sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Conversa do camarada Kim Il Sung com o senhor Hong Myong Hui

6 de maio de 1948

Já faz mais de dez dias que nos vimos pela primeira vez na Conferência Conjunta do Norte e do Sul da Coreia. Eu pretendia visitá-lo há alguns dias, mas estive tão ocupado que só hoje consegui encontrar tempo e tive esta oportunidade.

Apesar da sua idade avançada, o senhor percorreu vários lugares neste período. Diga-me, sentiu algum desconforto? Certamente, deve ter enfrentado algumas dificuldades, apesar de nossos funcionários terem procurado proporcionar-lhe toda a atenção possível. Mas fico muito feliz em saber que o senhor não sofreu nenhum mal-estar nem encontrou qualquer inconveniente ao visitar fábricas, aldeias, estabelecimentos de ensino e centros culturais. No entanto, homens como o senhor, que já chegaram a uma idade avançada, devem cuidar especialmente da saúde e evitar o cansaço excessivo. Ainda há muito trabalho a fazer em benefício da pátria e da nação. É seu dever cuidar de si mesmo para poder trabalhar com maior eficiência daqui em diante.

Sob a dominação despótica do imperialismo japonês, o senhor não se curvou, mas manteve, contra todas as adversidades, sua consciência e integridade nacionais. Desde os tempos em que combatíamos os imperialistas japoneses nas montanhas, nutríamos profundo respeito por homens como o senhor, que lutaram dentro do país sem se ajoelhar diante desses imperialistas, mantendo bem elevadas sua consciência e integridade nacionais. Naquela época, preservar a consciência e a integridade nacionais não era algo fácil, ao alcance de todos. Nós, que combatemos os imperialistas japoneses nas montanhas, sabemos muito bem o alto preço que isso costumava custar. Além disso, após a libertação, o senhor rejeitou os afagos e as artimanhas dos estadunidenses e promoveu atividades patrióticas. Ouvi dizer, por intermédio de um homem, que o senhor, juntamente com o senhor Ho Hon e outras personalidades de diversos círculos, organizou uma comissão preparatória para nos receber e atuou como presidente dessa comissão. Embora isso não tenha produzido resultados devido à situação que se criou no país, seu gesto patriótico nos comoveu e estimulou profundamente.

Qual é a sua impressão sobre o percurso que fez por vários lugares da Coreia do Norte? O senhor disse que sabia que a Coreia do Norte havia prosperado muito, mas não imaginava que tivesse progredido tanto. O mesmo dizem, em uníssono, os demais delegados sul-coreanos que participaram da Conferência Conjunta do Norte e do Sul. Ouvi dizer que um deles, ao ver nossos operários produzindo ferro-gusa na Fundição de Ferro de Hwanghae sem ajuda estrangeira, ficou muito admirado e declarou que algo assim era inimaginável na Coreia do Sul.

A situação da Coreia do Norte, como o senhor pôde constatar com os próprios olhos, não é ruim. Graças às reformas democráticas, foram superadas, em todos os aspectos da vida social, as consequências da nefasta dominação colonial do imperialismo japonês, e foi instaurado um verdadeiro regime democrático. As fábricas e empresas destruídas pelos imperialistas japoneses foram restauradas e ampliadas, e a economia nacional está se desenvolvendo de maneira planejada. A produção agrícola também aumenta a cada ano, e escolas foram criadas e colocadas em funcionamento em todos os lugares. Todo o povo, sobretudo os operários e camponeses, participa livremente das atividades sociais e políticas, trabalha de acordo com suas capacidades e estuda conforme seus próprios interesses. Em poucas palavras, a Coreia do Norte avança vigorosamente pelo caminho da democracia.

O principal fator desse desenvolvimento, no curto período transcorrido desde a libertação, é que nosso povo avançou corajosamente pelo caminho de uma verdadeira democracia, escolhido por ele mesmo. Esse é o caminho que conduz à liberdade e à independência completas, à prosperidade e à felicidade sem limites. Convencida de que a democracia é o caminho que nosso país deve seguir, a população norte-coreana levantou-se como um só para construir uma nova Coreia democrática. Unida estreitamente, impulsionou essa tarefa, contribuindo cada qual com o que podia oferecer: trabalho, conhecimentos ou dinheiro. Isso nos permitiu alcançar grandes êxitos.

Entretanto, por mais importantes que sejam os êxitos alcançados na Coreia do Norte, eles não passam de conquistas elementares quando comparados ao futuro luminoso que aguarda nossa pátria.

Devemos construir, no território dos três mil ri, tão belo que parece bordado em ouro, uma nova sociedade livre da exploração e da opressão, na qual todo o povo desfrute de uma vida próspera e culta. Isso está longe de ser uma utopia, e sua realização tampouco é algo reservado a um futuro distante. Em um futuro próximo, será erguida em nossa pátria uma sociedade na qual todos os compatriotas do Norte e do Sul desfrutarão do bem-estar e dos avanços da civilização.

Atualmente, nosso povo realiza um vigoroso esforço para acelerar a construção de uma nova sociedade. Ninguém poderá detê-lo em seu impetuoso avanço rumo à realização dessa tarefa, pois está profundamente convencido da justeza de sua causa. Não há a menor dúvida de que nosso povo alcançará uma brilhante vitória na luta pela construção de uma nova sociedade.

A situação atual da Coreia do Sul é indescritível, como o senhor deve ter podido ver e constatar pessoalmente. O senhor disse que a Coreia do Norte se parece com uma família próspera, enquanto a Coreia do Sul se assemelha a uma família arruinada. A meu ver, essa é uma comparação muito apropriada para expressar a situação tão diferente do Norte e do Sul da Coreia.

Hoje, na Coreia do Sul, atos de terrorismo e assassinatos são cometidos à luz do dia, enquanto a depravação se alastra impunemente. Privado dos direitos que lhe caberiam como povo de uma nação libertada, o povo sofre com a fome e a miséria. Será que podemos tolerar que nossa nação, que durante trinta e seis anos viveu humilhada sob a opressão japonesa, sofra novas desgraças por culpa dos ianques? É verdadeiramente lamentável. Não consigo dormir ao pensar no destino infeliz da população sul-coreana.

Os imperialistas ianques são astutos. Quando sua política de escravização colonial da Coreia do Sul ficou plenamente evidente, levaram a questão coreana à ONU e, utilizando sua máquina de votação, criaram a "Comissão Provisória da ONU para a Coreia", na ausência de um representante do povo coreano. Isso constitui um insulto e um desprezo à nossa nação.

Como o senhor bem sabe, a "Comissão Provisória da ONU para a Coreia" não passa de uma vistosa fachada destinada a "legitimar" a política agressiva do imperialismo estadunidense na Coreia do Sul. Apesar da vigorosa oposição do povo coreano, os imperialistas ianques empenham-se freneticamente em realizar, a qualquer custo, "eleições separadas" na Coreia do Sul, sob a supervisão da "Comissão Provisória da ONU para a Coreia". Em consequência disso, nossa nação corre o perigo de ser dividida.

De maneira alguma podemos permanecer de braços cruzados diante dessa situação. Somos uma nação homogênea que vive no mesmo território desde a Antiguidade. Como é possível que nossa nação, que preservou durante milênios sua unidade como povo homogêneo, seja dividida agora? Se nos limitarmos a observar esse grave perigo de divisão nacional sem tomar medidas para impedi-lo, cometeremos um crime vergonhoso perante as gerações futuras.

Diante da situação ameaçadora que se criou em nossa pátria, propusemos a realização de uma conferência conjunta de representantes dos partidos políticos e das organizações sociais do Norte e do Sul da Coreia para discutir medidas destinadas a deter e frustrar a manobra de criar um "governo separado por meio de eleições separadas". Essa proposta recebeu caloroso apoio não apenas de personalidades patrióticas e democráticas, mas também de alguns que, até pouco tempo antes, alimentavam ilusões a respeito dos Estados Unidos. O senhor e muitos outros representantes de partidos políticos e organizações sociais da Coreia do Sul acolheram nossa proposta e vieram a Pyongyang, arriscando a própria vida. Assim, realizou-se em Pyongyang a histórica Conferência Conjunta do Norte e do Sul.

Essa foi uma reunião de importância extraordinária na luta de nosso povo pela salvação nacional. Nela, chegamos a um acordo unânime para deter e frustrar as maquinações do imperialismo ianque destinadas a impor um "governo separado por meio de eleições separadas", defender a integridade territorial e alcançar a reunificação nacional. Também adotamos medidas para assegurar a unidade de ação na luta pela salvação nacional. Nunca antes, na história de nossa nação, os representantes de tantos partidos políticos e organizações sociais de diferentes correntes políticas haviam se reunido em um mesmo lugar para deliberar sobre o destino da pátria e da nação e chegado a uma posição unânime. A Conferência Conjunta do Norte e do Sul permanecerá para sempre na história de nossa nação como uma grande reunião que congregou personalidades patrióticas de todas as classes e camadas sociais sob a bandeira da integridade territorial e da reunificação nacional.

A decisão da Conferência Conjunta do Norte e do Sul encontra eco entre todo o povo de ambas as partes da Coreia e o estimula vigorosamente a lutar contra as "eleições e o governo separados". A população norte-coreana realizou numerosos comícios e manifestações em apoio à decisão da Conferência e, ao mesmo tempo, promove incansavelmente o movimento para aumentar a produção, expressando assim sua determinação de se opor à criação de um "governo separado por meio de eleições separadas". A população sul-coreana também trava uma luta grandiosa e heroica contra a criação desse "governo", respondendo ao apelo da Conferência. Isso significa que a decisão da Conferência está plenamente de acordo com os interesses de todo o povo coreano.

Os partidos políticos e as organizações sociais do Norte e do Sul da Coreia devem unir-se ainda mais estreitamente, com base no espírito da Conferência e no ideal da reunificação nacional, deixando de lado as diferenças ideológicas e as divergências de opiniões políticas. Somente a unidade pode conduzir ao ressurgimento nacional. Se os partidos políticos, as organizações sociais de caráter patriótico e todo o povo do Norte e do Sul da Coreia lutarem intimamente unidos, certamente frustrarão as manobras reacionárias do imperialismo ianque para criar um "governo separado por meio de eleições separadas" e instaurarão um governo unificado com base em princípios democráticos.

Nestes dias, regressam os representantes sul-coreanos que participaram da Conferência Conjunta do Norte e do Sul. Sentimos muito ter de nos despedir de pessoas com as quais estivemos reunidos, ainda que por pouco tempo, conversando sobre o destino da pátria e da nação e jurando marchar ombro a ombro na luta. Naturalmente, no caminho da luta pela pátria e pela nação, podemos nos encontrar e depois nos separar, ou vice-versa. Mas meu coração fica pesaroso ao ver os representantes regressarem à Coreia do Sul, onde imperam os imperialistas ianques e os reacionários.

O que o senhor pretende fazer daqui em diante? O senhor diz que deseja permanecer na Coreia do Norte; considero essa uma boa decisão.

Homens como Kim Ku e Kim Kyu Sik, apesar de desejarem permanecer aqui, viram-se obrigados a regressar à Coreia do Sul por receio da demagogia do inimigo, mas seu caso é diferente. Há muito tempo, os imperialistas ianques e seus lacaios o veem com maus olhos e o vigiam. Por isso, se souberem que o senhor esteve aqui, não o deixarão em paz. Assim, se regressar à Coreia do Sul, não apenas não poderá exercer livremente suas atividades políticas, como também sua própria vida estará em perigo.

Este ano, o senhor completa sessenta anos. Já é uma idade avançada, mas aqui também terá muitas coisas a fazer. Trabalhemos juntos aqui.

Para construir uma nova pátria, é necessário desenvolver a cultura nacional e promover o ensino; portanto, há, de fato, muitas coisas a fazer.

Promover a educação das gerações futuras e formar quadros nacionais é uma das tarefas mais importantes da construção de uma nova pátria. Nosso país dispõe de poucos quadros nacionais em consequência da dominação colonial do imperialismo japonês. Essa escassez representa hoje um grande obstáculo.

Para resolver o problema da formação de quadros nacionais, fundamos a Universidade e vários institutos de ensino superior, nos quais estamos formando uma nova geração de intelectuais entre os filhos dos trabalhadores. Em um futuro não muito distante, contaremos com intelectuais formados por nós mesmos. Mas isso não será suficiente para suprir inteiramente a escassez de quadros nacionais. Temos planos de fundar mais instituições de ensino superior no futuro, a fim de formar quadros em grande escala. Além disso, pretendemos implantar o ensino primário obrigatório dentro de alguns anos. Essas são tarefas pelas quais intelectuais como o senhor devem se responsabilizar.

Também devemos promover rapidamente a cultura nacional.

Nossa nação é inteligente, possui uma longa história de cinco mil anos e uma cultura brilhante. Desde tempos remotos, nosso povo vem desenvolvendo uma cultura magnífica, enriquecendo-a com inúmeros bens extraordinários que tornariam o país e a nação famosos em todo o mundo.

Antigamente, os imperialistas japoneses recorreram a toda espécie de manobras para aniquilar a brilhante cultura nacional de nosso povo. Restringiram ao máximo seu desenvolvimento, saquearam muitas riquezas culturais preciosas e tentaram até mesmo suprimir nossa língua e nosso alfabeto. A esplêndida cultura nacional de nosso povo perdeu seu brilho fascinante e foi impiedosamente pisoteada pelos agressores imperialistas japoneses, que aplicaram uma política de supressão cultural.

Restaurar e desenvolver essa cultura nacional, tão profundamente mutilada pelos imperialistas japoneses, tem grande importância para a construção de uma nova Coreia democrática. Somente promovendo a cultura nacional será possível incutir em nosso povo um elevado orgulho e dignidade nacionais e acelerar a construção de uma nova Coreia democrática. Devemos restaurar e desenvolver a cultura nacional, que outrora perdeu seu brilho, para que ela contribua para educar o povo nos nobres ideais patrióticos e para construir um Estado soberano e independente, rico e poderoso. Para restaurar e promover a cultura nacional, é conveniente assimilar corretamente o legado cultural do passado. Não devemos tentar revitalizar a cultura antiga tal como era, nem rejeitá-la indiscriminadamente. Ambas as atitudes obstruem igualmente o desenvolvimento saudável da cultura nacional. O princípio que devemos seguir ao adotar o legado da cultura nacional consiste em descartar o que está ultrapassado e identificar o que há de progressista e popular, promovendo-o de acordo com a realidade atual, em que estamos construindo uma nova Coreia democrática, e em consonância com os sentimentos e as necessidades do povo. Com base nesse princípio, devemos construir uma nova cultura nacional democrática, assimilando e desenvolvendo o patrimônio cultural nacional.

Como o senhor sabe, a língua é um dos valores intrínsecos de uma nação e, ao mesmo tempo, o principal meio que caracteriza a forma nacional de sua cultura. Sem desenvolver a língua coreana, não é possível fortalecer o caráter nacional de nossa cultura. Entretanto, hoje a língua coreana está repleta de numerosos japonesismos e outros estrangeirismos. Se a deixarmos nesse estado, sua pureza poderá desaparecer. Por isso, devemos lutar ativamente pelo desenvolvimento da língua coreana, preservando sua pureza.

É natural que pessoas como o senhor também devam se encarregar do trabalho de estruturar a cultura nacional da nova Coreia.

Creio que o senhor também poderá assumir a tarefa de reunir as forças patrióticas e democráticas da Coreia do Sul e ajudar a despertar sua população. Se o senhor, que viveu na Coreia do Sul, divulgar amplamente entre as personalidades patrióticas e os demais setores da população de lá nossa orientação sobre a reunificação da pátria, bem como a realidade da Coreia do Norte, poderá exercer uma influência poderosa sobre eles.

O senhor manifestou preocupação quanto à possibilidade de realizar um trabalho tão importante e, naturalmente, não se trata de uma tarefa fácil. Mas, com elevado espírito patriótico e firme vontade de luta, poderá realizar qualquer trabalho, por mais difícil que seja. Eu o ajudarei de todas as maneiras para que possa dedicar todas as suas capacidades a essa tarefa. Os intelectuais desempenham um papel importante não apenas na construção de uma nova pátria, mas também na luta revolucionária em geral. Por isso, sempre os valorizamos e lhes dedicamos carinho.

Desde o primeiro dia em que iniciamos a luta revolucionária, opomo-nos a tratar a questão dos intelectuais de nosso país segundo a concepção comum e esquemática que geralmente se tem dessa camada social.

Os intelectuais de nosso país, que sofreram o desprezo e a discriminação nacionais sob a dominação colonial do imperialismo japonês, rejeitam esse imperialismo e amam sua pátria e sua nação. Não há motivo algum para que nós, comunistas que lutamos pela pátria e pela nação, desconfiemos dos intelectuais que odeiam o imperialismo japonês e amam a pátria e a nação. Por isso, antigamente, quando lutávamos nas montanhas, nunca nos conciliamos com aqueles indivíduos de visão estreita que rejeitavam indiscriminadamente os intelectuais, rotulando-os de "elementos instruídos", "produtos de famílias ricas" e coisas semelhantes. Pelo contrário, conduzimos os intelectuais à luta revolucionária, reconhecendo-os, ao lado dos operários e camponeses, como uma força motriz da revolução coreana. Como resultado, numerosos intelectuais participaram da luta armada contra o imperialismo japonês e combateram corajosamente até o fim.

Também após a libertação, atribuímos tarefas importantes aos intelectuais e lhes garantimos condições ideais para que pudessem trabalhar e desenvolver plenamente suas aptidões. Como o senhor deve ter visto ao visitar diversos lugares, os intelectuais ocupam cargos importantes e colocam toda a sua inteligência e talento a serviço da pátria e da nação.

Também a grande maioria dos intelectuais da Coreia do Sul simpatiza com o Norte e nos acompanha. Isso ocorre porque avaliam conscientemente a verdade sobre o que está acontecendo, conhecem a realidade tão diferente do Norte e do Sul e reconhecem que nossa política em relação aos intelectuais é correta. Naturalmente, alguns intelectuais sul-coreanos não confiam em nós e hesitam em consequência da demagogia do imperialismo japonês e da propaganda anticomunista do imperialismo ianque. Pensam, equivocadamente, que nós, comunistas, embora lhes proponhamos lutar juntos agora, acabaremos por abandoná-los. Nós, comunistas, somos os mais fiéis aos nossos compromissos revolucionários. Marcharemos até o fim ao lado daqueles que decidirem definitivamente seguir nosso caminho, ajudando-nos e orientando-nos mutuamente. Embora alguns intelectuais da Coreia do Sul hesitem hoje por não conhecerem bem nossa política em relação aos intelectuais, acabarão refletindo e tomarão o caminho da luta ao nosso lado. Se tiverem o mínimo de amor pela pátria e pela nação, os intelectuais não poderão deixar de nos acompanhar.

Depositamos grandes esperanças no senhor. Não tenho dúvidas de que realizará muitos trabalhos magníficos em benefício de nossa pátria e de nosso povo.

Daqui em diante, cuide especialmente de sua saúde. O senhor poderá enfrentar dificuldades por viver sozinho, temporariamente separado de sua família. Se isso acontecer, peço-lhe que nos avise a tempo, para que possamos resolver os problemas sem demora. Quanto aos seus familiares, que se encontram em Seul, tomarei as medidas necessárias para que venham para junto do senhor em breve.

Conversa do camarada Kim Il Sung com o senhor Kim Ku

3 de maio de 1948

O senhor não teve nenhum incômodo durante sua permanência em Pyongyang? Como está sua saúde nestes dias? Afinal, para poder contribuir para a construção de um Estado unificado, soberano e independente, o mais precioso é que tenha saúde.

Considero a visita do senhor a Pyongyang, realizada através do Paralelo 38, rejeitando todas as intrigas obstrucionistas da administração militar estadunidense e dos reacionários, a fim de examinar conosco as medidas para a salvação nacional, uma grande contribuição histórica à nossa pátria e à nossa nação.

Com a exposição sincera e franca de opiniões positivas sobre as medidas para a salvação nacional, feita pelo senhor na recente Conferência Conjunta do Norte e do Sul, o senhor contribuiu para o bom êxito da Conferência. Expresso-lhe minha mais profunda gratidão pela intensa atividade desenvolvida para assegurar o bom andamento da Conferência Conjunta do Norte e do Sul.

Depois de visitar vários lugares durante sua permanência aqui, o senhor manifestou que ficou profundamente impressionado com a realidade do progresso da Coreia do Norte e avaliou positivamente a política que estamos levando a cabo no Norte. Consideramos isso um grande apoio e estímulo ao nosso trabalho.

Gostaria de conversar um pouco mais com o senhor sobre certas questões antes de seu regresso à Coreia do Sul.

Como o senhor também sabe, hoje nosso país enfrenta o perigo da divisão territorial e da cisão nacional. E tudo isso é culpa da ocupação da Coreia do Sul pelas tropas estadunidenses e de sua política de agressão contra a Coreia.

Os imperialistas ianques são invasores que há muito tempo vêm cometendo atos de agressão contra nosso país. Ajudaram ativamente os imperialistas japoneses em sua agressão à Coreia e também vieram aqui para saquear nossas riquezas econômicas. Entretanto, agindo dessa maneira, ao longo da história, nunca deixaram de se fingir de “simpatizantes” da independência da Coreia.

Aproveitando-se da derrota do imperialismo japonês na Segunda Guerra Mundial, os imperialistas ianques ocuparam o território de nosso país situado ao sul do Paralelo 38. Depois de ocupar o sul da Coreia, boicotaram a execução da resolução da Conferência de Moscou dos Ministros das Relações Exteriores dos Três Países sobre a reconstrução da Coreia como um Estado soberano e independente, com base democrática, e fizeram fracassar intencionalmente o trabalho da Comissão Conjunta URSS-EUA. Em particular, ignorando a vontade unânime e a exigência de nosso povo de que as tropas soviéticas e estadunidenses se retirassem simultaneamente da Coreia e de que a questão coreana fosse confiada aos próprios coreanos, os imperialistas ianques submeteram ilegalmente essa questão à apreciação da ONU. Em seguida, puseram em funcionamento seu mecanismo de votação e criaram a “Comissão Provisória da ONU para a Coreia”, forçando a aprovação da injusta resolução sobre a realização de eleições separadas na Coreia do Sul.

A “Comissão Provisória da ONU para a Coreia”, criada dessa maneira pelo imperialismo ianque, não tem autoridade nem capacidade para resolver a questão coreana. Ela não pode fazer aqui outra coisa senão justificar a política de escravização colonial desse imperialismo na Coreia.

Agora, os imperialistas estadunidenses pretendem realizar eleições separadas sob a supervisão da “Comissão Provisória da ONU para a Coreia” e, se conseguirem pôr em prática essa maquinação, nossa pátria e nossa nação serão divididas para sempre, a Coreia do Sul se tornará uma colônia completa do imperialismo estadunidense e, futuramente, isso poderá provocar uma guerra fratricida.

Como nós, que outrora lutamos com abnegação pela libertação nacional e pela restauração da pátria, poderíamos permitir que o país fosse dividido em duas partes e ficar de braços cruzados, vendo nossa nação voltar a ser escravizada por agressores estrangeiros? Não, de maneira alguma. Nossa nação viveu em harmonia durante o longo período de cinco mil anos, em um território de três mil ris de extensão, belo como um bordado de ouro. Nossa nação não deve, de forma alguma, ser dividida em duas nem voltar a ser escravizada por imperialistas estrangeiros.

Suponho que, no passado, o senhor também tenha experimentado profundamente, na própria pele, as desgraças e a dor de se sentir um escravo privado de pátria. Não foi justamente por essas mesmas razões que o senhor enfrentou tantas dificuldades mesmo em terras estrangeiras, onde montanhas e rios não poderiam despertar em seu coração o mesmo afeto, preservando sua consciência e integridade nacionais?

Hoje, a maior tarefa de nossa nação consiste em empreender uma grande luta para estabelecer um governo unificado segundo os princípios democráticos, depois de deter e frustrar as manobras dos imperialistas ianques e de seus lacaios para criar um governo separado. De acordo com a resolução aprovada por unanimidade na recente Conferência Conjunta de Representantes dos Partidos Políticos e das Organizações Sociais da Coreia do Norte e do Sul, devemos intensificar ainda mais a luta conjunta de toda a nação contra a tentativa dos imperialistas ianques e de seus lacaios de criar um “governo separado por meio de eleições separadas”.

Para frustrar essas intrigas dos imperialistas ianques e formar um governo unificado, o que mais precisamos, antes de tudo, é da estreita união de todas as forças patrióticas e democráticas do Norte e do Sul da Coreia que amam a pátria e a nação.

A união das forças democráticas é a garantia decisiva da vitória na luta pela salvação nacional. Seja qual for a luta, ela só será vitoriosa quando todas as forças que dela participam estiverem unidas. Essa é também uma lição histórica do movimento antijaponês de libertação nacional de nosso país. Como o senhor também sabe, uma das causas do fracasso das diversas formas do movimento antijaponês, como o movimento dos voluntários, o das tropas de independência e outros, que alcançaram tão ampla expansão em nosso país antes e depois da ocupação da Coreia pelo imperialismo japonês, reside precisamente no fato de seus participantes terem lutado dispersos em pequenos grupos.

E, se imediatamente após a libertação não conseguimos aproveitar devidamente a situação favorável na Coreia do Sul, isso também se deveu ao fracasso da unidade das forças democráticas. Reconheçamos que, após a libertação, a situação na Coreia do Sul era favorável à nossa nação. Entre a derrota do imperialismo japonês e o desembarque das tropas estadunidenses na Coreia do Sul transcorreu quase um mês, período em que a situação era favorável e o espírito combativo do povo estava elevado. Entretanto, em vez de desferirem golpes decisivos contra a reação, unindo todas as forças democráticas e aproveitando tão boa oportunidade, houve forças na Coreia do Sul que se envolveram em disputas sectárias para ampliar a influência de seus respectivos grupos e conquistar a hegemonia. Isso deu aos pró-japoneses e traidores da nação tempo suficiente para se recuperarem. Se tivéssemos desferido golpes decisivos contra as forças reacionárias, impedindo seu ressurgimento, organizado e mobilizado devidamente as massas populares na Coreia do Sul e unido estreitamente as forças democráticas, o desembarque das tropas estadunidenses não teria constituído um grande problema, nem teria surgido o perigo de divisão permanente que nossa nação enfrenta hoje.

A realidade atual exige urgentemente que toda a nação se una com mais força do que nunca. Sobretudo nas atuais circunstâncias, em que os imperialistas ianques promovem toda espécie de intrigas para instalar um governo fantoche de vendilhões da pátria por meio de eleições separadas na Coreia do Sul, somente a estreita união de toda a nação poderá desbaratar essas intrigas e afastar o perigo da divisão permanente do país e da nação. Portanto, é importante formarmos uma frente unida de salvação nacional, agrupando solidamente todas as forças patrióticas e democráticas da Coreia do Norte e do Sul que amam a pátria e a nação.

Já dispomos da base para formar essa frente unida de salvação nacional. Hoje, grande parte do povo patriótico, pertencente a todas as classes e camadas sociais, integrou-se à Frente Unida Nacional Democrática. O fato de a recente Conferência Conjunta do Norte e do Sul ter sido realizada com o envio de representantes, de ambas as partes do país, por 56 partidos políticos e organizações sociais com mais de 10 milhões de membros constitui uma prova incontestável de que é possível reunir todas as forças patrióticas e democráticas da Coreia do Norte e do Sul. Em ambas as partes, não apenas os operários e camponeses, mas também todas as demais classes e camadas das massas populares, incluindo até mesmo a burguesia nacional consciente, indignam-se e erguem suas vozes de protesto contra as intrigas dos imperialistas ianques e do grupo de Ri Sung Man para impor um “governo separado por meio de eleições separadas”. Assim, podemos unir estreitamente as amplas forças patrióticas e democráticas na frente unida de salvação nacional.

O objetivo da formação da frente unida de salvação nacional é evitar o perigo da divisão permanente do território e da nação e estabelecer um governo democrático unificado. Portanto, essa frente deve ser, acima de tudo, uma união de autênticas forças patrióticas antiestadunidenses, favoráveis à criação de um governo unificado por meio de suas próprias forças, que se oponham e resistam aos imperialistas estadunidenses e defendam uma política democrática progressista em oposição à dominação terrorista da reação. Deverão integrar-se indissoluvelmente à frente unida de salvação nacional todas as forças patrióticas antiestadunidenses — operários, camponeses, intelectuais, empresários, comerciantes, religiosos, etc. —, sem distinção de filiação partidária, opinião política ou crença religiosa. Mesmo aqueles que cometeram crimes contra a nação no passado, se hoje se arrependerem sinceramente e se dispuserem a lutar contra as intrigas dos imperialistas ianques para impor um “governo separado por meio de eleições separadas”, deverão ter seus antecedentes esquecidos, e devemos estender-lhes a mão para que caminhem conosco.

Para que a formação da frente unida de salvação nacional seja bem-sucedida, é essencial que todos os partidos políticos, as organizações sociais e as personalidades das diversas classes e camadas sociais preocupados com o destino do país e da nação respeitem o princípio de não impor uns aos outros suas ideologias ou doutrinas, de respeitar-se mutuamente, cultivar a confiança recíproca e subordinar tudo aos interesses e à causa comuns da nação. Como o senhor disse, se não há pátria e a nação está arruinada, de nada valem as ideologias e as doutrinas.

Neste momento crítico, em que nuvens negras de divisão permanente da nação pairam sobre o solo pátrio, se os partidos políticos, as organizações sociais e as personalidades de todas as classes e camadas sociais se apegarem obstinadamente às suas ideologias e doutrinas, dominados por preconceitos mesquinhos, isso não só significará o abandono de suas obrigações e de sua consciência nacionais, como também ajudará os inimigos em suas tentativas de impedir a formação da frente unida de salvação nacional e, mais ainda, de dividir eternamente a nação.

Devemos, portanto, trabalhar pela formação da frente unida de salvação nacional, observando o princípio de colocar em primeiro lugar os interesses do país e da nação e subordinar tudo a esses interesses.

Estamos certos de que o senhor, que goza de prestígio entre os habitantes e as personalidades democráticas da Coreia do Sul, desempenhará um papel importante na formação da frente unida de salvação nacional.

Na formação dessa frente contra o imperialismo ianque, é importante que os comunistas e as personalidades democráticas cooperem entre si.

Não há nenhuma razão nem condição que impeça essa colaboração.

O senhor disse que antes considerava os comunistas homens indiferentes à nação, que negavam a pátria e rejeitavam os nacionalistas, mas que, depois de conhecê-los na Coreia do Norte, mudou de opinião. Isso é compreensível para nós. A maioria dos “comunistas” que o senhor conheceu antigamente em Xangai ou Chongqing eram faccionistas ou pseudocomunistas que fizeram naufragar o movimento de libertação nacional ao se envolverem em disputas sectárias, cegos pela ambição de poder e desprezando a pátria e a nação.

Como o senhor disse, os verdadeiros comunistas são autênticos patriotas que professam um amor fervoroso por sua pátria e sua nação. Os verdadeiros comunistas não ambicionam o poder nem disputam cargos. Consideram seu principal dever lutar com abnegação pelo bem da pátria e pela felicidade da nação.

O senhor me disse que será difícil colaborar com os comunistas da Coreia do Sul porque eles têm uma visão estreita e são egoístas, mas está enganado. É claro que, entre os comunistas, não são poucos os que apresentam certos defeitos em seu estilo de trabalho, por ainda não terem sido suficientemente aperfeiçoados. Mas isso é, em todo caso, uma questão restrita ao estilo de trabalho de alguns indivíduos, e de maneira alguma um problema que afete os comunistas em geral. Será que é lógico que o senhor, que luta pela grande causa da salvação nacional, considere impossível colaborar com os comunistas porque alguns deles cometem erros em seu estilo de trabalho? A meu ver, o senhor deveria, com grande elevação de espírito, fazer tudo o que estiver ao seu alcance para conseguir a colaboração com os comunistas da Coreia do Sul, demonstrando compreensão para com eles ou criticando-os, caso alguns apresentem defeitos em seu estilo de trabalho.

A frente unida de salvação nacional deve ser, do princípio ao fim, uma frente de luta destinada a deter e destruir as manobras dos imperialistas ianques e de seus lacaios para criar um “governo separado por meio de eleições separadas”.

Se, depois de formada, não organizar a luta, a frente unida de salvação nacional será uma organização inútil. Portanto, é importante realizar um trabalho organizativo eficaz para que a população patriótica de todos os setores possa participar da luta contra a imposição de um “governo separado por meio de eleições separadas”. Em estreita ligação com os dirigentes dos partidos políticos e das organizações sociais de caráter democrático da Coreia do Sul, o senhor poderia organizar amplamente uma espécie de comitê de luta contra a criação do “governo separado por meio de eleições separadas”, uma manobra reacionária dos imperialistas ianques. Somente com um comitê assim será possível organizar e dirigir de maneira unificada e eficaz a luta do povo para desbaratar essa manobra.

Seria conveniente que esse comitê fosse constituído como uma coalizão de todos os partidos políticos e organizações sociais e se estendesse a todas as localidades e áreas: províncias, cidades, condados, cantões, fábricas, oficinas, aldeias, estabelecimentos comerciais, repartições públicas, etc., ou seja, a todos os lugares onde haja nossos compatriotas.

Por meio desse comitê e do fortalecimento de seu papel, deve-se organizar e dirigir corretamente, entre as massas populares, diversas formas de luta contra as maquinações dos imperialistas estadunidenses e de seus lacaios. Nas fábricas, oficinas, minas, cidades, aldeias, povoados pesqueiros, escolas e, enfim, em todos os setores e unidades, é preciso desenvolver ativamente diversas formas de luta, como sabotagens, greves de operários e estudantes, comícios, manifestações, etc., contra os planos dos imperialistas ianques de instalar um “governo separado por meio de eleições separadas”.

Unida dessa maneira e estreitamente sob a bandeira da luta antiestadunidense pela salvação nacional, toda a população da Coreia do Norte e do Sul deterá e frustrará esses propósitos do imperialismo ianque.

Tão importante quanto a unidade na luta para desbaratar as manobras dos imperialistas ianques destinadas à criação de um “governo separado por meio de eleições separadas” e para estabelecer um governo democrático unificado é não depender de forças estrangeiras.

A questão de nossa nação deve ser resolvida exclusivamente por nossa própria nação, por meio de discussões, e jamais por potências estrangeiras. Seria uma desonra para a nação coreana não conseguir resolver seus próprios problemas.

Tentar resolver os problemas de nossa nação com o apoio de forças estrangeiras significa subserviência às grandes potências, e dessa maneira nunca se conseguirá a reunificação do país.

As potências imperialistas não desejam a reunificação de nosso país nem a prosperidade de nossa nação. Historicamente, dividiram outras nações para dominá-las. Apoiar-se em forças estrangeiras significa caminhar para a escravidão e conduzir o país à ruína.

Por estar situada entre grandes países, nossa Coreia sofreu muito, historicamente, com a subserviência às grandes potências. Essa subserviência levou outrora o país à ruína e impediu nossa nação de lutar unida contra os invasores estrangeiros. Não cometamos novamente esse erro. Por que devemos esperar a ajuda das grandes potências quando nossa nação, se estiver unida, poderá resolver seus problemas por conta própria? Não permitamos, de maneira alguma, que as potências estrangeiras intervenham nos assuntos internos de nosso país.

Quanto às tropas soviéticas que se encontram na Coreia do Norte, elas diferem radicalmente das tropas dos Estados Unidos, país imperialista que ocupa a Coreia do Sul e pratica uma política de escravização colonial. Entretanto, também pedimos às tropas soviéticas, por serem um exército estrangeiro, que se retirem. O Exército Soviético prometeu retirar-se de nosso país e cumprirá essa promessa em um futuro não muito distante.

Nossa nação coreana tem força suficiente para alcançar, por si só, a reunificação e a independência do país, eliminando o perigo de sua divisão permanente.

Nossa nação é inteligente e criou uma cultura brilhante ao longo de sua história de cinco milênios. É também uma nação corajosa, que combateu os invasores estrangeiros até alcançar a vitória pela independência do país.

Hoje, nossa nação dispõe de uma sólida base democrática na Coreia do Norte. Aqui, os partidos políticos, as organizações sociais e toda a população estão unidos, e a economia está sendo restaurada e desenvolvida como uma poderosa economia nacional independente. Além disso, existe um poderoso exército nacional capaz de defender a pátria e a nação dos ataques dos agressores estrangeiros. A sólida base democrática estabelecida nos âmbitos político, econômico e militar na Coreia do Norte constitui uma garantia segura para alcançar a reunificação e a independência do país, eliminando o perigo da divisão permanente da nação.

É nosso dever reunificar a pátria com nossos próprios meios e instituir um governo democrático unificado, evitando a divisão da nação e sem jamais nos apoiarmos em forças estrangeiras.

Para concluir, gostaria de me referir a algumas questões que o senhor levantou.

O senhor pediu que retomássemos o fornecimento de água dos reservatórios de Kuam e Riey aos camponeses da planície de Yombek, na Coreia do Sul, para fins de irrigação. Se os camponeses sul-coreanos desejarem isso sinceramente, assim faremos.

A Coreia do Norte interrompeu o fornecimento de água para irrigação à região de Yombek, no Sul, porque o exército ianque não cumpriu a promessa que havia feito. Ordenarei a retomada do fornecimento de água para irrigação à região de Yombek, mas deverá ser proibido ao exército estadunidense cobrar dos camponeses qualquer imposto pelo seu uso.

O senhor me disse que, embora desejasse permanecer na Coreia do Norte, precisava voltar ao Sul para evitar que os inimigos espalhassem rumores de que havia sido detido no Norte. A meu ver, tomou a decisão correta.

O senhor também disse que, se enfrentasse sérias dificuldades em suas atividades na Coreia do Sul, voltaria novamente ao Norte, e concordo com isso. Receberemos cordialmente o senhor na Coreia do Norte quando quiser vir para cá. Se vier, daremos ao senhor a possibilidade de viver tranquilamente o resto de sua vida, cuidando de um pomar, como é seu desejo. Não serei eu quem lhe dará o pomar, mas sim o órgão de nosso Poder Popular. A lei do Poder Popular estabelece que se deve conceder tratamento privilegiado àqueles que tenham méritos na luta pela pátria e pelo povo.

Também lhe forneceremos os pincéis e o papel que o senhor pediu como presente. Como poderíamos deixar de lhe dar coisas de que necessita para preparar os escritos que convocarão o povo à luta contra os planos do imperialismo ianque de implantar um “governo separado por meio de eleições separadas”?

Quanto ao selo do “Governo Provisório de Xangai” que o senhor me entregou, leve-o consigo. Para que eu precisaria dele? Basta-nos contar com a profunda confiança das massas populares.

No futuro, a luta poderá tornar-se mais árdua. O senhor enfrentou muitas dificuldades em seu caminho para a Coreia do Norte, mas, ao regressar à Coreia do Sul, os imperialistas ianques e seus lacaios recorrerão a toda espécie de calúnias e difamações contra o senhor, chegando até mesmo a ameaçá-lo e chantageá-lo. Mantenha-se sempre bem vigilante.

Nós, compatriotas da Coreia do Norte, apoiaremos e ajudaremos sempre, com vigor, material e moralmente, nossos compatriotas do Sul em sua luta anti-EUA pela salvação nacional. Nossa luta triunfará, sem falta, porque é justa. Estou certo de que o senhor combaterá na vanguarda das massas populares do Sul pela reunificação e pela independência da pátria. Desejo-lhe, de todo o coração, boa saúde para que possa celebrar o dia da reunificação da pátria.

Conversa do camarada Kim Il Sung com um grupo de jornalistas da Coreia do Sul

29 de abril de 1948

Pergunta: A Conferência Conjunta do Norte e do Sul terminou com sucesso. Poderia o estimado General dizer-nos sua opinião sobre a reunificação do Norte e do Sul?

Resposta: O fato de a Conferência Conjunta do Norte e do Sul ter terminado com sucesso significa que a unidade de todas as forças progressistas de nossa pátria se consolidou ainda mais. Isso, naturalmente, não é por acaso.

Diante do perigo de divisão da pátria por parte dos imperialistas ianques, todas as personalidades patrióticas de nosso país viram a necessidade vital de unir seus esforços. As forças patrióticas de nossa nação crescem dia após dia e lutam para construir, o mais rápido possível, um Estado unificado, democrático e independente na pátria.

Como todos vocês sabem, as amplas massas populares do Norte e do Sul da Coreia apoiam e aprovam fervorosamente as decisões da Conferência Conjunta do Norte e do Sul. Isso constitui uma prova clara de que essas decisões expressaram com exatidão a vontade e o anseio de nossa nação e, consequentemente, contribuíram enormemente para acelerar a unidade nacional. Essa unidade de vontade e de ação constitui a garantia mais importante de nossa vitória. Por isso, considero que a vitória de nossa causa depende de conseguirmos ou não mobilizar a força de toda a nação na luta pela reunificação do país.

Pergunta: No que diz respeito à fundação do Exército Popular, alguns indivíduos da Coreia do Sul afirmam que a Coreia do Norte pretende realizar uma “expedição ao Sul”. Poderia dizer-nos sua opinião a esse respeito?

Resposta: Os reacionários sul-coreanos, instigados por seus senhores estrangeiros, alardeiam que o Exército Popular foi formado para realizar uma “expedição ao Sul”. Mas esse boato não passa de um rumor extremamente vil. O objetivo de divulgar semelhantes rumores reacionários é evidente. Trata-se de semear a discórdia entre os compatriotas e, assim, destruir a unidade da nação.

É desnecessário dizer que o Exército Popular foi formado com o sagrado objetivo de salvaguardar a independência e a liberdade do país contra a agressão do imperialismo estrangeiro.

Pergunta: Alguns sul-coreanos chamam de comunista o Poder Democrático Popular estabelecido na Coreia do Norte. O que pensa a esse respeito?

Resposta: Aqueles que chamam nosso Poder Popular de comunista revelam, por si mesmos, ser totalmente ignorantes das questões sociais ou demagogos mal-intencionados que abrigam desígnios sinistros. Hoje, é prática habitual dos imperialistas e reacionários tachar de “comunista” tudo aquilo de que não gostam.

A população da Coreia do Norte, que desfruta da liberdade e do direito de construir sua vida de acordo com sua própria vontade e conveniência, ingressou firmemente no caminho do desenvolvimento democrático. O êxito mais importante alcançado pela população norte-coreana nesse caminho foi o estabelecimento de um Poder Democrático Popular. O autêntico Poder Popular estabelecido na Coreia do Norte goza de elevado prestígio e criou raízes profundas entre as amplas massas populares. A forma desse Poder, o comitê popular, é o órgão representativo do povo, eleito com base no princípio do sufrágio universal, igualitário e direto, por meio de votação secreta. O comitê popular é composto por representantes de todas as classes e camadas do povo: operários, camponeses, funcionários, intelectuais, comerciantes, empresários, religiosos, etc. Por exemplo, na Assembleia Popular da Coreia do Norte, órgão legislativo supremo, há 52 operários, 62 camponeses, 56 funcionários, 36 intelectuais, 10 comerciantes, 4 artesãos, 7 empresários e 10 religiosos. Além disso, foram eleitos para os comitês populares representantes de diversos partidos políticos e organizações sociais.

Acaso um poder dessa natureza é comunista?

Pergunta: Quais são as dificuldades enfrentadas pela construção democrática na Coreia do Norte?

Resposta: A maior dificuldade na construção democrática da Coreia do Norte é a questão dos quadros.

Como todos vocês sabem, durante o período de dominação de nosso país, os imperialistas japoneses impediram por todos os meios a formação de quadros nacionais coreanos. Na realidade, nossa nação foi privada até mesmo do direito de estudar.

Os coreanos não tinham permissão para ocupar qualquer cargo de direção nos órgãos administrativos, econômicos e culturais. Particularmente na indústria, os japoneses não confiavam aos coreanos sequer um cargo de responsabilidade no nível técnico intermediário. Em consequência de tudo isso, dispúnhamos de um número extremamente reduzido de quadros nacionais. Por isso, após a libertação, a questão dos quadros tornou-se o problema mais difícil e importante para o Poder Popular. Podemos dizer que hoje estamos obtendo muitos êxitos na solução dessa questão.

Desde o primeiro dia da libertação, temos dedicado grande atenção à formação dos quadros necessários em todos os campos: político, econômico e cultural.

Creio que vocês conhecem bem, por meio de nossas publicações, os números relativos ao aumento das escolas de todos os tipos; por essa razão, não me deterei nesse assunto.

Recentemente, no Centro de Cursos de Formação para Administradores, preparamos cerca de 300 quadros capazes de trabalhar com excelência em diversos setores industriais. Somente durante o ano de 1947, capacitamos um grande número de jovens técnicos, homens e mulheres, em 44 escolas técnicas especializadas e escolas técnicas industriais. Durante o último ano letivo, formamos mais de 5 mil professores e, em dois anos, aproximadamente 1.500 trabalhadores da saúde pública: médicos, enfermeiros, etc.

Graças às medidas corretas adotadas para a formação de quadros, em um futuro não muito distante poderemos contar com milhares e dezenas de milhares de especialistas em diversas áreas técnicas e, desse modo, atender plenamente à necessidade de quadros, que aumenta em paralelo com o rápido desenvolvimento da economia nacional.

Pergunta: Qual é o significado das reformas realizadas na Coreia do Norte nos últimos dois anos?

Resposta: As reformas democráticas que realizamos nos dois últimos anos têm enorme significado histórico. Seu objetivo foi eliminar as consequências nocivas da longa dominação do imperialismo japonês em nosso país e melhorar rapidamente as condições materiais e culturais de vida das amplas massas populares. Por isso, a população norte-coreana, que sabe por experiência própria que somente o desenvolvimento democrático do país constitui o caminho correto para alcançar a liberdade e a felicidade, avança corajosamente por esse caminho.

Pergunta: No que diz respeito ao aviso do Comitê Popular da Coreia do Norte de que interromperia o fornecimento de eletricidade caso as autoridades sul-coreanas não efetuassem o pagamento, a administração militar estadunidense declarou que não negociaria com o Comitê Popular, mas apenas com as autoridades do Exército Soviético. Gostaria que nos falasse sobre os resultados das negociações posteriores e os limites da competência do Comitê Popular nessa questão.

Resposta: Como todos vocês sabem, em 1946, o Exército Soviético entregou ao povo coreano as centrais elétricas, juntamente com todas as demais empresas industriais que anteriormente pertenciam aos japoneses e aos traidores da nação. Como resultado, as centrais elétricas também passaram a constituir patrimônio de nosso povo.

Até 1º de abril de 1948, a administração militar estadunidense na Coreia do Sul havia nos pago apenas 15,6% do valor que deveria ter sido quitado em mercadorias pela eletricidade, segundo as condições estipuladas no contrato referente ao período de 15 de agosto de 1945 a 31 de maio de 1947. Mesmo somando o valor das mercadorias pagas posteriormente, em abril, o total não chega sequer a 20%. Desde junho de 1947 até o presente, ela sequer firmou um contrato para o fornecimento de eletricidade à zona ao sul do paralelo 38. Não podemos mais ignorar o fato de que a administração militar estadunidense não dá resposta alguma à proposta do Comitê Popular da Coreia do Norte para coordenar essa questão.

Caso a administração militar estadunidense não quite o mais rapidamente possível a dívida contraída pelo fornecimento de eletricidade e tente evitar a resolução dessa questão, não teremos outra alternativa senão interromper o fornecimento de eletricidade à zona situada ao sul do paralelo 38.

Pergunta: Poderia dizer-nos mais alguma coisa?

Resposta: Antes de tudo, gostaria que transmitissem uma calorosa saudação fraternal aos compatriotas que vivem na região sul de nossa pátria.

Além disso, como vocês são representantes da imprensa, peço-lhes que transmitam aos compatriotas sul-coreanos, de maneira fiel e com objetividade, a realidade da Coreia do Norte, que, senhora de seu próprio destino, avança firmemente pelo caminho do renascimento nacional.

Declaração de Kim Jong Sik, primeiro vice-diretor do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia

Kim Jong Sik, primeiro vice-diretor do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia, publicou no dia 16 a seguinte declaração:

O nosso grupo de cientistas e técnicos da defesa nacional não consegue esconder o seu espanto perante a notícia de mais uma apresentação de "alta tecnologia" da República da Coreia.

A parte que o Ministério da Defesa Nacional da República da Coreia contestou, dizendo "isso é tecnologia", é uma afirmação forçada, tão embaraçosa que nenhum grupo técnico de qualquer país poderia aceitar.

Acabará por prevalecer a percepção de que se trata apenas de uma desculpa desprovida de explicações científicas suficientes.

A questão da fuligem na superfície do veículo planador hipersónico, mencionada anteriormente, no dia 14, pelo general do Exército Jang Chang Ha, diretor-geral da Administração de Mísseis, não diz respeito aos materiais resistentes ao calor nem ao desempenho da proteção térmica.

Embora tenham apresentado a alegação forçada de que isso se deve ao "excelente desempenho dos materiais resistentes ao calor de produção nacional", nenhuma tecnologia de qualquer país consegue impedir que a pintura se queime devido ao aumento da temperatura da superfície provocado pelo aquecimento aerodinâmico.

Esta questão não tem relação com os materiais resistentes ao calor, a erosão ou o funcionamento normal durante o voo.

Se se tratasse de um avião supersônico, talvez fosse compreensível, mas o que significaria que a camada de pintura de um míssil hipersônico permanecesse intacta imediatamente antes do impacto?

A própria tentativa de apresentar até mesmo fenômenos físicos inevitáveis como uma "tecnologia especial" exclusiva deles parece verdadeiramente ridícula.

Não pretendemos discutir tecnicamente com os indivíduos sul-coreanos por causa de uma fotografia dessas.

Nesta ocasião, ouvimos tudo o que queríamos ouvir.

"Daqui em diante, as nossas forças armadas planejam continuar aperfeiçoando o sistema de armas HGV, um ativo estratégico fundamental para a segurança futura, e as tecnologias relacionadas"...

Esta é uma declaração espontânea, sem qualquer filtro, dos indivíduos da cúpula militar sul-coreana, que surgiu inesperadamente enquanto tentavam justificar as suas vulnerabilidades expostas.

As ambições de confronto destes inimigos pérfidos proporcionaram-nos um pretexto excecionalmente favorável para reforçar a nossa capacidade de defesa nacional.

Isto constitui uma explicação clara de por que razão continuamos seguindo, sem vacilar, a linha de garantir uma esmagadora superioridade de poder.

Agência Central de Notícias da Coreia

Situação política da Coreia do Norte

Relatório do camarada Kim Il Sung na Conferência Conjunta dos Representantes dos Partidos Políticos e das Organizações Sociais da Coreia do Norte e do Sul

21 de abril de 1948

Honrados representantes:

Antes de apresentar o relatório sobre a situação da Coreia do Norte, direi algumas palavras acerca do significado político da Conferência que estamos realizando.

Este evento tem grande importância, tanto nacional quanto internacional. Seu significado consiste, antes de tudo, no fato de que, pela primeira vez após a libertação de nossa pátria do domínio colonial do imperialismo japonês, os representantes dos partidos políticos e das organizações sociais da Coreia do Norte e do Sul se reúnem em um mesmo lugar. Por outro lado, sua importância reside no fato de que esta Conferência Conjunta do Norte e do Sul se realiza em circunstâncias nas quais o imperialismo ianque ocupou a metade sul da pátria e manobra abertamente para transformá-la em sua colônia. Em outras palavras, foi convocada em um momento crítico, quando se aproxima o perigo da divisão de nossa pátria.

Nesta histórica Conferência, devemos examinar profundamente a situação política vigente na Coreia do Norte e do Sul e tomar as medidas fundamentais para prevenir a crise da divisão nacional.

Senhores representantes:

A situação política atual em nossa pátria é muito complexa e aguda. Os imperialistas ianques manobram para dividir nossa nação e transformar nosso país em sua colônia, com o apoio dos pró-japoneses e dos traidores da nação. Para concretizar essa perversa ambição, procuram realizar na Coreia do Sul, sob a supervisão da "Comissão Provisória da ONU para a Coreia", eleições separadas destinadas a estabelecer um chamado "governo de toda a nação". A nação coreana, com seus 30 milhões de habitantes, corre o perigo de ser novamente escravizada. Diante dessa situação, o povo coreano intensifica como nunca a luta contra a política colonialista dos imperialistas estadunidenses. Essa luta, iniciada contra a política de escravização colonial dos imperialistas ianques sob o lema de se opor à farsa "eleitoral" na Coreia do Sul e construir uma Coreia democrática, reunificada e independente, está produzindo grandes resultados.

O que caracteriza a atual situação política de nossa pátria é que a nação coreana, com seus 30 milhões de habitantes e sua longa história de cinco milênios, foi artificialmente dividida pelo Paralelo 38. Assim dividido entre Norte e Sul, o povo coreano trava uma luta pelo orgulho, pela liberdade e pela independência de sua pátria.

O povo norte-coreano já alcançou êxitos notáveis na histórica causa da reconstrução democrática do país.

Entretanto, o povo sul-coreano, sob a cruel dominação dos elementos reacionários manipulados pelas tropas ianques, continua na mesma situação miserável que sofreu durante o período do imperialismo japonês.

Durante 36 anos, fomos vítimas da dominação colonial do imperialismo japonês. Esses 36 anos constituíram uma época sombria de escravidão para nossa nação. Embora o imperialismo japonês tenha construído algumas indústrias em nosso país, seu objetivo não era beneficiar a nação coreana, mas despojá-la de seus recursos, explorar nosso povo e preparar uma guerra de agressão contra a Ásia.

Naquela época, os saqueadores imperialistas japoneses submeteram o povo coreano a uma cruel exploração e opressão.

Considerando os coreanos uma "nação inferior", não lhes permitiam participar da administração das fábricas, empresas e instituições estatais.

Sob a proteção dos imperialistas japoneses encontrava-se apenas um punhado de pró-japoneses e traidores da nação que, afastados do povo, haviam se tornado confidentes e lacaios daqueles.

Com o objetivo de paralisar a consciência nacional do povo coreano, os imperialistas japoneses procuraram suprimir nossa cultura nacional, com sua longa história de cinco milênios, e impuseram à nossa nação sua língua, seus costumes, sua cultura e o chamado "xintoísmo".

Com a libertação de nossa pátria do jugo imperialista japonês, em agosto de 1945, chegou ao fim, para nossa nação, a época de desprezo e servidão que o povo sofrera nas profundezas de sua existência. Abriu-se diante do povo coreano um amplo caminho para uma nova vida.

As tropas agressoras dos imperialistas ianques entraram na Coreia do Sul assim que a guerra terminou, sem terem disparado um único tiro. Em um acordo firmado durante a guerra, os governos dos Estados Unidos e da União Soviética concordaram com a divisão temporária de nosso território ao longo do Paralelo 38 de latitude norte, ficando o exército soviético encarregado da zona ao norte do Paralelo e o exército ianque, da zona ao sul.

Assim, o Paralelo 38 era uma linha provisória estabelecida de acordo com o pacto concluído entre os dois países, a União Soviética e os Estados Unidos, durante a guerra. Entretanto, agora parece mais uma fronteira que divide nosso país em Norte e Sul. O fato de o exército soviético ter entrado na zona ao norte do Paralelo 38, enquanto as tropas ianques ocupavam a zona sul, fez com que o Norte e o Sul da Coreia seguissem caminhos opostos.

Como todos sabem, no final de 1945, a Conferência de Moscou dos Ministros das Relações Exteriores dos Três Países adotou uma resolução sobre a Coreia, assinada tanto pela União Soviética quanto pelos Estados Unidos.

Não me deterei neste problema. Mas o que necessariamente deve ser ressaltado aqui é que o exército soviético, estacionado na Coreia do Norte, tem seguido invariavelmente o caminho da implementação da referida resolução; em contrapartida, as tropas agressoras do imperialismo ianque, ocupantes da Coreia do Sul, têm seguido o caminho da sabotagem dessa resolução.

Quanto à situação vigente na Coreia do Sul, me limitarei a falar de apenas um assunto, certo de que os representantes vindos daquela região se referirão a ela detalhadamente, com base nos inúmeros fatos que terão presenciado.

Após a libertação de nosso país do domínio colonial do imperialismo japonês, começaram imediatamente a ser criados comitês populares em todas as partes da Coreia do Norte e do Sul. Eles foram fundados pela vontade do povo e pelas próprias mãos deste. Isso expressava a legítima exigência popular de organizar, por si mesmo, os órgãos de poder na pátria libertada e estabelecer o mais rapidamente possível a ordem e a estabilidade da vida. Também é um fato universalmente conhecido que se tentou convocar em Seul um congresso dos comitês populares de toda a Coreia, com a participação dos representantes dos comitês populares assim organizados.

Mas essa tendência não agradava aos imperialistas ianques. Para estes, empenhados no sinistro plano de transformar nosso país em sua colônia, era mais conveniente transferir o poder para as mãos dos traidores da nação e de outros reacionários que lhes prestavam fiel serviço, renegando a pátria e o povo, do que entregá-lo ao povo. Foi assim que optaram por dissolver os comitês populares na Coreia do Sul por meio de métodos brutais sem precedentes.

Dessa maneira, a administração militar estadunidense privou completamente o povo sul-coreano do poder e, longe de executar a resolução da Conferência de Moscou, manobrou por todos os meios para sabotá-la.

Assim, tornou-se impossível na Coreia do Sul estabelecer o Poder popular por meio do movimento criador do povo e reconstruir a pátria pela via democrática. A Coreia do Sul transformou-se em um Estado policial submetido aos imperialistas ianques, como até mesmo um representante da "Comissão Provisória da ONU para a Coreia" teve de reconhecer.

1. Situação da Coreia do Norte

A situação da Coreia do Norte é diametralmente oposta à da Coreia do Sul. O exército soviético, aquartelado aqui, garantiu ampla liberdade ao povo norte-coreano, executando fielmente a resolução da Conferência de Moscou sobre a Coreia. Graças a isso, o povo pôde organizar os órgãos de poder com as próprias mãos.

Na Coreia do Norte, os comitês populares, longe de serem dissolvidos como na Coreia do Sul, passaram a desenvolver uma ampla gama de atividades livres, encarregando-se de estabelecer a ordem no país e estabilizar a vida do povo. Sob a direção dos comitês populares, realizou-se um grandioso trabalho de construção estatal destinado a restaurar a indústria, os transportes, as comunicações e o comércio.

Já em 1945 e 1946, os comitês populares alcançaram êxitos notáveis no trabalho de construção estatal e gozavam de grande prestígio entre amplas massas.

Os novos quadros dirigentes, oriundos do povo, foram formados e aperfeiçoados no decorrer de sua atividade prática nos órgãos do Poder popular, nos partidos políticos e nas organizações sociais da Coreia do Norte. Muitos trabalhadores que dedicaram seus esforços à criação dos comitês populares tornaram-se hoje dirigentes competentes dos órgãos do Poder popular.

Essa forma de Poder popular, comprovada na prática pela tarefa de destruir os aparelhos de dominação do imperialismo japonês e estabelecer novos órgãos de poder, é a forma de poder mais adequada às condições de nosso país. Isso se comprova claramente pelo fato de que o prestígio dos comitês populares cresce a cada dia.

Enquanto a Coreia do Norte experimentava um desenvolvimento crescente nos campos político, econômico e cultural, seu povo, com o objetivo de consolidar juridicamente essa forma de poder, realizou, no final de 1946, eleições para os comitês populares das províncias, cidades e condados, e, no início de 1947, eleições para os comitês populares de cantão e comuna.

As eleições para os comitês populares de todos os níveis foram realizadas de maneira consequentemente democrática, com base no princípio do sufrágio universal, igualitário e direto, por meio de votação secreta. Foram as primeiras eleições democráticas da história da Coreia realizadas mediante a expressão mais ampla e genuinamente livre da vontade popular. Representantes de todas as classes e camadas do povo, dos partidos políticos e das organizações sociais da Coreia do Norte participaram ativamente de sua preparação e realização. Nas comissões eleitorais das eleições para os comitês populares das províncias, cidades e condados trabalharam 80.470 pessoas. Destas, as mulheres representavam 9%. O número de pessoas excluídas das primeiras eleições, de acordo com o regulamento eleitoral, foi de apenas 4.387. Entre elas estavam pró-japoneses, pessoas com transtornos mentais e aquelas que haviam sido privadas do direito de voto por sentença judicial. Elas não chegavam a representar um milésimo do total de eleitores.

As eleições foram realizadas em uma atmosfera de intenso entusiasmo político geral. Nas primeiras eleições para os comitês populares de todos os níveis, participou 99,6% do total de eleitores. Isso demonstra que os comitês populares gozam de grande prestígio entre as massas.

Nas eleições para os comitês populares das províncias, cidades e condados e nas de cantão e de comuna, foram eleitas 70.217 pessoas. Esse número demonstra eloquentemente a ampla participação das massas populares nos órgãos de poder da Coreia do Norte.

Os comitês populares são compostos por representantes de todas as classes e camadas do povo: operários, camponeses, funcionários, intelectuais, comerciantes, empresários e religiosos. Também fazem parte deles representantes dos partidos políticos e das organizações sociais democráticas da Coreia do Norte. Entre os membros eleitos, as mulheres representam 13,5%.

Em fevereiro de 1947, realizou-se o congresso dos comitês populares, no qual foi constituída, por votação secreta, a Assembleia Popular da Coreia do Norte, órgão supremo do Poder popular. A Assembleia Popular, assim como os comitês populares, é composta por representantes de todas as classes e camadas do povo e dos diversos partidos políticos e organizações sociais da Coreia do Norte. Dessa maneira, as eleições para os comitês populares em todos os níveis da Coreia do Norte foram realizadas de forma consequentemente democrática. Essas eleições consolidaram legalmente os órgãos do Poder popular.

Já se passou um ano desde as eleições para os órgãos de poder de todos os níveis. Durante esse período, os comitês populares tornaram-se organismos mais sólidos. No decorrer da construção democrática, os quadros dirigentes do Poder popular acumularam muita experiência e adquiriram excelentes capacidades para resolver corretamente os complexos problemas que surgem na vida política, econômica e cultural do país. Essa realidade irrefutável reduz a nada a maligna propaganda dos imperialistas estadunidenses, que alardeiam falsamente que nossa nação ainda não está capacitada para administrar o Estado por conta própria.

Os comitês populares colheram abundantes frutos em todos os campos, entre os quais o mais importante foi a realização das reformas democráticas na Coreia do Norte. Essas reformas foram executadas pelo Poder popular com o apoio ativo e amplo das massas.

A implementação dessas reformas elevou enormemente o entusiasmo patriótico das massas populares na Coreia do Norte. O povo compreendeu, por meio da experiência prática, que os comitês populares por ele organizados concretizam da maneira mais fiel suas aspirações.

O prolongado domínio colonial do imperialismo japonês deixou consequências nefastas em nossa economia e cultura nacionais.

Os imperialistas japoneses conservaram as relações feudais no campo coreano, freando o desenvolvimento da economia rural. Os camponeses coreanos foram submetidos a uma dupla opressão e exploração por parte dos imperialistas japoneses e dos latifundiários nativos. Sofriam sob o peso de diversos impostos e de um sistema espoliador de contribuições, enquanto empobreciam cada vez mais devido às cruéis taxas de arrendamento. A renda da terra chegava, em média, a 50% da colheita, podendo alcançar até 90%. Segundo dados publicados pelos próprios imperialistas japoneses, em 1944 eles tomaram dos camponeses norte-coreanos 1.300.298 toneladas de cereais, de uma produção total de 2.167.163 toneladas.

Na Coreia do Norte, havia ao todo 1.004.600 famílias camponesas, das quais os latifundiários representavam apenas 4%. Apesar de serem tão poucos, eles arrendavam aos camponeses 1.144.900 hectares de terra, ou seja, 58,2% de toda a superfície cultivada da Coreia do Norte. Quase 80% das famílias camponesas não possuíam terras e eram obrigadas a cultivar, mediante arrendamento, as terras dos latifundiários, vivendo em condições semelhantes às dos servos. É natural, portanto, que, após a libertação, os camponeses coreanos desejassem tão ardentemente a reforma agrária.

O Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte promulgou, em março de 1946, a Lei da Reforma Agrária. No decorrer da reforma agrária, foram confiscados, sem indenização, 1.000.325 hectares de terras dos latifundiários, distribuídos gratuitamente aos camponeses que as trabalhavam. Das 981.390 hectares de terras distribuídas no total, 22.387 foram entregues aos peões agrícolas, 603.407 aos arrendatários sem terra, 345.974 aos camponeses com pouca terra e 9.622 aos latifundiários que, transferidos para outros condados, tiveram de cultivar a terra com as próprias mãos. Como resultado da reforma agrária, mais de 700 mil famílias camponesas foram libertadas do jugo dos latifundiários.

O Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte promulgou a Lei do Imposto Agrícola em Espécie com o objetivo de fomentar a economia rural e melhorar as condições de vida dos camponeses.

A reforma agrária criou condições para elevar rapidamente o nível de vida material e cultural dos camponeses. Eis alguns fatos que demonstram claramente o quanto suas condições de vida melhoraram após a reforma agrária.

Em apenas um ano, entre a realização da reforma agrária e o final de junho de 1947, por exemplo, na província de Phyongan Sul foram construídas 10.740 novas moradias e reconstruídas 7.000 casas camponesas. Das novas construções, 7.795 destinavam-se a antigos arrendatários que viviam em extrema pobreza durante o período do imperialismo japonês.

Além disso, após a reforma agrária, as forças produtivas do campo desenvolveram-se rapidamente. Até junho de 1947, os camponeses da província de Phyongan do Sul conseguiram 4.766 bois e cerca de 10.730 novos implementos agrícolas, incluindo 1.880 debulhadoras. Em todas as regiões rurais da Coreia do Norte, também foram executados em grande escala projetos de construção de instalações de irrigação. Somente em 1947, foram concluídas 55 obras de irrigação, com capacidade para irrigar mais de 20 mil hectares de arrozais.

A nacionalização das indústrias, dos transportes, das comunicações e dos bancos, realizada após a reforma agrária, privou os elementos reacionários e pró-japoneses da Coreia do Norte de sua base econômica. Ao perderem sua posição predominante no campo econômico, perderam automaticamente também sua influência política. Essa é uma das maiores vitórias alcançadas pelas massas populares.

Com a passagem das principais artérias econômicas para as mãos do povo, desencadeou-se entre os operários e empregados um grandioso movimento patriótico de produção, sem precedentes na história de nosso país.

Nas fábricas, empresas, minas de carvão e minas de outros minerais, a produtividade dos operários aumentou consideravelmente. Em 1947, no setor industrial, ela cresceu 51% em relação a 1946.

Os operários e empregados da Coreia do Norte estão eliminando com êxito as consequências nefastas que o domínio do imperialismo japonês deixou na indústria.

Já no início de 1947, os operários norte-coreanos conseguiram fabricar quase 70 variedades de produtos industriais, incluindo diversos tipos de tornos e transformadores, que não eram produzidos durante o imperialismo japonês e precisavam ser obtidos no Japão. Em 1948, produzirão mais de 100 tipos de novos produtos industriais, entre eles motores elétricos, diversas peças elétricas, máquinas agrícolas e máquinas para a mineração.

Durante o domínio do imperialismo japonês, os operários coreanos sofreram uma exploração cruel. Nas fábricas e empresas, eram submetidos a trabalhos extenuantes durante 12 a 14 horas por dia. A situação das operárias e dos operários adolescentes era ainda pior. Os imperialistas japoneses deixaram fisicamente incapacitados membros das novas gerações de nossa nação. Não existia nenhum sistema de proteção do trabalho nem de seguro social para os operários e empregados.

Hoje, porém, graças à Lei do Trabalho promulgada pelo Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte, os operários e empregados alcançaram uma melhoria radical em suas condições de vida e de trabalho, além de terem seus direitos fundamentais garantidos.

Nos termos dessa Lei do Trabalho, foi estabelecida a jornada de oito horas para os operários e empregados e de sete horas para aqueles que trabalham em condições nocivas. Também foram estabelecidas jornadas de seis ou cinco horas para os operários adolescentes de 14 a 16 anos, e o trabalho de menores de 14 anos foi proibido por lei. Além disso, instituiu-se um sistema de férias remuneradas de duas semanas por ano para os operários e empregados e de um mês para os operários adolescentes. Ao mesmo tempo, foram adotadas todas as medidas necessárias para garantir o seguro social e a proteção do trabalho.

Com o rápido desenvolvimento da economia nacional em todos os seus setores, o desemprego desapareceu completamente na Coreia do Norte; pelo contrário, sente-se falta de mão de obra.

Como resultado da aplicação da Lei da Igualdade dos Direitos do Homem e da Mulher, as mulheres norte-coreanas participam da vida política, econômica e cultural do país com os mesmos direitos que os homens. Há 9.522 mulheres entre os membros dos comitês populares e 34 mulheres deputadas na Assembleia Popular. Assim, numerosas mulheres norte-coreanas estão se destacando como importantes ativistas sociais e estatais.

Sob o domínio do imperialismo japonês, nossa nação vivia na ignorância e na escuridão. Segundo dados estatísticos publicados pelo Governo-Geral da Coreia, em 1942 havia na Coreia do Norte 1.339 escolas primárias, frequentadas por 630 mil crianças, número que representava apenas 58% do total de crianças em idade escolar. Assim, mais de 400 mil crianças em idade escolar não conseguiam ingressar na escola a cada ano. É desnecessário dizer que eram filhos e filhas dos pobres. Em 1942, havia na Coreia do Norte 43 escolas secundárias masculinas e femininas, frequentadas por apenas cerca de 9.560 alunos, entre os quais quase não se encontravam filhos de camponeses pobres e de operários. Por exemplo, em 1942, entre as 647 alunas da Escola Secundária Superior Feminina de Somun, em Pyongyang, havia apenas uma filha de operário e duas filhas de camponeses pobres.

Com a reforma democrática no setor educacional, abriu-se o caminho para o estudo aos filhos e às filhas das amplas massas trabalhadoras.

Atualmente, três quartos do total de alunos da Coreia do Norte são filhos de operários e camponeses. Dessa maneira, também no campo da educação popular, as consequências nefastas do imperialismo japonês estão sendo eliminadas gradualmente. A rede escolar está se expandindo e a qualidade do conteúdo educacional está melhorando.

Hoje, há na Coreia do Norte 3.008 escolas primárias, frequentadas por mais de 1.340.000 crianças, número superior ao dobro do registrado em 1942. Existem também 629 escolas secundárias, com mais de 250 mil alunos, o que representa um aumento de mais de 26 vezes em relação à época do imperialismo japonês.

Se, durante o período do domínio do imperialismo japonês, havia na Coreia do Norte apenas três escolas técnicas secundárias especializadas e seis escolas normais, hoje existem 44 e 13, respectivamente. Naquela época, não havia sequer um instituto na Coreia do Norte, mas hoje funcionam uma universidade, um instituto tecnológico, um instituto de medicina e três institutos de formação de professores.

O Poder popular dedica grande atenção à tarefa de garantir os estudos dos alunos. Por decisão do Comitê Popular da Coreia do Norte, mais da metade dos estudantes de todos os institutos e escolas especializadas recebe bolsas de estudo estatais. Graças aos enormes esforços empreendidos pelo Poder popular para publicar livros didáticos na língua materna, em 1946 foram publicados mais de quatro milhões de exemplares de diversos tipos de livros didáticos e, em 1947, 7 milhões e 538 mil exemplares de 75 tipos.

Entre as amplas massas trabalhadoras, às quais o caminho dos estudos era vedado antigamente, a paixão pelo estudo cresce a cada dia. Atualmente, mais de um milhão e 394 mil trabalhadores estudam nas escolas de língua coreana e nas escolas para adultos, e mais de 800 mil pessoas foram libertadas do analfabetismo já em 1947. Além disso, temos atualmente em funcionamento 95 escolas secundárias para adultos.

Se, durante o período do imperialismo japonês, havia na Coreia do Norte apenas sete salas de leitura e nenhuma biblioteca, hoje temos 103 bibliotecas e 7.780 salas de propaganda democrática. Essas salas, distribuídas por todas as regiões rurais da Coreia do Norte, servem como centros culturais para as massas. Por toda parte, também se vê a construção de clubes. Na época do imperialismo japonês, a Coreia do Norte não possuía sequer um clube, mas hoje conta com 168. O número de teatros e cinemas também aumentou. Após a libertação, foram fundados os Estúdios Cinematográficos da Coreia do Norte, que já produziram quatro ou cinco documentários e, neste ano, produzirão um filme de ficção. Como se pode ver, nossa cultura nacional está sendo recuperada e desenvolvida rapidamente na Coreia do Norte.

As reformas democráticas na Coreia do Norte criaram condições favoráveis à restauração e ao desenvolvimento da economia nacional. Os esforços que o povo norte-coreano dedicou à construção dos alicerces de uma economia nacional independente e à edificação de uma pátria rica e poderosa refletem-se claramente nos resultados da produção alcançados em 1947.

Em 1947, o volume de produção de alguns importantes produtos industriais aumentou, em comparação com 1946, em 138% no caso do carvão, 133% no caso do ferro-gusa, 12 vezes no caso do aço, 95% no caso dos fertilizantes químicos, 117% no caso do carbureto, 16 vezes no caso dos artigos de uso diário e 96% no caso dos tecidos. Dessa maneira, o plano de recuperação e desenvolvimento da economia nacional para 1947 foi superado.

A Assembleia Popular da Coreia do Norte já aprovou o plano de desenvolvimento da economia nacional para 1948. Os resultados da produção no primeiro trimestre deste ano nos convencem de que esse plano também será cumprido com êxito.

Graças a esse desenvolvimento da economia nacional, estamos em condições de abastecer satisfatoriamente o povo com alimentos e artigos de primeira necessidade. Os artigos de primeira necessidade são fornecidos a preços muito baixos aos operários e empregados, e aqueles que superam suas metas de produção recebem até mesmo rações adicionais.

O comércio e a indústria local desempenham um papel importante no abastecimento da população com artigos de primeira necessidade. Não apenas as empresas estatais e as cooperativas de consumo se empenham em seu desenvolvimento, mas também os comerciantes e industriais privados, que gozam de liberdade empresarial nos termos da lei.

A reforma monetária realizada no final de 1947 contribuiu consideravelmente para elevar a renda real dos operários e empregados.

Em março de 1948, os preços dos principais artigos de primeira necessidade foram reduzidos consideravelmente em relação aos praticados em 1º de dezembro de 1947. O preço do arroz por mal pequeno foi reduzido de aproximadamente 750 para 230 wons, e o do painço, de cerca de 700 para 200 wons.

Se não forem promovidos o comércio estatal e o comércio das cooperativas de consumo, e se não for desenvolvida a indústria local estatal, será impossível controlar os preços do mercado e, consequentemente, impedir que a renda real dos operários e empregados flutue de acordo com esses preços. Essa é uma das razões pelas quais dedicamos considerável atenção à promoção do comércio estatal e das cooperativas de consumo, bem como ao desenvolvimento da indústria local estatal.

O Comitê Popular da Coreia do Norte também dedicou grande atenção à melhoria da saúde pública. Nos dois anos e meio posteriores à libertação, o número de hospitais estatais aumentou 7,7 vezes, e o número de leitos disponíveis, 7,6 vezes. No mesmo período, o número de postos de consulta e clínicas aumentou 14 vezes. Com o desenvolvimento dos serviços de saúde pública, diversas epidemias diminuíram consideravelmente.

Como vimos, em pouco tempo após a libertação, o Comitê Popular da Coreia do Norte realizou feitos brilhantes.

No início de fevereiro do corrente ano, a Assembleia Popular da Coreia do Norte decidiu organizar uma comissão constitucional e submeter à discussão de todo o povo o projeto de Constituição provisória da Coreia que essa comissão elaborasse. O que chama a atenção no decorrer da atual discussão do projeto de Constituição é que a esmagadora maioria do povo, não apenas da Coreia do Norte, mas também da Coreia do Sul, apoia entusiasticamente esse projeto. Naturalmente, isso não é obra do acaso. O projeto de Constituição destina-se a consolidar juridicamente todas as reformas democráticas realizadas na Coreia do Norte e a indicar claramente o caminho que o povo sul-coreano deve seguir.

A comissão constitucional recebeu 55 mil cartas de agradecimento, resoluções e recomendações em apoio ao projeto de Constituição. Isso comprova o profundo interesse do povo coreano pela adoção de uma verdadeira Constituição democrática. O fato de todo o povo coreano aprovar o projeto de Constituição provisória significa que aplaude as grandes transformações democráticas realizadas na Coreia do Norte e apoia plenamente a atuação do Comitê Popular da Coreia do Norte.

Senhores:

Para avaliar corretamente a situação da Coreia do Norte, não posso deixar de mencionar que o povo norte-coreano está firmemente unido e coeso na luta pela construção de um Estado democrático, independente e soberano. Sua unidade política possui bases sólidas. O povo norte-coreano está unido em torno do apoio ao comitê popular, seu órgão de poder, e às reformas democráticas.

A expressão concreta da coesão política do povo norte-coreano é a Frente Unida Nacional Democrática da Coreia do Norte, que abrange todos os partidos políticos e as organizações sociais da Coreia do Norte e reúne todas as classes e camadas do povo. Atualmente, essa frente conta com três partidos políticos, 16 organizações sociais e 17 sindicatos setoriais.

Os partidos políticos e as organizações sociais da Coreia do Norte compartilham posições idênticas sobre as questões políticas fundamentais. Apoiam o comitê popular e as reformas democráticas e lutam igualmente pela construção de um Estado unificado, democrático, independente e soberano. A Frente Unida Nacional Democrática da Coreia do Norte reúne mais de seis milhões de pessoas organizadas e já demonstrou sua grande força e sólida unidade. Um testemunho claro disso é o ardente apoio que as amplas massas deram aos candidatos indicados por essa frente nas eleições para os comitês populares.

Todos os fatos demonstram que todo o povo norte-coreano se levantou para lutar pela construção de um Estado democrático, independente e soberano.

Senhores representantes:

Em resumo, a situação da Coreia do Norte pode ser avaliada da seguinte maneira:

Primeiro, na Coreia do Norte, o poder está nas mãos do povo, que se tornou senhor absoluto de todos os campos da política, da economia e da cultura. Aproveitando as condições vantajosas criadas após a libertação, o povo norte-coreano organizou os comitês populares, seus órgãos de poder, e os consolidou e desenvolveu.

Segundo, como resultado da realização de reformas democráticas de acordo com os interesses das amplas massas populares, a base de sustentação dos reacionários foi completamente eliminada na Coreia do Norte.

Terceiro, as reformas democráticas na Coreia do Norte estabeleceram alicerces sólidos para a recuperação e o crescimento da economia nacional. Já foram alcançados êxitos brilhantes no desenvolvimento econômico, e o nível de vida material e cultural do povo elevou-se sensivelmente.

Quarto, os brilhantes êxitos alcançados na Coreia do Norte constituem uma sólida base material para unir monoliticamente o povo norte-coreano em torno dos comitês populares, os órgãos de poder do povo.

Na Coreia do Sul, a outra metade de nosso território pátrio, criou-se uma situação inteiramente oposta à que acabo de expor. Ali, o poder passou para as mãos dos imperialistas ianques, e o povo foi privado da possibilidade de administrar e governar o país. Na Coreia do Sul, não foram realizadas reformas democráticas nem concretizadas as aspirações seculares do povo. Atualmente, as autoridades da administração militar estadunidense alardeiam que realizarão uma "reforma agrária" na Coreia do Sul, o que não passa de um estratagema para iludir e enganar os camponeses sul-coreanos.

Na Coreia do Sul, a economia caminha para a bancarrota, e as condições de vida do povo pioram cada vez mais. Sob a proteção da administração militar estadunidense, as forças reacionárias sul-coreanas lançam ataques furiosos contra as forças democráticas que lutam pela liberdade, pela independência e pela melhoria das condições de vida. Hoje, a Coreia do Sul transformou-se em um mundo anárquico, onde o terrorismo é praticado em plena luz do dia. Os imperialistas ianques procuram transformar a Coreia do Sul em sua colônia permanente e em sua base militar para a agressão contra a Ásia.

Nossa pátria enfrenta agora o grave perigo nacional de se tornar vítima da agressão do imperialismo ianque. Os habitantes da Coreia do Norte preocupam-se dia e noite com o destino de seus pais e irmãos que vivem ao sul do Paralelo 38 e, movidos pelos laços de compatriotas, manifestam caloroso apoio à luta patriótica de salvação nacional travada pelo povo sul-coreano contra a agressão dos imperialistas estadunidenses, pela liberdade e pela independência do país.

O povo norte-coreano, firmemente unido ao povo sul-coreano, dedicará todas as suas forças à luta pela construção de um Estado democrático, soberano e independente.

2. Luta contra os imperialistas estadunidenses que pretendem dividir a Coreia

Senhores representantes:

Desde o primeiro dia de sua chegada à Coreia do Sul, os imperialistas ianques têm posto abertamente em prática seus sinistros objetivos de agressão.

Como já disse, a Conferência dos Ministros das Relações Exteriores dos Três Países — União Soviética, Estados Unidos e Inglaterra —, realizada em Moscou em dezembro de 1945, aprovou uma resolução conjunta sobre a Coreia. Essa resolução estabelecia que nossa pátria deveria ser reconstruída sobre bases democráticas como um Estado soberano e independente. Entretanto, ela não pôde ser executada. Os trabalhos da Comissão Conjunta URSS-EUA, que se reuniu em duas ocasiões, fracassaram.

O povo coreano sabe bem onde está a causa desse fracasso e quem é o responsável por ele. Diante do fracasso da Comissão, o governo soviético propôs, em 26 de setembro de 1947, a retirada simultânea das tropas dos dois países, a União Soviética e os Estados Unidos, da Coreia, no início de 1948. Essa medida abria diante do povo coreano um novo caminho para resolver por conta própria os problemas de seu país. Em outras palavras, o povo teria então a possibilidade de escolher independentemente o órgão legislativo supremo, estabelecer um governo democrático unificado, formar um exército nacional e reconstruir democraticamente a vida política e econômica do país, sem interferência estrangeira.

Todo o povo coreano apoiou entusiasticamente essa proposta do governo da União Soviética e decidiu resolver por seus próprios meios a questão da reunificação da pátria, após conseguir a retirada imediata das tropas soviéticas e estadunidenses.

Entretanto, os pró-japoneses e traidores da nação na Coreia do Sul, cientes de que não poderiam continuar agindo contra o povo e vendendo a pátria caso as tropas ianques se retirassem dali, opuseram-se obstinadamente a essa proposta. A camarilha de Ri Sung Man, ao se opor à retirada das tropas do imperialismo ianque, revelou mais uma vez, diante do mundo inteiro, ser um grupo de fiéis lacaios desse imperialismo e de vende-pátrias.

Os imperialistas ianques, que pretendiam transformar a Coreia em sua colônia a qualquer custo, também rejeitaram a proposta do governo da União Soviética. Embora a questão da Coreia, como uma das questões a serem resolvidas no pós-guerra, não estivesse dentro da competência da ONU, o governo dos Estados Unidos levou-a ilegalmente à Assembleia Geral da ONU e manobrou para que fosse decidida ali em seu próprio benefício.

Utilizando sua máquina de votação, composta por países econômica e politicamente dependentes dos monopolistas estadunidenses, o governo dos Estados Unidos rejeitou a proposta soviética de retirada simultânea das tropas dos dois países da Coreia e impôs uma resolução ilegal que apoiava seu plano de agressão imperialista contra a Coreia.

Como todos sabem, de acordo com a resolução da Assembleia Geral da ONU, foi constituída a chamada "Comissão Provisória da ONU para a Coreia", que pretende supervisionar na Coreia as eleições, a formação de um governo, a criação de um exército nacional, etc. O povo coreano não reconheceu nem jamais reconhecerá essa resolução. No final do ano passado, após a aprovação de uma resolução tão injusta, foram realizadas numerosas manifestações e concentrações de protesto em todas as regiões da Coreia do Norte e do Sul.

O povo coreano esperava que, como seria natural, um representante seu fosse convidado a participar da discussão da questão coreana na Assembleia Geral da ONU.

Nessa Assembleia, o delegado soviético insistiu que a questão coreana não deveria ser discutida sem a participação de um representante da Coreia. Sua posição recebeu o apoio dos representantes dos países democráticos. Entretanto, sob a pressão do delegado estadunidense, que temia que fosse revelada a política de escravização colonial promovida por seu país na Coreia, a Assembleia Geral da ONU negou o convite a um representante do povo coreano. Tratou-se de um ato descarado que violou os direitos nacionais desse povo.

Nosso povo não podia consentir que seu destino fosse decidido sem a voz de um representante seu. Não podia conter sua indignação diante dessa discussão ilícita da questão coreana na Assembleia Geral da ONU e viu-se obrigado a apresentar um vigoroso protesto.

O problema não reside apenas no fato de a Assembleia Geral da ONU ter deliberado injustamente sobre a questão da Coreia, mas também em ter aprovado uma resolução contrária aos interesses do povo coreano, imposta pelos imperialistas ianques.

Como se chegou a essa situação? Por que a Assembleia Geral da ONU votou a favor da constituição da chamada "Comissão Provisória da ONU para a Coreia", hostil ao povo coreano, rejeitando a proposta mais justa, que consistia em retirar imediatamente as tropas estrangeiras da Coreia e confiar ao próprio povo coreano a formação de um governo nacional? Porque a Assembleia Geral da ONU está se transformando em um instrumento da política expansionista do imperialismo ianque, enquanto os países dependentes dos Estados Unidos dançam conforme os movimentos dos imperialistas ianques.

Como disse anteriormente, a retirada das tropas imperialistas estadunidenses da Coreia não condiz com sua política de agressão. Eles tramam manter nosso país perpetuamente dividido e impor um governo separado na Coreia do Sul. A "Comissão Provisória da ONU para a Coreia" não passa de um instrumento de agressão nas mãos dos imperialistas ianques, destinado a "legalizar" sua política de agressão contra a Coreia e instalar esse governo na Coreia do Sul por meio da encenação de uma farsa de "eleições".

Como o povo coreano conhece bem os objetivos e as intenções da "Comissão Provisória da ONU para a Coreia", encara-a com aberta hostilidade. E exige energicamente sua retirada imediata de nosso país.

Insistimos em que nos seja dada a possibilidade de formar, de maneira independente e sem ingerência estrangeira, um governo nacional democrático e unificado.

Ao constatar que todo o povo coreano se opunha com todas as suas forças à instalação de um governo separado no Sul, a "Comissão Provisória da ONU para a Coreia" solicitou à "Pequena Assembleia da ONU" orientações sobre suas atividades posteriores, a fim de fugir à responsabilidade pela divisão da Coreia. Sob as ordens dos imperialistas ianques, a "Pequena Assembleia da ONU" aceitou o pedido dessa "Comissão" para autorizar a realização de eleições apenas na Coreia do Sul, decidindo que elas fossem realizadas separadamente naquela região e que ali fosse constituído um governo separado. Trinta e um países votaram a favor da resolução, dois votaram contra e onze se abstiveram.

Aproveitando-se da ausência de representantes da União Soviética e de outros países democráticos da Europa Oriental entre os membros da "Pequena Assembleia da ONU", os Estados Unidos recorreram a toda sorte de subterfúgios para obter apoio total à sua proposta, mas nem mesmo na "Pequena Assembleia" conseguiram a unanimidade dos votos.

Quando a "Pequena Assembleia da ONU" debatia a resolução sobre a questão coreana, os representantes da Suécia e da Noruega opuseram-se à realização de eleições separadas na Coreia do Sul. O delegado sueco, Grafström, opôs-se a essas eleições separadas, afirmando que não só não havia dados oficiais sobre a situação coreana, como também a Organização das Nações Unidas não havia sido constituída como um fórum para a resolução dos problemas do pós-guerra. O representante norueguês, Finn Moe, afirmou que a aprovação do projeto de resolução estadunidense pela "Pequena Assembleia da ONU" significava um abuso dos poderes que lhe haviam sido concedidos pela Assembleia Geral.

Até mesmo um representante da "Comissão Provisória da ONU para a Coreia" afirmou que ninguém além de Ri Sung Man, fiel lacaio dos Estados Unidos, e do Partido Democrático da Coreia do Sul, dirigido por Kim Song Su e composto por grandes latifundiários pró-japoneses e empresários coreanos, apoiava a formação de um governo separado na Coreia do Sul. Ele não pôde deixar de admitir que não apenas os homens de esquerda e de centro, mas também um grande número de dirigentes de direita se opunha à constituição de um "governo nacional" por meio de eleições separadas na Coreia do Sul.

Também na "Comissão Provisória da ONU para a Coreia", quando a proposta relativa às mencionadas eleições foi submetida à votação, apenas quatro dos oito países votaram a favor, dois votaram contra e outros dois se abstiveram.

Entretanto, o representante ianque, comportando-se como se fosse o senhor da "Pequena Assembleia da ONU", reprimiu a justa oposição dos representantes de vários países. Os imperialistas ianques haviam tirado a máscara e exposto seu verdadeiro propósito de manter a dominação colonial na Coreia do Sul, impondo à "Pequena Assembleia da ONU" uma resolução que servisse a seus planos de agressão.

Na Coreia do Sul, a administração militar estadunidense está agora preparando ativamente as eleições separadas sob a proteção da "Comissão Provisória da ONU para a Coreia".

3. Luta do povo coreano pelo estabelecimento de um governo democrático unificado

As eleições separadas que se pretende realizar em 10 de maio de 1948 na Coreia do Sul resultarão na divisão perpétua de nossa pátria e na transformação da Coreia do Sul em colônia eterna e base militar dos imperialistas ianques. Como a nação coreana, com seus cinco milênios de história, poderia permitir que se concretizasse o plano agressivo, reacionário e antipopular dos Estados Unidos? Todo o povo, tanto no Norte como no Sul da Coreia, opõe-se à intervenção estrangeira em nosso país e exige energicamente a retirada da "Comissão Provisória da ONU para a Coreia". Multidões de operários e empregados no Sul declaram greves em repúdio a essa "Comissão", greves que tiveram início em 8 de janeiro do corrente ano, precisamente no dia em que a "Comissão" chegou ao território de nossa pátria.

Como todos sabem, em 8 de janeiro deste ano, os operários e empregados de várias fábricas de Seul entraram em greve. Em 19 de janeiro, os operários da Companhia Elétrica de Kyongsong e muitos outros também declararam greve. No início de fevereiro, eclodiu uma grande greve nos setores das comunicações e ferroviário, que se estendeu por toda a Coreia do Sul. Segundo informou a "Agência de Notícias da Coreia", de Seul, essa greve interrompeu o tráfego e as comunicações em toda a Coreia do Sul.

Os operários em greve exigiram energicamente do tenente-general Hodge, comandante das tropas estadunidenses estacionadas na Coreia do Sul, a retirada da "Comissão Provisória da ONU para a Coreia" e das tropas estadunidenses.

Até mesmo os jornalistas estadunidenses credenciados em Seul viram-se obrigados a informar que, na Coreia do Sul, eram realizadas grandes manifestações populares contra essa "Comissão", provocando-se frequentemente confrontos sangrentos com a polícia.

As greves ainda persistem. Creio que aqueles que vieram da Coreia do Sul sabem disso melhor do que ninguém. Não são apenas os operários, mas também todos os demais setores da população do Sul — camponeses, pequena burguesia urbana, jovens, estudantes e intelectuais — que lutam pela reunificação da pátria e pelo estabelecimento de um governo democrático unificado.

Representantes da Coreia do Sul: toda a população da Coreia do Norte expressa seu fervoroso apoio fraternal à sua luta heroica contra a divisão da pátria e a apoia com todo o entusiasmo.

A população norte-coreana encontra-se numa situação diametralmente oposta à da população sul-coreana. Hoje, ela é dona do poder e tem em suas mãos a terra e as indústrias. A Coreia do Norte empreendeu com segurança o caminho do desenvolvimento democrático, no qual já alcançou grandes êxitos.

Entretanto, o Norte e o Sul da Coreia ainda não foram reunificados, nem foi formado um governo democrático unificado, o que constitui um obstáculo a um desenvolvimento ainda maior dessas conquistas.

Os coreanos do Norte lutarão energicamente, firmemente unidos a seus pais e irmãos do Sul, para que este também siga o caminho do desenvolvimento democrático, como o Norte, e sua população desfrute da mesma liberdade e felicidade de que se goza no Norte.

A constituição de um governo separado na Coreia do Sul colocará novamente seus habitantes na condição de escravos de uma colônia.

A população da Coreia do Norte se opõe resolutamente à formação de um governo separado no Sul e continuará agindo incansavelmente pela reunificação das duas partes.

Propõe-se como tarefa de máxima urgência travar uma luta conjunta de toda a nação, juntamente com a população sul-coreana, nossa irmã de mesmo sangue, para frustrar o plano de agressão com o qual os imperialistas estadunidenses tentam dividir nosso país.

Rejeitar e frustrar as eleições que estão sendo preparadas na Coreia do Sul, por serem antipopulares e conduzirem o país à ruína, é a tarefa política mais urgente que nossa nação enfrenta hoje.

A população norte-coreana expressou sua atitude resoluta por meio de vigorosas manifestações e concentrações de massas contra as atividades ilícitas da "Comissão Provisória da ONU para a Coreia" na Coreia do Sul, bem como mediante numerosas cartas de protesto, resoluções e declarações que denunciavam a ingerência estrangeira nos assuntos coreanos.

As massas populares da Coreia do Norte fazem um apelo a seus irmãos do Sul para que boicotem as eleições separadas e se levantem resolutamente na luta de salvação nacional pela liberdade e independência do país.

Os representantes da Coreia do Sul podem ter a firme certeza de que a população norte-coreana, compartilhando com seus irmãos do Sul a vida e a morte, a alegria e a tristeza, lutará até o fim contra as eleições e o governo que se pretende impor separadamente.

Aqueles que, neste momento, apoiam essas eleições são vende-pátrias e traidores da nação ainda mais perversos do que Song Pyong Jun e Ri Wan Yong.

Já nos referimos ao vende-pátria Ri Sung Man. Ele é um fiel lacaio dos imperialistas ianques, criado por eles durante quase quarenta anos, um vende-pátria sem escrúpulos, odiado por toda a nação, sempre disposto a cumprir todas as ordens de seus amos ianques.

Desmascaremos e isolemos todos os traidores dessa espécie, fazendo com que toda a nação os odeie e os repudie.

Ao mesmo tempo, temos de explicar pacientemente ao povo a natureza antipopular e antinacional das eleições separadas na Coreia do Sul. Os verdadeiros patriotas devem compreender que essas eleições empurrarão inevitavelmente a Coreia do Sul para o abismo da bancarrota e a transformarão em colônia estadunidense.

Todos aqueles que amam verdadeiramente a pátria devem rejeitar categoricamente as eleições separadas que a conduzem à ruína. Nesta luta de dimensões nacionais, todos os homens que se preocupam com o destino do país e da nação devem unir-se necessariamente, acima de suas filiações partidárias e religiosas e de seus pontos de vista políticos.

Somente a unidade poderá assegurar nossa vitória. Nesta reunião, devemos tomar sem falta medidas sobre como lutar e o que fazer para alcançar a unidade e a coesão das forças de toda a nação e levar a cabo a causa histórica da formação de um governo democrático unificado.

Este é, em linhas gerais, o resumo da situação política na Coreia do Norte e dos problemas mais urgentes que nossa nação enfrenta hoje. Nesta reunião, devemos examinar sem falta, com toda a sinceridade e sem rodeios, a situação política na pátria e adotar medidas para ações conjuntas contra as maquinações da "Comissão Provisória da ONU para a Coreia", destinadas a dividir nosso país para sempre, e contra as eleições separadas na Coreia do Sul.

Unamos todas as forças patrióticas do Norte e do Sul da Coreia para frustrar os desígnios agressivos dos imperialistas estadunidenses.

Devemos compreender que, se neste momento grave, em que enfrentamos o perigo da divisão da pátria, não lutarmos unidos nem adotarmos medidas vigorosas de salvação nacional para repelir a agressão dos imperialistas ianques, cometeremos um crime imperdoável contra a nação e as gerações vindouras.

Temos de desenvolver em escala nacional a luta pela construção de um Estado unificado, soberano e independente e pela formação de um governo único com base nos princípios democráticos, mobilizando todas as nossas forças.

Viva a Frente Unida Nacional Democrática!

Fora de nossa pátria a "Comissão Provisória da ONU para a Coreia"!

Vitória e glória aos patriotas e a todo o povo coreano que luta abnegadamente contra os agressores imperialistas ianques!

Viva as grandes reformas democráticas realizadas na Coreia do Norte!