Não são poucos os países que enfrentam uma grave escassez de alimentos. O número de pessoas que sofrem com a fome está aumentando e a desordem social vem se agravando.
Segundo um relatório divulgado recentemente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura e outras entidades, no ano passado o número de pessoas que sofreram grave escassez alimentar em 47 países e regiões devido a conflitos e desastres naturais alcançou 265,7 milhões. Isso corresponde a um elevado nível de 22,9% da população total dos países e regiões analisados.
A crise alimentar não mostra sinais de solução.
Pelo contrário, a situação continua piorando.
As reservas mundiais de alimentos seguem diminuindo, enquanto os preços dos cereais atingem níveis recordes e continuam subindo. Analistas afirmam que a era dos baixos preços dos grãos já terminou e não voltará mais.
A redução das reservas de cereais e a explosão de seus preços ameaçam a sobrevivência da humanidade. Os meios de comunicação noticiam sucessivamente que muitas pessoas estão morrendo em diversos países devido à escassez de alimentos.
A região mais gravemente afetada pela crise alimentar é a África.
Na Somália, cerca de 6 milhões de habitantes sofrem com severa escassez de alimentos, e prevê-se que o número de crianças com desnutrição alcance aproximadamente 1,88 milhão neste ano. No Sudão, quase 19,5 milhões de pessoas enfrentam uma crise alimentar, e a população de 14 regiões encontra-se em estado de fome. Na Namíbia, cerca de 456 mil pessoas também enfrentam dificuldades alimentares. A situação está se tornando extremamente grave devido a desastres naturais como enchentes e secas, às guerras civis prolongadas, à situação no Oriente Médio e à crise econômica dela decorrente, bem como à redução da ajuda humanitária.
E não é apenas a África.
No Afeganistão, cerca de 13,8 milhões de pessoas vivem em insegurança alimentar devido à extrema escassez de alimentos. Entre elas, quase 5 milhões de crianças e mulheres grávidas sofrem de desnutrição. Na Síria, que em certa época era conhecida como país exportador de cereais, 13,3 milhões de pessoas enfrentam escassez alimentar, e neste ano 15,6 milhões de habitantes do país necessitarão de ajuda humanitária.
Em outras regiões e países também há clamores por falta de alimentos, e inúmeras pessoas sofrem de desnutrição ou morrem de fome devido à severa crise alimentar.
Diversos países estão buscando ajuda externa para escapar da crise alimentar.
Entretanto, isso não tem resolvido o problema, pois em nenhum lugar é possível obter alimentos em quantidade suficiente para atender à demanda.
Os principais países exportadores de cereais estão restringindo ou proibindo parte de suas exportações e controlando rigorosamente as transações para impedir a saída de grandes quantidades de alimentos.
As perspectivas de produção dos países exportadores de grãos também não são favoráveis devido às mudanças climáticas. Além disso, surgiram previsões indicando uma alta probabilidade de ocorrência de um forte fenômeno El Niño neste outono, levando alguns países a manifestarem preocupação de que a produção de cereais não alcance a média habitual dos anos anteriores.
Um centro meteorológico europeu previu que a temperatura da superfície do mar em determinadas áreas do Oceano Pacífico poderá subir mais de 2,5°C acima da média. Outra instituição estimou que a elevação poderá ultrapassar 3°C, superando o recorde de 2,7°C registrado em 1877. O forte El Niño de 1877 durou 18 meses e provocou severas secas e fome na Ásia, no Brasil e na África, causando a morte de milhões de pessoas.
Diante desse cenário difícil, diversos países estão empenhando esforços para superar a crise por meio da ciência e da tecnologia e para resolver o problema alimentar com suas próprias forças, desenvolvendo a agricultura.
Recentemente, o primeiro-ministro do Laos declarou que a prioridade deve ser aumentar a produção agrícola para garantir a segurança alimentar e que, para isso, é necessário modernizar a agricultura e fortalecer as capacidades científicas e tecnológicas próprias. Ele enfatizou a necessidade de reduzir a dependência das importações de insumos agrícolas, como fertilizantes e pesticidas, ampliar a produção nacional e adotar medidas para enfrentar as mudanças climáticas e os desastres naturais.
O presidente de Gana afirmou que o elemento central da estratégia nacional para a transição para uma economia mais produtiva e diversificada é a construção de uma agricultura moderna. Segundo ele, é necessário promover a digitalização, a cientificização e a industrialização do setor agrícola. Acrescentou ainda que se deve fortalecer as capacidades científicas e tecnológicas da agricultura, introduzir ativamente na prática os resultados das pesquisas desenvolvidas por universidades e instituições científicas, e que o Estado adotará medidas para mecanizar a agricultura e garantir insumos agrícolas, incluindo fertilizantes.
Especialistas afirmam que, à medida que as mudanças climáticas se intensificam, a solução dos problemas alimentares em diversos países e regiões se tornará uma tarefa prioritária, urgente e de grande importância.

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