Na reunião ministerial sobre a política de energia atômica, o Japão determinou a chamada diretriz de ações consistente em “empregar ao máximo a energia atômica para a segurança energética e a descarbonização”.
Segundo ela, serão instalados de 2 a 5 reatores de próxima geração até a década de 2040, e outros 11 a 14 até a década de 2050, tendo em vista que os reatores da maioria das usinas nucleares do país já envelheceram, e serão concentrados investimentos, pesquisas e formação de talentos para esse fim.
À primeira vista, parece que esse documento reflete o plano de médio e longo prazo para solucionar a demanda nacional de energia, cada vez maior.
Mas ele contém uma tentativa estratégica ardilosa e astuta, jamais tolerável se observada em relação à política de energia atômica que o Japão tem praticado até hoje.
Já não é segredo que esse país insular tentou desenvolver a bomba atômica e utilizá-la contra o país inimigo durante a Segunda Guerra Mundial e tem feito esforços desesperados até hoje para possuir armas nucleares.
A política de energia atômica do Japão é a mais enganosa política de duplo padrão, que tem persistido no armamento nuclear sob o vistoso rótulo de “uso da energia atômica para fins pacíficos”.
Todos os governantes japoneses, desde o gabinete de Kishi na década de 1950 até o de Abe na década de 2010, passando pelos governos de Sato, Fukuda, Nakasone e Hata, fizeram declarações como estas: “O Japão se equipará com armas nucleares quando surgir uma necessidade iminente para a defesa”, “Segundo sua Constituição, o Japão poderá possuir armas nucleares exclusivamente para a defesa” e “Na realidade, o Japão tem capacidade para possuir armas nucleares”.
De fato, nunca cessou, nem uma única vez, a revisão sobre o armamento nuclear dentro do governo e das “Forças de Autodefesa” do Japão durante as décadas passadas.
Tal ambição do Japão de se apoderar de armas nucleares baseia-se na grande quantidade de materiais nucleares e na tecnologia nuclear adquiridas por meio da operação das usinas nucleares de seu país.
Entre os países sem armas nucleares, somente o Japão goza do privilégio de extrair, conservar e reutilizar plutônio após o reprocessamento dos combustíveis nucleares usados, sob o ativo amparo dos EUA.
Atualmente, o Japão conserva 44,4 toneladas de plutônio e planeja inaugurar uma usina de reprocessamento de combustíveis nucleares usados ainda neste ano.
As usinas nucleares em diferentes localidades do país possuem muitas barras de combustíveis nucleares usados, das quais o plutônio pode ser extraído a qualquer momento, e sua quantidade já chega ao limite da capacidade de armazenamento.
O Japão vem se apoderando gradualmente de tecnologia nuclear sensível para fins militares, juntamente com grande quantidade de materiais nucleares.
Especialistas avaliam que esse país insular se tornou um “semipossuidor de armas nucleares”, capaz de alcançar o armamento nuclear dentro de alguns meses, conforme suas decisões.
O que não se pode deixar de observar é que a adoção da presente diretriz pelo governo japonês coincide com o fato de estar crescendo a insistência na posse de armas nucleares entre os políticos ultradireitistas.
O gabinete de Takaichi, surgido em outubro do ano passado, impulsiona à força políticas internas e externas de caráter neomilitarista, incluindo a revisão dos “três princípios não nucleares” e a posse de submarinos nucleares, enquanto o ministro da Defesa, o assistente da primeira-ministra e outros políticos de alto escalão falam abertamente sobre o armamento nuclear.
O Japão está empenhado em posicionar mísseis de cruzeiro Tomahawk e outros armamentos ultramodernos para o combate real e ampliar seu alcance, seguindo seu amo estadunidense, enlouquecido para assumir a hegemonia militar na região da Ásia-Pacífico. Então, é muito clara a meta que o Japão persegue por meio da adoção da diretriz referente à energia nuclear.
Maximizar a capacidade de ataque dos armamentos posicionados paralelamente à estruturação da infraestrutura militar baseada em meios de ataque preventivo que ultrapassam o interior do arquipélago: eis a verdadeira intenção da camada governante japonesa que divulga o “emprego máximo da energia atômica”.
Sem dúvida alguma, causarão uma grande calamidade se o Japão neomilitarista, que até hoje nega sua história passada de agressão ocorrida há mais de 80 anos e espreita apenas a vingança, falando incessantemente sobre a “ameaça proveniente dos países vizinhos”, chegar a obter armas nucleares.
Além do sistema de conivência trilateral EUA-Japão-RC, que vem se transformando em um bloco militar baseado em armas nucleares, surge outra variante maliciosa, denominada armamento nuclear do Japão, que ameaça seriamente o equilíbrio da segurança estratégica da região.
O fato exige urgentemente que os Estados independentes da região consolidem, por todos os meios, o dissuasor de guerra para deter as perigosas manobras militares dos Estados inimigos.
Se o Japão persistir em satisfazer sua ambição de armamento nuclear, chegará inevitavelmente a um destino trágico, ou seja, à ruína completa de todo o arquipélago.
A sociedade internacional que aspira à justiça e à paz jamais deve tolerar a imprudente e perigosa tentativa do Japão de possuir armas nucleares.
Ri Myong Nam, comentarista de assuntos internacionais