sábado, 11 de julho de 2026

Sobre a solução urgente do problema dos alimentos

Discurso proferido pelo camarada Kim Il Sung na II Sessão do Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte

27 de fevereiro de 1946

Atualmente, nosso país atravessa uma difícil situação de alimentos. Sem resolver esse urgente problema, não é possível construir com êxito uma nova Coreia. Somente resolvendo-o será possível fornecer adequadamente alimentos aos operários e empregados, restaurar fábricas, minas e ferrovias destruídas, bem como fazer funcionar os órgãos estatais, econômicos, educacionais e culturais. Por isso, a solução desse problema constitui uma das tarefas mais urgentes e importantes que hoje enfrentamos.

Com o objetivo de resolver a escassez de alimentos no país, desde o outono do ano passado temos enfatizado o desenvolvimento, entre os camponeses, de uma campanha de entrega voluntária de grãos. Entretanto, o resultado dessa entrega permanece em um nível muito baixo, porque os comitês populares provinciais não orientam eficazmente esse trabalho e, ao contrário, o negligenciam.

Para levá-lo a bom termo, é necessário, antes de tudo, aplicar corretamente no campo o sistema de pagamento do arrendamento com três décimos da colheita, para que os camponeses disponham de quantidade suficiente de alimentos em reserva. Contudo, na província de Phyongan Sul, por exemplo, devido à negligência do antigo presidente do comitê popular e de alguns outros funcionários da província, ocorreram casos em que os latifundiários, recorrendo à intimidação, cobraram como renda mais da metade da colheita dos camponeses arrendatários. A aplicação incorreta desse sistema de pagamento do arrendamento dificulta a entrega voluntária de grãos por parte dos camponeses. Além disso, entre eles surge a tendência de pagar em dinheiro uma parte do arrendamento e vender clandestinamente os cereais assim retidos, em vez de participar honestamente da entrega voluntária de grãos.

As deficiências na aplicação do referido sistema de pagamento do arrendamento e na entrega voluntária de grãos também estão relacionadas com as maquinações dos elementos reacionários. Eles realizam por toda parte incontáveis manobras para impedir essas medidas. Procuram frustrar a entrega voluntária de cereais e agravar a situação dos alimentos no país, com o objetivo de provocar descontentamento entre as massas e incitá-las contra o Poder Popular.

Por essa razão, essa grande quantidade de grãos que deveria ter sido entregue ao Estado ainda não foi entregue.

Atualmente, o racionamento de grãos também não é realizado de maneira adequada. Para distribuí-los corretamente, é necessário, antes de tudo, determinar com precisão as pessoas que têm direito a recebê-los. Contudo, não são poucos os casos em que, em vez de proceder dessa maneira, eles são distribuídos a quem não os merece. Mesmo às pessoas que têm direito à ração, ela deve ser concedida de acordo com os dias efetivamente trabalhados, mas acontece que alguns a distribuem indiscriminadamente, sem levar em conta sequer os dias de ausência injustificada. Por outro lado, existe grande diferença entre as províncias quanto à quantidade de grãos distribuída, porque cada uma a fixou arbitrariamente. Na província de Phyongan Sul, distribuem-se 500 gramas de grãos por dia a cada operário ou empregado; na província de Hamgyong Sul, 300 gramas; e na província de Hwanghae, 700 gramas. Esse racionamento inadequado agravou ainda mais a situação dos cereais no país.

Devemos eliminar quanto antes essas falhas na administração dos alimentos e adotar medidas rigorosas para solucionar esse problema.

A primeira medida deve ser assegurar, de forma rigorosa, a entrega voluntária de grãos. Os comitês populares locais devem concluir, até o dia 20 de março, a coleta de todos os grãos restantes da quantidade prevista. Os cereais entregues devem ser pagos pelo preço estabelecido.

Para orientar corretamente a entrega voluntária de grãos, é necessário realizar eficazmente um trabalho de esclarecimento e organização entre os camponeses. Ao mesmo tempo, é preciso frustrar completamente as maquinações dos elementos reacionários que se opõem a essa entrega e combater energicamente a tendência de não participar dela, mesmo possuindo excedente de grãos.

Para assegurar o êxito da entrega voluntária de alimentos, é preciso organizar em cada condado uma brigada de choque encarregada de realizá-la, isto é, de supervisionar e impulsionar seu cumprimento. Essa brigada de choque deve ser composta por representantes do comitê popular do condado, do órgão de Segurança, das associações camponesas, das associações operárias e de outras organizações sociais.

Juntamente com a garantia do êxito da entrega voluntária de alimentos, é necessário adotar medidas para adquiri-los em outros países. Mesmo levando a bom termo a entrega voluntária de cereais, será difícil suprir toda a necessidade de alimentos. Portanto, devem ser tomadas medidas urgentes: obter alimentos no Nordeste da China em troca de artigos confiscados aos imperialistas japoneses ou comprá-los com divisas.

O Departamento da Indústria e as associações operárias devem organizar o trabalho de aumentar a produção de artigos de primeira necessidade nas empresas industriais e, em troca deles, adquirir produtos agrícolas para distribuí-los aos operários e empregados.

Outra tarefa importante é assegurar devidamente o transporte e a conservação dos alimentos.

É necessário organizar adequadamente o transporte oportuno dos grãos arrecadados por meio da entrega voluntária para os locais de consumo. Se esse transporte não for concluído dentro do prazo estabelecido, poderá ser prejudicado o transporte dos fertilizantes necessários à agricultura deste ano. Assim, os comitês populares de todos os níveis e o Departamento de Transporte devem empenhar-se para concluir o transporte dos cereais dentro do prazo fixado.

É preciso tomar as medidas correspondentes para conservar os cereais em boas condições. Os comitês populares de todos os níveis devem reparar os armazéns de grãos existentes e construir novos onde forem necessários. Dessa forma, deverá ser evitado que os alimentos se deteriorem por apodrecimento.

Outro aspecto importante é implantar um racionamento correto dos alimentos e exercer um rigoroso controle sobre seu consumo.

Por maior que seja a quantidade de alimentos que conseguirmos obter, se os distribuirmos e consumirmos sem controle nem medida, a situação do país nesse aspecto continuará grave. Portanto, ao mesmo tempo em que desenvolvemos a luta para obter alimentos, devemos realizar um racionamento justo e fortalecer o controle do consumo.

É necessário, antes de tudo, elaborar uma estatística correta dos estoques de alimentos e implantar um sistema adequado de racionamento.

Não se deve mais permitir, como até agora, que as províncias determinem segundo seus próprios critérios a quantidade da ração e os seus destinatários, provocando desordem no abastecimento de alimentos. Esses aspectos devem ser determinados de maneira unificada em escala nacional, e as normas do racionamento devem ser rigorosamente observadas.

A ração de alimentos não deve ser fixada de maneira uniforme, mas de acordo com as pessoas que a recebem. Deve haver diferença entre aqueles que realizam trabalhos pesados e os que realizam trabalhos leves, entre aqueles que se dedicam ao trabalho intelectual e os que se dedicam ao trabalho físico. Também deve haver diferenciação, quanto à ração de alimentos, entre os trabalhadores e seus dependentes. Em minha opinião, seria conveniente distribuir aos operários de 500 a 600 gramas de cereais por dia, ou seja, 600 gramas aos operários que realizam trabalhos pesados ou perigosos e 500 gramas aos demais. Aos empregados, 400 gramas; e aos familiares dependentes dos operários e empregados, 300 gramas.

Os grãos não devem ser desperdiçados. Devem ser fechadas todas as destilarias que utilizam cereais como matéria-prima e proibida a fabricação individual e ilegal de aguardente. Só poderá ser produzida bebida alcoólica com grãos que não possam ser utilizados como alimento ou com frutas. Deve-se impedir a produção de tok, yot, biscoitos etc. com cereais, bem como sua utilização como ração para o gado. Além disso, deve ser proibida a instalação de novos refeitórios e reduzido ao mínimo o número dos existentes.

Todos os comitês populares provinciais devem promover energicamente entre a população uma campanha de economia de alimentos. Devem fazer com que todo o povo lute perseverantemente contra o desperdício de cereais e se esforce para economizar a maior quantidade possível de grãos.

Além da luta pela economia de grãos, é necessário combater com maior energia os especuladores. Atualmente, eles retiram grãos do Norte da Coreia e os vendem obtendo enormes lucros; compram e armazenam toda a quantidade de cereais que podem, aproveitando-se da grave situação alimentar do país, e assim provocam a elevação dos preços. Os órgãos de Segurança devem vigiar e controlar rigorosamente os agiotas que especulam com os grãos.

Para solucionar o problema dos alimentos do país, deve ser organizado no centro um Comitê para a Solução do Problema dos Cereais, integrado pelos chefes dos Departamentos de Agricultura e Silvicultura, Comércio e Segurança. Da mesma forma, devem ser organizados comitês semelhantes nas províncias, cidades, condados e subcondados. Assim, deverão ser adotadas imediatamente medidas concretas para resolver o problema dos cereais.

O Departamento de Segurança ajudará ativamente na realização das tarefas relacionadas com a entrega voluntária de cereais e a economia de alimentos, e o Departamento de Justiça elaborará e publicará os decretos correspondentes.

Se adotarmos diversas medidas e as aplicarmos corretamente, poderemos resolver o grave problema dos alimentos e abastecer o país com alimentos até a colheita das culturas precoces.

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