terça-feira, 26 de agosto de 2025

Tong Chang-rong

Tong Chang-rong, nascido em novembro de 1907 no condado de Zongyang, província de Anhui, destacou-se como um importante dirigente revolucionário chinês e parceiro estratégico dos comunistas coreanos na luta antijaponesa. Tendo desempenhado papel ativo na construção de zonas soviéticas na China, acumulou ampla experiência no trabalho político e militar. Sua vivência na fundação de um governo soviético na província de Henan lhe conferiu prestígio e autoridade, tornando-se uma figura central nas discussões sobre formas de governo nas bases guerrilheiras da Manchúria Oriental. Durante suas conversas com Kim Il Sung, ficou claro que, apesar de inicialmente defender o modelo soviético, ele demonstrava abertura para revisões críticas e reconhecia os limites de sua aplicação direta ao contexto coreano.

Com uma personalidade obstinada, mas de caráter gentil, Tong Chang-rong era respeitado por seus companheiros, inclusive por Kim Il Sung, com quem frequentemente debatia linhas políticas. Embora divergências tenham surgido, especialmente quanto à estratégia de frente unida versus a imposição de estruturas soviéticas, sua relação com Kim foi marcada pela confiança mútua e respeito intelectual. Foi também um dos primeiros líderes chineses a apoiar abertamente a formação de um exército revolucionário coreano, compreendendo seu caráter nacional sem interpretá-lo como um desvio nacionalista, o que demonstrava sua visão progressista para a época.

A atuação de Tong não se restringiu à teoria. Ele esteve envolvido diretamente em decisões organizacionais cruciais, como a unificação das forças guerrilheiras antijaponesas e a estruturação de um comando integrado entre chineses e coreanos. Apesar de episódios controversos, como sua postura durante as repressões relacionadas ao “Minsaengdan”, ele também demonstrou capacidade de ouvir críticas e ajustar suas posições. Um exemplo notável de sua integridade ocorreu quando, prestes a ser executado por soldados japoneses durante uma epidemia em Jiandao, usou seus últimos momentos para denunciar os crimes do imperialismo japonês, falando fluentemente em japonês devido à sua formação universitária naquele país.

A morte de Tong Chang-rong, em 21 de março de 1934, após ser baleado no abdômen por tropas japonesas em Wangqing, foi uma perda sentida profundamente por seus camaradas. Kim Il Sung, que retornava do campo de batalha, lamentou não reencontrá-lo, lembrando-se de sua dedicação, debates intensos e apoio incondicional. Tong havia se tornado uma das figuras mais queridas e respeitadas entre os combatentes da zona guerrilheira, não apenas por sua competência revolucionária, mas também por seu modo simples de viver e sua disposição constante de compartilhar o que tinha com o povo. Sua trajetória marcou, de forma definitiva, a cooperação entre os movimentos comunistas chinês e coreano.

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