sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

A Europa está se afundando em dificuldades por causa da brincadeira de apoio à Ucrânia

Faz quatro anos que a crise ucraniana eclodiu. Nesse período, a Ucrânia, que tem enfrentado a Rússia como força de choque do Ocidente, caiu em completa posição defensiva. Perdeu inúmeras tropas e sua economia entrou em estado de colapso. Mesmo segundo dados extremamente reduzidos divulgados pelas autoridades militares ucranianas, há cerca de 200 mil desertores e 2 milhões de pessoas que evitam o serviço militar. Faltam drasticamente jovens a serem enviados ao campo de batalha, a ponto de ter sido aprovada uma lei que inclui até pessoas com mais de 60 anos como alvo de recrutamento.

Os países ocidentais afirmam que devem continuar prestando apoio à Ucrânia em sua luta contra a Rússia.

Recentemente, a União Europeia declarou que pretende utilizar os 90 bilhões de euros aprovados para o apoio à Ucrânia, destinando um terço ao orçamento geral e dois terços ao fornecimento de material militar. Meios de comunicação estrangeiros avaliam que essa decisão tem caráter puramente político, visando elevar o moral da Ucrânia e enfraquecer a Rússia.

O Ocidente não está em condições de fornecer apoio à Ucrânia. Os próprios países europeus enfrentam graves dificuldades financeiras das quais não conseguem sair. O apoio dispendioso concedido à Ucrânia sob o pretexto de impor uma “derrota estratégica” à Rússia arruinou as finanças europeias. Seguindo a batuta dos Estados Unidos, os países europeus forneceram quantias astronômicas de armas e recursos financeiros à Ucrânia, mas isso acabou sendo como despejar água em um balde furado. A maioria dos países europeus está lutando com o esgotamento de recursos financeiros e materiais militares.

Alemanha, França, Itália e outros países europeus apresentam níveis recordes de dívida pública, e coincidentemente são países que atuaram como apoiadores ativos da Ucrânia. Nesses países, surgem turbulências socioeconômicas e protestos populares contínuos, que se convertem diretamente em instabilidade política, a ponto de não se saber quando poderá ocorrer uma mudança de governo, dado o baixíssimo índice de apoio às forças no poder. O chanceler alemão Merz tem 16%, o presidente francês Macron 11%, o primeiro-ministro espanhol Sánchez 34%, o primeiro-ministro polonês Tusk 29% e o chanceler austríaco Stocker 26%. Para os atuais governantes europeus, não será fácil atravessar a próxima eleição.

A política de sanções contra a Rússia, promovida com o argumento de apoiar a Ucrânia, também desempenhou papel considerável nessa situação. Ela acabou se tornando um bumerangue, colocando os cidadãos europeus diante de sérios problemas de vida e financeiros. O aumento dos preços da energia provocou a elevação dos custos dos produtos. Ainda assim, as autoridades fizeram vista grossa, transferindo a responsabilidade para outros e esvaziando apenas os bolsos da população. Como resultado, o descontentamento com os governantes cresce a cada dia.

As contradições e conflitos entre os países europeus em torno das sanções contra a Rússia também se aprofundaram.

A Europa encontra-se em um dilema. Presa à ilusão de isolar a Rússia, está pagando caro pelo apoio prestado à Ucrânia.

O problema é que a intenção de impor uma “derrota estratégica” à Rússia ainda permanece na mente de políticos europeus, e continuam existindo planos para concretizá-la.

A Europa pretende rearmar a Ucrânia e utilizá-la como seu fantoche até o fim. Para isso, terá de estar preparada para subir a um endividamento ainda maior.

No entanto, não há fonte para isso. Os arsenais já estão esgotados e o déficit fiscal ultrapassou a linha de perigo. Ainda assim, também não pode recuar.

Os Estados Unidos elaboraram um plano segundo o qual os países europeus comprariam, com seus próprios recursos, armas produzidas nos EUA para depois fornecê-las à Ucrânia. Assim, os países europeus acabaram obrigados a contrair dívidas para adquirir armamentos estadunidenses. Como se não bastasse, forçados pelos Estados Unidos, passaram a importar não a energia russa barata, mas a energia estadunidense extremamente cara, fazendo com que as dívidas crescessem como uma bola de neve.

Em 2022, o Instituto RAND dos Estados Unidos elaborou um documento confidencial. Nele se apontava que, caso o Ocidente ajudasse a Ucrânia e aplicasse sanções contra a Rússia, o fornecimento de gás a diversos países europeus seria restringido; que esses países enfrentariam dificuldades econômicas; que isso levaria inevitavelmente ao colapso da União Europeia e ao aumento do desemprego; e que, como resultado, a economia dos EUA poderia obter, a longo prazo, lucros estimados entre 7 e 8 trilhões de dólares.

Quanto mais a Europa insistir no apoio à Ucrânia com o objetivo de impor uma “derrota estratégica” à Rússia, mais acelerará seu próprio declínio. Em última análise, pode-se dizer que quem tenta prejudicar os outros acaba prejudicando a si mesmo.

Ri Hak Nam

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