segunda-feira, 25 de maio de 2026

Crise desastrosa agravada pela rápida redução das geleiras

Todos os anos estão derretendo mais de 270 bilhões de toneladas de geleiras, quantidade equivalente ao consumo médio da população mundial durante 30 anos. Somente no ano passado desapareceram cerca de 4,08 trilhões de toneladas de gelo no mundo. A média anual de derretimento na última década é quase quatro vezes maior do que no final do século XX…

Esses são alguns dados que mostram quão rapidamente estão diminuindo as geleiras, que representam cerca de 70% da água doce do planeta.

No ano passado, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura expressou preocupação de que o rápido derretimento das geleiras devido ao aquecimento global está ameaçando a sobrevivência da humanidade.

A organização afirmou que, nos últimos anos, a velocidade do derretimento das geleiras aumentou e que a área de gelo desaparecida atingiu um nível recorde. Segundo ela, cerca de 9 trilhões de toneladas de gelo desapareceram ao longo dos 50 anos desde 1975. A organização advertiu que, em consequência do derretimento das geleiras, o nível do mar subiu cerca de 20 cm em comparação com 1900 e que, se o gelo continuar derretendo em velocidade imprevisível, 2 bilhões de pessoas no mundo poderão sofrer com escassez de água e alimentos.

Por sua vez, a Organização Meteorológica Mundial declarou que o período entre 2015 e 2025 tornou-se o mais quente desde o início das observações meteorológicas, atribuindo isso ao contínuo aumento da concentração de gases de efeito estufa, à elevação da temperatura da atmosfera e dos oceanos e ao derretimento das geleiras, fatores que destruíram mais gravemente do que nunca o equilíbrio climático da Terra.

A situação da redução das geleiras no planeta está se tornando cada vez mais séria.

Na Nova Zelândia, entre 2005 e 2023, o volume das geleiras em todo o país diminuiu 42%. Como consequência, o nível do mar está subindo e os ecossistemas marinhos estão sendo destruídos.

Na Mongólia, durante os últimos mais de dez anos, as geleiras e a neve derreteram rapidamente, aumentando ainda mais o risco de grandes inundações.

Atualmente restam apenas quatro geleiras na Alemanha, mas, nos últimos dois anos, mais de um quarto de sua área total derreteu. A espessura das geleiras está diminuindo 1,6 metro por ano, ritmo significativamente mais rápido do que a velocidade de derretimento registrada entre 2018 e 2023. Especialistas acreditam que todas as geleiras da Alemanha desaparecerão na década de 2030.

Já há dois anos, a Venezuela tornou-se o primeiro país a perder completamente suas geleiras.

A cordilheira do Himalaia, na Ásia, possui a maior quantidade de gelo depois da Antártida e do Ártico. As geleiras dessa região são a fonte de dez grandes rios que fornecem água para bilhões de pessoas, razão pela qual a área é chamada de “torre de abastecimento de água da Ásia”.

Entretanto, devido ao aquecimento global, as geleiras dessa região também estão derretendo rapidamente. Há alguns anos, centenas de novas bactérias desconhecidas da humanidade foram descobertas nas geleiras da área e, caso elas entrem nos rios e lagos, poderão causar sérios impactos na China e na Índia, os países mais populosos do mundo.

Na Indonésia, as geleiras também estão ameaçadas de desaparecer devido ao aquecimento global.

Havia geleiras em cinco montanhas da província de Papua, mas todas desapareceram completamente, exceto a da montanha Puncak Jaya. Quando equipamentos de observação foram instalados pela primeira vez no topo da montanha em 2010, a espessura da geleira chegava a 32 metros, mas ela diminuiu rapidamente devido ao severo fenômeno El Niño ocorrido em 2015 e 2016. Segundo especialistas, essa geleira também poderá desaparecer completamente ainda este ano ou no próximo.

Com o aquecimento global acelerando o derretimento das geleiras, cresce também a possibilidade de erupções explosivas de vulcões localizados sob o gelo. Os vulcões subglaciais da Antártida são considerados os mais perigosos. Também estão sendo observados vulcões subglaciais na América do Norte, Nova Zelândia e Rússia. Caso esses vulcões entrem em erupção, grandes quantidades de gases de efeito estufa serão liberadas, acelerando ainda mais o aquecimento global. Especialistas manifestam profunda preocupação a esse respeito.

Prevê-se que este ano seja fortemente afetado pelo fenômeno El Niño. Nos anos anteriores em que ocorreu El Niño, as mudanças climáticas se intensificaram e a humanidade sofreu diversos desastres. Afirma-se que este El Niño também poderá afetar os níveis de chuva e neve nas regiões da América, África e Ásia, além de acelerar ainda mais o derretimento das geleiras no Ártico e na Antártida. Isso indica que neste ano e no próximo a humanidade poderá enfrentar desastres climáticos ainda mais severos, como calor recorde, grandes inundações e secas intensas.

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