terça-feira, 30 de dezembro de 2025

O que os acontecimentos deste ano no Oriente Médio revelam

Neste ano, a situação no Oriente Médio mergulhou numa crise extremamente grave desde a eclosão da situação em Gaza.

Israel, atrelado de forma ainda mais desesperada do que nunca à realização de suas ambições expansionistas territoriais, desencadeou ataques militares de uma escala sem precedentes em toda a Palestina.

Atualmente, a Faixa de Gaza foi completamente devastada, e os assentamentos israelenses na região da Cisjordânia aumentaram de forma acentuada em comparação com o período anterior. Inúmeros palestinos foram privados de suas moradias e não tiveram outra escolha senão trilhar o caminho do deslocamento forçado.

Segundo anúncio feito em outubro por um órgão competente da ONU, na Faixa de Gaza, onde se estimava que viviam cerca de 2,3 milhões de pessoas antes da guerra, pelo menos 1,9 milhão foi reduzido à condição de refugiados.

Na Faixa de Gaza, quase todas as escolas, residências e hospitais foram transformados em cinzas, e o número de civis mortos alcançou, até 27 de dezembro de 2025, cerca de 71.200 pessoas.

Referindo-se a essa realidade, um alto funcionário da ONU afirmou que a Faixa de Gaza “já se transformou no maior inferno humano a céu aberto do planeta”.

Com a ampliação dos efeitos da situação em Gaza para todo o Oriente Médio, a crise regional se agravou ainda mais. Israel intensificou a ofensiva militar contra o Líbano e a Síria e, sob o pretexto de garantir a segurança, ampliou o alcance de suas invasões a numerosos países árabes.

Diante da fúria desenfreada de Israel, os gritos de ressentimento dos palestinos que perderam brutalmente seus entes queridos ecoaram até os céus, enquanto todo o Oriente Médio se debatia no redemoinho de conflitos armados e guerras.

Muitos países e organizações internacionais, incluindo os países árabes, envidaram esforços incessantes para resolver pacificamente a questão do Oriente Médio.

Votações de resoluções exigindo um cessar-fogo imediato em Gaza foram realizadas repetidas vezes na Assembleia Geral da ONU e no Conselho de Segurança da ONU. Com a mediação de vários países, contatos entre o Movimento de Resistência Islâmica da Palestina (Hamas) e Israel também foram frequentemente organizados. Como resultado, neste ano foram alcançados dois acordos de cessar-fogo entre o Hamas e Israel.

No entanto, isso não levou à estabilidade regional.

Mesmo sob o letreiro do cessar-fogo, o massacre de civis palestinos não cessou, e, ainda que resoluções internacionais para a estabilidade regional tenham sido adotadas, a situação no Oriente Médio tornou-se ainda mais grave.

Basta observar o acordo de cessar-fogo que entrou em vigor em janeiro: ele foi brutalmente rompido em 18 de março devido à operação ofensiva de grande escala lançada pelas forças israelenses em toda a Faixa de Gaza.

Já no primeiro dia do ataque, Israel matou mais de 400 civis palestinos e destruiu inúmeras áreas residenciais. Apenas dois meses após a conclusão do acordo de cessar-fogo, a Faixa de Gaza transformou-se novamente num palco de sangrentos massacres.

Embora em outubro se tenha anunciado outro acordo de cessar-fogo, as atrocidades de massacre de civis palestinos nessa região continuam até hoje.

Enquanto apenas escombros restam na Faixa de Gaza e tempestades de inverno assolam a região, agravando ainda mais a crise, os atos anti-humanitários de Israel, que bloqueia a entrada de ajuda humanitária, forçam os civis locais a uma morte lenta, sem sequer a garantia de abrigos básicos.

Independentemente de o mundo elevar vozes de condenação contra atrocidades anti-humanitárias ou de resoluções internacionais relacionadas ao cessar-fogo serem adotadas, todas as tentativas da comunidade internacional em prol da paz regional acabaram em vão devido às manobras de Israel, enlouquecido unicamente pela expansão territorial.

Quanto mais cresciam, na comunidade internacional, as exigências por um cessar-fogo, mais denso se tornava o cheiro de pólvora exalado pela conduta de Israel.

O fato de Israel ter iniciado, em maio, na Faixa de Gaza, a maior operação terrestre desde outubro de 2023, denominada “Carruagens de Gideão”, ocorreu justamente quando, na cúpula da Liga dos Estados Árabes, foi divulgada uma declaração exigindo um cessar-fogo imediato e permanente em Gaza. Os bombardeios indiscriminados contra a capital do Líbano também coincidiram com as negociações sobre a definição da fronteira entre os dois países.

E não foi só isso. O momento em que teve início o ataque massivo de mísseis contra o Irã, que lançou todo o Oriente Médio numa crise extrema, foi exatamente o dia seguinte à adoção, em uma sessão especial de emergência da Assembleia Geral da ONU, de uma resolução exigindo que Israel e o Hamas implementassem de imediato um cessar-fogo incondicional e permanente. A conduta de Israel não pode ser vista senão como um escárnio aberto aos esforços de cessar-fogo da comunidade internacional.

Em setembro, Israel, ostentando o pretexto de erradicar o Hamas, realizou bombardeios bárbaros contra Doha, capital do Catar, revelando sem reservas sua verdadeira face de criminoso de guerra que ignora até mesmo o direito internacional reconhecido, caso isso sirva à consecução de seus objetivos.

As arbitrariedades militares descaradas de Israel não podem ser concebidas à parte da conivência e do encobrimento do Ocidente.

Diante dos horrendos massacres de civis na Palestina, que chocaram a humanidade, os países ocidentais aparentaram, superficialmente, somar-se ao clima internacional de condenação a Israel. Não poucos países ocidentais elevaram vozes de crítica a Israel no palco da ONU, fizeram gestos de aplicar sanções e até encenaram o reconhecimento da Palestina como Estado.

Contudo, tudo isso não passou de hipocrisia. Esses países não adotaram absolutamente nenhuma medida concreta capaz de conter as atrocidades de Israel.

Quando os confrontos armados entre o Irã e Israel se intensificaram, a atitude do Ocidente foi, de fato, extremamente parcial.

Os países ocidentais pressionaram o Irã para que não agravasse o confronto com Israel nem adotasse ações que afetassem seus próprios interesses. Além disso, o grupo dos sete países ocidentais divulgou uma declaração conjunta afirmando: “Confirmamos que Israel tem o direito à autodefesa. Reafirmamos nosso apoio à segurança de Israel. O Irã é a fonte de instabilidade e terrorismo na região”, apoiando Israel de forma descarada.

Embora falem de paz regional, sempre que a situação no Oriente Médio se agrava, fortalecem Israel e não hesitam em apostar na intensificação da crise regional.

Em junho, uma revista eletrônica de um determinado país publicou um artigo intitulado “Por que a Europa não toma medidas reais contra Netanyahu?”, no qual afirmava o seguinte:

“Apesar do acúmulo de evidências de que Israel cometeu crimes de guerra na Faixa de Gaza, a União Europeia não tomou nenhuma ação. A UE é um importante parceiro comercial de Israel. Mesmo diante da intensificação das atrocidades, o pragmatismo econômico tem sido priorizado em detrimento das preocupações com os direitos humanos. Embora existam movimentos simbólicos, ainda há um longo caminho até que a Europa adote medidas concretas.”

Foi a partir de cálculos egoístas, que se preocupam mais com o corte das fontes de dinheiro do que com a vida dos civis palestinos ou a paz no Oriente Médio, que o Ocidente passou a encobrir e estimular ativamente os desvarios de Israel.

Jamais tendo ajudado os fracos ao longo da história, e sempre agindo de forma oportunista para encher os próprios bolsos cada vez que conflitos e confrontos internacionais se agravaram, esse é o histórico vil do Ocidente. Sob seu incentivo ativo, Israel tornou-se cada vez mais arrogante, estendendo sem escrúpulos as garras de sua agressão militar não apenas à Palestina, ao Líbano e à Síria, mas também ao Irã e ao Catar.

A razão mais importante pela qual a situação no Oriente Médio mergulhou numa crise extrema neste ano reside no fato de que os países da região não acumularam forças próprias capazes de enfrentar agressões militares.

As organizações armadas palestinas, mesmo equipadas com armamentos modernos, são demasiadamente inferiores para enfrentar as forças regulares israelenses, que recebem assistência militar constante do Ocidente. É justamente por isso que Israel realiza, sem qualquer constrangimento, ataques militares contra a Palestina a qualquer momento que desejar.

Quando considera o adversário mais forte, o agressor mostra-se submisso; mas, quando o percebe minimamente fraco, investe com brutalidade. Essa é a natureza do invasor.

As atrocidades dos invasores israelenses, que mobilizam até reservistas e chegam a colocar armas nas mãos de colonos para realizar suas ambições expansionistas territoriais, não podem jamais ser detidas apenas com apelos desesperados por compaixão e ajuda à comunidade internacional.

É justamente por não possuírem força para se defender que os palestinos acabam perdendo suas vidas, seus familiares e suas terras.

E não é apenas a Palestina. Uma razão importante pela qual o Líbano, a Síria e outros países do Oriente Médio se tornaram “presas” de Israel é também o fato de não terem acumulado capacidade militar suficiente para resistir às agressões israelenses.

A dignidade do Estado, a segurança do povo e a paz regional jamais podem ser garantidas por qualquer lei internacional, resolução, apoio ou ajuda de terceiros.

A tragédia no Oriente Médio comprova, mais uma vez de forma clara, que a única maneira de salvaguardar os interesses e a dignidade do Estado e proteger o destino do povo é fortalecer a própria força cem e mil vezes mais.

Un Jong Chol

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