Recentemente, Israel vem difundindo a alegação de que o Hamas palestino está reconstruindo sua capacidade militar na Faixa de Gaza. Segundo essa narrativa, o Hamas estaria se preparando para iniciar novos combates. No meio militar israelense, multiplicam-se as vozes que defendem a retomada das operações militares na Faixa de Gaza.
O Hamas rejeita essas alegações, acusando Israel de utilizá-las para justificar a continuidade de suas ações militares e as violações do acordo de cessar-fogo.
Embora as autoridades militares israelenses afirmem ter suspendido as operações militares na Faixa de Gaza, isso não passa de um sofisma. Na realidade, as operações não foram interrompidas sequer por um único dia. Apesar de se falar em cessar-fogo, os ataques militares contra a Faixa de Gaza continuam. Desde a entrada em vigor do acordo de cessar-fogo, mais de mil pessoas perderam a vida em consequência das ações israelenses. Somente entre 27 e 30 de maio, durante o período de uma festividade islâmica, as forças israelenses mataram 33 palestinos e feriram mais de 130 pessoas.
Segundo veículos da imprensa internacional, atualmente mais de dois milhões de habitantes da Faixa de Gaza encontram-se confinados em uma prisão a céu aberto.
Apesar de a crise humanitária ter atingido níveis extremos, Israel continua lançando incessantes ataques militares contra a Faixa de Gaza, já reduzida a escombros.
O fato de Israel continuar despejando bombas e projéteis sobre diversas áreas da Faixa de Gaza reflete sua persistente ambição de tomar completamente esse território.
Após o cessar-fogo, o Hamas e outras forças políticas palestinas vêm realizando negociações. Os principais temas são o início da reconstrução da Faixa de Gaza e a retirada completa das forças israelenses do território.
Descontente com esse processo, Israel vem propagando a narrativa da "nova ameaça do Hamas", utilizando-a como pretexto. Em vez de retirar suas tropas da Faixa de Gaza, pretende permanecer ali indefinidamente.
No início da crise em Gaza, Israel afirmava que não pretendia ocupar permanentemente a Faixa de Gaza nem deslocar sua população civil, sustentando que seu objetivo era eliminar o Hamas e libertar os reféns. Sob esse pretexto, promoveu a morte de numerosos civis inocentes.
Quando a pressão da opinião pública internacional pelo fim do derramamento de sangue aumentou, Israel passou a afirmar que, mesmo que os reféns fossem libertados, não haveria motivo para encerrar a guerra; que não interromperia suas ações até alcançar todos os seus objetivos, incluindo um plano de migração voluntária dos habitantes da Faixa de Gaza; e que, diferentemente do passado, não se retiraria das áreas que viesse a controlar.
A ocupação completa e a anexação da Faixa de Gaza constituem o verdadeiro objetivo de Israel.
Em uma reunião realizada em 28 de maio, os defensores da guerra em Israel revelaram publicamente essa intenção.
Na ocasião, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que as forças israelenses haviam ampliado sua área de controle na Faixa de Gaza de 50% para 60% e perguntou qual deveria ser o próximo objetivo. Em resposta, ouviu-se no plenário um coro de vozes gritando: "100%!". Netanyahu respondeu que, inicialmente, a meta seria alcançar 70%, cercar completamente o Hamas em todos os aspectos e, em seguida, eliminar seus remanescentes. Dez dias depois, em 7 de junho, durante uma reunião do gabinete, Netanyahu voltou a declarar que Israel assumiria o controle de 70% da Faixa de Gaza.
A máquina de guerra israelense continua funcionando desenfreadamente mesmo sob o chamado cessar-fogo.
Ho Yong Min

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