Ecoam alegações de que é preciso criar uma “OTAN da Europa”.
Há pouco tempo, o primeiro-ministro da Suécia afirmou que os países europeus devem assumir uma responsabilidade maior por sua própria segurança. Como os Estados Unidos estão “agindo de forma a minar a confiança mútua”, seria necessário fortalecer a própria Europa, e uma das vias para isso seria a criação de uma “OTAN da Europa”. Sua declaração veio à tona em meio ao agravamento diário da questão da Groenlândia. Um especialista em segurança desse país também enfatizou que é preciso examinar alternativas que possam substituir a OTAN.
Já a primeira-ministra da Dinamarca advertiu que, se os Estados Unidos decidirem realizar um ataque militar contra países aliados, não apenas a própria OTAN, mas tudo, incluindo a “ordem de segurança” do pós-Segunda Guerra Mundial, chegaria ao fim.
Por outro lado, o presidente da França afirmou que a intensificação das tensões com os Estados Unidos em torno da Groenlândia, vista de forma global, constitui um alerta estratégico para toda a Europa. A França defende a autonomia estratégica, sustentando que a Europa deve reduzir sua dependência de segurança em relação aos Estados Unidos e adquirir capacidade de agir por conta própria. Também manifestou publicamente a intenção de poder compartilhar sua força de dissuasão nuclear com outros países europeus, juntamente com o Reino Unido.
Muitos especialistas do Ocidente avaliam que a intenção dos Estados Unidos de anexar a Groenlândia está provocando, pela primeira vez na história da OTAN, uma cisão fundamental em seu interior, e que atualmente a OTAN está se transformando de uma aliança político-militar baseada em “valores comuns” em uma “estrutura mafiosa” de lei do mais forte baseada na força. Eles lamentam que as ameaças dos Estados Unidos aos países aliados coloquem seriamente em dúvida a “confiança e os compromissos” que até agora sustentaram a OTAN, e que a questão da Groenlândia mais uma vez tenha revelado que os Estados Unidos veem a OTAN e seus aliados apenas como instrumentos para realizar sua hegemonia.
Enquanto ecoam por toda parte declarações de que a segurança da Europa deve ser responsabilidade da própria Europa, também surgem alegações que as contestam.
Recentemente, o secretário-geral da OTAN, ao comparecer ao Parlamento Europeu, afirmou que pensar que a União Europeia ou a Europa como um todo poderia se defender sozinha sem os Estados Unidos não passa de um sonho. Segundo ele, uma defesa europeia independente sem os Estados Unidos é impossível.
A França, que vinha defendendo o "autofortalecimento da Europa", reagiu de imediato. O ministro das Relações Exteriores desse país afirmou que os europeus podem e devem assumir por si mesmos a responsabilidade pela segurança, frisando que isso é justamente o pilar europeu da OTAN.
Embora haja debates intensos sobre a criação de uma “OTAN da Europa”, sua implementação permanece incerta.
Os Estados Unidos avaliam que, para que os europeus adquiram “capacidade de defesa própria”, seriam necessários pelo menos 20 anos. Atualmente, 100 mil soldados estadunidenses estão estacionados nessa região. Enquanto isso, os países europeus, que carregam uma enorme dívida pública, vivem apreensivos diante das exigências dos Estados Unidos por aumento dos gastos militares.
Muitos especialistas analisam que, embora a União Europeia esteja se esforçando para fortalecer seu potencial militar, chegar a um acordo sobre a missão e a estrutura de comando de forças próprias e desdobrá-las é, na prática, algo praticamente impossível.

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