Discurso do camarada Kim Il Sung no Presidium do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia do Norte
1º de setembro de 1947
A organização e a administração das cooperativas de produção são vitalmente necessárias nas condições atuais de nosso país. Para realizá-las corretamente, é preciso compreender, no plano teórico, por que são necessárias em nosso país.
A organização e a gestão das cooperativas de produção são necessárias, em geral, para elevar a produção de artigos de primeira necessidade para o povo nos países com uma indústria subdesenvolvida e nos quais nem todas as fábricas e empresas estão nacionalizadas. Nesses países, é difícil para o Estado produzir tantos artigos de primeira necessidade para satisfazer a demanda do povo. Por isso, para atender à demanda desse tipo de artigos, procede-se à organização e exploração de cooperativas de produção compostas por artesãos e pessoas inativas, ao mesmo tempo que se aumenta a produção nas fábricas e empresas estatais. A cooperativa de produção, como etapa de passagem de uma forma de pequena economia mercantil para uma forma de economia cooperativa, traz benefícios ao Estado e bem-estar ao povo.
Nos países onde todas as fábricas e empresas estão nacionalizadas e o Estado produz e fornece artigos de primeira necessidade em quantidade suficiente para o povo, não são necessárias cooperativas de produção.
Estas existiram anteriormente na União Soviética e hoje também existem na China. A União Soviética organizou-as e aproveitou-as imediatamente após o triunfo da revolução, e a China as está desenvolvendo ativamente agora nas zonas libertadas. Ali, os artigos de primeira necessidade para o povo são produzidos e fornecidos por meio das cooperativas de produção. Isso se deve ao fato de que a China ainda não nacionalizou as fábricas e empresas.
Diferentemente da China, hoje em nosso país foram nacionalizadas mais de 90% das fábricas e empresas. Então, aqui, na Coreia, onde quase todas as principais fábricas e empresas estão nacionalizadas, por que é necessário organizar e explorar cooperativas de produção? Isso se deve ao peculiar desenvolvimento da indústria em nosso país.
Nossa indústria está desequilibrada e sofre de unilateralidade colonial, não sendo capaz de produzir mais do que artigos semimanufaturados. No passado, os imperialistas japoneses, restringindo o desenvolvimento da indústria nacional, não desenvolveram em nosso país as indústrias de produtos acabados, mas construíram principalmente aquelas destinadas à produção de matérias-primas ou artigos semimanufaturados e as indústrias bélicas para sua guerra de agressão. Como resultado, o que nosso povo herdou após a libertação foi uma indústria extremamente atrasada e deformada.
Acabar com a unilateralidade colonial no setor industrial e criar uma indústria pesada e uma indústria leve desenvolvidas e modernas não é um problema que possa ser resolvido facilmente da noite para o dia. Por mais que nosso país quisesse estabelecer imediatamente uma indústria pesada e uma indústria leve modernas, não dispõe dos recursos necessários para isso. Nessas condições, o Estado não pode produzir nem fornecer todos os artigos de primeira necessidade, incluindo até mesmo os pequenos objetos de que o povo necessita.
Por esse motivo, para solucionar o problema dos artigos de primeira necessidade para o povo, é preciso produzi-los nas fábricas da indústria pesada, criando nelas filiais correspondentes e, paralelamente, desenvolver a indústria local. Entretanto, atualmente nossos funcionários desprezam essa indústria. Examinemos, a esse respeito, a primeira metade deste ano: como os funcionários do Departamento de Indústria deram pouca atenção à indústria local, concentrando-se apenas na metalurgia não ferrosa e na mineração, não foi possível produzir em grande quantidade artigos de primeira necessidade. Para pôr fim a esse desvio e desenvolver a indústria local, melhorando e intensificando o trabalho de direção de sua gestão, tomamos a medida de transferir ao Departamento de Comércio a função de administrar a indústria local.
Hoje, em nosso país, somente com a aplicação de medidas como a criação, nas fábricas da indústria pesada, de filiais produtoras de artigos de primeira necessidade e o desenvolvimento da indústria local, não é possível solucionar satisfatoriamente o atual problema relativo a esses artigos nem estabilizar os preços no mercado, que flutuam principalmente de acordo com a abundância ou escassez dos artigos de primeira necessidade. Para satisfazer a demanda do povo por esses artigos e estabilizar os preços do mercado, é necessário, além de criar nas fábricas da indústria pesada filiais que os produzam e desenvolver a indústria local, organizar cooperativas de produção, aproveitando inclusive a pequena economia artesanal.
A organização e a gestão das cooperativas de produção, que constituem o primeiro processo da cooperativização do artesanato privado, têm grande importância na construção da nova sociedade.
Essa organização e gestão também são necessárias para proporcionar trabalho aos camponeses durante o inverno.
Os camponeses, que constituem mais de 80% da população de nosso país, passam o inverno ociosos, sem fazer nada em particular. Isso prejudica seu entusiasmo patriótico. Devemos proporcionar-lhes trabalho durante a estação invernal, organizando cooperativas de produção.
Sua organização e gestão trarão muitos benefícios.
Se forem criadas, será possível realizar a economia em comum com as forças e inteligências unidas dos artesãos e elevar várias vezes a produtividade do trabalho em comparação com a exploração dispersa e individual, dando grande impulso à produção de artigos de primeira necessidade para o povo.
Além disso, se forem organizadas cooperativas de produção, não só será possível desenvolver permanentemente a produção, planejando-a, como também estabilizar e melhorar a precária vida dos artesãos.
A organização das cooperativas de produção também é útil para convencer os artesãos, por meio de sua experiência de vida, da superioridade do trabalho coletivo e dotá-los das ideias da construção do país.
Se, organizando cooperativas de produção, proporcionarmos trabalho aos camponeses durante o inverno, poderemos elevar ainda mais seu entusiasmo pela construção do país e estimulá-los a contribuir para a importante tarefa de elevar a produção de artigos de primeira necessidade.
As cooperativas de produção devem ser formadas, primeiramente, por pessoas que trabalham em economia doméstica e artesãos do campo, baseando-se estritamente no princípio da voluntariedade. E, à medida que se acumulem experiências em sua organização e gestão, deve-se passar gradualmente à sua criação também entre artesãos e pequenos proprietários urbanos.
Ao organizar as cooperativas de produção, é preciso levar em consideração, sem falta, os ofícios. Será bom que sejam criadas, na medida do possível, por ofícios.
Quanto ao local de trabalho, deve ser determinado racionalmente de acordo com as condições concretas e as exigências dos produtores, mas, na medida do possível, deve-se optar pela utilização das instalações e edifícios existentes. E deve-se criar gradualmente um local de trabalho comum à medida que as condições amadureçam.
Seria bom criar o aparelho diretivo das cooperativas de produção não separadamente, mas dentro da cooperativa de consumo. Deve-se criar uma seção de cooperativas de produção na Direção Central das Cooperativas de Consumo para que as dirija. Quanto aos demais problemas que surgirem na organização e gestão das cooperativas de produção, os funcionários responsáveis devem elaborar regulamentos e instruções detalhados e colocá-los em prática após receberem a ratificação do Comitê Político do Comitê Central do Partido.
As organizações do Partido em todos os níveis devem assegurar com êxito e sem o menor desvio o trabalho de organização das cooperativas de produção, realizando entre os funcionários e as massas uma eficaz explicação e propaganda sobre a finalidade e o significado de sua criação.






