A “Associação suprapartidária de parlamentares para visitar coletivamente o Santuário Yasukuni” fez, no dia 15, uma visita em massa ao santuário. Cinquenta e dois membros da Dieta, incluindo vários ministros do governo e parlamentares tanto do partido governista quanto da oposição, reuniram-se ali e realizaram cerimônias. Consta que, neste mesmo dia, o governante enviou uma oferenda ao santuário.
Como é amplamente sabido, o Santuário Yasukuni é um centro ideológico do militarismo.
Nesse local estão consagradas as almas dos criminosos de guerra de classe A, culpados de guerras de agressão. O Yushukan, museu dentro do santuário, está cheio de exposições que embelezam as guerras de agressão lançadas pelo Japão, descrevendo-as como “guerras justas” ou “guerras de libertação da Ásia”.
Os chamados “espíritos que sacrificaram a vida pela pátria”, homenageados pelos políticos japoneses, na realidade são invasores, saqueadores e assassinos que impuseram morte, sofrimento e desgraça aos povos de nosso país e de outras nações asiáticas.
O simples ato de rezar pelo “descanso das almas” desses criminosos de guerra, justamente no dia da derrota, não pode ser visto de outra forma senão como uma expressão obstinada de revanche e de delírio militarista, uma tentativa de concretizar a ambição de nova agressão.
É exatamente por esse motivo que as ações insanas dos políticos japoneses têm provocado protestos e condenações unânimes não apenas nos países vizinhos, mas também na comunidade internacional.
Apesar da forte oposição interna e externa, por que os políticos japoneses continuam teimosamente visitando o Santuário Yasukuni? Para que objetivo?
Trata-se de tornar costumeira e legitimada a veneração aos fantasmas do militarismo, a fim de transformar o Japão, de forma completa, em um Estado belicista e agressor.
O Santuário Yasukuni foi erguido na segunda metade do século XIX como um templo para homenagear os samurais que morreram pelo imperador do Japão, e durante o período das guerras de agressão no continente foi utilizado como uma importante instalação destinada a doutrinar o povo no militarismo e a empurrá-lo para o campo de batalha.
Os militaristas japoneses, aproveitando-se das chamadas “datas comemorativas”, realizavam todos os anos pomposas “cerimônias nacionais” nesse local. Por meio delas, inculcavam nas massas a ideia de que somente sacrificando a vida pelo imperador seria possível que a alma tivesse o “privilégio” de repousar no Yasukuni, difundindo assim a ideologia agressiva e militarista. Embriagados por essa pregação fanática, incontáveis jovens partiram para a guerra e cometeram atrocidades sem hesitar — assassinatos, incêndios e saques.
É precisamente esse ambiente social que as forças reacionárias japonesas buscam reviver hoje.
Não é por acaso que, pouco tempo após a derrota, o Santuário Yasukuni, que havia sido relegado ao ostracismo social, recuperou rapidamente sua antiga posição. Também não é fortuito que, a partir do fim da década de 1950, criminosos de guerra tenham começado a ser paulatinamente consagrados ali e, em 1978, até mesmo 14 criminosos de guerra de classe A, executados, tenham sido secretamente incluídos. Tudo isso foi possível graças ao forte patrocínio e à ativa intervenção das autoridades reacionárias.
O fato do Santuário Yasukuni ter se transformado numa fortaleza da política conservadora, e do ingresso efetivo na vida política passar a depender da travessia de seu portão, é um retrato claro de até que ponto a política japonesa avançou no caminho da reação e da direitização.
As visitas obstinadas dos políticos de direita ao Santuário Yasukuni também têm como objetivo criar uma espécie de “imunidade” na opinião pública dos países vizinhos e da comunidade internacional, de modo a enfraquecer a vigilância e a consciência crítica.
Não por acaso, governantes japoneses ao longo do tempo têm defendido sofismas como: “as visitas ao Yasukuni são meras expressões de respeito pela história, tradição e costumes, sobre as quais os países vizinhos não têm o direito de se intrometer” ou ainda “assim como líderes de todo o mundo prestam homenagens àqueles que lutaram por sua pátria, também as visitas ao Yasukuni devem ser compreendidas”.
O simples ato de tentar colocar um templo que venera os espectros do militarismo no mesmo nível que memoriais nacionais de outros países é, em si, uma afronta e um escárnio à comunidade internacional.
As obstinadas ações das forças políticas de direita, determinadas a concretizar a ambição de nova agressão, acabarão por empurrar o Japão para uma catástrofe ainda maior.
Jang Chol
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