A voz do povo de 1945
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domingo, 16 de agosto de 2026
Tang Un Sil
Ri Sun Im
Pak Chun Wol
Kuk Sin Bok
Kuk Sin Bok foi uma jovem enfermeira e membro do Partido que, durante a Guerra de Libertação da Pátria, demonstrou elevado espírito de sacrifício e devoção ao cumprimento das decisões do Partido. Em 1º de outubro de 1950, quando aviões de combate imperialistas estadunidenses atacaram uma casa onde eram tratados soldados feridos do Exército Popular, os pacientes em estado grave ficaram expostos às rajadas de metralhadora e aos bombardeios. Sem hesitar diante do perigo, Kuk Sin Bok correu até eles e, enquanto as balas destruíam o teto e os estilhaços atingiam o local, transportou lençóis e cobertores para proteger os feridos.
Graças à sua coragem e abnegação, mais de cem companheiros foram salvos dos ataques indiscriminados dos aviões inimigos. Com apenas 22 anos de idade, Kuk Sin Bok mostrou na prática o nobre espírito dos membros do Partido durante a guerra, colocando a vida dos feridos acima da própria e cumprindo até o fim seu dever para com os companheiros. Por seus méritos, foi condecorada com o título de Heroína da República.
Kim Kyu Sik
Kim Kyu Sik (1881–1950) foi um estudioso, educador, religioso e político coreano, tendo participado do movimento de independência durante o período da ocupação japonesa. Em 1918, foi enviado à Conferência de Paz de Paris como representante da Associação da Juventude Shinhan e, posteriormente, exerceu diversos cargos no "Governo Provisório da República da Coreia", principalmente em atividades diplomáticas.
Após a libertação da Coreia, participou das iniciativas pela união das forças políticas e pela formação de um governo unificado. Em 1946, juntamente com Ryo Un Hyong, participou do "movimento de cooperação entre esquerda e direita". Em 1947, tornou-se presidente da Aliança Nacional pela Independência. Em 1948, manifestou-se contra as eleições separadas no sul e foi a Pyongyang com Kim Ku e outros representantes para participar das conversações Norte-Sul.
Na conferência conjunta realizada em Pyongyang, os participantes adotaram uma decisão sobre a situação política da Coreia e um apelo a todos os compatriotas coreanos. Declararam que o povo coreano não reconheceria o regime que seria criado por meio de eleições separadas e que estabeleceria, por seus próprios esforços, um governo unificado segundo princípios democráticos. Também apelaram aos coreanos para que se levantassem contra as eleições separadas realizadas no sul sob a supervisão da chamada Comissão Temporária da ONU para a Coreia.
Durante os dias da conferência, Kim Il Sung visitou os aposentos de Kim Ku e Kim Kyu Sik. Em 2 de maio, poucos dias depois da conferência, reuniu na ilha Ssuk os membros do presidium da conferência conjunta e, após a reunião, ofereceu-lhes um almoço ao ar livre. Kim Kyu Sik, que se estabeleceu no Norte da Coreia no início da Guerra, morreu em dezembro de 1950, aos 69 anos, com o agravamento de doenças cardíacas e asma que sofria havia longo tempo. Seus restos mortais foram enterrados no Cemitério dos Mártires Patrióticos.
Kim Won Song
Kim Won Song nasceu em 15 de maio de 1877, em Chonjon-ri, cantão de Imha, na província de Kyongsang, e seu nome original era Kim Hyong Sik. Desde a juventude, estudou os clássicos e a escrita, recebendo educação confuciana em sua família. Em 1907, quando foi fundada a Escola Hyopdong, em sua aldeia natal, tornou-se professor e dedicou-se ao ensino das novas ciências e à educação patriótica. Também participou das atividades de esclarecimento promovidas pela Associação Taehan, contribuindo para a formação de jovens e para a difusão das novas ideias.
Após a anexação da Coreia pelo Japão em 1910, Kim Won Song partiu para a Manchúria junto de seu pai e de vários familiares, estabelecendo-se posteriormente na região de Sanyuanpu. Ali participou da organização da Escola de Estudos Shinhung e de outras atividades destinadas à formação de jovens para a luta pela independência. Mais tarde, envolveu-se nas atividades do "Governo Provisório da República da Coreia" e, a partir de 1930, desenvolveu atividades clandestinas contra o imperialismo japonês no Nordeste da China, prestando apoio às unidades guerrilheiras antijaponesas. Também exerceu a função de responsável pela filial do Norte da Manchúria da Liga da Independência da Coreia.
Após a libertação da Coreia em 1945, Kim Won Song foi a Pyongyang a convite de Kim Tu Bong, na qualidade de responsável pela filial da Liga da Independência da Coreia no Norte da Manchúria. Em 1946, estabeleceu-se definitivamente na parte norte da Coreia e exerceu o cargo de vice-presidente da Associação de Apoio aos Combatentes Patrióticos. No ano de 1948, participou da Conferência Conjunta de Representantes do Norte e do Sul, realizada em Pyongyang, assumindo a presidência da sessão de abertura. Durante esses anos, dedicou-se à causa da construção de um Estado democrático e unificado da Coreia.
Durante a guerra, encontrava-se em recuperação no asilo estatal de idosos no monte Kumgang. Ao receber, em outubro de 1950, a notícia do avanço das forças das Nações Unidas para o norte, dirigiu-se à cachoeira Kuryong e morreu ali, aos 72 anos. Seu corpo foi posteriormente sepultado no Cemitério dos Mártires Patrióticos. Em reconhecimento aos seus serviços à causa da reunificação da pátria, recebeu postumamente, em 15 de agosto de 1990, o Prêmio da Reunificação da Pátria.
Sobre a sitação política da Coreia
Informe apresentado pelo camarada Kim Il Sung no ato comemorativo do primeiro aniversário do estabelecimento do Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte
8 de fevereiro de 1947
Queridos compatriotas:
Hoje é um dia significativo: o primeiro aniversário do estabelecimento do Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte. Este, como órgão máximo do Poder da Coreia do Norte, foi criado em 8 de fevereiro de 1946, com a missão histórica de cumprir as importantes tarefas que se colocam à nossa nação.
Tendo em vista que a formação de um governo unificado de toda a Coreia era adiada em consequência das maquinações do imperialismo estadunidense e dos reacionários internos, não podíamos permanecer impassíveis à espera da criação desse governo. Estabelecer um órgão central do Poder na Coreia do Norte foi uma exigência premente do desenvolvimento histórico de nossa nação e da vida político-econômica das massas populares. O Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte foi constituído pela vontade unânime de todas as massas populares, com o objetivo de efetuar cabalmente reformas democráticas na Coreia do Norte e realizar diversas tarefas inadiáveis.
Se fizermos um balanço das realizações e do caminho que o Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte conseguiu percorrer ao longo de um ano, veremos que ele cumpriu as tarefas que lhe correspondiam, como é natural em sua qualidade de órgão máximo do poder da Coreia do Norte. É preciso dizer que a façanha empreendida na construção de nossa pátria é, na verdade, enorme.
O povo norte-coreano criou pela primeira vez na história do país, com suas próprias mãos, um órgão do poder e, desafiando todo tipo de dificuldades e obstáculos, vem exercendo o poder com suas próprias forças e realizando trabalhos imensos em todos os domínios político, econômico e cultural. As tarefas democráticas que o povo norte-coreano realizou no ano recém-transcorrido foram tão difíceis que os povos dos países capitalistas, mesmo lutando durante dezenas de anos, e até um século, não conseguiram realizá-las.
O ano que passou foi, realmente, um ano de grandes mudanças para a Coreia do Norte. O povo norte-coreano empreendeu o caminho da construção de uma nova vida esplêndida e feliz, abolindo todas as relações feudais e coloniais que, outrora, mergulharam nossas massas populares no pântano do obscurantismo, condenando-as à escravidão. Verdadeiramente, em apenas um ano, o povo norte-coreano alcançou grandes êxitos no cumprimento das tarefas democráticas.
Quais foram os fatores que permitiram ao povo norte-coreano realizar as grandes tarefas democráticas em um espaço de tempo tão curto?
Primeiro, os norte-coreanos, aproveitando as condições favoráveis que lhes permitiam desfrutar de uma vida política livre e ativa, estabeleceram o comitê popular, seu próprio poder, e vêm administrando-o com acerto.
O desmantelamento total do sistema de dominação colonial do imperialismo japonês e a tomada do poder pelo próprio povo tiveram importância decisiva para o desenvolvimento democrático da Coreia do Norte e continuarão a tê-la no futuro.
O problema do poder na política sempre se apresenta como uma questão fundamental. Se o poder não estivesse nas mãos do povo, mas nas de outras forças, isto é, de forças agressivas do imperialismo estrangeiro, ou de elementos pró-japoneses e traidores da nação, seria sequer imaginável cumprir as tarefas democráticas.
O povo da Coreia do Norte tornou-se dono do país depois de conquistar totalmente o poder; na prática, nosso poder popular consolidou sua base e lançou raízes profundas na vida do povo. Hoje, o comitê popular, poder do povo, não apenas realiza com êxito na Coreia do Norte as tarefas democráticas, mas, além disso, é uma firme garantia da vitória na luta para construir no futuro um Estado democrático, soberano e independente, rico e poderoso.
Segundo, todo o povo respaldou e apoiou sem reservas toda a política aplicada na Coreia do Norte.
O povo norte-coreano, plenamente consciente de que toda a política do Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte é aplicada unicamente em prol dos interesses das massas populares, considera seu cumprimento como tarefa própria e compreende que isso não apenas redunda em seu benefício imediato, mas também constitui uma questão vital que decidirá seu futuro destino. Esta é a razão pela qual o povo participou ativamente da tarefa de materializar toda a política do comitê popular. As reformas democráticas efetuadas na Coreia do Norte foram realizadas graças ao elevado despertar político e ao apoio ativo do povo.
Terceiro, na Coreia do Norte, os partidos políticos e organizações sociais democráticos, formando uma frente unida nacional na qual estão agrupadas todas as forças democráticas, progressistas e patrióticas, mobilizaram-se para a luta pelo cumprimento das tarefas democráticas e prestaram apoio substancial ao comitê popular.
Os partidos políticos e organizações sociais democráticos, estreitamente unidos sob a bandeira da Frente Unida Nacional Democrática, lutaram por um objetivo comum: construir um Estado democrático, soberano e independente, rico e poderoso, graças ao que as tarefas democráticas puderam ser levadas a bom termo.
A unidade dessas forças democráticas, progressistas e patrióticas constitui um sólido fundamento para assegurar a vitória, tanto na atual construção democrática da Coreia do Norte quanto no posterior estabelecimento de um Estado independente unificado.
Atualmente, o povo norte-coreano inicia uma nova etapa de desenvolvimento. Temos a importante tarefa de democratizar e fortalecer ainda mais os comitês populares de cantão e comuna (ou bairro) — órgãos de base do Poder popular —, com vistas a consolidar os êxitos das reformas democráticas e ampliá-los no futuro.
O atual desenvolvimento democrático da Coreia do Norte transcorre em um momento em que, na arena internacional, as forças democráticas e as reacionárias travam uma luta encarniçada e complexa.
Ainda hoje, um ano e meio depois de os povos do mundo terem tomado o rumo de uma vida de paz, conquistada ao custo de incontáveis vidas e bens materiais na Segunda Guerra Mundial — guerra travada contra os fascistas e para aniquilar os agressores e incendiários de guerra —, os povos oprimidos dos países coloniais e dependentes continuam travando uma luta sangrenta pela independência, pela liberdade e pela existência. Não podemos desviar nem por um momento nosso olhar dessa dura realidade. Nesses países, os imperialistas e monopolistas continuam, com seus fuzis e até com seus canhões, massacrando habitantes por estes exigirem soberania e independência; e ali prosseguem todo tipo de atos de extermínio, humilhação nacional e trabalho escravo.
Churchill, ex-primeiro-ministro da Inglaterra, seus “amigos” de países como os EUA, França, Países Baixos e outras forças imperialistas e fascistas sobreviventes conspiram para agredir as nações fracas e pequenas, protegidos pela cortina de fumaça do “perigo de uma nova guerra” e do “antissovietismo”, e sonham com a expansão e uma nova repartição das colônias. Sob o pretexto de “abrir as portas”, os imperialistas lançaram uma ofensiva vigorosa contra os países emergentes e os países fracos e pequenos. Seu exemplo mais representativo é a política que aplicam em relação às nações pequenas e fracas da Europa Oriental. Por que querem “internacionalizar” o Danúbio? Porque os imperialistas querem submeter os países dessa região ao seu capital monopolista, transformando-os em mercado para seus produtos. Entretanto, a história nunca se repete, nem pode retroceder.
Se depois da Primeira Guerra Mundial as potências imperialistas repartiram as colônias e semicolônias com relativa facilidade, hoje, concluída a Segunda Guerra Mundial, deparam-se com a vigorosa resistência dos povos em todos os lugares para onde dirigem a ponta de suas armas agressivas. Uma prova clara disso é a guerra de resistência do povo chinês, a guerra de independência do povo vietnamita contra as forças imperialistas e seus lacaios, e as lutas sangrentas dos povos indonésio, filipino e grego contra os agressores e seus lacaios. Também os povos dos países coloniais e dependentes, como a Índia, a Birmânia e o Egito, levantaram-se para a luta pela soberania e independência nacionais.
Hoje, derrotados os agressores fascistas, os países fracos e pequenos da Europa, que estiveram sob o domínio das potências imperialistas e seus lacaios depois da Primeira Guerra Mundial, transformaram-se em Estados independentes e avançam pelo novo caminho da democracia. Os povos de países como Polônia, Iugoslávia, Bulgária, Albânia, Tchecoslováquia e Romênia estabeleceram um poder democrático, liquidando todos os reacionários traidores da pátria internos, e estão realizando reformas democráticas de grande significado na vida política, econômica e cultural. A vitória das forças democráticas nas eleições parlamentares realizadas nesses países mostra claramente a direção que tomaram. Vários países do Leste e do Sudeste da Europa, constituindo uma poderosa força democrática que mantém a paz e a segurança na Europa, lutam para criar Estados soberanos e independentes.
A União Soviética, que suportou sozinha o peso da Segunda Guerra Mundial para derrotar os invasores fascistas, desempenhou um papel decisivo para levar a guerra à vitória e, no pós-guerra, passou a liderar a luta para garantir a paz e a segurança no mundo.
Depois da Primeira Guerra Mundial, a consciência política dos povos nos países capitalistas era muito escassa e sua força organizativa, débil, mas hoje, em âmbito mundial, muitos deles participam ativamente da vida política e sua solidariedade cresce vertiginosamente. É assim que os povos dos países capitalistas do mundo se orientam a deter, por meio de sua luta, a política reacionária dos governantes internos e a decidir eles próprios seus destinos.
Todos esses fatos refletem que uma nova mudança ocorreu na situação política do mundo depois da Segunda Guerra Mundial. Por meio de tais fatos não é difícil compreender por que Churchill, seus “amigos” dos países capitalistas e outros reacionários internacionais se esgoelam atacando, caluniando e difamando furiosamente as forças democráticas de seus países e do mundo inteiro.
Embora, no cenário internacional, a luta entre a democracia e a antidemocracia, o progresso e a reação se torne acirrada e complexa, a situação, em geral, já mudou em favor dos povos. As forças democráticas do mundo são muito mais poderosas que as forças antidemocráticas e reacionárias. Hoje, o mundo não segue a direção que os imperialistas, os reacionários e os promotores de uma nova guerra tentam lhe impor, mas uma nova direção, a da democracia, reivindicada pelos povos, por um caminho que garanta uma paz duradoura e a segurança.
Esta é, precisamente, a nova situação internacional na qual está inserida nossa pátria, cujo povo inteiro está empenhado na luta pela construção de um Estado democrático, soberano e independente.
A realidade concreta da Coreia, surgida depois da libertação, mostra que essa luta entre democracia e antidemocracia, progresso e reação, que se desenvolve no cenário internacional, também se refletiu, tal como é, em nosso país.
O povo coreano também edificará um Estado democrático, soberano e independente somente mediante uma luta tenaz contra as forças reacionárias internas e as forças agressivas externas.
Atualmente, na Coreia do Norte, as massas populares são donas do poder, e a luta pela construção democrática ganha vigor, mas na Coreia do Sul não ocorre o mesmo. A Coreia do Sul está se convertendo em um covil de elementos pró-japoneses e pró-estadunidenses, de traidores da nação, onde os reacionários recorrem a todo tipo de maquinações para obstruir a aplicação, ali, da resolução da Conferência de Moscou dos Ministros das Relações Exteriores dos Três Países e impedir o desenvolvimento democrático da Coreia.
Hoje, o povo coreano tem duas alternativas. Uma é o desenvolvimento democrático empreendido pelas massas populares da Coreia do Norte; a outra é antipopular e antidemocrática: é a alternativa adotada pelos reacionários sul-coreanos.
1. Construção democrática na Coreia do Norte
Durante quase meio século de domínio colonial do imperialismo japonês, nossa nação coreana sofreu, no plano político e econômico, uma cruel opressão e exploração, por métodos e meios de dominação tão bárbaros que não têm precedentes na história mundial. O imperialismo japonês oprimiu e enganou, saqueou e assassinou a nação coreana, privando-a não apenas da liberdade de palavra, imprensa, reunião, associação e manifestação, mas até mesmo da liberdade de religião. Especialmente nos últimos 10 anos, durante os quais se preparava para uma guerra imperialista e travava uma guerra de agressão, os imperialistas japoneses saquearam todos os recursos naturais da Coreia, utilizando-os para fins bélicos; colocaram todas as fábricas, empresas e meios de transporte, criados à custa do sangue e do suor dos coreanos, a serviço da produção de armas e outros materiais bélicos e de seu transporte; mobilizaram à força a mão de obra do povo coreano para utilizá-la na fabricação de materiais bélicos. Sob os títulos de “voluntários”, “recrutas estudantes”, “recrutas militares” e “recrutas para o trabalho”, o imperialismo japonês levou jovens e homens de meia-idade da Coreia, transformando-os em bucha de canhão de sua guerra agressiva.
Diante dessa cruel perseguição e repressão por parte dos bandidos imperialistas japoneses, nosso povo opôs diversas formas de luta dentro e fora do país e, particularmente, os autênticos patriotas coreanos empunharam as armas, impulsionando vigorosamente durante longo tempo a Luta Armada Antijaponesa. Desse modo, finalmente conseguiram derrotar os agressores imperialistas japoneses e libertar o país.
Depois da libertação, o povo norte-coreano empreendeu o caminho da criação de uma nova vida. Nosso povo, que conquistou a liberdade de palavra, imprensa, reunião, associação, manifestação e religião, desmantelou o criminoso aparato de dominação do bandidesco imperialismo japonês, eliminou os elementos pró-japoneses de todos os campos e organizou partidos políticos e organizações sociais democráticos. Unimos estreitamente as amplas massas populares sob a bandeira da democracia. Reunindo os operários e empregados na Federação dos Sindicatos, os homens do campo na União dos Camponeses, os jovens na União da Juventude Democrática, as mulheres na União das Mulheres Democráticas, lançamos as bases da Frente Unida Nacional Democrática.
Nosso povo, que conquistou os direitos políticos, criou em toda parte comitês populares, seus órgãos de poder, e, sob sua direção, realizou tarefas democráticas, mantendo ao mesmo tempo a segurança, defendendo e explorando fábricas, empresas e os transportes. O comitê popular é um poder autenticamente popular que luta pelos interesses das amplas massas populares, dando-lhes a possibilidade de participar com entusiasmo na construção de um novo Estado democrático.
Um ano depois de sua fundação, o Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte realizou com êxito a reforma agrária e uma série de importantes tarefas democráticas, lançando assim uma sólida base material para construir um Estado democrático, soberano e independente, rico e poderoso.
A reforma agrária efetuada no mês de março de 1946 concretizou o anseio secular de nossos camponeses ao abolir completamente as relações feudais de posse da terra, entregando-a àqueles que a trabalham. Em virtude da reforma agrária, foram confiscados dos imperialistas japoneses, dos elementos pró-japoneses, dos traidores da nação e dos proprietários de terras que possuíam mais de cinco hectares, sem qualquer tipo de indenização, 1 milhão 325 mil hectares. Desse total, 981 390 hectares foram distribuídos gratuitamente entre 724 522 famílias compostas por trabalhadores agrícolas, camponeses sem terra ou com pouca terra.
Como resultado da reforma agrária, não apenas foram lançadas as bases para consolidar a base material do novo campo democrático e criada a possibilidade de acelerar o livre desenvolvimento da economia rural, mas também começaram a aparecer grandes montes de feixes de cereais nos pátios das casas dos camponeses, e seu nível de vida elevou-se. Além disso, lançou-se a base para resolver com êxito o problema de alimentos colocado diante do país e o de matérias-primas para a indústria.
Além de entregar ao Estado vinte e cinco por cento da colheita como imposto em espécie, os camponeses organizaram, por iniciativa própria, uma campanha patriótica de entrega de cereais ao Estado. Essa nobre campanha despertou a simpatia patriótica de amplos setores da população da Coreia do Norte e ajudou consideravelmente o país a solucionar o problema dos alimentos.
A nacionalização de todas as fábricas, minas, usinas elétricas, transportes ferroviários, comunicações e instituições financeiras que pertenciam aos imperialistas japoneses e aos traidores da nação, e que foram criados à custa do sangue e do suor do povo coreano, é condição fundamental não apenas para erradicar da indústria a base econômica dos reacionários, incluindo os pró-japoneses, mas também para reabilitar e desenvolver rapidamente a indústria destruída e promover, de forma livre e segura, a economia nacional. Por isso, o Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte promulgou, em 10 de agosto de 1946, a Lei da Nacionalização das Principais Indústrias. O número das principais empresas nacionalizadas em virtude dessa Lei chega a 1 034, cujo valor é estimado em bilhões de wons. Hoje, graças a essa nacionalização, as empresas industriais que anteriormente eram utilizadas para explorar o povo coreano, depois de terem sido construídas por este ao preço de seu sangue e suor, passaram inteiramente à propriedade de nosso povo e estão a serviço do desenvolvimento da economia nacional.
A Lei do Trabalho, promulgada em 24 de junho de 1946, possibilitou aos operários libertarem-se das relações de exploração colonial do imperialismo japonês. Graças a essa Lei, melhoraram as condições de trabalho dos operários; entraram em vigor os sistemas de jornada de oito horas, de seguro social e de férias regulares para operários e empregados; foi abolido o tratamento discriminatório para com as operárias: por trabalho igual, recebem remuneração igual à dos operários; foi proibido o trabalho de menores de 14 anos de idade e reduzida a jornada de trabalho dos menores de 16 anos de idade; melhorou o nível de vida material e cultural das massas trabalhadoras. Em virtude do sistema de seguro social, foi estabelecido um grande número de novos hospitais, casas de repouso e sanatórios. Como resultado da entrada em vigor da Lei do Trabalho, os operários e empregados da Coreia do Norte trabalham em condições ideais.
As mulheres da Coreia do Norte, que durante longo tempo sofreram tratamentos desumanos e ignominiosos e uma exploração dupla e tripla, devido aos hábitos feudais e à política colonial do imperialismo japonês, participam da vida política, social e cultural em igualdade de condições com os homens e obtêm direitos econômicos, depois de se libertarem de todos os tratamentos discriminatórios graças à Lei da Igualdade dos Direitos do Homem e da Mulher. Desse modo, as mulheres norte-coreanas participam sem restrições da construção democrática e da política do Estado e têm plenas possibilidades de desenvolver suas capacidades como trabalhadoras de um novo Estado democrático. Para comprová-lo, basta assinalar o fato de que, nas eleições para membros dos comitês populares, em nível de província, cidade e condado, realizadas em 3 de novembro do ano passado, 453 mulheres foram eleitas, ou seja, 13,1% do total de membros dos comitês populares, e agora trabalham como dirigentes nos órgãos da administração estatal.
Um ano depois de sua fundação, o Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte também liquidou, no domínio da educação, os vestígios do imperialismo japonês, estabelecendo um novo sistema de educação popular, e realizou muitas tarefas para aumentar os centros de educação popular e melhorar a instrução tecnológica.
No que se refere ao número de escolas, hoje, na Coreia do Norte, registrou-se um aumento de 1 110 escolas primárias, 173 de ensino secundário e 21 especializadas em comparação com a época do imperialismo japonês; nos recém-fundados centros de ensino superior estudam 3 100 universitários. Foram criadas 12 escolas de tecnologia industrial em grandes fábricas e minas para formar quadros técnicos, e nas grandes cidades funcionam dia e noite centros de formação de especialistas industriais. O número total de alunos na Coreia do Norte chega hoje a mais de um milhão e trezentos mil.
Com o objetivo de instruir os analfabetos, que constituem a maioria da população, e transformá-los em habitantes civilizados do novo Estado democrático, desenvolve-se em todas as partes do país uma animada campanha de alfabetização de adultos. Agora, em mais de 16 mil escolas para adultos, estudam 556 mil pessoas.
Uma das tarefas mais importantes para estabelecer o sistema de educação popular, consolidá-lo e desenvolvê-lo é resolver o problema dos professores e dos manuais. Para preparar novos trabalhadores do ensino dotados de ideias democráticas, abrimos em cada província uma escola pedagógica especializada e criamos, além disso, centros de formação acelerada de professores, formando já em julho do ano passado uma turma de 2 mil professores primários; atualmente, há cerca de 2 mil alunos matriculados. Resolvido o problema dos materiais e da impressão, que era considerado difícil de solucionar, redigimos e imprimimos em nosso idioma 519 mil e 600 manuais de 47 disciplinas para as escolas primárias e secundárias e em breve editaremos e distribuiremos manuais de mais 56 disciplinas.
No que diz respeito à esfera cultural, foram instalados e encontram-se em funcionamento 83 cinemas e teatros, 9 emissoras de rádio e 35 bibliotecas, e são publicadas 20 revistas e 22 jornais. Foi assim que pudemos resolver paulatinamente a situação caótica que tínhamos no início nesse domínio. As instituições culturais e as publicações desempenham um grande papel no florescimento e desenvolvimento da cultura nacional democrática.
Superando todas as situações difíceis, alcançamos também um grande êxito no fortalecimento da saúde pública, destinado a promover a saúde de nosso povo e prevenir as epidemias e outras doenças periódicas. Na Coreia do Sul, numerosos habitantes morreram vítimas da cólera no verão do ano passado. Entretanto, em nossa Coreia do Norte, ela foi prontamente combatida, sendo mínimas as perdas humanas, porque aqui foram tomadas rigorosas medidas preventivas e os habitantes se mantiveram alertas. Com vistas a melhorar a saúde pública, destinamos grandes recursos para aumentar a quantidade de estabelecimentos médicos e instalações de saúde pública e formar pessoal técnico nessa especialidade. Hoje, na Coreia do Norte, existem 70 hospitais populares e muitos outros centros médicos.
Depois da libertação, abolimos o aparato judicial do imperialismo japonês, criamos órgãos judiciais autenticamente populares, estabelecemos um sistema de julgamento popular e também um sistema de jurados populares para realizar julgamentos justos. Em especial, em 14 de janeiro passado, adotamos uma decisão sobre a eletividade dos juízes. Com o objetivo de assentar o trabalho dos tribunais sobre uma base popular e desenvolvê-lo em uma direção genuinamente democrática, procuramos fazer com que os funcionários responsáveis por esse setor sejam eleitos entre o povo trabalhador e que a vontade do povo se reflita devidamente no processo judicial, o que, sendo uma medida tomada pela primeira vez nos anais de nosso país, esclareceu a direção democrática do julgamento.
O povo norte-coreano, plenamente consciente de que é dono do país, demonstrou entusiasmo patriótico no cumprimento de todas as tarefas democráticas e trabalhou com todas as suas energias para elevar a produção e acelerar a construção. Mais de 579 mil habitantes de Pyongyang foram mobilizados ao todo e realizaram em 55 dias a grande obra de regularização do curso do rio Pothong, que consistia em construir um dique de 5 quilômetros de extensão e escavar mais de 420 mil metros cúbicos de terra; também, na instalação das linhas de transporte de carvão da Mina de Samsin, participaram durante um mês mais de 260 mil pessoas ao todo. Nosso povo também se mobilizou com entusiasmo para consolidar as margens do rio Amnok, regularizar o curso do rio Ryonghung e construir os portos de Haeju e Tanchon.
Hoje, a Coreia do Norte transformou-se em uma sociedade democrática que avança por uma nova via democrática, diametralmente oposta à sociedade capitalista, na qual todo o poder e todos os direitos são patrimônio das classes privilegiadas que constituem uma minoria. Na Coreia do Norte, a totalidade dos órgãos e estabelecimentos políticos, econômicos, sociais e culturais serve hoje aos interesses das massas populares.
Partindo da necessidade de elevar ainda mais a consciência política do povo, consolidar os êxitos das reformas democráticas e acelerar o desenvolvimento democrático do país, na Coreia do Norte foi amplamente desenvolvida a Campanha de Mobilização Ideológica Geral para a Construção do Estado, com a participação de todo o povo.
Esta Campanha tem por finalidade forjar, mediante uma luta de massas, um espírito nacional e uma atitude diante da vida e do trabalho que nosso povo deve adquirir como corresponde ao povo da nova Coreia democrática, opondo-se aos velhos modos e atitudes de trabalho da época do imperialismo japonês, eliminando os maus costumes e conceitos degradantes e decadentes e inspirando todo o povo com a sublime ideia patriótica. Em poucas palavras, trata-se de uma campanha que tende a elevar o espírito patriótico do povo, colocando-o inteiramente em movimento para edificar uma nova pátria.
Todo o povo da Coreia do Norte expressou seu pleno apoio a esta campanha patriótica e participa dela com entusiasmo. Esta campanha é realizada não apenas com palavras, mas também com fatos. Os operários contribuem para a obra de construção do país aumentando a produção, e os camponeses entregando cereais ao Estado. Tendo em vista que todo o povo demonstra um ardente patriotismo e elevado entusiasmo na construção do país, não há dúvida de que triunfaremos, superando todo tipo de dificuldades.
Na Coreia do Norte, foram realizadas as eleições para membros dos comitês populares de províncias, cidades e condados em 3 de novembro de 1946, com base na conclusão vitoriosa de todas as tarefas democráticas. Participaram do sufrágio 99,6% do eleitorado, e a proporção de eleitores favoráveis aos candidatos apresentados pela Frente Unida Nacional Democrática foi de 97% nas eleições dos membros dos comitês provinciais, 95,4% nas dos comitês das cidades e 96,9% nas dos comitês dos condados. Trata-se de uma brilhante vitória que dificilmente pode ser vista na história mundial.
Esse fato constitui um exemplo patente de que a totalidade do povo apoia a política do comitê popular, dá-lhe seu respaldo e deposita nele sua confiança, considerando-o seu autêntico órgão de poder.
2. Situação política da Coreia do Sul
Atualmente, na Coreia do Sul, os elementos pró-japoneses e os traidores da nação têm o poder em suas mãos e, instigando aqueles que anteriormente serviram na polícia do imperialismo japonês, impedem por todos os meios o avanço democrático do povo.
Na Coreia do Sul, não apenas continuam funcionando sem alteração todos os aparelhos repressivos do regime de governo-geral do imperialismo japonês, que oprimiu cruelmente o povo coreano durante quase meio século, como, além disso, elementos pró-japoneses, traidores da nação e outros reacionários foram promovidos aos órgãos da administração e da polícia; os órgãos judiciais são constituídos por aqueles que defendem fielmente e representam os interesses desses indivíduos. Particularmente, ocupam altos cargos nos órgãos policiais aqueles indivíduos que, no passado, oprimiram, torturaram e assassinaram nossos compatriotas como policiais políticos e agentes do imperialismo japonês.
Na Coreia do Sul, os pró-japoneses e os traidores da nação não foram eliminados; pelo contrário, continuam agindo livremente. A Coreia do Sul transformou-se em uma zona segura para a sobrevivência destes, em um covil da reação onde os pró-japoneses e outros reacionários atuam febrilmente para alcançar seus objetivos políticos e apoderar-se do poder. Consequentemente, o povo sul-coreano, longe de tomar o poder e desfrutar das liberdades democráticas, está submetido a uma vida mais miserável que a do escravo colonial da época do imperialismo japonês e vê-se submetido a extrema vigilância e restrição em suas manifestações democráticas. Está privado até mesmo das liberdades democráticas mais elementares, como a liberdade de palavra, imprensa, reunião, associação e manifestação.
Na Coreia do Sul, foram dissolvidos os comitês populares, órgãos de poder que o próprio povo criou com tantos esforços depois de tê-los almejado durante muitíssimo tempo. Todas as chamadas “leis” que os reacionários sul-coreanos proclamaram, uma após outra, foram antidemocráticas, pois retiravam e restringiam as liberdades democráticas do povo. Apesar da enérgica oposição do povo, os governantes reacionários da Coreia do Sul, baseando-se nas forças policiais e apoiando-se nas forças reacionárias, impuseram “leis” elaboradas por eles mesmos.
Os partidos políticos e organizações sociais democráticos da Coreia do Sul foram vítimas da repressão ou dissolvidos por terem apresentado um programa para proteger os direitos políticos e melhorar a vida econômica do povo e lutado por seu cumprimento; seus dirigentes e personalidades patrióticas foram detidos e encarcerados.
O imperialismo estadunidense e seus lacaios proíbem até mesmo manifestações pacíficas do povo sul-coreano que reivindica liberdades democráticas e, ao mesmo tempo, reprimem os participantes com baionetas e tanques, assassinando e ferindo grande número de cidadãos patriotas. Na Coreia do Sul ocorreram numerosos massacres sangrentos contra a população inocente, entre os quais figura o massacre de Kwangju, ocorrido no ano passado, em 15 de agosto, no primeiro aniversário da libertação; outro caso ocorreu em dezembro, durante um comício de cidadãos de Jonju, que reivindicavam a pronta retomada dos trabalhos da Comissão Conjunta URSS-EUA, ocasião em que os policiais dispararam contra a multidão, matando seis pessoas e ferindo dezenas.
A administração militar dos EUA emitiu uma disposição para suspender e fechar publicações democráticas e proibir sua venda. Privou mais de dez jornais, incluindo Haebang Ilbo, Joson Inminbo e Hyondae Ilbo, da liberdade de publicação e mobilizou grupos de terroristas para atacar e devastar as redações dos jornais e as editoras.
Devido à política antipopular de alimentos, na Coreia do Sul, os cereais são levados para o Japão ou se acumulam nos armazéns dos especuladores e proprietários de terras. Mobilizando a polícia, os reacionários sul-coreanos impuseram uma draconiana ordem de arrecadação de cereais da colheita de verão e um criminoso sistema de entrega obrigatória de mais de 80% da colheita de outono, o que levou o povo ao extremo da inquietação e da miséria.
Essa extrema inquietação, no plano político e econômico, empurrou o povo da Coreia do Sul para o abismo do desespero. E, para se libertar dessa situação exasperante e em defesa do direito à existência, o povo sul-coreano levantou-se para a luta. A Resistência Popular de Outubro é um exemplo das lutas travadas por sua sobrevivência.
Em 24 de setembro do ano passado, quando 40 mil ferroviários sul-coreanos declararam greve geral, 160 mil operários de todos os setores industriais e 30 mil estudantes da Coreia do Sul uniram-se a eles em solidariedade. Posteriormente, a insurreição popular que ocorreu em 1º de outubro em Taegu estendeu-se por toda a Coreia do Sul. A população sul-coreana ocupou e destruiu delegacias de polícia e órgãos administrativos que eram utilizados para reprimi-la brutalmente e privá-la das liberdades e dos direitos democráticos, exigindo que o Poder passasse ao comitê popular e que fossem restaurados os órgãos do poder popular.
Mais de 2 milhões e 300 mil operários, camponeses, estudantes e cidadãos participaram dessas ações de resistência do povo sul-coreano. A lei marcial imposta em todas as cidades e em diversas regiões não conseguiu quebrar o ímpeto de resistência do povo nem esmagar sua luta heroica.
Na Coreia do Sul não foram criados autênticos órgãos do Poder popular, mas fabricaram-se a “assembleia democrática” e a “assembleia legislativa”, de caráter antipopular e antidemocrático, integradas por traidores da nação, tendo Ri Sung Man à frente, por capitalistas e proprietários de terras pró-japoneses que, em outros tempos, serviram fielmente ao imperialismo japonês. A “assembleia legislativa”, disfarçada de “democracia”, que, segundo dizem, foi constituída por meio das chamadas “eleições”, não passa de um teatro de marionetes para encobrir a política reacionária do imperialismo estadunidense na Coreia do Sul. O consciente povo sul-coreano não apenas não se deixou enganar por essa artimanha do inimigo, como mais da metade dos eleitores boicotou as “eleições do órgão legislativo”, opondo-se categoricamente à criação da “assembleia legislativa”.
Os reacionários da Coreia do Sul transformaram em letra morta a resolução da Conferência de Moscou dos Ministros das Relações Exteriores dos Três Países sobre a questão coreana, que previa a criação de condições favoráveis à soberania e independência e ao desenvolvimento democrático da Coreia, refletindo a aspiração e a exigência do povo coreano, e agora recorrem a maquinações antipopulares, contrárias a essa resolução.
No Sul da Coreia, o povo exigiu energicamente a realização de reformas democráticas iguais às efetuadas no Norte, mas nenhuma foi realizada; pelo contrário, foram aplicadas políticas antipopulares, disfarçadas de democracia, por meio de astutas manobras reacionárias.
Longe de realizar a reforma agrária para distribuir aos camponeses as terras das quais os imperialistas japoneses e os proprietários de terras haviam se apropriado, liquidando as relações feudais de posse da terra, o imperialismo estadunidense transformou a “Companhia de Exploração Colonial do Oriente”, da época do imperialismo japonês, na “Companhia da Nova Coreia”, uma nova forma de empresa colonialista, e decidiu vender aos camponeses as terras que estavam sob a administração desta. Desse modo, na Coreia do Sul continuam existindo, como antes, proprietários de terras que impõem arbitrariamente aos camponeses pesadas rendas pelo arrendamento da terra, permanecendo inalteradas as relações de sujeição no que diz respeito à posse da terra.
Na Coreia do Sul, as fábricas e empresas que pertenceram ao Estado japonês ou a japoneses passaram às mãos dos capitalistas e especuladores que, no passado, haviam explorado cruelmente o povo trabalhador e servido fielmente ao imperialismo japonês, em vez de serem nacionalizadas e entregues ao povo para que contribuíssem para a recuperação e o desenvolvimento da economia nacional. Como resultado, o preço dos produtos cresce incessantemente, enquanto os capitalistas e especuladores enchem os bolsos com lucros fabulosos.
Longe de terem asseguradas a jornada de 8 horas e o seguro social, os operários da Coreia do Sul são obrigados a trabalhar mais de 10 horas e submetidos a uma cruel exploração em condições de trabalho espantosas, sem qualquer proteção social. Foi-lhes proibida a greve, uma das formas de luta para tornar realidade suas reivindicações.
Sobretudo, os operários sul-coreanos, depois de sua greve geral e da resistência popular do ano passado, encontram-se mergulhados em extrema inquietação e perderam até mesmo os direitos econômicos elementares devido às demissões em massa forçadas, à vigilância de agentes nas fábricas e à violência dos grupos terroristas.
Na Coreia do Sul, as mulheres, em vez de terem direitos iguais aos dos homens, continuam submetidas a uma humilhante discriminação e, além disso, não apenas permanecem inalterados o sistema de poligamia e o de cortesãs, como estes são ainda fomentados pelos reacionários e especuladores. Para enganar o povo, os reacionários concederam a algumas mulheres o “direito de eleger” somente para os órgãos da administração local, que não possuem qualquer autoridade, o que difere essencialmente dos direitos de igualdade total de que desfrutam as norte-coreanas no plano político e econômico.
Na Coreia do Sul, sob o rótulo de “democracia”, as forças armadas reprimem e assassinam, a polícia impõe a entrega forçada de cereais e os reacionários perpetraram todo tipo de destruição.
Os traidores da nação, tendo Ri Sung Man à frente, e seus seguidores esforçaram-se para confundir e dividir as massas populares, promovendo uma chamada “campanha anti-Administração de Tutela”, em oposição à resolução da Conferência de Moscou dos Ministros das Relações Exteriores dos Três Países, e fizeram com que a Comissão Conjunta URSS-EUA interrompesse suas deliberações sem nenhum resultado, embora tivesse funcionado durante 50 dias. Os reacionários da Coreia do Sul valem-se de todos os meios para obstruir a implementação dessa resolução.
São os elementos reacionários antipopulares que querem adiar o trabalho da Comissão Conjunta URSS-EUA. Atraindo para o campo da direita os direitistas e oportunistas dentro do campo da esquerda, enfraquecendo as crescentes forças democráticas e desagregando a Frente Democrática Nacional na Coreia do Sul, trataram de fortalecer o campo direitista reacionário. Assim, tentaram apresentar os reacionários desse campo como “representantes” dos partidos políticos e organizações sociais de caráter democrático para a futura conferência na qual seria discutida a questão referente à constituição de um governo provisório democrático da Coreia. Isso é claramente comprovado pelo fato de que os oportunistas dentro do campo da esquerda “se aliaram” aos direitistas quando foi apresentada a questão da fusão dos três partidos, bem como pelos atos a que recorreram quando foi realizada a manobra da chamada “colaboração entre a esquerda e a direita” e foi fabricada a “assembleia legislativa” na Coreia do Sul.
Nós devemos revelar e rejeitar de maneira categórica as maquinações dos reacionários e dos oportunistas destinadas a frear a construção de um Estado democrático, soberano e independente. Devemos proibir essas camarilhas reacionárias, isto é, qualquer “partido” ou indivíduo que traia o povo e venda os interesses da pátria, de participar da conferência de consulta sobre o estabelecimento de um governo democrático provisório na Coreia, grande obra que decidirá o futuro destino da pátria; assim como devemos elevar a vigilância no plano político e nacional diante das manobras dos reacionários.
Para que o povo da Coreia do Sul saia da crise política e econômica pela qual atravessa hoje, é necessário realizar ali todas as reformas democráticas que foram levadas a cabo na Coreia do Norte. O povo norte-coreano realizou vitoriosamente toda a construção democrática planejada durante o ano e meio posterior à libertação. As reformas democráticas efetuadas na Coreia do Norte constituem precisamente um sólido fundamento para edificar um Estado democrático independente. Para tornar realidade essas reformas democráticas na Coreia do Sul, o poder deve passar definitivamente às mãos do povo e o comitê popular, órgão do poder do povo, deve ser instaurado.
3. Tarefas imediatas da construção democrática na Coreia do Norte
Compatriotas:
O povo da Coreia do Norte está cumprindo hoje uma tarefa muito pesada: lançar as bases para a construção de um Estado democrático, soberano e independente, rico e poderoso. Esse papel de vanguarda do povo norte-coreano exige desenvolver todos os trabalhos em um nível mais elevado e, por isso, devemos fazer esforços imensos para promover nosso trabalho.
Hoje temos diante de nós a importante tarefa de consolidar os êxitos das reformas democráticas e multiplicá-los. Com vistas a cumprir essa tarefa imediata, é indispensável, antes de tudo, concentrar todas as forças no cumprimento do plano da economia nacional para 1947, na recuperação e no desenvolvimento da economia nacional, e executar rigorosamente a política do Estado. Temos de demonstrar o ardente sentimento patriótico de estarmos dispostos a entregar sem hesitação até mesmo a vida em benefício da pátria, revelar uma firme combatividade para vencer a infinidade de obstáculos complexos e difíceis que surgem em nosso caminho e uma elevada capacidade criadora para resolver a escassez de materiais e fazer a tecnologia avançar. A luta pelo cumprimento do plano da economia nacional de 1947 deve ser realizada sobre a firme base da Frente Unida Nacional Democrática. O programa de ação de todos os partidos políticos e organizações sociais integrados na Frente Unida Nacional Democrática da Coreia do Norte deve necessariamente estar subordinado à luta pelo cumprimento do plano da economia nacional.
Somente recuperando e fomentando a economia nacional é possível consolidar e desenvolver todos os êxitos da construção democrática da Coreia do Norte. Mas a recuperação e o desenvolvimento da economia nacional só podem ser alcançados quando operários, camponeses, intelectuais e todos dos setores comercial e industrial se unirem estreitamente e cooperarem amistosamente, quando todo o povo fizer esforços imensos, demonstrando um espírito combativo inabalável. Somente os esforços ativos da totalidade do povo podem constituir uma poderosa força motriz que permita superar com segurança as múltiplas e complexas dificuldades que encontraremos na recuperação e no desenvolvimento da economia nacional e acelerar a construção da base para criar um Estado democrático, soberano e independente, rico e poderoso.
Recuperar e desenvolver a economia nacional e impulsionar a construção democrática na Coreia do Norte é uma tarefa histórica e patriótica inescapável, que compete a todos os partidos políticos e organizações sociais integrados na Frente Unida Nacional Democrática e a todo o povo: operários, camponeses, intelectuais, comerciantes, industriais etc. Concentrando suas forças na reconstrução e no desenvolvimento da economia nacional, todos os partidos políticos e organizações sociais devem prestar, sem cessar, ajuda para levar adiante as tarefas econômicas do Estado, combater com denodo todo tipo de atos antipatrióticos e reacionários tendentes a desorganizar e destruir a economia nacional e contribuir ativamente para o rápido estabelecimento de um sistema de economia nacional.
Os operários e técnicos que trabalham no setor industrial enfrentam pesadas tarefas na recuperação e no desenvolvimento da economia nacional. A mais urgente de todas é aumentar a produção de artigos de primeira necessidade e melhorar sua qualidade, para atender à demanda da população urbana e rural. Para realizá-la, devem organizar seu trabalho de uma nova maneira e elevar incessantemente a produtividade do trabalho em todas as suas empresas.
Não há dúvida de que enfrentamos múltiplas dificuldades. Com seu prolongado domínio colonial, o imperialismo japonês arruinou de maneira espantosa a economia nacional da Coreia e, especialmente nos últimos 10 anos, quando preparava e conduzia uma guerra agressiva, bem como no período anterior e posterior à sua derrota, destruiu-a completamente. Isso constitui para nosso povo um grande obstáculo na recuperação e no desenvolvimento da economia nacional depois da libertação. Dada essa situação, podemos dizer que desenvolver a economia nacional e elevar a produção de artigos de primeira necessidade é hoje um dever de grande importância que cabe a todas as fábricas e empresas e aos operários e técnicos que nelas trabalham. Com vistas a edificar um Estado soberano e independente, rico e poderoso, os operários e técnicos da indústria devem manifestar seu nobre fervor patriótico e suas capacidades criadoras, utilizar de maneira mais racional todos os recursos do país e lutar contra os velhos métodos de produção, antieconômicos e improdutivos. Somente então poderão estabelecer os novos métodos de produção que o Estado exige hoje.
Em todas as fábricas e empresas são necessários um grande número de recursos humanos e alta tecnologia para elevar a produtividade do trabalho e aumentar a produção.
Nossa tarefa é formar em curto prazo e colocar adequadamente nos setores produtivos pessoal qualificado que saiba demonstrar elevada capacidade de trabalho, opor-se categoricamente aos velhos costumes e à estagnação, vencer as dificuldades sem medo, conduzir as massas e dirigir por conta própria e com acerto a economia. Como os quadros resolvem tudo, é preciso assegurar que aqueles que trabalham na produção tenham boa preparação tecnológica.
Hoje, aos camponeses livres, donos da terra, cabe uma tarefa não menos importante que a dos operários industriais. Os camponeses, libertados da relação feudal de propriedade da terra e transformados em seus donos, assumem a séria responsabilidade de produzir uma quantidade maior de alimentos para o país. Esta é uma das importantes tarefas para consolidar e desenvolver os êxitos da construção democrática da Coreia do Norte e edificar uma Coreia democrática, rica e poderosa.
Os camponeses, que viram realizada sua aspiração secular com a reforma agrária, vêm cumprindo fielmente essa tarefa, fazendo demonstrações de patriotismo. Eles elevaram o rendimento das colheitas de cereais, entregaram pontualmente o imposto agrícola em espécie e ampliaram a superfície das terras cultiváveis. Mas somente com isso não é possível resolver completamente o problema de alimentos na Coreia do Norte.
A fim de resolver o problema dos alimentos no país neste ano, os camponeses terão de ampliar ainda mais a superfície cultivável, desbravando novas terras, aumentar consideravelmente o rendimento das colheitas de cereais e desenvolver ainda mais a pecuária.
Para cumprir essa tarefa, é indispensável que os camponeses obtenham quantidade suficiente de sementes, animais reprodutores, implementos, fertilizantes etc., e elaborem um plano agrícola científico e produtivo. Cabe aos órgãos estatais e às empresas de produção fornecer aos camponeses tudo o que for necessário para realizar com êxito os trabalhos agrícolas. Devemos dedicar grandes esforços para melhorar e intensificar o trabalho no campo.
Os comitês populares, em todos os níveis, devem assegurar aos camponeses a liberdade de vender, dentro do território da Coreia do Norte, os cereais e fazer com que eles, utilizando honestamente essa liberdade, vendam cereais a preços adequados aos habitantes urbanos, para que sua vida se estabilize.
Além disso, as cooperativas de consumo devem combater implacavelmente os atos nefastos dos especuladores que provocam o aumento dos preços dos cereais, obstruindo a construção do país, e esforçar-se para estabilizar esses preços.
Melhorar e ativar o intercâmbio de mercadorias entre a cidade e o campo constitui uma grande força motriz para fomentar a economia nacional. Os trabalhadores das cooperativas de consumo, encarregados desse intercâmbio, devem melhorar radicalmente o método de trabalho. Até agora, as cooperativas de consumo desempenharam nas cidades apenas o papel de cooperativas de compra para os habitantes e, no campo, o de coletoras de produtos agrícolas. As cooperativas de consumo não devem limitar seu trabalho a isso; devem atuar como órgãos de intercâmbio de mercadorias entre a cidade e o campo e de fornecimento dos artigos necessários. Ampliando o raio de sua atividade e desenvolvendo ao máximo sua função, devem enviar ao campo artigos de primeira necessidade produzidos nas empresas, a fim de satisfazer as demandas dos camponeses, e enviar produtos agrícolas do campo para a cidade, para atender às necessidades dos habitantes urbanos.
Com vistas a recuperar e desenvolver a economia nacional, o Estado presta especial atenção à empresa privada e assegura seu desenvolvimento. O desenvolvimento da indústria e do comércio privados constitui hoje uma condição importante para melhorar a vida do povo e adquire grande significado para recuperar e fomentar a economia nacional.
Na Coreia do Norte, os bens dos indivíduos são protegidos e a iniciativa criadora dos particulares no comércio e na indústria é garantida pela lei do Estado. Dada a realidade que nosso país vive hoje, é urgente incentivar as atividades e o desenvolvimento das empresas privadas.
Os comerciantes e industriais particulares não devem perseguir, em suas atividades, o objetivo de especular para obter lucro pessoal. Com o nobre espírito patriótico de subordinar o interesse individual ao do Estado, a fim de cumprir a pesada tarefa colocada diante de todo o povo de construir um país democrático, soberano e independente, devem investir ativamente seus recursos em empresas de produção e estabelecimentos comerciais e, dessa maneira, contribuir para o desenvolvimento econômico do país. Isso é o que o país e o povo exigem imperiosamente dos comerciantes e industriais particulares e a importante missão que o Estado lhes confia. Somente respondendo ativamente a essa exigência do Estado poderão contribuir para a prosperidade e o desenvolvimento da pátria.
É preciso acatar rigorosamente a disciplina financeira e lutar sem piedade contra os indivíduos que subtraem e esbanjam os bens do Estado e do povo.
A indisciplina nas operações financeiras é a causa direta da perturbação da gestão planejada das finanças, do desfalque, do desperdício ou do gasto ilegal dos bens do Estado e do povo. Os trabalhadores encarregados das operações financeiras devem respeitar rigorosamente as finanças planejadas, fortalecer ainda mais o sistema de acumulação de recursos financeiros no banco e, adotando uma atitude honesta no trabalho, esforçar-se para manter o equilíbrio entre as receitas e os investimentos.
Os funcionários da economia devem introduzir em todas as esferas um regime rigoroso de economia. Devem determinar o uso racional dos recursos nacionais, pôr fim às perdas e aos gastos antieconômicos e combater o aumento excessivo do número de funcionários dos órgãos, os velhos costumes e a atitude de negligência e irresponsabilidade no trabalho. Devem levar a bom termo o trabalho destinado a reduzir as despesas administrativas e simplificar os aparelhos administrativos dos órgãos estatais, reorganizando-os para torná-los eficientes.
A execução infalível do orçamento estatal e a concentração dos investimentos financeiros para recuperar a indústria, o transporte ferroviário e a cultura e fomentar a economia rural constituem uma questão de suma importância para assegurar que o plano da economia nacional para 1947 seja cumprido com êxito. O orçamento estatal desempenha um papel fundamental no desenvolvimento da economia nacional, razão pela qual deve ser executado pontualmente e de maneira planejada.
Finalmente, é preciso assegurar o êxito das próximas eleições para membros dos comitês populares de cantão e comuna (ou bairro). Realizando essas eleições em estreita relação com a luta pelo cumprimento bem-sucedido do plano da economia nacional de 1947, devemos, com maior energia, promover o entusiasmo político e laboral das massas. As eleições para membros dos comitês populares de cantão e comuna (ou bairro) adquirem grande significado para consolidar e fortalecer por lei os órgãos do Poder popular, elegendo os melhores representantes do povo para seus órgãos inferiores. Por meio das eleições que serão realizadas em breve, devemos fortalecer os órgãos inferiores do poder, que contam com a participação direta do povo, para que este ofereça maior apoio ao comitê popular, que aumenta seu bem-estar e lhe proporciona os benefícios da democracia. Particularmente, é necessário orientar os camponeses a prestar seu apoio ativo ao comitê popular que lhes entregou a terra e os tornou livres, a demonstrar seu patriotismo e consagrar todos os seus esforços para obter maiores rendimentos nas colheitas.
As eleições para membros dos comitês populares das províncias, cidades e condados foram coroadas por um triunfo histórico graças à participação entusiástica do povo, que apoia seu genuíno poder.
Nas próximas eleições também teremos de sair vencedores e disso estamos plenamente seguros.
Consolidando os órgãos inferiores do Poder popular mediante a incorporação neles dos melhores representantes do povo, devemos aumentar nossas forças na luta pela construção de um autêntico e poderoso Estado democrático, soberano e independente.
Enfrentamos múltiplas dificuldades no caminho da edificação da nova Coreia democrática e encontraremos inúmeras delas no futuro. Para superá-las, todo o povo deve unir-se firmemente e elevar incessantemente a vigilância diante de todo tipo de manobras dos reacionários destinadas a destruir nossa construção democrática. Somente assim poderemos recuperar e desenvolver com êxito a economia nacional, melhorar radicalmente a vida de nosso povo e acelerar a edificação de um Estado independente, genuinamente democrático, com nossos próprios esforços.
Viva a nação coreana emancipada!
Viva a unidade e a coesão férreas das forças democráticas de nosso país!
Viva a liberdade e a independência da Coreia democrática!






