Há pouco tempo, o Japão assinou com o Canadá um acordo sobre equipamentos de defesa e transferência de tecnologia. Diz-se que o acordo entrará em vigor em um futuro próximo, após o cumprimento dos procedimentos necessários.
Entre os dois países já se encontram em vigor um acordo de apoio logístico mútuo e um acordo de proteção de informações.
Com a entrada em vigor deste acordo e a garantia inclusive de canais para a exportação e importação de equipamentos militares, as relações de conluio militar entre os dois países serão ainda mais fortalecidas.
Atualmente, no meio político japonês, está em pleno andamento a revisão dos “Três Princípios sobre a Transferência de Equipamentos de Defesa”.
Até agora, o Japão tem alardeado os chamados “Três Princípios sobre a Transferência de Equipamentos de Defesa”, segundo os quais a exportação de equipamentos militares estaria limitada aos domínios de salvamento, transporte, vigilância, observação, patrulha e desminagem. Afirma-se que apenas equipamentos necessários à defesa seriam exportados e que, mesmo nesses casos, não seriam transferidos a países envolvidos em conflitos. É claro que isso não passava de um engodo para ludibriar a comunidade internacional.
Sob o vistoso letreiro da defesa, o Japão vinha levando a cabo, de forma contínua e clandestina, a exportação e a importação de diversos tipos de equipamentos militares que extrapolam o âmbito dos “Três Princípios sobre a Transferência de Equipamentos de Defesa”, com o objetivo de reforçar o aumento do poderio militar e o conluio militar. Recentemente, chegou mesmo a tentar abolir por completo esses incômodos “Três Princípios sobre a Transferência de Equipamentos de Defesa”.
Em outubro do ano passado, o ministro da Defesa do Japão declarou, em entrevista à emissora NHK, que era preciso promover a revogação das normas vigentes que vinham autorizando apenas a exportação de equipamentos de defesa, enfatizando que isso visava “criar um ambiente de segurança compatível com o Japão”.
Pouco tempo depois, o governo japonês iniciou a revisão dos “Três Princípios sobre a Transferência de Equipamentos de Defesa”. Trata-se de eliminar por completo as barreiras que restringem a exportação e a importação de armas e de legalizar e institucionalizar a aquisição e a exportação de equipamentos de guerra. Se isso se concretizar, é evidente como a luz do dia que o acordo de equipamentos de defesa e transferência de tecnologia firmado com o Canadá será transformado em um acordo oficial relativo à aquisição e à exportação de equipamentos de guerra.
O Japão já firmou esse tipo de acordo com 16 países, incluindo os Estados Unidos, o Reino Unido, a França e a Alemanha.
Com a celebração do acordo com o Canadá, o Japão passou a poder ampliar ainda mais o alcance da exportação e importação de equipamentos militares.
Além dos acordos de equipamentos de defesa e transferência de tecnologia com países como os principais membros da OTAN, o Japão firmou diversos outros acordos militares, como o acordo de apoio logístico mútuo, que facilita o fornecimento de materiais militares, e o acordo de facilitação, que permite o envio mútuo de forças armadas e a realização de treinamentos com maior facilidade. Valendo-se disso, vem importando e exportando em grande escala equipamentos militares, enviando tropas das “Forças de Autodefesa” para o exterior e participando de exercícios militares multinacionais sob diversos pretextos, como o “RIMPAC” e o “Balikatan”.
A celebração de diversos acordos militares entre países, a troca mútua de equipamentos militares, materiais bélicos e informações militares, bem como a realização conjunta de exercícios militares, só são possíveis no âmbito de relações de aliança militar. Em outras palavras, não é exagero considerar que o Japão esteja construindo relações de aliança militar de fato com os principais membros da OTAN e com diversos países da região.
O Japão, como país criminoso de guerra, está impedido de possuir forças armadas. Assim, a própria constituição de alianças militares constitui uma linha vermelha que não deve ser ultrapassada.
No entanto, o Japão vem ultrapassando astutamente essa rígida linha de restrição por meio da celebração de diversos acordos, ampliando as alianças militares em escala global. O objetivo é criar um ambiente favorável à concretização de suas ambições de agressão no exterior, por meio do fortalecimento e da ampliação do conluio militar com as potências.
No plano interno, as forças militaristas, por meio de toda sorte de artimanhas, vêm corroendo pouco a pouco as barreiras institucionais da “defesa exclusiva” e, no plano externo, enlouquecem na ampliação das alianças militares, agitando-se para ressuscitar o Japão como um autêntico Estado de guerra, um segundo império.
A comunidade internacional observa com olhar atento os passos do Japão em seu processo de transformação.

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