sexta-feira, 3 de julho de 2026

Tendências mundiais do desenvolvimento da indústria marítima

Hoje, à medida que o esgotamento dos recursos terrestres e os problemas de poluição ambiental se agravam cada vez mais, cresce continuamente o interesse pelos oceanos, que dispõem de recursos praticamente inesgotáveis.

Os mares abrigam a maior parte de todas as espécies de fauna e flora existentes na Terra. Afirma-se que o valor total dos ecossistemas marinhos é incomparavelmente superior ao dos ecossistemas terrestres e que as reservas de minerais estratégicos existentes nos oceanos são dezenas de vezes maiores que as encontradas em terra. Estima-se, por exemplo, que o Ártico contenha 13% das reservas de petróleo ainda não descobertas e 30% das reservas de gás natural ainda não identificadas. A Antártida possui abundantes recursos pesqueiros e abriga diversos recursos naturais, como gás natural, carvão, ouro e prata.

Calcula-se que a energia mecânica passível de aproveitamento nos oceanos corresponda a dezenas de vezes toda a produção mundial de energia nuclear. Ainda existem incontáveis recursos marinhos que permanecem inexplorados. Por essa razão, muitos países do mundo afirmam que "o futuro da nação está na exploração do mar", designando a indústria marítima como um setor estratégico e promovendo seu rápido desenvolvimento.

A indústria marítima é o conjunto de atividades voltadas para o aproveitamento e a exploração dos recursos marinhos, sendo também conhecida como indústria de desenvolvimento marinho ou "indústria de exploração". Os recursos marinhos incluem recursos biológicos, recursos minerais, recursos químicos da água do mar, recursos energéticos e recursos relacionados ao espaço marítimo.

A maricultura vem sendo desenvolvida em grande escala. Atualmente, mais de 60 países praticam esse tipo de cultivo, abrangendo mais de 250 espécies, e estima-se que a produção aquícola marinha represente 56,3% da produção mundial total de produtos pesqueiros.

Os mares dispõem de recursos energéticos praticamente inesgotáveis, como as marés, os ventos, as ondas e as correntes marítimas, que podem ser aproveitados diretamente para a geração de eletricidade. Afirma-se que a conversão em energia elétrica de apenas 0,1% desse potencial seria suficiente para produzir uma enorme quantidade de eletricidade.

Muitos países estão empenhados na construção de diversos tipos de usinas geradoras de eletricidade que utilizam energia marinha. Como resultado, foram construídas em grande escala usinas eólicas offshore, usinas maremotrizes e usinas movidas pela energia das ondas. Paralelamente, também vêm sendo realizados estudos científicos destinados a reduzir os custos de fabricação e instalação dos equipamentos de geração, ao mesmo tempo em que aumentam sua eficiência.

Em determinado país, foi desenvolvido um novo método de geração maremotriz diferente dos sistemas convencionais. Segundo informações, nas usinas que utilizam esse método, quando a velocidade da corrente marítima atinge, em média, 6 metros por segundo, cada turbina pode gerar 64 kW de eletricidade.

As usinas eólicas flutuantes offshore vêm atraindo atenção por permitirem a instalação de aerogeradores em áreas marítimas profundas com custos reduzidos. Também estão sendo pesquisados e introduzidos sistemas híbridos de geração de energia que instalam turbinas eólicas acima da superfície do mar e turbinas hidráulicas abaixo da água, possibilitando a geração simultânea de energia eólica e maremotriz. Além disso, foram desenvolvidos diversos equipamentos de alta eficiência, entre eles geradores movidos pelas ondas capazes de produzir eletricidade com facilidade em regiões costeiras onde as ondas atingem entre 1 e 2 metros de altura, assim como novos sistemas de geração que aproveitam as correntes marítimas e a diferença de temperatura da água do mar.

A China definiu a indústria marítima como um dos "oito setores estratégicos nacionais" e promove seu desenvolvimento há muito tempo. Já em 2015, o valor bruto da produção da economia marítima chinesa alcançou aproximadamente 6,5 trilhões de yuans.

A Rússia vem promovendo ativamente o turismo por meio da criação de modernos centros turísticos no mar de Azov, no mar Báltico, no mar Cáspio, no mar Negro e no lago Baikal. Em 2024, realizou uma reunião dedicada ao desenvolvimento do turismo no âmbito do projeto "Cinco Mares e Lago Baikal", durante a qual foram discutidos planos concretos para impulsionar esse setor.

Segundo esse plano, prevê-se que, até 2030, a participação do turismo na economia nacional dobre.

A maioria dos países europeus considera a indústria marítima um dos quatro setores estratégicos, ao lado das tecnologias da informação e comunicação, da exploração espacial e da biotecnologia, formulando políticas voltadas para o desenvolvimento futuro dos oceanos e envidando esforços para acelerar ainda mais seu crescimento. Além disso, muitos outros países selecionaram a indústria marítima como um novo setor de grande potencial, concentrando investimentos estatais para promover seu desenvolvimento.

Como a indústria marítima opera em um ambiente natural rigoroso e exige concentração de pesquisa e desenvolvimento, elevada integração tecnológica e grandes investimentos financeiros, ela vem se consolidando como uma indústria de desenvolvimento em larga escala, comparável à indústria espacial e à indústria nuclear.

Com o avanço da ciência e da tecnologia, alguns países organizaram consórcios voltados ao desenvolvimento marítimo, intensificaram as pesquisas oceanográficas e promulgaram legislações específicas para a exploração dos recursos marinhos.

Ao mesmo tempo em que cresce o interesse pela indústria marítima, também ganha importância a proteção dos recursos marinhos e da biodiversidade.

Em junho de 2023, as Nações Unidas adotaram um novo acordo internacional sobre a conservação da biodiversidade marinha em áreas situadas além da jurisdição nacional.

O acordo regulamenta diversas questões práticas, como a limitação dos impactos negativos sobre os ecossistemas marinhos, o estabelecimento de áreas protegidas e a realização de avaliações de impacto ambiental.

Grande parte da exploração de recursos minerais tem ocorrido em alto-mar, que corresponde à maior parte dos oceanos do mundo. Entretanto, até então não existiam normas abrangentes destinadas à proteção de espécies raras, pouco numerosas e dos ecossistemas marinhos. Meios de comunicação e especialistas afirmam que a adoção desse acordo poderá impulsionar a concretização da meta de "proteger mais de 30% dos oceanos do mundo até 2030".

A indústria marítima, por oferecer a possibilidade de solucionar os problemas relacionados aos recursos naturais e à energia ao mesmo tempo em que protege o meio ambiente, vem se desenvolvendo com dinamismo cada vez maior nos países banhados pelo mar.

Rodong Sinmun

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