O lugar onde amplas massas trabalhadoras vivem constantemente atormentadas pela insegurança e pelo sofrimento, sendo forçadas a levar uma vida inferior à humana, é precisamente a sociedade capitalista ocidental.
Primeiramente, observemos a realidade dos Estados Unidos, chamados de “modelo” do capitalismo.
Segundo informou uma agência estrangeira de notícias, recentemente a expressão “linha da morte” tornou-se uma das palavras mais pesquisadas nos Estados Unidos. Essa expressão representa figurativamente o pior limite em que, devido a uma doença repentina ou ao pagamento do aluguel, até mesmo as poucas economias acumuladas anteriormente se esgotam, obrigando a pessoa a desistir completamente da sobrevivência, refletindo exatamente a miserável realidade da vida atual dos estadunidenses.
Especialistas afirmam que a própria existência da “linha da morte” revela graves falhas inerentes às atividades de sobrevivência dos estadunidenses, sustentando que sua origem reside na lógica operacional do sistema capitalista estadunidense e na “eliminação dos fracos” defendida pelo darwinismo social, por meio do qual os direitos à sobrevivência e ao desenvolvimento das camadas vulneráveis estão sendo cruelmente esmagados.
No centro da cidade de Los Angeles, no estado da Califórnia, já no início deste ano, numerosos desabrigados que sofreram golpes fatais em suas vidas por “acontecimentos inesperados” formaram longas filas, vestidos em farrapos, para receber alimentos de ajuda emergencial.
Os meios de comunicação estadunidenses informaram que entre eles havia muitas pessoas que anteriormente possuíam empregos fixos, como vendedores e funcionários de empresas, e até mesmo numerosas pessoas da classe média. Apenas por perderem subitamente seus empregos ou adoecerem gravemente, acabaram entrando na “linha da morte”, sendo lançadas à rua sem possuir mais forças para melhorar sua situação.
Os estadunidenses vivem constantemente sob pressão em suas condições de vida. A pressão tributária é uma delas. Nos Estados Unidos, as pessoas têm de pagar impostos sob inúmeras denominações diferentes, existindo centenas de tipos, incluindo impostos federais, estaduais, locais e sobre o consumo. Como resultado, o peso que recai sobre elas cresce dia após dia como uma bola de neve.
As pessoas contraem dívidas para conseguir sobreviver e, por isso, acabam sufocadas sob encargos ainda maiores. No fim, terminam reduzidas à condição de desabrigados.
Há pouco tempo, a Corporação RAND realizou uma pesquisa em várias regiões de Los Angeles, constatando que muitas pessoas estavam dormindo em becos, calçadas ou carros abandonados. Seu número aumentou consideravelmente em comparação ao ano passado. A maioria delas sofre de transtornos mentais e outras doenças crônicas, sendo numerosos também os dependentes de álcool e drogas.
A situação dos países europeus, que se autoproclamam “nações avançadas” e gostam de criticar a realidade de outros países, não é diferente.
Nesses países, inúmeras pessoas mal conseguem sustentar a si próprias. Atualmente, nos Estados-membros da União Europeia, um em cada cinco adultos vive na pobreza. Mais da metade dos europeus considera sua maior preocupação o fato de não possuir dinheiro suficiente para manter a própria subsistência. Nem sequer ousam sonhar em conseguir uma moradia digna. O número de desabrigados vagando pelas ruas não fica atrás do dos Estados Unidos.
De fato, nos países-membros da União Europeia, os preços das moradias aumentaram mais de 60% desde 2013. Devido ao alto custo da habitação, as pessoas estão sendo obrigadas a deixar as regiões onde viviam. As forças de extrema-direita utilizam isso como espaço para conquistar apoiadores. Distorcendo a opinião pública, provocam agitação ao insinuar que a escassez de moradias seria causada por refugiados e imigrantes.
A situação das crianças, das mulheres e das pessoas com deficiência é ainda mais lamentável. Entre os trabalhadores que sobrevivem apenas com empregos temporários por não possuírem ocupações estáveis, a maioria são mulheres, que ainda sofrem diariamente abusos sexuais nos locais de trabalho. Com medo de perder seus empregos, elas não conseguem sequer denunciar sua situação.
Na Europa, uma em cada quatro crianças vive na pobreza. O abuso infantil tornou-se algo generalizado, e os crimes sexuais contra menores continuam aumentando. A situação das pessoas com deficiência é ainda mais miserável. O número de pessoas com deficiência na União Europeia chega a 90 milhões, e mais de um terço delas vive em extrema pobreza.
Enquanto o tráfico humano prospera, os escravos modernos sofrem exploração brutal.
Segundo informou a emissora britânica BBC, no Reino Unido os atos de exploração contra escravos modernos aumentaram ao mais alto nível da história, estimando-se que somente no ano passado mais de 23 mil pessoas tenham sido vítimas de tráfico humano, trabalho forçado e crimes sexuais. Diz-se ainda que, como as organizações criminosas utilizam até mesmo a internet e tecnologias de inteligência artificial para comprar e explorar escravos, sua detecção torna-se cada vez mais difícil.
Esta é a verdadeira realidade do capitalismo ocidental, que faz propaganda de uma “civilização desenvolvida”.
Ri Hak Nam
Rodong Sinmun