Discurso do camarada Kim Il Sung na cerimônia de inauguração da Escola Central de Quadros de Alto Escalão
1º de julho de 1946
Camaradas:
Hoje, celebramos a cerimônia de inauguração da Escola Central de Quadros de Alto Escalão em meio à vigorosa luta que todo o povo trava para construir uma nova Coreia democrática.
A Escola Central de Quadros de Alto Escalão é um centro de formação de quadros destinado a ensinar, de maneira sistemática, funcionários capazes de administrar os órgãos do Poder Popular, fábricas, empresas e outras entidades econômico-administrativas.
O estabelecimento desta escola tem enorme importância para acelerar a construção de um Estado democrático, soberano e independente, fortalecê-lo e enriquecê-lo. Até agora, em nosso país não existia uma instituição estatal destinada à formação de quadros do setor econômico-administrativo. Entretanto, hoje, com a criação deste estabelecimento diretamente subordinado ao Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte, passamos a contar, pela primeira vez na história, com uma escola destinada a formar os quadros nacionais que se encarregarão da administração das instituições estatais e econômicas. Isso significa que realizamos um desejo que nosso povo acalentou por muito tempo. O fato de nosso povo ter chegado a formar, por si mesmo, seus próprios quadros nacionais constitui um grande motivo de orgulho.
Vocês, camaradas, têm a honra de ser os primeiros estudantes deste centro. Guardando profundamente em seus corações essa honra e esse orgulho, devem esforçar-se tenazmente para tornar-se pilares da construção da nova Coreia e fiéis servidores do povo.
Hoje nos empenhamos em erguer nesta terra natal, libertada da dominação colonial do imperialismo japonês, um Estado democrático, soberano e independente, de acordo com as exigências e a vontade do povo. Contudo, essa luta não tem sido fácil, e enfrentamos muitas dificuldades e contratempos.
Os imperialistas estadunidenses estabelecidos na Coreia do Sul exercem um governo militar e reprimem cruelmente as forças democrático-patrióticas; ao mesmo tempo, instigando a camarilha de Ri Sung Man, opõem-se ao estabelecimento de um governo provisório democrático e unificado e tramam manobras para transformar nosso país em sua colônia. Incitados por eles e pelo fantoche Ri Sung Man, os latifundiários, os colaboracionistas pró-japoneses, os traidores da nação expropriados e outros setores reacionários da parte norte do país conspiram maliciosamente para destruir nosso Poder Popular, caluniam e difamam os êxitos das reformas democráticas e procuram induzir as massas a seguir um caminho equivocado mediante a difusão de rumores reacionários e tendenciosos. Essas maquinações dos imperialistas estadunidenses e dos demais grupos reacionários constituem grandes obstáculos à construção da Coreia democrática.
Por sua vez, os faccionistas impedem a construção do Estado.
No passado, esses elementos se entregavam às disputas faccionais pela hegemonia, causando grandes prejuízos ao movimento revolucionário do país e, ainda hoje, após a libertação do país, sem abandonar esse hábito, continuam praticando atos faccionistas em detrimento da unidade e da coesão das massas populares, criando obstáculos à construção da Coreia democrática.
Empregando todos os esforços possíveis, devemos cumprir com êxito a difícil e grandiosa tarefa de consolidar firmemente a base democrática na Coreia do Norte e construir um Estado rico, poderoso, soberano e independente, rejeitando todas as maquinações dos reacionários e dos elementos faccionistas, tanto do interior quanto do exterior do país.
Para alcançar esse objetivo, devemos consolidar firmemente as fileiras dos quadros nacionais, que são os pilares da construção da nova Coreia. Concretizar essa tarefa e alcançar o enriquecimento e a prosperidade do país torna indispensável contar com numerosos quadros nacionais. Sem eles, é impossível resolver com êxito os difíceis e complexos problemas que surgem na construção da nova pátria e impulsioná-la adequadamente.
Entretanto, temos poucos quadros, o que constitui uma das maiores dificuldades na tarefa de construção do país.
A escassez de quadros nacionais deve-se inteiramente à dominação colonial dos malignos imperialistas japoneses. Em outros tempos, sob essa dominação, nosso povo não pôde participar da administração do país nem adquirir conhecimentos científicos e tecnológicos. Por isso, carecemos de pessoas capazes de manter em funcionamento os órgãos do Poder e a economia nacional. Os que atualmente trabalham nas instituições administrativas têm pouca experiência em seu trabalho. Seu nível é muito baixo.
Diante dessa situação, para formar rapidamente os quadros é necessário contar com centros apropriados. É verdade que criamos a Academia de Pyongyang e a Escola Central do Partido, mas isso não é suficiente. Necessitamos, além delas, de outra destinada a capacitar o pessoal econômico-administrativo. Por essa razão, estabelecemos a Escola Central de Quadros de Alto Escalão.
Agora que este centro foi inaugurado, é importante resolver corretamente os problemas de como administrá-lo, o que e como ensinar aos estudantes e de que maneira realizar sua formação ideológica. Dando uma resposta adequada a essas questões, conseguiremos formar excelentes quadros nacionais.
Este centro deve matricular funcionários em atividade que trabalham nas instituições econômico-administrativas e os mais destacados operários, camponeses pobres e peões agrícolas que, durante a dominação colonial, foram intensamente explorados pelos imperialistas japoneses, pelos latifundiários e pelos capitalistas. A todos deve proporcionar boa instrução e educação, formando-os como funcionários competentes e úteis, capazes de resolver com acerto e de acordo com nossa realidade todos os problemas que surgem na construção do país.
Para formar os estudantes como excelentes quadros nacionais é necessário, antes de tudo, prepará-los bem no aspecto ideológico.
Deve-se incutir neles um ardente espírito patriótico e um elevado orgulho nacional, bem como um ódio implacável aos inimigos e confiança na vitória da causa revolucionária.
A nossa é uma nação inteligente, com uma longa história e uma cultura brilhante, que no passado lutou vigorosamente pela emancipação e pela independência da pátria, sem se curvar diante de toda espécie de maquinações e atrocidades dos agressores estrangeiros. Em particular, os comunistas coreanos travaram a heroica Luta Armada Antijaponesa para expulsar os agressores imperialistas japoneses e alcançar a restauração da pátria. Cabe a esta escola ensinar de maneira sistemática aos estudantes a história do povo coreano, que lutou valentemente contra os agressores estrangeiros, especialmente os imperialistas japoneses, bem como tudo o mais que esse povo possui de valioso. Dessa maneira, deve incutir neles um ardente patriotismo e um elevado orgulho nacional.
Ao mesmo tempo, deve realizar uma instrução adequada para que os alunos tenham plena consciência da natureza agressiva dos imperialistas japoneses e estadunidenses e das barbaridades que cometeram na Coreia. Em outros tempos, os imperialistas japoneses ocuparam nosso país, oprimiram e exploraram o povo coreano por meio de diversos métodos astutos e cruéis e prenderam, encarceraram e assassinaram indiscriminadamente pessoas inocentes. Por sua vez, os imperialistas estadunidenses vinham, desde muito tempo, praticando incessantemente agressões e atos de pilhagem contra a Coreia, incluindo a incursão do navio agressor "General Sherman" pelo rio Taedong.
Devemos dar a conhecer claramente aos estudantes esses crimes. Em especial, devemos explicar-lhes detalhadamente a astuta política de agressão dos imperialistas estadunidenses. Como, em tempos passados, eles difundiram na Coreia a ideia da adoração aos Estados Unidos sob o eufemismo da religião, não são poucas as pessoas que alimentam ilusões a seu respeito. Nesta escola é necessário ensinar aos estudantes, com base em fatos concretos, a perversidade e a astúcia dos imperialistas estadunidenses. Também devem ser ministradas aulas bem organizadas sobre os crimes dos colaboracionistas pró-japoneses, pró-estadunidenses e dos traidores da nação. Dessa maneira, deve-se levá-los a odiar os imperialistas e seus lacaios e a combatê-los resolutamente.
Ao mesmo tempo, deve-se fornecer oportunamente aos estudantes informações sobre as conspirações dos inimigos e ensinar-lhes os métodos de luta contra eles. Atualmente, os inimigos atuam freneticamente para frustrar nossos esforços pela construção da nova Coreia democrática. Os imperialistas estadunidenses e a camarilha de Ri Sung Man enviam numerosos espiões, elementos subversivos e sabotadores ao Norte da Coreia e praticam toda espécie de ações para impedir a luta de nosso povo pela construção de uma nova Coreia democrática. É preciso educar os estudantes para que, mantendo sempre elevada a vigilância revolucionária, saibam distinguir claramente os inimigos dos nossos e organizar corretamente a luta contra os primeiros, mobilizando ativamente as massas populares sem vacilar em qualquer circunstância.
É preciso fazer com que os estudantes compreendam profundamente a verdade de que o imperialismo será derrotado e de que a democracia e a justiça triunfarão infalivelmente. Deve-se orientá-los para que adquiram uma clara consciência da justeza de nossa causa revolucionária e a firme convicção de que o imperialismo estadunidense e seus lacaios serão derrotados e de que a luta do povo coreano triunfará, para que se tornem ardorosos combatentes que mantenham uma atitude revolucionária diante de qualquer tempestade e lutem abnegadamente pelo país e pelo povo, pela construção de um Estado democrático, soberano e independente.
Além disso, é importante cultivar nos estudantes o espírito de construir a nova Coreia com os próprios esforços do povo coreano. Na escola, convencendo os estudantes de que somente com os esforços do próprio povo coreano, e não com os de outros, é possível desenvolver e fazer prosperar a economia e a cultura nacionais e construir um Estado democrático, rico, poderoso, soberano e independente, deve-se fazer com que eles lutem sempre vigorosamente para vencer todas as dificuldades que encontrarem na construção do país, mantendo sempre a posição de responsáveis por essa tarefa.
Também é necessário proporcionar aos estudantes uma correta educação para que se oponham categoricamente ao faccionismo, ao regionalismo, ao heroísmo individualista e ao carreirismo. Atualmente, fazem-se sentir fortemente as tendências faccionistas e regionalistas e, entre certas pessoas, observam-se inclinações ao carreirismo e ao heroísmo individualista. A escola deve explicar claramente aos estudantes o que são o faccionismo e o regionalismo, bem como sua nocividade, e também o quanto o heroísmo individualista e o carreirismo são prejudiciais. Dessa maneira, se evitará que os estudantes sejam contaminados por essas tendências ideológicas errôneas e se conseguirá que as combatam de forma irreconciliável.
Uma importante tarefa do ensino e da educação dos estudantes é fazer com que adotem um estilo popular de trabalho.
No passado, sob a dominação colonial dos imperialistas japoneses, nosso povo experimentou apenas os atos burocráticos dos funcionários do imperialismo japonês e nada ouviu além de suas ordens arbitrárias. Como consequência, muitos funcionários que trabalham nos órgãos do Poder Popular e nas fábricas e empresas imitam essas práticas e desempenham seu trabalho de maneira burocrática. Atualmente, há muitos casos em que eles dão ordens e dirigem insultos às pessoas. Os quadros de certa província consideram natural comportar-se como burocratas. Esse estilo de trabalho constitui um grande obstáculo à construção da nova pátria. Se os funcionários praticam o burocratismo sob o Poder Popular, que diferença haverá entre eles e os funcionários da época do imperialismo japonês? Nenhuma. Também são muitos os que gostam de ostentar. Essa maneira de agir nada tem a ver com a conduta que devem adotar os funcionários que servem ao povo.
Na escola deve-se mostrar claramente aos estudantes a nocividade do burocratismo e convencê-los de que aqueles que agem de maneira burocrática e gostam de ostentar não podem desempenhar seu trabalho com eficiência nem servir fielmente ao povo. Educando os estudantes na elevada consciência de que são servidores fiéis do povo, devemos fazer com que adotem uma conduta verdadeiramente popular, manifestada em respirar o mesmo ar que o povo, viver junto dele, trabalhar confiando e apoiando-se em suas forças e saber sacrificar-se por ele.
Além de preparar firmemente os estudantes nos aspectos político e ideológico e de cultivar neles um correto estilo de trabalho, é preciso formá-los bem no aspecto profissional. A escola deve ensinar adequadamente aos estudantes os conhecimentos necessários para administrar o Poder Popular e a economia do país.
Com vistas a formar os estudantes como excelentes quadros nacionais, é indispensável elevar o papel dos professores, que devem fazer todo o possível para instruir e educar corretamente os estudantes.
Antes de tudo, devem ministrar aulas substanciais. Devem proporcionar ensinamentos corretos e de conteúdo profundo, ainda que seja sobre um único tema, para que tenham efeito na prática. No caso de transmitir as experiências de outros países, devem fazê-lo levando em consideração a realidade concreta de nosso país. E, tendo em conta que os estudantes anteriormente desempenhavam diferentes funções em distintas localidades, deve-se prestar atenção em proporcionar-lhes um critério correto e unificado sobre todos os problemas que surgem na construção da nova pátria.
Em particular, na escola devem ser ministradas aulas de acordo com o nível dos estudantes. Como este é baixo, no início devem ensinar coisas simples, como, por exemplo, o que são os órgãos do Poder, evitando, na medida do possível, temas complicados. Não se devem usar palavras de origem chinesa que não sejam de uso comum nem estrangeirismos que os estudantes não possam compreender claramente, como "proletariado" e "hegemonia". Se as aulas não forem ministradas de acordo com o nível dos estudantes, eles nada aprenderão, não apenas em três meses, mas nem mesmo em três anos, e tampouco se formarão como quadros úteis. Portanto, é preciso ministrar aulas de maneira clara e convincente, utilizando palavras simples e não rebuscadas.
Os professores devem ser exemplo para os estudantes em todos os aspectos. Se não se comportarem corretamente nem exercerem uma influência positiva sobre os estudantes, estes, uma vez formados, não poderão desempenhar adequadamente seu trabalho na prática. Com sua linguagem e suas ações, devem sempre exercer uma influência positiva sobre eles e esforçar-se para adquirir um correto estilo de trabalho. Devem aceitar francamente as opiniões dos estudantes e saber aprender com eles.
Por sua vez, os estudantes devem preparar-se bem nos aspectos político e ideológico e dedicar-se intensamente aos estudos durante o período escolar.
É importante, antes de tudo, forjar-se ideologicamente. A situação atual do país é muito complexa. Estamos construindo a nova Coreia democrática em meio a uma intensa luta contra os inimigos internos e externos. Nessas circunstâncias, se os estudantes não se armarem firmemente com a ideia da construção do país nem se prepararem bem nos aspectos político e ideológico, poderão vacilar diante das dificuldades e não conseguirão desempenhar adequadamente essa tarefa. Por isso, devem esforçar-se tenazmente para adquirir uma sólida formação ideológica.
Ao mesmo tempo, devem empenhar-se em adquirir conhecimentos úteis. Para alcançar esse objetivo, devem estudar principalmente os assuntos relacionados ao nosso país e, ao mesmo tempo, as experiências de outros países e a teoria do marxismo-leninismo. Devem conhecer melhor do que qualquer outro a história, a geografia, a economia, a cultura e outros aspectos da Coreia e ser capazes de aplicar as experiências alheias à realidade do país. Somente quando tiverem estudado as teorias científicas e as experiências de modo que saibam aplicá-las na construção do Estado, elas lhes servirão como conhecimentos úteis. Se vocês, camaradas estudantes, se prepararem solidamente nos aspectos político e ideológico mediante uma intensa formação nesse campo e adquirirem conhecimentos úteis para a construção do Estado e a administração da economia por meio de um estudo entusiástico durante o período escolar, poderão cumprir com êxito as tarefas revolucionárias que lhes caberão, superando quaisquer dificuldades.
Os estudantes da Escola Central de Quadros de Alto Escalão são homens valiosos que, daqui em diante, desempenharão funções como quadros nos órgãos do Poder Popular e nos diversos setores da economia nacional. Por essa razão, a escola se encarregará de criar-lhes condições adequadas para que não encontrem dificuldades nos estudos. Em cada quarto do alojamento coletivo serão instaladas mesas e camas, e serão fornecidos artigos esportivos, para que possam estudar e descansar adequadamente. Da mesma forma, receberão quantidade suficiente de alimentos complementares e diversos artigos de uso diário, e a escola será abastecida com medicamentos para casos de emergência. Além disso, deve-se providenciar para que os estudantes assistam a filmes, cuidem de sua aparência pessoal e tomem banho regularmente.
As autoridades da escola também devem prestar atenção à vida dos professores. Em particular, devem conseguir-lhes moradias próximas à escola, na medida do possível. Assim, eles poderão dispor de tempo suficiente para aprofundar os programas de ensino e o conteúdo das aulas.
Todos os professores e funcionários da escola devem fazer tudo o que estiver ao seu alcance para formar o maior número possível de quadros nacionais capazes de administrar habilmente os órgãos do Poder Popular e a economia, contribuindo assim de maneira decisiva para a solução desse importante problema.
Para concluir, faço votos de que todos vocês, camaradas estudantes, se tornem os excelentes quadros nacionais de que a pátria e o povo necessitam, forjando-se firmemente no aspecto ideológico e adquirindo muitos conhecimentos úteis.






