Por ocasião da 70ª sessão da Assembleia Geral da Agência Internacional de Energia Atômica, realizada em Viena, Áustria, voltaram a revelar-se o caráter preconceituoso e a conduta de padrão duplo da AIEA.
No dia 17, esta organização internacional aprovou uma "resolução" contra a República Popular Democrática da Coreia, questionando as atividades nucleares autodefensivas e legítimas de nosso Estado, ao ignorar a grave realidade em que o ambiente de segurança da RPDC está permanentemente submetido à ameaça nuclear de forças externas.
Esta "resolução" insignificante e ineficaz que esse organismo inventa todos os anos sob a instigação dos Estados Unidos e do Ocidente não é uma experiência nova para nós, nem exerce qualquer influência sobre a posição da RPDC como país possuidor de armas nucleares.
As atividades nucleares de nosso país, que já há décadas se retirou da AIEA por meio de um processo legítimo, estão fora da jurisdição desta, que não possui nenhum direito nem qualidade para intervir nelas.
Portanto, jamais reconhecemos qualquer "resolução" anti-RPDC inventada no palco do referido organismo.
Ao contrário, esta organização permanece em silêncio diante da transferência de armas nucleares pelos EUA, país signatário do Tratado de Não Proliferação (TNP), e do preocupante plano de introdução de submarinos nucleares da República da Coreia, país sem armas nucleares.
Tal fato exemplifica a duplicidade e o preconceito desta organização.
Desta maneira, a AIEA perdeu completamente a qualidade representativa e a imparcialidade de um órgão especializado da ONU e expôs sua natureza de organização favorável ao Ocidente, que representa somente os direitos e interesses dos EUA e de seus aliados.
Hoje em dia, seu padrão duplo não se limita à Península Coreana e é observado em outros cantos do mundo, como a Europa, a Oceania e o Oriente Médio.
Os EUA posicionam armas nucleares na região europeia e as compartilham com os países membros da OTAN, violando as obrigações do TNP de não entregar direta ou indiretamente a ninguém armas nucleares nem os meios para sua manutenção; incorporam ativamente a RC e o Japão ao plano de emprego de armas nucleares dos EUA e à sua implementação sob o pretexto de "oferta de dissuasão ampliada" e tentam oferecer à RC a tecnologia de submarinos nucleares, fatos que não são submetidos à deliberação do órgão nem se tornam objeto de preocupação.
Além disso, faz vista grossa à conduta do Japão que, apesar dos protestos da sociedade internacional, acumula em excesso e de maneira anormal substâncias nucleares para uso militar sob o amparo dos EUA.
Devido à duplicidade da AIEA, surgiu hoje, na questão dos assuntos nucleares, uma nova "pauta de não proliferação nuclear" que define como "legais" e "ilegais" as atividades nucleares dos respectivos países conforme sejam ou não partidários do Ocidente. Esta é a situação atual do sistema de proliferação nuclear liderado pelos EUA e pelo Ocidente.
Não é exagero dizer que a AIEA se converteu por completo no aparato de energia atômica estadunidense, e o sistema internacional de não proliferação nuclear, no sistema de proliferação nuclear dirigido pelos EUA.
A parcialidade, o preconceito e o padrão duplo da AIEA são fatores principais que corroem o sistema de não proliferação nuclear na arena internacional, e as manobras abertas dos EUA para proliferar armas nucleares constituem uma grave ameaça que viola a paz e a segurança internacionais e apenas aumenta o perigo de eclosão de uma guerra nuclear.
A missão principal desta organização internacional é assegurar a todos os países membros o direito ao uso da energia atômica para fins pacíficos e bloquear o emprego militar da tecnologia nuclear, em vez de tolerar e fomentar as abertas tentativas de proliferação de armas nucleares.
A meu ver, talvez a AIEA pudesse recuperar sua reputação perdida se tratasse de pronunciar, ainda que por um instante, palavras firmes sobre o responsável que corrompe o sistema de não proliferação.
Quanto mais a AIEA se apega à intervenção na soberania e nos assuntos internos da RPDC, país não membro, mais sua reputação e fama serão manchadas, e ela própria deve julgar por si mesma a quem este fato favorecerá.
Exigir-nos a renúncia às armas nucleares enquanto se tolera a chantagem nuclear e a proliferação de armas nucleares dos EUA e das forças hostis significa exigir-nos o abandono de nossa subsistência e de nosso direito à vida.
Em nenhum caso depositaremos nossa soberania e segurança na "indulgência" dos EUA e do Ocidente.
A grave situação geopolítica de hoje, em que a ordem nuclear internacional chegou ao ponto de desmoronar devido ao vertiginoso aumento das forças armadas nucleares dos EUA, à sua aberta proliferação nuclear e à duplicidade e à falta de princípios da AIEA, exige que nosso Estado tome uma opção mais responsável.
Para a RPDC, que sofre constantemente a ameaça nuclear das forças hostis, a questão de máxima importância para a segurança estatal é garantir plenamente a confiabilidade das forças armadas nucleares, para que esta jamais seja posta em questão em qualquer circunstância.
Kim Yo Jong, diretora de departamento do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia
Agência Central de Notícias da Coreia

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