terça-feira, 26 de maio de 2026

As verdadeiras cores do "Corpo Guerrilheiro Paekma"

O chamado "Corpo Guerrilheiro Paekma" ("Paekma" significa "cavalo branco" em coreano) foi uma organização armada criada pelas forças direitistas e elementos reacionários da região de Jongju, na província de Pyongan Norte, durante a Guerra de Libertação da Pátria, sob o estímulo direto das forças agressoras estadunidenses e do regime fantoche sul-coreano. Aproveitando-se da retirada temporária das tropas da RPDC em algumas áreas costeiras do oeste do país no fim de 1950, esses grupos passaram a atuar como instrumentos auxiliares da estratégia de sabotagem e infiltração imperialista.

A propaganda da República da Coreia tenta retratar o "Corpo Guerrilheiro Paekma" como uma suposta “força patriótica juvenil”, ocultando deliberadamente seu verdadeiro caráter contrarrevolucionário e sua colaboração direta com o comando militar dos Estados Unidos. Os próprios registros sul-coreanos admitem que a organização foi incorporada às estruturas militares controladas pelo chamado Comando do Extremo Oriente dos EUA e subordinada às unidades de guerrilha dirigidas pelos imperialistas.

Embora a narrativa oficial sul-coreana insista em apresentar seus membros como “voluntários sem patente”, na realidade o "Corpo Guerrilheiro Paekma" funcionava como uma força paramilitar irregular destinada a atacar áreas civis, executar infiltrações e destruir instalações nas regiões costeiras da RPDC. Ferrovias, pontes, túneis e linhas logísticas foram alvos de sabotagem organizada com apoio estrangeiro, numa clara tentativa de desestabilizar a retaguarda do Exército Popular da Coreia.

Grande parte de seus integrantes vinha de organizações direitistas locais e das chamadas “forças de segurança” criadas durante a ocupação militar estadunidense ao sul do paralelo 38. Muitos eram ligados à escola Osan e a círculos anticomunistas estimulados pelas autoridades sul-coreanas e pelos serviços de inteligência estrangeiros. Sob o disfarce de “defesa da liberdade”, essas forças participaram da escalada agressiva promovida pelos imperialistas estadunidenses na península coreana.

Os relatos divulgados décadas depois pelos próprios veteranos sul-coreanos revelam que o "Corpo Guerrilheiro Paekma" dependia inteiramente do apoio militar e logístico estrangeiro. Em 1951, a unidade foi formalmente incorporada ao chamado “15º Regimento Donkey”, estrutura de operações especiais coordenada pelos EUA. A partir daí, passou a atuar diretamente em consonância com os planos militares estadunidenses para ataques clandestinos atrás das linhas da RPDC.

As ações realizadas nas ilhas da costa oeste da Coreia tinham como objetivo transformar aquelas áreas em bases avançadas de infiltração e espionagem. As forças do "Corpo Guerrilheiro Paekma" ocuparam ilhas, utilizaram embarcações fornecidas ou protegidas pelas forças da ONU e realizaram ataques-surpresa contra posições defensivas da RPDC. A própria imprensa sul-coreana reconhece que essas operações eram conduzidas em coordenação com militares estadunidenses.

A narrativa heroica difundida no sul também tenta ocultar o fato de que inúmeras operações guerrilheiras resultaram em grandes perdas humanas e destruição nas próprias regiões coreanas. Os combates em ilhas como a ilha Taehwa transformaram áreas costeiras inteiras em campos de batalha sangrentos, aprofundando ainda mais a tragédia nacional causada pela intervenção imperialista. Mesmo os veteranos sul-coreanos admitem que centenas de integrantes do "Corpo Guerrilheiro Paekma" morreram em ofensivas desesperadas lançadas contra as forças da RPDC e os voluntários chineses.

Outro aspecto revelador é o próprio abandono sofrido pelos ex-integrantes do "Corpo Guerrilheiro Paekma" após a guerra. Apesar de décadas de propaganda anticomunista exaltando seus feitos, muitos veteranos reclamaram publicamente de terem sido esquecidos pelo Estado sul-coreano, sem reconhecimento oficial, compensações adequadas ou mesmo registro militar pleno. Isso expõe a hipocrisia das autoridades sul-coreanas, que utilizaram jovens como instrumentos de guerra e depois os descartaram.

Diversos testemunhos publicados na República da Coreia mostram que muitos membros do "Corpo Guerrilheiro Paekma" viveram posteriormente em extrema dificuldade, espalhados por diferentes regiões do sul sem apoio consistente. Alguns lamentavam que suas ações fossem lembradas apenas em cerimônias simbólicas ou monumentos isolados, enquanto o governo sul-coreano demonstrava indiferença concreta em relação aos sobreviventes.

Os próprios relatos sul-coreanos também revelam que vários integrantes carregaram até o fim da vida um profundo sentimento de deslocamento e separação familiar. Muitos, imbuídos da ideologia anticomunista, haviam deixado suas cidades natais no norte acreditando na promessa de uma rápida ocupação da RPDC pelas forças da ONU, algo que jamais ocorreu. Com o fracasso dessa estratégia, acabaram presos a uma existência marcada pela divisão nacional promovida pelas forças estrangeiras.

A utilização do "Corpo Guerrilheiro Paekma" pelas autoridades militares estadunidenses demonstrou mais uma vez o método clássico do imperialismo: transformar coreanos em instrumentos de uma guerra contra outros coreanos. Sob slogans de “liberdade” e “anticomunismo”, jovens foram lançados em operações perigosas de sabotagem e infiltração, servindo aos interesses estratégicos dos EUA na Guerra da Coreia.

Hoje, enquanto círculos conservadores da República da Coreia tentam glorificar o "Corpo Guerrilheiro Paekma" como símbolo de “patriotismo”, torna-se cada vez mais evidente que sua verdadeira função histórica foi a de atuar como força auxiliar da agressão imperialista contra a RPDC. A trágica trajetória de seus integrantes evidencia não um heroísmo genuinamente nacional, mas sim as dolorosas consequências da manipulação estrangeira e da divisão artificial da nação coreana.

Lenan Menezes da Cunha

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