quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Europa mergulha em confusão devido a problemas energéticos

Os países europeus estão quebrando a cabeça por causa da crise energética.

A crise energética enfrentada pela Europa foi provocada pelo fato de ela mesma ter bloqueado as vias de importação dos recursos energéticos russos, mais baratos.

Segundo o Eurostat, órgão estatístico da União Europeia, com base em 2020, o grau de dependência da União Europeia em relação à Rússia nas fontes energéticas era de 41,1% no gás natural e 36,5% no petróleo bruto. No entanto, em outubro do ano passado, a dependência da União Europeia em relação à Rússia nas importações de gás caiu para cerca de 12%.

Em contrapartida, os Estados Unidos passaram a empurrar seu gás para a Europa a um preço até quatro vezes mais alto do que o praticado no mercado interno. Já em abril de 2023, 50% do volume total de gás natural liquefeito importado pela União Europeia era de origem estadunidense. Com isso, os países europeus passaram a ter de pagar mensalmente dezenas de bilhões de dólares a mais pelas importações de energia.

Segundo notificação feita pelo Ministério das Relações Exteriores da Rússia à Assembleia Geral da ONU em dezembro do ano passado, entre 2022 e 2025 os países europeus sofreram perdas econômicas de cerca de 1 trilhão e 600 bilhões de euros em decorrência das sanções contra a Rússia.

Nesse contexto, em 26 de janeiro passado, o Conselho Europeu aprovou definitivamente a medida de proibição da importação de gás russo. No caso do gás natural liquefeito, a proibição entrou em vigor a partir de janeiro deste ano; no caso do gás importado por gasodutos, a proibição total passará a vigorar a partir do outono deste ano.

Diversos meios de comunicação estrangeiros avaliam que, com a aprovação final dessa medida, que desde o ano passado vinha provocando intensos debates entre os Estados-membros da União Europeia, os preços do gás na Europa subirão ainda mais e, em consequência, a crise econômica se tornará ainda mais catastrófica.

O primeiro-ministro da Hungria classificou a política energética da União Europeia como destrutiva e declarou que seu país continuará mantendo uma posição independente em matéria de energia.

A Eslováquia já havia anunciado anteriormente que, caso essa medida fosse adotada, entraria com uma ação judicial conjunta com a Hungria.

Por outro lado, mesmo entre os países favoráveis, cresce a confusão, com a busca por diversificação das fontes energéticas. Um exemplo representativo é a Alemanha, chamada de “locomotiva” da economia europeia, que vem vagando sem rumo e mergulhando em dilemas.

Nesse país, entre janeiro e novembro do ano passado, o valor da produção industrial caiu 1,2%, registrando-se assim o quarto ano consecutivo de retração industrial. Especialistas afirmam que uma das principais causas da estagnação da economia alemã é a elevação dos preços da energia.

Há pouco tempo, o chanceler da Alemanha criticou a política de desativação das usinas nucleares promovida pelo país ao longo de mais de dez anos, classificando-a como um “grave fracasso estratégico”. Ao noticiar isso, a imprensa alemã informou que é grande a insatisfação do setor industrial com os preços ainda elevados da eletricidade no país e que, em alguns países, cresce a expectativa em relação à energia nuclear como meio de redução das emissões de gases de efeito estufa, de modo que, em função dessa declaração do chanceler, pode se intensificar o movimento de reavaliação da política nuclear.

Em novembro de 2024, especialistas já haviam avaliado que não seria fácil para a Alemanha reverter a política de desativação das usinas nucleares. Apontaram como fundamentos os grandes obstáculos políticos, como a posição rígida do Partido Verde, principal força antinuclear, a profunda resistência da população à reativação das usinas, o agravamento das dificuldades fiscais do governo e o fato de que as principais companhias de energia também balançam a cabeça negativamente, alegando impossibilidades práticas.

Além disso, há não poucos países europeus que se empenham em tentar superar a crise energética, como no caso da primeira-ministra da Itália, que no início do ano percorreu países asiáticos e firmou acordos para complementar mutuamente os sistemas de fornecimento de recursos energéticos em situações de emergência.

No entanto, a perspectiva é sombria. No Fórum Econômico Mundial realizado no início do ano, o secretário de Energia dos Estados Unidos declarou que as políticas ambientais implementadas dentro da União Europeia podem afetar as exportações de gás estadunidense para a Europa e afirmou abertamente que tais barreiras devem ser removidas. Isso revela a intenção de impor à Europa seu gás caro, aprofundando ainda mais as dificuldades dos países europeus que tentam superar a crise por meio da transição para energias naturais e ambientalmente sustentáveis.

A opinião pública avalia que, embora a União Europeia esteja propagandeando os “resultados do trabalho de rejeição da energia russa”, o enorme ônus decorrente disso acabou recaindo sobre os cidadãos comuns da Europa.

Jang Chol

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