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Lenin e Stalin, herdeiros da causa de Marx e Engels, defenderam e desenvolveram o marxismo em novas condições históricas, aplicaram-no à prática, construíram o socialismo na Rússia e fizeram avançar ainda mais o movimento comunista internacional sob a bandeira do marxismo.
No final do século passado e no início do século XX, o capitalismo entrou em sua etapa imperialista, véspera da revolução socialista.
O imperialismo levou ao extremo as contradições entre capital e trabalho, entre um pequeno número de nações civilizadas dominantes e as centenas de milhões de povos das colônias e países dependentes do mundo, bem como as contradições entre as próprias potências imperialistas. Ao intensificar as contradições de classe e nacionais, o imperialismo colocou a revolução social na ordem do dia como uma questão prática.
Lenin, para impulsionar com êxito a luta de libertação do proletariado nas novas condições históricas, defendeu os princípios revolucionários do marxismo e, aplicando-os às novas condições, desenvolveu ainda mais a teoria sobre a revolução proletária, a ditadura do proletariado, a construção do partido da classe operária, a questão nacional e colonial e o desenvolvimento do movimento comunista internacional. Lenin também esclareceu cientificamente a essência e o lugar histórico do imperialismo como etapa final do capitalismo e véspera da revolução proletária, e com base nisso elaborou a teoria sobre a possibilidade da vitória da revolução socialista e da construção do socialismo em um só país. O trabalho teórico criador de Lenin, que enriqueceu ainda mais o tesouro do marxismo, aperfeiçoou a estratégia e a tática do movimento operário e criou garantias para conduzir a revolução à vitória.
A teoria marxista, enriquecida por Lenin, teve sua justeza comprovada pela vitória da Revolução Socialista de Outubro na Rússia e pelo avanço bem-sucedido da revolução e da construção na União Soviética.
A atividade teórica e prática de Lenin foi acompanhada por uma luta resoluta contra o oportunismo de esquerda e de direita na Rússia e na arena internacional.
Após a morte de Marx e Engels, as correntes oportunistas de direita e revisionistas que surgiram, sob o pretexto de novas condições, distorceram e revisaram gravemente os princípios revolucionários do marxismo.
O surgimento do revisionismo oportunista de direita estava estreitamente relacionado com as condições histórico-sociais do movimento operário internacional da época.
Os capitalistas monopolistas enriqueceram rapidamente com altos lucros, sobretudo com os superlucros coloniais, e isso lhes deu a possibilidade de subornar a camada superior da classe operária e formá-la como seu exército auxiliar, a aristocracia operária.
Com a passagem do capitalismo à fase monopolista no final do século XIX e início do século XX, a ruína da pequena burguesia e a diferenciação de classes no campo avançaram rapidamente, e como resultado aumentou ainda mais a entrada de camadas pequeno-burguesas nas fileiras da classe operária.
Ao mesmo tempo, os êxitos parciais da luta parlamentar nos países capitalistas da Europa Ocidental tornaram-se um fator que estimulou tendências oportunistas de direita. Desde a década de 1890 do século XIX, o capitalismo desenvolveu-se de forma relativamente pacífica, ampliaram-se em certa medida as possibilidades de luta legal no movimento operário, e em alguns países como Alemanha, França, Inglaterra e Áustria os partidos sociais-democratas obtiveram considerável número de votos nas eleições parlamentares. Isso iludiu os elementos instáveis dentro do movimento operário.
A corrente revisionista no interior da Segunda Internacional refletia precisamente esse contexto histórico-social e, ao mesmo tempo, adaptava-se à condição em que o marxismo já se havia tornado a ideologia dominante no movimento operário. Os oportunistas daquela época, diante da comprovação da justeza do marxismo tanto teórica quanto praticamente, não podiam opor-se a ele abertamente como as correntes oportunistas anteriores. Por isso recorreram a um método disfarçado, isto é, sob a máscara do marxismo, passaram a combatê-lo por novos meios.
Lenin assinalou o seguinte: “Pela dialética da história, a vitória teórica do marxismo obrigou seus inimigos a disfarçarem-se de marxistas (Obras Completas de Lenin, vol. 18, p. 744).” Eles, fingindo reconhecer o marxismo, sob o pretexto da “liberdade de crítica”, procuraram castrar seu conteúdo revolucionário e transformá-lo numa ideologia que se adaptasse à estratégia e à tática da burguesia. O revisionismo é produto direto da visão de mundo burguesa e de sua influência, é um sistema relativamente organizado das concepções da burguesia. Lenin qualificou os revisionistas como servos da burguesia, verdadeiros lacaios da burguesia, o exército auxiliar operário da classe capitalista.
Sob a influência cada vez mais fortalecida do revisionismo, a Segunda Internacional degenerou num partido oportunista de direita e não pôde deixar de falir com a eclosão da Primeira Guerra Mundial. Em março de 1919, sob a liderança direta de Lenin e no curso de sua luta, foi fundada a Terceira Internacional. A fundação da Terceira Internacional foi a vitória do marxismo-leninismo sobre os oportunistas da Segunda Internacional que traíram os interesses da revolução proletária, e constituiu uma medida importante para o desenvolvimento do movimento comunista e operário internacional e para o fortalecimento organizativo e ideológico dos partidos de cada país.
Nesse período, Lenin, ao defender os princípios revolucionários do marxismo e para fazer avançar vitoriosamente a causa revolucionária do proletariado nas novas condições históricas, teve de combater não apenas o oportunismo de direita, mas também eliminar a influência negativa das correntes oportunistas de esquerda no movimento operário internacional.
Lenin teve de lutar contra os resquícios das correntes oportunistas de esquerda e anarquistas como o blanquismo e o bakuninismo no movimento operário internacional, contra seu reaparecimento sob novas formas, bem como superar as tendências esquerdistas dogmáticas surgidas nas rápidas mudanças da situação na Rússia após a Revolução de Outubro e as tendências sectárias manifestadas nos partidos comunistas integrados na Terceira Internacional.
Após a vitória da Revolução de Outubro, quando a construção do socialismo se colocou como tarefa imediata na União Soviética e o movimento operário internacional e a luta de libertação nacional começaram a desenvolver-se sob novas condições, intensificaram-se as manobras dos trotskistas. A luta contra o trotskismo, oportunismo de esquerda sistematizado e acabado, era uma questão crucial não apenas para o destino da Revolução Russa, mas também para o futuro do movimento comunista mundial. Os crimes contrarrevolucionários do trotskismo, oportunismo disfarçado sob frases ultrarrevolucionárias, foram severamente desmascarados por Lenin e, após sua morte, completamente derrotados por Stalin.
Stalin, fiel discípulo de Lenin e herdeiro de sua causa, realizou a construção do socialismo na União Soviética em condições históricas de aprofundamento da crise geral do capitalismo após a vitória da Revolução Socialista de Outubro, e dirigiu a atividade da Terceira Internacional. A construção do socialismo na União Soviética foi uma tarefa criadora e complexa que abriu um caminho jamais trilhado, realizando pela primeira vez na história o socialismo na vida real. Guiando-se pelas orientações programáticas de Lenin, Stalin resolveu os novos problemas surgidos na construção socialista, defendeu firmemente o marxismo-leninismo e o desenvolveu ainda mais.
Sob a direção de Stalin, a tarefa histórica da construção do socialismo na União Soviética foi cumprida com êxito. Isso confirmou na prática a justeza do marxismo-leninismo.
No período em que Stalin dirigia o Partido Comunista da União Soviética, muitos problemas complexos também se colocaram diante do movimento operário internacional. Na década de 1920, quando o capitalismo obteve relativa estabilização, lançou furiosas manobras contra a União Soviética e para destruir o movimento comunista internacional. Os remanescentes oportunistas da Segunda Internacional também conspiraram malignamente para dividir e desorganizar a Terceira Internacional.
Nessas condições, Stalin lutou energicamente para conduzir o movimento operário internacional pelo caminho correto e assegurar o desenvolvimento saudável do movimento revolucionário mundial. Quando a construção do socialismo na União Soviética avançava vitoriosamente e as contradições político-econômicas do imperialismo se agudizavam ao extremo, os imperialistas estabeleceram abertamente regimes de ditadura fascista, forma de ditadura burguesa baseada na violência. Após o estabelecimento de regimes fascistas na Itália e no Japão, em 1933 foi instaurado na Alemanha o regime fascista de Hitler. A ascensão dos partidos fascistas ao poder suprimiu até os menores vestígios da democracia burguesa nesses países e aumentou o perigo de guerra imperialista destinada a invadir a União Soviética e redistribuir as colônias.
Nessa conjuntura, a Terceira Internacional apresentou a tática da frente única antifascista e indicou o caminho correto da luta contra a opressão fascista e as manobras de guerra do imperialismo. Isso constituiu uma medida justa para o desenvolvimento do movimento operário internacional nas condições em que o caráter reacionário e agressivo do imperialismo se intensificava.
A atividade interna e externa de Stalin desenvolveu-se no curso de uma luta contínua contra o oportunismo de esquerda e de direita tanto no interior do Partido Comunista da União Soviética quanto no movimento operário internacional.
Stalin teve de combater as tendências oportunistas de direita que, representando os interesses dos elementos burgueses nas cidades e no campo, se opunham à revolução socialista e à construção do socialismo na União Soviética, bem como travar uma luta aguda contra as tendências oportunistas de esquerda lideradas por Trotsky.
Quando a revolução e a construção avançavam vitoriosamente na União Soviética e a base dos oportunistas se desmoronava cada vez mais, o grupo oportunista de direita de Bukharin e Rykov e o grupo oportunista de esquerda trotskista formaram um bloco antipartido. Sob a direção de Stalin, o Partido Comunista da União Soviética liquidou organizativa e ideologicamente esse grupo antipartido.
Stalin também travou uma luta firme contra as diversas correntes oportunistas de direita no movimento operário internacional, incluindo as correntes sociais-democratas.
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Na luta contra o oportunismo de direita, a principal atenção de Lenin voltou-se para a corrente revisionista surgida no interior da Segunda Internacional. Isso porque essa tendência oportunista de direita se difundiu amplamente no movimento operário, exerceu grande influência negativa e, como uma corrente ideológica sistematizada, desafiou a linha revolucionária do marxismo.
O revisionismo começou inicialmente no interior do Partido Social-Democrata Alemão, com o grupo de Bernstein e Kautsky, e gradualmente se expandiu para a Sociedade Fabiana na Inglaterra, os ministerialistas na França, os marxistas legais, os “economistas” e os mencheviques na Rússia, formando assim uma corrente internacional. O fundador dessa corrente foi Bernstein. Em sua obra infame "As Premissas do Socialismo e as Tarefas da Social-Democracia" e em uma série de outros livros, a teoria revisionista foi sistematizada.
Lenin, por meio de obras como "O Que Fazer?", "Marxismo e Revisionismo", "O Oportunismo e a Falência da Segunda Internacional", "O Imperialismo, Etapa Superior do Capitalismo", "O Estado e a Revolução" e "A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky", desenvolveu uma luta enérgica e perseverante para esmagar ideologicamente o revisionismo. No curso dessa luta, Lenin desmascarou completamente a essência de classe do revisionismo, seu caráter reformista e oportunista e sua nocividade, defendeu a teoria revolucionária do marxismo e a desenvolveu ainda mais nas novas condições históricas.
O aspecto mais essencial do revisionismo desmascarado e criticado por Lenin foi, antes de tudo, sua oposição à teoria marxista da luta de classes e sua posição reformista de substituir a revolução proletária por reformas sociais.
Lenin assinalou que a questão da luta de classes é uma das questões fundamentais do marxismo, apontando que, para a libertação da classe operária do poder do capital e a realização do socialismo e do comunismo, uma sociedade sem exploração nem opressão, é indispensável conduzir a luta de classes e a revolução social para derrubar o sistema capitalista (Obras Completas de Lenin, vol. 19, p. 127).
No entanto, os revisionistas, incluindo Bernstein, afirmavam que o capitalismo poderia passar ao socialismo sem uma revolução fundamental, por meio de um crescimento natural e de um processo gradual de evolução. Assim, sustentavam que, para o proletariado, o importante não era a luta de classes, mas sim reformas destinadas à melhoria da vida econômica.
Bernstein afirmava que o socialismo é um movimento em direção a uma organização social cooperativa ou um estado dessa organização social e que, para alcançá-lo, não é necessária a luta de classes, mas apenas compromisso e cooperação entre capital e trabalho. A partir daí, negava a oposição de classes sob o capitalismo e até a própria existência do proletariado como classe. Alegava que o proletariado era apenas um composto de diferentes camadas sociais e que a luta de classes assumia formas cada vez mais civilizadas, sendo esse caminho “civilizado” a melhor garantia para a realização do socialismo.
Em última instância, os revisionistas afirmavam que, com o desenvolvimento gradual do capitalismo e o aumento da riqueza social, a diferença entre ricos e pobres diminuiria, o próprio proletariado se aproximaria da burguesia e, portanto, não poderia existir qualquer antagonismo ou barreira entre eles. Assim, a luta de classes seria algo totalmente insensato.
Foi nesse contexto que Bernstein lançou o slogan: “O objetivo final não é nada, o movimento é tudo.” Esse é o slogan mais típico que expressa a posição reformista e oportunista dos revisionistas, que propunham abandonar a luta revolucionária pelo socialismo e limitar-se à luta por interesses econômicos.
Lenin condenou severamente essa posição dos revisionistas. Ele apontou que o reformismo ensina que a revolução não é necessária aos trabalhadores e que é prejudicial, que os trabalhadores não devem avançar rumo à revolução, mas comportar-se docilmente como servos diligentes, lutando apenas por reformas (Obras Completas de Lenin, vol. 17, p. 288). Como Lenin assinalou, o reformismo, embriagado pela legalidade capitalista, esquece o caráter inconciliável entre burguesia e proletariado, considera eternas as instituições jurídicas burguesas e pensa que o socialismo pode caber dentro de seus limites.
Daí que os revisionistas, ao exaltar o reformismo, rejeitavam a luta política da classe operária e defendiam apenas a luta econômica, opunham-se à revolução violenta e pregavam a transição pacífica do capitalismo ao socialismo por meio da luta parlamentar, da difusão de cooperativas e métodos semelhantes.
Já os fundadores do marxismo ensinaram que, entre as três formas de luta do proletariado — luta econômica, luta política e luta ideológica — a mais importante é a luta política, pois somente por meio dela a classe operária pode conquistar o poder e alcançar sua completa emancipação de classe. Declararam também que essa luta política implica, em última instância, a destruição do aparelho estatal burguês e sua substituição por um novo aparelho estatal proletário por meio de uma revolução violenta.
Os revisionistas se opuseram a esses princípios do marxismo e empenharam-se em embelezar o Estado burguês. Alegavam que, como a organização política dos Estados modernos se tornava cada vez mais democrática e diminuíam as necessidades e oportunidades de grandes transformações políticas, seria possível passar pacificamente ao socialismo apenas pela democracia parlamentar. Portanto, sustentavam que o proletariado jamais deveria destruir o aparelho estatal burguês por meio da revolução, mas apenas esforçar-se para desenvolver e aperfeiçoar ainda mais a ordem social burguesa.
Bernstein caluniava a revolução violenta como um “ato impensado” decorrente de inconsciência e absolutizava o parlamentarismo. Afirmava que reformas que há cem anos só poderiam ser realizadas por meio de revoluções sangrentas poderiam agora ser alcançadas por meio do voto, de manifestações e de meios semelhantes de pressão.
Kautsky também se opôs à revolução violenta marxista e afirmava que as contradições internas do Estado imperialista poderiam ser eliminadas por formas de luta que implicassem o menor sofrimento e sacrifício para as massas trabalhadoras e que seria possível criar um novo século de esperança e expectativa dentro da estrutura do capitalismo.
Todas essas afirmações dos revisionistas, como Lenin indicou, ignoravam em essência a luta política pela conquista do poder pelo proletariado e buscavam lançar o proletariado em confusão por meio de exigências econômicas e reformas. Eram a expressão de uma mentalidade oportunista, míope e estreita, que sacrificava os interesses do movimento aos interesses momentâneos, superficiais e imediatos (Obras Completas de Lenin, vol. 16, p. 890).
Lenin desmascarou e criticou implacavelmente as concepções dos revisionistas que absolutizavam apenas a luta econômica. Ele assinalou o seguinte acerca da essência da teoria marxista da luta de classes e do conteúdo da luta política: “Não basta dizer que a luta de classes só se torna verdadeira, ampla e desenvolvida quando abrange o campo da política... O marxismo reconhece como plenamente desenvolvida e ‘de todo o povo’ a luta de classes apenas quando ela não só abrange a política, mas quando, na política, coloca em questão o mais essencial: a organização do poder do Estado” (Obras Completas de Lenin, vol. 19, p. 128).
Lenin também criticou severamente as concepções revisionistas que rejeitavam a criação de um poder revolucionário pelo proletariado e o uso da violência, que chamavam isso de blanquismo ou “dogmatismo”, que embelezavam a democracia burguesa e o parlamentarismo e consideravam a luta parlamentar como a única forma de luta da classe operária.
Lenin afirmou que os marxistas não rejeitam métodos pacíficos para a conquista do poder se tais métodos forem possíveis. Porém, considerar o parlamentarismo não como um dos meios de luta utilizáveis em determinadas circunstâncias históricas, mas como a principal e quase única forma de luta que torna desnecessária a violência, é coisa de canalhas ou de miseráveis. Isso é a maior estupidez, a maior hipocrisia; é substituir a luta de classes e a revolução por eleições sob a velha ordem e sob o velho poder (Obras Completas de Lenin, vol. 30, p. 54).
Lenin apontou que o parlamentarismo burguês é apenas uma cortina de fumaça que encobre as políticas antipopulares elaboradas pela classe dominante nos bastidores do parlamento e que, mesmo na república burguesa mais democrática, não elimina, mas revela ainda mais sua essência como instrumento de opressão de classe... não exclui as crises e as convulsões políticas, mas prepara ao máximo a agudização da guerra civil durante esses períodos (Obras Completas de Lenin, vol. 15, p. 28).
O caráter traiçoeiro dos revisionistas também se expressou claramente no fato de que se opuseram à ditadura do proletariado e contrapuseram a ditadura do proletariado à democracia.
A ditadura do proletariado é a continuação inevitável e o núcleo da luta de classes. Com base na experiência real da revolução socialista na Rússia, Lenin enfatizou que a história ensina que nenhuma classe oprimida jamais conquistou ou pode conquistar o poder sem passar por um período de ditadura, isto é, de conquista do poder político e de repressão violenta da resistência mais desesperada e feroz dos exploradores, que não hesitam em cometer quaisquer crimes (Obras Completas de Lenin, vol. 28, p. 582).
No entanto, os revisionistas, para se oporem à ditadura do proletariado, colocavam ditadura e democracia em oposição direta. Descreviam a ditadura do proletariado como se fosse um instrumento de violência pura que exclui qualquer democracia e defendiam uma “democracia pura” que garantiria toda sorte de liberdades a todos os membros da sociedade.
Kautsky, mestre da sofística e típico representante que capitulou para o lado da burguesia, dizia hipocritamente que “reconhecia” a luta de classes, mas distorcia a ideia marxista da ditadura do proletariado, afirmando que esta não significava o poder estatal do proletariado, e sim uma situação em que o proletariado ocupasse a maioria nos órgãos do Estado, realizando uma “democracia pura”.
Ridicularizando as divagações de Kautsky sobre a ditadura do proletariado, Lenin apontou em "A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky": é evidente que, enquanto existirem diversas classes, não se pode falar em “democracia pura”, mas apenas em democracia de classe... “Democracia pura” é apenas uma expressão vazia e ignorante que revela incompreensão da luta de classes e da essência do Estado (Obras Completas de Lenin, vol. 28, p. 296).
As concepções dos revisionistas nada têm em comum com o marxismo. Lenin afirmou que a ditadura do proletariado é a guerra mais implacável travada pela nova classe, o proletariado que tomou o poder em suas mãos, contra um inimigo mais forte, a burguesia que, embora derrotada, não cessou sua resistência e a intensifica.
Ao mesmo tempo, Lenin assinalou que a ditadura do proletariado não significa apenas violência, nem a violência é tudo, e esclareceu a essência da democracia exercida sob a ditadura do proletariado. Criticando os revisionistas que contrapõem ditadura e democracia e não analisam a democracia sob o ponto de vista de classe, Lenin indicou que somente a democracia sob a ditadura do proletariado é a democracia mais completa para as amplas massas trabalhadoras. Ao tratar da democracia, os marxistas jamais esquecem a questão: para qual classe?
A verdadeira intenção dos revisionistas ao opor a ditadura do proletariado à democracia foi desmascarada por Lenin. Ao fazê-lo, buscavam obscurecer a diferença essencial entre a democracia proletária e a democracia burguesa e ajudar os inimigos da revolução que se opunham à ditadura do proletariado.
A traição dos revisionistas também se expressou na tentativa de transformar o partido da classe operária, de partido da revolução social, em partido da reforma social.
Eles exigiam que o partido da classe operária fosse um partido que transformasse a sociedade por meio de reformas, um órgão para a promoção pacífica da indústria, um partido encarregado de assegurar profunda e amplamente os interesses de toda a nação. Tentaram transformar o partido da classe operária, de vanguarda que organiza e mobiliza as massas para a luta revolucionária, em um partido seguidista que segue a reboque das massas, um partido reformista.
Assim, Bernstein afirmava que a tarefa do Partido Social-Democrata Alemão era, no plano econômico, criar cooperativas de consumo e, no plano político, lutar pela ampliação da democracia e da liberdade, a fim de transformar o parlamento burguês de senhor do povo em servo real do povo.
Os mencheviques russos também se opunham ao princípio do centralismo democrático e à disciplina férrea do partido, exigiam liberdade de crítica e “liberdade de frações” dentro do partido e defendiam a ampla abertura das portas do partido aos oportunistas.
Em suas obras geniais "Um Passo à Frente, Dois Passos Atrás" e "Duas Táticas da Social-Democracia na Revolução Democrática", Lenin desmascarou completamente a essência oportunista dos revisionistas, expôs os fundamentos ideológicos, organizativos e táticos do partido marxista de novo tipo e completou a doutrina marxista sobre o partido.
Lenin indicou que o proletariado não possui outra arma na luta pela conquista do poder além da organização (Obras Completas de Lenin, vol. 7, parte 2, p. 387), e afirmou que o partido, como organização política da classe operária, deve assegurar a unidade ideológica e a unidade de ação, ser um todo unificado organizado segundo o princípio do centralismo democrático e possuir disciplina proletária unificada, sem tolerar frações. Somente um partido assim pode dirigir o proletariado e as amplas massas trabalhadoras na derrubada do capitalismo e na realização do objetivo final da construção do socialismo e do comunismo.
Os revisionistas da Segunda Internacional revelaram abertamente sua posição de abandono da luta de classes e da revolução proletária na sua atitude em relação à guerra, à paz e à questão colonial e nacional, e tornaram-se auxiliares declarados da burguesia imperialista.
Negavam que a origem da guerra estivesse no imperialismo e separavam a luta contra a guerra e pela paz da luta revolucionária das massas contra o imperialismo.
Kautsky, que propôs a teoria do “ultraimperialismo”, afirmava que, como a natureza do imperialismo estava mudando, seria possível prevenir a guerra por meio de acordos entre as potências imperialistas e alcançar uma paz duradoura.
Sustentava que os capitalistas não tinham motivo para fazer guerra, que todos tinham interesse na paz e na redução de armamentos e que, portanto, poderiam ser convencidos a não se lançar em guerras de agressão.
Kautsky e todos os oportunistas da Segunda Internacional, alinhando-se com os imperialistas, propagandeavam uma paz desvinculada da luta anti-imperialista e difundiam entre as massas a ilusão de que a paz poderia ser obtida pela boa vontade dos governos imperialistas. Em sua atitude diante da guerra, caíram na posição do nacionalismo burguês, isto é, do social-chauvinismo, defendendo os interesses de seu “próprio” país.
Traíram a resolução do Congresso da Basileia, que indicava que, em caso de guerra, se deveria utilizar a crise política e econômica provocada por ela para organizar e mobilizar as massas e acelerar a queda do regime capitalista, e sob o slogan da “defesa da pátria” apoiaram a guerra de agressão dos governos imperialistas, chegando ao ponto de instigar os trabalhadores de diferentes países a lutar entre si.
Assim, os oportunistas da Segunda Internacional, que se disfarçavam sob a máscara do marxismo, abandonaram até os menores vestígios do marxismo e degeneraram em inimigos declarados do proletariado.
Em obras como "O Oportunismo e a Falência da Segunda Internacional" e "O Socialismo e a Guerra", Lenin desmascarou e criticou completamente o caráter traiçoeiro dos oportunistas em relação à guerra e à paz e expôs a posição marxista sobre essa questão.
Lenin apontou que o imperialismo é a fonte da guerra e que, enquanto o imperialismo existir, a fonte da guerra também existirá. Portanto, ensinou que a paz só pode ser conquistada por meio de uma luta poderosa contra o próprio imperialismo.
Advertiu sobre o perigo da propaganda oportunista da paz que separa a questão da paz da luta revolucionária anti-imperialista das massas: a atual propaganda pela paz, que não é acompanhada de um chamado à ação revolucionária das massas, difunde ilusões e corrompe o proletariado ao fomentar confiança no humanitarismo da burguesia, entregando-o ao jogo da diplomacia secreta entre os países beligerantes (Obras Completas de Lenin, vol. 21, p. 178).
Lenin ensinou que, na questão da guerra, é preciso distinguir rigorosamente entre guerras justas e guerras injustas, opor-se às guerras de agressão e apoiar incondicionalmente todas as guerras revolucionárias de libertação social e nacional. Destacou particularmente a importância da luta de libertação nacional das colônias para a revolução proletária na época do imperialismo.
Lenin dedicou especial atenção às lutas de libertação nacional dos povos do Oriente e condenou severamente os oportunistas da Segunda Internacional que desprezavam essas lutas e, ao contrário, protegiam a política de agressão e saque dos imperialistas contra os países coloniais.
“O pecado imperdoável da Segunda Internacional e de seu líder Kautsky consiste sobretudo em terem caído constantemente na interpretação burguesa da questão nacional, em não compreenderem seu significado revolucionário, em não saberem ou não quererem colocá-la no terreno da luta revolucionária aberta contra o imperialismo e em não saberem vinculá-la à questão da libertação colonial” (Obras Selecionadas de Stalin, vol. 1, p. 182).
Assim como os nacionalistas burgueses, dividiam as nações em nações civilizadas e nações atrasadas, proclamando que as “nações atrasadas” deveriam aceitar o domínio das “nações civilizadas”. Chegaram até a afirmar que a política colonial ajudava no desenvolvimento dos países atrasados e que, ao saquear as colônias, os Estados imperialistas acumulavam maior riqueza social, o que facilitaria a transição ao socialismo.
Lenin desmascarou completamente essas concepções nacionalistas burguesas dos oportunistas da Segunda Internacional e esclareceu que o movimento de libertação nacional é parte integrante da revolução proletária.
Apontou que a luta revolucionária do proletariado do Ocidente só pode avançar com êxito quando se une ao movimento de libertação das massas trabalhadoras das nações coloniais oprimidas, sobretudo dos povos do Oriente, e conclamou ao apoio incondicional às lutas de libertação dos povos oprimidos: os socialistas não devem apenas exigir a libertação incondicional, sem compensação e imediata das colônias; essa exigência, politicamente, nada mais significa do que o reconhecimento do direito à autodeterminação.
Os socialistas devem, de fato, apoiar com firmeza os elementos mais revolucionários dos movimentos de libertação nacional democrático-burgueses desses países e, em determinadas circunstâncias, também devem ajudar suas insurreições e até suas guerras revolucionárias contra as potências imperialistas que os oprimem (Obras Completas de Lenin, vol. 22, p. 195).
Assim, ao desmascarar e esmagar o oportunismo da Segunda Internacional, Lenin forneceu uma poderosa arma ideológica e teórica para a vitória da revolução proletária na época do imperialismo.
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Enquanto lutava contra as correntes revisionistas e oportunistas de direita da Segunda Internacional, Lenin também desmascarou e esmagou completamente suas diversas variantes surgidas na Rússia e todas as formas de desvios oportunistas de direita.
Antes de tudo, Lenin criticou severamente os “marxistas legais”, que seguiam a política liberal burguesa na Rússia, opunham-se à luta política independente da classe operária e, embora utilizassem a terminologia marxista, rejeitavam o núcleo do marxismo — a teoria da revolução proletária e da ditadura do proletariado. Criticou também o “economicismo”, que rejeitava a luta política, limitava-se à luta econômica e tentava abandonar o movimento operário à espontaneidade. Lenin travou ainda uma luta firme contra os mencheviques, que se opuseram aos princípios organizativos do partido marxista, rejeitaram a luta revolucionária da classe operária pela conquista do poder e praticaram ações sectárias maliciosas. Após o fracasso da revolução de 1905, os liquidacionistas capitulacionistas, que rejeitavam toda luta ilegal do partido e pretendiam liquidar o partido marxista, também foram completamente criticados e desmantelados por Lenin.
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Stalin defendeu resolutamente a posição revolucionária de Lenin na luta contra as correntes oportunistas de direita. Após a morte de Lenin, manteve firmemente a bandeira do leninismo, lutando decididamente contra os desvios sociais-democratas dentro e fora da Terceira Internacional e esmagando completamente diversos desvios de direita para assegurar a vitória da revolução socialista e da construção socialista na União Soviética.
À medida que a construção socialista avançava na União Soviética e o Partido Comunista passava a aplicar medidas revolucionárias, incluindo a coletivização da agricultura, para alcançar a vitória completa das relações de produção socialistas, Bukharin, Rykov e outros se levantaram contra o avanço da revolução e da construção socialista. Eles apresentaram teorias como a da “extinção da luta de classes”, do “equilíbrio” e da “economia camponesa estável”, opondo-se à política de coletivização e à política de industrialização socialista do partido. Propagandeavam que, após a vitória da revolução socialista, os inimigos de classe não resistiriam, que entregariam voluntariamente suas posições, que os kulaks se transformariam espontaneamente em socialistas e que não era necessário combatê-los; afirmavam ainda que o enriquecimento progressivo da burguesia não representava perigo algum para o socialismo. Opunham-se à política de coletivização, defendendo o desenvolvimento equilibrado da economia camponesa individual ao lado da economia coletiva.
Aterrorizados com o rápido progresso da construção socialista, opuseram-se por todos os meios à construção industrial bem-sucedida na União Soviética. Alegavam que a industrialização era “prematura”, que imporia pesados fardos ao povo e que se deveria priorizar a indústria leve em vez da indústria pesada.
Stalin enfatizou a necessidade de superar completamente esse desvio de direita para assegurar a vitória do socialismo na União Soviética. “A vitória do desvio de direita em nosso partido libertaria as forças do capitalismo, minaria as posições revolucionárias do proletariado e aumentaria as possibilidades de restauração do capitalismo em nosso país” (Obras Selecionadas de Stalin, vol. 11, p. 822), destacou Stalin.
Stalin revelou que o desvio de direita de Bukharin e Rykov era o instrumento dos kulaks dentro do partido e refletia o medo e a ansiedade dos elementos capitalistas diante do avanço vitorioso do socialismo.
Graças à luta enérgica e persistente de Stalin, o desvio oportunista de direita no Partido Comunista da União Soviética foi completamente eliminado nos planos organizativo e ideológico.
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Ao mesmo tempo em que lutavam contra os diversos oportunismos de direita, Lenin e Stalin tiveram também de travar uma luta contra o oportunismo de “esquerda”.
A corrente oportunista “de esquerda”, anarquista, que havia sido completamente desmascarada e criticada por Marx e Engels, reapareceu posteriormente sob novas formas, causando danos ao movimento operário.
O surgimento do anarquismo no final do século XIX e início do século XX esteve relacionado, por um lado, ao processo de ruína de amplas camadas de pequenos e médios proprietários e, por outro, à desilusão das massas trabalhadoras com a política oportunista da Segunda Internacional.
Lenin afirmou que “o anarquismo foi frequentemente uma espécie de punição pelos pecados oportunistas do movimento operário. Essas duas deformações se complementavam mutuamente” (Obras Completas de Lenin, vol. 31, p. 18).
O anarquismo é uma ideologia da pequena burguesia e do lumpemproletariado, fundamentalmente hostil à teoria do comunismo científico. Embora existam diferenças entre suas correntes, todos os anarquistas defendem a abolição de qualquer poder político na sociedade e a extinção de todo Estado. Assim, inevitavelmente se tornavam inimigos da ditadura do proletariado. Sob o pretexto de negar a política, rejeitavam a luta organizada da classe operária pela conquista do poder. Isso nada mais é do que submeter a classe operária à política burguesa.
Característica dos anarquistas é a negação da organização política do proletariado e da disciplina do partido. Também defendem táticas aventureiras e exigem a “realização imediata” da revolução socialista.
Lenin e Stalin desmascararam e condenaram completamente a essência e o caráter nocivo do anarquismo e dedicaram grande atenção à eliminação de sua influência no movimento operário. As obras de Lenin "Anarquismo e Socialismo" e "O Estado e a Revolução", bem como a obra de Stalin "Anarquismo ou Socialismo?", desempenharam grande papel na derrota ideológica do anarquismo.
Lenin revelou que “desde que começou a existir... durante 35 a 40 anos... o anarquismo nada deu além de frases gerais contra a exploração” (Obras Completas de Lenin, vol. 5, parte 2, p. 40), apontando que, em primeiro lugar, não compreendia a causa da exploração; em segundo, não entendia o processo de desenvolvimento social que conduz ao socialismo; e, em terceiro, ignorava a luta de classes como força criadora para realizar o socialismo.
Durante a Primeira Guerra Mundial, os anarquistas caíram, como os oportunistas de direita, em posições social-chauvinistas e, após a Revolução de Outubro, realizaram atos destrutivos contra a revolução socialista e a ditadura do proletariado na Rússia. Isso revelou claramente sua verdadeira face reacionária.
Graças à luta ideológica, teórica e prática de Lenin e Stalin, o anarquismo sofreu um golpe decisivo e sua influência sobre o movimento operário foi fundamentalmente eliminada.
Posteriormente, o anarquismo evoluiu gradualmente para o anarcossindicalismo. Lenin e Stalin também lutaram firmemente contra essa corrente e desmascararam sua essência reacionária.
Após a vitória da Revolução de Outubro, a luta contra o oportunismo de esquerda assumiu caráter ainda mais agudo. Isso esteve relacionado às mudanças bruscas na situação, à intensificação das oscilações pequeno-burguesas no interior do movimento operário e à falta de experiência revolucionária de alguns partidos comunistas incluídos na Terceira Internacional. Em 1918, formou-se no Partido Comunista da Rússia um grupo de “comunistas de esquerda” em torno de Bukharin, Radek e Pyatakov.
Eles defendiam que se deveria desencadear imediatamente a revolução em outros países e resolver o destino da revolução por meio de um confronto simultâneo com o imperialismo. Negavam que a transição ao socialismo exigisse etapas e amplo trabalho organizativo e propunham introduzir imediatamente o socialismo na Rússia por meio de ataques radicais ao capital, chegando a exigir a proclamação de decretos sobre a “vida comunitária”.
Sua postura subjetivista e aventureira manifestou-se concentradamente na oposição ao Tratado de Brest-Litovsk, cuja assinatura era então inevitável.
Lenin, analisando as condições que deram origem aos “comunistas de esquerda” na Rússia, afirmou que eles estavam “fascinados por palavras de ordem ‘deslumbrantes’, mas não captavam a nova situação socioeconômica e política nem levavam em consideração as condições que exigiam rápidas e decisivas mudanças táticas” (Obras Completas de Lenin, vol. 26, pp. 555-556).
Lenin destacou que, sem considerar as condições internas concretas de cada país e sem a intensificação da luta de classes do proletariado e das massas exploradas, era uma ilusão absurda pretender derrubar o imperialismo mundial por meio de um “ataque” externo.
Enfatizando que a transição do capitalismo ao socialismo não é um ato administrativo realizado em curto prazo, mas requer o trabalho organizativo de toda uma época histórica, Lenin apontou severamente que os comunistas de esquerda estavam completamente afastados da realidade e dominados por uma impaciência pequeno-burguesa.
Graças às críticas e aos ensinamentos de Lenin, a posição equivocada dos comunistas de esquerda não pôde causar grandes danos à revolução, e uma parte considerável de seus membros reconheceu seus erros e passou a apoiar a política do Partido Comunista.
Após a fundação da Terceira Internacional em 1919, Lenin teve de travar luta contra os comunistas de esquerda que surgiram no interior dos partidos comunistas dos diversos países nela incluídos.
Naquele tempo, os comunistas de esquerda que apareceram no Partido Comunista da Alemanha e nas organizações comunistas da Inglaterra, Itália, Países Baixos e outros países recusavam incondicionalmente toda luta legal e todo “compromisso”, sem considerar a situação objetiva criada nem a correlação concreta de forças. Sob o pretexto de que as direções dos sindicatos e das cooperativas eram reacionárias, defendiam a retirada dessas organizações e sua destruição. Afirmavam ainda que o parlamentarismo era algo ultrapassado e opunham-se incondicionalmente à participação no parlamento.
Para superar esse desvio “esquerdista”, Lenin escreveu "Esquerdismo, a Doença Infantil do Comunismo".
Lenin assinalou que a posição dos comunistas de esquerda consistia em evitar a árdua luta de classes no terreno legal e apegar-se a uma tática sectária que afastava o partido das massas.
Lenin ensinou que, ainda que os sindicatos e cooperativas estivessem sob influência de correntes reacionárias, eram organizações que englobavam as massas, e que os comunistas deveriam entrar nessas organizações e trabalhar ativamente nelas, a fim de separar as massas da influência das direções reacionárias e conduzi-las pelo caminho revolucionário. Lenin destacou: temer essa “reação”, evitá-la e tentar contorná-la é uma grande tolice, pois isso significa, em última instância, temer o papel de vanguarda do proletariado, que consiste em educar, esclarecer, formar e conduzir à nova vida as camadas mais atrasadas da classe operária e das massas camponesas (Obras Completas de Lenin, vol. 31, p. 42).
Lenin ensinou também que, enquanto persistissem nas massas preconceitos em relação ao parlamentarismo burguês, os comunistas deveriam continuar a luta tanto dentro quanto fora do parlamento. Assinalando que era errado recusar automaticamente a participação parlamentar sob o argumento de que o parlamento estaria “ultrapassado”, Lenin afirmou: não devemos tomar o que está ultrapassado para nós como se estivesse também ultrapassado para a classe e para as massas (Obras Completas de Lenin, vol. 31, p. 52), enfatizando a necessidade de despertar as massas por meio da luta parlamentar.
Quanto à questão dos compromissos no movimento comunista, Lenin indicou que se deve opor aos compromissos que signifiquem capitulação diante do inimigo ou violação de princípios, mas que é necessário utilizar habilmente táticas de compromisso destinadas a isolar o inimigo e conquistar aliados.
Graças à crítica contundente de Lenin, a “doença infantil” do esquerdismo que se manifestara no movimento comunista internacional foi superada, e a Terceira Internacional pôde desenvolver-se como uma organização marxista-leninista sólida.
* *
Durante o período de atividade de Lenin e Stalin, um inimigo particularmente perigoso do marxismo foi o trotskismo, uma corrente oportunista “de esquerda” sistematizada.
“O trotskismo é, em essência, aventureirismo ‘de esquerda’ e capitulacionismo encoberto por frases ‘extremistas’. A capitulação prática constitui o conteúdo; as frases ‘de esquerda’ e o comportamento aparentemente ‘revolucionário’ constituem a forma que encobre e promove esse conteúdo capitulacionista — eis a essência do trotskismo” (Obras Selecionadas de Stálin, vol. 12, p. 497).
Trotsky jamais se colocou firmemente na posição de princípios do marxismo-leninismo; oscilando entre a direita e a esquerda, dedicou-se durante toda a vida a atividades contrarrevolucionárias, até degenerar em agente do imperialismo e sabotador, causando grande dano à revolução socialista e à construção socialista na União Soviética, bem como ao desenvolvimento do movimento operário internacional.
O trotskismo tomou forma sistemática no início da década de 1920. Esse foi o período em que, sob a influência da Revolução de Outubro, as lutas revolucionárias que haviam se elevado nos países capitalistas foram reprimidas e se estabeleceu uma estabilização temporária do capitalismo; era também o momento em que a questão prática de como construir o socialismo na União Soviética se colocava com urgência.
Foi precisamente nesse período difícil que Trotsky desafiou abertamente a revolução, recorrendo a toda sorte de intrigas e manobras.
Lenin desmascarou a natureza traiçoeira de Trotsky e, a cada ocasião, expôs e derrotou resolutamente suas manobras contrarrevolucionárias.
Após a morte de Lenin, Stalin, dirigindo a construção socialista na União Soviética e liderando os trabalhos da Terceira Internacional, manteve firmemente o leninismo.
Em uma série de obras como "Sobre os Fundamentos do Leninismo", "Sobre as Questões do Leninismo", "A Revolução de Outubro e a Tática dos Comunistas Russos" e " Uma Vez Mais Sobre o Desvio Social-Democrata em Nosso Partido", Stalin desmascarou a essência oportunista e o caráter reacionário do trotskismo e esmagou organizativamente o grupo faccionista trotskista que desafiava o partido e a revolução.
A posição aventureira de esquerda de Trotsky encontrou sua expressão concentrada na teoria da “revolução permanente”.
O primeiro aspecto da teoria da “revolução permanente” consistia na afirmação de que toda revolução deveria saltar a etapa da revolução democrática e transformar-se imediatamente em revolução socialista. O segundo aspecto, o principal, era a negação da possibilidade da revolução socialista e da construção do socialismo em um só país, defendendo, independentemente da maturidade da situação revolucionária, a realização simultânea imediata da revolução socialista na Rússia e no mundo inteiro.
A teoria da “revolução permanente” de Trotsky era uma deturpação fraudulenta da ideia marxista de revolução ininterrupta.
A ideia da revolução ininterrupta é um dos princípios fundamentais do marxismo e foi desenvolvida por Lenin.
Com base na análise das condições histórico-sociais concretas da Rússia no final do século XIX e início do século XX, Lenin formulou a tese de que a revolução socialista pressupõe a revolução democrática, e que esta inevitavelmente se desenvolve e cresce até transformar-se em revolução socialista.
Lenin afirmou que, sob o imperialismo, a luta anti-imperialista está inseparavelmente ligada à luta antifeudal, e que, como o próprio imperialismo nega a democracia em geral, a classe operária não pode deixar de lutar pela democracia.
A partir disso, Lenin estabeleceu o princípio estratégico de que, na revolução democrático-burguesa, a classe operária deve aliar-se ao campesinato para isolar a burguesia e, em seguida, avançar para liquidar o capitalismo.
O sofisma de Trotsky, que pretendia saltar a etapa da revolução democrática, opunha-se a esse princípio estratégico e tático de Lenin e difamava a palavra de ordem da ditadura revolucionária democrática dos operários e camponeses.
Trotsky ignorou a relação entre as tarefas socialistas e as tarefas democráticas da revolução — uma das questões fundamentais da revolução — e sustentou que, na época do imperialismo, para a classe operária só poderia existir a revolução socialista imediata, tentando empurrá-la ao aventureirismo.
Refutando essa concepção, Lenin afirmou: “Não cairemos no aventureirismo, não trairemos nossa consciência científica, não buscaremos popularidade barata; diremos apenas uma coisa: faremos todo o possível para ajudar todo o campesinato a realizar a revolução democrática, a fim de que, como partido do proletariado, possamos passar o mais rapidamente possível à nova e mais elevada tarefa, a revolução socialista” (Obras Completas de Lenin, vol. 9, parte 1, p. 376).
A justeza da teoria leninista da revolução ininterrupta foi plenamente confirmada pela prática da Revolução Russa.
Trotsky, que afirmava que, na época do imperialismo, só poderia existir a revolução socialista imediata, quando a revolução democrática foi realizada na Rússia e a revolução socialista se colocou diretamente na ordem do dia, opôs-se frontalmente à sua realização.
Trotsky opôs-se à teoria de Lenin sobre a possibilidade da vitória da revolução socialista em um só país e a substituiu pela palavra de ordem aventureira da “realização simultânea da revolução mundial”. Afirmava que a questão só poderia ser resolvida no “palco da revolução proletária mundial” e que apenas com a construção da nova sociedade em todo o globo poderia haver solução, qualificando a vitória da revolução socialista em um só país como mero “episódio” da revolução mundial.
O sofisma de Trotsky, que negava a vitória da revolução socialista em um só país, baseava-se em sua avaliação errônea do imperialismo.
Lenin analisou cientificamente a essência e a posição histórica do imperialismo como fase suprema do capitalismo, revelou a desigualdade do desenvolvimento econômico e político dos países capitalistas e, com base nisso, demonstrou teoricamente que, mesmo sob as condições de cerco imperialista, a revolução socialista poderia triunfar em um só país.
Lenin indicou: “A desigualdade do desenvolvimento econômico e político é uma lei absoluta do capitalismo. Daí decorre que a vitória do socialismo é possível primeiro em alguns países capitalistas, ou mesmo em um único país capitalista isolado” (Obras Completas de Lenin, vol. 21, p. 409). Isso desenvolveu criativamente, nas novas condições da época imperialista, a teoria de Marx de que a revolução socialista triunfaria simultaneamente nos países capitalistas desenvolvidos, expondo de maneira abrangente a estratégia e a tática da revolução proletária.
Entretanto, Trotsky rejeitou a lei do desenvolvimento desigual do capitalismo na época do imperialismo e afirmou que, nesse período, ao contrário da fase anterior aos monopólios, haveria uma “nivelização” do desenvolvimento socioeconômico, razão pela qual a revolução socialista não poderia ocorrer em um único país.
Assim, Trotsky contrapôs à teoria de Lenin sobre a possibilidade da vitória do socialismo em um só país a palavra de ordem dos “Estados Unidos da Europa”.
Trotsky escreveu no livro "Nossa Revolução", publicado em 1906, o seguinte: “A classe operária da Rússia não pode manter o poder sem o apoio estatal direto da classe operária europeia, nem pode transformar sua dominação temporária em uma ditadura socialista de longa duração. Sobre isso não se deve duvidar nem por um instante.
Isto significa que a vitória do socialismo em um só país é impossível antes que a classe operária europeia conquiste o poder.
Além disso, Trotsky afirmou no livro intitulado "Programa de Paz", publicado em 1917, que a vitória do socialismo em um só país é impossível, e que ela só seria possível mediante a vitória de alguns países importantes da Europa (Inglaterra, Rússia, Alemanha), que se transformariam nos Estados Unidos da Europa; caso contrário, seria totalmente impossível. Ele declarou claramente que a vitória da revolução na Rússia ou na Inglaterra não pode sequer ser concebida sem a revolução na Alemanha, e vice-versa.
Stalin refutou tais concepções errôneas de Trotsky e apontou o seguinte: que significado pode ter a declaração de Trotsky de que a Rússia revolucionária não poderia resistir diante da Europa conservadora? Essa declaração tem apenas um significado: primeiro, Trotsky não sente a força interna de nossa revolução; segundo, Trotsky não compreende o significado ilimitado do apoio moral que os trabalhadores do Ocidente e os camponeses do Oriente concedem à nossa revolução; terceiro, Trotsky não percebe a doença interna que corrói atualmente o imperialismo (Obras Selecionadas de Stalin, vol. 1, pp. 426–427). A chamada “aventura de esquerda” de Trotsky, que depositava esperança apenas na explosão simultânea da revolução proletária mundial, defendendo a expansão da revolução aos países capitalistas avançados e o apoio a insurreições armadas nesses países, era, na essência, uma capitulação que partia da incapacidade de ver as contradições e a fragilidade do imperialismo, superestimando as forças imperialistas e subestimando as forças revolucionárias internas.
A vitória histórica da Revolução de Outubro na Rússia confirmou na prática a genial previsão de Lenin e a justeza de sua doutrina, e levou à falência a teoria reacionária de Trotsky.
A afirmação de Trotsky de que se deve avançar cegamente em direção à revolução mundial baseava-se numa avaliação extremamente subjetivista da situação revolucionária.
Ele afirmava que, na época do imperialismo, em qualquer país a situação revolucionária teria atingido seu ponto máximo, e que, portanto, bastaria provocar uma insurreição em qualquer lugar para vencer a revolução.
Trotsky ignorava as condições objetivas e subjetivas da revolução e impunha a exportação da revolução a outros países.
Os trotskistas chegaram a afirmar que “o prolongamento da situação revolucionária está nas mãos do partido” e que “o período de estabilização temporária do capitalismo não passa de uma situação revolucionária não aproveitada”, incitando assim a ações imprudentes.
Trotsky não apenas negou a possibilidade da vitória da revolução socialista em um só país, como também negou a possibilidade da construção do socialismo.
A questão da possibilidade da construção do socialismo em um só país colocava-se então como um problema de extrema importância prática.
Lenin, com base na teoria marxista e na experiência da prática revolucionária, declarou que a construção do socialismo em um só país é plenamente possível e indicou o caminho para isso.
Entretanto, Trotsky afirmava que construir o socialismo em um só país seria apenas uma fantasia, como tentar edificar um oásis socialista no meio do inferno capitalista mundial; falava de “socialismo nacional” e “comunismo nacional”, opondo-se à teoria de Lenin e combatendo o plano e a linha de construção socialista do Partido Comunista da União Soviética. Como “fundamento” da impossibilidade da construção do socialismo em um só país, Trotsky alegava, do ponto de vista político, que a União Soviética não poderia resistir diante da Europa conservadora, que não poderia haver um período de construção pacífica devido à invasão militar do imperialismo e que, devido a contínuas lutas e choques internos, não se poderia manter o equilíbrio social, não havendo margem para a construção econômica.
Do ponto de vista econômico, apresentou a chamada “teoria do desenvolvimento das forças produtivas”.
Trotsky afirmava que, na época do imperialismo, as forças produtivas possuem “caráter internacional” e que nenhum país, sem apoio externo, pode alcançar por suas próprias forças um nível elevado de desenvolvimento das forças produtivas correspondente ao socialismo.
Sustentava também que construir uma economia socialista de caráter internacional dentro de um só país entraria em contradição com os limites do Estado nacional e provocaria conflitos, sendo, portanto, impossível a construção do socialismo em um só país.
Trotsky afirmava que somente com a vitória simultânea do socialismo em vários países da Europa e sua unificação econômica seria possível construir o socialismo; e que, para construir o socialismo, seriam necessários 50 ou 100 anos, várias gerações.
Lenin, em "Sobre a Cooperação" e em uma série de outras obras, ensinou que, para a construção do socialismo em um só país, basta que o poder esteja nas mãos da classe operária, que os meios de produção estejam sob seu controle e que exista a aliança entre operários e camponeses — isso é tudo o que é necessário para a construção do socialismo. Indicou também, como condições internacionais, as contradições entre os Estados imperialistas, o apoio da classe operária internacional e a luta revolucionária dos povos coloniais.
Stalin, baseando-se na instauração da ditadura do proletariado na União Soviética, na aliança operário-camponesa e na formação da unidade político-moral do povo, demonstrou que existem condições e possibilidades suficientes para garantir a construção do socialismo em um só país. Ao mesmo tempo, Stalin assinalou que existe a possibilidade de intervenção armada dos imperialistas internacionais e o perigo de restauração do sistema burguês, mas que isso, por si só, não torna impossível a construção do socialismo. Além disso, Stalin destacou que o fato de a economia socialista ser a mais unificada e centralizada, e de funcionar de maneira planificada, significa que ela possui todas as vantagens para, em um período relativamente curto, superar o sistema econômico capitalista, que está dividido por contradições internas e entra em colapso devido às crises.
Diante disso, não é evidente que levantar a perspectiva de 50 ou 100 anos significa que pessoas medrosas e mesquinhas acreditam ilusoriamente na onipotência do sistema econômico capitalista? (Obras Selecionadas de Stalin, vol. 2, pp. 380–381), criticando assim as concepções absurdas de Trotsky.
Trotsky opunha a construção econômica à construção da defesa nacional, argumentando sofismaticamente que, como a consolidação da base econômica do socialismo implica a eliminação das classes, o Estado e o exército não poderiam existir; mas como, enquanto houver imperialismo, é necessário manter o Estado e o exército, então não se poderia realizar a construção da base econômica que com isso seria incompatível. Por outro lado, defendia o chamado industrialismo puro, exigindo que a industrialização fosse realizada em seis meses, sem considerar o nível alcançado de desenvolvimento das forças produtivas — uma afirmação absurda e extremamente subjetivista.
Tais afirmações de Trotsky eram manobras para sabotar deliberadamente a construção do socialismo.
A classe operária e o povo soviético, sob a direção do Partido, esmagaram todas essas manobras contrarrevolucionárias, avançaram firmemente pelo caminho indicado por Lenin e realizaram gloriosamente, em um período historicamente curto, a grande obra da construção do socialismo.
O caráter contrarrevolucionário do trotskismo manifestou-se claramente na rejeição e na difamação da ditadura do proletariado, pedra angular do marxismo.
O marxismo-leninismo ensina que a libertação do proletariado só pode ser realizada por meio da ditadura do proletariado; que a ditadura do proletariado é uma exigência da luta de classes da classe operária e uma condição para abolir todas as classes e realizar a missão histórica da classe operária de construir o socialismo e o comunismo.
A libertação de classe da classe operária e a eliminação radical da sociedade de classes não podem ser realizadas sem a poderosa dominação política do proletariado, pois é impossível cumprir essas tarefas sem reprimir a resistência das classes exploradoras e eliminar completamente todos os vestígios formados ao longo de milhares de anos de sociedade de classes.
Lenin, enfatizando que a ideia da ditadura do proletariado parte das lições histórico-mundiais, apontou: “Marx sintetizou toda a experiência histórica de todas as revoluções, todas as lições econômicas e políticas da história mundial, na fórmula aguda, precisa, simples e clara da ditadura do proletariado” (Obras Completas de Lenin, vol. 27, p. 329).
Lenin também afirmou que somente é marxista aquele que estende o reconhecimento da luta de classes ao reconhecimento da ditadura do proletariado... é com esse critério que se deve provar a verdadeira compreensão e aceitação do marxismo (Obras Completas de Lenin, vol. 25, p. 521).
Lenin e Stalin ensinaram que a ditadura do proletariado possui três aspectos fundamentais:
① utilizar o poder do proletariado para reprimir os exploradores, defender o território, fortalecer a ligação com os proletários de outros países e promover o desenvolvimento e a vitória da revolução em escala mundial;
② utilizar o poder do proletariado para separar definitivamente as massas trabalhadoras e exploradas da burguesia, consolidar a aliança dessas massas com o proletariado, incorporá-las à obra da construção socialista e exercer a direção estatal do proletariado sobre elas;
③ utilizar o poder do proletariado para organizar o socialismo, eliminar as classes, realizar a transição para uma sociedade sem classes, para a sociedade socialista (Obras Selecionadas de Stalin, vol. 8, p. 41).
Entretanto, Trotsky caluniava a ditadura do proletariado como sendo um aparelho burocratizado, rejeitava o papel dirigente do partido no sistema da ditadura do proletariado e chegou até a difamar a direção do partido como “ditadura de um indivíduo”, chamando inclusive a ditadura do proletariado de “ditadura sobre o proletariado”. Ao mesmo tempo, alardeava que a ditadura do proletariado seria necessária para reprimir as exigências democráticas levantadas pelos camponeses.
Trotsky também rejeitou a aliança operário-camponesa, que é parte constitutiva da ditadura do proletariado, colocando a classe operária em oposição ao campesinato.
Lenin declarou o seguinte: “A ditadura do proletariado é uma forma especial de aliança de classe entre o proletariado, vanguarda dos trabalhadores, e as numerosas camadas trabalhadoras não proletárias (pequena burguesia, pequenos proprietários, camponeses, intelectuais etc.), ou com a maioria delas, uma aliança contra o capital... uma aliança que tem por objetivo a construção e consolidação definitiva do socialismo” (Obras Completas de Lenin, vol. 29, p. 456).
A aliança operário-camponesa é uma condição importante para realizar e consolidar a ditadura do proletariado; portanto, rejeitar essa aliança equivale a rejeitar a própria ditadura do proletariado.
Trotsky também apresentou sofismas absurdos acerca da luta de classes no período da ditadura do proletariado.
Segundo a “teoria” de Trotsky, como a produção se desenvolve e surgem diferenças de renda conforme a quantidade e a qualidade do trabalho, inevitavelmente, mesmo na sociedade socialista, elementos burgueses cresceriam e se fortaleceriam tanto na cidade quanto no campo, e todas as relações e hábitos próprios da sociedade burguesa seriam recriados e ampliados.
Assim, ele afirmava que a sociedade socialista é uma sociedade cheia de contradições antagônicas e que “entre cidade e campo, entre kolkhozes e camponeses individuais, entre diferentes camadas do proletariado, entre todas as massas trabalhadoras e os burocratas surgirão choques”, clamando como se a sociedade socialista se desenvolvesse por meio de conflitos internos incessantes.
A afirmação de Trotsky de que, mesmo sob o socialismo, ocorreria diferenciação de classes como na sociedade capitalista, que relações de dominação e subordinação ressurgiriam e que choques entre classes ocorreriam, é uma difamação maliciosa contra a sociedade socialista.
Stalin apontou o seguinte:
“A sociedade capitalista está dividida por contradições irreconciliáveis entre operários e capitalistas, entre camponeses e latifundiários, o que gera instabilidade interna; ao passo que a sociedade soviética, libertada da base da exploração, não conhece tais contradições, não tem conflitos de classe e apresenta o quadro da cooperação amistosa entre operários, camponeses e intelectuais” (Em Torno dos Problemas do Leninismo, pp. 999–1000).
E afirmou que, com base nessa comunidade de interesses, a unidade político-moral do povo e o patriotismo socialista se tornam importantes forças motrizes do desenvolvimento da sociedade socialista. Trotsky, avaliando erroneamente a luta de classes sob o socialismo e absolutizando-a unilateralmente, chegou ao ponto de defender que a ponta de lança da luta deveria ser dirigida diretamente contra a ditadura do proletariado.
A famosa teoria da "segunda revolução complementar” de Trotsky era, precisamente, um chamado a se opor e derrubar a ditadura do proletariado.
Todos esses fatos demonstram claramente a natureza contrarrevolucionária de Trotsky, que enlouquecidamente buscava enfraquecer e desintegrar a ditadura do proletariado, e revelam seu caráter capitulacionista, que, sob o manto de frases ruidosas e vazias, procurava facilitar a restauração do capitalismo.
Os trotskistas também levantaram um aventureirismo de extrema-esquerda nas questões de estratégia e tática da revolução.
Sem considerar as condições concretas do desenvolvimento social e os fatores objetivos e subjetivos da revolução, absolutizaram o método violento como único meio de realizar a revolução socialista. Partindo da ideia de que somente a violência e a guerra poderiam acelerar a revolução, Trotsky defendia empurrar a classe operária, em toda parte, para levantes e guerras.
Marx, ao formular a tese de que a classe operária deve recorrer à violência para realizar a revolução proletária, declarou: “A arma da crítica não pode, naturalmente, substituir a crítica das armas. A força material deve ser derrubada pela força material” (Obras Completas de Marx e Engels, vol. 1, p. 475).
Lenin também enfatizou que a violência constitui um meio fundamental para que a classe operária vença na luta revolucionária. Contudo, advertiu que jamais se deve brincar com a insurreição e que é preciso tratá-la com prudência, apontando o seguinte: “Para ter êxito, a insurreição não deve apoiar-se numa conspiração ou num grupo, mas numa classe avançada. Esse é o primeiro ponto. A insurreição deve apoiar-se no ascenso revolucionário do povo. Esse é o segundo ponto. A insurreição deve apoiar-se naquele momento decisivo da revolução em ascensão, quando a atividade das fileiras avançadas do povo é maior, quando as hesitações nas fileiras do inimigo e dos amigos fracos e indecisos da revolução são mais fortes. Esse é o terceiro ponto” (Obras Completas de Lenin, vol. 26, p. 6).
Lenin ensinou ainda que as formas de luta devem ser escolhidas considerando corretamente o grau de consciência das massas, o nível de preparação das forças revolucionárias, as tradições, as condições objetivas e o grau de uso da força pelo inimigo; e desmascarou o caráter nocivo das manobras dos aventureiros “de esquerda”, que absolutizam a violência e rejeitam previamente manobras, o aproveitamento das contradições entre os inimigos, bem como a cooperação e os compromissos com possíveis aliados.
A posição extremista “de esquerda” dos trotskistas manifestou-se também nas questões da unidade da classe operária, da aliança operário-camponesa, da frente única e da luta de libertação nacional nas colônias.
Garantir a unidade de ação da classe operária, realizar a aliança operário-camponesa e estabelecer a frente única com diferentes classes e camadas ocupam um lugar importante na estratégia e na tática do partido marxista-leninista.
Entretanto, Trotsky opôs-se incondicionalmente à unidade de ação entre as diferentes camadas da classe operária e à aliança operário-camponesa, e sabotou por todos os meios a formação de uma frente única com outras classes e os compromissos com possíveis aliados.
Ele se opôs ao estabelecimento de vínculos entre os comunistas britânicos e os sindicatos que estavam sob a influência dos sociais-democratas e, em 1925, também se opôs à organização do “Comitê Anglo-Soviético” entre os sindicatos soviéticos e britânicos.
Lenin e Stalin ensinaram que, para conquistar as amplas massas e alcançar a unidade de ação da classe operária em todos os países, é necessário firmar acordos com diferentes organizações — partidos, sindicatos, cooperativas, organizações juvenis, organizações femininas etc. — e até mesmo estabelecer contato com trabalhadores dentro de organizações fascistas.
Lenin e Stalin enfatizaram repetidamente que uma das questões mais importantes da revolução proletária é a questão camponesa, isto é, conquistar os camponeses para o lado da classe operária; que o destino da revolução e a solidez da revolução proletária dependem em grande medida da correta solução dessa questão; e que a classe operária pode conquistar os camponeses, fortalecer a aliança com eles e conduzi-los ao socialismo e ao comunismo.
Entretanto, Trotsky considerava que os interesses da classe operária e do campesinato eram opostos, que os camponeses não poderiam avançar para o socialismo, e chegou a acusar a defesa da aliança operário-camponesa de oportunismo e desvio à direita. Em seu livro "1905", escrito em 1922, afirmou que a “vanguarda da classe operária” que conquistasse o poder entraria, desde o início de sua luta revolucionária, em choques hostis não apenas com todos os grupos burgueses que a apoiaram, mas também com as amplas massas camponesas que a ajudaram a tomar o poder.
Stalin criticou isso e apontou: “O erro fundamental do trotskismo consiste em não compreender — e, em essência, não reconhecer — a ideia leninista sobre a hegemonia do proletariado (na relação com o campesinato) na tarefa de conquistar e consolidar a ditadura do proletariado e na construção da sociedade socialista em cada país” (Obras Selecionadas de Stalin, vol. 10, p. 101).
Essas afirmações de Trotsky tinham, em última instância, o objetivo de impedir a unidade da classe operária, hostilizar deliberadamente os aliados, afastar o partido das amplas massas, ajudar o inimigo e enfraquecer as forças revolucionárias.
O aventureirismo extremista dos trotskistas na questão da frente única manifestou-se de maneira particularmente evidente em sua atitude diante do movimento de frente popular antifascista na década de 1930.
Segundo a lógica dos trotskistas que se opunham à linha da frente única, toda frente única inevitavelmente conduziria o movimento de massas à colaboração de classes e se tornaria um freio ao desenvolvimento revolucionário mundial.
Trotsky chegou a chamar a frente popular antifascista de “conluio com a burguesia imperialista” e de “tática de capitulação que salva a ditadura burguesa”, acusando a Terceira Internacional de abandonar a insurreição ao adotar a política de frente única e até mesmo de abrir o caminho ao fascismo.
Lenin e Stalin esclareceram concretamente o caráter antifascista e democrático do movimento de frente única e desmascararam e esmagaram completamente as manobras reacionárias dos trotskistas.
Trotsky desprezava e não confiava na posição e no papel da luta de libertação nacional nas colônias, considerando camponeses e burguesia nacional como forças reacionárias e colocando-se abertamente contra eles nas revoluções de libertação nacional.
Trotsky afirmava que, na época do imperialismo, o movimento de libertação nacional nas colônias poderia ultrapassar a etapa democrática e alcançar diretamente a “conquista do poder pelo proletariado”.
Lenin refutou essa afirmação absurda e ensinou que, nas colônias e países dependentes onde o imperialismo domina e forças reacionárias, incluindo remanescentes feudais, o seguem, a revolução democrática anti-imperialista e antifeudal para alcançar a independência nacional coloca-se como tarefa imediata; nela participam com interesse direto os trabalhadores e a esmagadora maioria da população — sobretudo os camponeses —; portanto, o movimento de libertação nacional dos povos oprimidos não pode deixar de assumir um caráter democrático.
Trotsky, partindo de sua interpretação equivocada, colocou a burguesia nacional dos países coloniais na mesma categoria que a burguesia subordinada e declarou-a alvo da revolução, afirmando que a aliança da classe operária com a burguesia nacional não passava de um apoio extremo à burguesia.
Essa tese separava os povos dos países coloniais e dependentes, que constituem a reserva estratégica da revolução proletária, e enfraquecia a frente revolucionária contra o imperialismo.
Tais afirmações de Trotsky eram reacionárias, pois levavam a classe operária, na revolução de libertação nacional das colonias, a cair numa situação sem aliados e, por fim, conduziam a luta ao fracasso.
Trotsky foi um dos mais nocivos faccionistas e o pior dos divisionistas.
Sua atividade foi marcada por intrigas sectárias e divisionistas contra o Partido Bolchevique e contra o movimento operário e comunista internacional.
Lenin denunciou duramente que a característica do faccionismo de Trotsky era o reconhecimento nominal da unidade, mas na prática a divisão em grupos; e Stalin assinalou que não havia corrente comparável ao trotskismo na difamação e no rebaixamento do leninismo.
Trotsky clamava abertamente pela abolição do princípio do centralismo democrático do partido e pela liberdade de atividade faccional, levando a cabo obstinadamente atividades faccionistas antipartidistas dentro do Partido Comunista.
Após a fundação do Partido Operário Social-Democrata da Rússia em 1903, Trotsky opôs-se aos princípios organizativos leninistas; depois do fracasso da Revolução de 1905 e com a chegada do período reacionário de Stolypin, aliou-se aos liquidacionistas e combateu o partido. Em 1912, formou o chamado “Bloco de Agosto”, minando a unidade do partido; e mesmo após a vitória da Revolução de Outubro, organizou grupos com Zinoviev e outros para se opor abertamente ao partido. As manobras divisionistas de Trotsky contra o movimento operário e comunista internacional manifestaram-se sobretudo na oposição à Terceira Internacional e à sua linha revolucionária.
Especialmente após a morte de Lenin, Trotsky desafiou abertamente a Internacional, entrando descaradamente no caminho de destruí-la e dividir o movimento comunista.
A conspiração sectária e divisionista de Trotsky, que ambicionava a direção do movimento comunista internacional, tornou-se ainda mais frenética após sua expulsão para o exterior.
Os trotskistas reuniram, em vários países, renegados expulsos do movimento operário, espiões comprados pelo imperialismo e até inimigos declarados da classe operária, tentando de todas as formas dividir o movimento comunista internacional e realizando todo tipo de conspirações sabotadoras para impedir o desenvolvimento revolucionário em diversos países.
Em setembro de 1938, os trotskistas fabricaram a chamada Quarta Internacional, que era uma organização internacional contrarrevolucionária, um grupo sectário de espiões que usurpava o nome de Internacional.
Assim, Trotsky, que nada hesitou em fazer em prol do sectarismo e da divisão, acabou por degenerar em fiel lacaio dos imperialistas na luta contra e pela desintegração do movimento comunista.
Todos os fatos demonstram que os trotskistas foram completa e totalmente traidores do leninismo e da causa revolucionária da classe operária, e inimigos extremamente perversos do movimento comunista internacional.
4
Lenin e Stalin, como antes Marx e Engels, combateram de modo irreconciliável todo oportunismo de direita e de “esquerda”, defendendo firmemente a pureza do marxismo e desenvolvendo-o integralmente nas novas condições da época do imperialismo e da revolução proletária.
Lenin afirmou que o oportunismo de direita sempre constituiu o principal perigo no movimento operário internacional, e ensinou ao mesmo tempo que o oportunismo de “esquerda” é a sombra do oportunismo de direita e que enfraquecer a luta contra ele cria um perigo não menor.
Respondendo à pergunta sobre qual dos dois constitui o principal perigo, Stalin declarou: o erro dos “esquerdistas” consiste em criar condições favoráveis ao fortalecimento e consolidação do desvio de direita no partido... Ao fornecer essa base aos direitistas, os “esquerdistas”, com seus erros e distorções, tornam-se objetivamente aliados do desvio de direita (Obras Selecionadas de Stalin, vol. 12, p. 307).
A experiência histórica do movimento operário e comunista internacional demonstra que o marxismo-leninismo se desenvolveu e triunfou na luta contra o oportunismo de “direita” e de “esquerda”, e que enquanto houver luta entre as forças revolucionárias e contrarrevolucionárias, existirá e continuará a existir a luta contra o oportunismo.
Nos países onde a classe operária conquistou o poder e o sistema socialista foi estabelecido, a base social de classe do oportunismo foi eliminada; contudo, sob a influência externa e com a persistência de vestígios ideológicos do passado, ele pode manifestar-se de diversas formas.
Lenin advertiu sobre o perigo da regeneração do oportunismo, salientando que não basta às organizações revolucionárias reconhecer teoricamente e abstratamente esse perigo... os velhos erros sempre reaparecem sob causas inesperadas e em formas novas (Obras Completas de Lenin, vol. 21, p. 18).
Stalin também indicou que, na luta contra o oportunismo de direita e de “esquerda”, é necessário identificar habilmente o perigo principal nas condições concretas para fortalecer e desenvolver o movimento comunista internacional, afirmando: a questão da luta contra a direita e a “ultraesquerda” deve ser considerada não do ponto de vista abstrato, mas do ponto de vista das exigências do momento político e das tarefas políticas do partido em cada momento dado (Obras Selecionadas de Stalin, vol. 8, p. 1).
Lenin e Stalin advertiram que os imperialistas utilizam todos os meios possíveis contra o movimento comunista internacional e que, à medida que o movimento revolucionário se desenvolve, suas manobras se tornam ainda mais malignas; por isso, enfatizaram repetidamente que os partidos comunistas devem elevar sua vigilância e garantir sua pureza política.
Lenin proclamou o princípio da luta contra o oportunismo, ensinando que essa luta deve ser conduzida de maneira independente, de acordo com as características de cada país, e advertiu severamente contra a tendência de ignorar a postura independente e impor moldes ou alinhar-se mecanicamente à posição de algum partido específico.
Lenin assinalou: a questão agora é que os comunistas de todos os países compreendam conscientemente as tarefas fundamentais e de princípio na luta contra o oportunismo e o “esquerdismo”, e ao mesmo tempo levem plenamente em conta, de modo consciente, as características concretas que essa luta assume — e deve necessariamente assumir — em cada país, segundo sua economia, política, cultura, composição nacional, etc. (Obras Comletas de Lenin, vol. 31, p. 97).
Tudo isso tornou-se uma diretriz firme na luta contra o oportunismo de “direita” e de “esquerda” e pela defesa da pureza do marxismo-leninismo.
A tarefa dos comunistas é herdar a preciosa tradição de luta de Marx, Engels, Lenin e Stalin contra o oportunismo de “esquerda” e de direita, defender resolutamente a pureza da grande doutrina do marxismo-leninismo e lutar até o fim pela vitória da causa revolucionária.
Pak Kun Yong
Revista Kulloja, 20 de setembro de 1966, páginas 45-64

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