quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Sobre a promulgação da Constituição da República Popular Democrática da Coreia

Informe do camarada Kim Il Sung na V Sessão da Assembleia Popular da Coreia do Norte

9 de julho de 1948

1. Duas linhas de desenvolvimento da pátria 

Camaradas:

Devido ao ato agressivo dos imperialistas estadunidenses, criou-se uma grave conjuntura na situação política de nosso país.

Ao realizar eleições separadas para o chamado "parlamento" da Coreia do Sul, os imperialistas ianques abriram caminho para perpetuar a divisão de nossa pátria. Os reacionários sul-coreanos desempenharam nessas pérfidas eleições o vil papel de lacaios vende-pátrias.

A divisão artificial do país fez com que o Norte e o Sul da Coreia avançassem por caminhos diametralmente opostos, isto é, o primeiro pelo caminho do desenvolvimento democrático e o segundo pelo da dependência colonial.

A causa desses dois caminhos distintos no Norte e no Sul da Coreia reside na existência de duas linhas opostas para solucionar a questão coreana. Uma é a linha democrática da União Soviética, e a outra, a linha reacionária dos Estados Unidos.

A primeira linha para a solução da questão coreana, a da URSS, visa apoiar e respaldar o povo coreano, libertado da dominação colonial do imperialismo japonês, para que possa construir uma nova vida e realizar a reunificação, a independência e a democratização da pátria.

O povo coreano apoia fervorosamente a linha da União Soviética, pois ela corresponde plenamente aos interesses do povo coreano e reflete claramente suas aspirações.

A linha do governo estadunidense opõe-se diametralmente a esta. Ela tende a patrocinar por todos os meios as forças reacionárias da Coreia do Sul e a frear o desenvolvimento democrático do país. Os reacionários sul-coreanos são fiéis lacaios e seguidores dos imperialistas ianques. Opuseram-se à decisão da Conferência de Moscou dos Ministros das Relações Exteriores dos Três Países sobre a questão coreana, ajudando assim os imperialistas ianques a interromper os trabalhos da Comissão Conjunta URSS-EUA. Opuseram-se também à proposta da União Soviética de retirar as tropas estrangeiras da Coreia. Desse modo, ajudaram os imperialistas ianques a pôr em prática a política de perpetuar a divisão de nossa pátria e escravizar a Coreia do Sul como sua colônia.

A linha dos imperialistas estadunidenses, uma linha de agressão e subjugação, é absolutamente contrária aos interesses do povo coreano. Por isso, este se opõe a ela até a morte.

Assim, em contraste com a linha do governo soviético, que expressa as aspirações do povo coreano, a linha dos imperialistas ianques representa os interesses do capital monopolista estadunidense e da minoria da camarilha reacionária sul-coreana, que está em conluio com ele. Tudo isso fez, em última análise, com que o Norte e o Sul da Coreia tomassem direções diametralmente opostas e vivessem situações radicalmente diferentes.

Após a libertação de nosso país, a Coreia do Norte entrou firmemente no caminho do desenvolvimento democrático. O povo criou órgãos de poder, os comitês populares, e tomou o poder em suas próprias mãos.

Sob a direção do comitê popular, foram realizadas grandes reformas democráticas, que abriram amplas perspectivas para o desenvolvimento da economia e da cultura nacionais e para a elevação constante do nível de vida material e cultural do povo. Nesse aspecto, já alcançamos grandes êxitos.

Em breve celebraremos o terceiro aniversário da libertação de 15 de Agosto. Três anos constituem um período relativamente curto. Entretanto, nesse breve espaço de tempo, a Coreia do Norte, que ingressou com passo firme no caminho do desenvolvimento democrático, alcançou enormes êxitos em todos os campos da política, da economia e da cultura.

O comitê popular, autêntico órgão do Poder popular, conquistou a profunda confiança e o prestígio entre as massas populares. Estas defendem com todas as suas forças o regime democrático e o Poder popular que elas próprias estabeleceram.

Todos os setores da economia nacional estão sendo restaurados e desenvolvidos rapidamente.

Na indústria, o plano de 1947 foi cumprido em 2,5 por cento acima da meta, e o plano do primeiro semestre de 1948 foi cumprido com êxito. A indústria de construção de máquinas registrou enormes progressos, tendo sua produção em 1947 atingido 218 por cento do nível de 1944.

Também obtivemos êxitos significativos na economia rural. Atualmente, nossa agricultura satisfaz, em termos gerais, as necessidades alimentares da população.

Graças aos êxitos alcançados na indústria e na agricultura, aumentou a oferta de mercadorias industriais e produtos alimentícios, e os preços baixaram consideravelmente. Como resultado, consolidou-se o valor de nossa moeda e elevou-se o salário real dos operários e empregados.

Também foram alcançados numerosos êxitos na educação popular, na saúde pública, na literatura e na arte.

Os enormes resultados das reformas socioeconômicas e da construção econômica e cultural na Coreia do Norte exercem grande influência sobre a população do Sul e contam com seu apoio absoluto. Ali, nossos compatriotas lutam corajosamente por reformas democráticas semelhantes às do Norte e contra a política de agressão dos imperialistas ianques.

Camaradas:

Na Coreia do Sul, criou-se uma situação absolutamente diferente da existente no Norte. A economia foi completamente arruinada.

A indústria sul-coreana encontra-se em estado desastroso. Em 1947, a produção de aço atingiu menos de 30 por cento da registrada em 1944. A produção da indústria têxtil, o setor industrial mais importante da Coreia do Sul, reduziu-se a um quinto no mesmo período.

Atualmente, apenas um terço das empresas sul-coreanas está em funcionamento, e quase todas operam com baixo rendimento. Desse modo, o número de desempregados aumenta dia após dia, chegando atualmente a 2,5 milhões.

Na Coreia do Sul, não é apenas a indústria que se encontra em estado deplorável, mas também a economia rural. Antigamente, o Sul era o celeiro da Coreia, mas hoje é uma região de grave escassez de alimentos.

Devido à ruína da economia, as condições de vida da população sul-coreana pioram cada vez mais. Os operários, os empregados e os camponeses sofrem com a miséria e a fome. Os camponeses sul-coreanos ainda vivem como arrendatários, presos às terras dos latifundiários, e são privados de quase toda a sua colheita sob a forma de renda da terra e contribuição em cereais.

Referindo-se à trágica situação da população sul-coreana, um dirigente do Partido Operário-Camponês da Independência da Coreia do Sul declarou, em uma entrevista publicada na edição de 18 de junho do Diário Central Coreano, o seguinte: As massas populares encontram-se à beira da morte devido à opressão e à fome. A ordem foi completamente perturbada, e as vidas e os bens não contam com proteção alguma. A liberdade para promover o movimento independentista é cada vez mais restringida. Não temos liberdade alguma. Nem mesmo as ervas, as árvores e os insetos desta terra conseguirão aplacar seu ressentimento. Não podemos alimentar mais esperanças nem ter mais paciência... Aqueles que nos prejudicam são nossos inimigos, independentemente de seus títulos e argumentos... Nós, os trinta milhões, devemos todos nos levantar e nos unir no calor da luta, combatendo juntos até alcançar a reunificação e a independência. 

Consideramos justas essas palavras. Hoje, a situação da Coreia do Sul é essa.

A administração militar estadunidense pratica deliberadamente uma política destinada a destruir a economia sul-coreana. Sonha em investir na Coreia do Sul, quando chegar o momento oportuno, depois de destruir sua economia, para apresentar-se como sua "salvadora" e apoderar-se das artérias vitais dessa economia.

A camarilha vende-pátria de Ri Sung Man, Kim Song Su e outros já começou a proclamar que os Estados Unidos concederão "empréstimos" à Coreia do Sul.

Hoje, a Coreia do Sul transformou-se em uma prisão para o povo, onde reinam o terrorismo e a repressão. Suas delegacias de polícia e prisões estão abarrotadas de milhares e dezenas de milhares de patriotas. No final do ano passado, Keysvich, enviado especial do New York Post, escreveu que, naquele momento, as prisões da Coreia do Sul abrigavam mais presos políticos do que todas as prisões da Coreia reunidas em junho de 1945, isto é, nos últimos dias do imperialismo japonês. Escreveu também que a polícia sul-coreana "proíbe qualquer comunicação dos presos políticos com o exterior, não lhes permite a liberdade sob fiança e os tortura até que confessem". O New York Post publicou também um artigo de outro enviado especial, chamado Martin, que retratou a Coreia do Sul como um Estado policial, assolado pela violência, pelas ilegalidades e por repressões cruéis. Ele escreveu: "À noite, podem-se ouvir, perto das masmorras, os gritos lancinantes dos torturados".

As forças democráticas e patrióticas da Coreia do Sul são submetidas a perseguições e repressões cada vez mais cruéis. Os partidos políticos e as organizações sociais que lutam pelo desenvolvimento democrático do país foram obrigados a passar à clandestinidade. A repressão e o terrorismo na Coreia do Sul atingiram seu auge durante os preparativos e a realização das pérfidas eleições separadas. Naquela ocasião, os imperialistas ianques mobilizaram milhares e dezenas de milhares de policiais e milhões de membros do "Corpo de Defesa da Aldeia Natal" para reprimir o povo e, não satisfeitos com isso, mobilizaram suas tropas de ocupação para ajudar esses bandidos policiais em seus atos terroristas. Nas ruas e nos bairros da Coreia do Sul, sangue coreano é derramado todos os dias. Os imperialistas ianques chegaram até mesmo a perpetrar o monstruoso ato de usar nossos compatriotas como alvos em seus exercícios de tiro. Em 8 de junho deste ano, aviadores das tropas ianques bombardearam e metralharam durante dezenas de minutos pescadores coreanos que trabalhavam no Mar Leste, usando-os como alvos em seus exercícios de ataque. Mataram 20 pescadores no local, feriram várias dezenas e afundaram 11 barcos. Esta é a realidade da Coreia do Sul sob a dominação dos imperialistas ianques.

2. Situação política criada em nossa pátria por ocasião das eleições separadas na Coreia do Sul

Camaradas:

Por ocasião das "eleições" realizadas na Coreia do Sul, a agressão estadunidense contra a Coreia entrou em uma nova fase. Com a realização dessas eleições separadas, a divisão do país aprofundou-se ainda mais, e a Coreia do Sul está se transformando em uma colônia completa dos Estados Unidos. Os imperialistas ianques procuram transformar o Paralelo 38 em uma "fronteira" permanente que divida em dois nosso território e nossa nação. Isso representa um grande perigo para todo o povo do Norte e do Sul da Coreia.

As eleições separadas na Coreia do Sul consolidaram as posições dos pró-japoneses e dos traidores da nação.

Ri Sung Man, Kim Song Su e outros, fiéis lacaios do imperialismo ianque, ocuparam altos cargos no chamado "parlamento" em troca da venda dos interesses nacionais.

A camarilha reacionária sul-coreana, instigada pelos imperialistas ianques, submeteu os partidos políticos e as organizações sociais democráticas a uma repressão cruel, obrigando-os a passar à clandestinidade.

Como resultado, os direitos e as liberdades democráticas do povo foram completamente suprimidos na Coreia do Sul, onde nem sequer se pode falar em reformas democráticas como as realizadas no Norte.

As eleições separadas na Coreia do Sul foram realizadas por meio do terrorismo e da repressão, traindo a vontade do povo coreano, que deseja a reunificação, a independência e a democratização da pátria.

Toda a população, tanto do Norte como do Sul da Coreia, apoiou unanimemente a proposta do governo soviético de retirar as tropas estrangeiras da Coreia e conceder aos coreanos o direito de resolverem por si mesmos os assuntos internos de seu país.

O povo coreano sabe muito bem que somente na ausência de qualquer intervenção estrangeira é possível realizar eleições verdadeiramente democráticas.

O povo coreano rejeitou categoricamente a resolução da chamada "Pequena Assembleia da ONU", aprovada ilegalmente sem a participação de seu representante e contra sua vontade. A intensidade da resistência do povo do Norte e do Sul da Coreia a essa resolução fica claramente demonstrada pelo fato de que o comando das tropas estadunidenses estacionadas na Coreia do Sul teve de mobilizar todas as suas tropas para reprimir o povo insurgente. Até mesmo os jornais estadunidenses foram obrigados a informar sobre essa resistência nacional do povo coreano. Na "Pequena Assembleia da ONU", o presidente da "Comissão Provisória da ONU para a Coreia" não teve outra alternativa senão reconhecer que, na Coreia do Sul, apenas Ri Sung Man e o Partido Democrático Hanguk, grupo dos grandes latifundiários e capitalistas, apoiaram a formação de um governo separado, e que não apenas os grupos de esquerda e de centro, mas também a maioria dos políticos de direita rejeitaram a criação de um "governo nacional" por meio de eleições separadas.

Como se sabe, diante do grave perigo de divisão da pátria decorrente da política agressiva dos imperialistas estadunidenses, foi convocada a Conferência Conjunta dos Representantes dos Partidos Políticos e das Organizações Sociais da Coreia do Norte e do Sul, em resposta à exigência de todo o povo coreano.

Os delegados do Norte e do Sul da Coreia reunidos nessa Conferência representavam partidos políticos e organizações sociais com mais de dez milhões de membros. Participaram representantes de partidos políticos e organizações sociais de esquerda e de centro, bem como numerosos representantes da direita. A enérgica voz de protesto do povo contra as eleições separadas na Coreia do Sul e sua tenaz luta pela reunificação e pela independência da pátria obrigaram até mesmo alguns dirigentes vacilantes da direita a escolher o caminho justo de apoiar as reivindicações populares.

A Conferência Conjunta do Norte e do Sul decidiu rejeitar as eleições separadas na Coreia do Sul, expressando a vontade de todo o povo coreano.

A absoluta unanimidade de opiniões dos participantes sobre todos os problemas discutidos na Conferência demonstrou claramente que todo o povo coreano se opõe unanimemente à divisão da pátria e à submissão colonial da Coreia do Sul. A Conferência evidenciou que as forças reacionárias não têm apoio entre as massas populares da Coreia do Sul e estão isoladas delas.

Durante os preparativos e a realização da Conferência Conjunta do Norte e do Sul, os delegados sul-coreanos puderam constatar diretamente os êxitos das reformas e da construção democráticas realizadas na Coreia do Norte. Aprovaram nosso trabalho destinado a consolidar os comitês populares, órgãos do Poder popular, e apoiaram os êxitos que havíamos alcançado em todos os campos: economia, educação, cultura, etc. Isso significa que também os sul-coreanos apoiam todo o trabalho realizado pelos norte-coreanos em prol da liberdade e da independência da pátria.

A Conferência Conjunta do Norte e do Sul reconheceu oficialmente que a Coreia do Norte não apenas indica o caminho do desenvolvimento democrático da pátria e do ressurgimento nacional, mas também serve de base para a construção de um Estado democrático, unificado e independente.

Em todos os campos da política, da economia e da cultura, a Coreia do Norte tornou-se uma sólida base para a construção de um Estado democrático, soberano e independente. Isso significa que nossos esforços não foram em vão.

As eleições separadas na Coreia do Sul, tramadas pelo comando das tropas estadunidenses ali estacionadas, não passaram de uma péssima caricatura da democracia. O processo de preparação e realização das "eleições", assim como seus resultados, demonstra isso claramente.

O que devemos destacar antes de tudo é o fato de que os preparativos para as "eleições" foram realizados em condições de completa privação das liberdades democráticas do povo. Foi durante esses preparativos que o terrorismo e a repressão atingiram uma crueldade sem precedentes na Coreia do Sul. O comando das tropas estadunidenses estacionadas na Coreia do Sul e a polícia reacionária reprimiram brutalmente as personalidades patrióticas e, às vésperas das "eleições", publicaram inúmeras ordens e decretos com o objetivo de intimidar os eleitores.

Entretanto, o povo não se apresentou voluntariamente para se inscrever na "lista de eleitores". Por isso, a camarilha reacionária da Coreia do Sul recorreu abertamente às inscrições forçadas. A esmagadora maioria dos eleitores foi obrigada a se inscrever sob todo tipo de ameaça: espancamentos, confisco de cartões de racionamento, expulsão de seus filhos da escola, etc.

O comando das tropas estadunidenses estacionadas na Coreia do Sul recorreu descaradamente a farsas para garantir a eleição de seus cães de guarda. Por exemplo, decidiu que, nos "distritos eleitorais" em que houvesse apenas um candidato, este seria automaticamente aprovado sem "votação". A administração militar fez tudo o que pôde para eliminar o segundo candidato. Por meio de métodos semelhantes, colocou no "parlamento" Ri Sung Man, reacionário de crueldade incomparável e traidor da nação.

Os partidos políticos e as organizações sociais de caráter democrático, que representam a esmagadora maioria dos habitantes sul-coreanos, repudiaram as "eleições" e não apresentaram candidatos.

Somente o Partido Democrático Hanguk, os grupos integrantes da "Associação Nacional para a Aceleração da Independência", o Corpo da Juventude Taedong, organização terrorista oficial, e algumas associações sob a influência de Kim Song Su apresentaram candidatos. Esses partidos e organizações reacionários não podem representar os operários, os camponeses e outros setores do povo trabalhador da Coreia do Sul. Eles defendem os interesses dos latifundiários e dos grandes capitalistas.

Por isso, a disputa "eleitoral" entre os candidatos nos "distritos eleitorais" não foi um confronto entre partidos com diferentes pontos de vista políticos, mas uma contenda entre vende-pátrias enlouquecidos pela ambição de poder. Em outras palavras, essa disputa "eleitoral" foi uma luta pela hegemonia dentro dos círculos dominantes, sem qualquer relação com os interesses do povo.

O dia 10 de maio, data das "eleições", foi um dia de repressão sangrenta contra a população sul-coreana. A esmagadora maioria da população não compareceu às urnas. Apesar da violência cruel e do terrorismo, uma onda de greves, manifestações e levantes em massa espalhou-se por toda a Coreia do Sul, envolvendo cerca de um milhão de pessoas. Em muitas cidades, ocorreram manifestações contra as "eleições". A resistência em massa às eleições separadas também se propagou entre os camponeses. Habitantes sul-coreanos refugiaram-se nas montanhas e nas florestas, recusando-se a comparecer às "eleições". Em dezenas e centenas de aldeias, nenhum habitante participou. Numerosos "locais de votação" e "distritos eleitorais" foram destruídos pelas massas populares indignadas. Na ilha de Jeju e em várias regiões da Coreia do Sul, eclodiram levantes populares contra as "eleições".

Diante da resistência das amplas massas populares, os imperialistas ianques e seus lacaios recorreram a métodos extremos. Policiais e grupos de terroristas armados conduziam os eleitores à força, como prisioneiros, aos "locais de votação", ameaçando-os com fuzis e baionetas. Diante da multidão, espancavam brutalmente e encarceravam os patriotas que se opunham às "eleições".

O comando das tropas estadunidenses estacionadas na Coreia do Sul, os pró-japoneses e os traidores da nação massacraram cruelmente os habitantes insurgentes da ilha de Jeju, empregando grandes unidades do exército ianque e policiais armados. O inimigo incendiou dezenas de aldeias e matou e feriu milhares de habitantes inocentes. Entretanto, esses criminosos não conseguiram deter o levante da população da ilha de Jeju nem subjugá-la por meio de repressões sangrentas. Nessa ilha, as "eleições" fracassaram completamente.

A "votação" foi realizada sob a vigilância da polícia e de grupos terroristas. Desse modo, violou-se completamente o princípio do voto secreto nas "eleições". Em muitos lugares, os eleitores receberam cédulas marcadas com seus números de inscrição na "lista de eleitores" ou, em vez de cédulas, foram obrigados a apor seus carimbos nessa "lista".

Assim, as eleições separadas de 10 de maio na Coreia do Sul constituíram um ato de violência sem precedentes contra o povo. Para encobrir seus atos criminosos, os imperialistas estadunidenses utilizaram a "Comissão Provisória da ONU para a Coreia" como disfarce. Isso revelou completamente que essa comissão é um instrumento dos imperialistas estadunidenses para perpetuar a divisão da Coreia.

As personalidades patrióticas do Norte e do Sul da Coreia já haviam previsto esse caráter das "eleições". A declaração conjunta dos dirigentes dos partidos políticos e das organizações sociais de ambas as partes, publicada em 30 de abril, afirma o seguinte:

"Como os partidos políticos e as organizações sociais do Norte e do Sul da Coreia, que contam com mais de 10 milhões de membros, se opõem às eleições separadas na Coreia do Sul, estas, rejeitadas pela esmagadora maioria dos eleitores, não poderão de modo algum refletir a vontade de nossa nação, mesmo que sejam realizadas, e não passarão de uma farsa.

Não é por acaso que as eleições separadas na Coreia do Sul estão sendo preparadas em condições de repressão e terrorismo excepcionalmente cruéis."

O chamado "parlamento" foi forjado com base nos resultados dessas "eleições", cuja realização fracassou completamente em algumas regiões devido à heroica resistência do povo. Vejamos quais partidos políticos e círculos sociais esse "parlamento" representa. Cerca de 42,4 por cento dos "parlamentares" pertencem ao Partido Democrático Hanguk; 32,8 por cento são representantes da "Associação Nacional para a Aceleração da Independência"; 16,2 por cento pertencem ao Corpo da Juventude Taedong; e 8,6 por cento são independentes. É desnecessário dizer que entre os "parlamentares" não há nenhum representante dos partidos políticos e das organizações sociais de esquerda que refletem os interesses dos operários e dos camponeses.

E não é só isso. Entre os "parlamentares" não há representantes dos grupos de centro nem da maioria dos grandes partidos políticos e organizações sociais de direita. Isso se deve ao fato de que esses partidos políticos e organizações sociais rejeitaram as "eleições".

Além disso, se observarmos a origem social dos "parlamentares", veremos que entre eles há 84 latifundiários, 32 capitalistas, 23 burocratas pró-japoneses, 20 empregados, 9 homens da cultura, 6 religiosos e 24 pessoas de outras profissões.

Assim, o chamado "parlamento" da Coreia do Sul não conta com nenhum representante dos partidos de esquerda que defendem os interesses dos operários e dos camponeses, nem com qualquer representante de origem operária ou camponesa. Será que se pode dizer que, no "parlamento" da Coreia do Sul, os latifundiários "defendem" os interesses dos arrendatários e os capitalistas, os dos operários? Que idiota acreditaria nisso?

Por sua composição, o "parlamento" da Coreia do Sul não pode representar os interesses do povo coreano, mas apenas os de um punhado de reacionários e traidores da nação.

Não é de modo algum por acaso que, mesmo após mais de um mês desde a convocação do "parlamento", nenhuma questão relacionada aos interesses da nação tenha sido resolvida. O "parlamento" da Coreia do Sul não deseja nem tem capacidade para realizar tais coisas.

É desnecessário dizer que esse "parlamento", criado pela violência dos imperialistas ianques e de seus lacaios, não poderá contar com o apoio de nosso povo. Em sua declaração conjunta, os dirigentes dos partidos políticos e das organizações sociais do Norte e do Sul da Coreia assinalaram: "... De modo algum aprovaremos os resultados das eleições separadas na Coreia do Sul, nem reconheceremos ou apoiaremos um governo separado surgido dessas 'eleições'."

Essa declaração expressa a vontade de todo o povo coreano.

3. Tarefas imediatas do nosso povo

Camaradas:

Devido à realização das eleições separadas na Coreia do Sul, enfrentamos o perigo de que a divisão da pátria se torne permanente e de que a Coreia do Sul seja definitivamente transformada em colônia do imperialismo estadunidense.

Diante do perigo de divisão da pátria, vamos nos limitar a denunciar os inimigos da nação e contemplar essa situação de braços cruzados? Se nós, representantes do povo coreano, não nos levantarmos para lutar sob a bandeira da reunificação da pátria neste momento crucial, o povo coreano jamais nos perdoará.

A população norte-coreana, que lançou as bases políticas e econômicas para uma Coreia democrática por meio da realização de reformas democráticas e da restauração e promoção da economia nacional, sob a direção do comitê popular, mantém-se e continuará mantendo-se à frente da luta do povo coreano pela construção de um Estado unificado, soberano e independente.

A reunificação democrática da pátria constitui a linha unânime dos partidos políticos e das organizações sociais reunidos na Frente Unida Nacional Democrática da Coreia do Norte. Jamais nos desviaremos dessa linha, e nenhuma força poderá bloquear o caminho da luta de nosso povo pela reunificação democrática do país.

Já nos referimos ao caráter ilegítimo do "parlamento" da Coreia do Sul, criado por meio das eleições separadas.

Essa instituição ilegítima, o parlamento sul-coreano, não possui uma linha própria. Suas atividades dependem inteiramente do comando das tropas estadunidenses ali estacionadas. Não passa de um órgão fantoche nas mãos dos imperialistas ianques.

Como já proclama abertamente a claque de Ri Sung Man, os imperialistas ianques pretendem reconhecer como "governo de toda a Coreia" o chamado "governo" que será formado pelo parlamento sul-coreano. A camarilha de Ri Sung Man ficará satisfeita mesmo que os Estados Unidos o reconheçam apenas como "governo" sul-coreano. Os Estados Unidos pressionarão seus países satélites para que reconheçam o "governo" sul-coreano. Essa é a manobra da segunda fase que o governo estadunidense está preparando para pôr em prática imediatamente.

Os coreanos não podem esperar nada do parlamento sul-coreano, instrumento agressivo dos imperialistas ianques. Essa instituição ilegítima, um bando de vende-pátrias, não poupará esforços nem meios para privar a população norte-coreana dos êxitos das reformas democráticas e da construção econômica e cultural. O povo coreano enfrenta obstáculos ainda maiores em seu caminho de luta.

O que devemos fazer diante do grave perigo de divisão da pátria? Como devemos prosseguir a luta pela reunificação da pátria em condições nas quais é iminente o surgimento de um governo separado, de caráter vende-pátria, na Coreia do Sul?

Como sabem, de 29 de junho a 5 de julho, realizou-se novamente em Pyongyang a reunião consultiva dos dirigentes dos partidos políticos e das organizações sociais do Norte e do Sul da Coreia que lutam pela reunificação da pátria. Essa reunião consultiva adotou a importante decisão de realizar eleições livres de acordo com a Constituição da República Popular Democrática da Coreia e, com base nelas, criar para toda a Coreia um órgão legislativo verdadeiramente democrático, a Assembleia Popular Suprema da Coreia, bem como um governo central composto por representantes do Norte e do Sul. Assinalou, além disso, que uma tarefa importante dessa Assembleia Popular Suprema e do governo central seria assegurar a retirada simultânea de todas as tropas estrangeiras da Coreia.

Hoje, quando os traidores da nação na Coreia do Sul fizeram tudo o que estava ao seu alcance para tornar permanente a divisão do país e transformar a Coreia do Sul em colônia dos imperialistas estadunidenses, não basta apenas declarar o desejo de "ver a Coreia reunificada". Nós, representantes do povo, devemos travar uma luta prática para criar uma Coreia democrática, livre e reunificada.

Para desferir golpes devastadores contra os imperialistas estadunidenses e seus lacaios e acelerar a reunificação da pátria, devemos pôr imediatamente em vigor a Constituição da República Popular Democrática da Coreia. O projeto dessa Constituição foi aprovado unanimemente por todo o povo coreano, pois reflete fielmente os êxitos das reformas democráticas realizadas na Coreia do Norte e expressa as aspirações de todo o povo coreano à reunificação, à independência e à democratização do país.

As reformas democráticas realizadas na Coreia do Norte não são apenas êxitos de sua população, mas também grandes conquistas de todo o povo coreano. Por isso, é importante, antes de tudo, consolidar juridicamente os êxitos dessas reformas democráticas. Como se sabe, a sessão extraordinária anterior da Assembleia Popular aprovou por unanimidade o projeto da Constituição da República Popular Democrática da Coreia. Agora, devemos obrigatoriamente colocá-la em prática.

Como sabem, o "parlamento" sul-coreano também pretende aprovar uma "constituição". Mas que êxitos poderia refletir o projeto de "constituição" elaborado por esse bando de reacionários sem escrúpulos?

Na Coreia do Sul, a única coisa que se fez foi violar brutalmente as liberdades e os direitos democráticos do povo e destruir completamente a economia. A "constituição" reacionária da Coreia do Sul não contém uma única palavra sobre os direitos dos cidadãos. Isso é natural em um lugar onde o povo não desfruta de nenhuma liberdade nem de quaisquer direitos elementares. Esse projeto de "constituição" evita definir os direitos dos cidadãos, limitando-se a esboçá-los com expressões vazias como "de acordo com as leis" ou "dentro dos limites das leis", etc., e deixa tudo à mercê das "leis" que deverão ser aprovadas no futuro.

Por exemplo, o projeto de "constituição" estipula "garantir o direito à propriedade" dos cidadãos, mas assinala que seu "conteúdo e seus limites" serão definidos por uma "lei" que ainda não existe. Além disso, indica que "a lei estabelece as condições de trabalho" dos trabalhadores, mas tal "lei" ainda não existe; assinala também que "a liberdade de negociação e ação coletiva dos trabalhadores será garantida dentro dos limites da lei", mas semelhante "lei" ainda não existe. Tampouco existe a "lei" que definirá o sistema educacional mencionado no projeto de "constituição". Não há dúvida de que as "leis" que definirão a chamada "liberdade de solidariedade, negociação e ação coletiva dos trabalhadores" e os direitos dos cidadãos, especialmente das massas trabalhadoras, serão "leis" que restringirão ao máximo seus direitos.

Assim, o projeto de "constituição" da Coreia do Sul é, em todos os aspectos, antipopular e reacionário, pois não apenas deixa de reconhecer as liberdades e os direitos elementares do povo, mas também legaliza a opressão e a exploração dos trabalhadores, bem como o regime policial e terrorista que hoje impera na Coreia do Sul.

No projeto da "constituição" reacionária da Coreia do Sul, não encontramos nada que se assemelhe a reformas democráticas. Vejamos, por exemplo, a questão agrária, ou seja, o "problema da terra", como eles dizem. O projeto de "constituição" estipula que "as terras são distribuídas aos camponeses". Mas qual é o método de distribuição? O projeto de "constituição" assinala: "O método de distribuição, o limite da posse, o conteúdo e os limites do direito de posse serão definidos por lei". Como podem ver, a "constituição" reacionária da Coreia do Sul, na realidade, não resolve a questão agrária, mas a deixa à mercê de uma suposta "lei" futura. É desnecessário dizer que essa "constituição" não pode sequer levantar a questão da nacionalização das indústrias. Não quero me deter mais detalhadamente nesse projeto de "constituição" reacionária. Considero que esses poucos exemplos são suficientes para desmascarar o caráter antipopular e reacionário dessa "constituição". Os reacionários sul-coreanos ignoraram deliberadamente a questão da democratização do Estado e obscureceram a questão dos direitos do povo com palavras absurdas e vagas. Não é de modo algum por acaso que deixaram a solução das questões fundamentais à mercê de futuras "leis" e transformaram o projeto de "constituição" em uma mera declaração.

O projeto de "constituição" da Coreia do Sul corresponde inteiramente aos interesses de seus elaboradores. Se essa "constituição" fala de democracia, não se trata de uma democracia para o povo, mas para os inimigos do povo.

O que a população sul-coreana exige é a formação de um comitê popular, autêntico órgão do Poder popular, e a realização de reformas democráticas; de modo algum deseja um regime reacionário de governo sob o qual os imperialistas agem como senhores. Ela reivindica a reunificação e a independência da nação, a verdadeira liberdade e a democracia, e não a dependência colonial do país nem a exploração e a opressão pelos latifundiários e grandes capitalistas.

Por isso, para defender a soberania nacional, salvaguardar os direitos do povo coreano e concretizar suas reivindicações, é absolutamente necessário pôr em vigor a Constituição da República Popular Democrática da Coreia.

Já assinalei que, com a entrada em vigor da Constituição, consolidaremos juridicamente os êxitos das reformas democráticas e da construção econômica e cultural realizadas na Coreia do Norte.

A população norte-coreana, transformada em verdadeira dona do poder, realizou um avanço de séculos ao promover uma transformação democrática consequente de sua vida social e econômica. Desse modo, já deixou muito para trás os Estados de democracia burguesa no campo político. Não seguimos o caminho da democracia burguesa, mas o da democracia popular. Devemos contrapor nossa Constituição popular e democrática ao documento dos vende-pátrias, que procuram conduzir o povo coreano à ruína.

A Constituição da República Popular Democrática da Coreia deve refletir e consolidar juridicamente os êxitos das históricas reformas democráticas realizadas na Coreia do Norte, que representa o futuro da Coreia reunificada.

O projeto de nossa Constituição estipula:

"Nosso país é a República Popular Democrática da Coreia" (Artigo 1). "O poder da RPDC pertence ao povo. O povo o exerce por meio de seus órgãos representativos: a Assembleia Popular Suprema e as assembleias populares locais de todos os níveis" (Artigo 2). Como podem ver, essa Constituição reconhece juridicamente a grande vitória política alcançada pelo povo.

Refletindo as transformações ocorridas na vida econômica da Coreia do Norte, nossa Constituição declara mais adiante:

"Os meios de produção na RPDC são propriedade do Estado e das organizações cooperativas, ou propriedade de pessoas físicas e jurídicas.

Constituem patrimônio do Estado as minas e outras riquezas do subsolo, as florestas, os rios e os mares, as principais empresas, os bancos, os transportes ferroviários, aquáticos e aéreos, os centros de comunicação, os aquedutos, a energia natural, bem como todos os bens que anteriormente pertenciam ao Estado japonês, aos japoneses ou aos elementos pró-japoneses" (Artigo 5). "São confiscadas as terras que anteriormente pertenciam ao Estado japonês, aos japoneses e aos latifundiários coreanos.

O sistema de arrendamento é abolido para sempre. A terra só pode ser possuída por quem a cultiva com o próprio esforço" (Artigo 6). Como podem ver, a Constituição da República Popular Democrática da Coreia reconhece juridicamente as reformas econômicas realizadas na Coreia do Norte.

Os artigos 11, 12 e 13 da Constituição da República Popular Democrática da Coreia declaram que os cidadãos têm direitos iguais em todas as esferas da vida política, econômica e social, sem distinção de sexo, nacionalidade, ideologia, religião, propriedade ou instrução. A Constituição garante aos cidadãos a liberdade religiosa e as liberdades de palavra, imprensa, reunião e associação. Todos os cidadãos que tenham completado 20 anos de idade têm igualmente o direito de voto. A Constituição estabelece que somente os alienados, os privados do direito de voto por sentença judicial e os elementos pró-japoneses não têm direito de sufrágio.

Assim, a Constituição da República Popular Democrática da Coreia é inteiramente democrática.

O que devo assinalar aqui é que a população norte-coreana já conquistou e desfruta, em sua vida real, das liberdades democráticas enunciadas na Constituição. A existência de comitês populares na Coreia do Norte, que protegem os interesses do povo, e o fato de que os importantes meios de produção, como as indústrias, os transportes, as comunicações, os bancos, etc., estão nas mãos do povo demonstram que as liberdades democráticas enunciadas na Constituição contam com garantias políticas e materiais.

Portanto, nossa Constituição não se limita a declarar os direitos e as liberdades democráticas do povo, mas também os garante efetivamente.

Todas essas características de nossa Constituição ressaltam seu caráter genuinamente popular e sua superioridade incomparável em relação às Constituições dos países de democracia burguesa.

Camaradas:

A Conferência Conjunta dos Representantes dos Partidos Políticos e das Organizações Sociais da Coreia do Norte e do Sul foi o primeiro passo dado pelas personalidades patrióticas de ambas as partes do país para adotar medidas de salvação nacional diante da ameaça de divisão da pátria. A promulgação da Constituição da República Popular Democrática da Coreia será o segundo passo em nossa luta pela reunificação da pátria. Mas não basta apenas promulgar a Constituição da República. Dando mais um passo adiante, devemos criar um único órgão legislativo e um único governo para toda a Coreia.

Atualmente, não dispomos de um órgão legislativo capaz de representar a vontade de todo o povo coreano. Por isso, devemos eleger a Assembleia Popular Suprema da Coreia, que será o órgão legislativo de todo o povo coreano. A Assembleia Popular Suprema da Coreia será composta por representantes de todos os partidos políticos e organizações sociais de esquerda, centro e direita que lutam pela liberdade e pela independência do país, bem como por representantes de todas as classes e camadas sociais do Norte e do Sul da Coreia, desde operários e camponeses até empresários e comerciantes. Desse modo, será um verdadeiro órgão representativo do povo, que defenderá os interesses do povo coreano e expressará sua vontade.

Chegou a hora de criarmos esse órgão legislativo, que, juntamente com o governo democrático unificado a ser fundado no futuro, impulsionará com ainda mais vigor a luta do povo coreano pela reunificação da pátria.

A fundação da Assembleia Popular Suprema será um passo decisivo na luta do povo coreano pela construção de um Estado unificado, democrático e independente.

Estou certo de que, na realização dessa tarefa, contaremos com o fervoroso apoio de todo o povo coreano.

A população norte-coreana marchará firmemente à frente da luta pela reunificação, pela independência e pela democratização da pátria, estreitamente unida na Frente Unida Nacional Democrática da Coreia do Norte.

Viva a Constituição da República Popular Democrática da Coreia!

Viva a Coreia democrática, livre e reunificada!

Viva o povo coreano, um povo com uma história de cinco milênios!

Monumento Natural — Ilhota Kuk

Situada no mar, ao largo de Jasan-ri, no condado de Thongchon, província de Kangwon, a ilhota Kuk assemelha-se a um biombo de pé sobre um tapete verde, harmonizando-se com o Mar Leste da Coreia.

Tem uma área de 0,054 km², um perímetro de 1 km e uma altura de 41 m. Pode-se dizer que é constituída por um conjunto de pilares de pedra. O local onde as paredes oriental e setentrional se encontram é tão pontiagudo quanto a proa de um barco e possui duas pequenas grutas.

No interior das grutas, encontram-se conjuntos de pilares de pedra dispostos em fileiras de maneira mais ordenada do que no exterior.

Arbustos e ervas crescem na ilhota, aves marinhas habitam o local e os recursos marinhos são abundantes.

Originalmente, a ilhota era chamada de Juk, pois ali crescia muito bambu. Mais tarde, passou a ser chamada de Kuk, porque o povo coreano utilizava o bambu que crescia na ilhota para fabricar flechas destinadas à defesa do país.

Esta ilhota, situada em meio ao mar, é muito bem protegida e conservada como monumento natural, graças à sua paisagem de extraordinária beleza.

Pyongyang Times

Classificação das marcas

① De acordo com a sua forma de composição, as marcas dividem-se em marcas nominativas, marcas figurativas e marcas mistas.

As marcas nominativas são marcas constituídas por letras de diferentes idiomas, números, entre outros elementos.

As marcas figurativas são marcas constituídas por figuras planas ou desenhos geométricos.

As marcas mistas são marcas nas quais letras, figuras, símbolos, números e outros elementos se combinam entre si.

② De acordo com a sua finalidade de utilização, as marcas dividem-se em marcas de produtos e marcas de serviços.

As marcas de produtos são marcas que os produtores colocam nos produtos que fabricam.

As marcas de serviços são marcas utilizadas pelos prestadores de serviços em relação aos serviços que oferecem.

Grande Casa de Estudos do Povo

A Dança da Tecelagem de Songchon, com uma longa história

Antigamente, a necessidade de vestuário das pessoas dependia inteiramente do trabalho manual, o que se tornou, durante muito tempo, um pesado fardo para as mulheres do nosso país.

O trabalho de fiação e tecelagem, que consistia em fiar os fios e tecer os tecidos, era uma tarefa monótona, árdua e prolongada, realizada durante muito tempo na mesma posição sentada. Por isso, para facilitar o trabalho e aliviar a fadiga, as mulheres trabalhavam juntas, cantando, e, depois de terminarem, dançavam para aliviar o cansaço provocado pelo trabalho.

A difusão da Dança da Tecelagem de Songchon pode ser relacionada, em primeiro lugar, ao fato de esta região ser, desde tempos antigos, uma importante zona de produção de seda, onde a maioria das mulheres se dedicava à tecelagem e, por conseguinte, muitas delas executavam essa dança.

Nesta região, as mulheres especializavam-se na fiação da seda, enquanto os homens as apoiavam, dando origem também a costumes de vida peculiares.

Graças ao apoio ativo dos homens, as técnicas de tecelagem das mulheres desta região aperfeiçoaram-se ainda mais. Diz-se que a seda que produziam era um tecido de alta qualidade, com uma trama extremamente fina e densa, considerada a melhor do país.

A Dança da Tecelagem de Songchon também se tornou ainda mais popular por estar relacionada com a Lenda de Puyong, transmitida nesta região durante a fase final da dinastia feudal de Joson.

A Dança da Tecelagem de Songchon, que se difundiu ainda mais entre as mulheres de Songchon à medida que a Lenda de Puyong era transmitida, é composta por movimentos coreográficos que reproduzem fielmente o trabalho da tecelagem e por movimentos que expressam o desejo de alcançar bons resultados no trabalho.

Grande Casa de Estudos do Povo

O janggi, um excelente jogo folclórico do nosso povo

O janggi é um jogo em que duas pessoas se sentam uma diante da outra e disputam a vitória, movendo alternadamente suas peças, uma de cada vez, entre as posições determinadas no tabuleiro.

Ao escolher as peças para jogar janggi, é costume que a pessoa mais velha fique com as peças vermelhas e a mais nova, com as peças azuis.

Antes de começar a partida, os jogadores dispõem suas peças no tabuleiro, o que se chama formação inicial.

Os jogadores movem alternadamente suas peças, uma jogada de cada vez, capturando as peças do adversário por meio de diversas estratégias. Quando, por fim, colocam uma peça numa posição que permite capturar o rei, anunciam "janghun".

Cada peça do janggi movimenta-se de acordo com as regras estabelecidas.

Por desenvolver a capacidade de raciocínio, o janggi é não apenas um excelente jogo para pôr à prova a inteligência, mas também um jogo folclórico e de destreza intelectual que alivia a fadiga mental e física das pessoas e torna mais agradável sua vida cultural e emocional.

Grande Casa de Estudos do Povo

Dança do Bongjuk

Bongjuk é um bastão de sinalização feito de uma longa vara de bambu, que os pescadores de antigamente erguiam na proa dos barcos quando regressavam com as embarcações cheias de peixes.

O bongjuk é feito colocando-se, sobre uma longa vara de bambu com mais do dobro da altura de um homem, um adorno em forma de rosca feito de palha de arroz. Na extremidade, enfiam-se dezenas de longas penas de faisão para decorá-lo e, em seguida, penduram-se de 8 a 10 longas tiras de tecido.

A faixa do bongjuk podia ser feita com cordões de cinco cores ou com tecido branco. Utilizavam-se tecidos de trama fina e que esvoaçavam facilmente, como a seda ou o semosi, um tecido fino de rami.

As brincadeiras com o bongjuk também eram realizadas durante as festas tradicionais, incluindo o dia da primeira lua cheia do ano lunar, com o desejo de que houvesse boas colheitas e abundância de peixes ao longo de todo o ano.

O aspecto mais singular dessas brincadeiras era a Dança do Bongjuk, executada para expressar os sentimentos dos pescadores que desejavam uma pesca abundante ou celebravam uma boa pescaria.

A Dança do Bongjuk é executada pelos pescadores, que seguram as faixas do bongjuk nas mãos e as agitam vigorosamente.

Os dançarinos, que dançam com vivacidade ao ritmo do compasso gutgori, começam a girar em círculos, agitando vigorosamente as faixas do bongjuk, quando o ritmo musical se acelera e passa ao compasso jagun-gutgori.

Em seguida, quando o compasso muda para taryong, os dançarinos agacham-se profundamente e depois saltam, agitando as faixas do bongjuk ainda mais alto, ou formam pares e giram alternadamente, intensificando a animação.

Quando a música se acelera com o compasso jagun-taryong, os dançarinos giram dando grandes saltos e executam uma dança vigorosa e expansiva, com movimentos enérgicos que expressam a firme determinação dos pescadores.

Grande Casa de Estudos do Povo

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Revolucionários nascidos da União para Derrotar o Imperialismo

Prefácio

Em 17 de outubro de 1926, o grande Líder camarada Kim Il Sung fundou a União para Derrotar o Imperialismo (UDI) com jovens comunistas de uma nova geração.

A UDI era uma organização revolucionária pura e nova, forjada pelos jovens de uma nova geração nos turbulentos acontecimentos da história, com aspirações ao socialismo e ao comunismo, pela realização da libertação nacional e da emancipação de classe sob os ideais do anti-imperialismo, da libertação e da independência.

A revolução coreana, iniciada pela UDI, percorreu um caminho vitorioso durante um longo período e, nesse processo, foi fundado o Partido do Trabalho da Coreia (PTC), guia da revolução, que se desenvolveu até se tornar um partido invencível.

Ao recordarmos a orgulhosa história do PTC, lembramos os precursores que fundaram a UDI, sua raiz histórica, e criaram suas tradições.

Eles eram verdadeiros revolucionários que representavam a primeira geração da revolução coreana.

Graças aos seus esforços, o movimento comunista e o movimento de libertação nacional na Coreia entraram em uma nova era, rompendo com a velha geração, contaminada pelo culto às grandes potências e pelo dogmatismo, e começando a avançar pelo caminho da independência.

Os comunistas da nova geração nunca entraram em conflitos entre si, pois não conheciam a ambição por cargos, e jamais romperam sua unidade por causa de diferenças de opinião.

Eles defenderam a unidade de suas fileiras revolucionárias, especialmente o centro dessa unidade, isto é, o grande Líder camarada Kim Il Sung, mesmo quando estavam na prisão ou diante da forca.

E transmitiram essa tradição aos comunistas das gerações mais jovens como um tesouro.

Essa foi sua primeira realização histórica.

O nobre e belo espírito dos comunistas da nova geração, que apoiaram seu líder e se uniram em torno dele, desenvolveu-se agora em uma unidade monolítica de coração e vontade, na qual todo o povo se encontra firmemente unido em torno do líder por uma única ideologia e uma única vontade.

Por ocasião do centenário da UDI, o povo coreano presta homenagem aos revolucionários que surgiram dessa organização, com um profundo sentimento de reverência por eles.

 1. O caminho percorrido por Cha Kwang Su

No alvorecer da revolução coreana, Cha Kwang Su tinha o camarada Kim Il Sung em alta estima como o grande líder da revolução, o único centro de unidade e coesão, e deu uma contribuição substancial para promover o movimento juvenil, transformar as massas populares segundo os princípios revolucionários e lançar as bases da luta armada antijaponesa.

Ele nasceu na província de Phyongan Norte, em 5 de abril de 1905. Os aldeões diziam que ele era um menino inteligente e, na adolescência, foi para o Japão, onde custeou os próprios estudos universitários trabalhando.

Foi por volta dessa época que leu livros sobre o marxismo-leninismo e começou a aspirar ao comunismo.

Naqueles dias, não eram muitos os coreanos que estudavam em universidades no Japão.

Ele tinha talento para escrever e fazer discursos. De bom coração, era querido por muitos jovens e gozava de popularidade como especialista em marxismo.

Caminhava com a cabeça ligeiramente inclinada para a esquerda. Havia adquirido esse hábito porque, quando criança, tivera um furúnculo no pescoço e costumava andar com a cabeça inclinada.

A respeito de Cha Kwang Su, o camarada Kim Il Sung escreveu em suas memórias, "No Transcurso do Século":

“Quando me recordo dos meus dias em Jilin, muitos rostos inesquecíveis surgem diante dos meus olhos. Entre eles, Cha Kwang Su está sempre em primeiro plano.

“Foi na primavera de 1927 que o conheci pela primeira vez.

“Foi Choe Chang Gol quem o apresentou a mim. Depois que a Escola Uisuk Hwasong foi fechada, Choe Chang Gol serviu no Exército da Independência em Sanyuanpu, no condado de Liuhe, que era uma base de Jongui-bu.”

O encontro de Choe Chang Gol com Cha Kwang Su pela primeira vez ocorreu da seguinte maneira.

Certo dia, quando o comandante da companhia do Exército da Independência à qual Choe Chang Gol pertencia foi informado de que um professor da Escola Liushuhezi estava propagando o comunismo, ordenou a Choe Chang Gol que o prendesse imediatamente. (O Exército da Independência era uma força armada organizada pelos combatentes coreanos pela independência para libertar o país do domínio japonês.)

Choe Chang Gol enviou alguns homens que estavam sob sua influência, advertindo-os seriamente, pois temia que eles, que consideravam os comunistas hereges, maltratassem o professor.

Os homens do Exército da Independência jantaram na casa onde Cha Kwang Su estava hospedado. A refeição que lhes serviram parecia bastante modesta.

Ao verem as tigelas de painço cozido sobre a mesa, eles, acostumados a serem bem tratados, protestaram com arrogância:

— Isto é comida? Vocês não estão tratando bem os homens do Exército da Independência.

Diante disso, Cha Kwang Su defendeu o dono da casa, dizendo:

— Esta família come apenas verduras, sem nenhum cereal. Para lhes oferecer hospitalidade, ele pediu painço emprestado à família de um latifundiário e o cozinhou para vocês. A culpa não é do anfitrião que preparou a comida, mas do latifundiário que lhe emprestou painço de má qualidade.

Ao ouvirem Cha Kwang Su, os homens do Exército da Independência, que estavam gritando furiosamente, ficaram em silêncio. Ele tinha razão, e eles não conseguiram encontrar motivos para contestá-lo.

Por fim, os homens do Exército da Independência desistiram da ideia de prender Cha Kwang Su, pois passaram a simpatizar com ele. Ao voltarem de mãos vazias, disseram ao comandante que Cha Kwang Su não era comunista, mas um grande patriota.

Choe Chang Gol disse que ele próprio havia conhecido Cha Kwang Su e concluído que valia a pena conhecê-lo melhor.

O camarada Kim Il Sung escreveu em suas memórias:

“Alguns dias depois, quando eu saía do Salão dos Jovens Cristãos, após proferir uma palestra, um jovem de óculos, com a cabeça um pouco inclinada para um lado, apareceu diante de mim. Ele me perguntou se eu conhecia Choe Chang Gol. Quando respondi que sim, estendeu silenciosamente a mão para me cumprimentar. Era Cha Kwang Su.

“Naquele dia, Cha Kwang Su me fez falar bastante, enquanto ele próprio falou pouco; fazia perguntas, e eu respondia.

Ele foi embora sem dizer para onde ia, deixando-me a impressão de ser brusco e difícil de abordar.”

O movimento comunista no Japão estava em declínio quando Cha Kwang Su custeava os próprios estudos universitários, acompanhando a nova tendência.

Ele considerava absurdo ler os livros de Marx e planejar algum tipo de movimento no Japão, onde o movimento comunista estava em declínio.

Ele voltou a Seul. Ali, conheceu pessoas que supostamente estavam envolvidas no movimento comunista. No entanto, havia tantos grupos que defendiam o mesmo marxismo-leninismo, e sua articulação era tão complicada, que ele não conseguia compreender coisa alguma.

Para avaliar qual grupo tinha razão em suas argumentações e encontrar o caminho que deveria seguir, Cha Kwang Su dedicou-se a estudar a história do primeiro movimento comunista na Coreia, sua genealogia e suas diferentes ramificações. Era como tentar encontrar a saída de um labirinto.

Os pseudomarxistas dedicavam-se a conversas vazias, sem relação com a luta pela libertação nacional, buscando fama pessoal e disputando a hegemonia sobre o movimento comunista. Havia muitos grupos: partidos de três pessoas aqui, grupos de cinco ali. A luta faccional chegou a tal extremo que cada grupo formou um bando terrorista para combater os demais.

Cha Kwang Su lamentava-se dia e noite, perguntando-se como pessoas supostamente envolvidas no movimento comunista podiam degenerar a tal ponto. Após refletir profundamente, partiu para a Manchúria.

Isso porque ainda nutria uma pequena esperança de conseguir entrar em contato com a Internacional Comunista na Manchúria e encontrar um novo caminho para o movimento comunista coreano.

Mas, também enojado com os atos criminosos dos faccionistas na Manchúria, partiu para Liuhe. Decidiu tornar-se professor em uma aldeia e levar uma vida tranquila, enquanto incutia o espírito nacional na mente das crianças. Nesse meio-tempo, depois de conhecer Choe Chang Gol, foi para Jilin com uma carta de apresentação dele.

Alguns dias depois, Cha Kwang Su foi visitar o camarada Kim Il Sung sem avisá-lo previamente. Disse que estivera perambulando por Jilin durante algum tempo para tomar um pouco de ar e, abruptamente, perguntou ao camarada Kim Il Sung qual era sua opinião sobre uma aliança com os nacionalistas.

Naqueles dias, a questão de uma aliança com os nacionalistas estava sendo intensamente debatida pelos comunistas, após a traição de Jiang Jieshi ao Partido Comunista da China. Por assim dizer, essa questão era considerada uma pedra de toque para distinguir os verdadeiros comunistas dos oportunistas.

O camarada Kim Il Sung disse a Cha Kwang Su:

"Alguns nacionalistas coreanos degenerados defendem o autogoverno e o reformismo nacional, cedendo aos imperialistas japoneses, mas nacionalistas e intelectuais conscientes lutam, dentro e fora do país, pela independência da Coreia sem ceder. Os nacionalistas coreanos, que vivenciam o domínio colonial bárbaro dos imperialistas japoneses, possuem um forte espírito antijaponês. Portanto, devemos unir forças com esses nacionalistas e com os capitalistas não compradores."

A maneira de pensar do camarada Kim Il Sung e sua posição de avaliar todos os problemas com base na situação concreta da Coreia, atribuindo grande importância à prática revolucionária, e não ao doutrinarismo, despertaram a simpatia de Cha Kwang Su.

Cha Kwang Su falou sobre sua trajetória, dizendo:

— Song Ju, podemos realizar um movimento acreditando uns nos outros e amando uns aos outros? Quero dizer, sem lutas faccionais nem disputas pela hegemonia.

O camarada Kim Il Sung escreveu em suas memórias:

“Esse apelo refletia a experiência de sua vida e a lição que aprendera depois de percorrer de ponta a ponta um país estrangeiro, buscando o caminho da revolução.

Segurando sua mão, disse-lhe, com um forte sentimento de que nós, da nova geração, deveríamos nos unir estreitamente em pensamento e propósito e seguir o caminho reto da revolução, em vez de tomar o caminho da desunião, como faziam os faccionistas.”

Cha Kwang Su tornou-se membro da UDI pouco depois.

A princípio, participou da transformação revolucionária das aldeias coreanas nos arredores de Jilin e, em seguida, da mobilização dos jovens nos assentamentos coreanos de Liuhe, no sul da Manchúria, e de Kalun, Guyushu, Wujiazi e outras localidades da Manchúria central, tendo Jilin como centro. Ao realizar essas atividades, compreendeu plenamente qual caminho deveria seguir para conduzir a revolução.

O camarada Kim Il Sung confiou a Cha Kwang Su a tarefa de trabalhar em Xinantun.

Essa era uma das poucas bases para o movimento político entre os assentamentos coreanos na Manchúria. Se a aldeia fosse transformada segundo os princípios revolucionários, ela poderia proporcionar o primeiro acesso às massas camponesas.

Quando o camarada Kim Il Sung disse a Cha Kwang Su que fosse trabalhar na aldeia de Xinantun, este demonstrou certa hesitação. Perguntou, meio em tom de brincadeira e meio a sério, por que seria enviado ao campo depois de ter saído do campo para se juntar ao movimento. Perguntava-se o que poderia fazer em uma pequena aldeia rural enquanto outros percorriam as grandes cidades conduzindo o movimento e, insatisfeitos até mesmo com isso, visitavam a Internacional Comunista.

Ele se opunha aos antigos métodos de conduzir o movimento, mas ainda permanecia preso às ideias estabelecidas.

O camarada Kim Il Sung disse-lhe:

"É errado pensar que só se pode fazer a revolução quando se está instalado em uma grande cidade. Não devemos fazer distinções entre a cidade e o campo quando há pessoas vivendo nesses lugares. A esmagadora maioria da nossa população é composta por camponeses. Uma grande parcela dos coreanos na Manchúria vive no campo. Sem ir ao encontro dos camponeses, é impossível conquistar o povo para a causa da libertação nacional ou pensar na vitória do movimento comunista em nosso país. Quero ir para o campo e trabalhar lá depois de concluir os estudos. É errado pensar que somente aqueles que frequentam a Internacional Comunista possuem dignidade como comunistas. Os comunistas respeitam a Internacional Comunista porque a causa da classe trabalhadora assume um caráter internacional e porque somente quando a classe trabalhadora de todo o mundo estiver unida poderá romper as correntes internacionais do capital. Somente quando nos esforçarmos sinceramente para cumprir os deveres nacionais e internacionais que nos cabem poderemos conquistar o reconhecimento da Internacional Comunista e apressar o tão esperado dia da libertação nacional. O que acontecerá se aqueles que supostamente fazem a revolução em nome das massas proletárias continuarem a subir, deixando as massas para trás? Vamos descer."

Vamos descer até os operários e camponeses.

— Vamos descer, em vez de subir — repetiu Cha Kwang Su para si mesmo, com seriedade, e permaneceu pensativo por algum tempo.

Então, bateu na mesa e exclamou em voz alta:

— Que ótima ideia!

O camarada Kim Il Sung o orientou a abandonar as velhas ideias e a adotar a concepção de que o povo é o mestre e a principal força motriz da revolução.

Graças à orientação e à camaradagem revolucionária do camarada Kim Il Sung, Cha Kwang Su tornou-se membro da Associação de Camaradas Konsol, a primeira organização partidista da história da revolução coreana, em julho de 1930; posteriormente, tornou-se oficial comandante do Exército Revolucionário da Coreia e, em abril de 1932, chefe do Estado-Maior da Guerrilha Popular Antijaponesa.

Durante uma expedição ao sul da Manchúria, liderada pelo camarada Kim Il Sung, Cha Kwang Su participou de várias batalhas, incluindo uma emboscada em Xiaoyingziling e a batalha na fronteira entre os condados de Antu e Fusong, nas quais demonstrou plenamente seu espírito heroico e abnegado.

Em outubro de 1932, morreu heroicamente durante um confronto com o inimigo.

O camarada Kim Il Sung escreveu em suas memórias:

“Cada um dos combatentes que trilharam conosco o caminho da luta era um ser inestimável, com o qual nada no mundo poderia ser comparado.”

2. Poeta revolucionário dedicado

Kim Hyok, hoje conhecido como poeta revolucionário, deixou uma impressão duradoura no camarada Kim Il Sung no período inicial de suas atividades revolucionárias.

O camarada Kim Il Sung escreveu em suas memórias "No Transcurso do Século":

“Em meu primeiro encontro com ele, percebi que era um homem de grande paixão. Enquanto Cha Kwang Su era exuberante, Kim Hyok era ardente. Normalmente, era calmo e tranquilo, mas, quando se entusiasmava, fervia como um alto-forno e se tornava extremamente impetuoso.”

Kim Hyok nasceu em uma família camponesa em 11 de outubro de 1907.

Cresceu vivenciando a tristeza e o sofrimento de um povo sem Estado e custeou os próprios estudos em Seul e no Japão trabalhando.

Quando estudante, procurou um caminho correto para libertar seu país e sua nação da ocupação militar dos imperialistas japoneses. Nesse processo, tornou-se adepto do comunismo e conheceu muitas pessoas que afirmavam ser comunistas.

Entretanto, os chamados revolucionários que conhecera estavam profundamente impregnados de faccionismo e de culto às grandes potências. Ele ficou desiludido com suas palavras e ações.

Kim Hyok percorreu terras estrangeiras, longe de sua pátria, em busca do caminho que a Coreia deveria seguir.

Desperdiçava a vida suspirando, comendo à custa de outros em uma hospedaria ou participando de uma manifestação antijaponesa com alguns estudantes chineses em Xangai.

Costumava voltar à hospedaria perguntando-se o que deveria fazer em seguida.

Naquela época, Cha Kwang Su lhe escreveu uma carta.

A carta dizia, em parte: “Não desperdice sua preciosa vida em Xangai. Venha para Jilin, e aqui encontrará o líder, a teoria e o movimento que está procurando. Jilin é o lugar ideal para você!”

Cha Kwang Su não lhe escreveu apenas uma vez, mas quatro vezes.

Depois de ler a carta, Kim Hyok foi a Jilin para conhecer o camarada Kim Il Sung, no verão de 1927.

Ao recordar seu primeiro encontro com Kim Hyok, o camarada Kim Il Sung escreveu em suas memórias.

“Certo dia, enquanto conversava com meu professor Shang Yue no corredor, depois de uma aula de chinês, Kwon Thae Sok veio apressadamente até mim e disse que eu tinha uma visita. Contou-me que o desconhecido estava junto ao portão principal, acompanhado de um homem de óculos chamado Cha Kwang Su.

Encontrei um jovem de rosto bonito, quase feminino, parado junto ao portão com Cha Kwang Su, segurando uma mala e esperando por mim. Era o jovem Kim Hyok, a quem Cha Kwang Su vinha elogiando como um talento sempre que tinha oportunidade. Antes que Cha Kwang Su tivesse tempo de me apresentá-lo, ele próprio se apresentou, dizendo: ‘Sou Kim Hyok’, e estendeu a mão para me cumprimentar.

Apertei sua mão e me apresentei.”

O camarada Kim Il Sung dividiu seu quarto com Kim Hyok durante três dias inteiros, e os dois conversaram todas as noites, principalmente sobre a missão da literatura e das artes.

Kim Hyok possuía conhecimentos particularmente profundos sobre literatura e artes.

Ele ficou profundamente impressionado com as concepções do camarada Kim Il Sung.

Depois de se conhecerem, Kim Hyok passou vários dias percorrendo a cidade de Jilin e, em seguida, apertou a mão do camarada Kim Il Sung e disse:

— Song Ju, lançarei minha âncora aqui. Minha vida começa agora.

O camarada Kim Il Sung escreveu em suas memórias:

“Naquele dia, Kim Hyok segurou minha mão e falou mais ou menos nestes termos: Certa vez, participei de uma manifestação com alguns estudantes chineses em Xangai. Quando os vi marchando pelas ruas e gritando palavras de ordem antijaponesas, fiquei entusiasmado e me juntei às fileiras dos manifestantes. Quando a manifestação foi frustrada, voltei à hospedaria, perguntando-me o que deveria fazer em seguida, o que deveria fazer no dia seguinte. Como não pertencia a nenhum partido político nem a qualquer organização, não havia ninguém para me dizer onde me reunir ou o que fazer no dia seguinte, nem para me orientar sobre como lutar. Enquanto participava da manifestação, pensei em como seria bom se houvesse alguém que gritasse ‘Avante!’ para mim quando eu desanimasse durante o protesto; em como seria encorajador ter uma organização e um líder que me dissessem o que deveria fazer no dia seguinte, quando estivesse voltando para casa após a manifestação; em como seria feliz se tivesse camaradas que, caso eu fosse baleado e caísse, gritassem ‘Kim Hyok!’, ‘Kim Hyok!’, chorando sobre mim; e em como seria bom se fossem coreanos reunidos em uma organização coreana.

Ele falou o que pensava sem titubear.”

Foi assim que Kim Hyok encontrou seu líder e sua organização.

Depois de conhecer o camarada Kim Il Sung, ficou profundamente impressionado com sua extraordinária perspicácia ideológica e teórica, suas capacidades de liderança e suas nobres qualidades.

Firmemente convencido de que o camarada Kim Il Sung era o único líder do povo coreano, decidiu apoiá-lo como centro da unidade e da solidariedade, o centro da liderança.

Ele havia aprendido uma séria lição com o movimento da geração anterior, no qual diversos partidos e facções, comportando-se como se apenas eles fossem heróis, arruinaram o movimento revolucionário por meio de conflitos faccionais. Sentira até o fundo de sua alma que, para recuperar o país, o povo coreano precisava se unir e que, para alcançar a unidade de pensamento e propósito, era necessário ter um centro de liderança, um centro de unidade.

Em razão da vida que levara, compôs "Estrela da Coreia".

Em sua letra e melodia, a canção revolucionária retrata os sentimentos de felicidade e a esperança do povo coreano, que exalta o grande líder destinado a salvar o país e a nação do domínio japonês, bem como sua vontade de fazer nascer um novo dia para a Coreia.

Apesar da pressão decorrente das difíceis e complexas tarefas revolucionárias, Kim Hyok encontrava tempo para escrever excelentes poemas.

Ele não se debatia com as expressões poéticas no papel, escrevendo e reescrevendo os versos. Em vez disso, aperfeiçoava os poemas mentalmente, do primeiro ao último verso, até considerá-los perfeitos. Então, batia com o punho na mesa e passava o poema para o papel.

Seus camaradas, que sabiam que ele produziria um poema quando golpeasse a mesa com o punho, ficavam encantados com isso e exclamavam que ele havia posto mais um “ovo”.

O homem que sempre encarava a vida com sentimentos calorosos e os transformava em poesia também era ardente em seu amor pela namorada.

Ele tinha uma bela namorada chamada Sung So Ok.

Ela era corajosa e estava disposta a enfrentar a forca em nome da justiça.

Tinha talento para recitar poemas, cantar e fazer discursos. Além disso, usava sempre uma jaqueta branca e uma saia escura, independentemente da estação do ano, de modo que quase todos os jovens da cidade de Jilin a conheciam. Ela gostava de recitar os poemas de Kim Hyok e os carregava em sua bolsa.

Por alguma razão desconhecida, porém, o pai da jovem não parecia satisfeito com o relacionamento. Tendo estudado durante alguns anos na União Soviética, ele tivera contato com a civilização moderna e, por isso, era um homem particularmente esclarecido.

Como um homem assim se opunha ao amor dos dois, Kim Hyok, embora normalmente fosse ousado, não conseguia evitar sentir-se constrangido.

Depois de observar atentamente a personalidade de Kim Hyok durante um longo período, o pai da jovem também o reconheceu como um revolucionário resoluto e aprovou o noivado dos dois.

O caráter ardente de Kim Hyok manifestava-se na prática por meio de sua lealdade à revolução. Como revolucionário, possuía um elevado senso de responsabilidade e lealdade.

Ele era cinco anos mais velho que o camarada Kim Il Sung e havia estudado no Japão, mas nunca demonstrava qualquer sinal de superioridade por esses motivos. Sempre aceitava sinceramente as tarefas que o camarada Kim Il Sung lhe confiava.

Em 28 de agosto de 1927, ingressou na União da Juventude Comunista da Coreia, fundada pelo camarada Kim Il Sung com os elementos centrais da UDI.

A partir de 1927, participou frequentemente das atividades do grupo amador de arte sob a orientação do camarada Kim Il Sung, incitando as massas populares, especialmente os jovens e as jovens, à luta revolucionária. Também deu uma contribuição substancial à formação de organizações revolucionárias e à sua expansão em Jilin, Kalun e outros lugares.

Após a reunião de Kalun, o camarada Kim Il Sung intensificou seriamente os preparativos para uma nova publicação.

Kim Hyok trabalhou dia e noite na preparação dos manuscritos para a publicação. Por sugestão sua, a publicação recebeu o nome de Bolchevique, e o camarada Kim Il Sung deu-lhe orientações a respeito em várias ocasiões.

Em 10 de julho de 1930, foi publicado o primeiro número de Bolchevique.

Kim Hyok trabalhou como editor de Bolchevique.

Era extremamente difícil publicar e distribuir publicações revolucionárias sem qualquer apoio material e sob a rigorosa vigilância do inimigo.

Entretanto, Kim Hyok nunca reduziu a tiragem de Bolchevique nem atrasou sua publicação.

Graças aos seus esforços incansáveis, a publicação foi distribuída entre as organizações revolucionárias de Jilin, Changchun, Harbin, Guyushu e muitas outras regiões da Manchúria.

Kim Hyok era membro da Associação de Camaradas Konsol, a primeira organização partidista da história da revolução coreana, e oficial comandante do Exército Revolucionário da Coreia.

No início de agosto de 1930, foi para Harbin.

Antes de partir para Harbin, o editor de Bolchevique passava quase todas as noites em claro, escrevendo artigos para a publicação.

Quando o grupo do Exército Revolucionário da Coreia, sob o comando de Kim Hyok, chegou a Harbin, a atmosfera na cidade era assustadora.

Juntamente com os integrantes do grupo armado, Kim Hyok foi profundamente ao encontro de pessoas de diferentes camadas sociais. Valendo-se de sua capacidade organizativa e de sua audácia, promoveu a educação política dos jovens, ampliou as organizações, preparou a formação de organizações partidista de base e intensificou os esforços para obter armas. Também estabeleceu contato com o escritório de ligação da Internacional Comunista, apesar da rigorosa vigilância do inimigo.

Kim Hyok prestou serviços notáveis ao aprimoramento do trabalho em Harbin. Responsável por um dos condados, trabalhou arduamente, deslocando-se em todas as direções. Entretanto, em um encontro secreto em Daoli, na cidade, deparou-se com o inimigo, que o surpreendeu e o atacou. Depois de trocar tiros com o inimigo, saltou do terceiro andar do edifício em que se encontrava, decidido a morrer.

Mas sua constituição física de ferro frustrou sua determinação. Depois de fracassar em sua tentativa de suicídio, foi capturado pelo inimigo e levado para a prisão de Lushun. Após sofrer torturas cruéis e perseguições, morreu na prisão.

Ao receber a notícia de sua captura, o camarada Kim Il Sung passou muitas noites sem dormir.

Ele escreveu em suas memórias:

“A morte do talentoso Kim Hyok, em uma época em que um camarada na revolução valia seu peso em ouro, foi uma perda dolorosa para a nossa revolução.”

Kim Hyok foi um destacado jovem da primeira geração revolucionária, que sacrificou sua vida e sua juventude em prol do país e da nação.

O povo coreano se recorda de Kim Hyok não apenas porque ele compôs uma canção revolucionária e pertenceu à primeira geração da revolução coreana, mas também porque foi um dos precursores que inauguraram uma era de unidade e coesão, na qual o líder e as massas se fundiram em um todo harmonioso no movimento comunista do país, e que, ao preço do próprio sangue, abriram o caminho para a história da revolução coreana.

3. Um homem resoluto

Choe Chang Gol era alto e tinha uma boa constituição física, e sua testa larga e suas sobrancelhas negras conferiam-lhe uma aparência muito máscula.

Após a ocupação da Coreia pelos imperialistas japoneses, sua família mudou-se para Fushun, no sul da Manchúria.

Seu pai administrava um pequeno hotel em Fushun.

O pai queria que ele ingressasse no negócio e o ajudasse.

Entretanto, Choe Chang Gol deixou a casa da família e ingressou no Exército da Independência no verão de 1925, a fim de contribuir para a recuperação da independência do país.

Enquanto servia no Exército da Independência, sua avó foi muitas vezes à sua unidade para convencer o neto a voltar para casa. Contudo, ele nunca cedeu. Todas as vezes que ela aparecia, ele dizia: “Com o país arruinado, não é hora de manter nosso hotel.”

Depois de servir durante algum tempo como soldado do Exército da Independência, foi recomendado à Escola Uisuk Hwasong, uma escola militar e política de dois anos pertencente à Jongui-bu, por Ryang Se Bong, que havia substituído O Tong Jin no comando do Exército da Independência. A Jongui-bu era uma das organizações nacionalistas do movimento pela independência.

Como havia ingressado no Exército da Independência com a ambição de libertar o país, ficou desiludido com os líderes que disputavam a hegemonia e desperdiçavam o tempo em conflitos faccionais, sem um programa de luta definido, bem como com os nacionalistas que se limitavam a arrecadar fundos para a guerra nas aldeias coreanas da Manchúria e comportavam-se como se fossem veteranos experientes.

Sentiu o mesmo na Escola Uisuk Hwasong.

Então, em junho de 1926, o camarada Kim Il Sung ingressou na escola.

O camarada Kim Il Sung escreveu em suas memórias:

“Naquela tarde, Choe Chang Gol, da sexta companhia, acompanhado por mais de dez camaradas, foi à casa de Kim Si U para me visitar. Parecia que a primeira impressão que tiveram de mim havia sido favorável e que estavam curiosos e sentiam vontade de conversar comigo porque eu havia ingressado na escola em uma idade muito jovem.

Choe Chang Gol tinha uma grande cicatriz na cabeça. Sua testa larga e suas sobrancelhas negras conferiam-lhe uma aparência muito máscula. Era alto e tinha uma boa constituição física. Poderia ser considerado bonito, não fosse a cicatriz na cabeça. Havia algo de descontraído em sua maneira de falar e em seus modos, o que atraía as pessoas. Em nosso primeiro encontro, causou-me uma grande impressão.

Sua primeira pergunta foi: ‘Você diz que tem apenas 15 anos, mas parece muito maduro para sua idade. Como conseguiu ingressar no Exército da Independência sendo tão jovem e como veio parar na Escola Uisuk Hwasong?’

Seus olhos não se desviavam do meu rosto, e ele manteve um sorriso nos lábios o tempo todo, como se tivesse encontrado um amigo íntimo com quem vivera durante muito tempo sob o mesmo teto.

Contei-lhe brevemente o que queria saber.

Quando souberam que eu era o filho mais velho de Kim Hyong Jik, tornaram-se ainda mais amistosos comigo, expressando surpresa, por um lado, e lançando-me olhares respeitosos, por outro. Fizeram-me muitas perguntas para conhecer minhas experiências no país.

Pouco depois, perguntei a Choe Chang Gol sobre seu período no Exército da Independência.

Primeiro, ele me contou como havia conseguido a cicatriz na cabeça. Enfeitava a história para torná-la mais interessante, fazendo piadas de vez em quando, de modo que era realmente divertido ouvi-lo. O que me lembro particularmente de sua narrativa é que ele sempre falava de si mesmo na terceira pessoa. Quando queria dizer ‘Fiz isso’ ou ‘Fui enganado’, dizia ‘Choe Chang Gol fez isso’, ‘Choe Chang Gol foi enganado’, provocando sorrisos nos ouvintes.

“Isso aconteceu quando Choe Chang Gol era um simples soldado sob o comando de Ryang Se Bong. Certa vez, ele capturou um espião nas proximidades de Kaiyuan. No caminho de volta, parou em uma hospedaria. Mas aquele Choe Chang Gol extremamente descuidado começou a cochilar diante do espião. Estava cansado depois de caminhar muitos quilômetros. Enquanto isso, o espião desamarrou a corda que o prendia, golpeou Choe Chang Gol na cabeça com um machado e fugiu. Felizmente, o golpe não foi muito forte. A 'decoração' na cabeça de Choe Chang Gol tinha essa história sombria. Se um homem for descuidado, sofrerá o mesmo destino que Choe Chang Gol.

Depois de algumas horas de conversa franca, concluí que ele era um homem muito interessante.

Fiz amizade com centenas e milhares de pessoas na minha juventude. Entretanto, aquela foi a primeira vez que conheci um sujeito como Choe Chang Gol, que, referindo-se a si mesmo o tempo todo na terceira pessoa, entrelaçava habilmente suas histórias.”

Quando Choe Chang Gol, com uma pistola à cintura, servia sob o comando de Ryang Se Bong, Cha Kwang Su ensinava crianças.

Certa vez, Choe Chang Gol disse ao camarada Kim Il Sung:

“Sou exigente com as pessoas, mas me afeiçoei a Cha Kwang Su desde o primeiro encontro. Ele parece exuberante, mas é um verdadeiro homem. Tem dez Karl Marx na cabeça.”

Após uma pausa, acrescentou:

“Se eu fosse uma moça, não hesitaria em me casar com aquele sujeito exuberante. Parece que todas as moças de Jilin são cegas.”

Na época em que vivia em Jilin, Cha Kwang Su ainda era solteiro. Por isso, Choe Chang Gol sempre dizia que arranjaria uma noiva para ele e conduziria seu cavalo até a casa dela no dia do casamento.

Sempre que se encontravam, brincavam abertamente um com o outro, cada qual afirmando ser mais velho e, portanto, merecedor do respeito do outro. A amizade entre eles era tão íntima e profunda que despertava a inveja e o ciúme de todos os demais.

Choe Chang Gol era um aventureiro nato e um otimista.

Quando o camarada Kim Il Sung fundou a UDI, em 17 de outubro de 1926, Choe Chang Gol participou da reunião correspondente e tornou-se membro da organização.

Todos os membros reconheceram o camarada Kim Il Sung como líder da UDI.

Posteriormente, Choe Chang Gol foi para Liuhe, conforme a decisão da UDI.

Após o fechamento da Escola Uisuk Hwasong, voltou à sua antiga companhia e, servindo como conselheiro do Exército da Independência, dedicou todas as suas energias à expansão da influência da UDI em Liuhe e em toda a vasta região do sul da Manchúria. Em outras palavras, era o representante da UDI no sul da Manchúria.

Liuhe estava sob forte influência dos faccionistas e dos nacionalistas conservadores, que tramavam conspirações anticomunistas. Eles incitavam os jovens da região à divisão e ao confronto.

A rápida expansão das fileiras da UDI em Liuhe, Xingjing e outros lugares do sul da Manchúria podia ser atribuída, em parte, à luta titânica e à capacidade de trabalho eficiente e experiente de Choe Chang Gol.

Ele ingressou no Exército da Independência, uma área proibida para a nova ideologia, e não escondia o fato de ser comunista enquanto vivia entre seus integrantes. Pelo contrário, despertava ativamente a consciência dos soldados progressistas do Exército da Independência e transformou muitos deles em adeptos do comunismo.

Apesar da grave situação em Liuhe, fundou uma organização da União da Juventude Anti-Imperialista com os jovens da região e esforçou-se para ampliar rapidamente suas fileiras.

Os faccionistas tentaram encontrar motivos para criticá-lo, alegando que a União da Juventude Anti-Imperialista em Liuhe não era uma organização legítima, pois a Federação Geral da Juventude Coreana na China era a única organização dos jovens coreanos na China. Chegaram até mesmo a formar uma organização terrorista chamada "Porrete", em uma tentativa de atacar os membros centrais da União da Juventude Anti-Imperialista. Choe Chang Gol tomou as medidas necessárias para impedir suas ações vergonhosas e proteger os jovens.

Ele não respondeu às provocações dos faccionistas recorrendo às armas. Por natureza, tinha uma atitude generosa em relação às pessoas e ao lidar com os assuntos.

Mais tarde, disse ter ficado muito surpreso por não ter perdido o controle e ter conseguido conter-se para não abrir fogo quando viu os membros da União da Juventude Anti-Imperialista cuspindo sangue e tendo a carne dilacerada pelos golpes dos cassetetes dos faccionistas.

Trabalhou arduamente para ampliar as fileiras da União da Juventude Comunista da Coreia e da União da Juventude Anti-Imperialista nas regiões de Liuhe, Xingjing e Tieling. Também estabeleceu organizações de esclarecimento, chamadas institutos de ciências sociais, em vários outros condados do sul da Manchúria.

Esses institutos tinham a missão de estudar e propagar o marxismo-leninismo e a teoria orientadora da revolução coreana.

Quanto ao seu modo de funcionamento, reuniam os jovens e lhes ministravam palestras durante cerca de duas semanas ao final da temporada agrícola. A cada poucos meses, também esclareciam seus membros por meio de aulas em suas casas e, durante o restante do ano, enviavam-lhes pelo correio os materiais de estudo necessários.

Assim como Kim Hyok, Choe Chang Gol era membro da Associação de Camaradas Konsol, a primeira organização partidista fundada em 3 de julho de 1930, e oficial comandante do Exército Revolucionário da Coreia.

Naqueles anos, defendendo a linha do camarada Kim Il Sung de luta armada contra os japoneses, formou organizações partidistas e ampliou diversas organizações de massas na vasta região do sul da Manchúria. Também comandou uma unidade do Exército Revolucionário da Coreia, realizando os preparativos materiais necessários para conduzir a luta armada.

Na primavera de 1931, ele mudou o nome do comando de Jijiang do Exército Revolucionário da Coreia para Exército Revolucionário Oriental e assumiu seu comando.

Foi morto pelos direitistas da Kukmin-bu, uma das organizações nacionalistas.

Ele era um comunista que atuava sob os olhos dos reacionários, dentro da estrutura da Kukmin-bu, que começara a considerar o terrorismo um meio todo-poderoso. Por assim dizer, estava na lista negra da Kukmin-bu.

No final de 1929, os reacionários da Kukmin-bu tentaram prender seis jovens comunistas, entre eles Choe Chang Gol, e executá-los. Mais tarde, atraíram-no para uma armadilha e o mataram em fevereiro de 1932, antes de espalharem o boato de que o haviam executado por ser um agente comunista secreto.

O camarada Kim Il Sung escreveu em suas memórias:

“Fiquei tão furioso que não conseguia falar nem chorar.

Como pôde ele, um dos fundadores da UDI, que sempre fora ardoroso e atencioso, deixar-nos sem uma palavra sobre sua morte? Isso aumentou ainda mais nossa dor avassaladora, depois da amarga experiência que havíamos vivido em uma colina sem nome, na fronteira entre os condados de Antu e Fusong. A morte de um camarada de armas tão leal como Choe Chang Gol, naquele momento histórico em que a luta armada havia começado com o nascimento da Guerrilha Popular Antijaponesa e em que o estrondo de seus disparos anunciava o advento de uma nova era em toda a vasta região da Manchúria, foi uma perda dolorosa para nossa revolução.

Cha Kwang Su, sentado ao meu lado sobre a grama ressequida pelo sol escaldante, derramava copiosas lágrimas.”

4. Herói do “Incidente do Restaurante Kumgang”

Sempre que a revolução coreana se encontrava em uma situação difícil, os membros da UDI, como elementos fundamentais da revolução coreana que desempenhavam um papel de liderança, sempre encontravam uma saída onde quer que atuassem, mesmo que isso significasse sacrificar a própria vida.

Um deles era Kim Ri Gap.

Como herói do “Incidente do Restaurante Kumgang (Restaurante Taesong)”, Kim Ri Gap foi mencionado no livro "Breve História do Movimento Revolucionário Coreano no Exterior".

Ele ingressou no Exército da Independência com a determinação de dedicar tudo de si à recuperação de sua pátria, iniciando seu serviço em uma companhia sediada em Wangqingmen, no condado de Xingjing.

Como demonstrava um entusiasmo excepcional pelas atividades do Exército da Independência, os comandantes do exército frequentemente o elogiavam por seu fervoroso patriotismo, dizendo que tinha um futuro promissor e desempenharia um papel fundamental no exército.

Mais tarde, foi admitido na Escola Uisuk Hwasong.

Entretanto, o que se ensinava na escola eram apenas ideias nacionalistas e um treinamento militar ultrapassado.

Os jovens que ingressaram na escola com a ambição de participar do movimento antijaponês estavam insatisfeitos com a educação nacionalista burguesa ali ministrada.

O mesmo acontecia com Kim Ri Gap. Ele conheceu o camarada Kim Il Sung em junho de 1926 e decidiu tornar-se um de seus camaradas.

Ele estava entre os primeiros membros da UDI.

Diante dos demais membros da UDI, declarou:

“No passado, derramávamos nosso sangue em terras estrangeiras enquanto prosseguíamos com o movimento pela independência. Isso acontecia porque não tínhamos um líder destacado para conduzir o movimento. Agora temos nosso líder. O camarada Kim Song Ju é o único líder que devemos exaltar e apoiar. Estou determinado a apoiá-lo fielmente e a sacrificar-me por ele a qualquer momento.”

Até o último instante de sua vida, permaneceu fiel ao camarada Kim Il Sung, fazendo o máximo para defender sua ideia e sua liderança.

Mais tarde, foi enviado ao sul da Manchúria, onde trabalhou arduamente para ampliar as organizações da União da Juventude Anti-Imperialista.

O seguinte aconteceu no outono de 1929, quando participou, como observador, de uma conferência organizada pela Kukmin-bu em Wangqingmen.

A conferência tinha como objetivo fundir a Federação Geral da Juventude Coreana da Manchúria Oriental e a Federação Geral da Juventude Coreana do Sul da Manchúria.

Acreditando que era necessário impedir a dispersão do movimento juvenil e assegurar uma orientação unificada para o movimento, tendo em vista a situação objetiva criada pela fusão das três organizações bu — Jongui-bu, Chamui-bu e Sinmin-bu —, os dirigentes da Kukmin-bu patrocinaram a conferência na tentativa de formar uma única organização denominada União da Juventude da Coreia.

Por meio dessa conferência, procuravam impedir a penetração de uma nova corrente ideológica nas organizações juvenis e colocar todas as organizações da juventude coreana na Manchúria sob seu controle.

Os faccionistas também tentaram exercer sua influência sobre a conferência. O camarada Kim Il Sung considerou que, devido às conspirações dos nacionalistas e dos faccionistas, a conferência poderia levar à divisão do movimento juvenil. Decidiu participar dela a fim de impedir que os jovens se dividissem e exercer uma influência positiva sobre os representantes das organizações juvenis.

Antes da conferência, a Kukmin-bu realizou uma reunião preparatória da qual participaram representantes das organizações juvenis de várias regiões. A reunião elegeu os membros do comitê preparatório da conferência. O camarada Kim Il Sung era membro desse comitê.

A partir do dia seguinte à sua chegada a Wangqingmen, ele trabalhou entre os representantes juvenis. Como primeira parte desse trabalho, organizou uma reunião de jovens no campo de esportes da Escola Secundária Hwahung.

Nessa reunião, enfatizou que os jovens coreanos precisavam unir-se ideologicamente e em seus objetivos para alcançar uma verdadeira coesão em seu movimento, e que essa coesão deveria basear-se em um pensamento novo e progressista.

Ao que tudo indica, pouco depois, seu discurso chegou ao conhecimento dos direitistas da Kukmin-bu.

No dia seguinte, Kim Ri Gap informou-lhe que eles haviam ficado apreensivos e estavam vigiando suas atividades.

O camarada Kim Il Sung escreveu em suas memórias:

“Kim Ri Gap, um dos primeiros membros da UDI, ficou hospedado na casa de Jon Kyong Suk, sua noiva, não muito longe de Wangqingmen, depois que a Escola Uisuk Hwasong foi fechada, e estava revolucionando essa região. Era um homem corajoso e dotado de grande determinação; realizava seu trabalho com ousadia. Não era fácil infundir o comunismo nas pessoas de uma região onde os nacionalistas gritavam palavras de ordem anticomunistas sempre que tinham oportunidade.

Ele estava em Wangqingmen para participar da conferência como observador. No dia seguinte ao meu discurso na escola, ele veio me visitar e me convidou para jantar na casa de sua noiva. Disse que queria compartilhar comigo suas experiências passadas, mas, na verdade, seu objetivo era me informar sobre a atitude da Kukmin-bu.

Ele me contou que os membros da Kukmin-bu estavam conspirando para prender todos os integrantes do comitê preparatório. Disse que seria melhor eu fugir o mais rápido possível, antes que as prisões começassem, e expressou sua intenção de deixar Wangqingmen naquela noite caso a situação piorasse. Segundo ele, Hyon Muk Gwan havia declarado aos quadros da Kukmin-bu que Song Ju tinha ideias diferentes e que, por isso, deveriam romper suas relações com ele.”

Kim Ri Gap estava muito feliz por encontrar o camarada Kim Il Sung em Wangqingmen, mas permaneceu preocupado durante todo o tempo com os direitistas da Kukmin-bu.

Por isso, confiou aos estudantes da Escola Secundária Hwahung a tarefa de vigiar atentamente seus movimentos.

Depois de verificar regularmente suas conspirações perversas, descobriu que os direitistas da Kukmin-bu estavam planejando prender todos os membros do comitê preparatório, pois não lhes agradava o projeto de resolução elaborado por este último.

Ele informou o camarada Kim Il Sung sobre esse fato e aconselhou-o a deixar Wangqingmen o mais rápido possível.

O camarada Kim Il Sung respondeu que não faria isso, acrescentando que essa não era a solução e que o urgente era desmascarar a posição injustificável e as manobras desprezíveis da Kukmin-bu, para que os participantes da conferência e os demais jovens pudessem distinguir o certo do errado.

Kim Ri Gap percebeu que não conseguiria convencer o camarada Kim Il Sung a mudar de ideia. Juntamente com Cha Kwang Su, tomou as medidas necessárias para garantir a segurança do camarada Kim Il Sung.

Em 1927, o camarada Kim Il Sung percebeu a necessidade de estabelecer uma base em um entroncamento de transportes que permitisse fácil acesso às diferentes regiões da Manchúria e começou a enviar os elementos mais dedicados da União da Juventude Comunista a Kalun para explorar a região.

Juntamente com Kim Won U, Cha Kwang Su, Kim Hyok e outros jovens comunistas, Kim Ri Gap fez tudo o que estava ao seu alcance para revolucionar Kalun.

Antes de sua chegada, os habitantes locais estavam divididos entre o grupo das províncias do sul e o grupo das províncias do norte, vivendo de costas uns para os outros. Certa vez, os dois grupos chegaram a travar uma briga coletiva por causa da água do rio Wukai.

Quando os habitantes do grupo das províncias do sul bloquearam a vala de irrigação para recuperar suas terras agrícolas, os habitantes do grupo das províncias do norte correram para lá com suas pás e reabriram a vala, gritando que seus arrozais estavam secando. Até mesmo as crianças estavam divididas em dois grupos e se recusavam a brincar juntas, o que era muito triste.

Kim Ri Gap, juntamente com Kim Hyok, Kim Won U e outros, fez grandes esforços para resolver a situação. Pôs fim à briga por meio da persuasão, criou diversas organizações de massas e fundou uma escola em Kalun para oferecer educação gratuita.

Como resultado, Kalun transformou-se em uma base confiável para os jovens comunistas, uma aldeia revolucionária onde podiam concretizar os ideais da UDI.

Em 30 de junho de 1930, realizou-se uma reunião em Kalun, e, em 3 de julho, foi formada a Associação de Camaradas Konsol na Escola Jinmyong, situada na aldeia.

Kim Ri Gap foi membro dessa primeira organização partidista.

Ele trabalhou incansavelmente para ampliar as organizações revolucionárias antijaponesas e obter armas.

Naquela época, trabalhava em Changchun, onde prevalecia uma situação grave.

Enquanto aceleravam os preparativos para invadir o continente, os imperialistas japoneses estabeleceram um consulado nessa região e a cobriram com uma rede policial e de serviços secretos, numa tentativa de erradicar o movimento revolucionário local. Chegaram até mesmo a subornar os senhores da guerra do Kuomintang e a instigá-los a reprimir cruelmente as atividades dos jovens comunistas.

Apesar das desesperadas manobras do inimigo, Kim Ri Gap trabalhou com dedicação para concretizar as ideias e intenções do camarada Kim Il Sung.

Ele foi ao encontro das amplas massas para divulgar amplamente a grandeza do camarada Kim Il Sung e trabalhou dia e noite para reuni-las em torno de diversas organizações revolucionárias.

Ao mesmo tempo, fez esforços ativos para obter armas, seguindo a linha de luta armada do camarada Kim Il Sung.

Mantendo contato com Choe Hyo Il, que havia atuado em Changchun e Gongzhuling, conseguiu armas e munições e as transportou para Guyushu.

Certo dia, recebeu a missão de atacar o restaurante Kumgang (restaurante Taesong).

Era um restaurante bastante grande, cujo proprietário era um perverso capanga dos imperialistas japoneses. Mantendo estreitos vínculos com o consulado japonês, ele denunciava organizações revolucionárias e revolucionários.

Kim Ri Gap e Paek Sin Han advertiram o proprietário para que não cometesse atos de traição e fizeram todos os preparativos para atacar o restaurante, a fim de conseguir dinheiro suficiente para comprar armas.

À noite, quando o restaurante estava vazio, eles entraram sorrateiramente e bloquearam o portão.

Enquanto o proprietário era interrogado sobre seus crimes, a polícia japonesa invadiu o restaurante.

Kim Ri Gap e Paek Sin Han esconderam-se atrás de uma parede e abriram fogo contra o inimigo.

Os inimigos caíam um após o outro, mas eram numericamente superiores.

Naquela situação crítica, Paek Sin Han estava mais preocupado com a segurança de seu camarada e com o cumprimento de sua missão. Instou Kim Ri Gap a fugir e informar a organização, dizendo que permaneceria ali para conter o inimigo.

Mas Kim Ri Gap o empurrou para trás, dizendo que era ele quem deveria protegê-lo.

Poucos minutos depois, foram cercados pelo inimigo.

Paek Sin Han avançou alguns passos para atrair o inimigo e, durante a troca de tiros, foi morto a tiros.

Após esse incidente, os imperialistas japoneses intensificaram ainda mais suas ações contra os revolucionários coreanos.

O inimigo recorreu a todos os meios imagináveis para prender Kim Ri Gap, que havia conseguido escapar do restaurante.

No entanto, Kim Ri Gap continuou trabalhando com ainda mais afinco, mesmo arriscando a própria vida.

Ao vê-lo agir bravamente como membro de um grupo armado, seus camaradas aconselharam-no a ter cuidado.

Certa vez, ele lhes disse: “Como o inimigo está agora mirando o coração de nossa revolução, não posso pensar apenas em minha própria segurança. Em nome do camarada Paek Sin Han, apoiarei ainda melhor o camarada Kim Il Sung.”

Mais tarde, foi para Jilin, onde realizou atividades políticas e militares.

Na primavera de 1930, policiais do consulado japonês, disfarçados de chineses, invadiram a casa de O Sang Hon (O Chun Ya), na rua Fuxing, em Jilin.

Prenderam Kim Ri Gap, que estava hospedado na casa, e o levaram para Changchun, com a boca amordaçada e os pés e as mãos amarrados.

O inimigo recorreu à tortura cruel e à conciliação na tentativa de fazê-lo se render, mas ele estava firmemente decidido a manter sua convicção revolucionária e permanecer leal ao camarada Kim Il Sung.

Mais tarde, foi condenado a nove anos de prisão e levado para Dalian.

Agora, prisioneiro atrás das grades, sofria ao pensar que já não poderia participar da luta revolucionária. No entanto, tornou-se ainda mais firme em sua determinação de cumprir o compromisso que havia assumido com a revolução e permanecer leal ao camarada Kim Il Sung.

Ansiando pelo grande líder dia e noite, lutou sem ceder atrás das grades.

No último instante de sua vida, pediu intimamente a seus camaradas que apoiassem fielmente o camarada Kim Il Sung.

Sua trajetória revolucionária durou apenas alguns anos, mas ele foi um revolucionário exemplar, plenamente convencido de que somente apoiando o líder da revolução com lealdade pura e permanecendo fiel à sua causa é possível afirmar que se ama a pátria, defender a revolução e preservar a própria dignidade.

Embora tenha morrido na casa dos vinte anos, continua sendo lembrado como um verdadeiro revolucionário.

5. Com uma convicção inabalável

Ri Je U era originário da província de Hwanghae.

Seu pai participou do movimento pela independência em Changbai sob a orientação de Kim Hyong Jik, destacado líder do movimento de libertação nacional antijaponês na Coreia.

Ainda criança, Ri Je U atravessou o rio Amnok com seu pai.

Ingressou no Exército da Independência ainda jovem, travando batalhas sangrentas contra os japoneses nas regiões selvagens de Changbai e cruzando repetidas vezes o rio Amnok em missões para arrecadar fundos.

No entanto, as perspectivas de libertação nacional pareciam sombrias.

Apesar da dura repressão do inimigo, os patriotas coreanos continuaram resistindo vigorosamente. O que Ri Je U compreendeu profundamente por meio dessa luta sangrenta foi que somente sob a liderança de um líder destacado poderiam expulsar os japoneses e recuperar seu país.

Com base nas amargas lições extraídas do movimento de libertação nacional antijaponês e do movimento comunista inicial, ele percebeu profundamente essa verdade da revolução e ansiava pelo surgimento de um grande líder.

Foi em junho de 1926, quando estudava na Escola Uisuk Hwasong, que conheceu o camarada Kim Il Sung.

Enquanto estudava com ele nessa escola, ficou fascinado por sua perspicácia ideológica e teórica, sua sabedoria e sua personalidade extraordinária.

Isso aconteceu durante um seminário em sala de aula sobre a história mundial da revolução.

Depois de ouvir atentamente as exposições dos estudantes, o camarada Kim Il Sung perguntou a um estudante que acabara de tomar a palavra que tipo de sociedade deveria ser construída na Coreia após a conquista da independência.

O estudante respondeu sem hesitar que a Coreia deveria seguir o caminho capitalista.

Alguns estudantes defendiam a restauração da dinastia feudal, enquanto outros, sentados de braços cruzados, diziam que a sociedade a ser construída só deveria ser discutida depois que o país conquistasse a independência.

O camarada Kim Il Sung lhes disse: As sociedades capitalista e feudal são sociedades nas quais pessoas com dinheiro levam uma vida luxuosa explorando os trabalhadores. Depois que a Coreia conquistar a independência, não devemos construir uma sociedade tão injusta. É errado considerar apenas o desenvolvimento de uma civilização tecnológica sem levar em conta os males do capitalismo. Seria absurdo restaurar a dinastia feudal. Quem poderia apoiar o domínio dinástico que vendeu o país às forças estrangeiras? O que fizeram os reis? Eles exploraram o povo até a última gota de sangue e decapitaram ou baniram os súditos leais que diziam a verdade. O que mais fizeram? Depois de conquistar a independência da Coreia, devemos construir uma sociedade livre da exploração e da opressão, uma sociedade na qual os operários, os camponeses e os demais trabalhadores possam levar uma vida próspera em sua pátria.

Muitos estudantes manifestaram concordância com essa afirmação.

Ao ouvir o que o camarada Kim Il Sung tinha a dizer, Ri Je U refletiu sob uma nova perspectiva sobre os dias que passara no Exército da Independência.

Naquela época, os nacionalistas falavam ruidosamente sobre a independência da Coreia, mas, em vez de buscar uma maneira de combater os imperialistas japoneses unindo seus esforços, estavam absorvidos na arrecadação de fundos para a guerra nos assentamentos coreanos sob seu controle, e alguns quadros do Exército da Independência utilizavam os fundos militares para fins particulares.

Além disso, não havia unidade entre as classes dirigentes, e o que existia era apenas uma luta para ampliar suas esferas de influência.

Eles permaneciam em conflito uns com os outros, chegando até mesmo a lutar entre si.

Ri Je U convenceu-se de que o camarada Kim Il Sung era o grande homem por quem a nação coreana tanto ansiava.

Sempre que enfrentava algum problema difícil nos estudos ou na vida, procurava-o para consultá-lo e pedir seus conselhos.

Foi admitido em um grupo secreto de estudos, juntamente com camaradas como Choe Chang Gol, Kang Pyong Son, Kim Ri Gap, Kim Won U e Kye Yong Chun.

O camarada Kim Il Sung chamava Ri Je U com frequência e lhe explicava as fraquezas e limitações fundamentais do movimento nacionalista e do movimento comunista inicial no país, bem como os caminhos para levar adiante a revolução coreana.

Emprestava-lhe livros marxistas-leninistas, que Ri Je U lia secretamente durante o dia às margens do rio Huifa e, à noite, no alojamento da escola.

Em 17 de outubro de 1926, Ri Je U participou da reunião de fundação da UDI como um de seus primeiros membros.

Naquele dia histórico, Ri Je U e os demais membros da UDI correram de mãos dadas até o rio Huifa e, cantando uma canção, assumiram a solene resolução de compartilhar a vida e a morte no caminho da revolução pela pátria e pela nação.

Naquele dia, ele disse a seus camaradas: “Nossa pátria geme em completo desespero, mas um novo amanhecer está surgindo para ela. Agora temos um grande líder. Kim Song Ju é o verdadeiro líder de nossa nação e conduzirá nossa pátria e nosso povo. De agora em diante, apoiarei somente a ele e dedicarei tudo o que tenho a ele.”

Essas palavras foram uma manifestação de sua convicção de que veneraria o grande líder como o sol da nação e o dirigente da revolução, a fim de alcançar a vitória revolucionária e construir o futuro do país.

A partir de então, trabalhou com paixão, apoiando fielmente o grande líder.

O que se segue aconteceu em dezembro de 1927, quando o camarada Kim Il Sung organizou a União da Juventude Paeksan com os jovens mais dedicados em Fusong.

Ele escreveu em suas memórias:

“Depois de nossa partida de Huadian, encontrei Ri Je U novamente enquanto organizava a União da Juventude Paeksan em Fusong. Naquela época, conversei com ele sobre a criação de uma filial da União da Juventude Paeksan na aldeia de Neidaoshan."

Após a formação da União da Juventude Paeksan, Ri Je U, que atuava em Fusong, lançou uma vigorosa luta para expandir a organização por uma vasta região ao redor do monte Paektu, conforme as intenções do camarada Kim Il Sung.

Certo dia, partiu para Neidaoshan a fim de ampliar a organização.

A distância entre Fusong e Neidaoshan era de quase 80 milhas.

Vista da China, Neidaoshan era a última aldeia da Manchúria. Entretanto, vista da Coreia, era a primeira aldeia do outro lado do monte Paektu. Não havia ninguém morando num raio de 25 milhas de Neidaoshan.

O camarada Kim Il Sung enviou Ri Je U a Neidaoshan com instruções para reunir os jovens da região em uma organização revolucionária. Fez isso porque pretendia transformar a região ao redor do monte Paektu em uma importante base revolucionária, uma base para a luta armada, aproveitando sua localização favorável, a mais próxima da Coreia.

Atravessar as florestas primitivas da região selvagem de Paektu, cobertas de neve, era uma tarefa árdua.

Ao se despedir dele, o camarada Kim Il Sung havia dito a Ri Je U que também iria à aldeia.

Por isso, Ri Je U dedicou especial atenção à escolha do caminho mais seguro. Para esse fim, decidiu conhecer as características do terreno e os movimentos dos moradores e até mesmo dos transeuntes.

Depois de chegar à aldeia, primeiro perguntou detalhadamente sobre a composição da população e as opiniões dos habitantes, e escolheu uma casa onde o camarada Kim Il Sung pudesse ficar hospedado. Sua principal preocupação era garantir a segurança do camarada Kim Il Sung em quaisquer circunstâncias.

Era muito difícil para pessoas de fora estabelecerem uma base na aldeia de Neidaoshan.

A maioria dos habitantes da aldeia tinha os sobrenomes Choe, Kim e Jo. Evitavam o mundo exterior e casavam-se entre si.

Como os casamentos eram realizados dessa maneira naquela pequena aldeia situada em um vale, todos os habitantes eram parentes e chamavam uns aos outros de “irmã”, “irmão”, “tio” e “parente por casamento”.

A maioria dos habitantes dessa aldeia professava a religião Chonbul.

Eles haviam construído um templo de 99 compartimentos chamado Palácio Tongdok, que visitavam duas vezes por ano para oferecer orações.

Ri Je U afirmou que a religião Chonbul era uma fonte de problemas na região de Neidaoshan. Ele não gostava dessa religião porque, em sua concepção simplista, considerava a religião o ópio.

O camarada Kim Il Sung chegou à aldeia e foi visitar o fundador da religião.

Depois de conversar com ele, foi ao encontro dos habitantes para conhecer suas opiniões e outros aspectos da vida local.

Ri Je U disse ao camarada Kim Il Sung: “Por causa dessa maldita religião Chonbul, todos os habitantes de Neidaoshan enlouqueceram.”

Resmungou dessa maneira e confessou que, às vezes, sentia vontade de incendiar o Palácio Tongdok, pois achava que ele estava roubando a alma dos habitantes de Neidaoshan. O camarada Kim Il Sung disse: “Você acha correto classificar como ópio a religião Chonbul, que reza para que o Japão seja castigado pela justiça divina e para que a nação coreana receba bênçãos? Considero a fé Chonbul uma religião patriótica e todos os seus fiéis, patriotas. Nossa única tarefa é reunir esses patriotas em uma única força.”

Eles trocaram opiniões seriamente. No decorrer dessa conversa, chegaram à conclusão de que não deveriam destruir a religião Chonbul, mas apoiar ativamente os sentimentos antijaponeses de seus fiéis.

Mais tarde, Ri Je U trabalhou arduamente para conscientizar os habitantes da aldeia, reunindo em uma força revolucionária não apenas os camponeses, mas também os fiéis religiosos.

O camarada Kim Il Sung escreveu em suas memórias:

“Juntamente com Ri Je U, Kong Yong, Pak Jin Yong e outros que estiveram ausentes da cerimônia de fundação do Exército Revolucionário da Coreia, decidimos formar um grupo operacional para atuar na pátria e encarregá-lo de organizar as amplas massas em organizações revolucionárias, dirigindo-se à província de Phyongan Norte por Singalpha e pelas montanhas Rangnim. Ri Je U ficaria à frente do grupo.

Em 1928, instruímos aqueles que atuavam nas regiões de Fusong e Neidaoshan a transferir sua base operacional para a região de Changbai, onde havia muitos coreanos. Seguindo essas instruções, Ri Je U mudou-se para a região de Changbai, onde organizou a população e realizou atividades de conscientização política das massas, penetrando profundamente na pátria.

Ri Je U foi enviado para trabalhar na região de Changbai e, posteriormente, em Kapsan e outras regiões da Coreia."

O camarada Kim Il Sung atribuiu-lhe a tarefa de estabelecer-se primeiro na região de Changbai e depois penetrar profundamente na Coreia, atravessando as montanhas Rangnim, para criar organizações revolucionárias entre as amplas massas e expandi-las para as áreas urbanas.

Ri Je U mudou-se para a aldeia de Deshui, no condado de Changbai, onde, sob a orientação de Kim Hyong Gwon, fundou escolas regulares e noturnas para despertar a consciência revolucionária da população e intensificou os preparativos para a criação de organizações.

Pouco depois, foram formadas organizações revolucionárias em Tokgol, Jolgol, Yaksudong, Imsugol, Diyangzi e outras localidades da região de Changbai.

A União da Juventude Paeksan confiou a Ri Je U a responsabilidade de dirigir sua organização na região de Changbai. Ele cumpriu essa pesada responsabilidade com distinção.

Certo dia, Ri Je U e seus camaradas discutiram a questão da criação de uma organização revolucionária na pátria.

Foram apresentadas várias boas propostas, mas alguns camaradas sugeriram que, embora fosse extremamente urgente criar uma organização na pátria, a situação ali era tão difícil que seria melhor levar o trabalho adiante no momento oportuno, no futuro.

Ri Je U declarou em tom decidido:

“Expandir as organizações revolucionárias para a pátria é a primeira e mais importante tarefa atribuída pelo camarada Kim Il Sung. Por mais difícil que seja a situação, não devemos recuar. Se recuarmos, estaremos traindo suas ideias e intenções. Não devemos abandonar nosso dever revolucionário, mesmo que isso signifique arriscar a própria vida.”

Os membros da organização ficaram profundamente impressionados com essa atitude inabalável.

Ri Je U manteve-se firme em sua determinação de concretizar as intenções e os desejos do camarada Kim Il Sung, acontecesse o que acontecesse.

No verão de 1928, Ri Je U e outros membros do grupo liderado por Kim Hyong Gwon fundaram filiais da União da Juventude Paeksan em Sinpha e Pochon.

Mais tarde, Ri Je U deu uma contribuição concreta para a criação de organizações revolucionárias clandestinas em Hyesan, Kapsan, Samsu e outras regiões da Coreia.

Organizações revolucionárias surgiram uma após a outra na Coreia e, com a chegada da década de 1930, o grupo mencionado passou a contar com dezenas de membros.

Naquela época, porém, os imperialistas japoneses recorreram à estratégia de enviar um grupo armado de bandidos disfarçados de salteadores montados para saquear uma aldeia coreana e atrair Ri Je U e seu grupo para uma emboscada. Entretanto, como o camarada Kim Il Sung os havia alertado para que se mantivessem vigilantes contra os salteadores montados, eles não caíram na armadilha.

Mais tarde, soldados de um senhor da guerra reacionário, aliados aos salteadores montados dos imperialistas japoneses, lançaram um ataque surpresa contra os homens armados de Ri Je U, causando grandes perdas. Pak Jin Yong morreu heroicamente durante o combate, e Ri Je U foi capturado.

Na tentativa de escapar à desonra por meio do suicídio, Ri Je U, embora estivesse com as mãos e os pés amarrados, enfiou uma faca de cozinha na própria garganta, mas não conseguiu tirar a vida.

Para ele, era lamentável não poder cumprir o dever revolucionário que lhe havia sido confiado pelo camarada Kim Il Sung.

No dia em que estava sendo levado à delegacia de polícia de Hyesan, Ri Je U disse às pessoas que choravam nas ruas: “Enxuguem as lágrimas. A Coreia certamente conquistará a independência enquanto o camarada Kim Il Sung, o grande líder do povo coreano, conduzir nossa revolução. Por favor, lutem bravamente até esse dia.”

A tortura brutal, a conciliação e os enganos do inimigo não conseguiram abalar a firme fé de Ri Je U.

Não puderam enfraquecer o espírito indomável e a coragem heroica do jovem comunista, decidido a permanecer fiel à revolução e honrar o compromisso que havia assumido.

Ri Je U foi levado à prisão de Sodaemun, em Seul, onde foi condenado à morte.

Mas ele não se mostrou nem um pouco pessimista.

Ri Je U morreu na prisão, tendo lutado sem jamais ceder pela chegada do dia da libertação nacional.

Muitos anos se passaram desde sua morte, mas seus feitos imortais e seu nobre espírito revolucionário continuam vivos na memória do povo.

6. Fiel ao Líder da Revolução

Era uma noite de outubro de 1926, quando a revolução coreana ainda estava em seus primeiros passos.

Um jovem, tomado de alegria e entusiasmo, escrevia algo em seu diário à luz de uma lamparina.

Ao olhar para o nome Kim Won U, que havia escrito cuidadosamente, sentiu-se emocionado.

Quando criança, Kim Won U deixou sua aldeia natal com os pais e vagou pela Manchúria.

Certa vez, impressionado com a tendência comunista predominante, conheceu algumas pessoas que se autoproclamavam “líderes” do movimento comunista.

Para sua decepção, elas pregavam que suas próprias facções estavam no centro da revolução. Absorvidas pelas disputas faccionistas e por conversas vazias, estavam criando obstáculos ao movimento pela independência.

Sua decisão final foi matricular-se na Escola Uisuk Hwasong, pois os nacionalistas ofereciam resistência armada e possuíam órgãos de autogoverno espalhados pela vasta região do Nordeste da China.

Para seu pesar, as matérias ensinadas na escola não eram boas, e os discursos proferidos ali pelos chamados líderes do movimento nacionalista não eram inspiradores. Alguns defendiam o terrorismo, enquanto outros argumentavam que a nação coreana deveria fortalecer suas próprias forças antes de lutar no momento oportuno.

Outros ainda defendiam a busca de ajuda de países estrangeiros.

Diante dessas doutrinas, Kim Won U concluiu que esse não era o caminho para conquistar a independência da Coreia.

Outros estudantes da escola e muitas outras pessoas também procuravam às apalpadelas um novo caminho.

Certo dia de junho de 1926, Choe Tong O, então diretor da Escola Uisuk Hwasong, entrou na sala de aula acompanhado de um jovem.

Ele foi apresentado como o camarada Kim Il Sung.

Kim Won U se perguntou como um jovem como ele poderia ter servido no Exército da Independência.

Os admitidos na Escola Uisuk Hwasong eram militares em serviço ativo, selecionados entre as companhias subordinadas à Jongui-bu, e, por isso, não eram tão jovens.

Naquela tarde, Kim Won U, acompanhado de Choe Chang Gol e outros amigos, foi à casa de Kim Si U, onde o camarada Kim Il Sung estava hospedado.

O camarada Kim Il Sung ficou satisfeito em vê-los e respondeu às perguntas que lhe fizeram.

Ao saber que seu pai era Kim Hyong Jik, o destacado líder do movimento de libertação nacional antijaponês, Kim Won U passou a nutrir expectativas especiais em relação ao camarada Kim Il Sung.

Com o passar dos dias, suas expectativas tornaram-se cada vez maiores.

Desde o primeiro dia de sua matrícula, o camarada Kim Il Sung integrou-se bem entre os estudantes e destacou-se em todas as matérias.

Além disso, sua capacidade de discernimento era extraordinária.

Em pouco tempo, conquistou o respeito tanto dos estudantes quanto dos professores.

Quase todos os estudantes lhe pediam conselhos sobre os estudos, a formação e a vida.

Ele os orientava a adotar ideias progressistas como meio de abrir um novo caminho para a luta pela libertação nacional.

Cada vez mais estudantes passaram a integrar seu grupo de estudos.

Ele os fazia ler livros como "O Manifesto Comunista", "Biografia de Lenin" e "Os Fundamentos do Socialismo". Depois de lerem essas obras, os estudantes discutiam seu conteúdo relacionando-o à revolução coreana.

Ele começou a encontrar-se individualmente com aqueles com quem podia compartilhar suas ideias, seus objetivos e seu destino. Explicava-lhes detalhadamente a situação do movimento pela independência, esclarecendo por que deveriam seguir o comunismo em sua luta pela independência nacional e pela construção de um país onde as massas trabalhadoras pudessem viver com prosperidade.

Kim Won U convenceu-se de que a luta pela independência de seu país, que havia passado por inúmeras reviravoltas, entrara em uma nova etapa.

Concordava plenamente com a argumentação do camarada Kim Il Sung de que deveriam adotar ideias progressistas para abrir um novo caminho para a libertação nacional, por meio dos esforços conjuntos do próprio povo coreano.

Foi assim que decidiu seguir o camarada Kim Il Sung com dedicação absoluta e apoiá-lo fielmente como um de seus companheiros.

Em 17 de outubro de 1926, ao participar da reunião de fundação da União para Derrotar o Imperialismo, sentiu muito orgulho por tornar-se membro da primeira organização de vanguarda revolucionária de novo tipo da Coreia.

Depois que o camarada Kim Il Sung deixou a Escola Uisuk Hwasong antes de concluir os estudos, Kim Won U foi para Jilin. Como estudante da Escola Secundária Yuwen de Jilin, o camarada Kim Il Sung se empenhava ativamente em oferecer educação revolucionária aos estudantes e a outros jovens da região e em reuni-los em uma organização.

Muito satisfeito por Kim Won U ter ido para Jilin, conforme havia prometido, o camarada Kim Il Sung encarregou-o de criar uma biblioteca para educar os estudantes coreanos da cidade nas ideias progressistas e de dar aulas de língua coreana durante as férias de verão.

Seguindo as instruções do camarada Kim Il Sung, Kim Won U também foi a Jiangdong, Dahuanggou e outras áreas rurais próximas de Jilin para conhecer a situação dos estudantes coreanos e de outros habitantes dessas localidades.

A confiança que o camarada Kim Il Sung depositava nele era grande.

Quando a UDI foi reorganizada como União da Juventude Anti-imperialista, uma organização de massas juvenis, e quando foi criada a União da Juventude Comunista da Coreia, uma organização de vanguarda revolucionária, Kim Won U participou das reuniões de fundação como um de seus membros mais dedicados.

Mais tarde, Kim Won U e alguns outros membros foram enviados a Kalun.

Ele não queria se separar do camarada Kim Il Sung, mas estava determinado a cumprir a tarefa que lhe havia sido confiada por ele.

Em Kalun, foi designado para trabalhar como professor na Escola Jinmyong. Ao chegar a Jiajiatun, proferiu uma palestra aos habitantes da aldeia durante a noite.

Ele disse: Atualmente, muitos de nós, coreanos, vivemos nesta terra estrangeira, distante de nosso belo país de campos férteis. Isso acontece porque os imperialistas japoneses nos privaram de nossa pátria. Para recuperar nosso país, todo o povo coreano deve lutar contra o inimigo com base na unidade de pensamento e vontade.

Continuou explicando as ideias patrióticas antijaponesas do camarada Kim Il Sung e seu profundo amor pela nação, acrescentando que organizações revolucionárias de novo tipo, sob sua liderança, atuavam em Jilin e em outras regiões.

Naquele dia, os habitantes da aldeia ficaram muito entusiasmados ao ouvir essa palestra.

Mais tarde, empenhou-se em incutir o espírito antijaponês e a consciência de classe nos estudantes da Escola Jinmyong e nos demais habitantes da aldeia. Também lhes falava frequentemente sobre as atividades da Associação das Crianças Coreanas de Jilin e da Associação Ryugil de Estudantes Coreanos, ambas sob a orientação do camarada Kim Il Sung.

Como resultado, os habitantes passaram a nutrir profundo respeito pelo camarada Kim Il Sung, embora nunca o tivessem conhecido pessoalmente.

Kim Won U e outros membros das organizações revolucionárias prepararam-se para reorganizar as organizações de esclarecimento existentes em Kalun, transformando-as em organizações revolucionárias, como a União dos Camponeses, a União da Juventude Anti-imperialista, o Corpo Expedicionário das Crianças e a Associação das Mulheres.

Organizaram um grupo artístico amador e prepararam canções, peças teatrais e outros números. Suas apresentações em Jiajiatun e em outras aldeias rurais próximas foram bastante bem-sucedidas.

O camarada Kim Il Sung escreveu em suas memórias:

“Kim Won U prestou grandes serviços ao explorar Kalun, Guyushu, Wujiazi e outras regiões. Realizou um trabalho considerável na direção do movimento juvenil e estudantil em Jilin.

Na primavera de 1928, enviamo-lo às comunidades rurais da região de Changchun para revolucioná-las. Na época, ele lecionava na Escola Jinmyong e educava os jovens percorrendo as regiões de Kalun e Guyushu. A partir da primavera de 1930, participou dos preparativos para a fundação do Exército Revolucionário da Coreia, ajudando Cha Kwang Su. Como tinha um rosto bonito, certa vez o disfarçamos de mulher e o enviamos para realizar trabalho clandestino, fazendo-o formar um ‘casal’ com Hyon Gyun, como esposa e marido.

Quando saiu para comprar armas após a fundação do Exército Revolucionário da Coreia, foi preso pelo inimigo e encarcerado por vários anos. Mesmo atrás das grades, lutou com firmeza.”

Durante a conferência de Kalun, Kim Won U passou várias noites sem dormir para garantir a segurança do camarada Kim Il Sung.

Os imperialistas japoneses, ao descobrirem que um grande número de jovens comunistas havia se reunido na região central da Manchúria, enviaram numerosos agentes secretos aos condados de Changchun, Huaide e Yitong.

Alguns desses agentes carregavam uma fotografia do camarada Kim Il Sung e perguntavam onde ele estava.

Naquela época, Kim Won U era responsável pela guarda da aldeia e comandava os membros do Corpo Expedicionário das Crianças e da União da Juventude Anti-imperialista. Mesmo quando participava de uma reunião, saía discretamente para patrulhar a aldeia e verificar a segurança. Quando o camarada Kim Il Sung passava a noite acordado na sala de aula da Escola Jinmyong devido à intensa carga de trabalho, Kim Won U permanecia de guarda do lado de fora. Às vezes, durante a noite, assava batatas na lareira da cozinha do alojamento de plantão da escola e as oferecia ao camarada Kim Il Sung.

Para Kim Won U, a conferência de Kalun teve uma importância extraordinária.

Naquela época, estava firmemente convencido de que o camarada Kim Il Sung era o centro da liderança, da unidade e da coesão em torno do qual o povo coreano deveria se unir com um só pensamento e propósito.

Kim Won U ficou profundamente impressionado com a sabedoria ideológica e teórica e com as ideias profundas do camarada Kim Il Sung, que criou a Ideia Juche e apresentou uma linha revolucionária orientada pelo Juche.

Foi admitido na primeira organização partidista e, alguns dias depois, no Exército Revolucionário da Coreia, fundado em Guyushu.

Foi preso pelo inimigo enquanto lutava para obter armas como membro de um grupo armado.

Ele foi submetido a torturas brutais, mas sua convicção não vacilou.

Estava disposto a sacrificar a própria vida pelo camarada Kim Il Sung, que o havia conduzido pelo caminho da revolução e cuidado dele com profundo carinho.

À medida que o inimigo se tornava cada vez mais desesperado em suas tentativas de fazê-lo se render, Kim Won U reforçava sua determinação de cumprir o compromisso que assumira no dia da fundação da UDI.

Após ser submetido ao interrogatório preliminar, ficou detido na prisão de Hamhung e, posteriormente, na prisão de Sodaemun.

No verão de 1937, vários anos depois, foi libertado da prisão. Entretanto, estava debilitado demais para prosseguir na luta revolucionária.

Depois de alguns anos de recuperação, foi para a Manchúria a fim de escapar à vigilância do inimigo. Lá, voltou a participar da luta antijaponesa, mas não conseguiu estabelecer contato com as organizações revolucionárias.

Em 1945, quando retornou ao país libertado, foi a Pyongyang para encontrar o grande Líder camarada Kim Il Sung, por quem havia ansiado durante tanto tempo.

No entanto, voltou à sua cidade natal, pensando que, devido à sua grave doença, poderia tornar-se um grande fardo e não conseguiria contribuir de maneira eficaz para ajudar o líder na tarefa de construir um novo país.

Depois de se estabelecer em Jongju, dedicou tudo o que tinha à construção de um novo país, mantendo uma lealdade inabalável ao líder.

A cada Ano-Novo, enviava um cartão de felicitações ao grande Líder, no qual não mencionava seu próprio nome e expressava seus melhores votos pela boa saúde do líder. Não contou aos familiares sobre sua ligação com o líder.

Durante tantos anos, preservou imaculada a honra de ter sido um combatente revolucionário antijaponês.

O camarada Kim Il Sung escreveu em suas memórias:

“Quando a situação interna e externa se tornou complexa após a Guerra da Coreia, Kim Won U caiu nas mãos dos faccionistas enquanto lutava nas províncias em defesa da linha do Partido. Naquela época, os faccionistas tramavam de diversas maneiras para prejudicar aqueles que eram fiéis ao Partido.

Seu nome original era Pyon Muk Song."

De fato, assim como os demais membros da UDI, ele foi um revolucionário exemplar que fez da lealdade ao camarada Kim Il Sung o próprio sangue de sua vida.

7. “Viva a Revolução Coreana!”

Choe Hyo Il era um combatente destemido.

Não havia passado muito tempo desde que ingressara na luta revolucionária quando foi morto pelo inimigo.

No entanto, em um período tão curto, realizou feitos extraordinários.

Nascido em agosto de 1906, viveu em extrema pobreza e experimentou a dor de pertencer a uma nação arruinada. Ainda jovem, deixou sua terra natal e atravessou o rio Amnok.

Como aconteceu com outros combatentes, vagou em busca de um verdadeiro caminho para a luta pela libertação nacional e, por recomendação da organização, foi encontrar-se com o camarada Kim Il Sung.

Durante os preparativos para a luta armada antijaponesa, realizou feitos extraordinários na obtenção de armas.

Anteriormente, trabalhava como vendedor em uma loja japonesa de armas em Tieling. Naquela época, muitos japoneses comercializavam armas de fogo na Manchúria. Vendiam armas tanto a bandidos quanto a proprietários de terras chineses. Choe Hyo Il era um jovem que havia cursado apenas o ensino primário, mas dominava o japonês. Falava o idioma com tanta fluência que ninguém conseguia distinguir se era coreano ou japonês. Como era muito inteligente para um simples balconista e falava japonês tão bem, conquistou a plena confiança do proprietário da loja.

Enquanto trabalhava na loja de armas, ele conheceu os membros da UDI, que atuavam nas regiões de Changchun, Tieling e Gongzhuling.

A partir de então, passou a realizar atividades em meio aos inimigos em Tieling.

A princípio, vendia armas aos chineses e, depois, aos membros do Exército da Independência. Por fim, transformou a loja japonesa de Tieling em uma espécie de estabelecimento exclusivo para o fornecimento e a entrega de armas aos comunistas. Sua visão de mundo mudou ao longo desse processo.

Embora o proprietário da loja soubesse que as armas vendidas por Choe Hyo Il se destinavam aos coreanos, estava tão ansioso para aumentar suas vendas que não demonstrava saber de nada.

O camarada Kim Il Sung escreveu em suas memórias:

“Em 1928 ou 1929, Choe veio a Jilin para me ver. Achei-o bonito, com a pele clara de uma jovem. Apesar de sua aparência, porém, era um grande apreciador de bebidas alcoólicas. Segundo os critérios de um revolucionário, isso era uma espécie de defeito. Jantamos juntos e conversamos durante muitas horas em um hotel. Quando ele, imitando a voz insinuante de uma ‘madame’ japonesa, me contou alguns escândalos envolvendo o imperador e altas figuras militares e políticas do Japão, bem como os cinco ministros colaboracionistas da Coreia, ri tanto que quase me dobrei de tanto rir.

Ele tinha uma esposa de beleza rara e era invejado pelos outros, mas levava uma vida despreocupada e era bastante indiferente ao conforto do lar. Apesar de tudo isso, era extraordinariamente corajoso e obstinado na luta revolucionária, o que contrastava com seus traços delicados e femininos.

Foi às vésperas da Conferência de Kalun que ele fugiu para Guyushu com a esposa, levando consigo cerca de dez armas de fogo da loja japonesa. Foi recebido calorosamente porque chegara justamente quando estávamos ocupados com os preparativos para a formação de uma pequena organização militar e política, como medida provisória rumo à construção de uma força armada revolucionária permanente.”

Como recordou o camarada Kim Il Sung, Choe Hyo Il fez todos os esforços para conseguir mais armas e entregá-las à organização.

Não era nada fácil obter armas secretamente e enviá-las à organização.

Envolver-se nisso poderia significar a morte.

Choe Hyo Il, contudo, agia com ousadia para conseguir armas, mesmo correndo risco de vida.

Durante o dia, trabalhava atarefadamente como assistente na loja mencionada, como uma abelha operária. Depois do anoitecer, apesar da rigorosa vigilância do inimigo, percorria vários quilômetros a pé para transportar armas até Guyushu e outras regiões. Depois de entregá-las às organizações locais, voltava à loja e retomava o trabalho normalmente pela manhã.

Apesar das dificuldades da tarefa, tornava-se cada vez mais audacioso na obtenção de armas.

Em julho de 1930, tornou-se membro da Associação de Camaradas Konsol, a primeira organização partidista, e, posteriormente, oficial comandante do Exército Revolucionário da Coreia. No dia da fundação da primeira organização partidista, fez um discurso em tom emocionado e disse ao camarada Kim Il Sung: “Song Ju, se não estivéssemos em uma sala de aula, mas em uma montanha, eu gostaria de disparar uma salva em homenagem a esta ocasião!” O camarada Kim Il Sung lhe disse que poderia disparar à vontade no dia em que enfrentassem os japoneses, acrescentando que esse dia não estava longe.

O camarada Kim Il Sung escreveu em suas memórias:

“Sentíamos vontade de disparar canhões de grande calibre, e não apenas pistolas, para comemorar a fundação da primeira organização partidista. Era indescritível a alegria e o orgulho que sentíamos ao jurar solenemente perante nossa época e a história que, como membros do Partido da Coreia, dotados de uma organização partidista própria, dedicaríamos nossas vidas à revolução.”

Em agosto de 1930, como membro de um grupo armado do Exército Revolucionário da Coreia, Choe Hyo Il foi à pátria.

No dia 14, a caminho de Tanchon, depois de atravessar o rio Amnok, o grupo armado fez uma breve parada nos campos de mirtilos de Hwangsuwon, perto de Phabal-ri, condado de Phungsan. Ali, despertou as suspeitas do perverso sargento da polícia Opashi (nome verdadeiro Matsuyama), que passava de bicicleta. Aquele sujeito era um demônio que chegara a Phungsan em 1919 e, desde então, vinha atormentando os coreanos. Por isso, os moradores locais o apelidaram de Opashi, que significa “abelha que pica”. Os habitantes da região nutriam um profundo rancor contra aquele vilão.

Quando o grupo armado passava diante do posto policial, Opashi chamou seus integrantes para dentro do escritório.

Assim que entrou na sala, Kim Hyong Gwon, chefe do grupo armado, disparou contra o canalha e o matou. Em seguida, fez abertamente um discurso antijaponês diante da população.

Depois do tiroteio, o grupo armado partiu de Phabal-ri e, ao chegar à entrada do vale de Pongo, interceptou um ônibus que transportava o chefe da seção criminal da delegacia de polícia de Phungsan. Desarmou o policial e, em seguida, dirigiu a ele e aos demais passageiros um discurso antijaponês. O grupo prosseguiu até Munang-ri, no condado de Riwon, e conversou com os carvoeiros nos vales de Paedok e Taebawi, bem como em vários outros lugares, a fim de conscientizá-los politicamente. Seus integrantes mantiveram uma intensa atividade durante todo o tempo, apesar das difíceis condições.

A caminho de Pukchong, dividiram o grupo armado em duas equipes: uma liderada por Kim Hyong Gwon e a outra por Choe Hyo Il. Ficou combinado que as duas equipes se encontrariam na cidade de Hongwon antes de prosseguir viagem.

A equipe de Kim Hyong Gwon atacou o templo de Kwangje, no monte Taedok, condado de Pukchong, onde um destacamento inimigo de busca estava entrincheirado. Depois, enquanto se deslocava em direção a Hongwon e Kyongpho, encontrou uma unidade inimiga nas proximidades da rocha de Jolbu. Ali, matou a tiros o chefe do posto policial de Jonjin.

Por sua vez, a equipe de Choe Hyo Il foi à casa de Choe Jin Yong, em Hongwon, onde as duas equipes haviam combinado de se encontrar.

Choe Jin Yong fora membro do Exército da Independência. Quando os imperialistas japoneses deram sinais de que invadiriam a Manchúria, Choe Jin Yong retornou à pátria, alegando estar velho demais para continuar servindo no Exército da Independência. Pouco depois, tornou-se agente secreto dos imperialistas japoneses.

Choe Hyo Il desconhecia esse fato. Choe Jin Yong denunciou a equipe de Choe Hyo Il, e o inimigo lançou-se sobre ela.

Quando Kim Hyong Gwon chegou, Choe Jin Yong escondeu-o em um canto do pátio, sob o pretexto de que o inimigo mantinha uma vigilância rigorosa, e depois correu até a delegacia de polícia para informar que o bando armado vindo da Manchúria estava hospedado em sua casa.

Os integrantes do grupo armado foram detidos em Hongwon e, pouco depois, transferidos para Hamhung e, em seguida, para Seul. Enquanto isso, apesar das torturas brutais e das tentativas de aliciamento do inimigo, recusaram-se a se render.

Kim Hyong Gwon, que comandava o grupo armado, encorajou seus homens a continuar lutando contra o inimigo.

Choe Hyo Il declarou que era responsável por tudo o que havia acontecido.

“Qual é o seu dever? Quem matou Matsuyama?”

O inimigo torturou-o com ferros em brasa, mas ele gritou: “Seus porcos! Fui eu quem matou Matsuyama a tiros. E fui eu quem matou seus homens em Phabal-ri e Hongwon.”

Estava determinado a permanecer fiel ao camarada Kim Il Sung, como convinha a um soldado do Exército Revolucionário da Coreia, mesmo que seu corpo fosse despedaçado.

Realizou-se um julgamento no tribunal local de Hamhung, durante o qual lhe fizeram perguntas como quem era o chefe do grupo armado e onde estava, quem era o mentor por trás de tudo, de quem era a pistola e quem havia matado Matsuyama.

Choe Hyo Il gritou para o juiz: “Escute, somos homens do camarada Kim Il Sung. Somos soldados do Exército Revolucionário da Coreia, que lutam para reconquistar nosso país. E aquela pistola é minha. Fui eu quem matou o vilão Opashi, e sou o chefe do grupo. Fui eu quem fez tudo, e vocês não podem acusar mais ninguém.”

Depois disso, Kim Hyong Gwon levantou-se para denunciar os crimes dos imperialistas japoneses e declarou em voz alta que os ladrões armados deveriam ser enfrentados com armas.

O tribunal transformou-se em um palco para denunciar as atrocidades brutais dos imperialistas japoneses.

Os juízes proferiram apressadamente o veredito.

Choe Hyo Il foi condenado à morte, mas gritou as palavras de ordem “Viva a revolução coreana!” e “Abaixo o imperialismo japonês!”, antes de cantar em voz alta canções revolucionárias.

Após a amarga experiência no julgamento de Hamhung, os imperialistas japoneses realizaram o processo em Seul a portas fechadas, sem a presença de espectadores. Confirmaram a decisão do tribunal local de Hamhung.

Choe Hyo Il foi executado pouco depois da sentença.

Ao se despedir pela última vez de seus camaradas, disse em voz baixa e com seriedade: “Não tenho medo da morte, mas lamento não poder cumprir a tarefa que nos foi confiada pelo camarada Kim Il Sung. E é doloroso para mim deixá-lo tão cedo. Não penso que este seja o fim da minha vida. Permanecerei para sempre no caminho da revolução. Espero que lutem bravamente em meu lugar.”

Com um sorriso no rosto, caminhou lentamente, gritando: “Viva a revolução coreana!”

A trajetória revolucionária de Choe Hyo Il não foi longa, mas sua imagem ficou gravada na memória do povo coreano: a de um soldado revolucionário de vontade indomável, que cultivava o respeito por seu líder como elemento de sua convicção e estava plenamente convencido da justeza de sua causa revolucionária.

8. Permanecendo tão fiel quanto em Jilin

Han Yong Ae também era membro da UDI, de quem o povo coreano ainda se lembra.

Ela levou uma vida honrosa até o dia de sua morte.

O camarada Kim Il Sung escreveu em suas memórias:

“Han Yong Ae também foi uma benfeitora que jamais esqueci.

Era uma mulher bondosa que veio me procurar em momentos de adversidade e me ajudou, colocando em grande risco a própria vida.”

Em meados da década de 1920, a família de Han Yong Ae emigrou para a Manchúria em busca de melhores condições de vida. Mais tarde, ela ingressou na Escola Secundária Feminina de Jilin, longe de sua casa em Jiaohe.

Foi na primavera de 1927 que o camarada Kim Il Sung a conheceu pela primeira vez, durante uma reunião dos estudantes coreanos em Jilin.

Posteriormente, ela tornou-se membro da União da Juventude Anti-imperialista. Era uma jovem com forte senso de responsabilidade, simples, reservada e apaixonada.

Em 28 de agosto de 1927, foi admitida na União da Juventude Comunista, juntamente com Kim Hyok, Cha Kwang Su, Choe Chang Gol, Kim Won U, Kye Yong Chun, Pak So Sim, Pak Kun Won e outros.

A partir de então, atuou como membro central da União da Juventude Comunista.

O camarada Kim Il Sung escreveu em suas memórias:

“Han Yong Ae, como membro da Associação Ryugil de Estudantes Coreanos, havia sido influenciada por nós durante as apresentações artísticas e os encontros em que trocávamos impressões sobre livros. Mais tarde, tornou-se membro da União da Juventude Comunista. Aluna da Escola Secundária Feminina de Jilin, era bondosa, mas reservada, e normalmente passava despercebida.

Entretanto, realizava todas as tarefas que lhe eram confiadas em prol da revolução, fossem elas difíceis ou desagradáveis.”

Han Yong Ae ficou fascinada pela grandeza do camarada Kim Il Sung e, sob sua orientação, cresceu e se tornou uma mulher revolucionária.

Em outubro de 1928, o camarada Kim Il Sung organizou uma grande manifestação contra o projeto ferroviário entre Jilin e Hoeryong e, em seguida, uma campanha contra os produtos japoneses.

O camarada Kim Il Sung escreveu em suas memórias:

“Ela passava quase todas as noites em claro, preparando a manifestação. Levou um mimeógrafo para o celeiro de uma casa e, junto com alguns membros da Associação das Crianças, reproduziu dezenas de milhares de apelos e panfletos. Ficou conhecida como uma jovem oradora por causa dos discursos inflamados que fazia em coreano e chinês diante de centenas de pessoas nas ruas.”

Tendo sido temperada nas chamas da manifestação mencionada, ela passou a trabalhar com ainda mais afinco, orgulhosa de ser uma revolucionária.

No início de 1929, devido às circunstâncias familiares, deixou prematuramente a escola em Jilin e retornou a Jiaohe, onde sua família vivia, mas continuou mantendo contato com a organização revolucionária.

Antes e depois de 1º de agosto de 1930, Dia Internacional Antiguerra, os bajuladores faccionistas provocaram uma revolta imprudente nas regiões ao longo da ferrovia Jilin-Dunhua.

A revolta criou sérias dificuldades para o avanço da revolução. Até mesmo as organizações que haviam passado à clandestinidade após o Levante de 30 de Maio foram expostas ao inimigo.

O camarada Kim Il Sung percorreu longas distâncias para restaurar as organizações destruídas e salvar a revolução da crise iminente.

Apesar da rigorosa vigilância do inimigo, foi a diferentes regiões da Manchúria, incluindo Jilin, Hailong, Qingyuan e Jiaohe, para encontrar camaradas cujos vínculos organizacionais haviam sido rompidos e orientá-los quanto às atividades que deveriam realizar dali em diante.

Quando chegou a Jiaohe, a situação também era grave naquela região.

Precisando de um esconderijo temporário, foi procurar um antigo combatente pela independência, um de seus velhos conhecidos. Este ficou encantado ao vê-lo, mas não o convidou a se esconder em sua casa.

Assim, o camarada Kim Il Sung dirigiu-se à casa de outro antigo combatente pela independência.

Como o terror branco do inimigo se alastrava, esse segundo homem pensou nos problemas que poderiam recair sobre ele. Depois de oferecer uma refeição ao camarada Kim Il Sung em um restaurante, sugeriu que se separassem.

Ao recordar seus sentimentos naquele momento, o camarada Kim Il Sung escreveu em suas memórias:

“Com isso, aprendi uma lição séria. Nem mesmo os amigos de meu pai significavam alguma coisa sem uma coesão ideológica. Aprendi, amargamente, que a luta revolucionária não pode ser compartilhada apenas com base em antigas amizades ou sentimentos de solidariedade.”

O camarada Kim Il Sung dirigiu-se então à casa de Han Kwang.

Han Kwang era tio de Han Yong Ae, por isso o camarada Kim Il Sung pensou que poderia encontrá-la ali e, por meio dela, descobrir o paradeiro dos membros da organização que estavam escondidos na região de Jiaohe.

Entretanto, nem Han Kwang nem Han Yong Ae estavam em casa. Quando o camarada Kim Il Sung perguntou à vizinha ao lado onde eles estavam, ela respondeu que não sabia.

Enquanto isso, ele percebeu que alguns policiais estavam em seu encalço e suspeitou que alguém o tivesse denunciado à polícia. Naquele momento crítico, a mulher que morava ao lado de Han Kwang salvou o camarada Kim Il Sung do perigo.

Ela lhe disse: “Parece que você está em perigo, embora eu não saiba quem você é. Depressa, entre na cozinha.” Rapidamente, colocou nas costas dele o bebê que carregava nas próprias costas. Em seguida, disse: “Eu atenderei à porta. Fique quieto e cuide do fogo.”

Com o bebê nas costas, ele atiçou o fogo da cozinha com um atiçador, conforme ela lhe havia instruído.

Os policiais abriram a porta da cozinha e perguntaram à mulher: “Um jovem acabou de passar por aqui. Para onde ele foi?”

A mulher respondeu com serenidade: “Que jovem? Ninguém veio à minha casa.” Em seguida, disse casualmente em chinês: “Não há ninguém aqui dentro. Por favor, entrem e façam uma refeição, se quiserem.”

Os policiais conversaram entre si, perguntando-se para onde o jovem teria ido e se o haviam perdido de vista, antes de seguirem para outra casa.

Depois que eles partiram, a mulher disse com um sorriso: “Por favor, aja como se fosse meu marido até que a polícia deixe a aldeia. Meu marido está trabalhando no campo. Vou chamá-lo para voltar para casa. Fique aqui e não se preocupe. Quando ele voltar, vamos discutir o que devemos fazer.”

Depois de convidá-lo para uma refeição, ela foi ao campo e retornou mais tarde.

Passado algum tempo, os policiais voltaram e gritaram para que ele saísse, dizendo que queriam enviá-lo para cumprir uma tarefa. Ela respondeu calmamente: “Como esse homem doente poderia cumprir uma tarefa? Se vocês têm alguma tarefa urgente, eu a cumprirei em seu lugar.” Em seguida, foi cumprir a tarefa em seu lugar.

Assim, com a ajuda dela, ele conseguiu escapar daquela situação crítica.

O camarada Kim Il Sung escreveu em suas memórias:

“Entre os trabalhadores, encontrava-se um senso de dever para com os camaradas, íntegro e sólido, ao qual os revolucionários podiam confiar suas vidas sem hesitação. Por isso, eu sempre dizia aos meus companheiros de armas que recorressem ao povo quando surgissem dificuldades durante a revolução. Dizia-lhes que procurassem o povo quando estivessem com fome ou sede e quando alguma desgraça lhes acontecesse.

Ela era uma boa mulher. Se ainda estiver viva, gostaria de me curvar diante dela, mesmo agora.”

Pouco depois, o camarada Kim Il Sung encontrou Han Yong Ae.

Ele lhe disse: “Os japoneses logo invadirão. Não devemos ficar de braços cruzados, mas nos levantar e nos preparar para combatê-los, não é mesmo? Devemos restaurar as organizações o mais rápido possível e despertar ideologicamente o povo. Não devemos continuar escondidos por medo, não é mesmo?”

Ele sugeriu que fossem juntos a Harbin, acrescentando que entraria em contato com a organização em favor dela.

Ela ficou muito contente, pois não sabia ao certo o que fazer, já que havia perdido o contato com a organização.

Ao chegar a Harbin, encontrou os membros de uma seção da União da Juventude Comunista de Harbin que estavam escondidos e explicou-lhes a linha da Conferência de Kalun.

Ela foi presa pela polícia japonesa no outono de 1930, enquanto cumpria as tarefas que lhe haviam sido confiadas pelo camarada Kim Il Sung.

Depois de ser transferida para uma prisão na Coreia, defendeu sua convicção revolucionária mesmo diante de torturas brutais.

Certo dia, enquanto ainda estava atrás das grades, um traidor foi visitá-la e lhe disse: “É melhor você trabalhar comigo e convencer seus camaradas revolucionários a ingressarem em nossa ‘equipe de trabalho para a rendição’.”

Ela o repreendeu diretamente, dizendo: “Isso não pode ser feito. Como podemos cometer uma traição tão vil? Se, depois de sair da prisão, eu não estiver em condições de fazer a revolução, talvez não possa participar dela.

Mas jamais farei uma coisa dessas.”

Vários anos depois, após ser libertada da prisão, ela se esforçou para restabelecer contato com a organização enquanto trabalhava como sapateira em uma fábrica de borracha em Dandong, na China. Como não conseguiu descobrir a linha da organização, retornou à pátria e, mais tarde, tentou ir novamente à Manchúria. Enquanto trabalhava como operária fabril, difundiu entre o povo coreano as canções revolucionárias dos tempos de Jilin e incitou-o à luta em defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores.

Ela se casou tardiamente. Dedicou-se à vida familiar, mas não abandonou sua consciência nem os princípios aos quais havia permanecido fiel nos anos em que trabalhara pela revolução em Jilin. Quando o Exército Revolucionário Popular da Coreia derrotou o inimigo na região do monte Paektu, ela rezava em seu íntimo pela vitória, recordando um por um, pelo nome, seus camaradas dos tempos de Jilin.

Após a libertação da Coreia, trabalhou arduamente pelo país e pelo povo e, em agosto de 1951, durante a Guerra de Libertação da Pátria, foi morta em um bombardeio inimigo.

O camarada Kim Il Sung escreveu em suas memórias:

“Han Yong Ae levou uma vida honrosa até o dia de sua morte. Viveu toda a sua vida com o espírito dos tempos de Jilin. Quando cantava, entoava as canções daqueles tempos.

Os revolucionários, mesmo em uma ilha deserta, não devem perder a fé nem abandonar sua consciência, assim como Han Yong Ae.

Não voltei a encontrá-la antes da libertação, pois estava envolvido na guerra antijaponesa. Ainda assim, permanece vívida em minha memória a maneira como ela percorria os lugares sob um calor sufocante para conseguir roupas chinesas para meu disfarce; como me protegia, superando habilmente as situações de crise quando a polícia revistava os passageiros do trem; e como dividia um pedaço de panqueca em dois e colocava discretamente metade diante de mim.

Todos os serviços que me prestou foram fruto de uma camaradagem pura e altruísta, que transcendia os sentimentos amorosos.

Lamento profundamente que ela tenha sido morta em Pyongyang, durante o bombardeio, sem ter podido me reencontrar.

Felizmente, uma fotografia sua da juventude, que sobreviveu milagrosamente, chegou às minhas mãos. Quando penso em minhas falecidas benfeitoras, admiro seu espírito nobre, que deixou uma profunda impressão em mim durante minha juventude, e expresso-lhe minha sincera gratidão enquanto contemplo sua fotografia.”

Mais de meio século se passou desde a morte de Han Yong Ae.

O povo coreano, contudo, ainda se lembra dessa mulher revolucionária, cujos feitos permanecem gravados na história do Partido do Trabalho da Coreia.

Revolucionários Nascidos da UDI

Escrito por Pak Jin Hyok

Editado por Yun Yong Il

Traduzido por Phyo Song Nam

Tradução para o português: Lenan Menezes da Cunha

Publicado pela Editora de Línguas Estrangeiras, RPDC

Publicado em setembro de 2026

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