quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Para transformar a Guerrilha Popular Antijaponesa no Exército Revolucionário Popular da Coreia


Discurso proferido na Conferência de Quadros Militares e Políticos da Guerrilha Popular Antijaponesa, efetuada em Macun, distrito de Wangqing, em 9 de março de 1934.

Camaradas:

Hoje vamos tomar a medida de converter a Guerrilha Popular Antijaponesa no Exército Revolucionário Popular da Coreia, com vista a ampliar e desenvolver mais a Luta Armada Antijaponesa.

Isto trata-se de uma disposição ativa e iniciativa que reflete a atual situação militar e política e as exigências do desenvolvimento da própria Guerrilha.

Hoje em dia foi criada uma tensa situação militar e política ante a nós devido às manobras desesperadas dos imperialistas japoneses.

Com a intenção de acabar com a Guerrilha e suas bases, que se ampliam e fortalecem cada dia mais, os imperialistas japoneses perpetraram no ano passado grandes "operações de terra arrasada" contra todas as zonas guerrilheiras com Wangqing como centro. Ademais, a Guerrilha Popular Antijaponesa e a população local frustraram completamente a ofensiva militar e a "operação de terra arrasada" invernal do inimigo.

Uma vez fracassado o "castigo" invernal, este recorre agora a outro método "punitivo". Diferente do método anterior, consiste em deslocar seus efetivos nos pontos importantes das áreas adjacentes às zonas guerrilheiras e as "castigar" enviando essas forças de modo concentrado em uma direção determinada, hoje aplica uma nova tática de devastá-las mediante operações de assédio contra todas essas zonas e contínuas ofensivas militares.

Para alcançar este fim, os imperialistas japoneses introduzem na zona da Manchúria do Leste incluso o grosso da "unidade de elite" do exército Guandong e, havendo reforçado e equipado com modernas armas as forças "punitivas", entre elas, o exército manchu títere, as polícias japonesa e manchu, a guarnição e a guarda fronteiriça, as concentram próximo de todas as zonas guerrilheiras da Manchúria do Leste, ao tempo que aceleram a construção de estradas com fins militares, e reparam e reforçam os aeroportos militares.

A fim de bloquear as zonas guerrilheiras, aplicam com mais força a já vigente política das "aldeias de concentração" e, mediante a imposição da "lei provisória de vigilância coletiva" que supera o "sistema de vigilância coletiva" de índole medieval, manobram freneticamente para atropelar e eliminar sem piedade todos os elementos antijaponeses.

Tratam de empreender novas operação "punitivas" que combinam uma grande ofensiva militar com a política de bloqueio econômico, enquanto atuam desesperadamente para "desmantelar por completo" e a todo custo as zonas guerrilheiras nesta ocasião.

A situação político-militar criada por estas manobras do imperialismo japonês nos exige tomar novas e drásticas medidas.

Em vista de que os imperialistas japoneses tratam de "eliminar por completo" as zonas guerrilheiras mediante operação de assédio total e um prolongada ofensiva, devemos transformar o sistema de organização das guerrilhas de modo que todas suas unidades na Manchúria do Leste atuem de maneira unificada para assim assegurar-lhes um comando unitário.

No curto espaço de tempo de dois anos depois de sua fundação, as unidades da Guerrilha Popular Antijaponesa cresceram e se fortaleceram como poderosas forças armadas no fragor da luta armada.

Nas zonas da Manchúria do Leste e nas próximas ao rio Tuman empreenderam sem trégua as atividades político-militares, desferindo assim grandes golpes aos imperialistas japoneses e seus esbirros e dando prova de seu poderio, enquanto nas extensas zonas da Manchúria do Leste realizavam titânicos esforços para criar as bases guerrilheiras, consolidá-las e desenvolvê-las. Neste período, a Guerrilha Popular Antijaponesa engrossou e reforçou constantemente suas filas com os melhores filhos e filhas dos operários, camponeses e outros setores do povo trabalhador. No distrito de Wangqing e demais regiões extensas da Manchúria do Leste, as unidades da Guerrilha Popular Antijaponesa cresceram vertiginosamente até converter-se em regimentos ou forças de nível superior a estes, enquanto que seus armamentos melhoraram consideravelmente. Além disso, foram formados numerosos comandantes e quadros políticos bem preparados, todos os combatentes assimilaram os métodos e táticas da guerra de guerrilhas e, na medida que crescia a Guerrilha Popular Antijaponesa, se expandiu a esfera de atividades de suas unidades.

Em consonância com o crescimento e fortalecimento de suas filas, a Guerrilha se esforçou, por uma parte, para proteger suas bases do "castigo" inimigo e, pela outra, deslocando-se a vastas regiões, desenvolveu com ousadia ações para perturbar a retaguarda inimiga. Em todas partes, suas unidades efetuaram um grande número de emboscadas e assaltos contra importantes pontos militares do inimigo, assim como ataques a cidades, entre eles, os que efetuaram contra Shuanghezhen, do distrito de Wangqing, Badaogou, do distrito de Yanji, e a cidadela distrital de Dongning. Deste modo, as áreas de suas ações militares se estenderam para vastas regiões, saindo assim do estreito teatro de operações das zonas guerrilheiras, e aumentou também a envergadura de suas operações combativas.

A nova realidade criada com a ampliação e o fortalecimento das forças da Guerrilha Popular Antijaponesa, a formação de competentes comandantes e quadros políticos, e a extensão das áreas de suas atividades militares, requer com urgência estabelecer o sistema de comando correspondente.

Até agora dirigimos as unidades que atuam independentemente nas zonas guerrilheiras por meio da seção militar do distrito respectivo. Mas, nas condições atuais, quando as unidades guerrilheiras de todos os distritos se ampliaram e fortaleceram com forças superiores ao nível de regimento, e suas áreas de ação militar e a envergadura dos combates se estenderam,  com dito sistema de comando é impossível assegurar plenamente o comando unificado sobre elas. Portanto, há que modificá-lo para dirigir de maneira unificada as guerrilhas que atuam por distritos.

Somente assim será possível frustar com êxito as operações de assédio dos inimigos sobre todas as zonas guerrilheiras, realizar ofensivas de contra-cerco com grandes destacamentos, assim como estabelecer novas zonas guerrilheiras nos distritos que assim o permitam para transladar as atuais para ali a tempo caso seja necessário.

Com conformidade com a atual situação político-militar e as exigências do desenvolvimento da própria Guerrilha Popular Antijaponesa, devemos transformá-la sem demora no Exército Revolucionário Popular da Coreia.

Desta maneira, devemos abrir um amplo caminho para fazer mais poderosas e invencíveis nossas forças armada revolucionárias, e ampliar e desenvolver com rapidez a luta antijaponesa de libertação nacional do povo coreano em seu conjunto, enquanto desferimos grandes golpes político-militares aos agressores imperialistas japoneses.

Na transformação da Guerrilha Popular Antijaponesa no Exército Revolucionário Popular da Coreia, devemos ter em conta necessariamente as peculiaridades de que a Luta Armada Antijaponesa se efetua em forma de guerra de guerrilhas contra as forças armadas regulares do imperialismo japonês, as quais estão equipadas com armamentos modernos.

Esta circunstância exige que formemos o ERPC segundo o sistema das forças armadas regulares, e que o façamos de forma tal que possa materializar cabalmente os princípios da guerra guerrilheira.

De acordo com estas exigências, temos que estabelecer divisões, regimentos, companhias, pelotões e esquadras segundo o sistema de tripartição. Nos casos necessários, devemos formar também brigadas ou regimentos independentes.

Temos que formar as unidades do ERPC atendo-nos ao princípio de fortalecer as companhias de acordo com as exigências da guerra de guerrilhas. A companhia é a unidade que conta com os efetivos, armas e intendentes necessários para golpear o inimigo com diversas ações militares, atuando com independência em qualquer lugar, exceto nas grandes cidades, e que pode deslocar-se com rapidez e em segredo e evitar complicações na organização da vida. Assim sendo, devemos estabelecer o sistema orgânico com ela como unidade principal de combate atendo-nos ao princípio de reforçá-la ao máximo.

Somente assim, na guerra de guerrilhas poderemos tomar iniciativa nas ações transladando com agilidade os efetivos. Para potencializar a companhia conforme as exigências do combate guerrilheiro, não devemos estabelecer a unidade intermediária como batalhão, mas subordinar a companhia diretamente ao regimento.

Devemos formar as unidades de modo que se assegure plenamente o comando unificado do Comando Geral do ERPC. Parta isso, é necessário criar um poderoso Estado Maior e elevar ao máximo seu papel. Somente então, este Comando Geral poderá controlar o conjunto das ações militares da unidades guerrilheiras que atuam em vastas regiões e estabelecer satisfatoriamente o comando unificado sobre elas: hora concentrando-as agilmente em uma direção, hora dispersando-as por várias zonas, de acordo com a situação criada.

A transformação da Guerrilha Popular Antijaponesa no ERPC requer estabelecer um novo sistema de organização partidista correspondente.

Para alcançar este fim, devemos constituir, antes de tudo, o Comitê do Partido do ERPC e elevar seu papel.

Sob sua jurisdição serão organizados os comitês do partido da divisão e do regimento, aos quais se designarão comissários políticos. No comitê partidista da divisão se instaurará o departamento político encarregado de auxiliar o trabalho do comissário político, o qual por sua vez, terá as sessões que atenderão ao trabalho de organização, de educação e da União da Juventude Comunista. No regimento, o comissário político deve dirigir diretamente todas as tarefas de seu comitê do partido e atender também ao trabalho da UJC por meio do secretário desta organização. Na companhia se organizará a célula do partido, cujo secretário será o instrutor político, quem deverá atender também a célula da UJC. No pelotão serão criados os grupos do partido e da UJC.

Deste modo, se procurará que o Comitê do Partido do ERPC assegure plenamente a direção unificada sobre todos os comitês partidistas dentro de suas filas e demais organizações do partido. Somente assim poderá dirigir corretamente a revolução coreana em geral como órgão supremo de direção.

Somente reformar o sistema organizativo da Guerrilha Popular Antijaponesa e do partido não resolver por si só o problema de potencializar nossas forças armadas e ampliar e desenvolve a luta antijaponesa de libertação nacional. O ponto principal do assunto consiste em que, bem conscientes da nobre missão assumida ante à revolução coreana, devemos lutar com entusiasmo para consolidar e desenvolver as forças armadas revolucionárias, elevar o papel diretivo das organizações partidistas e antecipar a sublime causa da restauração da Pátria, em correspondência com a transformação do sistema orgânico militar e partidista da Guerrilha Popular Antijaponesa.

No futuro, devemos esforçar-nos com afinco para reforçar o ERPC.

Para isso é necessário que os comandantes e os quadros políticos efetuem bem e com alta responsabilidade a direção das unidades e o controle de suas filas.

O importante no comando das unidades é estabelecer um ordenado sistema de comando e disciplina militar, segundo os quais, todos os comandantes e os quadros políticos atuem como um só sob as ordens do Comando Geral. O comando da unidade se efetua através da emissão de ordens de combate, e com um controle, ajuda e direção que as levem a seu cabal cumprimento. Implantar um disciplina rigorosa na execução das ordens do Comando Geral constitui uma tarefa muito importante nas condições da guerra de guerrilhas, nas que as unidades do ERPC atuam de modo independente em todas as esferas. Nas unidades guerrilheiras há que estabelecer com firmeza o ambiente revolucionário de que os comandantes e os combatentes executem cabal e condicionalmente as ordens e diretivas  do Comando Geral.

Os comandantes devem administrar bem suas filas.

Que as unidades do ERPC incrementem ou não sua capacidade combativa e cumpram de maneira impecável ou não suas tarefas designadas depende, em última instância, de como os comandantes administram suas filas. Isto é particularmente importante para nossas unidades, que realizam a luta guerrilheira em meio ao cerco total do inimigo.

Os comandantes devem ser exigentes com os soldados para que estes observam de maneira estrita a ordem e as normas de ação já estabelecidos em todas as atividades militares e na vida cotidiana.

Ademais, modificarão essa ordem e normas segundo o requerimento da reorganização das unidades.

Com vista a dirigir e conduzir com propriedade as unidades, é indispensável incrementar decisivamente a capacidade dos comandantes.

Aos comandantes do ERPC cabe esforçar-se sem descanso para adquirir profundos conhecimentos militares e hábeis táticas guerrilheiras. O importante neste ponto é intensificar o estudo sobre a "Ação da Guerrilha" e dominá-la à perfeição. Devem preparar-se para aplicar com destreza no combate real os métodos e táticas da guerra de guerrilhas assinalados nesse livro. Deste modo, comandarão habilmente e conduzirão com responsabilidade as unidades em quaisquer circunstâncias adversas.

Ademais, devem possuir qualidades provadas e perfeitas, como se exige dos comandantes do ERPC.

É preciso elevar o papel das organizações partidistas de acordo com as exigências do sistema de comando do ERPC, que vai ser modificado. Isto cobra grande importância para cumprir pontualmente todas as tarefas políticas e militares que se apresentam ante às unidades.

Para elevar o papel das organizações do partido, é indispensável fortalecer o sistema de consulta coletiva. Isto lhes permite adotar corretas medidas para cumprir suas tarefas revolucionárias e as levar a cabo sem nenhum desvio. As organizações partidistas em todos os níveis, quando recebem tarefas revolucionárias, devem encontrar mediante a consulta coletiva as vias corretas para as por em prática e logo redistribuí-las de maneira adequada e fazer com que os soldados se mobilizem como um só para cumpri-las.

As organizações partidistas devem dirigir com propriedade a União da Juventude Comunista. Muitos integrantes do ERPC atuam incorporados nas organização da Juventude Comunista, a reserva do partido. As organizações partidistas e os quadros políticos devem intensificar a direção sobre elas para que todos seus integrantes demonstrem plenamente sua valentia e espírito de sacrifício sem abandonar sua integridade revolucionária em qualquer circunstância adversa.

As organizações partidistas devem educar os combatentes para que valorizem os interesses, a vida e os bens do povo e luta até o fim para defendê-los.

Assim devemos aumentar, por todos os meios, a capacidade combativa do ERPC.

Ao sobrepor-nos com valentia às dificuldades e provas que surjam, e ao fortalecer e desenvolver o ERPC como invencíveis forças armadas revolucionárias, expulsemos os bandidos,agressores do imperialismo japonês, e antecipemos o triunfo da causa histórica da restauração da Pátria.

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