A dureza da vida guerrilheira também marcou a trajetória de Wang De-tai. Nos quartéis da retaguarda, a fome era tamanha que ele próprio sobrevivia com grãos misturados a casca de pinheiro fervida, compartilhando da mesma penúria que as crianças que rondavam a cozinha em busca de restos. Mesmo na adversidade, conservava sua firmeza de caráter, e esse exemplo de igualdade no sofrimento solidificava sua autoridade moral diante dos soldados. Em várias ocasiões, foi visto dividindo com simplicidade as privações cotidianas, mostrando que a posição de comandante não o afastava da vida dura do povo.
Como líder militar, Wang participou de importantes debates estratégicos. Quando o Comintern propôs a chamada expedição de Rehe, ele se mostrou cético desde o início. Argumentava que deslocar milhares de guerrilheiros para atacar grandes cidades, afastando-se das bases montanhosas, contrariava os princípios fundamentais da guerra de guerrilha. Sua prudência contrastava com a aceitação quase automática de muitos dirigentes às diretrizes externas, revelando um espírito crítico que buscava preservar a luta de erros já cometidos anteriormente. Ao mesmo tempo, apoiava com firmeza a linha da frente unida, chegando a se opor a medidas injustas contra companheiros acusados de "Minsaengdan", defendendo-os publicamente com coragem.
O fim de sua vida chegou cedo, em 25 de novembro de 1936, quando caiu em combate, liderando pessoalmente um ataque com sua Mauser em mãos. Sua morte, junto com a de outros comandantes, como Cao Guo-an, causou profundo impacto entre as fileiras do Exército Aliado Antijaponês, desencadeando discussões sobre a necessidade de maior proteção aos líderes militares. O desaparecimento de Wang De-tai não significou apenas a perda de um comandante de valor, mas de um camarada lembrado por seu rigor, sua solidariedade silenciosa e sua lealdade inabalável à causa da libertação. Sua memória permaneceu viva nos relatos de amizade e sacrifício compartilhados entre combatentes coreanos e chineses nas florestas da Manchúria.
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