Discurso de encerramento do camarada Kim Il Sung na 6ª Reunião do Comitê Central da Frente Unida Nacional Democrática da Coreia do Norte
18 de setembro de 1946
Como o relator e os senhores se referiram, em suas intervenções na reunião de hoje, à política reacionária da administração militar estadunidense na Coreia do Sul, falarei brevemente sobre a atitude que o povo coreano deve adotar em relação aos Estados Unidos.
O povo coreano defende a manutenção da amizade com os países que respeitam seus interesses e apoiam a soberania e a independência democrática da Coreia, mas, em relação aos países que atentam contra seus interesses, impedem a soberania e a independência democrática da Coreia e procuram colonizá-la, será obrigado a repudiá-los e combatê-los. A atitude do povo coreano em relação aos Estados Unidos depende inteiramente da postura que este adote para com o nosso país. Se aplicar uma política de amizade para conosco, será um Estado amigo do povo coreano; porém, nas condições atuais, ao promover uma política reacionária com a ambição de colonizar a Coreia, nós o consideraremos inimigo da nossa nação e, consequentemente, o povo coreano deve travar uma luta contra o imperialismo estadunidense.
Desde o exato momento em que as tropas estadunidenses desembarcaram na Coreia do Sul, imediatamente após a libertação, não consideramos essa ação como algo normal e desconfiamos inteiramente delas. Há muito tempo conhecíamos a natureza agressiva dos Estados Unidos, mas não era necessário que, desde o primeiro momento, nos opuséssemos abertamente à administração militar estadunidense, porque ela havia prometido, ao menos em palavras, ajudar a independência da Coreia. Entretanto, hoje, diante da manifesta natureza agressiva do imperialismo estadunidense na Coreia do Sul, não podemos continuar mantendo essa atitude.
As tropas dos Estados Unidos implantaram hoje na Coreia do Sul uma política extremamente reacionária. Mal desembarcaram na Coreia do Sul, proclamaram a administração militar, dissolveram os comitês populares organizados por iniciativa do povo e reprimiram por todos os meios o movimento democrático do povo patriótico. A administração militar estadunidense reuniu os pró-japoneses, os pró-estadunidenses e os renegados que venderam o país e a nação, transformando-os em seus fiéis lacaios, e permite que os reacionários atuem em completa liberdade e cometam toda espécie de arbitrariedades contra o povo. Na Coreia do Sul, as tropas estadunidenses estão pisoteando brutalmente até mesmo as mais elementares liberdades e direitos democráticos do povo, como a liberdade de expressão, de imprensa, de reunião, de associação e de crença religiosa, além de prender, encarcerar e assassinar desenfreadamente os patriotas e a população. Ao mesmo tempo, os imperialistas estadunidenses impuseram seu controle, sob o pretexto de "bens do inimigo", sobre as fábricas, minas e outras empresas industriais que naturalmente devem pertencer ao povo coreano, comportando-se como se fossem seus proprietários.
Esses fatos demonstram que os imperialistas ianques estão tramando toda espécie de maquinações para transformar nosso país em sua colônia.
Não podemos mais tolerar os atropelos que eles estão cometendo na Coreia do Sul. Todo o povo coreano deve manter-se vigilante e opor-lhes uma resistência resoluta.
Como todos sabem, a política de um Estado não é imutável. Este deve traçar sua política de acordo com a época e as circunstâncias. A situação atual exige que lutemos decididamente contra a administração militar dos Estados Unidos. Diante da situação em que as maquinações do imperialismo estadunidense para transformar nosso país em sua colônia se tornam cada vez mais abertas, nosso povo voltará a cair na trágica condição de apátrida e, nem é preciso dizer, será impossível construir um Estado plenamente soberano e independente se deixarmos de lutar contra a administração militar estadunidense. Os trinta milhões de coreanos jamais voltarão a ser escravos dos imperialistas ianques, ainda que tenham de morrer na luta.
Opor-se à administração militar estadunidense não impede a solução da questão coreana; ao contrário, cria condições favoráveis para ela. Quando nos opusermos energicamente a essa administração, poderemos despertar as massas populares, fortalecer as forças democráticas e acelerar o desenvolvimento democrático do nosso país e a construção de um Estado plenamente soberano e independente.
É preciso desmascarar e denunciar resolutamente as atrocidades do imperialismo ianque. Sua natureza agressiva e os crimes da administração militar estadunidense na Coreia do Sul devem ser amplamente conhecidos por todo o povo. É necessário organizar comícios de oposição e de repúdio às manipulações reacionárias dessa administração e expor diante do mundo inteiro as atrocidades cometidas pelos imperialistas estadunidenses na Coreia do Sul. Devemos, desse modo, suscitar a opinião pública em toda a Coreia e, posteriormente, em todo o mundo. Intensificando as atividades de desmascaramento e condenação da barbárie do imperialismo estadunidense, faremos com que todo o povo se levante para lhe opor resistência e que todos os povos progressistas do mundo apoiem ativamente a justa luta do nosso povo pela completa soberania e independência do país.
Devemos enviar às autoridades da administração militar estadunidense uma carta de protesto contra suas atrocidades. Temos de exigir-lhes resolutamente, mais uma vez, que entreguem o poder ao povo coreano, libertem os patriotas, promulguem rapidamente na Coreia do Sul as leis da reforma agrária, do trabalho e da igualdade de direitos entre homens e mulheres, e transfiram para a propriedade do nosso povo as fábricas, minas, ferrovias, comunicações, bancos e todas as demais empresas industriais. Se o imperialismo ianque não aceitar essa exigência, lutaremos até o fim. E, caso a Comissão Conjunta URSS-EUA retome seus trabalhos e dela participemos, também ali protestaremos contra o imperialismo estadunidense, mantendo no futuro essa mesma postura de condenação.
Para deter e frustrar as maquinações reacionárias do imperialismo estadunidense, é importante, antes de tudo, incentivar a população da Coreia do Sul a travar uma luta decidida. Quando, ali, os imperialistas estadunidenses assassinam patriotas, tomam as fábricas construídas e as terras cultivadas com o suor e o sangue do nosso povo e nos impedem de construir um Estado democrático, soberano e independente, por que permanecer de braços cruzados? Toda a população da Coreia do Sul, incluindo os operários e os camponeses, deve opor-se de forma ainda mais resoluta à administração militar estadunidense.
É preciso fortalecer as forças democráticas para desenvolver vigorosamente a luta contra essa administração e construir com êxito a nova Coreia democrática. Os inimigos recorrem a toda espécie de maquinações para enfraquecer nossas forças democráticas. Devemos aguçar a vigilância revolucionária e fazer todo o possível para conquistar amplos setores das massas populares e ampliar e consolidar as forças democráticas.
Um aspecto importante do fortalecimento das forças democráticas é consolidar firmemente os partidos políticos e as organizações sociais democráticas e fortalecer ainda mais a Frente Unida Nacional Democrática. Estes desenvolverão uma luta enérgica para eliminar completamente os elementos estranhos infiltrados em suas fileiras, fortalecer sua estrutura organizativa e unir estreitamente todas as forças patrióticas e democráticas na Frente Unida Nacional Democrática. Dessa forma, intensificaremos a luta contra as atrocidades do imperialismo estadunidense na Coreia do Sul e aceleraremos a construção da nova Coreia democrática com as forças unidas de todo o povo.
A criação de sólidas bases democráticas na Coreia do Norte constitui a garantia decisiva para cumprir com êxito a grande tarefa da construção do país. Somente quando consolidarmos essas bases seremos capazes de derrotar, a qualquer momento, toda espécie de conspirações dos imperialistas ianques e de seus lacaios, acelerar o estabelecimento de um governo unificado e alcançar a plena soberania e independência democrática. Os partidos e as organizações sociais consolidarão as vitórias já alcançadas na construção da nova pátria e, ao mesmo tempo, contribuirão ativamente para estabelecer as bases da edificação de um Estado democrático, plenamente soberano e independente na Coreia do Norte.





