dos comitês populares locais e dos indivíduos. Os comitês populares provinciais devem introduzir audaciosamente o capital privado na construção da indústria local.
Prevê-se que, em 1947, as empresas estatais e privadas locais produzirão mercadorias no valor de 248 milhões e 400 mil wons e 1 bilhão e 385 milhões de wons, respectivamente, fazendo com que a indústria local produza, ao todo, artigos de primeira necessidade no valor de 1 bilhão, 633 milhões e 400 mil wons.
Essa soma distribui-se pelas províncias da seguinte maneira:
Cidade de Pyongyang
708,6 milhões de wons
Província de Phyongan Sul
115,1 milhões de wons
Província de Phyongan Norte
369 milhões de wons
Província de Kangwon
58 milhões de wons
Província de Hwanghae
233 milhões de wons
Província de Hamgyong Sul
91,7 milhões de wons
Província de Hamgyong Norte
58 milhões de wons.
Como a indústria local se desenvolve principalmente apoiando-se nas fontes locais de matérias-primas, os funcionários das províncias, cidades, condados e cantões devem prestar atenção especial à busca dessas fontes.
3. Sobre o desenvolvimento da economia rural
Nossa economia rural foi devastada impiedosamente pela política colonial dos imperialistas japoneses, especialmente por sua política de cruel espoliação praticada em tempo de guerra. Somente em 1942, na Coreia do Norte, foram perdidos 253 mil hectares de terras cultiváveis e 400 mil toneladas de cereais na colheita.
Durante a guerra, o imperialismo japonês expropriou enormes quantidades de animais domésticos e levou-os para o Japão. Por isso, no período de 1939 até o final de 1945, o número de bovinos foi reduzido em 311 mil cabeças; o de suínos, em 426 mil; o de equinos, em 5 mil; e o de ovinos, em 6 mil. Em suma, aumentou muito o número de famílias camponesas sem gado, e o número de animais possuídos por cada uma delas não passava de 0,3 cabeça em 1946.
Durante seu domínio, os agressores japoneses devastaram assim o campo coreano, lançando nossos camponeses na ruína e na miséria.
O Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte realizou a reforma agrária para libertar os camponeses da exploração feudal e imprimir um rápido desenvolvimento à economia rural. Como resultado, um total de 981.390 hectares de terras foram distribuídos gratuitamente entre os camponeses com pouca ou nenhuma terra, que representavam 724.522 famílias.
Durante o domínio dos imperialistas japoneses, estes e os latifundiários tomavam dos camponeses quase toda a sua colheita todos os anos. Mas agora, depois da reforma agrária, os camponeses entregam anualmente ao Estado apenas 25% de sua colheita como imposto em espécie e dispõem livremente do restante. Assim, a reforma agrária estimulou o interesse dos camponeses pela produção, criando-lhes a possibilidade de melhorar suas condições de vida.
A tarefa imediata que hoje enfrenta nossa economia rural é ampliar a superfície cultivável, utilizar bem a terra e aumentar consideravelmente o rendimento das colheitas, para fazer com que a Coreia do Norte, em vez de uma região onde escasseiam os alimentos, se transforme em uma região de grande abundância e, dessa maneira, solucionar o problema dos alimentos.
Neste ano ampliaremos em 80 mil hectares a terra cultivável e, particularmente, destinaremos 155 milhões de wons às obras de irrigação para ampliar as áreas de cultivo de arroz irrigado.
Para aumentar o rendimento das colheitas, é necessário introduzir amplamente métodos avançados de cultivo, como a aração de outono, a seleção de boas sementes, o cultivo de plantas precoces etc.
Para elevar a produção agrícola, é muito importante aumentar a quantidade de fertilizantes químicos. Se em 1946 fornecemos ao campo 110 mil toneladas de fertilizantes químicos, em 1947 enviaremos quase 200 mil toneladas. Adotando todas essas medidas, alcançaremos em 1947 um aumento de 300 mil toneladas de cereais em relação a 1946.
Outra tarefa apresentada à economia rural é desenvolver em ritmo acelerado a pecuária. Para cumpri-la, é preciso prestar séria atenção à criação das bases de produção dos alimentos necessários ao desenvolvimento da pecuária, ampliando ao mesmo tempo a área destinada ao cultivo de cereais. Assim, neste ano temos de elevar o número de bovinos para 600 mil cabeças; de suínos, para 350 mil; e de cavalos, para 12.900. Para aumentar o número de cabeças de gado, é necessário dedicar grandes esforços à criação de animais reprodutores.
É preciso proibir terminantemente o abate de animais domésticos sem autorização do comitê popular e procurar multiplicá-los por todos os meios, a fim de assegurar seu número e satisfazer a demanda da população por carne.
Com vistas a solucionar o problema dos alimentos secundários para os trabalhadores, é necessário desenvolver ativamente a pesca juntamente com a pecuária. Neste ano, prevê-se capturar 260 mil toneladas de pescado.
O cumprimento exitoso de todas essas tarefas apresentadas à economia rural servirá de grande ajuda à rápida recuperação e ao desenvolvimento de toda a economia nacional e à melhoria da vida do povo.
4. Sobre os transportes e as comunicações
Após a libertação, nossos transportes encontravam-se em estado de desordem. Os imperialistas japoneses destruíram a Fábrica de Reparação de Locomotivas de Chongjin, doze pontes ferroviárias, três túneis e cinco estações. Devido à inatividade das fábricas, não pudemos reparar locomotivas. No setor ferroviário, escasseavam carvão, materiais, alimentos e recursos financeiros, enquanto a disciplina era fraca e o senso de responsabilidade, inexistente.
Esse estado das ferrovias foi muito propício às ações de sabotagem dos reacionários e elementos pró-japoneses que procuravam impedir o restabelecimento das vias férreas. Organizaram sabotagens e atos de destruição. Por exemplo, os sabotadores incendiaram a Fábrica de Reparação de Vagões de Pyongyang e destruíram locomotivas e vagões.
Durante a libertação, o transporte marítimo também sofreu enormes perdas. Ao fugir, os imperialistas japoneses afundaram em vários portos da Coreia do Norte 70 navios a motor, com deslocamento total de 99 mil toneladas. O transporte rodoviário também se encontrava em estado precário.
Entretanto, nossos trabalhadores do setor de transportes, especialmente os ferroviários, lutaram valentemente contra os sabotadores e destruidores e, superando todas as dificuldades, conseguiram restabelecer as ferrovias. Nossas fábricas de reparação de locomotivas recuperaram 299 unidades e agora produzem por conta própria peças de reposição como tubos de fumaça, sapatas da cruzeta, caixas coletoras de vapor etc. Graças ao esforço abnegado de nossos ferroviários, todas as vias férreas da Coreia do Norte foram restabelecidas.
Mas os transportes não dão conta das necessidades da economia nacional. No transporte ferroviário, é baixa a velocidade de circulação das locomotivas, que frequentemente apresentam avarias. Com a melhoria do transporte ferroviário, aumentaremos a capacidade de transporte e asseguraremos a circulação regular dos trens. Em 1947, temos de aumentar em 2,4 vezes, em relação a 1946, o volume total do transporte de mercadorias por ferrovia, fazendo-o chegar a 1 bilhão e 551 milhões de toneladas-quilômetro.
Para que o transporte de mercadorias seja eficaz, é preciso melhorar a reparação das locomotivas. Em 1947, deve-se realizar a reparação geral de 144 locomotivas e a reparação parcial de 396. Para cumprir o plano de transportes com índices elevados, é necessário aumentar a taxa de utilização do material rodante. O plano prevê reduzir o ciclo de circulação dos vagões de 10,6 dias em 1946 para menos de 8 dias. Em 1947, investiremos 100 milhões de wons no transporte ferroviário.
No ano passado, o transporte rodoviário também foi bastante recuperado, como resultado do que agora estão em funcionamento 1.120 automóveis sob a jurisdição do Departamento de Transportes e de outros órgãos e empresas estatais.
Em 1947, o transporte automobilístico deverá transportar 450 mil toneladas de mercadorias e melhorar também significativamente o serviço de passageiros. O transporte aquático deverá transportar 636 mil toneladas de mercadorias.
Os comitês populares locais devem realizar planejadamente a reparação das estradas e construir 80 pontes, com extensão total superior a 5.600 metros. O plano prevê investir 150 milhões de wons na construção de pontes, diques e na reparação de cais.
Embora o imperialismo japonês nos tenha legado comunicações destruídas e contássemos com um número muito reduzido de quadros técnicos, no período transcorrido alcançamos grandes êxitos na restauração e organização dos órgãos de comunicações.
Com a instalação de novos circuitos entre Pyongyang-Wonsan e Hamhung-Chongjin, foram colocadas em funcionamento as comunicações telefônicas e telegráficas. Foram recuperados 4.640 km de linhas telegráficas e telefônicas, e foi construída em Chongjin uma nova central telefônica no lugar da destruída pelos imperialistas japoneses.
Agora, na Coreia do Norte, existem mais de 150 centrais telefônicas com mais de 20 assinantes cada uma. Nas cidades, condados e centros rurais, foram restaurados e construídos 329 edifícios dos correios; nas ferrovias estão em funcionamento 22 vagões postais.
Em fevereiro de 1946, começou o intercâmbio postal com a Coreia do Sul e foi celebrado com a União Soviética um acordo sobre intercâmbio postal e telegráfico.
Graças ao trabalho incansável de nossos técnicos, foi instalado em Pyongyang um transmissor com potência de 15 kW, foi construída em Cholwon uma nova estação transmissora com potência de 250 W e também está sendo construída em Kanggye outra estação de radiodifusão.
Em 1947, é preciso assegurar normalmente os serviços telefônicos entre todos os locais onde existam comitês populares provinciais e os principais centros industriais, bem como entre todos os locais onde existam comitês populares de província, condado e cantão.
Em 1947, é preciso instalar 1.734 km de linhas telefônicas e, para assegurar as comunicações com todas as províncias, reparar 10 aparelhos telefônicos por correntes portadoras e restaurar e reajustar mais de 4 mil km de linhas telefônicas. Reconstruiremos em Chongjin uma central regional de comunicações e construiremos uma nova fábrica central para reparação de aparelhos transmissores e produção de peças de reposição.
Para fortalecer o trabalho de transmissão radiofônica, devemos reconstruir a Emissora de Rádio de Pyongyang, instalar um transmissor de ondas médias e elevar assim sua potência de 500 W para 10 kW.
Nos serviços postais, é necessário aumentar o número de vagões e caminhões dos correios e melhorar a distribuição postal, assegurando assim um intercâmbio correto de correspondências.
O plano prevê investir 28 milhões de wons nas comunicações.
5. Sobre a circulação de mercadorias
Sob o domínio dos imperialistas japoneses, 85% do capital comercial da Coreia encontrava-se em suas mãos. Esses bandidos monopolizavam na Coreia o mercado de artigos de uso diário, alimentos e outras mercadorias. Por isso, após a derrota do imperialismo japonês, surgiram sérias dificuldades na circulação de mercadorias.
A quantidade de mercadorias nos armazéns diminuiu; não havia possibilidade de importá-las de outros países; a indústria doméstica não estava em condições de produzir grandes quantidades de mercadorias e também escasseavam os produtos agrícolas, em consequência do que aumentou o número de especuladores e os preços das mercadorias subiram às alturas.
Com vistas a melhorar o fornecimento de mercadorias ao povo e combater os especuladores, criamos em maio de 1946 as cooperativas de consumo. Até janeiro de 1947, as cooperativas de consumo haviam admitido em seu seio mais de 2 milhões de pessoas e realizado a circulação de mercadorias no valor de 660 milhões de wons em 950 lojas. Além disso, em 1946 organizamos lojas estatais. Somente nas oito grandes lojas de departamentos estatais, foram vendidas, em seis meses, mercadorias no valor de 18 milhões de wons.
Utilizando 1.280 estabelecimentos comerciais estatais e das cooperativas de consumo, é preciso vender em 1947 mercadorias no valor de 6 bilhões de wons.
Para desenvolver a circulação de mercadorias, não basta ampliar a rede comercial. É preciso impedir que os artigos de uso diário caiam nas mãos dos especuladores, intensificando o trabalho dos órgãos comerciais, e evitar a infiltração de ociosos, vigaristas e especuladores, selecionando e colocando corretamente os funcionários dos órgãos comerciais do Estado e das cooperativas de consumo.
Na circulação de mercadorias, é preciso esforçar-se para elevar incessantemente a proporção do comércio estatal e das cooperativas de consumo. Somente quando o melhorarmos decididamente e desenvolvermos adequadamente a circulação de mercadorias, poderemos coordenar os preços das mercadorias no mercado e estabilizar a vida das massas trabalhadoras.
A fim de ampliar a rede comercial, em 1947 prevemos investir 40 milhões de wons.
Juntamente com o desenvolvimento do comércio estatal e das cooperativas de consumo, é preciso também prestar profunda atenção ao desenvolvimento do comércio privado. O Estado oferecerá sua ajuda ao desenvolvimento das companhias comerciais e sociedades anônimas privadas.
6. Sobre a cultura e a educação
Os imperialistas japoneses praticaram uma política destinada a aniquilar nossa cultura nacional. Tentaram sepultar até mesmo nossa língua e nossa escrita. Os filhos e filhas de operários e camponeses não puderam receber sequer a educação primária, quanto mais estudar em escolas secundárias ou institutos. Daí o grande número de analfabetos entre nossos trabalhadores.
Somente com a libertação, nosso povo teve acesso ao desenvolvimento de sua cultura nacional, ao estudo das ciências e dos conhecimentos avançados.
As medidas educacionais do Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte já alcançaram não poucos êxitos. Em 1946, o número de escolas primárias chegou a 2.482, com um aumento de 1.110 em comparação com 1945, e o número total de alunos passou de 878 mil em 1945 para 1 milhão e 183 mil em 1946.
Se em 1945 o número de escolas secundárias era de 44 e o de alunos, 19.800, em 1946 esses números aumentaram para 217 e 70 mil, respectivamente. Além disso, atualmente 9.700 alunos estudam em 28 escolas secundárias especializadas. Em 1946, foram fundadas pela primeira vez na Coreia do Norte a universidade e os institutos, nos quais atualmente estão matriculados 3.100 alunos. Além disso, foram criadas duas escolas pedagógicas especializadas e oito escolas normais, nas quais são preparados intensivamente quadros nacionais que irão exercer a instrução popular.
Também foram alcançados não poucos êxitos na educação de adultos. Em 1946, foram abertas 16.178 escolas de adultos, nas quais estudam 556 mil trabalhadores. Além disso, atualmente 3 mil pessoas estudam em 31 escolas de adultos de nível superior.
Também foi realizado um dinâmico trabalho de educação cultural das massas. Se em 1945 não havia um único clube e existiam apenas 7 salas de leitura, no final de 1946 funcionavam 91 clubes, 35 bibliotecas e 717 salas de leitura. Além disso, 83 teatros e cinemas prestam seus serviços ao descanso e à educação cultural dos trabalhadores. Foram organizados o Conjunto Central de Atividade Artística, a Orquestra Sinfônica Central e a Federação Geral de Escritores e Artistas, o que constitui um grande acontecimento no desenvolvimento de nossa cultura nacional.
Com vistas a melhorar e fortalecer o trabalho de educação popular e satisfazer a demanda cultural da população, em 1947 devemos cumprir as seguintes tarefas:
Elevar para 3.156 o número de escolas primárias e para 1,5 milhão o número de seus alunos; construir mais 209 escolas secundárias, para que no novo ano letivo seu número chegue a 426 e o de seus alunos a 129 mil; construir mais 17 escolas técnicas e aumentar para 17 mil o número de alunos das escolas normais e técnicas; fundar mais dois institutos de ensino superior, para que o número de estudantes alcance 6.200. Além disso, é preciso abrir 40 mil escolas de alfabetização de adultos, matriculando nelas 800 mil pessoas; abrir 64 escolas de adultos de nível superior, com uma matrícula de 7.700 pessoas. Devemos construir 77 clubes, 67 bibliotecas, 536 salas de leitura, um museu e 9 teatros, e criar na cidade de Pyongyang um centro de produção cinematográfica e uma escola de artes. Para cumprir com êxito o plano deste ano de desenvolvimento da educação e da cultura, temos de fazer esforços extraordinários.
7. Sobre a saúde pública
Os imperialistas japoneses não prestaram nenhuma atenção ao problema da saúde pública dos coreanos. Como resultado, sob o domínio do imperialismo japonês havia na Coreia do Norte apenas 9 hospitais estatais com 450 leitos. Somando-se as clínicas privadas e seus médicos, o número chegava apenas a algumas centenas de médicos e pouco mais de 1.000 leitos.
Para completar, o preço caríssimo dos serviços médicos impossibilitava os trabalhadores de receber assistência em caso de doença. Por isso, propagaram-se diversas epidemias, como cólera, varíola e tifo exantemático, que causavam a morte de dezenas de milhares de pessoas todos os anos.
Com o estabelecimento do Poder popular após a libertação, a saúde pública melhorou radicalmente e aumentou consideravelmente o número de hospitais e clínicas.
Em 1946, o número de hospitais estatais aumentou mais de 6 vezes e o de leitos mais de 4,5 vezes em comparação com o período anterior à libertação; foram construídos dois hospitais antiepidêmicos com 70 leitos, 8 centros experimentais de higiene e microbiologia e 10 postos de desinfecção. Em 1946, fundamos dois sanatórios para tratar tuberculose com 176 leitos e centros de serviço de emergência nas capitais de todas as províncias. Com a melhoria da saúde pública graças ao rápido aumento do número de órgãos de assistência médica, as doenças contagiosas diminuíram notavelmente.
Em 1947, aumentará ainda mais o número de instituições e instalações médicas. O número de hospitais gerais e antiepidêmicos chegará a 106 e o número de leitos aumentará 1,5 vez em relação a 1946. No ano em curso, instalaremos um instituto de pesquisa profilática, um hospital especializado em tuberculose e um hospital dermatológico na cidade de Pyongyang, uma leprosaria em um local isolado e adequado, e também construiremos uma fábrica de produtos farmacêuticos em Hungnam. Além disso, implantaremos o sistema de fornecimento gratuito de medicamentos aos operários e empregados, com o propósito de ampliar a assistência médica às massas trabalhadoras. Para esse fim, já transferimos as instalações médicas de todas as fábricas para os órgãos estatais de seguro, pertencentes ao Departamento do Trabalho.
Camaradas:
No curto espaço de tempo que se seguiu à libertação, alcançamos não poucos êxitos na recuperação da economia nacional destruída e na melhoria e estabilização da vida do povo e, sobre essa base, hoje traçamos pela primeira vez um plano anual. Isso significa que nossa economia nacional já possui condições para desenvolver-se de maneira planejada e entrou em uma etapa superior.
Naturalmente, o plano da economia nacional de 1947 é um projeto difícil e grandioso. Mas podemos e devemos, sem falta, cumpri-lo.
Todos os partidos políticos e organizações sociais compreendidos na Frente Unida Nacional Democrática, assim como os operários, camponeses, intelectuais, comerciantes e empresários, devem lutar unidos para cumprir e superar o plano da economia nacional de 1947, vencendo as dificuldades que se apresentam diante de nós. A realização deste plano será um grande passo para lançar as bases da construção de um Estado democrático independente.
Alcançando as metas do plano deste ano estabelecidas para a indústria, mediante a elevação incessante de seu nível técnico e de qualificação e o pleno desenvolvimento da iniciativa criadora, os operários, engenheiros e técnicos auxiliares devem restaurar e desenvolver o quanto antes nossa indústria e satisfazer a demanda da população urbana e rural por produtos industriais.
Aumentando a produção de cereais mediante a ampliação por todos os meios da superfície cultivável, a elevação do grau de aproveitamento da terra e a aplicação ativa de métodos avançados de cultivo, e desenvolvendo aceleradamente a pecuária, os laboriosos camponeses devem solucionar o problema dos alimentos e dos alimentos auxiliares de nossos trabalhadores.
As cooperativas de consumo devem enviar produtos agrícolas à cidade por meio do recolhimento e fornecer artigos industriais aos camponeses, assegurando assim uma boa circulação de mercadorias entre a cidade e o campo.
O Poder popular protege a propriedade privada e fomenta a atividade produtiva e comercial dos comerciantes e industriais privados. Estes, mantendo elevada a política do Poder popular, devem participar ativamente da recuperação e construção da economia nacional com seu capital e sua técnica.
É muito importante observar rigorosamente a disciplina financeira no cumprimento do plano da economia nacional de 1947. Com a preparação dos recursos necessários para recuperar e desenvolver a indústria, a agricultura e os demais ramos da economia nacional, por meio de uma luta resoluta contra os usurpadores dos bens do povo, da economia de matérias-primas e materiais, da simplificação do aparelho estatal e de uma redução visível das despesas administrativas, devemos assegurar que o plano da economia nacional de 1947 seja cumprido com êxito.