Discurso de conclusão do camarada Kim Il Sung na L.XII sessão do Comitê Popular da Coreia do Norte
19 de março de 1948
Como foi assinalado pelo informe e pelas intervenções, até agora foram registrados certos êxitos no trabalho do Departamento de Saúde Pública, mas também foram reveladas várias deficiências que deverão ser necessariamente corrigidas.
Uma das principais deficiências de que padece o Departamento de Saúde Pública em seu trabalho é a falta de disciplina e ordem; o interior de suas fileiras não é saudável e os funcionários trabalham com atitudes burocráticas. Eles não realizam uma direção e um controle constantes do trabalho dos órgãos inferiores, mas, quando o fazem, não os realizam de maneira substancial, e sim habitualmente se retiram depois de serem convidados. E assim acontece que os funcionários do Departamento de Saúde Pública desconhecem a situação real nas unidades inferiores. Esse desconhecimento os leva a lançar mão do burocratismo. O próprio desconhecimento dessa situação é uma expressão do burocratismo. Os funcionários do Departamento de Saúde Pública deveriam se esforçar para acabar com os métodos de trabalho burocráticos e para melhorar realmente o serviço de saúde pública e de higiene.
O Departamento de Saúde Pública deve conhecer e controlar constantemente o trabalho dos órgãos administrativos e dos hospitais e clínicas que estejam sob sua responsabilidade, assim como exercer sobre eles a direção e o controle de maneira planificada.
Conhecer e controlar o trabalho das instituições inferiores, bem como dirigi-las e controlá-las bem, é uma das questões-chave das quais dependem o êxito do trabalho deste Departamento e do serviço de saúde pública em seu conjunto. Melhorar a direção e o controle do trabalho das unidades inferiores tem a maior importância nas condições de hoje, quando subsistem os resíduos do imperialismo japonês no âmbito da saúde pública e o nível político e prático de seu pessoal ainda é baixo. Somente intensificando o trabalho de direção e controle sobre as unidades inferiores será possível erradicar cabalmente os vestígios do imperialismo japonês no campo da saúde pública e obter êxito na promoção da saúde de um povo que já é mestre do país.
É conveniente que o pessoal do Departamento de Saúde Pública vá às unidades inferiores de acordo com o plano para dirigir e verificar detalhadamente o cumprimento das resoluções e diretrizes do Partido e do Estado para este setor, a assistência médica aos enfermos e o serviço de higiene e profilaxia. Por exemplo, quando dirigem e inspecionam um hospital, devem fazê-lo nos mínimos detalhes para constatar se todo o seu pessoal, desde o diretor até os médicos e enfermeiras, trata os pacientes com amabilidade, se diagnostica e prescreve corretamente e administra devidamente os medicamentos. Mas exercer a direção ou o controle não deve limitar-se a procurar defeitos. Em todo caso, deve significar uma ajuda aos órgãos inferiores para o desenvolvimento de seu trabalho. Os funcionários do Departamento de Saúde Pública, em vez de se fixarem apenas nas deficiências das unidades inferiores, deverão buscar suas causas, indicar concretamente como corrigi-las e resolver os problemas pendentes sob sua responsabilidade.
É necessário intensificar a educação dos trabalhadores da saúde pública, para formá-los como autênticos servidores do povo, entregues com abnegação à pátria e ao povo.
Depois da libertação, a mentalidade dos médicos mudou muito no processo da construção de uma nova Coreia, uma Coreia democrática. Hoje não podemos considerá-los médicos que apenas ambicionam dinheiro e não pensam na vida do homem. Mas ainda é prematuro dizer que todos eles são autênticos médicos do povo, que o servem fielmente.
Ainda não são poucos os que possuem pouca consciência de serviço à pátria e ao povo. Há alguns que se comportam a seu bel-prazer, de maneira indisciplinada, e não consagram todo o seu saber, inteligência e devoção ao tratamento dos pacientes. Os médicos do hospital especial e do hospital central, tendo a seu cargo o tratamento dos quadros, não se empenham muito em sua missão, mas sabem fazer alarde de sua competência. Se os quadros, ocupados com o trabalho, não podem ir ao hospital, os médicos deveriam visitá-los pessoalmente para prestar-lhes assistência, mas não procedem assim. Não podemos considerar isso senão como uma conduta imprópria, indigna da profissão de médico, pessoa responsável pela vida do homem.
A principal causa dessa conduta observada entre alguns médicos reside, primeiro, em que neles persiste o velho hábito de trabalhar e viver com a liberalidade dos tempos da dominação colonial do imperialismo japonês e, depois, em que o Departamento de Saúde Pública não educou devidamente os médicos.
Nós, em vez de nos limitarmos a dizer que os trabalhadores da saúde pública estão atrasados política e ideologicamente, devemos conduzi-los a servir à pátria e ao povo. Para isso, devemos estabelecer como tarefa fundamental a elevação de seu nível de consciência ideológica e intensificar sua formação ideológica. Conseguiremos assim que dediquem toda a sua inteligência e devoção ao trabalho de saúde, com a determinação de prestar serviço à pátria e ao povo em qualquer situação, por mais difícil que seja.
Além disso, é preciso reforçar o controle sobre os trabalhadores da saúde pública. Quem quer que seja, se atuar individualmente, afastado do controle da organização, não poderá cumprir bem sua missão. Ademais, como ainda restam diversos vestígios da velha ideologia entre o pessoal sanitário, se não intensificarmos o controle, este não se esforçará ao máximo para cumprir sua tarefa. O controle sobre o homem é tanto mais necessário quanto mais baixo for seu nível de consciência ideológica. Daí ser indispensável intensificar o controle sobre esse pessoal.
O Departamento de Saúde Pública deverá estabelecer entre o pessoal médico uma férrea disciplina terapêutica e exigir que ela seja observada rigorosamente. Caso os médicos não a cumpram e se mostrem irresponsáveis no tratamento, administrando incorretamente os medicamentos, deverão ser-lhes aplicadas sanções ou punições legais conforme a gravidade da falta.
É preciso prestar profunda atenção à elevação do nível profissional e da qualificação do pessoal médico. Sendo pessoas que cuidam da vida humana, devem ser, naturalmente, especialistas altamente competentes em seu trabalho. Para elevar o nível profissional e a qualificação dos trabalhadores médicos, o Departamento de Saúde Pública deverá organizar amplamente entre eles, por exemplo, cursos de curta duração, seminários técnicos, encontros para intercâmbio de experiências, e orientá-los também a se esforçarem diariamente para adquirir conhecimentos da técnica médica avançada.
A preparação de um grande número de trabalhadores médicos capazes de servir com abnegação à pátria e ao povo é uma das tarefas mais importantes para melhorar e fortalecer o serviço de saúde.
Agora, devido à falta de pessoal, no campo da saúde pública são insuficientes não apenas o trabalho preventivo, mas também o tratamento dos enfermos. Essa presunção que têm os médicos dos tempos passados deve-se em grande medida à escassez de profissionais da medicina.
Propusemo-nos a tarefa de colocar médicos em todos os condados que não os tenham, a fim de prestar melhor assistência médica à população. Para levá-la a bom termo, é urgente, antes de tudo, preparar um bom contingente de médicos. O Departamento de Saúde Pública e o Departamento de Educação deveriam aproveitar adequadamente as condições e possibilidades existentes para preparar, no mais curto prazo possível, um número considerável de trabalhadores médicos que tenham assimilado bem as ideias democráticas e a técnica médica avançada.
É preciso proporcionar maiores benefícios aos médicos. O Departamento de Saúde Pública levantou essa questão e procura resolvê-la, o que está certo, naturalmente. No entanto, não é correto buscar a solução dessa tarefa no aumento dos salários. Aqui, deve-se fornecer-lhes prioritariamente calçados, tecidos para roupas e outros artigos de primeira necessidade, e resolver também o problema da moradia dentro das possibilidades do Estado. Assim, desfrutarão de um bem-estar muito melhor que o atual. Melhorando o nível de vida dos médicos, os médicos privados também se incorporarão aos hospitais ou clínicas do Estado.
Com o objetivo de melhorar o serviço médico para os trabalhadores, é necessário aumentar decisivamente o número de hospitais e clínicas. De acordo com o previsto no plano deste ano, temos de construir mais hospitais estatais e abrir mais clínicas e dispensários na cidade e no campo.
E, ao mesmo tempo, procurar melhorar as condições dos hospitais e clínicas atualmente existentes. Como suas instalações e equipamentos são insuficientes, os hospitais e clínicas encontram dificuldades no tratamento dos enfermos. É indispensável que o Departamento de Saúde Pública os dote do necessário o mais rápido possível. Deve também preparar salas confortáveis para os enfermos nos hospitais.
Os hospitais e clínicas do Estado são propriedade comum de todo o povo. Os órgãos do Poder popular melhorarão a direção dessas instituições, de modo que possam ser mantidas em condições ideais.
É preciso implantar o sistema de atendimento médico por zonas e reforçar ainda mais o trabalho higiênico e profilático.
Este último aspecto é uma tarefa de suma importância para erradicar todo tipo de hábitos anti-higiênicos e incultos e prevenir as doenças entre os trabalhadores. O Departamento de Saúde Pública e a Comissão Central de Profilaxia devem realizá-la com energia.
Antes de tudo, é necessário difundir amplamente os conhecimentos sanitários e higiênicos entre os trabalhadores. Para isso, deverão ser utilizados jornais, revistas e outras diversas publicações, e realizar-se em grande escala a propaganda higiênica, mobilizando os partidos políticos, as organizações sociais e as instituições de ensino.
Um aspecto importante da higiene e da profilaxia é preparar adequadamente os alimentos. Se o homem os ingerir muito salgados, isso poderá causar-lhe doenças do estômago e outras enfermidades. Deve-se intensificar a propaganda para que todas as famílias preparem bem os alimentos. É aconselhável ensinar, daqui em diante, às alunas das escolas secundárias básicas e superiores a arte culinária.
Com vistas a reforçar o trabalho de higiene e profilaxia, é conveniente criar instalações sanitárias adequadas em todos os lugares onde residam pessoas. O Departamento de Saúde Pública e a Comissão Central de Profilaxia devem dotar as fábricas e empresas de instalações de higiene industrial, como sistemas de ventilação e de aspiração de poeira, e tomar medidas para criar nas localidades rurais estabelecimentos de higiene, como banhos públicos e barbearias.
Deve-se manter a limpeza nas ruas e bairros por meio de um movimento de todo o povo e conseguir que todos cuidem devidamente de sua higiene pessoal.
Para a promoção contínua da saúde dos trabalhadores, é necessário proporcionar-lhes um melhor serviço de casas de repouso e sanatórios. Este ano, um número maior de operários, técnicos e empregados, quase 1,5 vez mais que no ano passado, será beneficiado por esse serviço, pelo que o Departamento do Trabalho e o Departamento de Saúde Pública terão de realizar um bom trabalho organizativo para assegurar-lhes descanso suficiente. Para a saúde dos trabalhadores, é uma medida de importância promover ativamente a educação física. Em todos os setores e unidades devem ser instaladas barras fixas, barras paralelas e outros aparelhos esportivos para que todos possam praticá-la. Em particular, é preciso normalizar os exercícios durante o intervalo do trabalho nas fábricas, empresas e escritórios.
Considero necessário elaborar e promulgar, daqui em diante, uma lei sobre o melhoramento e a intensificação do trabalho de saúde pública e de higiene.






