sábado, 23 de agosto de 2025

Choe Kum Suk

Choe Kum Suk destacou-se como uma figura de profunda dedicação e afeto dentro do movimento guerrilheiro na Manchúria. Atuando como membro do comitê do partido em Wangqing, encarregada do trabalho feminino, ela esteve presente em momentos críticos, especialmente quando o General Kim Il Sung caiu gravemente enfermo em Shiliping. Enquanto outros destacamentos combatiam, Choe permaneceu para cuidar dele, junto com um pequeno grupo de guardas. Sua atenção ia muito além dos deveres formais: quando ele perdia a consciência, chorava e o chamava de volta à vida; quando o abrigo se tornava inseguro, sustentava-o pelo braço para buscar outro refúgio. Não fosse por sua paciência e constância, o General acreditava que não teria sobrevivido àquele inverno.

Além de enfermeira, Choe foi companheira de trabalho e militante incansável. Sua habilidade para registrar atas era incomum, conseguindo escrever discursos inteiros e organizar relatórios com precisão. Ela não se limitava à retaguarda: era enviada em missões em áreas controladas pelo inimigo e executava-as com firmeza. Apesar de sua simplicidade, despertava carinho e respeito; quando o General a chamava de “bonita”, reagia com constrangimento, mas essa expressão revelava a estima que ele nutria por mulheres como ela, que, mesmo vivendo entre fumaça e privação, se entregavam integralmente à causa. Era esse tipo de devoção que o fazia considerá-las mais belas do que qualquer dama das cidades.

A ternura de Choe também se manifestava em pequenos gestos. Quando capturaram cosméticos do inimigo, ela se alegrou, mas preferiu ceder sua parte a outras companheiras. Ao ser incentivada a usá-los, tentou maquiar-se pela primeira vez, à beira do rio, sem espelho, usando a água como reflexo; o resultado desajeitado arrancou risos afetuosos. Ainda assim, esse episódio levou o General a lamentar não ter providenciado espelhos para as mulheres do destacamento, reconhecendo que a afeição delas pelos combatentes superava qualquer cuidado que recebessem. Num momento de melhora da enfermidade, Choe percorreu quilômetros até Tumen para trazer maçãs e peras coreanas, gesto que emocionou profundamente o General, que chegou a compará-la a uma irmã ou mãe que lhe oferecia amor incondicional.

Esse vínculo torna mais pungente o desfecho de sua história. Após recuperar-se, o General confiou-lhe a missão de cuidar de outro camarada enfermo. Essa foi a última vez que se viram. Na ofensiva seguinte, as forças inimigas infligiram pesadas baixas, e Choe Kum Suk foi uma das que não retornaram. Entre os que foram recebê-lo com lágrimas após a vitória, ela não estava; na mochila que o General trazia, havia um espelho comprado especialmente para presenteá-la, agora inútil. A perda da mulher a quem ele chamava de “irmã” deixou uma dor permanente, pois Choe, que sonhava ver a libertação e conhecer Pyongyang, entregara tudo, inclusive a vida, à causa que abraçara sem reservas.

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