sábado, 7 de fevereiro de 2026

A acirrada disputa em torno do Ártico

Devido à sua posição geográfica singular e aos abundantes recursos, o Ártico, que vinha sendo chamado de “região de oportunidades”, permaneceu por longos anos sem ser desenvolvido ativamente em razão do espesso gelo. Hoje, porém, essa região está se transformando em um palco de intensa disputa.

Importância estratégica em constante crescimento

No Ártico estão depositados recursos avaliados em dezenas de trilhões de dólares, incluindo petróleo, gás natural e terras raras.

Especialistas avaliam que um quarto dos recursos de combustíveis fósseis existentes na Terra está concentrado no Ártico. Trata-se, de fato, de um gigantesco reservatório de recursos, com valor econômico extremamente elevado.

Com o aquecimento global, o gelo do Oceano Ártico vem derretendo rapidamente, aumentando também a possibilidade de abertura da rota marítima mais curta e segura que conecta o Atlântico e o Pacífico, ou seja, um atalho marítimo.

Em novembro do ano passado, a Organização Meteorológica Mundial divulgou um relatório afirmando que, em 2025, a área de gelo marinho no Ártico atingiu o menor nível já registrado desde o início das observações.

Como é possível reduzir drasticamente o tempo de transporte em comparação com as rotas marítimas tradicionais, como os canais de Suez e do Panamá, a importância da rota marítima do Ártico vem ganhando grande destaque. Em maio de 2020, as águas do Ártico foram reconhecidas como navegáveis, e, na ocasião, a Rússia enviou para a China navios-tanque carregados de gás natural liquefeito.

Caso a navegação se torne possível durante a maior parte do ano nessa região, estima-se que os ganhos adicionais obtidos com o transporte de cargas por essa rota cheguem a bilhões de dólares.

A importância estratégica do Ártico, que cresce dia a dia, está atraindo a atenção da comunidade internacional.

Risco de conflitos em rápida escalada

Há alguns anos, o presidente da Rússia afirmou que seu país fincaria raízes no Ártico nas próximas décadas, enfatizando que o desenvolvimento da região, incluindo a exploração de recursos minerais, está diretamente relacionado ao futuro do país.

Em novembro do ano passado, ao participar por videoconferência da cerimônia de início da construção do quebra-gelo nuclear Stalingrado, ele também mencionou, em um discurso, a importância de fortalecer a posição da Rússia no Ártico, incluindo o desenvolvimento, em perspectiva, da rota de transporte ártica que liga São Petersburgo a Vladivostok.

Atualmente, a Rússia controla cerca de metade da área terrestre do Ártico e metade das zonas econômicas exclusivas da região, e vem envidando esforços ativos para reforçar sua liderança. Busca garantir o desenvolvimento global da região e também colocar em funcionamento projetos conjuntos com países amigos. A Rússia defende de forma consequente a cooperação igualitária no Ártico, abrangendo pesquisa científica, proteção da biodiversidade, resposta a emergências e desenvolvimento econômico.

A China também avança ativamente no Ártico. Elabora planos de exploração de recursos e de abertura de rotas marítimas, opera quebra-gelos equipados com instrumentos de observação ártica e conduz pesquisas por meio de bases científicas estabelecidas em vários países do Norte da Europa.

As forças ocidentais não veem isso com bons olhos. Há dois anos, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos afirmou, em um relatório sobre a estratégia para o Ártico, que a cooperação cada vez mais estreita entre a Rússia e a China na região poderia afetar a estabilidade regional. Os Estados Unidos já formularam uma estratégia regional de “vigilância e resposta”, baseada na coleta de informações, no fortalecimento da cooperação com aliados e na capacidade de desdobramento de ativos militares.

Enquanto isso, a OTAN vem alardeando a “possibilidade de crises” no Ártico e realizando diversos exercícios militares.

Em resposta, a Rússia sustenta que o Ártico não é uma área de jurisdição da OTAN, acusando-a de estender seus tentáculos à região ártica a partir do desejo de generalizar, legitimar e consolidar sua posição como polícia não apenas da região do Atlântico Norte, mas do mundo inteiro.

Recentemente, com o surgimento da questão da Groenlândia, a atenção mundial voltou-se novamente para o Ártico. A Groenlândia, a maior ilha do mundo, ocupa uma posição-chave em duas rotas árticas: a Passagem do Noroeste, que segue ao longo da costa norte da América do Norte, e a rota central que passa pelo Polo Norte. Além disso, a ilha é rica em recursos essenciais para a transição energética e para a fabricação de diversos componentes, como terras raras, grafite, cobre e níquel.

Atualmente, os Estados Unidos tentam anexar a Groenlândia, o que vem acirrando a confrontação e os atritos entre os Estados Unidos e a União Europeia.

À medida que se intensificam os movimentos dos países para assegurar a primazia estratégica no Ártico, essa região está se transformando hoje em uma zona de alto risco de conflitos.

Ho Yong Min

Rodong Sinmun

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