Kim Kum Sun surgiu como uma heroína infantil no ardor da luta antijaponesa, tornando-se conhecida em todo o movimento revolucionário da Manchúria Oriental. Ainda muito jovem, foi enviada junto de Kim Ok Sun pelo Corpo Infantil de Beidong para Xiaowangqing, centro estratégico da revolução coreana. Ambas integravam uma trupe artística e, com canções e danças, percorriam longas distâncias por caminhos íngremes e pedregosos, apoiadas em bengalas e carregando pesadas mochilas, a fim de levar força espiritual e cultural aos guerrilheiros. O povo as recebia com profundo afeto, vendo na coragem destas meninas um reflexo da chama que alimentava a luta de toda uma geração.
A história de Kim Kum Sun, porém, não se separa das tragédias que atingiram sua família. Seu pai, dirigente de uma organização clandestina em Wangougou, foi falsamente acusado de envolvimento com “Minsaengdan” e executado. Sua mãe tombou em combate, empunhando um rifle para defender a base guerrilheira. Ao todo, cinco membros de sua família, incluindo ela mesma, perderam a vida na tormenta da guerra antijaponesa. Tal destino recorda o de Ryu Kwan Sun, cujos familiares também foram destruídos pelo inimigo, selando assim a imagem de Kum Sun como símbolo de uma infância sacrificada pela pátria.
No entanto, a chama dessa família não se extinguiu. O irmão mais novo de Kum Sun, Kim Ryang Nam, sobreviveu à catástrofe e seguiu o caminho artístico, tornando-se compilador musical no estúdio de documentários após se formar na Universidade de Música e Dança. Carregava, contudo, o fardo da memória dolorosa da execução injusta do pai. O Dirigente Kim Jong Il, informado de sua situação, cuidou dele com atenção especial, providenciando equipes médicas, medicamentos raros do exterior e até aeronaves para garantir tratamentos. Graças a esse esforço, sua vida foi prolongada em alguns anos, embora tenha falecido ainda jovem, aos quarenta.
A herança espiritual de Kim Kum Sun não desapareceu. O filho de Kim Ryang Nam formou-se na mesma universidade que o pai e hoje compõe obras para o Conjunto Artístico Mansudae, cantando as mesmas canções revolucionárias entoadas por sua avó, mãe, tia e pai. Assim, a voz de Kum Sun e de sua família continua ecoando, não como lembrança apagada, mas como testemunho vivo de uma geração que ofereceu até a infância em defesa da revolução. No heroísmo da menina que tombou, repousa a grandeza de uma mártir cuja imagem permanece imortal.
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