Recentemente, Israel destruiu edifícios da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina situados em Al-Quds Oriental.
Em dezembro do ano passado, havia ocorrido uma invasão ilegal ao complexo da sede da agência, com confisco de bens e a remoção da bandeira da ONU; desta vez, foram simplesmente demolidos os próprios edifícios. Em suma, este incidente não é algo fortuito, mas um ato de destruição planejado e deliberado.
A Administração de Terras de Israel declarou que suas ações constituíram uma medida de aplicação da lei contra “estruturas ilegais”, realizada de acordo com a legislação israelense de planejamento e construção.
A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina é um órgão subordinado à ONU, criado para fornecer ajuda humanitária essencial aos refugiados palestinos que sofrem com guerras constantes e fome.
Muitos palestinos dependem dessa agência para sobreviver.
O fato de Israel rotular como ilegal um órgão que não é uma entidade não governamental, mas sim um organismo das Nações Unidas, constitui em si um ato ilegal totalmente desprovido de qualquer legitimidade.
Desde o início, Israel via essa agência com maus olhos e tem manobrado de todas as formas para eliminá-la.
Em outubro de 2024, Israel apresentou acusações infundadas de que alguns funcionários da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina seriam membros do Hamas e de outros grupos armados, proibiu as atividades da agência em seu território e chegou a aprovar uma lei que veda qualquer contato do governo com ela. Alguns dias depois, utilizou escavadeiras para demolir o escritório da agência localizado em um campo de refugiados de uma cidade do norte da Cisjordânia.
Em janeiro do ano passado, voltou a alegar de maneira absurda que a agência colaborava com o Hamas, rompeu relações com ela e suspendeu as atividades humanitárias na Faixa de Gaza.
Israel tampouco hesitou em cometer ataques brutais tendo como alvo os funcionários da agência. No início de 2024, disparou projéteis de tanque contra o edifício de um centro de formação da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina na cidade de Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, matando 9 pessoas e ferindo 75.
Em setembro, bombardeou uma escola em uma área central da Faixa de Gaza, tirando a vida de 6 funcionários da agência que realizavam atividades de socorro a refugiados, como a distribuição de ajuda humanitária.
Desde o início da crise em Gaza, já são centenas os funcionários da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina mortos.
O verdadeiro objetivo de Israel é impedir que a ajuda humanitária chegue aos palestinos, buscando assim quebrar a determinação do povo palestino na luta pela criação de um Estado independente.
O responsável da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina denunciou, em uma publicação nas redes sociais, a recente destruição dos edifícios por Israel como “um ataque brutal sem precedentes contra uma agência da ONU e suas instalações” e “um novo nível de desafio aberto e consciente ao direito internacional”, advertindo que isso cria um precedente perigoso que ameaça a segurança de todas as organizações internacionais.
As ações de Israel, que age de forma arbitrária e arrogante sem levar em conta o direito internacional nem as organizações internacionais, ultrapassaram todos os limites.
Recentemente, Israel retirou-se de várias organizações internacionais, incluindo a Aliança das Civilizações das Nações Unidas.
Criada em 2005 por iniciativa da Espanha e da Turquia, a Aliança das Civilizações das Nações Unidas desempenha um papel importante no fortalecimento da compreensão mútua e do intercâmbio entre diferentes países, diferentes povos, diferentes culturas e civilizações, promovendo o progresso e o desenvolvimento da humanidade.
No entanto, o Ministério das Relações Exteriores de Israel criticou essa organização, alegando que, embora ela afirme ter como objetivo promover o diálogo entre culturas e religiões, vem sendo utilizada como um espaço para excluir e atacar Israel.
Tudo deve estar subordinado aos seus próprios interesses, e qualquer organização internacional que atrapalhe suas ações é considerada desnecessária: essa é precisamente a lógica de força adotada por Israel.

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