segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Um sistema antipopular que lança os jovens estudantes no abismo do desespero

Há pouco tempo, o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão anunciou que, em 2025, o número de suicídios entre estudantes do ensino primário, secundário e secundário superior chegou a 532, o maior registrado desde 1980. Desses, 170 eram estudantes do ensino secundário e 352 do ensino secundário superior.

Todos são jovens estudantes na faixa dos dez anos de idade.

A adolescência é o início da vida. É um período em que sonhos e esperanças florescem. No entanto, jovens japoneses estão mergulhando no pessimismo quanto ao futuro e tirando a própria vida.

As autoridades japonesas afirmam que o fato de jovens escolherem o caminho do suicídio se deve à depressão, alegando que pessoas de temperamento pouco alegre optam por esse caminho.

Porém, segundo análises feitas por muitos especialistas, a maioria dos suicidas não possui uma personalidade peculiar, e os fatores que os empurram para o suicídio incluem pressões psicológicas sofridas no decorrer da vida cotidiana.

Ao se observar as causas ou motivações do suicídio, grande peso recai sobre atos graves de violência nas escolas e abusos no ambiente familiar.

Em novembro do ano passado, o jornal Tokyo Shimbun revelou que, em 2024, os atos de violência nas escolas aumentaram em 128.859 casos em comparação com o ano anterior, alcançando um recorde histórico.

Em especial, os atos de violência entre estudantes do ensino primário aumentaram sete vezes em relação a dez anos atrás. Casos de abuso apareceram em mais de 80% de todas as escolas, e o número de estudantes do ensino primário e secundário que deixaram de frequentar a escola por receio de se tornarem vítimas também aumentou consecutivamente.

Os abusos cometidos pelos próprios pais também estão crescendo rapidamente.

Em junho do ano passado, o jornal Mainichi Shimbun informou que, em 2024, foram registrados 2.649 casos de abuso infantil e que, devido à violência doméstica, 2.700 jovens menores de 18 anos sofreram danos, afirmando que todos esses números renovaram recordes históricos.

O número de casos de abuso detectados aumentou por 11 anos consecutivos, e o número de crianças vitimadas aumentou por 2 anos consecutivos.

O agravamento do fenômeno do suicídio no Japão também está relacionado à disseminação de uma cultura trágica de suicídio.

Na internet, surgiram até os chamados “sites de suicídio”, nos quais são publicadas abertamente mensagens em busca de pessoas para cometer suicídio coletivo, e o número de participantes aumenta a cada dia.

Até agora, as autoridades japonesas têm se mostrado agitadas todos os anos, anunciando a elaboração de medidas de prevenção ao suicídio e a divulgação de livros brancos sobre o tema, mas nada melhorou.

No ano passado, na sessão plenária da Câmara dos Representantes do Japão, foi aprovada por maioria uma versão revisada da chamada Lei Básica de Medidas de Prevenção ao Suicídio.

Segundo ela, toda a sociedade se mobilizaria para estabelecer medidas destinadas a impedir o aumento recente dos suicídios entre crianças.

No entanto, como se vê pelos resultados, o número de suicídios entre crianças não diminuiu, mas apenas aumentou ao nível mais alto da história.

No Japão, o suicídio de crianças é, de fato, um homicídio.

O fator que obriga inúmeros adolescentes, em uma fase cheia de sonhos, a perder esperanças e aspirações, cair no desespero e não ter outra escolha senão optar pelo extremo do suicídio reside justamente em um sistema social antipopular, dominado por um individualismo extremo e por uma competição de sobrevivência regida pela lei do mais forte.

Kim Su Jin

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