Muitos países do mundo estão sofrendo com altas temperaturas.
Há pouco tempo, mais da metade do território dos Estados Unidos foi atingida por uma onda de calor, afetando cerca de 160 milhões de pessoas.
Na Europa, também, o aumento da temperatura provocou um grande número de mortes.
Durante cerca de dez dias, desde 20 de junho passado, foram registrados fenômenos de calor recorde na França, Bélgica, Países Baixos, Espanha, Alemanha e Reino Unido, entre outros países.
No sudoeste da França, a temperatura máxima chegou a 44,3 ℃ e, somente no período de 22 a 28 de junho, 2.025 pessoas morreram. A autoridade de saúde desse país declarou: “O número de mortes aumentou 29,1% em comparação com a semana anterior.” Em algumas regiões, incluindo a capital Paris, a taxa de mortalidade aumentou 62%. A maioria dos mortos era de idosos. O número de pessoas que morreram sozinhas em casa aumentou cerca de 40% em relação ao normal.
Na Bélgica, 1.222 pessoas morreram entre 18 e 29 de junho.
Nos Países Baixos, também ocorreram cerca de 480 mortes, sendo a maioria dos mortos pessoas idosas. As autoridades declararam que o número real de vítimas pode ser ainda maior, pois há casos em que o registro das mortes é atrasado.
Na Espanha, 1.029 pessoas morreram em junho devido a uma onda de calor extrema, o que constitui o maior número mensal de mortes registrado desde a introdução do sistema de monitoramento diário, em 2015. Somente em 23 de junho, a temperatura média nacional subiu para 38,2 ℃, tornando-se o dia mais quente do mês de junho. Diz-se que, nesse dia, cerca de 73% da população foi afetada pelas altas temperaturas.
Uma instituição de pesquisa europeia declarou que mais de 10 mil pessoas morreram em vários países devido à onda de calor recorde que atingiu a região ocidental do continente europeu no final de junho passado.
Considerando que cerca de 2.300 pessoas morreram durante dez dias, no verão do ano passado, em 12 grandes cidades da Europa Ocidental, incluindo Barcelona, Madri e Londres, é possível compreender bem a dimensão das perdas humanas causadas pela atual onda de calor.
Os países europeus também foram atingidos, em maio passado, por uma onda de calor que chegou prematuramente.
Na Espanha, 101 pessoas morreram devido às altas temperaturas durante o mês de maio.
No Reino Unido, em 26 de maio, foi registrada uma temperatura de 35 ℃, mais de 2 ℃ acima da temperatura máxima histórica registrada em maio.
Em Mora, no sul de Portugal, a temperatura chegou a 40,3 ℃ em 27 de maio, renovando os recordes de temperatura máxima de maio registrados em 1953 e 2001.
O fato de um fenômeno de altas temperaturas ter ocorrido novamente em junho, depois de maio, destaca mais uma vez a gravidade do aquecimento global.
Especialistas em meteorologia afirmam que é um fenômeno raro ocorrer um número tão elevado de mortes nesta época do ano e alegam que, se não houvesse mudanças climáticas, a onda de calor do final de junho praticamente não teria ocorrido.
Diz-se que a causa direta da chegada da onda de calor à França foi o surgimento do fenômeno do “teto de calor”, no qual uma área de alta pressão permanece estacionária na atmosfera sob a influência dos ventos de oeste, aprisionando o ar quente. Especialistas analisaram que o surgimento dessas altas temperaturas se deve à rápida aceleração do aquecimento global e afirmaram que, há 50 anos, sob as mesmas condições meteorológicas, a temperatura durante o dia teria sido cerca de 3,5 ℃ mais baixa.
A Organização Meteorológica Mundial classificou essa onda de calor como um “assassino silencioso” e afirmou que se trata de uma catástrofe provocada pelas mudanças climáticas. Segundo os dados, a velocidade do aumento da temperatura na Europa é cerca de duas vezes maior que a média mundial.
Devido ao aumento da temperatura, por volta de 2050, cerca de metade da população europeia poderá enfrentar, durante o verão, um risco muito elevado de estresse térmico.
O Comitê de Mudanças Climáticas, órgão consultivo independente do governo britânico, advertiu que as ondas de calor, inundações e secas, cada vez mais extremas, estão ameaçando o modo de vida dos britânicos e previu que, em meados deste século, mais de 90% das residências poderão ser aquecidas por ondas de calor mais intensas. Também previu que, devido aos verões quentes e secos e ao crescimento populacional, a escassez de água na Inglaterra poderá ultrapassar 5 bilhões de litros por dia.
O fato de as temperaturas máximas históricas continuarem sendo renovadas mostra que a crise climática, que ameaça a vida da humanidade, está se tornando cada vez mais grave.

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