O Ocidente, que sempre se anuncia como possuidor do "método político ideal mais desenvolvido" e força outros países a aceitarem seu sistema, sofre uma grave crise política.
Os partidos que dizem "representar" o povo vivem se difamando mutuamente em torno das eleições presidenciais, das eleições parlamentares ou da aprovação de projetos de lei no parlamento, inflamados pela busca de interesses partidários. Além disso, partidos de diferentes correntes unem-se repentinamente para expor os defeitos dos governantes, exigir sua renúncia e pressioná-los. Por causa disso, as frequentes trocas de governo tornaram-se algo rotineiro, e nas políticas não há qualquer garantia de consistência nem de continuidade.
À medida que o confronto entre os partidos governistas e oposicionistas se intensifica cada vez mais, a confusão política persiste, a divisão social se aprofunda ainda mais e as contradições e confrontos de classe se agravam.
Uma revista russa da internet declarou recentemente que, nas últimas décadas, as pessoas têm testemunhado muitos sinais de que as grandes potências ocidentais estão efetivamente se tornando impotentes, citando crises sociais, políticas, culturais e morais, além da crise da democracia e da crise ideológica.
Um professor da Universidade Harvard escreveu em um artigo para a revista estadunidense "Foreign Policy" que o capitalismo entrou em crise diante de sérios desafios internos.
Entre as várias crises enfrentadas pelo mundo ocidental, a mais grave é a crise política.
Ela significa a paralisação da função de dirigir e administrar unificadamente a sociedade, tornando instável a manutenção do sistema social.
No Ocidente, a política baseia-se no multipartidarismo, na política do dinheiro e na chamada "democracia liberal". É precisamente isso que leva os países ocidentais à crise.
O multipartidarismo, método político do capitalismo, é o fator fundamental que lança a política estatal na confusão e impede a garantia de consistência e continuidade na execução das políticas.
Frequentemente, os políticos ocidentais e seus porta-vozes afirmam que a democracia é uma "política baseada na opinião popular" e que a política representativa só pode ser realizada através do multipartidarismo. Eles propagandeiam o multipartidarismo como "uma forma de política democrática para o povo" e pregam que, por meio dele, os interesses populares seriam garantidos. Em outras palavras, os candidatos dos vários partidos que "representam" a vontade popular competiriam em uma "livre disputa cavalheiresca" para ocupar o poder, formulando e executando políticas que refletiriam as demandas e os desejos do povo.
Contudo, o povo de que eles falam não são as amplas massas trabalhadoras, mas a minúscula camada privilegiada que monopoliza os meios de produção e o poder estatal.
O multipartidarismo é um sistema partidário criado formalmente para administrar a política em sociedades capitalistas marcadas por numerosas classes e camadas sociais, assim como por intensos antagonismos e contradições. Trata-se, em essência, de um sistema político que formula e opera políticas exclusivamente em favor dos capitalistas.
No capitalismo, não se pode sobreviver sem dinheiro, e nenhum partido consegue conquistar sequer uma cadeira parlamentar sem o apoio dos conglomerados monopolistas.
A política bipartidária dos Estados Unidos, considerada no Ocidente um modelo de "política democrática", é um exemplo representativo disso.
A política bipartidária surgiu primeiro na Inglaterra. Já no século XVII, os governantes reacionários britânicos criaram os partidos Tory e Whig e, alternando-os conforme a necessidade, continuaram conduzindo a carruagem capitalista. Nos Estados Unidos, seguindo o exemplo britânico, os dois partidos dos capitalistas monopolistas — o Partido Republicano e o Partido Democrata — alternaram-se no poder.
No século XIX, um famoso caricaturista estadunidense, pensando em como representar vividamente a competição eleitoral, desenhou um burro e um elefante. O significado era que os democratas eram teimosos como burros e os republicanos obstinados como elefantes. Desde então, o burro e o elefante tornaram-se símbolos dos dois partidos estadunidenses.
O Partido Democrata e o Partido Republicano, considerados as duas forças centrais da política estadunidense, sempre travaram intensas disputas nas eleições presidenciais utilizando respectivamente o burro e o elefante como símbolos partidários.
Ainda hoje, os dois partidos discutem constantemente sobre decisões políticas e preocupam-se apenas em desmerecer o adversário. Conflitos, exclusões mútuas e a exposição dos defeitos alheios tornaram-se parte da própria lógica política dos Estados Unidos.
Democratas e republicanos consideram um ao outro não apenas adversários políticos, mas ameaças ao próprio país.
A revista estadunidense "New York Review of Books" comentou em um artigo que os Estados Unidos já se transformaram em "uma nação de dois países"; que republicanos e democratas lideram dois grupos agudamente opostos, formando cada um praticamente um governo federal; e que os Estados Unidos já se tornaram os "Estados Desunidos da América", enquanto o conflito entre as "duas Américas" se agrava cada vez mais, alcançando uma polarização política sem precedentes.
O jornal britânico "Financial Times" afirmou que mais de um terço dos apoiadores tanto do Partido Democrata quanto do Partido Republicano consideram possível alcançar objetivos políticos por meio da violência, e que quando um partido perde as eleições, seus eleitores sentem como se sua América tivesse sido ocupada por forças estrangeiras.
A polarização política tornou-se um catalisador que estimula o confronto entre os partidos na transformação dos projetos em leis. Sempre que alguém apresenta um projeto no parlamento, ele é imediatamente negado e atacado. Mesmo quando um projeto é aprovado, tornou-se comum que seja revertido pelo sucessor e pelo partido ao qual pertence quando ocorre mudança de governo.
A luta entre os dois partidos torna-se cada vez mais intensa. Como resultado, a política inclina-se para direções extremas e a sociedade mergulha na instabilidade.
Não é por acaso que os meios de comunicação afirmam que os políticos ocidentais de hoje já não estão mais em posição de elaborar soluções práticas nem buscar consensos e que, por isso, crises constitucionais e violência política podem se tornar algo comum.
A política do dinheiro, símbolo da política capitalista, é um fator principal na aceleração da divisão política e social.
No Ocidente, política e dinheiro são inseparáveis. A direção das políticas segue o dinheiro, e os governantes também são escolhidos pelo dinheiro. Todos os processos — eleições, elaboração de leis e sua execução — são determinados pelo dinheiro.
Quem quer que pretenda tornar-se parlamentar precisa, antes de qualquer habilidade política, apoiar-se nos conglomerados financeiros. Isso é necessário tanto para ser indicado candidato quanto para promover sua imagem como candidato adequado na televisão e nos jornais, pois tudo exige enormes quantias de dinheiro.
Os conglomerados monopolistas escolhem candidatos capazes de lhes proporcionar enormes lucros, fornecem-lhes grandes somas de recursos e, depois da eleição, manipulam os rumos políticos nos bastidores.
A influência dos capitalistas sobre a política e o nível de riqueza que possuem são diretamente proporcionais. Quanto mais rico o conglomerado, mais facilmente consegue controlar o governo e induzir a formulação e execução de políticas favoráveis aos seus interesses.
No fim das contas, na sociedade capitalista, tanto os governantes e parlamentares quanto a própria política e as políticas públicas tornam-se mercadorias. E as mercadorias vendidas aos conglomerados monopolistas acabam inevitavelmente servindo inteiramente a eles.
O jornal singapurense "Lianhe Zaobao" afirmou em um artigo que a "política democrática" ocidental já se degenerou, dizendo: "A riqueza está se concentrando cada vez mais nas mãos de um pequeno número de pessoas; os pobres ficam mais pobres e os ricos mais ricos. A política está nas mãos dos ricos e dos políticos, servindo a interesses pessoais. O povo não consegue exercer influência real na esfera política. Esse sentimento de impotência e decepção com os partidos tradicionais e com o governo tornou-se o ambiente geral da sociedade, e isso impede a resolução de qualquer problema."
Ontem como hoje, os políticos e partidos apoiados pelos capitalistas servem a seus patrocinadores para retribuir o favor recebido, prejudicando os interesses da maioria. Isso inevitavelmente intensifica confrontos e contradições.
A realidade dos países ocidentais, onde as disputas políticas entre governo e oposição em torno de dinheiro e poder se tornam cada vez mais acirradas e inúmeras pessoas saem às ruas em protesto tomadas por extrema ansiedade e preocupação, comprova vividamente isso.
A chamada "democracia liberal", tomada pelo capitalismo como ideologia política, é a principal fonte que aprofunda ainda mais a crise política.
Originalmente, a ideia de "democracia liberal" foi criada pelos imperialistas para maquiar a democracia burguesa.
Durante a Guerra Fria, os imperialistas utilizaram isso como instrumento ideológico para justificar a exploração e a agressão do capital e difamar o socialismo.
Hoje, à medida que o caráter reacionário da "democracia liberal" se revela cada vez mais claramente, a crise política do Ocidente torna-se mais séria a cada dia.
O capitalismo, por carregar em si diversas enfermidades incuráveis e contradições insolúveis, não possui base para apresentar uma ideologia ou doutrina capaz de justificar e racionalizar seu sistema.
Na realidade atual dos países ocidentais, todos os problemas debatidos — polarização social, grave crise econômica, agravamento dos conflitos étnicos e religiosos, tumultos da extrema direita e crise ambiental — transformaram-se em questões impossíveis de resolver pela ideologia capitalista. Além disso, com o surgimento do chauvinismo nacional, do racismo e até do neonazismo, a crise ideológica e política se agrava ainda mais.
Embora o Ocidente tente encontrar saída defendendo a "democracia liberal", isso é irrealizável.
A realidade dos países onde a "democracia liberal" foi introduzida pela imposição ocidental comprova isso claramente: governantes são frequentemente substituídos, não há adequada continuidade política, disputas partidárias e conflitos internos não cessam, enquanto a confusão social e a divisão se intensificam.
É inevitável que o mundo ocidental mergulhe em uma crise política cada vez mais grave.
Ri Hak Chol

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