domingo, 5 de julho de 2026

Por que admiro Kim Il Sung?

Para um brasileiro como eu, dizer que admira uma figura política não tão conhecida no Ocidente quanto outras de seu espectro político — e que se situava numa posição contra-hegemônica, que vai diretamente de encontro aos valores ocidentais propagandeados como "superiores" no ambiente onde vivo — pode ser visto como algo inusitado, controverso ou censurável. Porém, tenho muito orgulho da minha posição. 

É verdade que eu não vivi na época do grande líder do povo coreano. Nasci no mesmo dia em que ele faleceu, cinco anos depois, mas sua história, seus ensinamentos, sua ideologia, sua postura e seu caráter humano me fizeram querer conhecer cada vez mais sobre ele, sobre seu povo e seu país.

Como pode um homem que, ainda na pré-adolescência, decidiu seguir o caminho da revolução — enfrentando com determinação todas as provações e perdas com a firme resolução de libertar seu país e construir um verdadeiro país do povo, que derrotou dois impérios poderosos e temidos pelo mundo, combatendo com ideologia e convicção a superioridade técnico-militar dos inimigos e adotando como seu lema de vida "considerar o povo como o céu" — ser alguém indigno de admiração?

De fato, a história de Kim Il Sung fala por si. 

Ainda que os imperialistas e os inimigos de classe distorçam fatos, criem narrativas e levantem calúnias na tentativa de difamar o fundador da Coreia socialista, sua retórica cai por terra com uma breve leitura de sua carreira política e revolucionária.

O camarada Kim Il Sung, nascido em uma casa humilde em Mangyongdae, em 15 de abril de 1912, filho de patriotas ligados ao movimento independentista, mudou-se ainda jovem para o território chinês, fugindo do cerco do imperialismo japonês sobre seu pai. Ao regressar à Coreia subjugada pelo imperialismo japonês seguindo o conselho paterno, sentiu na pele a dor de ser apátrida. Após estudar por um período em sua terra natal e observar a penúria do povo, fez o firme juramento de não regressar à pátria enquanto não libertasse seu país.

Foi esse jovem que reuniu camaradas para formar a União para Derrotar o Imperialismo, que ousou questionar o sectarismo do movimento comunista da geração anterior e o conservadorismo do exército independentista, apresentando uma visão abarcadora, democrática e progressista para a realização da causa da libertação da pátria.

Com seu carisma, persuasão e nobres traços humanos, conquistou para as fileiras da revolução aqueles que outrora estavam desacreditados, aqueles que seguiam por outros caminhos e aqueles que nutriam desconfiança em relação aos comunistas. Todos os patriotas que desejavam a libertação da pátria e confiavam na união das amplas massas do povo coreano como método essencial para esse fim eram abraçados calorosamente por Kim Il Sung.

Formando alianças, resolvendo desavenças e mal-entendidos e apresentando linhas e táticas baseadas em uma profunda análise das condições objetivas e subjetivas, o grande Líder fez surgir não apenas um exército guerrilheiro poderoso e numeroso, mas também um povo determinado a apoiar a luta antijaponesa.

Depois de seu regresso triunfal com a libertação da Coreia, cumpriu a promessa de construir um país para o povo, seguindo o caminho da democracia progressista. A reforma agrária, a adoção de impostos progressivos visando à futura abolição, a lei de nacionalização das principais indústrias e a lei de direitos iguais entre homens e mulheres, dentre outras várias linhas e políticas, demonstram na prática que se tratava de um homem de palavra, firmemente decidido a cumprir o compromisso assumido com o seu povo.

Com uma personalidade ímpar e um caráter humano excepcional, o camarada Kim Il Sung fez todo o possível para unir todo o povo coreano e reunificar a Coreia por vias pacíficas e de forma independente, dedicando constantes esforços para evitar uma guerra fratricida na Península Coreana.

Por outro lado, era intransigente com os inimigos que atentavam contra as massas do povo trabalhador e a soberania do país, fundado como República Popular Democrática da Coreia em 9 de setembro de 1948, o primeiro Estado do povo na história de cinco mil anos da Coreia. É exatamente por isso que os imperialistas e suas forças vassalas o odiavam tanto e faziam de tudo para difamá-lo perante a opinião pública, utilizando todos os meios disponíveis.

Os arrogantes imperialistas estadunidenses jamais lhe perdoarão por haver frustrado seu plano hegemônico de dominar toda a extensão da Península Coreana, conter o avanço das forças comunistas e progressistas da região e consolidar seu domínio sobre o continente asiático. Quando o poderoso exército estadunidense, que recorreu a todos os meios possíveis, inclusive ao uso de armas proibidas pelas leis internacionais e ao massacre indiscriminado de civis inocentes por meio de métodos tão ou mais cruéis que os dos nazistas, viu-se obrigado a assinar o Acordo de Armistício, carregando consigo enormes perdas humanas e materiais e ratificando, pela primeira vez diante do mundo, sua derrota, tornou-se evidente quão poderoso é o povo coreano e seu exército e quão sábio é seu líder.

Ele, que conduziu a reconstrução do pós-guerra, a qual os imperialistas estadunidenses consideravam que levaria cerca de cem anos, e a industrialização socialista a um sucesso brilhante, fazendo surgir uma era dourada denominada com o nome do mitológico Chollima, consolidou-se como um renomado dirigente socialista.

Não tão famoso quanto Stalin ou Mao Zedong, que lideraram grandes potências socialistas, nem quanto Ho Chi Minh, que ganhou destaque ao conduzir o povo vietnamita na prolongada guerra contra o imperialismo estadunidense, o camarada Kim Il Sung consolidou-se também como um notável teórico e ideólogo.

Como convicto marxista-leninista e fervoroso patriota, criou a imortal Ideia Juche com base em uma profunda análise das condições específicas da Coreia e da revolução coreana. Essa ideia foi apresentada na histórica Conferência de Kalun, na década de 1930, em meio às chamas da guerra antijaponesa.

Sua concepção sobre independência na política, autossuficiência na economia e autodefesa na defesa norteou a história da Coreia socialista ao longo de décadas. O apontamento sobre a posição do homem no mundo, seu papel como forjador do próprio destino e a capacidade das massas de desenvolverem-se, enquanto coletivo, com as próprias forças, posteriormente aprofundado pelo camarada Kim Jong Il, apresentou uma nova visão de mundo para a era da independência.

Seu lema de toda a vida foi o Iminwichon, que significa considerar o povo como o céu. Embora fosse ateu, sempre que tinha oportunidade dizia que seu deus não era outro senão o povo, razão pela qual era admirado até mesmo pelos religiosos, dentro e fora do país.

Construir um país próspero para seu povo, promover a causa da independência mundial e combater todo tipo de ingerência, ameaça e agressão das forças imperialistas e hegemônicas são nobres ideais defendidos pelo camarada Kim Il Sung.

Ele, que de forma desinteressada prestou apoio ativo aos povos dos países que lutavam pela libertação e pela construção de uma nova sociedade, que dedicou parte de seu precioso tempo a receber convidados estrangeiros, inclusive aqueles que não eram chefes de Estado, de governo ou autoridades similares, para trocar conhecimentos e experiências, que produziu importantes obras e compartilhou por meio delas sua história revolucionária, não foi, de fato, um líder comum.

Em meu país, marcado por um doloroso passado de ditadura civil-militar apoiada pelo imperialismo estadunidense, nunca existiu um líder que defendesse verdadeiramente as massas trabalhadoras com a determinação do camarada Kim Il Sung. Mesmo os presidentes da chamada "esquerda" sempre foram conciliadores e fomentaram um assistencialismo eleitoreiro, promovendo transformações sociais tímidas em relação ao que poderia ter sido feito.

É importante salientar também que a RPDC ofereceu apoio aos guerrilheiros brasileiros que lutavam contra a ditadura, inclusive treinamento militar, além de solidariedade internacionalista. Da parte brasileira, por pouco nossas tropas não foram enviadas para a frente coreana como bucha de canhão na guerra de agressão do imperialismo estadunidense sob a bandeira das "forças da ONU". Se não fosse a pressão popular, especialmente das mães, vidas de jovens brasileiros teriam sido ceifadas em uma guerra de injustiça. Ao final, o então presidente Vargas acabou por recusar a participação do Brasil.

No atual cenário político polarizado da democracia brasileira, em que a burguesia escolhe as peças que a representarão, fazendo, inclusive, por meio de propaganda massiva, amplas camadas da população acreditarem que determinados indivíduos representam seus interesses e seus valores, é inevitável pensar no destino de submissão do povo brasileiro.

Nesse cenário desolador, admirar alguém como o camarada Kim Il Sung é como iluminar um caminho sombrio e fazer florescer a esperança de um mundo melhor, baseado em ideais elevados que representam a aspiração das amplas massas populares, independentemente do país.

Nessa data de recordação, presto minha mais profunda reverência ao camarada Kim Il Sung, farol que ilumina a humanidade pelo caminho da independência.

Lenan Menezes da Cunha

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