sábado, 30 de maio de 2026

Soviete ou governo revolucionário popular?

O vento esquerdista se fez sentir mais no estabelecimento do poder nas zonas guerrilheiras, sobretudo na orientação de constituição dos sovietes e em certas políticas promulgadas em seu nome, as quais derivavam da impaciência pequeno-burguesa dos contaminados pelo dogmatismo, pelo servilismo às grandes potências e pelo aventureirismo.

O problema do poder era o centro de acaloradas polêmicas desde os tempos da “União para Derrotar o Imperialismo”, e ninguém podia ignorá-lo. Alguns diziam que essa era uma questão que os jovens coreanos deveriam levantar no futuro, depois da independência do país, e outros afirmavam que era um assunto conceitual, já que seu estabelecimento só poderia ser realizado sob a premissa da recuperação da estatalidade, mas não nos identificávamos com essas opiniões. Nossa posição era que o critério de cada um sobre o tipo de poder estava diretamente relacionado ao caráter da revolução que defendia.

Foi em Jilin que a questão se apresentou como alvo da mais acalorada polêmica de nossa vida política. No cenário político de Jilin, discutia-se quase todos os dias que tipo de Estado seria escolhido após a independência. Os dirigentes do Exército Independentista pertencentes ao sistema das três juntas defendiam com entusiasmo a política da dinastia real ou o regime republicano burguês, enquanto os políticos do antigo Partido Comunista, como Kim Chan, An Kwang Chon e Sin Il Yong, clamavam pela introdução imediata do socialismo e da ditadura do proletariado.

Também Pak So Sim, preso a fórmulas clássicas, trazia à tona a ditadura dos operários e camponeses, embora balançasse a cabeça fazendo a ressalva de que não gostava da palavra ditadura, ao mesmo tempo em que apoiava a transformação deles em donos do poder.

Os jovens de Jilin, de acordo com seu nível de preparação e seus interesses, saíam em defesa da política da dinastia real, depositavam esperanças no sistema republicano burguês ou aplaudiam o socialismo ao estilo da União Soviética.

Kim Hyok, Cha Kwang Su, Kye Yong Chun, Sin Yong Gun e outros comunistas da jovem geração expressavam seu desagrado com os veteranos do Exército Independentista que se pronunciavam pela restauração da dinastia real, e quanto ao estabelecimento imediato do socialismo mantinham reservas.

A situação exigiu que colocássemos em primeiro plano a questão do poder e a debatêssemos seriamente na tribuna dos jovens estudantes, onde habitualmente se analisavam principalmente os temas políticos.

Mais tarde, na Conferência de Kalun, definimos como democrático, anti-imperialista e antifeudal o caráter da revolução coreana e, com base nisso, sublinhamos que os comunistas, como era natural, deveriam estabelecer na pátria restaurada um poder a serviço do povo, oposto à política da dinastia real ou à parlamentar burguesa, ou seja, um poder democrático que defendesse os interesses dos operários, camponeses, trabalhadores intelectuais, capitalistas nacionais, religiosos e de outras amplas massas trabalhadoras.

Já na Conferência de Inverno de Mingyuegou, realizada em dezembro de 1931, ao discutir o que se relacionava com o poder, propusemos, em essência, a mesma opinião.

À medida que se criavam as bases guerrilheiras na região de Jiandao, nossa revolução colocou esse problema na ordem do dia como tema principal de debate. Para manter e administrar a zona guerrilheira libertada era necessário implantar um poder capaz de desempenhar o papel de organizador econômico e educador cultural entre as pessoas sob sua jurisdição. Se não fosse estabelecido um poder nela, que poderia ser considerada um diminuto Estado, seria impossível alimentar os moradores e mobilizá-los para a luta.

Partindo disso, os comunistas que atuavam na região da Manchúria Oriental empreenderam, no outono de 1932, a histórica tarefa de estabelecer o poder nas zonas guerrilheiras. No mesmo ano, por ocasião do aniversário da Revolução de Outubro, organizaram uma concentração de massas em Jiayahe, no condado de Wangqing, e proclamaram diante de todo o mundo o nascimento do governo dos sovietes. Antes e depois desse acontecimento, ele também foi fundado em Wangougou e Sandaowan, no condado de Yanji. A instauração do poder revolucionário nas zonas guerrilheiras foi, sem dúvida, um acontecimento significativo que satisfez a aspiração secular do povo.

No começo, alegrei-me, pois considerava que bastava implantar um poder que defendesse os interesses do povo, sem que sua denominação nos importasse.

Naquela época, o “vento quente dos sovietes” abrasava todo o território da Manchúria Oriental. Estabelecer esse tipo de governo constituía uma moda, uma conhecida tendência para os revolucionários e os povos progressistas do mundo que aspiravam ao socialismo e ao comunismo. Esse vento não diferenciava a Europa da Ásia. Excelentes exemplos foram os sovietes de Ruijin, na China, e de Nghe-Tinh, no Vietnã.

Também aqueles que consideravam democrático-burguês o caráter da revolução coreana comentavam sobre o poder do soviete operário-camponês.

Choe Song U e outros coreanos que trabalhavam na sede da Internacional, juntamente com Kuusinen, Majiyar e Okano, encarregados do departamento de assuntos orientais do comitê executivo da mesma organização, formularam o “Programa de Ação do Partido Comunista da Coreia”, que apresentou como tarefa imediata a independência completa da Coreia e o “estabelecimento do soviete operário-camponês”.

Apoiar a orientação dos sovietes e aplicá-la incondicional e fielmente na prática revolucionária tornou-se uma fórmula universal irrefutável no movimento comunista internacional e um critério que distinguia a posição revolucionária e comunista da oportunista. Não apenas os partidos e organizações comunistas das nações coloniais e semicoloniais, mas também os dos países capitalistas, estabeleceram como tarefa suprema implantar o poder dos sovietes. Certamente, esse modelo de governo representou um ideal para os proletários de todo o mundo.

Se o soviete exerceu tamanha influência, foi porque foi reconhecido como o único tipo de poder capaz de construir uma sociedade benéfica, livre de toda forma de exploração e opressão e de representar exclusivamente os interesses das massas populares trabalhadoras.

Construir um mundo novo, livre e pacífico, sem exploração nem opressão, era o anseio e ideal secular da humanidade.

O jovem poder soviético estabelecido na Rússia demonstrou uma vitalidade jamais vista em regimes anteriores ao esmagar as revoltas da classe exploradora derrotada, defender a pátria da agressão da aliança imperialista, reconstruir a economia e impulsionar a construção socialista. Esse avanço triunfal semeou ilusões na mente das pessoas.

No Transcurso do Século, volume 3, capítulo 7, subtítulo 3

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