Índice
I. Decisão do Presidium da Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia sobre a constituição do Tribunal Especial de Julgamento para o caso de conspiração para derrubar o governo da República Popular Democrática da Coreia e de espionagem em favor dos imperialistas estadunidenses pelo acusado Pak Hon Yong
I. Acusação
II. Declaração de abertura do julgamento
Interrogatório de Pak Hon Yong
Interrogatório da testemunha Han Chol
Interrogatório da testemunha Kim So Mok
Interrogatório da testemunha Kwon O Jik
Interrogatório da testemunha Jo Il Myong
Interrogatório de Ri Kang Guk
III. Argumentação do procurador do Estado
IV. Declaração inicial do acusado Pak Hon Yong
V. Sentença
II. Caso referente às atividades de conspiração para derrubar o governo da República Popular Democrática da Coreia e de espionagem, terrorismo e propaganda e agitação antiestatais dos acusados Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Rim Hwa, Pak Sung Won, Ri Kang Guk, Pae Chol, Yun Sun Tal, Ri Won Jo, Paek Hyong Bok, Jo Yong Bok, Maeng Jong Ho e Sol Jong Sik
I. Acusação
II. Primeiro dia do julgamento
Declaração de abertura em 3 de agosto de 1953
Interrogatório de Jo Il Myong
Interrogatório de Pak Sung Won
Interrogatório de Rim Hwa
Interrogatório de Paek Hyong Bok
Segundo dia
4 de agosto de 1953
Interrogatório da testemunha Cha Yak Do
Interrogatório de Jo Yong Bok
Interrogatório de Ri Sung Yop
Interrogatório de Ri Kang Guk
Interrogatório de Pae Chol
Terceiro dia
5 de agosto de 1953
Interrogatório de Maeng Jong Ho
Interrogatório de Yun Sun Tal
Interrogatório de Ri Won Jo
Interrogatório de Sol Jong Sik
Interrogatório da testemunha Jon Yong Ae
Interrogatório da testemunha Yun Tae Hyon
Interrogatório da testemunha Jon Gu Ha
Quarto dia
6 de agosto de 1953
III. Argumentação do procurador do Estado
Defesa dos advogados
Argumentação do advogado Ji Yong Dae em defesa do acusado Ri Sung Yop
Argumentação do advogado Kim Mun Pyong em defesa dos acusados Rim Hwa, Ri Won Jo e Sol Jong Sik
Argumentação do advogado Jong Yong Hwa em defesa dos acusados Pae Chol, Pak Sung Won e Jo Yong Bok
Argumentação do advogado Kim Pyong Ok em defesa dos acusados Ri Kang Guk e Maeng Jong Ho
Argumentação do advogado Ri Kyu Hong em defesa dos acusados Jo Il Myong, Yun Sun Tal e Paek Hyong Bok
V. Declarações finais dos acusados
Declaração final de Jo Il Myong
Declaração final de Pae Chol
Declaração final de Ri Sung Yop
Declaração final de Ri Won Jo
Declaração final de Ri Kang Guk
Declaração final de Paek Hyong Bok
Declaração final de Sol Jong Sik
Declaração final de Pak Sung Won
Declaração final de Maeng Jong Ho
Declaração final de Yun Sun Tal
Declaração final de Jo Yong Bok
Declaração final de Rim Hwa
VI. Sentença
Decisão do Presidium da Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia
Sobre a composição dos membros do Tribunal Especial de Julgamento do Supremo Tribunal da República Popular Democrática da Coreia
O Presidium da Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia decide constituir o Tribunal Especial de Julgamento do Supremo Tribunal da República Popular Democrática da Coreia com os seguintes camaradas, a fim de julgar o caso de traição à pátria do acusado Pak Hon Yong:
Presidente do Tribunal: Choe Yong Gon
Membros do Tribunal: Rim Hae, Kim Ik Son, Pang Hak Se e Jo Song Mo
Presidente do Presidium da Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia
Kim Tu Bong
Secretário-Geral do Presidium da Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia
Kang Ryang Uk
14 de dezembro de 1955
Cidade de Pyongyang
I. Acusação
Caso da conspiração do acusado Pak Hon Yong para derrubar o governo da República Popular Democrática da Coreia e de suas atividades de espionagem em favor dos imperialistas estadunidenses
O povo coreano esteve durante muitos anos sob a ocupação do imperialismo japonês, sofrendo uma exploração e opressão severas. Esta miserável corrente de escravidão foi completamente quebrada em 15 de agosto de 1945, ao preço do sangue do glorioso Exército Soviético.
Para o povo coreano libertado abriu-se um amplo caminho para construir, através de seus próprios esforços criativos, um Estado democrático, independente e soberano.
Entretanto, os imperialistas estadunidenses, que desembarcaram suas tropas na Coreia do Sul, desde o início violaram de forma perversa os compromissos internacionais sobre a restauração e o desenvolvimento da Coreia como um Estado democrático, independente e unificado, e têm buscado a divisão permanente da Coreia.
Eles criaram na Coreia do Sul o aparato de governo reacionário fascista de Ri Sung Man, reprimiram as forças democráticas sul-coreanas, tentaram eliminar o sistema democrático popular estabelecido na parte norte da República e continuaram realizando atividades de espionagem com o objetivo de destruir e derrubar internamente o Partido do Trabalho da Coreia e o governo da República.
Para alcançar seus objetivos de agressão contra a Coreia, os imperialistas estadunidenses há muito tempo colocaram Pak Hon Yong, que já mantinha ligações com seus órgãos de espionagem, como chefe dos espiões.
Apresentando-se falsamente como “servidor fiel do povo trabalhador” e “patriota”, Pak Hon Yong infiltrou-se no Partido do Trabalho e no Governo da República, ocupando os cargos de vice-presidente do Comitê Central do Partido e vice-primeiro-ministro do Conselho de Ministros, acumulando também a função de ministro das Relações Exteriores.
Depois de enganar o Partido e o povo para alcançar altos cargos, Pak Hon Yong passou a coletar e fornecer diretamente importantes segredos do Partido e do Estado aos órgãos de espionagem inimigos, além de colocar agentes infiltrados e sabotadores enviados pelos serviços de inteligência do imperialismo estadunidense em posições-chave do Partido e dos órgãos do poder estatal, dirigindo suas atividades de espionagem.
O chefe dos espiões, Pak Hon Yong, após a libertação de 15 de agosto, empreendeu ações para conter e dispersar o poderoso avanço revolucionário das massas populares que foi levantado com fervor em toda a Coreia do Sul, bem como praticou atos destinados a destruir e enfraquecer as forças democráticas patrióticas sul-coreanas.
Além disso, conspirou para derrubar o governo da República, a fim de estabelecer na Coreia um governo de latifundiários e capitalistas subordinado ao domínio colonial do imperialismo estadunidense.
A instrução do presente processo demonstrou os atos antinacionais de espionagem cometidos por Pak Hon Yong em favor dos agressores imperialistas estadunidenses, os piores inimigos do povo coreano, bem como seus atos de destruição e enfraquecimento das forças democráticas sul-coreanas e sua conspiração para derrubar o governo da República.
1. Atividades de espionagem praticadas em favor dos imperialistas estadunidenses
Conforme ficou demonstrado durante a instrução do processo, Pak Hon Yong, juntamente com Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Ri Kang Guk, Pae Chol, Pak Sung Won, Jo Yong Bok, Sol Jong Sik, Paek Hyong Bok, An Yong Tal, So Tok Un e outros, os piores inimigos do povo coreano, já antes ou logo após a libertação de 15 de agosto haviam traído a pátria e o povo, passando a servir como desprezíveis agentes dos órgãos de espionagem do imperialismo estadunidense.
O chefe dessa quadrilha de espiões antinacionais, Pak Hon Yong, já havia ingressado muito antes no caminho das atividades criminosas contrarrevolucionárias contra a liberdade e os direitos do povo trabalhador coreano.
Em 1925, quando parte das organizações clandestinas do Partido Comunista da Coreia e da Liga da Juventude Comunista foi descoberta, Pak Hon Yong foi preso pela polícia japonesa. Agindo de maneira covarde, na condição de secretário da Liga da Juventude Comunista, denunciou à polícia japonesa os principais dirigentes do Partido Comunista e da Liga da Juventude Comunista que conhecia, permitindo que a polícia imperial japonesa prendesse e encarcerasse todos os dirigentes que ainda permaneciam na clandestinidade.
Depois de render-se à polícia como traidor, Pak Hon Yong, graças ao “mérito” de haver delatado seus companheiros políticos à polícia japonesa, conseguiu ser libertado da prisão mediante uma liberdade provisória por motivo de doença, forjada pelas autoridades coloniais japonesas sob o pretexto de “grave estado de saúde e perturbação mental”, embora os tribunais do imperialismo japonês tivessem imposto pesadas penas até mesmo a pessoas cuja responsabilidade era menor do que a dele (Registro, p. 167–173).
A partir desse momento, Pak Hon Yong, que perdera sua firme convicção política e sua consciência revolucionária, degenerou em um vil oportunista. Até setembro de 1939, declarou às autoridades japonesas sua conversão ideológica, ingressando abertamente no caminho da traição ao povo (Registro, p. 181–182).
Assim, depois de trair sua pátria e seu povo e ingressar em um caminho de crimes imperdoáveis, Pak Hon Yong, pouco tempo depois, em outubro de 1939, estabeleceu relações com Underwood, então diretor da Escola Profissional Yonhui, em Seul, um experiente agente dos serviços de espionagem dos Estados Unidos disfarçado de missionário, tornando-se um espião a soldo dos imperialistas estadunidenses.
Sobre as circunstâncias em que passou a integrar os serviços de espionagem dos Estados Unidos, Pak Hon Yong declarou o seguinte durante seu interrogatório:
"……Em outubro de 1939, encontrei-me com Underwood, membro dos serviços de espionagem estadunidenses, no restaurante Paekhapwon, localizado em Jongno 3-ga, Seul. Ali, recebi dele o convite para servir fielmente aos Estados Unidos e, naquele mesmo lugar, aceitei fazê-lo……"
Prosseguindo, confessou da seguinte maneira como passou a manter relações de amizade com Underwood, um experiente agente de espionagem dos EUA:
"……Desde 1919, quando trabalhava em Seul como redator da revista "Nyoja Siron", dirigida pela pró-estadunidense Cha Mirisa, mantinha relações de amizade com Underwood, que na época era professor (e posteriormente diretor) da Escola Profissional Yonhui, em Seul, além de missionário estadunidense……" (Registro, p. 960).
Depois de jurar fidelidade aos imperialistas estadunidenses, o chefe dos espiões Pak Hon Yong, em novembro de 1939, disfarçando-se de patriota, infiltrou-se profundamente na clandestinidade e recebeu de Underwood a missão de conquistar uma posição dirigente no interior do movimento operário e obter informações sobre o estado ideológico do povo coreano.
A esse respeito, o espião Pak Hon Yong declarou o seguinte durante o interrogatório:
"……Depois de aceitar atuar como agente dos serviços de espionagem estadunidenses, em novembro de 1939 recebi de Underwood a ordem de infiltrar-me profundamente na clandestinidade, consolidar minhas posições reacionárias dentro do movimento operário, conquistar um cargo dirigente e, ao mesmo tempo, a instrução de coletar e transmitir materiais de espionagem……" (Registro, p. 290).
Para cumprir essa missão, o espião Pak Hon Yong, mantendo estreitas ligações com o mencionado Underwood, disfarçou-se de patriota e procurou assumir a direção da organização subversiva denominada "Grupo Comunista de Seul", tentando transformá-la na base de suas futuras atividades. Contudo, em dezembro de 1941, com a eclosão da guerra de agressão entre o Japão e os Estados Unidos e a intensificação da repressão pela polícia imperial japonesa, refugiou-se em Kwangju, na província de Jolla Sul, onde passou a viver escondido.
O espião Pak Hon Yong, antes da libertação de 15 de agosto, disfarçou-se habilmente de revolucionário dos mais fervorosos. A fim de assegurar suas futuras atividades em fiel cumprimento das ordens dos serviços de espionagem estadunidenses, chegou inclusive, nos últimos dias do domínio imperialista japonês, a fabricar a versão de que havia escapado e desenvolvido atividades clandestinas no país, realizando assim manobras astutas para ocultar seus atos criminosos (Registro, p. 292–294).
Tendo conseguido enganar o povo e apresentar-se como um “verdadeiro patriota”, o espião Pak Hon Yong pôde, logo após a libertação de 15 de agosto, ocupar até mesmo o cargo de secretário responsável pela reconstrução do Partido Comunista da Coreia.
Depois de conseguir ocultar temporariamente sua verdadeira natureza criminosa, Pak Hon Yong, tão logo os seus patrões, os imperialistas estadunidenses, desembarcaram na Coreia do Sul em substituição ao domínio japonês, passou imediatamente a dedicar-se a atividades de espionagem, sabotagem e assassinato.
No final de setembro de 1945, aproveitando a ocasião em que Hodge, comandante das forças estadunidenses estacionadas na Coreia do Sul, convocou individualmente representantes dos partidos políticos e das organizações sociais da metade sul da Coreia para solicitar sua colaboração, revelou sua verdadeira identidade como agente dos Estados Unidos.
Naquela ocasião, o espião Pak Hon Yong jurou fidelidade aos Estados Unidos perante Hodge e comprometeu-se a conduzir, dali em diante, o Partido do Trabalho a adaptar-se ativamente à política do Governo Militar dos Estados Unidos, bem como a assegurar a fiel observância e execução das proclamações e demais regulamentos emitidos pela administração militar estadunidense (Registro, p. 230–231).
Posteriormente, no início de novembro de 1945, durante um novo encontro secreto com Hodge, realizado no Hotel Bando, em Seul, foi oficialmente apresentado por Underwood, com quem já mantinha ligações de espionagem, ao próprio Hodge.
A esse respeito, Pak Hon Yong declarou o seguinte durante o interrogatório:
"……No início de novembro de 1945, encontrei-me com Hodge, comandante das forças estadunidenses estacionadas na Coreia do Sul, em seu escritório localizado no Hotel Bando, em Seul.
Naquele escritório encontravam-se Hodge e Underwood, que já mantinha comigo ligações de espionagem havia muito tempo. Naquela ocasião, Hodge e Underwood receberam-me calorosamente.
Voltando-se para seu comandante, Hodge, Underwood apresentou-me dizendo: “Conheço esta pessoa desde outubro de 1939, e já naquela época ela prometeu seguir uma orientação pró-EUA.
Hodge também declarou que já me conhecia muito bem e manifestou grandes expectativas em relação às minhas atividades.
Naquela ocasião, prometi formalmente tornar-me agente de Hodge e, em seguida, recebi dele as seguintes instruções para atividades de sabotagem:
Hodge ordenou-me que, dali em diante, 'você deverá condenar suas derrotas e esforçar-se para consolidar sua posição dentro do Partido Comunista da Coreia do Sul; infiltrar ativamente sua influência nas organizações do Partido Comunista da região norte da Coreia; informar antecipadamente tudo aquilo que considerar importante em relação às atividades dos Estados Unidos dentro do Partido Comunista; fomentar constantemente ideias divisionistas no interior do Partido Comunista; tendo o cuidado de não revelar nossas relações, conduzir o Partido Comunista, por meios legais, a seguir um caminho isolacionista e orientá-lo para uma direção pró-EUA. Durante o período do domínio japonês, os coreanos recorreram frequentemente a métodos ilegais de luta, levantes e greves, provocando muitos conflitos; diante dos estadunidenses, porém, isso não deve acontecer.'
Assim, enfatizou-me a orientação para minhas futuras atividades.
Respondi que assim faria.
Por fim, Underwood disse-me que, dali em diante, não voltaria mais a encontrar-se comigo e pediu que eu compreendesse isso. Respondi que concordava e solicitei que essa relação fosse mantida em absoluto segredo. Ele respondeu que eu podia ficar tranquilo quanto a isso.
Essa reunião secreta prolongou-se por mais de uma hora e a tradução foi feita diretamente por Underwood" (Registro, p. 301–305).
Depois de tornar-se agente dos imperialistas estadunidenses, Pak Hon Yong utilizou a alta posição que ocupava no Partido Comunista da Coreia do Sul para enfraquecer a capacidade combativa do Partido e, em sintonia com a política do Governo Militar dos Estados Unidos de sufocar o movimento democrático que se espalhava pela metade sul da Coreia como um incêndio em campo aberto, empreendeu atividades sistemáticas e organizadas de espionagem e sabotagem.
Assim, no início de fevereiro de 1946, Pak Hon Yong reuniu-se secretamente com Hodge no Hotel Bando, em Seul, fornecendo-lhe informações sobre toda a estrutura organizacional do Partido Comunista da Coreia do Sul, desde o Comitê Central até as organizações locais, a situação de suas atividades, a organização das entidades de massas sob a direção do Partido, as listas de seus dirigentes e materiais relativos à política antirreacionária. Posteriormente, em março e maio de 1946, em duas ocasiões, forneceu novamente a Hodge importantes informações sobre o fortalecimento do Partido Comunista da Coreia do Sul, sua posição em relação à Comissão Conjunta Estados Unidos–União Soviética e a questão das organizações que deveriam participar das consultas (Registro, p. 701–710 e 746).
Ao mesmo tempo em que entregava aos órgãos de espionagem estadunidenses documentos secretos do Partido, em março de 1946 recebeu, no Hotel Bando, instruções de Hodge para colocar Ri Sung Yop, antigo secretário do Comitê Central do Partido e ex-diretor do Departamento de Inspeção Popular, e Jo Il Myong, ex-vice-ministro da Cultura e Propaganda — ambos posteriormente julgados em agosto de 1953 como espiões do imperialismo estadunidense — em importantes cargos do Partido e dirigir suas atividades de espionagem.
Após receber do comandante das forças estadunidenses, Hodge, as instruções para garantir as atividades de espionagem de Ri Sung Yop e Jo Il Myong, Pak Hon Yong promoveu Ri Sung Yop do cargo de presidente do Comitê do Partido Comunista da Coreia do Sul da província de Kyonggi ao de membro do Comitê Político do Comitê Central do Partido Comunista da Coreia do Sul, confiando-lhe a importante tarefa partidária denominada "Frente de Infiltração nos Partidos de Direita". Quanto a Jo Il Myong, nomeou-o redator-chefe do jornal oficial do Partido, Haebang Ilbo (Registro, p. 226–228).
A esse respeito, Jo Il Myong, agente do imperialismo estadunidense que, juntamente com Ri Sung Yop, foi julgado em agosto de 1953, declarou o seguinte durante o interrogatório:
"……No início de fevereiro de 1946, fui detido pela polícia do Governo Militar dos Estados Unidos. Depois de prestar juramento como agente estadunidense perante o capitão da polícia militar estadunidense Johnson, fui libertado. Seguindo suas instruções, a partir do fim daquele mesmo ano passei a manter contato com Ri Sung Yop, que havia sido preso e posteriormente libertado juntamente comigo, executando as atividades de espionagem determinadas pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos. Em consequência, tanto eu quanto Ri Sung Yop fomos colocados, por recomendação de Pak Hon Yong, em importantes cargos no Partido e, sob sua direção, apenas entre março de 1946 e setembro de 1947, coletamos em seis ocasiões importantes informações confidenciais do Partido, fornecendo-as sistematicamente aos órgãos de espionagem estadunidenses……, declarou ele (Registro, p. 299–300).
As atividades de espionagem, sabotagem e assassinato do chefe dos espiões, Pak Hon Yong, não se limitaram à Coreia do Sul.
Recebendo de Hodge instruções para continuar atividades de espionagem, sabotagem e assassinato na metade norte da República, apresentou-se falsamente como patriota utilizando uma chamada "ordem de prisão", habilmente forjada pelos serviços de espionagem estadunidenses, infiltrando-se na metade norte da Coreia em outubro de 1946.
Sobre a ordem recebida de Hodge para atravessar para o Norte e as circunstâncias em que isso ocorreu, Pak Hon Yong declarou o seguinte:
"……No dia 5 de setembro de 1946, recebi de Hodge uma notificação para apresentar-me a ele e imediatamente fui encontrá-lo no Hotel Bando, em Seul. Por intermédio de seu intérprete, Ri Myo Muk, Hodge disse-me: 'Na Coreia do Sul, o Partido Comunista da Coreia do Sul constitui um grande obstáculo à administração do Governo Militar dos Estados Unidos; por isso, devemos reprimi-lo e prender seus principais dirigentes.' Em seguida, acrescentou: 'Aproveite esta oportunidade para atravessar para a Coreia do Norte e continuar seu trabalho.' Prosseguindo, Hodge instruiu-me a desenvolver continuamente, após minha ida ao Norte, atividades destinadas a desorganizar o Partido do Trabalho da Coreia do Norte e os órgãos do poder estatal da Coreia do Norte…… Eu aceitei integralmente essas instruções……"
Prosseguindo em seu depoimento, declarou:
"……Como outra missão, o comandante Hodge disse que, por ocasião de minha ida para o Norte ou logo depois dela, enviaria Ri Kang Guk, então secretário-geral da Frente Democrática Nacional da Coreia do Sul, encarregado de uma importante tarefa. Disse-me que, quando eu chegasse à Coreia do Norte, deveria colocá-lo em um cargo importante no Partido do Trabalho da Coreia do Norte ou nos órgãos do poder estatal da Coreia do Norte, garantindo suas atividades clandestinas. Hodge acrescentou ainda que Ri Kang Guk era alguém capaz de realizar efetivamente trabalhos de inteligência para o quartel-general das forças estadunidenses e que, por isso, eu deveria apoiá-lo plenamente em suas funções…… Naquela ocasião, ao receber as instruções de Hodge sobre Ri Kang Guk, pedi-lhe que jamais revelasse a ele minha verdadeira identidade, pois, se Ri Kang Guk soubesse do meu segredo, isso poderia prejudicar as operações de espionagem. Hodge sorriu e respondeu que o segredo a meu respeito jamais seria revelado a ninguém, acrescentando que eu podia ficar tranquilo quanto a isso e dedicar-me com todo o entusiasmo a trabalhar em benefício dele próprio e dos Estados Unidos. Disse ainda que apreciava minha lealdade……" (Registro, p. 228–230).
Dessa maneira, para cumprir as ordens de Hodge e demonstrar sua fidelidade como agente dos serviços de espionagem estadunidenses, Pak Hon Yong infiltrou-se na metade norte da Coreia no início de outubro de 1946. Para isso, apresentou-se como patriota e utilizou como pretexto a chamada ordem de prisão falsificada pelo Governo Militar dos Estados Unidos para possibilitar sua passagem ao Norte, atravessando a região de Tongchon, na província de Kangwon, tendo como guia So Tok Un, então chefe do Departamento de Organização do Comitê da cidade de Seul (Registro, p. 230).
Sobre a verdadeira natureza da ordem de prisão fabricada por Hodge, Pak Hon Yong declarou o seguinte durante o interrogatório:
"……Na entrevista realizada entre Hodge e eu, em 5 de setembro de 1946, depois de me dar instruções para seguir para o Norte, Hodge disse que, para que ninguém suspeitasse de minha ida à Coreia do Norte, seria expedida uma ordem de prisão contra mim, Ri Kang Guk e cerca de outros dez dirigentes democráticos e quadros do Partido, de modo que nossa fuga para o Norte parecesse uma evasão da perseguição. Em seguida, Hodge ordenou-me que, para tornar natural a fabricação dessa ordem de prisão pelo Governo Militar dos Estados Unidos, eu elaborasse e divulgasse uma declaração protestando contra a política da administração militar estadunidense. Concordei plenamente com esse plano engenhoso de Hodge e prometi executá-lo. Em consequência desse acordo, posteriormente mandei que Ri Kang Guk divulgasse, em nome da Frente Democrática Nacional da Coreia do Sul, uma declaração protestando contra o empréstimo compulsório de cinco milhões de dólares imposto pelos Estados Unidos à Coreia do Sul, permitindo assim que o Governo Militar dos Estados Unidos utilizasse essa declaração como 'medida de represália' para expedir ordens de prisão contra mim, Ri Kang Guk e outros dirigentes do Partido…… (Registro, p. 614–616).
Esses fatos foram confirmados ainda mais claramente pelos depoimentos de Ri Kang Guk e Jo Il Myong, ambos agentes a soldo do imperialismo estadunidense, que, juntamente com Pak Hon Yong, participaram da elaboração da declaração de protesto contra o empréstimo compulsório estadunidense à Coreia do Sul, utilizada pelo Governo Militar dos Estados Unidos como pretexto para fabricar as ordens de prisão. Ambos declararam durante o interrogatório:
"……Para dar aparência de naturalidade a essa fabricação conspiratória da ordem de prisão, nós, seguindo as instruções de Pak Hon Yong, concluímos a redação do projeto da declaração e, num primeiro momento, pedimos ao então presidente da Frente Democrática Nacional da Coreia do Sul que a assinasse. Contudo, como ele recusou fazê-lo, alegando que não poderia assiná-la sem o consenso dos representantes dos partidos políticos e organizações sociais integrantes da Frente, acabamos, em acordo com Pak Hon Yong, fazendo com que Ri Kang Guk, então secretário-geral da Frente Democrática Nacional da Coreia do Sul, assinasse a declaração e a publicasse em nome da própria Frente……" (Registro, p. 217–222).
A respeito da ordem de prisão fabricada por Hodge, Choe Kyong Jin, então vice-chefe do Departamento de Polícia do Governo Militar dos Estados Unidos, posteriormente detido, declarou o seguinte:
"……A ordem de prisão emitida pelo Governo Militar dos Estados Unidos contra Pak Hon Yong e outros não tinha como objetivo prendê-los de fato, mas apenas tomar medidas formais de perseguição para possibilitar sua passagem para o norte do paralelo 38. Por essa razão, depois que Hodge expediu a ordem de prisão, nosso Departamento de Polícia não adotou qualquer medida real de investigação. Limitamo-nos a mobilizar as delegacias dos diversos distritos da cidade de Seul para posicionar policiais armados em pontos estratégicos da capital, realizando abordagens inesperadas a transeuntes e buscas em residências e instituições apenas para dar à população a impressão de que estávamos procurando prender alguém."
Prosseguindo em seu depoimento, declarou:
"……No início de setembro de 1946, no restaurante Paekhapwon, em Jongno, Seul, eu bebia juntamente com Jang Taek Sang, então chefe da Polícia Metropolitana, que estava sob minha direção. Naquela ocasião, Jang Taek Sang mostrou-me um mandado de prisão contra Pak Hon Yong e outros, redigido em inglês, e disse-me em voz baixa: 'Hoje estive no quartel-general do comandante Hodge. O comandante Hodge confiou-me a execução das ordens de prisão contra os dirigentes do Partido Comunista e outros líderes da esquerda, mas disse que eles não devem ser realmente presos; devemos apenas fingir que estamos tentando prendê-los para que fujam para o norte do paralelo 38.' Em seguida acrescentou: 'Essa ordem de prisão é uma manobra política de Hodge, por isso devemos encenar bem essa farsa da prisão.'……" (Registro, p. 291–298).
Depois de conseguir atravessar para o Norte utilizando como pretexto essa chamada ordem de prisão habilmente forjada, Pak Hon Yong tratou imediatamente de estabelecer seu plano de atividades e passou a executar as instruções dos órgãos de espionagem estadunidenses.
Antes de tudo, para manter contato secreto com Hodge, logo após sua chegada ao Norte incorporou às suas atividades de espionagem So Tok Un, seu homem de confiança e guia durante a travessia, enviando-o a Seul no início de novembro de 1946 para informar Hodge de que havia chegado em segurança a Pyongyang (Registro, p. 230–231).
Pak Hon Yong colocou sob seu controle a linha de comunicação do Partido com o Sul e passou a utilizá-la legalmente para suas atividades de espionagem com Ri Sung Yop, que permanecera em Seul, bem como para outros contatos criminosos.
O agente a soldo do imperialismo estadunidense, Pak Hon Yong, manteve contato contínuo com Hodge por intermédio de So Tok Un e, utilizando a linha de comunicação do Partido que controlava, recolhia informações de espionagem em ligação com o agente Ri Sung Yop, enviando-as continuamente para que fossem entregues aos órgãos de inteligência dos Estados Unidos.
Assim, em fevereiro de 1947, por intermédio de Kim So Mok, então responsável pela linha de comunicação do Partido com o Sul, enviou a Ri Sung Yop uma carta secreta instruindo-o a obter materiais de espionagem, juntamente com importantes documentos relativos ao plano da economia popular da Coreia do Norte.
Sobre isso, Pak Hon Yong declarou durante o interrogatório:
"……O conteúdo principal da carta secreta que enviei a Ri Sung Yop era o seguinte: eu também havia seguido o mesmo caminho que ele, atravessando para o Norte, e continuava atuando até aquele momento; depositava grandes expectativas em suas atividades e, sobretudo, recomendava-lhe que preservasse rigorosamente o segredo, transmitindo, juntamente com os materiais que recolhesse, também as informações que eu lhe enviava. Depois de receber minha carta secreta, Ri Sung Yop enviou, por intermédio de Kim So Mok, que voltava ao Norte, uma resposta secreta informando que havia recebido sem falta os documentos econômicos que eu lhe remetera e que esses materiais eram de grande utilidade para nosso trabalho, pedindo que eu continuasse a enviá-los no futuro……" (Registro, p. 232 e p. 615–616).
Por intermédio de seu cúmplice, o agente Ri Sung Yop, Pak Hon Yong estabeleceu plenamente uma linha de contato com Hodge. Em abril de 1947, obteve documentos confidenciais relativos à posição da parte soviética para a futura retomada da Segunda Comissão Conjunta Estados Unidos–União Soviética, transmitindo-os a Ri Sung Yop pela linha de comunicação com o Sul, para posterior entrega aos órgãos de espionagem estadunidenses. Em junho de 1948, enviou diretamente So Tok Un a Seul para entregar a Hodge documentos secretos referentes às principais decisões do Partido do Trabalho da Coreia do Norte, informações confidenciais internas do Partido e materiais relativos aos preparativos para a eleição dos deputados à Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia (Registro, p. 232).
Ao mesmo tempo, seguindo as instruções de Hodge, em fevereiro de 1947 Pak Hon Yong providenciou que Ri Kang Guk, agente do coronel Baird, comandante da Polícia Militar da 24ª Divisão do Exército dos Estados Unidos, que havia se infiltrado na metade norte da República disfarçado de "patriota", aproveitando a ordem de prisão fabricada pelo Governo Militar dos Estados Unidos por ocasião da travessia de Pak Hon Yong para o Norte, fosse nomeado diretor do Departamento de Relações Exteriores do Comitê Popular da Coreia do Norte, a fim de facilitar suas atividades de espionagem. Além disso, até o final de 1947, encarregou-o de funções de confiança e da direção da Gráfica nº 1 de Haeju, permitindo-lhe recolher e fornecer aos seus patrões, os imperialistas estadunidenses, informações secretas sobre a política, a economia e os assuntos militares da metade norte da República. Em fevereiro e dezembro de 1947, chegou inclusive a entregar pessoalmente a Ri Kang Guk importantes documentos secretos de Estado relacionados à sua viagem a Moscou, desenvolvendo dessa forma atividades de espionagem (Registro, p. 224–227).
A esse respeito, isso foi comprovado de forma ainda mais clara pelo depoimento de Ri Kang Guk, cúmplice de Pak Hon Yong, que foi julgado em agosto de 1953 como espião do imperialismo estadunidense. Ele declarou durante o interrogatório:
“...... Enquanto ocupei o cargo no Departamento de Relações Exteriores, de maio de 1947 até agosto de 1948, reuni e forneci em cerca de cinco ocasiões segredos políticos, econômicos e militares da metade norte da República, incluindo materiais sobre a Academia de Pyongyang, informações relativas ao efetivo e ao posicionamento do Exército Popular e das tropas de guarda estacionadas em Kanggye, Kaechon e outras localidades, importantes documentos confidenciais sobre o quartel-general das tropas soviéticas estacionadas em Pyongyang e sobre as forças soviéticas destacadas na Coreia do Norte, informações detalhadas sobre a estrutura do Comitê Popular da Coreia do Norte, sua política externa e todos os dados importantes relacionados a ela, materiais sobre a situação da implementação da reforma monetária, documentos relativos ao plano da economia nacional da Coreia do Norte para 1947, materiais abrangentes sobre o orçamento do Estado para 1948 e documentos fornecidos por Pak Hon Yong. Reuni tudo isso e enviei meu secretário, Sin Tae Hui, a Seul, onde, por intermédio de Kim Su Im, encarregado de receber o comandante Baird, comandante da Polícia Militar da 24ª Divisão do Exército dos Estados Unidos, entreguei esses materiais a Baird......” (Registro, vol. 7, pp. 149-150).
As atividades de espionagem de Pak Hon Yong tornaram-se ainda mais perversas no período imediatamente anterior e posterior à fundação da República Popular Democrática da Coreia, sendo conduzidas de maneira mais habilmente disfarçada.
Em junho de 1948, Pak Hon Yong enviou uma carta secreta ao quartel-general, solicitando que Ri Sung Yop fosse enviado para o Norte com o objetivo de intensificar ainda mais as atividades de espionagem relacionadas ao estabelecimento do governo da República e consolidar sua base de operações na Coreia do Norte.
Os órgãos de inteligência estadunidenses estacionados na Coreia do Sul, atendendo à proposta do chefe dos espiões Pak Hon Yong, despacharam para a metade norte da República, em agosto de 1948, o espião Ri Sung Yop, que haviam treinado durante longo tempo (Registro, vol. 1, pp. 122-123).
Em relação à ida de Ri Sung Yop para o Norte, a partir de setembro de 1948, Pak Hon Yong, seguindo as instruções do quartel-general, passou a empregar métodos de espionagem ainda mais sofisticados. As atividades de espionagem que até então dirigia pessoalmente foram entregues a Ri Sung Yop, enquanto ele próprio passou a orientar as tarefas de espionagem e as atividades clandestinas de seus cúmplices.
A esse respeito, Pak Hon Yong declarou o seguinte durante o interrogatório:
“...... Em meados de setembro de 1948, em minha residência em Namsan-ri, na cidade de Pyongyang, conversei com Ri Sung Yop sobre as futuras atividades de espionagem. Na ocasião, Ri Sung Yop informou-me que havia recebido secretamente do conselheiro político Noble, da Embaixada dos Estados Unidos em Seul, as instruções transmitidas pelo quartel-general. O conteúdo principal era que, em razão do estabelecimento do governo da República, minha existência havia se tornado ainda mais valiosa para eles; por isso, eu não deveria mais realizar pessoalmente as diversas atividades, devendo entregá-las a Ri Sung Yop. A razão de os órgãos de inteligência estadunidenses terem emitido essa instrução era que já era praticamente certo que eu seria nomeado para um alto cargo no governo da República, tornando ainda mais importante preservar o segredo sobre minha verdadeira identidade e reforçar as medidas de proteção...... Recebendo essa instrução, entreguei a Ri Sung Yop todas as atividades de espionagem que vinha realizando até então. Além disso, comprometi-me a garantir suas despesas e assegurar o êxito de suas atividades.” ......” (Registro, vol. 1, p. 123).
Posteriormente, com a partida de Hodge da Coreia do Sul, Pak Hon Yong recebeu, por intermédio de Ri Sung Yop, instruções do quartel-general para manter contato e atuar em coordenação com Noble, conselheiro político da Embaixada dos Estados Unidos em Seul. A partir de então, continuou suas atividades de espionagem sob essa coordenação (Registro, vol. 5, pp. 665-666).
Esse fato foi claramente comprovado pelo depoimento de Ri Sung Yop (Registro, vol. 2, pp. 165-167).
Seguindo as instruções dos órgãos de inteligência estadunidenses, Pak Hon Yong, no período imediatamente anterior e posterior ao estabelecimento do governo da República, colocou em importantes cargos do Partido e do governo espiões estadunidenses que haviam sido treinados durante longo tempo pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos e enviados para a região norte da Coreia, garantindo suas atividades e sua segurança enquanto expandia sua rede de espionagem.
Ri Sung Yop, Jo Il Myong, So Tok Un, Ri Kang Guk, An Yong Tal, Rim Hwa, Alice Hyon e Ri Sa Min, fiéis lacaios dos Estados Unidos enviados por ordem dos órgãos de inteligência estadunidenses, infiltraram-se em importantes cargos do Partido e do Estado graças ao patrocínio e à garantia de Pak Hon Yong, ou tiveram suas atividades asseguradas por outros meios.
Graças ao patrocínio e à proteção de Pak Hon Yong, Ri Sung Yop foi nomeado ministro da Justiça do Conselho de Ministros da República e, posteriormente, membro do Comitê Político e secretário do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia. Jo Il Myong atuou como responsável pela propaganda da direção do Partido do Trabalho da Coreia do Sul e secretário do Comitê Central do Partido, sendo posteriormente nomeado vice-ministro da Cultura e Propaganda. So Tok Un serviu como seu secretário pessoal e responsável pela organização da direção do Partido do Trabalho da Coreia do Sul. An Yong Tal foi encarregado da coordenação do trabalho partidista na metade sul da Coreia e, mais tarde, foi incorporado ao Exército Popular; durante a libertação de Seul, foi designado presidente do Comitê Popular da Província de Kyonggi. Rim Hwa serviu como editor da Gráfica nº 1 de Haeju, depois como vice-presidente da Federação Geral das Organizações Culturais da Coreia do Sul e, posteriormente, como vice-presidente do Comitê Central da Associação Cultural Coreia-URSS. Pak Sung Won ocupou os cargos de diretor da Gráfica nº 1 de Haeju e chefe da Seção de Ligação do Comitê Central do Partido, tornando-se depois presidente do Comitê Popular da Província de Kyonggi e, posteriormente, vice-chefe do Departamento de Estratégia do Comitê Central do Partido (Registro, vol. 1, pp. 178-179; vol. 2, p. 240; vol. 5, pp. 661-672).
Em particular, com base nas instruções de Hodge em junho de 1948, Pak Hon Yong fez com que os espiões estadunidenses que haviam chegado à Europa vindos dos Estados Unidos, se passassem por refugiados políticos, ocultando suas verdadeiras identidades. Apresentou-os como figuras progressistas expulsas dos Estados Unidos e garantiu sua entrada no país. Posteriormente, colocou na Agência Central de Notícias e em um importante cargo da Frente da Pátria, assegurando plenamente suas atividades de espionagem.
A esse respeito, Pak Hon Yong declarou o seguinte durante o interrogatório:
“...... Em junho de 1949, por intermédio de So Tok Un, que havia retornado de Seul, recebi instruções de Hodge. O conteúdo era que enviariam à Coreia do Norte, através da Europa, vários agentes de inteligência estadunidenses, entre eles Alice Hyon, e que eu deveria garantir sua entrada no país, bem como assegurar todas as condições necessárias para que, depois de entrarem, pudessem recolher importantes segredos do Partido e dos órgãos do poder estatal...... Posteriormente, fiz com que Alice Hyon e os agentes de inteligência estadunidenses que a acompanhavam entrassem no país conforme as instruções de Hodge......” (Registro, vol. 1, pp. 144-145).
Segundo o depoimento da testemunha sobre Alice Hyon, que entrou no país sob a proteção de Pak Hon Yong, esta havia servido no Exército dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial e, após a Libertação de 15 de Agosto, continuou vinculada às forças estadunidenses. Chegou a Seul, onde trabalhou em uma organização secreta de comunicações por rádio subordinada à inteligência do Exército dos Estados Unidos, dedicando-se à interceptação das comunicações secretas dos coreanos (Registro, vol. 2, pp. 62-67).
Sob a direção do chefe dos espiões Pak Hon Yong, todos os espiões estadunidenses, incluindo Alice Hyon e Ri Sa Min, cuja entrada no país foi possibilitada por Pak Hon Yong, bem como seus subordinados Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Ri Kang Guk, Maeng Jong Ho e outros agentes a serviço dos órgãos de inteligência dos Estados Unidos, estabeleceram uma ampla rede de espionagem na metade norte da República e forneceram sistematicamente aos serviços de inteligência estadunidenses informações confidenciais sobre os mais diversos setores, incluindo política, economia e assuntos militares.
Isso foi comprovado de forma ainda mais clara pelos depoimentos dos espiões Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Ri Kang Guk, Pak Sung Won, Rim Hwa e outros, que foram cúmplices de Pak Hon Yong.
Segundo seus depoimentos, sob a direção e proteção de Pak Hon Yong, somente no período entre janeiro de 1948 e julho de 1949, eles forneceram informações confidenciais aos órgãos de inteligência estadunidenses em quinze ocasiões.
Em janeiro de 1948, entregaram documentos biográficos dos ministros do Conselho de Ministros da República, bem como informações sobre o desenvolvimento da indústria e da agricultura na Coreia do Norte. Em fevereiro de 1949, forneceram informações militares sobre a retirada das tropas soviéticas da região norte da Coreia, dados sobre os membros do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia do Sul e estatísticas relativas à recuperação e ao desenvolvimento da economia nacional da Coreia do Norte. Em abril de 1949, entregaram importantes segredos militares, incluindo o efetivo de cada unidade do Exército Popular da Coreia e seus locais de estacionamento, além das estatísticas criminais de 1948 elaboradas pelos órgãos judiciais. Em maio de 1949, forneceram três importantes resoluções do Comitê Político do Comitê Central do Partido. Em julho de 1949, entregaram documentos biográficos dos principais quadros dirigentes do Partido, incluindo os membros do Comitê Político Central do Partido (Registro, vol. 5, pp. 97-99; vol. 2, pp. 122-123).
As atividades de espionagem de Pak Hon Yong passaram a ser conduzidas de maneira cada vez mais ativa por meio de métodos mais dissimulados.
Após as atividades traiçoeiras e de sabotagem de seus cúmplices, como Ri Sung Yop e An Yong Tal, que no início de 1950 praticamente destruíram as organizações do Partido do Trabalho na Coreia do Sul e suas redes de comunicação, Pak Hon Yong passou a apoiar ativamente uma operação de espionagem em grande escala preparada pelos imperialistas estadunidenses de acordo com seu chamado plano "especial" para derrubar a República Popular Democrática da Coreia.
Seu cúmplice Ri Sung Yop declarou que, sob a direção de Pak Hon Yong, entre fevereiro e abril de 1950, enquanto recebia instruções de Noble, manteve contato com o coronel estadunidense Nichols, oficial de inteligência aérea do Comando Oriental dos Estados Unidos, que organizava operações de espionagem militar contra a Coreia do Norte. Também estabeleceu ligação com Paek Hyong Bok, que durante a ocupação japonesa havia ocupado um alto cargo na polícia japonesa e, após a Libertação de 15 de Agosto, tornou-se chefe da Divisão Central de Investigação do Departamento de Segurança do Ministério do Interior do governo títere de Ri Sung Man, além dos agentes An Yong Tal, Jo Yong Bok e outros, executando novas missões de espionagem para preparar a guerra de agressão dos imperialistas estadunidenses contra a República.
Ele declarou o seguinte:
“...... Entre fevereiro e abril de 1950, mantive contato com o coronel estadunidense Nichols, oficial de inteligência aérea do Comando Oriental dos Estados Unidos, que atuava sob a direção direta de Noble. Encontrei-me em três ocasiões com Jo Yong Bok, enviado para recolher informações de espionagem, tanto em meu escritório no Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia quanto em minha residência em Namsan-ri, Pyongyang, entregando-lhe segredos militares relativos à força aérea do Exército Popular, bem como documentos confidenciais sobre a situação interna do Partido do Trabalho da Coreia......”
Prosseguindo seu depoimento, afirmou:
“...... Depois disso, no início de maio de 1950, de acordo com as instruções de espionagem de Noble, encontrei-me com Paek Hyong Bok, An Yong Tal, Jo Yong Bok e outros, que haviam ocultado suas verdadeiras identidades e se infiltrado no Norte, para discutir a execução das futuras atividades de espionagem conforme o plano de Noble. Ficou estabelecido que eu continuaria recolhendo em Pyongyang os segredos do Partido e do governo; An Yong Tal se infiltraria na nova direção do Partido em Seul, fornecendo regularmente a Noble informações sobre sua situação interna; Jo Yong Bok ficaria encarregado de transmitir a Noble, por intermédio de An Yong Tal, os materiais de espionagem que eu reunisse; e Paek Hyong Bok seria infiltrado nos órgãos de segurança interna da República para recolher informações de espionagem em coordenação comigo......” (Registro, vol. 5, pp. 99-100).
Sobre as circunstâncias em que estabeleceu diretamente sua ligação de espionagem com Ri Sung Yop, sob a proteção deste, Paek Hyong Bok, que também foi julgado juntamente com Ri Sung Yop em agosto de 1953, declarou o seguinte:
“...... Depois que entrei na Coreia do Norte fingindo ter vindo para o Norte por convicção, quando na realidade havia entrado por ordem dos órgãos de inteligência estadunidenses, cheguei junto com An Yong Tal e Jo Yong Bok. No fim de maio de 1950, enquanto estava em um esconderijo em Inhung-dong, no Distrito Oeste de Pyongyang, indicado por An Yong Tal, Ri Sung Yop veio à minha residência trazendo uma garrafa de bebida escura como presente. Recebi-o com alegria por reencontrar um antigo companheiro. Depois de perguntar cuidadosamente sobre minha situação, Ri Sung Yop recomendou, em voz baixa, que eu jamais contasse a ninguém as circunstâncias da prisão de Kim Sam Ryong. Na ocasião, transmiti-lhe a seguinte mensagem: ‘O doutor Noble tem grande estima pelo senhor Ri.’ Ao ouvir isso, ele esboçou um leve sorriso e respondeu: ‘É mesmo? Então, daqui para a frente, trabalhemos bem juntos também, professor Paek.’......” (Registro, vol. 5, pp. 151-177).
Pak Hon Yong, com o objetivo de ocultar até o fim sua odiosa verdadeira identidade e continuar suas atividades de espionagem, empenhou-se ativamente em proteger Paek Hyong Bok — um criminoso e assassino que havia entrado na Coreia do Norte fingindo ser um desertor político por convicção, quando na realidade seguia instruções de espionagem de Noble — bem como seus cúmplices An Yong Tal, Jo Yong Bok e outros, garantindo sua segurança e suas atividades.
A esse respeito, Pak Hon Yong declarou o seguinte:
“...... Em abril de 1950, em minha residência em Namsan-ri, Pyongyang, recebi Paek Hyong Bok por intermédio de An Yong Tal. Paek Hyong Bok era um indivíduo que, juntamente com An Yong Tal, havia atuado como agente dos órgãos de inteligência estadunidenses. Sabendo que, enquanto servia ao regime de Ri Sung Man, ele havia conduzido uma série de importantes operações destinadas a destruir o Partido clandestino da Coreia do Sul, encarreguei Ri Sung Yop de cuidar de sua proteção pessoal......” (Registro, vol. 5, pp. 92-93).
Com o início da intervenção militar dos imperialistas estadunidenses na Coreia, Pak Hon Yong passou a ocultar sua identidade traiçoeira de maneira ainda mais habilidosa e intensificou ainda mais suas atividades de espionagem e sabotagem em favor dos invasores armados estadunidenses.
Como resultado do julgamento, ficou comprovado que, no período mais difícil para o povo coreano, Pak Hon Yong empenhou-se em intensificar ainda mais as atividades dos espiões estadunidenses sob seu comando geral.
A esse respeito, Pak Hon Yong declarou o seguinte durante o interrogatório:
“...... Após o contra-ataque inimigo de dezembro de 1950, à medida que a guerra se prolongava, procurei fazer com que os agentes da inteligência estadunidense, como Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Ri Kang Guk, Rim Hwa e So Tok Un, intensificassem suas atividades de sabotagem e terrorismo, a fim de agravar os prejuízos políticos, militares e econômicos da República e levá-la à derrota na guerra. Para isso, esforcei-me para colocá-los em cargos elevados......” (Registro, vol. 1, p. 243).
Em especial, até os momentos finais, tentou colocar Ri Kang Guk em um cargo de vice-ministro ou superior (Registro, vol. 1, p. 210).
Dessa forma, Pak Hon Yong estabeleceu uma rede de espionagem dos órgãos de inteligência estadunidenses na metade norte da República e continuou fielmente suas atividades de espionagem em favor dos imperialistas estadunidenses até fevereiro de 1953, quando foram finalmente desmascarados os grupos de espiões traidores liderados por Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Ri Kang Guk e outros.
II. Atos de destruição e enfraquecimento das forças democráticas na metade sul da Coreia
Conforme ficou demonstrado durante o julgamento, Pak Hon Yong, atuando como agente dos órgãos de inteligência estadunidenses, realizou ações de destruição, terrorismo e massacre contra o Partido do Trabalho da Coreia do Sul e contra as forças democráticas patrióticas.
O objetivo desses hediondos crimes era assassinar dirigentes do Partido, membros do Partido e personalidades democráticas da metade sul da Coreia que representassem obstáculos às suas conspirações, demonstrando assim sua lealdade aos imperialistas estadunidenses e, ao mesmo tempo, ocultando seus próprios crimes.
Com esse propósito, desde o início, ele agiu diretamente ou por intermédio de seus cúmplices, como Ri Sung Yop, utilizando métodos hipócritas e enganosos para reprimir habilmente o ímpeto da luta patriótica das massas trabalhadoras sul-coreanas contra a brutal repressão dos imperialistas estadunidenses. Para destruir e desorganizar as organizações do Partido e enfraquecer sua capacidade de combate, eliminou do Partido dirigentes íntegros e fiéis, provocou deliberadamente confrontos imprudentes com o inimigo que levaram ao massacre de numerosos patriotas e de seus heroicos combatentes de vanguarda, e não hesitou em cometer diretamente atos de terrorismo e assassinato contra eles.
Durante a instrução do processo, Pak Hon Yong confessou que havia cometido esses crimes por instruções dos órgãos de inteligência estadunidenses, diretamente ou em conluio com seus cúmplices, com a polícia títere de Ri Sung Man e com os próprios serviços de inteligência dos Estados Unidos (Registro, vol. 1, pp. 21-22; vol. 5, pp. 14-15).
As ações de Pak Hon Yong e de seus associados para destruir e enfraquecer as forças democráticas na metade sul da Coreia tornaram-se cada vez mais perversas e arrogantes.
Assim, em setembro de 1948, seguindo instruções de Hodge, Pak Hon Yong transferiu a direção direta das atividades de espionagem para Ri Sung Yop, enquanto continuava secretamente criando condições para garantir a execução de suas atividades criminosas e preservar o sigilo de si próprio e de seus cúmplices.
Como resultado, a partir de 1949, Ri Sung Yop, An Yong Tal, So Tok Un e outros, sob a direção de Pak Hon Yong, passaram a assassinar brutalmente na linha do Paralelo 38 quadros da organização clandestina do Partido que, após combaterem os inimigos na metade sul da Coreia e buscarem refúgio, atravessavam legitimamente para o Norte, acusando-os falsamente de "traição", "suspeita de espionagem" ou "revelação dos segredos do trabalho partidário", sempre que suspeitavam de suas próprias atividades.
Sobre esses massacres, Maeng Jong Ho, que foi julgado juntamente com Ri Sung Yop em agosto de 1953, declarou durante o interrogatório:
“...... No verão de 1949, quando eu era responsável do departamento de ligação do Partido do Trabalho da Coreia do Sul, So Tok Un ordenou-me que fuzilasse Kwon In Ho e outras duas pessoas que haviam atravessado para o Norte depois de realizar trabalho partidário na metade sul, sob a alegação de que eram suspeitos de espionagem. Examinei pessoalmente o caso, mas não encontrei qualquer indício de culpa e, por isso, hesitei em executá-los. Em consequência, Ri Sung Yop repreendeu-me severamente por não ter cumprido sua ordem. Posteriormente, Ri Sung Yop instruiu o responsável pelo posto de ligação de Yangyang a assassiná-los secretamente......” (Registro, vol. 5, p. 130).
Jon Gu Ha, que também participou dessas atividades terroristas, declarou igualmente:
“...... De maio a agosto de 1948, enquanto servia como vice-chefe do posto de ligação de Yongnam, no condado de Jangpung, província de Hwanghae, matei, por ordem de An Yong Tal, quarenta e duas pessoas, entre membros do Partido do Trabalho da Coreia do Sul e personalidades democráticas, em treze ocasiões, sob falsas acusações de deserção ou suspeita de espionagem. Também por ordem de An Yong Tal, no início de agosto de 1948 prendi Kim Jae Gwan, então presidente do Comitê do Partido da cidade de Kaesong, e, em outubro do mesmo ano, So Ku Don, então presidente do Comitê do Partido do condado de Jangpung, com a intenção de assassiná-los sob a acusação de deserção. No entanto, enquanto permaneciam presos, fomos descobertos pela Guarda da República e não conseguimos executá-los......” (Registro, vol. 5, pp. 133-134).
Ao mesmo tempo, na Coreia do Sul, acompanhando a chamada campanha de "expurgo da retaguarda" promovida pelos imperialistas estadunidenses, elementos infiltrados como An Yong Tal e Jo Yong Bok, dois dos cúmplices mais confiáveis de Pak Hon Yong, sob a direção direta de Noble, conselheiro político da Embaixada dos Estados Unidos, recorreram a métodos astutos e perversos, como a fabricação de acusações, promessas enganosas, fraudes e propaganda maliciosa para justificar a repressão contra patriotas e trabalhadores, iniciando a destruição sistemática do Partido do Trabalho da Coreia do Sul.
Entraram no caminho de destruir completamente o Partido do Trabalho da Coreia do Sul por meio de métodos astutos e perversos, como engano e pilhagem.
Quando, em 18 de junho de 1949, foi publicada a convocação da Frente Democrática para a Reunificação da Pátria, visando à reunificação pacífica da pátria, An Yong Tal, sob orientação, aproveitou essa ocasião para difundir entre a organização do Partido do Trabalho da Coreia do Sul a ideia de que era necessário preparar uma revolta, incitando-a a responder e se levantar, proporcionando assim aos inimigos uma justificativa para desencadear prisões, encarceramentos e massacres em massa contra membros do Partido do Trabalho e personalidades democráticas.
Sobre a situação em que, devido às atividades de destruição de An Yong Tal, cúmplice dos crimes de Pak Hon Yong, numerosos membros do Partido do Trabalho da Coreia do Sul e personalidades democráticas foram presos e massacrados, Paek Hyong Bok, que durante longo período ocupou cargos de responsabilidade na polícia do governo militar dos EUA ou no regime títere de Ri Sung Man, destruiu diretamente as organizações provinciais do Partido do Trabalho da Coreia do Sul em Jolla Norte e Kangwon e massacrou cerca de 40 quadros do Partido, declarou o seguinte:
「…… No início de janeiro de 1950, An Yong Tal apresentou ao Departamento de Inspeção da Agência de Segurança Pública de Seul, subordinado ao Ministério do Interior do governo, onde eu trabalhava, um relatório sobre a situação de suas atividades de destruição do Partido do Trabalho da Coreia do Sul. Segundo seu conteúdo, quando a convocação da Frente Democrática para a Reunificação da Pátria foi publicada no verão de 1949, ele, sob instruções, ordenou aos membros do Partido: “Como o Exército Popular avançará para o sul dentro de pouco tempo, aqueles que têm dinheiro devem oferecer dinheiro e aqueles que têm casas devem oferecer casas para preparar armas, a fim de que possam iniciar uma revolta em resposta”, provocando somente em Seul centenas de casos envolvendo centenas de pessoas, e que, ao informar esse fato ao superior no momento oportuno, os dirigentes partidistas de Seul e das regiões locais, bem como o povo patriótico, foram presos e massacrados, conforme estava registrado……」(Páginas 161–194)
Dessa forma, ficou claramente determinado que os atos de terror e massacre nas regiões do sul da Coreia, ao longo do Paralelo 38, foram realizados inteiramente sob a liderança de Pak Hon Yong (Páginas 25, 75 e 156).
Além disso, Paek Hyong Bok ajudou e apoiou ativamente, desde 1948, as atividades de destruição do Partido realizadas pelos imperialistas estadunidenses e pela camarilha traidora de Ri Sung Man, que organizaram artificialmente a chamada Liga de Orientação Pública com o objetivo de destruir o Partido do Trabalho da Coreia do Sul, executando tais ações com uma crueldade inerente.
Sobre isso, Pak Hon Yong declarou no jornal o seguinte:
「…… No final de 1948, quando o Comitê Político do Comitê Central do Partido me propôs que fossem tomadas medidas organizativas adequadas em relação ao movimento de rendição e conversão dos membros do Partido do Trabalho da Coreia do Sul, organizado pela polícia de Ri Sung Man no sul da Coreia através da chamada Liga de Orientação Pública, eu argumentei que tal fato não existia no sul da Coreia e que, mesmo que existisse, não representaria nenhum problema, pois o Partido do Trabalho da Coreia do Sul estava preservado como uma poderosa unidade de combate. A razão era que, como eu próprio trabalhava para a agência de espionagem estadunidense, acreditava que, mesmo que os inimigos destruíssem a organização partidista no sul da Coreia e absorvessem seus membros na Liga de Orientação Pública, isso acabaria se tornando uma força sob meu controle……」(Páginas 142–144)
Pak Hon Yong não se satisfez com isso em suas atividades de destruição das forças democráticas do sul da Coreia.
Por indicação dos imperialistas estadunidenses, a fim de destruir e desintegrar o Partido a partir de seu interior, ele promoveu e colocou sistematicamente seus cúmplices criminosos, elementos espiões como Ri Sung Yop, Ri Kang Kuk, Jo Il Myong, An Yong Tal, Jo Yong Bok, Paek Hyong Bok, Jo Il Myong, Maeng Jong Ho, Pak Sung Won, entre outros, em importantes cargos do Partido e do Estado, orientando e controlando suas atividades de destruição e sabotagem.
Como resultado disso, sob a direção direta do conselheiro político da Embaixada dos Estados Unidos em Seul, Noble, e do oficial de inteligência operacional do Comando de Defesa dos EUA, Nichols, An Yong Tal e Jo Yong Bok, em março de 1950, capturaram e assassinaram Kim Sam Ryong, que permanecia até o fim como responsável pela liderança do Partido em Seul, destruindo finalmente a organização clandestina do Partido no sul da Coreia e as forças democráticas (Confissões, Página 191; mesmo documento, páginas 344–346).
Sobre a destruição final da liderança partidária no sul da Coreia, Paek Hyong Bok declarou o seguinte:
「…… Desde o início de janeiro de 1950, sob a orientação do conselheiro político da Embaixada dos Estados Unidos em Seul, Noble, e de Nichols, oficial conjunto de inteligência do Comando do Oriente dos Estados Unidos e conselheiro do Departamento de Inspeção da Agência de Segurança Pública do Ministério do Interior do governo títere de Ri Sung Man, comecei a realizar atividades de investigação utilizando An Yong Tal para destruir a liderança do Partido do Trabalho em Seul.
Na época, eu, como chefe do setor de análise central do Departamento de Inspeção da Agência de Segurança Pública do Ministério do Interior do governo de Ri Sung Man, fiquei sabendo detalhadamente, através do “Documento de Crítica Geral do Partido do Trabalho da Coreia do Sul” apresentado por An Yong Tal, sobre a organização do Partido do Trabalho existente no sul da Coreia e sua situação de atividades, e especialmente capturei os dirigentes, incluindo Ri Ju Ha, responsável pela liderança do Partido em Seul.
An Yong Tal disse com confiança que, se encontrássemos Jo Yong Bok, então responsável pela ligação com o desembarque do promotor, poderíamos facilmente descobrir o paradeiro de Kim Sam Ryong. Assim, com a aprovação de Nichols e através da ligação secreta de Kim Jung Hwan, que havia se infiltrado internamente, libertei Jo Yong Bok, que estava detido em um local de provas, e o incorporei às nossas atividades.
Naquele momento, Noble e Nichols me instruíram que não deveríamos descobrir imediatamente a liderança do Partido do Trabalho em Seul, mas realizar uma operação para ligar An Yong Tal aos espiões, permitindo obter oportunamente o controle sobre todas as atividades do Partido do Trabalho em andamento no sul da Coreia e outros segredos internos, bem como detectar de antemão todos os acontecimentos de emergência ocorridos no sul da Coreia.
Portanto, com base nessa direção fundamental, desenvolvi operações de investigação e, como resultado, alguns dias depois, através das atividades de An Yong Tal e Jo Yong Bok, descobri o esconderijo secreto de Kim Sam Ryong. Por meio de An Yong Tal, pude conhecer oportunamente o conteúdo dos relatórios enviados das organizações partidárias locais à liderança de Seul, bem como os documentos referentes aos relatórios e instruções trocados entre a liderança de Seul e o Comitê Central do Partido na Coreia do Norte.
Sempre que An Yong Tal e Kim Sam Ryong se encontravam no esconderijo secreto, eu me escondia na sala ao lado e escutava suas conversas; por isso, conhecia bem a situação de todas as atividades do Partido do Trabalho realizadas no sul da Coreia.
Essa operação foi realizada em extremo segredo, mas, no final de março de 1950, devido ao relatório de An Yong Tal de que Kim Sam Ryong havia sido subitamente atacado pela Polícia Metropolitana de Seul e tentava fugir, tornou-se difícil continuar a operação. Assim, finalmente, em 27 de março do mesmo ano, capturei Kim Sam Ryong……」(Páginas 191–192)
Especialmente após o início da Guerra de Libertação da Pátria, os cúmplices de Pak Hon Yong, tendo-o como chefe, realizaram, na região de Seul libertada, massacres em massa sangrentos contra membros do Partido do Trabalho da Coreia do Sul e personalidades democráticas pelos métodos mais cruéis e perversos.
Com sua destruição iminente, eles tentaram ocultar até o fim os crimes que haviam cometido e continuar praticando atividades criminosas contra o Estado.
Sob a liderança direta de Pak Hon Yong, Ri Sung Yop, enquanto ocupava o cargo de presidente do Comitê Popular Provisório de Seul, instalou um local secreto de execução no porão do prédio do referido comitê e, por meio de seu mais fiel subordinado Ri Jung Op, submeteu a torturas e perseguições severas mais de 70 pessoas inocentes que haviam sido ilegalmente presas e detidas, massacrando impiedosamente entre elas os membros do Partido do Trabalho que poderiam conhecer seus segredos criminosos (Página 108).
Maeng Jong Ho, que participou diretamente dessas atividades de terror, declarou o seguinte:
「…… Após a libertação de Seul em 28 de junho de 1950, recebi de Ri Jung Op a ordem de que, entre aqueles que estavam detidos no porão do Comitê Popular Provisório de Seul naquela época, sete membros do Partido do Trabalho representavam um risco de revelar os segredos internos do Partido e deveriam ser eliminados. Assim, transportei-os em um caminhão de carga até a margem do rio Han e os fuzilei……」(Páginas 113–114).
Depois disso, Ri Sung Yop, a fim de ocultar e executar de maneira mais organizada os atos de terror e massacre, organizou no início de julho de 1950, juntamente com An Yong Tal, uma organização secreta de assassinato chamada “Comitê de Investigação de Terras”.
Para manter o segredo dessa organização assassina, eles alegavam exteriormente que ela tinha o propósito de garantir os trabalhos do Estado, mas, na realidade, utilizavam-na como instrumento para prender e massacrar aqueles que conheciam seus segredos e para vigiar os desertores.
Sobre o objetivo da organização do “Comitê de Investigação de Terras”, Ri Sung Yop declarou o seguinte:
「…… No início de julho de 1950, organizei em Seul o Comitê de Investigação de Terras e coloquei An Yong Tal como seu responsável. O objetivo de organizar esse grupo era, conforme as instruções de Nichols, com quem eu mantinha relações de espionagem, prever a futura presença dos fantoches dos Estados Unidos e, através do Comitê de Investigação de Terras, reunir os elementos intermediários e de direita, utilizando-os posteriormente como nossa base política, bem como prender e eliminar todos aqueles que conheciam nossos segredos criminosos e aqueles que interferiam em nossas atividades……」(Páginas 101–102).
Posteriormente, em meados de julho do mesmo ano, Ri Sung Yop recebeu de seus superiores a ordem de dissolução dessa organização ilegal. Para continuar suas atividades criminosas, transferiu o chamado “Comitê de Investigação de Terras” para dentro do chamado Quartel-General das Forças Voluntárias, que estava sob sua direção direta, passando a chamá-lo exteriormente de “Departamento de Assuntos Especiais”, e continuou realizando atos de terror e massacre contra patriotas.
Assim, por meio das duas organizações assassinas que comandavam esses massacres — o “Comitê de Investigação de Terras” e o “Departamento de Assuntos Especiais do Quartel-General das Forças Voluntárias” — numerosas pessoas, incluindo membros do Partido do Trabalho e personalidades democráticas, foram presas, torturadas e massacradas (Páginas 65–67; mesmo documento, páginas 107–108).
Sempre astuto e traiçoeiro, Pak Hon Yong, a fim de preservar os segredos de suas atividades criminosas, apoiou e garantiu secretamente e ativamente os atos de terror e massacre de Ri Sung Yop e outros, mantendo até o fim seus cúmplices dedicados às atividades terroristas contra patriotas e pessoas inocentes no chamado Departamento Especial do Quartel-General das Forças Voluntárias. Além disso, quando havia risco de que seus próprios cúmplices revelassem os segredos, ele os assassinava sem hesitação (Páginas 65–66).
Quando, em julho de 1950, veio a público o fato de que An Yong Tal havia denunciado Kim Sam Ryong à polícia de Ri Sung Man, levando à sua prisão, Pak Hon Yong, para ocultar sua identidade criminosa e repugnante, ordenou a Ri Sung Yop que incorporasse An Yong Tal à unidade guerrilheira que avançava para o sul e o assassinasse secretamente.
Sobre isso, Pak Hon Yong confessou o seguinte:
「…… Após a libertação de Seul em 28 de junho, coloquei An Yong Tal como presidente do Comitê Popular de Kyonggi. Entretanto, quando fui a Seul no início de julho de 1950, o fato de que An Yong Tal havia denunciado Kim Sam Ryong à polícia de Ri Sung Man e provocado sua captura começou a ser revelado à sociedade através de pessoas que haviam saído da prisão de Sodaemun. Assim, para ocultar nossas atividades criminosas, ordenei a Ri Sung Yop que assassinasse An Yong Tal secretamente」(Páginas 232–236).
Ri Sung Yop declarou que, seguindo as instruções de Pak Hon Yong, para assassinar An Yong Tal, tomou a medida de colocá-lo formalmente como comissário político da unidade Maeng Jong Ho que avançava para o sul, enviou-o secretamente e depois informou o resultado a Pak Hon Yong (Páginas 198–199, 242–240).
O agente de espionagem Park Hon Yong, paralelamente aos atos criminosos antinacionais, como as atividades de espionagem realizadas em favor dos imperialistas estadunidenses e a destruição e o enfraquecimento das forças democráticas da Coreia do Sul, vinha, ao longo de um extenso período, sob orientação direta e indireta dos imperialistas estadunidenses, tentando derrubar o governo da República Popular Democrática da Coreia, fato que ficou claramente comprovado durante a instrução deste caso.
Já imediatamente após a libertação de 15 de Agosto, Pak Hon Yong buscou estabelecer na Coreia a chamada “República Popular da Coreia”, um regime de latifundiários e capitalistas tendo Ri Sung Man como chefe e abrangendo os elementos do Partido do Trabalho da Coreia do Sul, e praticou atividades criminosas para concretizar esse objetivo.
Essas atividades de Pak Hon Yong estavam estreitamente ligadas à tentativa de apoderar-se da direção do Partido, aproveitando a circunstância de que o Partido Comunista ainda não possuía uma organização política consolidada em toda a Coreia e de que a unidade ideológica ainda não havia sido alcançada; isto é, seu objetivo era controlar a transformação do Partido Comunista da Coreia do Sul, degradando-o a um “partido lacaio” legal a serviço dos interesses dos imperialistas estadunidenses e, assim, restabelecer novamente o sistema capitalista em nosso país (Registro, pp. 28–29).
Sobre isso, Pak Hon Yong declarou durante o interrogatório o seguinte:
“Eu, desde logo após a libertação de 15 de Agosto, já tinha como objetivo estabelecer na Coreia um regime pró-EUA chefiado por Ri Sung Man, isto é, um regime de latifundiários e capitalistas. Antes mesmo de Ri Sung Man retornar dos Estados Unidos, conspirava para fabricar uma República Popular tendo-o como presidente e fazia propaganda para que os membros do Partido Comunista sob minha direção apoiassem esse regime.”
A razão pela qual desenvolvi essas atividades para fabricar a República Popular era mostrar, por meio de ações concretas, acima de tudo, que eu apoiava os estadunidenses.” (Registros, vol. 1, pp. 154–155)
As atividades conspiratórias de Pak Hon Yong foram confirmadas de maneira ainda mais evidente pelo depoimento de Ri Kang Guk, que na época havia sido indicado para o cargo de secretário-geral da chamada “República Popular”.
Ele declarou durante o interrogatório:
“Pak Hon Yong, logo após a libertação de 15 de Agosto, para estabelecer na Coreia um regime de latifundiários e capitalistas apoiado pelos Estados Unidos, colocou colaboracionistas pró-japoneses, traidores da nação, traidores da revolução e elementos da burguesia, como eu, em cargos dirigentes do comitê central do partido e de organizações sociais, conquistou sua confiança e desenvolveu atividades para apoderar-se do Partido Comunista e do poder.” (Registros, vol. 1, p. 79)
Posteriormente, em setembro de 1946, o réu Pak Hon Yong recebeu, no Hotel Bando, em Seul, do comandante das forças estadunidenses estacionadas na Coreia do Sul, Hodge, a ordem de infiltrar-se na parte norte da Coreia para realizar atividades de espionagem, estabelecer uma base de atuação dentro do Partido do Trabalho da Coreia do Norte e dos órgãos do poder popular da Coreia do Norte e desenvolver atividades clandestinas destinadas a destruir o Partido do Trabalho da Coreia do Norte por dentro; disfarçou-se de patriota e infiltrou-se clandestinamente no Norte.
Após infiltrar-se clandestinamente na parte norte da República sob as ordens de Hodge, Pak Hon Yong reuniu em torno de si elementos contrarrevolucionários, ocultou seu passado destrutivo e entrou no caminho de construir uma base criminosa infiltrando-os no Partido e nos órgãos do poder.
Com esse objetivo, Pak Hon Yong infiltrou Ri Kang Guk, Jo Il Myong, Ri Won Jo, Pak Sung Won, Rim Hwa e outros elementos de espionagem e sabotagem no Comitê Popular da Coreia do Norte, na Gráfica nº 1 de Haeju e, posteriormente, na Academia Política de Kangdong (Registros, vol. 1, pp. 179–181; vol. 6, pp. 236–238).
Conforme as ordens do comandante das forças estadunidenses Hodge, após infiltrar-se no Norte, para construir a base das atividades conspiratórias destinadas à derrubada do governo, Pak Hon Yong tomou o controle da Gráfica nº 1 de Haeju e da Academia Política de Kangdong e utilizou essas instituições para seus objetivos criminosos, declarando durante o interrogatório o seguinte:
“Tomando sob meu controle a Gráfica nº 1 de Haeju e a Academia Política de Kangdong, pude colocar em prática a ordem que recebi de Hodge, quando me infiltrei no Norte em setembro de 1946, de construir uma base para a reconstrução do governo.” (Registros, vol. 6, pp. 73–77)
Posteriormente, por ocasião da fundação do governo da República e da fusão dos Partidos do Trabalho do Norte e do Sul da Coreia, em setembro de 1948, Pak Hon Yong recebeu do comandante das forças estadunidenses estacionadas na Coreia do Sul, Hodge, a ordem de transferir as atividades de espionagem para Ri Sung Man, apoderar-se de posições dirigentes no Partido e no governo e concentrar forças; assim, colocou seus homens de confiança em cargos importantes do Partido e do governo da República e desenvolveu atividades clandestinas para ampliar sua base de atuação por meio deles.
Com esse objetivo, Pak Hon Yong nomeou e promoveu elementos de espionagem, traidores da nação e desertores para cargos importantes, ocultando seus crimes passados e sua verdadeira identidade.
Antes de tudo, Pak Hon Yong utilizou até os métodos mais perversos, como ameaças, intimidação e suborno econômico, como forma de fortalecer sua base criminosa.
Sobre isso, Pak Hon Yong declarou durante o interrogatório:
“Eu, diretamente ou por meio de Ri Sung Yop, Jo Il Myong e So Tok Un, intimidava e atacava os quadros que procuravam desempenhar suas funções com dedicação, chamando-os de ‘desertores’ e ‘traidores’, fazendo com que perdessem a esperança quanto ao seu futuro e tentando afastá-los de seus cargos; além disso, não apenas fomentava ideias de desconfiança em relação ao governo da República, como também fazia com que, por preocupação com seu próprio futuro, eles não conseguissem escapar de minha influência.”
Ele continuou declarando:
“Por outro lado, mandei So Tok Un, Ri Kang Guk e outros administrar as empresas Tongbang, Yongmin e outras sob o pretexto de angariar fundos para o Partido, e desenvolvi atividades para subornar os que me bajulavam e os elementos sob minha influência, concedendo-lhes grandes quantias de ajuda financeira.” (Registros, vol. 1, pp. 189–193)
Por meio desses métodos astutos, Pak Hon Yong, diretamente ou em conluio com Ri Sung Yop e outros, aproveitando a fusão dos Partidos do Trabalho do Norte e do Sul da Coreia e a fundação do governo da República, continuou atuando para infiltrar elementos de espionagem e sabotagem no Partido, nos órgãos do poder e nas organizações sociais.
Assim, infiltrou Ri Sung Yop, ex-secretário do Comitê Central do Partido, membro do Comitê Político e ex-diretor do Departamento de Inspeção Popular; Jo Il Myong como vice-ministro da Cultura e Propaganda; Kim Jom Kwon como vice-ministro do Ministério da Indústria Leve; Kim Kwang Su como vice-ministro do Comércio; Han Pyong Ok como diretor do Departamento Geral da Retaguarda do Quartel-General Supremo do Exército Popular da Coreia; Ri Kang Guk, como presidente da Companhia de Importação de Produtos Gerais do Ministério do Comércio; e Jang Si U em um cargo do Ministério do Comércio.
Nos órgãos do Partido, infiltrou Pae Chol como chefe do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido; Pak Sung Won e Yun Sun Tal como vice-chefes desse Departamento de Ligação; Ri Won Jo como vice-chefe do Departamento de Propaganda e Agitação do Comitê Central do Partido; Kim Ung Bin como diretor da Academia Kumgang; So Tok Un como vice-chefe do Departamento de Organização do Comitê Central do Partido; e An Yong Tal como responsável pela estratégia da direção do Partido na Coreia do Sul.
Nas organizações sociais, infiltrou Kim Kwang como vice-presidente do Comitê Central da Associação Cultural Coreia-URSS; Kim Nam Chon como secretário-geral da Federação Geral de Literatura e Artes; e Ri Jae U como chefe do Departamento de Organização da Federação Geral dos Sindicatos, fazendo-os desenvolver atividades clandestinas de sabotagem.
Por meio desses elementos sabotadores infiltrados no Partido do Trabalho da Coreia, nos órgãos do poder e nas organizações sociais, Pak Hon Yong procurou afastar as massas populares reunidas em torno do Partido e dos órgãos do poder e prejudicar seu funcionamento normal, difundindo todo tipo de calúnias e fomentando a desconfiança, com o objetivo de facilitar a concretização de sua tentativa de derrubar o governo da República.
As atividades conspiratórias de Pak Hon Yong para derrubar o governo tornaram-se ainda mais abertas durante a Guerra de Libertação da Pátria. Sobre isso, Pak Hon Yong declarou durante o interrogatório o seguinte:
“Para ocultar meus crimes de destruição e extermínio das forças democráticas da parte sul e, tomando o controle da direção do Partido do Trabalho e dos órgãos do poder em toda a região sul, alcançar, com base nisso, meu objetivo de derrubar o governo da República, quando os imperialistas estadunidenses iniciaram sua invasão armada contra o povo coreano, reuni cerca de 200 pessoas sob minha influência em Anju e, depois, quando as áreas do sul foram perdidas devido ao contra-ataque do Exército Popular, nomeei e enviei essas pessoas como responsáveis pelos órgãos do Partido e do poder nas províncias, cidades e condados dessas regiões.” (Registros, vol. 1, p. 243)
Sob a direção de Pak Hon Yong, Ri Sung Yop desenvolveu atividades clandestinas aventureiras nas áreas recém-libertadas da parte sul. Após ser enviado, depois da libertação de 28 de junho, como presidente do Comitê Popular Provisório da Cidade de Seul, Ri Sung Yop nomeou seus mais fiéis homens de confiança, como Kim Jom Kwon para presidente do Comitê Provincial do Partido do Trabalho da Província de Kyonggi, An Yong Tal e, posteriormente, Pak Sung Won para presidente do Comitê Popular da província de Kyonggi, e An Jang e Kim Jung Hwan para vice-presidentes do Comitê Popular da Província de Kyonggi, com o objetivo de consolidar sua base de atuação na província de Kyonggi (Registros, vol. 6, p. 12).
À medida que a guerra se prolongava, Pak Hon Yong orientou ainda mais seus conspiradores para fomentar divisões dentro do Partido, diminuir o prestígio do governo da República e opor-se e difamar deliberadamente as políticas do Partido e do governo. Sobre as atividades clandestinas desenvolvidas no meio literário e artístico, Pak Hon Yong declarou durante o interrogatório o seguinte:
“Em abril de 1951, depois de ouvir em meu escritório o relatório de Rim Hwa sobre a situação das atividades nas organizações culturais, ordenei-lhe que assumisse a direção do meio cultural e artístico. Como resultado, Rim Hwa e outros realizaram atividades clandestinas destinadas a enfraquecer a unidade ideológica do meio cultural e artístico da República, fomentando a desconfiança mútua e as lutas internas.” (Registros, vol. 1, pp. 202–204)
Posteriormente, quando em agosto de 1951 foi criado o Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido do Trabalho, Pak Hon Yong e seus conspiradores, sob o pretexto ostensivo de fortalecer o trabalho em relação à parte sul, reuniram ali seus cúmplices e homens de confiança sob sua direção direta e procuraram transformar o Departamento de Ligação no Estado-Maior das atividades conspiratórias destinadas à derrubada do governo da República.
Sobre isso, Pak Hon Yong declarou durante o interrogatório o seguinte:
“Quando o Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido do Trabalho foi criado em agosto de 1951, coloquei Pae Chol como seu diretor e, como sua orientação ficou a cargo de Ri Sung Yop, que era secretário do Partido, procurei fazer do Departamento de Ligação a base de minhas atividades criminosas. Isso porque, por meio do Departamento de Ligação, eu podia reunir meus homens de confiança que haviam vindo do sul e que se encontravam dispersos, e também concentrar, por intermédio deles, diversas atividades clandestinas. Por isso, instruí Ri Sung Yop a nomear Pak Sung Won e Yun Sun Tal como vice-diretores do Departamento de Ligação e Jong Un Thaek como diretor da Academia Kumgang subordinada ao Departamento de Ligação.”
Ele continuou declarando:
“Dessa forma, tendo o Departamento de Ligação como centro, procurei inculcar nos meus conspiradores ali reunidos ideias de divisão nacional e incentivá-los a se levantar contra o Partido e o governo.” (Registros, vol. 1, pp. 205–206)
Além disso, para criar uma base para suas atividades de derrubada do governo, Pak Hon Yong conspirou, desde janeiro de 1951, para organizar o Comitê Popular da Província de Kyonggi.
Sobre o objetivo dessa organização, Pak Hon Yong declarou durante o interrogatório o seguinte:
“O objetivo de organizar o Comitê Popular da Província de Kyonggi era separar a zona libertada centrada na região de Kaesong, organizar a Província de Kyonggi e reunir ali meus conspiradores criminosos sob o pretexto do trabalho partidário, alegar o caráter especial da zona recém-libertada para estabelecer uma ‘nova ordem’ e controlar essa região como base de minhas atividades criminosas.”
Ele continuou declarando, a respeito do plano de utilizar a província de Kyonggi para seus objetivos criminosos:
“Em dezembro de 1951, Ri Sung Yop veio ao meu escritório no Ministério do Interior e falou sobre a organização do Comitê Popular da Província de Kyonggi. Disse que, se conseguíssemos controlar essa região, como havia ali mais de 100 mil habitantes, poderíamos transformá-la em uma base para ampliar nossas forças e também em um local para formar quadros. Acrescentou que, se utilizássemos bem a região cerealista de Yonbaek e o famoso insam e as instalações industriais de Kaesong, poderíamos alcançar plena autossuficiência econômica, e que, se enviássemos Pak Sung Won como presidente do Comitê Popular da Província de Kyonggi, tudo seria realizado conforme nossos objetivos. Eu aprovei imediatamente essa proposta e instruí Ri Sung Yop a executá-la.” (Registros, vol. 1, p. 210)
Pak Sung Won, que participou diretamente dessa atividade criminosa, declarou o seguinte:
“No fim de janeiro de 1951, Ri Sung Yop chamou Pae Chol, Rim Hwa e a mim ao seu escritório no Comitê Central do Partido. Disse-nos que o Partido e o governo planejavam organizar o Comitê Popular da Província de Kyonggi com centro em Kaesong e explicou que deveríamos aproveitar essa oportunidade para controlar Kyonggi e transformá-la em uma base para reunir e fortalecer nossas forças. Disse que havia discutido isso com Pak Hon Yong e que pretendia nomear-me presidente do novo Comitê Popular da Província de Kyonggi, acumulando esse cargo com o de vice-diretor do Departamento de Ligação do Partido, e ordenou que eu selecionasse funcionários administrativos confiáveis para serem designados para aquela região. Como parte de seu plano para a questão dos quadros, Ri Sung Yop recomendou seu homem de confiança An Ki Sop para vice-presidente do Comitê Popular da Província de Kyonggi, e Rim Hwa solicitou que seu cunhado Ri Kwang Jo fosse nomeado chefe do Departamento de Propaganda. Depois disso, elaborei a estrutura administrativa da Província de Kyonggi conforme as instruções de Ri Sung Yop e enviei Ri Ung Gu a Kaesong para, juntamente com Kim Jom Kwon, então presidente do Comitê Provincial do Partido de Kyonggi, preparar a organização do Comitê Popular da Província de Kyonggi, realizando levantamentos sobre a rede administrativa local, a situação ideológica da população e os preços dos bens essenciais.” (Registros, vol. 5, pp. 138–141)
Dessa maneira, com base nas ordens dos órgãos de espionagem estadunidenses, Pak Hon Yong procurou aproveitar o período da Guerra de Libertação da Pátria, fantasiando que a guerra enfraqueceria o poder da República, para derrubar a República Popular Democrática da Coreia e estabelecer, sob a proteção do imperialismo estadunidense, um regime de latifundiários e capitalistas.
Sobre isso, Pak Hon Yong declarou durante o interrogatório o seguinte:
“O objetivo final de meus crimes era derrubar o governo da República com base nas ordens dos órgãos de espionagem estadunidenses e, durante a guerra, procurei enfraquecer a força da República por meio das atividades traiçoeiras minhas e de meus conspiradores, criando condições para que ela não pudesse vencer a guerra e, assim, derrubá-la.”
Continuou declarando, a respeito da natureza do regime que pretendia estabelecer após derrubar o governo da República:
“Se minhas expectativas se realizassem, eu pretendia seguir um caminho antissoviético e antidemocrático e estabelecer um regime de natureza completamente oposta ao governo da República, tendo os Estados Unidos como base, que seria o resultado final de minhas atividades. Em primeiro lugar, o regime que eu conspirava para criar seria composto principalmente pelos que participaram diretamente de minhas atividades criminosas antinacionais, aliados a traidores da nação com ideias pró-estadunidenses e a latifundiários e capitalistas. Em seguida, quando eu tomasse o poder, inicialmente fingiria defender os trabalhadores para enganar o povo, mas, na realidade, serviria aos interesses da burguesia. Portanto, o poder passaria para as mãos dos latifundiários e capitalistas. Consequentemente, também na política externa, me oporia à União Soviética e a todo o campo democrático mundial e executaria fielmente a política dos círculos dirigentes dos Estados Unidos.” (Registros, vol. 1, pp. 210–211)
As atividades conspiratórias de Pak Hon Yong para derrubar o governo da República contribuíram diretamente para que Pae Chol, Pak Sung Won, Rim Hwa, Jo Il Myong e outros, sob a direção de Ri Sung Yop, um dos principais integrantes de seu grupo contrarrevolucionário, promovessem uma conspiração de golpe armado destinada a derrubar o governo da República.
Assim, em setembro de 1952, sob a direção de Ri Sung Yop, foi realizada na casa de Pak Hon Yong uma reunião para discutir sobre, quando derrubado o governo da República, quais seriam os membros do governo reacionário que seria estabelecido tendo Pak Hon Yong como figura central.
Sobre isso, Ri Sung Yop declarou durante o interrogatório o seguinte:
“No primeiro domingo de folga de setembro de 1952, reuni Pae Chol, Jo Il Myong, Pak Sung Won, Yun Sun Tal, Rim Hwa e outros na casa de Pak Hon Yong, que utilizávamos como local secreto para nossas atividades contrarrevolucionárias, e, para impulsionar ainda mais as atividades conspiratórias de direita dirigidas por Pak Hon Yong, discutimos e decidimos os ‘líderes’ que seriam indicados para o ‘novo governo’ e o ‘novo partido’ que pretendíamos estabelecer após derrubar o atual governo da República. Escolhi a casa de Pak Hon Yong como local da reunião secreta para garantir, conforme as ordens de Hodge, que o segredo de nossa conspiração não fosse revelado e também para elevar ainda mais o prestígio de Pak Hon Yong diante dos conspiradores. Nessa reunião, decidimos indicar Pak Hon Yong como primeiro-ministro do ‘novo governo’, Jang Si U e Ju Nyong Ha, seus fiéis homens de confiança, como vice-primeiros-ministros, Pak Sung Won como ministro do Interior, Ri Kang Guk como ministro das Relações Exteriores, Kim Ung Bin como ministro das Forças Armadas, Jo Il Myong como ministro da Propaganda, Rim Hwa como ministro da Educação, Yun Sun Tal como ministro do Comércio, Pae Chol como ministro do Trabalho, e a mim como secretário-geral do ‘novo partido’.” (Registros, vol. 5, pp. 109–110)
Além disso, sob a direção de Ri Sung Yop, eles discutiram e decidiram que o momento do levante armado para derrubar o governo seria quando a ofensiva das forças estadunidenses se intensificasse na frente de combate e elas avançassem continuamente para a retaguarda do Exército Popular, ocasião em que realizariam a insurreição com os grupos armados que haviam preparado, chegando inclusive a organizar um comando para dirigir o levante armado.
Isso é claramente comprovado pelo depoimento de Pae Chol, que foi julgado juntamente com Ri Sung Yop em agosto de 1953:
“No início de setembro de 1951, atendendo ao chamado de Ri Sung Yop, fui com Pak Sung Won ao seu escritório no Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia, onde já se encontravam Rim Hwa e Jo Il Myong. Assim que chegamos, Ri Sung Yop começou a falar sobre a situação da guerra. Naquele dia, apresentou-nos seu plano para o comando do levante armado e exigiu nossa concordância. O comando que propôs tinha Ri Sung Yop como comandante-geral, Pak Sung Won como chefe do Estado-Maior, eu como responsável pela organização militar, Kim Ung Bin como responsável pela direção do levante e Rim Hwa e Jo Il Myong como responsáveis pelos assuntos políticos e pela propaganda e agitação. Todos nós que estávamos reunidos em seu escritório aprovamos e apoiamos integralmente esse plano, e o comando do levante foi decidido exatamente conforme a proposta de Ri Sung Yop.” (Registros, vol. 5, pp. 143–145)
Dessa forma, Ri Sung Yop e seus conspiradores, que determinaram o momento do levante armado para derrubar o governo da República e organizaram seu comando, posteriormente concentraram seus esforços, tendo como centro o Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia, para formar grupos armados sob o pretexto de treinar guerrilheiros por meio dos órgãos subordinados a esse departamento.
Esse resultado pode ser constatado pelo fato de que, somente na 10ª Unidade de Guerrilha subordinada ao Departamento de Ligação e dirigida por Maeng Jong Ho, até janeiro de 1952 foi organizada uma força armada de cerca de 4.000 homens, e, para mobilizá-la de forma favorável ao levante armado, continuou-se a incutir nesses homens ideias hostis à República, ao mesmo tempo em que se intensificavam os preparativos militares (Registros, vol. 5, pp. 112–113).
Ri Sung Yop, Pae Chol, Pak Sung Won, Jo Il Myong, Rim Hwa e os demais conspiradores, recebendo dessa forma o apoio de Pak Hon Yong, não apenas se empenharam na organização das forças armadas, como também elaboraram planos sobre a forma de mobilizar essas forças para o levante. A respeito disso, Pak Sung Won, chefe do Estado-Maior do levante armado, declarou o seguinte sobre o plano do comando do levante:
“O comando do levante planejava que, quando as forças estadunidenses iniciassem sua ofensiva na frente e avançassem em direção a Pyongyang, as unidades armadas previamente organizadas e posicionadas pelo comando do levante seriam reunidas nos arredores de Pyongyang e, sob o comando geral do 'libertador' Ri Sung Yop, seriam mobilizadas de uma só vez de acordo com o plano de operações do levante armado.” (Registros, vol. 5, pp. 141–142)
Essa absurda conspiração de levante armado do grupo de Ri Sung Yop para derrubar o governo da República foi desmantelada pela descoberta e exposição de suas atividades. No entanto, esse estúpido grupo de espiões antinacionais sonhava que, se seu plano de levante armado fosse executado com êxito e conseguissem estabelecer o chamado “novo governo”, posteriormente uniriam esse governo ao governo títere de Ri Sung Man, inimigo mortal do povo coreano, para criar um regime fantoche do imperialismo estadunidense tendo os dois traidores, Ri Sung Man e Pak Hon Yong, como chefes.
Sobre isso, Jo Il Myong declarou durante o interrogatório o seguinte:
“Nós planejávamos estabelecer um ‘novo governo’ sob a dominação dos estadunidenses, apoiando ativamente Ri Sung Man e unindo-nos ao governo dele. Nessa ocasião, o partido em que detivéssemos a liderança seria um ‘partido de direita’ legal, que executaria uma política de defesa dos interesses dos latifundiários e dos capitalistas e manteria firmemente uma linha de cooperação com o governo dos Estados Unidos, seguindo suas instruções. Isso era natural, porque nós mesmos vínhamos servindo, havia muito tempo, aos órgãos de espionagem estadunidenses.” (Registros, vol. 5, pp. 125–126)
Ao entrar no período mais intenso da Guerra de Libertação da Pátria, Pak Hon Yong, para ampliar sua base de atuação, atraiu para sua conspiração Jang Si U, ex-ministro do Comércio e seu homem de confiança de longa data, incitando-o secretamente a praticar atos criminosos destinados a destruir e enfraquecer o funcionamento normal do Partido do Trabalho e do governo da República, utilizando-o continuamente em propaganda reacionária contra o Partido e o governo (Registros, vol. 1, pp. 217–225).
Sobre as circunstâncias em que atraiu Jang Si U para suas atividades criminosas, Pak Hon Yong declarou o seguinte:
“Eu atraí Jang Si U para minhas atividades criminosas. Soube claramente, após o início da Guerra da Pátria, que Jang Si U estava desenvolvendo graves atividades de sabotagem contra o Partido e o governo. Foi então que compreendi por que ele procurava aproximar-se de mim. Depois da libertação de Seul em 28 de junho, Jang Si U foi enviado pelo Partido como responsável pela inspeção do trabalho partidário na parte sul e, embora durante essa inspeção tivessem sido descobertos numerosos fatos criminosos, ele os ocultou e informou ao Partido que o trabalho do Partido do Trabalho da Coreia do Sul havia sido bem realizado. Depois disso, utilizando sua posição, Jang Si U recolheu informações sobre quadros do Partido e do governo e as comunicou a mim. Sempre que eu examinava esses materiais, incentivava-o ainda mais a realizar atividades clandestinas destinadas a destruir a unidade ideológica dentro do Partido e do governo.” (Registros, vol. 1, pp. 208–210)
Por outro lado, ocupando o cargo de ministro das Relações Exteriores da República Popular Democrática da Coreia, Pak Hon Yong desenvolveu atividades criminosas destinadas a romper as relações amistosas com a União Soviética, a República Popular da China e os demais países irmãos da democracia popular no campo da política externa.
Para alcançar esse objetivo, reuniu inicialmente numerosos homens de confiança no Ministério das Relações Exteriores e envolveu abertamente seus conspiradores ligados a ele em atividades clandestinas antissoviéticas e antichinesas.
Até o último período de suas atividades criminosas, Pak Hon Yong chegou ao ponto de se apresentar descaradamente como um “internacionalista sincero” e, embora ostensivamente fingisse apoiar ardorosamente a União Soviética, na realidade desenvolveu propaganda caluniosa contra a União Soviética por meio de seu homem de confiança Ju Nyong Ha, ex-embaixador na União Soviética, difamando as políticas do Partido e do governo e a própria União Soviética. Além disso, envolveu em suas atividades criminosas Kwon O Jik, ex-embaixador na China, e Song Jong Chol, ex-conselheiro da embaixada, fazendo-os difamar, por meio de intrigas, os quadros da República Popular da China, afirmando que não havia nada a aprender com a China e que manter relações diplomáticas sinceras com os chineses levaria ao fracasso, procurando assim destruir as relações de amizade com a República Popular da China por meio de preconceitos caluniosos (Registros, vol. 5, p. 110).
Os fatos acima demonstram que as atividades criminosas de Pak Hon Yong tinham como objetivo final realizar espionagem em favor dos imperialistas estadunidenses, destruir e enfraquecer as forças democráticas da parte sul, derrubar a República Popular Democrática da Coreia e estabelecer na Coreia um governo fantoche submetido ao domínio do imperialismo estadunidense, e que esses atos criminosos constituíam uma parte da agressão dos imperialistas estadunidenses contra a Coreia, fato que foi esclarecido durante a instrução deste caso.
Além disso, Pak Hon Yong não apenas desviou recursos financeiros do Partido destinados ao trabalho do partido clandestino na Coreia do Sul e os desperdiçou em uma vida de luxo, como também, em seu período final, ocultava ilegalmente 870 mil wons em cédulas da República e 1 quilo e 600 gramas de ouro puro (Registros, vol. 1, p. 83).
Com base no exposto acima,
Nome: Pak Hon Yong
Idade: nascido em 28 de maio de 1900 (56 anos na época)
Naturalidade: vila de Sinyang, distrito de Sinyang-myon, condado de Yesan, província de Chungchong Sul
Endereço: Hwasong-ri, condado de Taedong, província de Pyongan Sul
Origem social: pequena burguesia
Condição social: funcionário
Escolaridade: graduação universitária
Cargo: ex-vice-presidente do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia e ex-vice-primeiro-ministro do Conselho de Ministros, acumulando o cargo de ministro das Relações Exteriores
Antecedentes criminais: nenhum.
Pak Hon Yong, como chefe dos espiões a soldo dos imperialistas estadunidenses, instalou uma rede de espionagem na metade norte da República e, recolhendo informações políticas, militares e econômicas pertencentes aos mais importantes segredos do Partido e do governo, forneceu-as sistematicamente aos órgãos de inteligência dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que dirigiu em sua totalidade as atividades dos grupos de espionagem antinacionais enviados por esses órgãos de inteligência estadunidenses; além disso, em conluio com os imperialistas estadunidenses e sob suas instruções, realizou atividades traiçoeiras destinadas a destruir levantes na metade sul da República e a destruir e enfraquecer as forças democráticas revolucionárias do povo da metade sul.
Além disso, com o objetivo de estabelecer na Coreia um regime de latifundiários e capitalistas submetido ao domínio dos imperialistas estadunidenses, organizou e dirigiu uma camarilha contrarrevolucionária, tentando derrubar a República Popular Democrática da Coreia, e, ademais, prosseguiu continuamente com atividades conspiratórias destinadas a afastar as massas populares do Partido e do governo.
Esses crimes enquadram-se no artigo 78, no artigo 68, no parágrafo 1 do artigo 65 e no parágrafo 2 do artigo 76 do Código Penal da República Popular Democrática da Coreia. Este caso, nos termos do artigo 25 do Código de Processo Penal, é da competência do Supremo Tribunal da República Popular Democrática da Coreia.
3 de março de 1955
Procuradoria Suprema da República Popular Democrática da Coreia
Procurador-Geral Ri Song Un
I. Audiência pública
Declaração de abertura
15 de dezembro de 1955, às 10 horas
A sessão especial do Supremo Tribunal da República Popular Democrática da Coreia, composta pelo juiz Choe Yong Gon como presidente do tribunal e pelos membros Kim Ik Son, Rim Hae, Pang Hak Se e Jo Song Mo, realizou-se em audiência pública legal, com a presença do secretário Pak Kyong Ho e com a participação do Procurador-Geral da Procuradoria Suprema, Ri Song Un.
O presidente do tribunal, após confirmar a presença das partes envolvidas no processo, ordenou ao oficial de justiça que conduzisse o acusado à sala, e o oficial de justiça introduziu o acusado Pak Hon Yong.
O presidente do tribunal declarou o início da audiência do caso em que o acusado Pak Hon Yong foi indiciado com base no artigo 78, no artigo 68, no parágrafo 2 do artigo 76 e no parágrafo 1 do artigo 65 do Código Penal, e, ao confirmar sua identidade, o acusado respondeu da seguinte forma.
Nome: Pak Hon Yong
Data de nascimento: 28 de maio de 1900
Naturalidade: vila de Sinyang, distrito de Sinyang-myon, condado de Yesan, província de Chungchong Sul
Endereço: Hwasong-ri, condado de Taedong, província de Pyongan Sul.
Profissão: ex-vice-presidente do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia, ex-vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Conselho de Ministros da República Popular Democrática da Coreia.
O presidente do tribunal perguntou ao acusado se havia recebido uma cópia da acusação, ao que o acusado respondeu que a havia recebido em 11 de dezembro de 1955.
O presidente do tribunal informou ao acusado os direitos processuais de que dispunha e, em seguida, comunicou ao Procurador-Geral e ao acusado a composição do tribunal e o oficial de justiça, perguntando se havia algum pedido de impedimento; ambos responderam que não tinham nenhum pedido de impedimento a apresentar.
O presidente do tribunal perguntou novamente ao acusado se tinha alguma objeção à participação do Procurador-Geral no julgamento, ao que o acusado respondeu que não tinha objeção.
O presidente do tribunal declarou que, em 11 de dezembro de 1955, o acusado Pak Hon Yong havia apresentado um documento afirmando que seus crimes não deixavam margem para defesa e que, por isso, não desejava a participação de um advogado na audiência; ao pedir a opinião do Procurador-Geral sobre esse requerimento, o Procurador-Geral, após confirmar o documento manuscrito do acusado apresentado pelo presidente do tribunal, declarou que não se opunha ao acolhimento da vontade do acusado.
O tribunal decidiu imediatamente prosseguir com a audiência sem a participação de um advogado de defesa.
O presidente do tribunal perguntou se as testemunhas convocadas pelo tribunal estavam presentes, ao que o oficial de justiça respondeu que as testemunhas Han Chol, Ha Pil Won, Kim Hae Gyun, Kim So Mok, Pyon Ho Sop, Kwon O Jik, Ri Sun Gum, Ri Kang Guk e Jo Il Myong estavam todas presentes.
"Não exijo a participação de um advogado no julgamento do meu caso. Considero que não é necessário questionar qualquer questão relativa à minha defesa, pois eu mesmo falarei pessoalmente sobre isso; por essa razão, não desejo a participação de um advogado.
11 de dezembro de 1955
Acusado: Pak Hon Yong
Assinatura"
O presidente do tribunal confirmou se as testemunhas estavam presentes, e cada uma delas declarou o seguinte:
Testemunha Han Chol, nascido em 28 de fevereiro de 1910, funcionário.
Testemunha Ha Pil Won, nascido em 8 de setembro de 1910, funcionário.
Testemunha Kim Hae Gyun, nascido em 20 de setembro de 1910, militar.
Testemunha Kim So Mok, nascido em 8 de outubro de 1920, funcionário.
Testemunha Pyon Hyo Sop, nascido em 6 de agosto de 1917, funcionário.
Testemunha Kwon O Jik, nascido em 7 de março de 1906, operário.
Testemunha Ri Sun Gum, nascida em 3 de junho de 1912, funcionária.
Testemunha Ri Kang Guk, nascido em 7 de fevereiro de 1906, pessoa condenada.
Testemunha Jo Il Myong, nascido em 1º de dezembro de 1903, pessoa condenada.
O presidente do tribunal explicou às testemunhas seus deveres processuais e advertiu que, caso prestassem falso testemunho, incorreriam em responsabilidade criminal nos termos dos artigos 241 e 242 do Código Penal; em seguida, fez com que apresentassem o termo de compromisso em anexo e retirou as testemunhas da sala de audiência.
O presidente do tribunal perguntou ao Procurador-Geral e ao acusado se tinham algum requerimento para convocar novas testemunhas ou recolher outras provas além das pessoas já convocadas para a audiência, ao que ambos responderam que não tinham nenhum requerimento a apresentar.
Por ordem do presidente do tribunal, o oficial de justiça leu a acusação.
Questionado pelo presidente do tribunal se reconhecia os fatos criminosos descritos na acusação, o acusado respondeu:
“É difícil assumir responsabilidade pela parte referente à organização do ‘Novo Governo’ e do ‘Novo Partido’ e à conspiração de uma insurreição armada, porque não participei diretamente desses atos nem organizei tais crimes.
Quanto aos demais fatos da acusação, reconheço todos.”
O presidente do tribunal declarou o recesso às 13 horas e 25 minutos do mesmo dia.
* * *
Às 13 horas e 50 minutos do mesmo dia, a audiência foi retomada.
O presidente do tribunal perguntou ao Procurador-Geral se tinha alguma opinião quanto à ordem da instrução processual, ao que o Procurador-Geral propôs que primeiro se interrogasse o acusado e, em seguida, fossem ouvidas, por decisão do tribunal, as testemunhas consideradas necessárias para o esclarecimento da verdade dos fatos.
O acusado declarou que não tinha objeção à proposta do Procurador-Geral.
O tribunal decidiu imediatamente que primeiro interrogaria o acusado e depois definiria a ordem de interrogatório das testemunhas que considerasse necessárias.
Interrogatório de Pak Hon Yong
O presidente do tribunal ordenou ao acusado que relatasse sua trajetória e os fatos criminosos, ao que o acusado fez a seguinte declaração.
Eu nasci em 1900, em uma família de camponeses pobres no condado de Yesan, província de Chungchong Sul. Aos 15 anos concluí a escola primária e, aos 20, formei-me na Escola Secundária nº 1 de Seul. Em 1920 fui para Xangai, na China, onde passei a participar do movimento socialista. Em março de 1922, quando retornava ao país na condição de organizador da Juventude Comunista, fui preso pela polícia imperial japonesa e cumpri dois anos de prisão. Em novembro de 1925 fui preso novamente no chamado caso da Juventude Comunista, sendo posteriormente libertado sob fiança por motivo de doença. Em 1932 fui novamente preso pela polícia imperial japonesa e permaneci encarcerado até setembro de 1939. De 1942 até a libertação de 15 de agosto, permaneci refugiado em Kwangju, na província de Jolla Sul.
Após a libertação, alardeei que fazia o movimento comunista, apresentei-me como dirigente do Partido Comunista na Coreia do Sul e pratiquei uma série de atos criminosos como os descritos na acusação. Depois de vir para a Coreia do Norte, continuei cometendo crimes, chegando a ocupar o cargo de vice-primeiro-ministro.
Falando brevemente sobre os fatos criminosos, eu nunca estudei profundamente o marxismo-leninismo, mas me apresentei como comunista; na realidade, estava dominado por uma ideologia pequeno-burguesa que venerava os Estados Unidos.
Por essa razão, quando fui preso pela polícia imperial japonesa no caso da Juventude Comunista em 1925, denunciei facilmente meus companheiros às autoridades japonesas, fazendo com que fossem presos. Depois de ser preso novamente em 1932 e cumprir pena de prisão, ao ser libertado em setembro de 1939, jurei diante das autoridades japonesas que jamais voltaria a participar de um movimento contra o Japão e realizei uma “conversão ideológica”.
Por volta de outubro de 1939, estabeleci ligação com Underwood, agente da inteligência estadunidense, e passei a servi-lo como espião a serviço dos Estados Unidos.
Depois disso, em setembro de 1945, quando as tropas estadunidenses desembarcaram na Coreia do Sul, passei novamente a atuar como agente dos Estados Unidos diante do comandante Hodge, tendo sido formalmente transferido por Underwood para Hodge. A partir desse momento, iniciei atividades criminosas em grande escala, fornecendo repetidamente importantes segredos do Partido e conduzindo todas as minhas atividades em benefício das forças estadunidenses, conforme as instruções de Hodge.
Além disso, em março de 1946, quando Ri Sung Yop e Jo Il Myong foram libertados depois que se informou a Hodge sobre o terror exercido pela polícia de Ri Sung Man, tomei conhecimento, por meio de Hodge, de que ambos haviam se tornado agentes dos Estados Unidos. Recebi então instruções de Hodge para colocá-los em cargos importantes e garantir suas atividades de espionagem, e assim procedi.
Também, em setembro de 1946, recebi de Hodge instruções para infiltrar-me na Coreia do Norte e continuar as atividades criminosas. Após discutir com Hodge, juntamente com Jo Il Myong e Ri Kang Guk, divulguei uma declaração contrária ao empréstimo estadunidense de cinco milhões de dólares concedido à Coreia do Sul e, conforme o combinado com Hodge, fiz parecer que estava fugindo para escapar da “ordem de prisão” da Administração Militar dos Estados Unidos. No início de outubro, infiltrei-me na Coreia do Norte tendo So Tok Un como guia. Ri Kang Guk também se infiltrou em Pyongyang dois dias antes de mim, em virtude da “ordem de prisão” da Administração Militar dos Estados Unidos. Hodge havia me instruído de que Ri Kang Guk também era agente dos Estados Unidos e que, ao chegar à Coreia do Norte, eu deveria colocá-lo em um cargo importante para garantir suas atividades de espionagem.
Depois de chegar a Pyongyang, comecei imediatamente a utilizar a escola do Partido e a Gráfica nº 1 de Haeju para executar as tarefas recebidas de Hodge: fomentar a oposição entre o Norte e o Sul, a desconfiança e a divisão, além de infiltrar minha influência no Partido da Coreia do Norte e expandi-la gradualmente por meio de atividades criminosas.
Posteriormente, conforme as instruções dos estadunidenses, comecei a trazer meus subordinados de confiança para a Coreia do Norte e a colocá-los em cargos importantes do Partido e dos órgãos do poder estatal. Depois de nomeá-los, incutia neles propaganda antipartido e antinacional.
Cerca de um mês após minha chegada a Pyongyang, no início de novembro, enviei So Tok Un a Seul para informar a Hodge que eu havia chegado em segurança.
Em fevereiro de 1947, enviei a Ri Sung Yop, em Seul, uma carta secreta, juntamente com materiais de espionagem recolhidos em Pyongyang, propondo que mantivéssemos contato e desenvolvêssemos atividades de espionagem. Recebi de Ri Sung Yop uma resposta concordando com essa proposta. A partir desse momento, enviei duas vezes materiais de espionagem a Ri Sung Yop, em Seul, e, na primavera de 1947, revelei importantes segredos internos do Partido a Ri Kang Guk para que ele os transmitisse aos órgãos de inteligência dos Estados Unidos.
Além disso, por ordem de Hodge, em 1949 garanti a entrada na RPDC dos agentes estadunidenses Alice Hyon e Ri Sa Min, e, juntamente com Ri Sung Yop, procurei organizar um Comitê Popular da Província de Kyonggi na região de Kaesong, abrangendo toda a zona libertada, com o objetivo de transformá-la em uma base para atividades conspiratórias.
Depois da libertação de Seul, em 28 de junho, espalhou-se o rumor de que Kim Sam Ryong havia sido preso pela polícia de Ri Sung Man e assassinado em consequência da denúncia de An Yong Tal. Como temi que nossa verdadeira identidade pudesse ser descoberta caso An Yong Tal fosse deixado em liberdade, ordenei a Ri Sung Yop que o assassinasse.
Além disso, para destruir e enfraquecer o Partido e as forças democráticas da Coreia do Sul, continuei desde o período imediatamente posterior à libertação realizando intrigas políticas, trabalho de manipulação entre o povo, atos de terror e propaganda antinacional. Tais atos foram tantos que não é possível enumerá-los um por um. Além disso, forcei as insurreições populares e os movimentos grevistas a serem conduzidos para levantes armados, fazendo com que inúmeras pessoas fossem sacrificadas diante das armas das tropas estadunidenses e de Ri Sung Man.
Além disso, sob o pretexto de obter recursos para as atividades do Partido do Trabalho da Coreia do Sul, administrei uma empresa comercial e retirei os fundos obtidos por meio dela para entregá-los aos meus subordinados de confiança, aproximando-os de mim e utilizando-os em atividades criminosas.
Também, pouco antes da fundação da República, em 1948, coloquei Ri Sung Yop em posição de comando e, por ordem de Hodge, confiei a ele as atividades diretas de espionagem.
Quanto à minha relação com Jang Si U, aproveitei suas diversas queixas e descontentamentos em relação ao Partido e ao governo para tentar provocar desconfiança e conflitos entre os dirigentes, atraindo-o para a minha influência. Durante a guerra, propaguei discretamente o derrotismo e, nos bastidores, intensifiquei os crimes antipartidistas e antinacionais cometidos pelos elementos que estavam sob minha influência.
Também aproveitei minha posição como ministro das Relações Exteriores para propagar ideias antissoviéticas e antichinesas. Por exemplo, induzi Ju Nyong Ha, embaixador na União Soviética que havia caído sob minha influência, a difundir propaganda antissoviética; e, quando Kwon O Jik foi nomeado embaixador na China, afirmei que não havia nada a aprender com a China e fiz propaganda difamando os dirigentes chineses.
Por fim, quero dizer que não participei diretamente nem tinha conhecimento da conspiração para organizar o “Novo Governo” nem da conspiração para uma insurreição armada, planejadas por meus cúmplices, como Ri Sung Yop e outros. No entanto, considero que tenho responsabilidade por se tratar de pessoas que realizavam atividades criminosas sob minha direção.
Depois que o acusado terminou sua declaração espontânea, o presidente do tribunal concedeu ao Procurador-Geral o direito de interrogá-lo.
O Procurador-Geral interrogou o acusado Pak Hon Yong da seguinte forma.
Pergunta: Fale sobre o caso em que os principais dirigentes do Partido Comunista da Coreia e da Liga da Juventude Comunista foram presos pela polícia imperial japonesa em 1925.
Resposta: Na época, fui preso pela polícia japonesa da Delegacia de Polícia de Jongno, em Seul. Quando fui interrogado sobre o Partido Comunista da Coreia e a Juventude Comunista, covardemente revelei à polícia japonesa a organização e os dirigentes do Partido e da Juventude Comunista que eu conhecia na condição de secretário da Juventude Comunista, o que levou à prisão de catorze importantes dirigentes em diversas localidades.
Pergunta: Como o acusado passou a venerar os Estados Unidos?
Resposta: Em março de 1919, depois de concluir o ensino secundário em Seul, trabalhei como editor da revista ""Nyoja Siron", dirigida por Cha Mirisa, que era cristã e pró-estadunidense. Durante esse período, ao entrar em contato com pessoas pró-estadunidenses que frequentavam o círculo de Cha Mirisa e ao conhecer pessoalmente o estadunidense Underwood, que então era professor da Escola Profissional Yonhui (e mais tarde seu diretor), passei a acreditar que, sem depender dos Estados Unidos, não seria possível resolver não apenas a questão coreana, mas também os problemas mundiais; foi assim que desenvolvi um pensamento de veneração pelos Estados Unidos.
Pergunta: O “movimento” realizado pelo acusado no passado pode ser considerado um verdadeiro movimento revolucionário comunista?
Resposta: Considerando que, desde 1919, as pessoas com quem tive contato eram ou pró-estadunidenses ou sectários dominados pelo confucionismo e pelo espírito de heroísmo, e que eu mesmo agia não em benefício da revolução, mas por ambição pessoal, creio que meu passado não pode ser considerado um movimento revolucionário comunista.
Pergunta: Então a influência da veneração pelos Estados Unidos foi maior para o acusado do que o comunismo?
Resposta: Sim. Eu era dominado por um pensamento de veneração pelos Estados Unidos.
Pergunta: O acusado continuou suas atividades criminosas como agente dos Estados Unidos desde 1939 até ser preso?
Resposta: Sim. Continuei. Continuei desde Seul e mesmo depois de me infiltrar em Pyongyang.
Pergunta: Quando e que tipo de informações o acusado forneceu às organizações de espionagem dos EUA?
Resposta: Em três ocasiões — fevereiro, março e maio de 1946 — forneci listas das organizações e dos quadros do Partido Comunista da Coreia, desde o Comitê Central até as organizações locais, além de diretrizes para as atividades do partido e materiais relacionados ao crescimento do partido. Também foram fornecidos a Hodge todos os principais materiais relativos às organizações sociais, incluindo a Frente Unida Democrática Nacional.
Além disso, após chegar ao Norte no início de outubro de 1946, enviei a Hodge, em três ocasiões — novembro daquele ano e abril e junho de 1947 — materiais sobre a economia norte-coreana, a posição da parte soviética em relação à Comissão Conjunta, os preparativos para as eleições dos deputados da Assembleia Popular Suprema, as decisões adotadas pelo Partido do Trabalho da Coreia do Norte e segredos internos do partido. Em fevereiro e dezembro de 1947, revelei importantes segredos do partido e do Estado a Ri Kang Guk para que fossem transmitidos aos estadunidenses.
Pergunta: Que meios utilizou para se infiltrar na Coreia do Norte?
Resposta: “É melhor disfarçar-se de patriota e infiltrar-se naturalmente.” Essa era a opinião de Hodge.
Depois de discutir com Hodge os meios e os métodos de infiltração, chegamos ao acordo de que, se eu redigisse e publicasse uma declaração contra o governo militar estadunidense, Hodge emitiria panfletos de “procura” contra os dirigentes do partido, da Frente Democrática e das organizações sociais, e que, se eu entrasse na Coreia do Norte usando essa “ordem de captura” como pretexto, ninguém suspeitaria de mim.
Conforme o acordo com Hodge, ordenei a Jo Il Myong que redigisse uma declaração contra o empréstimo econômico estadunidense de 500 mil dólares, entreguei-a a Ri Kang Guk e fiz com que fosse publicada em nome da Frente Democrática Nacional. Hodge, conforme prometido, emitiu a “ordem de captura”. Usando essa ordem como pretexto e com três agentes especiais como guias, infiltrei-me na Coreia do Norte através da província de Kangwon, enquanto Ri Kang Guk entrou em segurança em Pyongyang via Kaesong.
Pergunta: Quando o acusado participou do movimento pela libertação de Ri Sung Yop e Jo Il Myong, sabia que eles eram espiões estadunidenses?
Resposta: Só soube quando Hodge disse que eles também haviam concordado em servir como agentes da organização de inteligência estadunidense e que sua identidade deveria ser garantida.
Pergunta: O grupo “Grupo Khom” de Seul foi organizado pelo acusado?
Resposta: Não. Era um grupo que Ri Jae U já havia organizado.
Pergunta: Como entrou em contato com o “Grupo Khom"
Resposta: Entrei em contato com o “Grupo Khom" por meio de Kim Sam Ryong, Ri Kwan Sul, Ri Hyon Sang e outros, e assim me aproximei deles.
Pergunta: Após a libertação, o acusado alguma vez esteve em contato com o exército dos EUA?
Resposta: Sim. Encontrei pessoas que supostamente eram membros do Partido Comunista dentro do exército estadunidense e que disseram que, se lhes fornecesse materiais sobre o movimento comunista e socialista na Coreia, os publicariam em veículos da esquerda de seu país. Agradeci e lhes forneci esses materiais.
Pergunta: Então pensava que eram realmente membros do Partido Comunista ou que eram espiões?
Resposta: Pensei que eram espiões.
Pergunta: Quem propôs organizar o Comitê Popular da Província de Kyonggi e qual era o objetivo de organizá-lo?
Resposta: Depois que Ri Sung Yop entrou na Coreia do Norte, no fim de julho de 1948, passei a confiar a ele, por ordem de Hodge, as atividades de espionagem de coleta e transmissão de informações secretas e o trabalho do partido na Coreia do Sul.
Por isso, as “opiniões provocadoras” sobre o trabalho do partido na Coreia do Sul passaram a partir principalmente dele. A questão da organização do Comitê Popular da Província de Kyonggi também foi levantada por Ri Sung Yop; discutimos juntos e eu concordei.
O objetivo de organizar o Comitê Popular da Província de Kyonggi era criar uma base para as atividades terroristas que estávamos realizando.
Pergunta: Quando Ri Sung Yop era presidente do Comitê Popular Provisório da Cidade de Seul, instalou uma sala secreta de interrogatório no porão do edifício do comitê e prendeu e deteve muitas pessoas, chegando até a massacrá-las ilegalmente. Quem eram essas pessoas?
Resposta: As pessoas que foram massacradas eram aquelas que, em nossa avaliação, haviam percebido nossas ações criminosas e poderiam denunciá-las.
Pergunta: As pessoas que foram massacradas eram patriotas?
Resposta: Eu as considerava reacionárias.
Pergunta: Como o acusado considera seus próprios crimes?
Resposta: Considero-os extremamente graves.
Pergunta: Entre os fatos examinados até agora, há algum ponto que contradiga o que está registrado na acusação?
Resposta: Não.
O procurador-geral declarou ao presidente do tribunal que não tinha mais perguntas a fazer.
O presidente do tribunal autorizou o membro do tribunal Jo Song Mo a proceder ao interrogatório, e o membro do tribunal Jo Song Mo interrogou o acusado Pak Hon Yong.
Pergunta: Após entrar na Coreia do Norte em outubro de 1946, como manteve contato com Hodge?
Resposta: Enviei a So Thae Guk, que havia trazido como guia quando entrei na Coreia do Norte, de volta a Seul para estabelecer contato com Hodge.
Pergunta: Fale sobre o conteúdo do contato que trocou com Ri Sung Yop em fevereiro de 1947.
Resposta: Em resumo, eu disse que eu também era espião e ele também era espião, e que devíamos cooperar. Enviei materiais econômicos e pedi que, junto com os materiais de espionagem que ele possuía na época, os transmitisse a Hodge. Recebi de Ri Sung Yop a resposta de que os materiais econômicos enviados desta vez seriam de grande ajuda para nosso trabalho e que, no futuro, continuasse reunindo e enviando esse tipo de material.
Pergunta: Que materiais de espionagem o acusado forneceu a Hodge por meio de So Thae Guk em junho de 1948?
Resposta: Seguindo as instruções que Hodge me dera quando nossa comunicação estava funcionando bem, informei que, naquele momento, minha influência havia se expandido, que eu havia colocado meus subordinados fiéis em posições do partido e dos órgãos do poder, que havia fomentado a mentalidade de confronto entre o Norte e o Sul, e transmiti a situação dos preparativos para a eleição dos deputados da Assembleia Popular Suprema.
Pergunta: Em maio de 1950, a entrada na Coreia do Norte de quais criminosos o acusado garantiu?
Resposta: Garanti secretamente a infiltração na Coreia do Norte dos agentes da organização de inteligência estadunidense Paek Hyong Bok, Jo Yong Bok e An Yong Tal, disfarçados de pessoas que desertavam para o Norte.
Pergunta: Fale sobre o que discutiu com Ri Sung Yop em relação à entrada dessas pessoas na Coreia do Norte.
Resposta: Discutimos suas atividades futuras e instruí Ri Sung Yop a fazer com que Paek Hyong Bok se infiltrasse nos órgãos do Ministério do Interior para realizar atividades de espionagem.
Pergunta: Por que An Yong Tal foi assassinado?
Resposta: Porque, se a notícia de que Kim Sam Ryong havia sido preso e assassinado pela polícia de Ri Sung Man devido à denúncia de An Yong Tal se espalhasse, An Yong Tal seria investigado pelo partido ou pelos órgãos do Ministério do Interior e, em consequência disso, surgiria o risco de que nossos crimes de espionagem fossem descobertos. Por isso, ordenei a Ri Sung Yop que o matasse.
Pergunta: Que medidas foram tomadas diante da organização da “Liga de Orientação” pelos inimigos para destruir o Partido da Coreia do Sul?
Resposta: Quando essa questão foi apresentada e discutida no Comitê Político do Comitê Central do partido, eu enganei os demais dizendo que o Partido da Coreia do Sul tinha uma organização sólida e que jamais seria destruído pela “operação de captura dos chefes” da “Liga de Orientação”.
Pergunta: Em abril de 1951, o que o acusado disse a Rim Hwa quando o chamou ao seu escritório?
Resposta: Disse que ele havia sido transferido para o cargo de vice-presidente do Comitê Central da Associação Cultural Coreia-URSS e que talvez estivesse descontente por não ter sido promovido a um cargo mais elevado, mas que não deveria se desesperar e que, dali em diante, continuasse realizando o trabalho de promover a cooperação com elementos descontentes dentro das organizações culturais.
O membro do tribunal Jo Song Mo declarou ao presidente do tribunal que o interrogatório havia terminado.
O presidente do tribunal pediu aos demais membros do tribunal que interrogassem o acusado, e o membro do tribunal Pang Hak Se interrogou o acusado.
Pergunta: Estando o acusado no cargo de secretário do Partido Comunista desde agosto de 1945, qual foi o motivo de ter prometido a Hodge que atuaria como agente estadunidense?
Resposta: Como já disse anteriormente, durante o período da ocupação japonesa eu dizia que participava do movimento revolucionário comunista, mas, no íntimo, era dominado por uma mentalidade de admiração pelos Estados Unidos.
Por essa razão, em 1925 denunciei o Partido Comunista e meus companheiros à polícia japonesa, e em 1939 traí e reneguei completamente a causa, jurando diante deles que nunca mais participaria do movimento comunista.
O fato de eu ter continuado a agir como se estivesse prosseguindo no movimento comunista depois disso foi porque, já em 1939, depois de estabelecer contato com Underwood e tornar-me agente estadunidense, atuei sob suas instruções com o objetivo de construir uma base sólida dentro do movimento operário coreano e, apoiando-me nos Estados Unidos, realizar minhas ambições políticas. Portanto, o fato de eu ter me tornado secretário do Partido Comunista na Coreia do Sul após a libertação e passado a atuar como agente estadunidense foi apenas a continuação do caminho que havia escolhido desde 1939.
Pergunta: Embora o acusado já tivesse ligação com Hodge, por que Ri Sung Yop, Jo Il Myong e outros que estavam sob sua influência foram presos em fevereiro de 1946?
Resposta: Eles foram presos por policiais subordinados sem conhecimento de Hodge; por isso falei com Hodge e consegui que fossem libertados.
Pergunta: O acusado tem responsabilidade pelos atos de massacre cometidos pelas organizações assassinas “Comitê de Investigação de Terras” e “Departamento de Assuntos Especiais do Quartel-General das Forças Voluntárias”, organizadas por Ri Sung Yop e outros após a libertação de Seul em 28 de junho de 1950?
Resposta: Como eu era espião e Ri Sung Yop também era espião, eu sabia que eles faziam essas coisas para que nossos crimes não fossem descobertos, e mesmo assim deixei que continuassem.
Na época eu estava em Pyongyang, por isso não pude dar orientação direta, mas, como os atos foram praticados por Ri Sung Yop, que estava sob minha direção, também tenho responsabilidade por eles.
Pergunta: O acusado convocou Ri Sung Yop para a Coreia do Norte para realizarem juntos atividades de espionagem?
Resposta: Sim.
A meu pedido, Hodge enviou Ri Sung Yop para Pyongyang e lhe deu instruções de que, em relação ao estabelecimento do governo da República, no futuro eu não deveria realizar diretamente atividades de espionagem, mas confiá-las a Ri Sung Yop, enquanto eu deveria infiltrar-me em cargos importantes do partido e do governo para proteger e garantir as atividades criminosas dos espiões estadunidenses, incluindo Ri Sung Yop.
O membro do tribunal Pang Hak Se informou ao presidente do tribunal que havia concluído seu interrogatório.
O membro do tribunal Rim Hae interrogou o acusado Pak Hon Yong.
Pergunta: Desde quando o acusado se tornou um agente do imperialismo estadunidense?
Resposta: Fui agente dos EUA desde 1939 até ser preso.
Pergunta: O que fazia antes de 1939?
Resposta: Eu participava do chamado movimento comunista, mas, quando fui preso pela polícia japonesa, denunciei muitos membros do Partido Comunista e dirigentes da Liga da Juventude Comunista à polícia japonesa, fazendo com que fossem presos. Também jurei diante deles que nunca mais participaria do movimento comunista e traí completamente a causa.
Depois da traição, logo estabeleci relações com organizações da inteligência estadunidense.
Pergunta: O acusado considera que, antes e depois de sua infiltração na parte norte da República, trabalhou para quem?
Resposta: No fim das contas, só posso dizer que tudo o que fiz foi contra o povo coreano e em favor dos imperialistas estadunidenses.
O membro do tribunal Rim Hae informou ao presidente do tribunal que havia concluído seu interrogatório.
O membro do tribunal Kim Ik Son interrogou o acusado Pak Hon Yong.
Pergunta: Que responsabilidade o acusado tem pelo massacre de patriotas cometido por Ri Sung Yop quando era presidente do Comitê Popular Provisório da Cidade de Seul?
Resposta: Como eu era cúmplice dos espiões estadunidenses, em conluio com os estadunidenses, promovi essas pessoas, garanti e protegi todas as suas atividades criminosas. Por isso, tenho responsabilidade direta pelos crimes que cometeram.
Pergunta: Então, por que, quando respondeu anteriormente, não deixou isso claro e hesitou?
Resposta: Agi mal. Fiz isso porque tentei evitar minha responsabilidade.
O membro do tribunal Kim Ik Son informou ao presidente do tribunal que havia concluído seu interrogatório.
O membro do tribunal Jo Song Mo, com a autorização do presidente do tribunal, interrogou o acusado Pak Hon Yong.
Pergunta: Qual era o objetivo final de todos os crimes cometidos pelo acusado?
Resposta: Era derrubar o governo da República com o apoio das forças estadunidenses, estabelecer na Coreia um governo fantoche unificado pró-EUA e fazer de mim o dirigente desse governo.
O membro do tribunal Jo Song Mo informou ao presidente do tribunal que havia concluído seu interrogatório.
O presidente do tribunal interrogou o acusado Pak Hon Yong.
Pergunta: O acusado admite que todos os atos pelos quais foi acusado realmente ocorreram e que constituem crimes de traição completos e absolutos?
Resposta: Sim, admito.
O presidente do tribunal perguntou ao procurador-geral e aos membros do tribunal se tinham mais perguntas a fazer, e cada um respondeu que não tinha mais perguntas.
O presidente do tribunal declarou o intervalo às 13 horas e 50 minutos do mesmo dia.
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A audiência foi retomada às 16 horas e 20 minutos do mesmo dia.
O presidente do tribunal declarou que, entre as testemunhas convocadas para a audiência, apenas Han Chol, Kim So Mok, Kwon O Jik, Jo Il Myong e Ri Kang Guk seriam interrogados, e que as demais testemunhas deixariam de ser ouvidas por não haver necessidade de interrogá-las para o esclarecimento dos fatos do caso. Perguntou então a opinião do procurador-geral, que respondeu não ter objeções.
Após deliberar imediatamente, o tribunal decidiu que, entre as testemunhas convocadas, apenas Han Chol, Kim So Mok, Kwon O Jik, Jo Il Myong e Ri Kang Guk seriam ouvidos, nessa ordem.
Interrogatório da testemunha Han Chol
Por instrução do presidente do tribunal, o secretário do tribunal fez entrar a testemunha Han Chol.
O presidente do tribunal pediu à testemunha Han Chol que declarasse os fatos que conhecia a respeito dos crimes do réu Pak Hon Yong, e a testemunha Han Chol declarou o seguinte.
“Até o outono de 1947, participei do movimento operário na Coreia do Sul sob a direção de Pak Hon Yong.
Durante esse período, ao dirigir o movimento operário na Coreia do Sul sob ocupação militar estadunidense, Pak Hon Yong, em vez de organizar de forma unificada um movimento que era disperso, levando em conta o baixo nível organizacional e ideológico da classe operária, e elevar a consciência de classe operária, passou a perseguir esse movimento em todas as frentes.
Ou seja, obrigava que o movimento operário que surgia espontaneamente fosse transformado em insurreição, sem qualquer preparação e sem considerar o momento nem as circunstâncias, e, como resultado, o movimento foi aniquilado pela repressão dos inimigos, e todos os quadros foram presos.
Na minha opinião, naquela época o correto teria sido não transformar nossa luta grevista em insurreição, mas elevar a consciência de classe e formar quadros.
Depois, em abril de 1946, quando ocorreu a greve da Empresa Têxtil Oriental de Inchon, Pak Hon Yong, por intermédio do terrorista Ri Sung Yop, ordenou que os trabalhadores atacassem a Têxtil Oriental, mas nós recusamos isso até o fim, e Pak Hon Yong me chamou para exigir responsabilidades.
Ao mesmo tempo, insistia que era preciso provocar insurreições, ainda que de forma dispersa.
Mais tarde, quando preparávamos a greve geral de setembro, Pak Hon Yong também nos forçou a transformar a greve em insurreição.
Quanto ao momento, eu defendia que a vitória só seria possível se a ação fosse realizada em outubro, durante a colheita, unindo-se aos camponeses, mas Pak Hon Yong insistiu que fosse realizada em setembro, sem ligação com os camponeses. Além disso, quando sustentei que antes da insurreição era indispensável estabelecer vínculos com a classe operária do norte e solicitei recursos para essa finalidade, ele recusou.
Também reteve os 2 milhões de won enviados como ajuda pelos trabalhadores da Coreia do Norte, impedindo que fossem utilizados na luta grevista.
Dessa maneira, sabotou ativamente a ligação com os camponeses, que eram o sólido aliado de nossa revolução, e também a ligação com a classe operária da Coreia do Norte, conduzindo o movimento operário espontâneo da Coreia do Sul ao matadouro dos imperialistas estadunidenses e esmagando o movimento operário.”
O presidente do tribunal perguntou ao réu se tinha alguma objeção ao depoimento da testemunha Han Chol, e o réu Pak Hon Yong respondeu que não tinha objeções.
O presidente do tribunal autorizou o procurador-geral e os membros do tribunal a fazer perguntas, e o procurador-geral interrogou a testemunha Han Chol.
Pergunta: Pak Hon Yong forçou que a greve fosse transformada em insurreição?
Resposta: Sim. Ele insistia que não deveria ser uma ação unificada, mas que deveriam ocorrer insurreições de forma dispersa.
O procurador-geral interrogou o réu Pak Hon Yong.
Pergunta: O depoimento da testemunha Han Chol é correto?
Resposta: Sim, está correto.
O presidente do tribunal mandou a testemunha Han Chol sentar-se e ordenou ao secretário do tribunal que fizesse entrar a testemunha Kim So Mok.
Interrogatório da testemunha Kim So Mok
O presidente do tribunal pediu à testemunha Kim So Mok que declarasse os fatos que conhecia a respeito dos crimes do réu Pak Hon Yong, e a testemunha Kim So Mok declarou o seguinte.
"Por volta de 1947, no decorrer do desempenho de minhas funções de ligação do Partido do Sul, recebi de Pak Hon Yong cerca de dez cartas secretas e as entreguei a Ri Sung Yop, em Seul."
O presidente do tribunal autorizou o procurador-geral e os membros do tribunal a interrogarem a testemunha Kim So Mok, e o procurador-geral interrogou a testemunha Kim So Mok.
Pergunta: Entre esses dez documentos, quantos eram relativos ao treinamento de espiões?
Resposta: Eu não sabia quantos eram materiais relativos a espionagem. Apenas sei que aquelas cartas secretas, por serem transportadas de Pyongyang a Seul através da linha estratégica de ligação com o Sul, vinham com a instrução de não serem entregues ao responsável pela ligação, mas diretamente a Ri Sung Yop, e foi isso que fiz.
O procurador-geral interrogou o réu Pak Hon Yong.
Pergunta: O depoimento da testemunha Kim So Mok corresponde aos fatos?
Resposta: Sim, corresponde.
O presidente do tribunal mandou a testemunha Kim So Mok sentar-se e ordenou ao secretário do tribunal que fizesse entrar a testemunha Kwon O Jik.
Interrogatório da testemunha Kwon O Jik
A pedido do presidente do tribunal, a testemunha Kwon O Jik declarou o seguinte.
“Acredito que os crimes de Pak Hon Yong foram cometidos sob a influência do sectarismo desde antes da libertação de 15 de agosto.
Desde antes da libertação, Pak Hon Yong comportava-se com arrogância, como se apenas ele estivesse conduzindo o movimento comunista, e apresentava-se como o ‘líder’ do povo coreano.
Por isso, quando, em 1946, por decisão do Partido, as publicações destinadas ao Sul passaram a ser impressas semanalmente na Gráfica nº 1 de Haeju, ele aproveitou essa oportunidade principalmente para promover sua própria fama.
Além disso, na designação de quadros, Pak Hon Yong continuou infiltrando nos órgãos do Partido e do Estado pessoas que haviam traído sua causa, como eu e outros semelhantes.
Além disso, há o fato de que, enquanto era ministro das Relações Exteriores, Pak Hon Yong desprezava os embaixadores e diplomatas da União Soviética, da China e de vários outros países, promovendo propaganda reacionária.
Especialmente quando fui enviado como embaixador na China, ele disse que não havia nada a aprender com a China. E disse também que, ao negociar com eles, não era possível falar de forma franca e aberta.
Entre eles, ele se empenhou freneticamente em infiltrar seus próprios subordinados na Embaixada em Pequim. Por exemplo, embora eu tivesse relatado várias vezes a Pak Hon Yong, que era então ministro das Relações Exteriores, que pessoas como Song Jong Chol tinham má conduta e não gozavam de confiança, Pak Hon Yong insistiu em designá-lo para a Embaixada em Pequim, na China."
O presidente do tribunal perguntou ao réu Pak Hon Yong se ele reconhecia o depoimento da testemunha Kwon O Jik, e o réu respondeu que o reconhecia.
O presidente do tribunal pediu ao procurador-geral e aos membros do tribunal que fizessem perguntas à testemunha, mas cada um respondeu que não tinha perguntas a fazer.
O presidente do tribunal mandou a testemunha Kwon O Jik sentar-se e ordenou ao secretário do tribunal que fizesse entrar a testemunha Jo Il Myong.
Interrogatório da testemunha Jo Il Myong
A pedido do presidente do tribunal, a testemunha Jo Il Myong declarou o seguinte.
“Foi desde o início de 1946 que comecei a perceber que Pak Hon Yong agia como espião estadunidense.
Logo após a libertação, Pak Hon Yong conspirou, juntamente com elementos sectários sob sua influência, para criar a chamada ‘República Popular da Coreia’, tendo Ri Sung Yop como presidente, mas naquela época eu não percebi que ele era um espião estadunidense.
Depois, em fevereiro de 1946, fui preso pela administração militar estadunidense junto com Ri Sung Yop. Nós prometemos tornar-nos espiões estadunidenses e fomos libertados. Quando fomos procurar Pak Hon Yong para cumprimentá-lo, ele disse naquele momento: ‘Vocês foram libertados como resultado das negociações que mantive com Hodge.’ Nessa ocasião, comecei a suspeitar interiormente se Pak Hon Yong não estaria trabalhando de mãos dadas com os estadunidenses.
Outra coisa foi que, em setembro de 1946, Pak Hon Yong me pediu que redigisse um artigo de opinião contra o empréstimo compulsório dos EUA de 500 mil dólares. Eu o redigi e o enviei a Pak Hon Yong. Depois, quando vi o artigo publicado no jornal, ele havia sido corrigido e publicado com um conteúdo muito mais veemente do que aquele que eu havia redigido. Por isso, também passei a suspeitar de suas intenções.
Foi então que fiquei sabendo com certeza que Pak Hon Yong era um espião estadunidense quando, em abril de 1947, ouvi de Ri Sung Yop que ele havia recebido, em duas ocasiões, materiais de espionagem de Pak Hon Yong, que havia entrado em Pyongyang.
Naquela época, eu era redator-chefe de "Haebang Ilbo" e "Roryok Inmin". No início de novembro de 1947, por ordem de Pak Hon Yong, entrei na Coreia do Norte. Depois de entrar no Norte, permaneci com So Tok Un na cidade de Pyongyang, realizando trabalhos de propaganda destinados ao Sul.
Enquanto isso, por volta de março de 1948, Pak Hon Yong me entregou dados econômicos gerais da Coreia do Norte e me ordenou que elaborasse um conjunto completo de informações econômicas, extraindo e anexando dados confidenciais de jornais, revistas e outras publicações.
Durante uma semana, elaborei informações econômicas completas e as entreguei a Pak Hon Yong por intermédio de So Tok Un. Segundo So Tok Un na ocasião, esses materiais seriam utilizados pela Comissão das Nações Unidas para a Coreia.
Depois, por ordem de Pak Hon Yong, enquanto orientava a publicação da Gráfica nº 1 de Haeju, manipulei Rim Hwa, Pak Sung Won outros para que, nas publicações, Pak Hon Yong fosse propagandeado como se fosse o líder do povo coreano.
No verão de 1948, juntamente com Ri Sung Yop, discutimos a possibilidade de desenvolver atividades de espionagem na região norte e, a partir de outubro daquele ano, selecionamos as rotas de espionagem e continuamos cometendo crimes de espionagem.
Nenhuma dessas nossas atividades de espionagem poderia ter sido realizada sem a proteção e o apoio de Pak Hon Yong.
Depois que Seul foi libertada, em 28 de junho de 1950, quando fui a Seul em julho acompanhando Pak Hon Yong, soube que Ri Sung Yop e outros haviam instalado uma sala secreta de comunicação no porão do prédio do Comitê Popular Provisório da Cidade de Seul e que haviam organizado, entre outras coisas, o chamado ‘Comitê de Investigação Terras’, prendendo e massacrando pessoas que supervisionavam nossos crimes ou que levantavam suspeitas sobre eles. Mais tarde, quando veio de cima a ordem para dissolver o ‘Comitê de Investigação de Terras’, instalaram no quartel-general das Forças Voluntárias uma organização chamada ‘Departamento de Assuntos Especiais’ e continuaram praticando os mesmos crimes.
No decorrer desse processo, chegou o momento de escolher o responsável por essa organização assassina. Primeiro, eu e Ri Sung Yop discutimos o assunto e, depois, eu o discuti com Pak Hon Yong, e decidimos que o responsável pela organização assassina seria Yun Tae Hyon
No início de setembro de 1951, quando Ri Sung Yop me chamou, fui ao seu escritório no Comitê Central do Partido, onde já estavam Rim Hwa, Pak Sung Won e outros.
Ali, antes de minha chegada, já havia sido discutida uma conspiração para organizar uma insurreição armada destinada a derrubar o governo da República. Quando Ri Sung Yop perguntou qual era minha opinião, concordei, dizendo que era bom.
Por iniciativa de Ri Sung Yop naquele dia, decidimos formar uma direção da insurreição armada, tendo Ri Sung Yop como comandante-chefe; Pak Sung Won como chefe do Estado-Maior; Pae Chol como responsável pela organização militar; Kim Ung Bin como responsável pelo comando da insurreição; e Rim Hwa e eu como responsáveis pelos assuntos políticos e pela propaganda e agitação.
Além disso, no primeiro domingo de setembro de 1952, Ri Sung Yop, Pae Chol, eu, Rim Hwa, Pak Sung Won e Yun Sun Tal nos reunimos na casa de Pak Hon Yong e conspiramos e decidimos sobre o ‘governo’ e o ‘Partido’ que estabeleceríamos depois de derrubar o atual governo da República e o Partido. Ali, decidimos que Pak Hon Yong seria o primeiro-ministro e Ri Sung Yop seria o secretário-geral do Partido, ao mesmo tempo em que nossos demais cúmplices foram designados para os respectivos cargos.
Além disso, em conexão com a seleção de quadros para a província de Pyongan Sul do Partido, Pak Hon Yong e Ri Sung Yop colocaram seus próprios subordinados, como Pae Chol, Pak Sung Won e Yun Sun Tal, em posições nas quais pudessem utilizá-los em suas atividades criminosas. Eles também reuniram cerca de dez mil guerrilheiros sob a jurisdição de Pyongan Sul, aumentando suas forças armadas. Ao mesmo tempo, organizaram uma revolta tendo Kaesong como centro e também tentaram construir ali uma ‘base de Pak Hon Yong’.”
Além disso, também dentro das organizações culturais, eles reuniram quadros da parte sul e os manipularam para criar oposição, divisão e antagonismo entre o Norte e o Sul, bem como uma situação de escuridão.
Acredito que nenhuma dessas sucessivas atividades criminosas tenha sido realizada sem que Pak Hon Yong soubesse.
Por exemplo, mesmo que Pak Hon Yong não tivesse participado pessoalmente da conspiração para uma insurreição armada e da organização do ‘novo governo’, nós acreditávamos que, como chefe dos espiões estadunidenses, ele vinha trabalhando, em última análise, para derrubar o poder popular estabelecido na República, e que, portanto, nossa conspiração para uma insurreição armada estava de acordo com aquilo que ele próprio pretendia. Por conseguinte, também acreditávamos que o cargo de primeiro-ministro do ‘novo governo’ coincidia exatamente com aquilo que ele sempre desejara. Por isso, tínhamos certeza de que, mesmo que discutíssemos ou não com Pak Hon Yong, ele ficaria muito satisfeito, e levamos os crimes adiante.”
O presidente do tribunal perguntou ao réu se tinha alguma objeção ao depoimento da testemunha Jo Il Myong, e o réu Pak Hon Yong respondeu que não tinha.
O presidente do tribunal pediu ao procurador-geral e aos membros do tribunal que fizessem perguntas caso tivessem alguma questão a respeito do depoimento da testemunha Jo Il Myong, e cada um respondeu que não tinha perguntas.
O presidente do tribunal mandou a testemunha Jo Il Myong sentar-se e ordenou ao secretário do tribunal que fizesse entrar a testemunha Ri Kang Guk.
Interrogatório da testemunha Ri Kang Uk
O presidente do tribunal ordenou à testemunha Ri Kang Uk que declarasse os fatos que conhecia sobre os crimes de Pak Hon Yong, e a testemunha Ri Kang Uk declarou o seguinte.
"Pak Hon Yong, para satisfazer suas ambições políticas, vinha planejando secretamente a organização da 'República Popular da Coreia' antes do desembarque das tropas estadunidenses. Dizendo que, para estabelecer um regime, era necessário primeiro organizar um partido, Pak Hon Yong tomou o Comitê Central do Partido (da Coreia do Sul) sob seu controle.
Após o desembarque das tropas estadunidenses, Pak Hon Yong, mantendo contato com o comandante estadunidense Hodge, seguiu pelo caminho de bajulação ao governo militar estadunidense.
Em novembro de 1945, foi convocado um congresso de representantes dos comitês populares de várias regiões da parte sul, e Pak Hon Yong, seguindo as instruções de Hodge, chegou a tentar dissolvê-lo à força.
Depois, em setembro de 1946, recebi de Pak Hon Yong a instrução de publicar, em nome de outra pessoa, uma declaração contra o empréstimo forçado de 5 milhões de dólares dos Estados Unidos, uma manobra política do governo militar estadunidense, e assim fiz. Como consequência, foi expedida uma ordem de prisão contra Pak Hon Yong, contra mim e contra cerca de dez dirigentes do Partido Comunista e da Frente Democrática Nacional.
Eu estava escondido e, por meio de uma carta secreta, perguntei a Pak Hon Yong o que deveria fazer, ao que ele me deu instruções para entrar no Norte. Durante o processo de encontrar-me com Rim Hwa e trocar opiniões sobre a direção a seguir, compreendi ainda mais claramente que aquilo era uma manobra política tramada entre Pak Hon Yong e os estadunidenses. Depois que entrei em Pyongyang, Pak Hon Yong também chegou a Pyongyang pouco depois, e, a partir desse período, passei a concluir que Pak Hon Yong mantinha ligações com os estadunidenses.
Depois disso, sob a proteção e garantia de segurança de Pak Hon Yong, fui nomeado chefe do Departamento de Relações Exteriores do Comitê Popular da Coreia do Norte e continuei minhas atividades de espionagem. Todas as condições favoráveis para a realização das minhas atividades criminosas foram criadas por Pak Hon Yong.
Pak Hon Yong não apenas criou condições favoráveis para minhas atividades criminosas, mas também me forneceu informações secretas que poderiam ser utilizadas como material de espionagem. Ele me contou importantes segredos do Partido, como informações confidenciais sobre os negócios internos do Partido, bem como segredos extremamente importantes relacionados aos órgãos do poder — segredos que nem eu, como chefe do Departamento de Relações Exteriores, poderia conhecer. Por isso, forneci essas informações duas vezes como material de espionagem.
Seguindo as instruções de Pak Hon Yong, também assumi a direção da Gráfica nº 1 de Haeju e fiz com que as atividades editoriais fossem realizadas na direção desejada por Pak Hon Yong. Além disso, durante minhas conversas com Pak Hon Yong, houve ocasiões em que trocamos mutuamente queixas e descontentamentos, críticas, difamações e calúnias contra o Partido e o governo.
Em setembro de 1948, quando deixei o cargo de chefe do Departamento de Relações Exteriores, minha relação com Pak Hon Yong foi temporariamente interrompida.
Depois, a partir da primavera de 1950, mantive contato com a espiã estadunidense Alice Hyon, que havia sido introduzida no Norte por Pak Hon Yong, e em duas ocasiões obtive informações militares secretas e as forneci a ela."
O presidente do tribunal disse ao acusado Pak Hon Yong que, caso tivesse alguma pergunta a fazer à testemunha Ri Kang Uk, alguma contestação ou considerasse que havia algum ponto impreciso em seu depoimento, deveria dizê-lo. O acusado respondeu que, como o depoimento da testemunha Ri Kang Uk estava correto, não tinha nada a dizer.
O presidente do tribunal perguntou ao procurador-geral e aos membros do tribunal se tinham alguma pergunta a fazer sobre o depoimento da testemunha Ri Kang Uk, e o procurador-geral e os membros do tribunal responderam, cada um, que não tinham nada a perguntar.
O presidente do tribunal mandou a testemunha Ri Kang Uk sentar-se e, às 18 horas do mesmo dia, declarou o recesso.
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Às 18 horas e 10 minutos do mesmo dia, a sessão do julgamento foi retomada.
O presidente do tribunal perguntou ao procurador-geral e aos membros do tribunal se havia mais alguma coisa a perguntar aos acusados ou às testemunhas, e cada um respondeu que não.
O presidente do tribunal perguntou novamente aos acusados e às testemunhas se tinham algo a corrigir ou acrescentar ao que já haviam declarado, e cada um respondeu que não.
Com isso, o presidente do tribunal declarou encerrado o interrogatório no julgamento e anunciou que seria ouvido o pronunciamento do procurador-geral.
O procurador-geral fez seu pronunciamento conforme o documento anexo.
Pronunciamento do Procurador-Geral
Pronunciamento do Procurador-Geral Ri Song Un sobre o caso da conspiração do acusado Pak Hon Yong para derrubar o regime da República Popular Democrática da Coreia e suas atividades de espionagem para os imperialistas estadunidenses
I. Significado e particularidades do julgamento
Camaradas juízes,
Nós examinamos minuciosa e cuidadosamente os autos do processo apresentados pelo órgão de acusação suplementar e todas as provas que confirmam os crimes do acusado Pak Hon Yong, chefe do bando de espiões, sabotadores, assassinos e traidores da pátria, que é um espião a soldo do imperialismo estadunidense, o inimigo jurado do povo coreano, que durante longo período realizou operações terroristas como principal agente daqueles que, por meio de toda sorte de conspirações e atrocidades cruéis e astutas, se opuseram à pátria e ao povo, massacrou numerosos patriotas por todos os meios cruéis e executou abertamente uma conspiração de traição destinada a derrubar a gloriosa República Popular Democrática da Coreia.
Nós nos lembramos vividamente do julgamento justo e severo realizado há vários anos pelo tribunal da República contra o bando de espiões estadunidenses, incluindo Ri Sung Yop.
O fato de que os principais atos criminosos cometidos pelo bando de espiões de Ri Sung Yop, que todo o povo coreano recorda com infinito ódio e maldição, foram realizados sob a direção e com a participação direta do acusado Pak Hon Yong, foi mais uma vez claramente confirmado pelo próprio depoimento do acusado e por todos os materiais do processo.
Tendo lançado fora o último fragmento de dignidade nacional e se degenerado em um espião a soldo do imperialismo estadunidense, o acusado Pak Hon Yong não apenas cometeu, durante longo período, crimes contra a pátria e o povo que o povo coreano jamais poderá esquecer, como também praticou o sinistro crime de tentar derrubar o Partido do Trabalho da Coreia e o governo da República, tendo à frente o grande líder e patriota incomparável do povo coreano, o Marechal Kim Il Sung, que sempre conduz nosso povo à vitória e à felicidade. A gravidade dos crimes do acusado Pak Hon Yong e as consequências aterradoras de seus atos criminosos provocam uma indignação que todo o povo coreano, juntamente com os povos pacíficos de todo o mundo, não consegue conter.
Por isso, este julgamento não constitui apenas a condenação do acusado Pak Hon Yong, espião a soldo do imperialismo americano, mas também uma expressão do ódio e da maldição de todo o povo contra os agressores imperialistas estadunidenses, que, ao instigar Pak Hon Yong e seu bando com o objetivo de transformar a Coreia em sua colônia e convertê-la em uma base para invadir a União Soviética e a China, deixaram sobre nosso país e nossa nação um ressentimento e desastres que jamais serão esquecidos por incontáveis gerações, e que ainda hoje continuam estendendo suas garras criminosas manchadas de sangue. É um severo julgamento histórico movido pelo desejo de vingança contra eles.
Respeitado camarada presidente do tribunal,
Respeitados camaradas juízes,
Como representante do órgão de acusação do Estado, ao cumprir meu último dever neste julgamento, considero meu dever jurídico perante o Estado e o povo apresentar a vocês o justo e severo julgamento do tribunal da República sobre os crimes cometidos pelo acusado Pak Hon Yong, caracterizando a essência fundamental de seus atos terroristas.
Como foi novamente confirmado neste julgamento, durante o Movimento de 1º de Março de 1919, quando o povo coreano se levantou contra o imperialismo japonês sob a influência da Grande Revolução Socialista de Outubro, o acusado Pak Hon Yong, levado pela indignação nacional que então se difundia amplamente entre a juventude coreana, participou do movimento, mas logo depois entrou, em Seul, como redator da revista "Nyoja Siron", dirigida pela pró-estadunidense Cha Mirisa. Por intermédio de Cha Mirisa, conheceu o missionário Underwood, espião estadunidense e diretor da Escola Profissional de Yonhui, estabeleceu amizade com ele e foi educado nas ideias pró-estadunidenses. A partir de então, o acusado Pak Hon Yong ficou impregnado da ideologia pró-estadunidense de adoração aos Estados Unidos e tornou-se um fiel adorador dos Estados Unidos.
Em 1920, Pak Hon Yong foi para Xangai e, sob a proteção dos pró-estadunidenses que então atuavam em Xangai, ingressou na Associação da Juventude do 1º de Março e, sob o disfarce de comunista, afirmava que a independência da Coreia só deveria ser alcançada sob a proteção dos Estados Unidos.
Assim, desde o início de sua trajetória, o acusado Pak Hon Yong não era comunista nem verdadeiro patriota, e sua história de traição à pátria, que posteriormente o levaria a se degenerar completamente em um espião-chefe do imperialismo estadunidense, já começava naquela época, quando atuava como fiel propagandista da política de agressão do imperialismo estadunidense na Ásia.
Por isso, em 1924, quando entrou na Coreia vindo de Xangai com o objetivo de desintegrar internamente as ideias marxistas-leninistas e o movimento comunista que haviam penetrado na Coreia sob a influência da Grande Revolução Socialista de Outubro, Pak Hon Yong, disfarçando-se de comunista, tornou-se secretário da Liga da Juventude Comunista da Coreia e realizou toda sorte de manobras astutas para fomentar as lutas faccionais e a inveja entre os comunistas, destruindo a unidade e a coesão da organização dos comunistas.
O acusado Pak Hon Yong não era leal apenas aos Estados Unidos. Quando foi preso pela polícia japonesa em 1925, denunciou numerosos camaradas e fez com que fossem presos, renegou suas convicções e jurou servir fielmente aos japoneses. Chegou até mesmo a praticar o ato vil e desprezível de, sem julgamento, fingir-se de "doente mental" e ser libertado em 1927 sob o pretexto de uma suposta "fiança". Além disso, quando foi novamente preso pela polícia japonesa em 1932, voltou a manifestar sua traição e jurou ser ainda mais fiel ao Japão.
Em 1939, o acusado Pak Hon Yong encontrou-se novamente com o espião estadunidense Underwood e, depois de jurar que trabalharia como espião dos Estados Unidos, sob as instruções diretas do referido Underwood, começou a executar missões de espionagem altamente secretas para o imperialismo estadunidense.
O próprio acusado confessou: "Em outubro de 1939, encontrei-me com o espião estadunidense Underwood, que me pediu que fosse leal aos Estados Unidos, e naquele momento concordei em fazê-lo".
Essa confissão de Pak Hon Yong demonstra que ele havia se degenerado em espião estadunidense já em outubro de 1939.
Depois de se degenerar em espião estadunidense, Pak Hon Yong encontrou-se com o espião estadunidense Underwood em dezembro de 1939 e recebeu dele a ordem de penetrar profundamente na clandestinidade, consolidar sua base para atividades de espionagem dentro do movimento operário, conquistar uma posição de liderança e coletar e transmitir materiais de espionagem. Para executar isso, manteve estreitas ligações com o espião estadunidense Underwood, disfarçou-se de patriota, assumiu o controle da liderança do "Grupo de Seul" e tentou transformá-lo em uma base para suas futuras atividades contrarrevolucionárias. Entretanto, quando eclodiu a guerra entre Japão e Estados Unidos em 1941, temendo que sua verdadeira identidade fosse revelada durante a repressão da polícia japonesa ao movimento comunista, fugiu para o interior para preservar sua segurança pessoal e chegou a Kwangju, na província de Jolla Sul, onde continuou vivendo escondido.
O acusado Pak Hon Yong disfarçou essa vida de ocultação como se fosse uma atividade clandestina e, logo após a libertação, quando o Partido Comunista na parte sul ainda não possuía uma linha política e organizativa básica própria e se encontrava em um período de confusão, sem unidade ideológica, assumiu o cargo de secretário do Partido Comunista na parte sul, tendo como respaldo os imperialistas estadunidenses e sob a proteção do bando de Ri Sung Yop.
Esse fato demonstra que cumpriram fielmente as instruções diretas do espião estadunidense Underwood para transformar a Coreia em uma colônia e utilizá-la como base militar para a invasão da Ásia.
Por isso, assim que os imperialistas estadunidenses desembarcaram na parte sul em substituição aos imperialistas japoneses, o acusado imediatamente iniciou atividades de espionagem, sabotagem e terrorismo.
Isso ocorreu quando, em setembro de 1945, ele se encontrou com Hodge e conspirou secretamente para conduzir o Partido Comunista na parte sul na direção de uma submissão ativa ao regime colonial estadunidense. Em novembro do mesmo ano, depois de ser formalmente reconhecido como espião de Hodge por Underwood, diretamente no Hotel Bando, em Seul, recebeu de Hodge a instrução de reunir células dentro do Partido Comunista da parte sul, consolidar a base para atividades de espionagem, sabotagem e terrorismo, infiltrar sua influência também no interior do Partido Comunista da parte norte e destruir o Partido a partir de dentro, ao mesmo tempo em que forneceria materiais importantes do Partido e o conduziria para que o Partido Comunista da parte sul se tornasse um partido submisso à política estadunidense.
De acordo com essa instrução, no início de fevereiro de 1946, Pak Hon Yong forneceu a Hodge materiais sobre a estrutura organizativa central e local do Partido Comunista da parte sul e suas atividades políticas, a organização das entidades de massas sob sua direção, a lista de seus quadros e informações sobre a situação da Frente Democrática Nacional. Continuou fornecendo, em março e maio de 1946, em duas ocasiões, importantes materiais sobre a linha política do Partido Comunista da parte sul, sua atitude em relação à Comissão Conjunta URSS-Japão e as questões a serem discutidas.
Nesse processo, em março de 1946, recebeu do comandante estadunidense Hodge uma nova instrução para colocar Ri Sung Yop e Jo Il Myong em cargos importantes do Partido e do governo e promover suas atividades de espionagem. Em cumprimento a isso, promoveu Ri Sung Yop de presidente do Partido Comunista da parte sul na província de Kyonggi a membro do Comitê Central responsável pela política, e nomeou Jo Il Myong como redator-chefe do "Haebang Ilbo", órgão do Partido. Dessa forma, eles coletaram importantes segredos internos do Partido em seis ocasiões, de março de 1946 a setembro de 1947, e os forneceram sistematicamente a Hodge.
Essas atividades de espionagem, sabotagem e assassinato de Pak Hon Yong não se limitaram à parte sul, mas também foram realizadas na parte norte.
Isso ocorreu depois que, em 5 de setembro de 1946, no Hotel Bando, em Seul, ele recebeu de Hodge a ordem secreta de que, como o Partido Comunista na parte sul certamente se rebelaria contra a implementação do governo militar estadunidense, deveria aproveitar essa oportunidade para entrar na parte norte, continuar suas atividades de espionagem, sabotagem e terrorismo, esforçar-se para assumir o controle do Partido do Trabalho da Coreia do Norte e dos órgãos do poder, e, quando o espião Ri Kang Uk fosse enviado, nomeá-lo para um cargo importante no Partido ou nos órgãos do poder e garantir suas atividades de espionagem.
Depois de receber essa ordem secreta, para dar aparência de legitimidade a essas atividades criminosas, Hodge fez com que Pak Hon Yong publicasse uma declaração da parte sul contra o empréstimo estadunidense e, usando isso como pretexto, o governo militar estadunidense forjou e emitiu uma ordem de prisão contra Pak Hon Yong, Ri Kang Uk e outros. Por meio dessa astuta manobra, de um lado, foi organizada a infiltração de Pak Hon Yong no Norte e, de outro, foi arquitetada e executada uma operação conspiratória para prender, encarcerar e massacrar os trabalhadores democráticos da parte sul.
A natureza essencialmente conspiratória dessa atividade criminosa foi comprovada pela confissão do então vice-chefe do Departamento de Polícia do governo militar estadunidense, que já havia sido julgado pelo povo:
"No início de setembro de 1946, em um restaurante em Jongno, Seul, eu estava bebendo com Jang Taek Sang, chefe da Polícia Metropolitana sob minha direção. Naquele momento, Jang Taek Sang me mostrou uma ordem de prisão, escrita em inglês, contra Pak Hon Yong e outros, e disse: 'Hoje fui ao comando de Hodge, e o comandante Hodge me confiou a ordem de prender os dirigentes comunistas e outros. Mas não vamos realmente prendê-los; vamos apenas fazer de conta que estamos procurando prendê-los e fazê-los fugir para o norte do paralelo 38.' Ele também disse: 'Essa ordem de prisão é uma manobra política de Hodge, portanto precisamos encenar bem essa prisão'." A confissão desse fato demonstra a natureza de manobra política desse crime.
Assim, usando como pretexto a chamada ordem de prisão habilmente forjada, em outubro de 1946 Pak Hon Yong enviou seu subordinado de confiança, So Tok Un para abrir uma linha de espionagem de Hodge. No início de novembro de 1946, So Tok Un atravessou para o Norte e, ao mesmo tempo em que comunicou a Hodge que havia chegado ao Norte em segurança, continuou suas atividades. Em fevereiro de 1947, forneceu a Hodge, por intermédio de Kim So Mok e Ri Sung Yop, responsáveis pela coleta, dados estatísticos sobre o plano da economia popular. Em abril de 1947, por intermédio de Ri Sung Yop, forneceu a Hodge materiais secretos sobre a posição soviética na Segunda Comissão Conjunta URSS-EUA, então reaberta. Continuando, em junho de 1948, forneceu a Hodge, por intermédio de So Tok Un, materiais secretos sobre importantes decisões do Partido do Trabalho da Coreia, segredos internos do Partido e os preparativos para as eleições dos deputados da Assembleia Popular Suprema.
Essas atividades de espionagem permitiram aos imperialistas estadunidenses destruir e enfraquecer as atividades organizativas do Partido do Trabalho da Coreia do Sul e contribuíram para o objetivo dos imperialistas estadunidenses de fazer fracassar a Comissão Conjunta URSS-EUA.
Além disso, o espião Pak Hon Yong, conforme as instruções de Hodge, a fim de facilitar e garantir as atividades de espionagem de Ri Kang Uk, que havia entrado clandestinamente na parte norte da República juntamente com ele sob o pretexto da "ordem de prisão", chegou a promovê-lo ao cargo de chefe do Departamento de Relações Exteriores da Coreia do Norte. Entre dezembro de 1947 e o mesmo mês daquele ano, Pak Hon Yong forneceu a ele importantes segredos de Estado relacionados à sua própria viagem a Moscou. Assim, o espião Ri Kang Uk, juntamente com esses materiais, reuniu informações importantes sobre a situação política, econômica e militar da parte norte da República, coletadas entre maio de 1947 e agosto de 1948, e enviou seu secretário a Seul para entregá-las a Hodge por intermédio de Kim Su Im, amante de Baird.
Entre esses materiais estavam:
materiais sobre a Academia de Pyongyang;
materiais sobre o efetivo e a disposição das unidades do Exército Popular e das forças de segurança que seriam estacionadas na região de reconstrução de Kanggye;
informações secretas importantes sobre a situação interna do comando das tropas soviéticas estacionadas em Pyongyang e sobre as forças soviéticas estacionadas na Coreia do Norte;
materiais sobre a estrutura organizativa do Comitê Popular da Coreia do Norte, sua política externa e todas as informações relacionadas a ela;
materiais sobre a situação da implementação da reforma monetária;
dados estatísticos sobre o Plano da Economia Popular de 1947;
materiais abrangentes sobre o orçamento nacional de 1948.
O acusado Pak Hon Yong, com o objetivo de intensificar ainda mais suas atividades de espionagem relacionadas à fundação do governo da República e consolidar sua base de atividades, solicitou, em junho de 1948, a Hodge que fizesse Ri Sung Yop entrar no Norte. Como resultado, a agência de espionagem estadunidense estacionada na parte sul enviou, em agosto de 1948, conforme o pedido de Pak Hon Yong, o espião Ri Sung Yop, que havia sido treinado e preparado por eles durante longo período, para a parte norte da República.
Nesse momento, em relação à entrada de Ri Sung Yop no Norte, em meados de setembro de 1948, na casa de Pak Hon Yong em Namsan-ri, conforme as instruções de Hodge, Pak Hon Yong transferiu a Ri Sung Yop a responsabilidade por suas atividades diretas de espionagem e assumiu a direção geral de todas as atividades de espionagem e sabotagem.
Depois, quando Hodge deixou a parte sul, seguindo sua instrução de que, dali em diante, os contatos relativos às atividades de espionagem deveriam ser mantidos diretamente com Noble, começaram as atividades de espionagem com Noble.
A partir desse momento, Pak Hon Yong, com o objetivo de garantir as atividades criminosas dos espiões sob seu comando, infiltrou elementos de espionagem em altos cargos do Partido e do governo, a saber:
Ri Sung Yop, como secretário do Comitê Central do Partido;
Jo Il Myong, como vice-ministro do Ministério da Cultura e Propaganda;
So Tok Un, como responsável pela organização da direção do Partido do Trabalho da Coreia do Sul;
An Yong Tal, como presidente do Comitê Popular da província de Kyonggi;
Rim Hwa, como vice-presidente do Comitê Central da Associação Cultural Coreia-URSS;
Pak Sung Won, como vice-chefe do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido.
Além disso, por intermédio de So Tok Un, que Pak Hon Yong havia enviado em junho de 1948 para manter contato de espionagem com Hodge, Pak Hon Yong recebeu a instrução de Hodge de que vários agentes de inteligência estadunidenses seriam enviados para a parte norte através da Europa, entre eles Alice Hyon, que Pak Hon Yong havia tido como sua primeira amante durante sua permanência em Xangai na década de 1920, quando ela era uma coreana de nacionalidade estadunidense e cristã, e que ele havia reencontrado quando as tropas estadunidenses desembarcaram na parte sul após a Segunda Guerra Mundial. Alice Hyon, que havia trabalhado secretamente para as forças armadas estadunidenses, juntamente com vários outros agentes de inteligência estadunidenses, deveria ter sua entrada e suas atividades de espionagem garantidas. Assim, em 1949, disfarçando os espiões estadunidenses Alice Hyon e Ri Sa Min, que haviam vindo dos EUA para a Europa como refugiados políticos, Pak Hon Yong os colocou na Agência Central de Notícias e no Ministério das Relações Exteriores, e Ri Sa Min em um importante cargo da Frente da Pátria, garantindo, de modo geral, suas atividades de espionagem.
Dessa maneira, depois de estabelecer uma ampla rede de espionagem na parte norte da República e manter contato com o serviço de inteligência localizado no território continental dos Estados Unidos, enquanto recebia diretamente as instruções das agências de espionagem estadunidenses na parte sul, forneceu às agências de espionagem estadunidenses, em cinco ocasiões entre novembro de 1948 e julho de 1949, materiais de espionagem coletados em diversos setores. Essas informações incluíam:
Em novembro de 1948, forneceu documentos biográficos dos membros do Gabinete da República e informações sobre a situação do desenvolvimento industrial;
Em fevereiro de 1949, forneceu informações militares sobre a situação da retirada das tropas soviéticas, materiais sobre a composição do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia do Norte e do Sul e dados estatísticos sobre a recuperação e o desenvolvimento da economia popular na parte norte;
Em abril de 1949, forneceu segredos militares sobre o efetivo das unidades do Exército Popular da Coreia e seus locais de estacionamento, além de informações sobre o segundo trimestre de 1948;
Em maio de 1949, forneceu a importante Decisão nº 3 do Bureau Político do Comitê Central do Partido;
Em julho de 1949, forneceu documentos biográficos dos principais quadros dirigentes do Partido, incluindo os membros do Comitê Político do Partido.
Essas atividades de espionagem foram claramente confirmadas pelos depoimentos dos espiões Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Ri Kang Uk, Pak Sung Won, Rim Hwa e outros, que eram subordinados de Pak Hon Yong.
As atividades desses elementos de espionagem, tendo Pak Hon Yong como seu chefe, contribuíram para a política de agressão dos imperialistas estadunidenses de colonizar a Coreia a fim de utilizá-la como base para invadir a China e a União Soviética, e constituíram materiais importantes para a preparação da guerra fratricida.
Posteriormente, esse bando de espiões continuou suas atividades e, entrando em 1950, o espião Ri Sung Yop, sob a direção de Pak Hon Yong e recebendo orientação de Noble, manteve contato com Nichols e, de fevereiro a abril daquele ano, forneceu em três ocasiões ao infiltrado Jo Yong Bok, que havia entrado como espião, informações secretas sobre as atividades do Exército Popular e sobre a situação interna do Partido do Trabalho da Coreia. No início de maio de 1950, por instrução de Noble, encontrou-se com os espiões estadunidenses Paek Hyong Bok, An Yong Tal e Jo Yong Bok, que haviam se infiltrado, e, conforme as instruções de Noble, Ri Sung Yop ficou encarregado de coletar em Pyongyang informações secretas do Partido e do governo; An Yong Tal deveria infiltrar-se na direção do Partido em Seul, recém-organizada, e fornecer regularmente a Noble informações sobre sua situação interna; Jo Yong Bok ficou encarregado de manter a comunicação entre Ri Sung Yop e An Yong Tal e transmitir as informações a Noble; e Paek Hyong Bok foi designado para infiltrar-se nos órgãos internos e, por meio de seus contatos com Ri Sung Yop, coletar materiais de espionagem.
Como se pode ver, ao receber continuamente elementos treinados como espiões pelas agências de espionagem estadunidenses e ampliar e fortalecer gradualmente a rede de espionagem, contribuíram para os planos de guerra de agressão dos imperialistas estadunidenses contra a RPDC.
Nesse período, Pak Hon Yong fez esforços ativos para disfarçar os espiões que se infiltravam como pessoas que entravam no Norte por meios legítimos e garantir suas atividades.
Sobre isso, Pak Hon Yong confessou: ".. Em abril de 1950, na minha casa em Namsan-ri, Pyongyang, encontrei-me com Paek Hyong Bok por intermédio de An Yong Tal. Paek Hyong Bok atuava como espião de uma agência de espionagem estadunidense juntamente com An Yong Tal, e eu sabia que ele havia realizado uma série de importantes atividades destinadas a destruir o partido clandestino na parte sul. Por isso, confiei a Ri Sung Yop a tarefa de proteger sua identidade" (Registros, 2-93).
Dessa maneira, os elementos de espionagem chefiados por Pak Hon Yong buscaram destruir nossa base democrática e contribuíram para a guerra provocada pelos imperialistas estadunidenses e pela camarilha de Ri Sung Man.
Quando começou a intervenção militar estadunidense, as atividades de espionagem do acusado Pak Hon Yong passaram a ser realizadas de maneira ainda mais astuta.
A esse respeito, Pak Hon Yong declarou: "Depois do avanço para o sul em dezembro de 1950, à medida que a guerra se prolongava, a fim de enfraquecer o poder político, militar e econômico da República e fazer com que a República fosse derrotada na guerra, empenhei-me em nomear para altos cargos os espiões das agências de espionagem estadunidenses, como Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Ri Kang Kuk, Rim Hwa e So Tok Un, para que pudessem realizar melhor suas atividades de espionagem, sabotagem e subversão".
Assim, ficou comprovado que Pak Hon Yong, que desde 1939 havia decaído à condição de espião das agências de espionagem estadunidenses, permaneceu fiel aos imperialistas estadunidenses até o último momento, quando os bandos de espiões, como Ri Sung Yop, que estavam sob seu comando, foram descobertos.
II. Conspiração para destruir e enfraquecer as forças democráticas na parte sul
Respeitados camaradas juízes,
O acusado Pak Hon Yong, por um lado, atuando como espião a serviço dos imperialistas estadunidenses ou como seu chefe, sob as instruções das agências de espionagem estadunidenses, colaborou com a destruição do Partido do Trabalho da Coreia do Sul, acompanhando a infame conspiração dos imperialistas estadunidenses, a chamada "purga da retaguarda", e, por outro lado, cometeu o crime de destruir e enfraquecer o Partido do Trabalho da Coreia do Sul e as forças democráticas patrióticas, realizando massacres terroristas contra numerosos quadros do Partido e personalidades democráticas, a fim de encobrir os numerosos crimes anticomunistas e antipovo que já haviam cometido.
O objetivo dessas ações criminosas, hediondas e repugnantes de Pak Hon Yong era, por meio de massacres terroristas contra os dirigentes e quadros do Partido, membros do Partido e personalidades democráticas da parte sul que constituíam obstáculos às suas atividades criminosas, demonstrar sua lealdade aos imperialistas estadunidenses e, por outro lado, encobrir seus próprios crimes.
Para alcançar esse objetivo, em setembro de 1948, por ordem de Hodge, Pak Hon Yong transferiu a Ri Sung Yop a responsabilidade por suas atividades diretas de espionagem e, a fim de garantir as condições para as atividades legais de seus cúmplices e o sigilo deles, manipulou seus cúmplices Ri Sung Yop, An Yong Tal, So Tok Un e outros para que, na linha do paralelo 38, realizassem massacres terroristas contra numerosos quadros do Partido entre os dirigentes clandestinos que, depois de lutarem contra os inimigos na parte sul, procuravam refúgio deslocando-se para o norte, inventando como pretextos acusações como suposta "traição", "suspeita de espionagem" e suposto "vazamento de segredos das operações do Partido".
Sob a manipulação de Pak Hon Yong, seu cúmplice An Yong Tal, entre maio e agosto de 1948, em 13 ocasiões, ordenou a Jon Gu Ha, então vice-diretor do Escritório de Ligação para os que atravessavam para o norte no condado de Jangphung, que assassinasse 42 membros do Partido do Trabalho da Coreia do Sul e personalidades democráticas, sob os pretextos fabricados de serem supostos "traidores" ou "suspeitos de espionagem". Além disso, no início de agosto de 1948, prendeu e confinou Kim Jae Gwan, então presidente do Comitê do Partido de Kaesong, e, por volta de outubro do mesmo ano, So Gu Ton, então presidente do Comitê do Partido do condado de Jangdan, sob o pretexto de serem "traidores", com o objetivo de assassiná-los, mas foram descobertos pela Guarda do Paralelo 38 e o objetivo não foi alcançado.
Esse crime impossível de ocultar é plenamente revelado pelo depoimento de Maeng Jong Ho, que participou diretamente dos atos de massacre e terror naquela época. Ele declarou: "... No verão de 1949, quando eu era responsável do departamento de ligação do Partido do Trabalho da Coreia do Sul, recebi de So Tok Un a ordem de massacrar Hyon In Cho e outras duas pessoas, que haviam entrado no norte depois de realizarem atividades do Partido na parte sul, sob a suspeita de espionagem. Eu mesmo os investiguei, mas, como não havia qualquer fato que justificasse tal suspeita, hesitava em executá-los. Nessa ocasião, fui severamente repreendido por Ri Sung Yop por não executar sua ordem.
Depois disso, Ri Sung Yop ordenou ao responsável pelo posto de ligação de Yangyang que os matasse secretamente..." (Registros, página 130), confessou ele.
As atrocidades do bando de assassinos de Pak Hon Yong não se limitaram a isso. Desde 1948, eles passaram a apoiar ativamente as atividades de destruição do Partido que os imperialistas estadunidenses e os traidores da nação, como Ri Sung Man, empreenderam de maneira sangrenta e cruel, organizando a chamada "Liga de Orientação" com o objetivo de destruir completamente o Partido do Trabalho da Coreia do Sul.
A esse respeito, Pak Hon Yong declarou: "... No final de 1948, quando, no Comitê Político do Comitê Central do Partido, me propuseram que fossem tomadas medidas organizativas adequadas na parte sul contra o método pelo qual a polícia de Ri Sung Man estava organizando a 'Liga de Orientação' e fazendo com que os membros do Partido do Trabalho da Coreia do Sul se entregassem, eu argumentei que não havia tal fato na parte sul e que, mesmo que houvesse, o Partido do Trabalho da Coreia do Sul era apresentado como uma forte unidade de combate, de modo que isso não constituiria problema algum. A razão era que, como eu próprio estava a serviço das agências de espionagem estadunidenses, acreditava que, mesmo que destruísse violentamente as organizações do Partido na parte sul e absorvesse suas forças na 'Liga de Orientação', até o fim isso poderia ser considerado como uma força sob meu controle...".
Posteriormente, o acusado Pak Hon Yong, aproveitando a oportunidade da publicação, em 18 de junho de 1949, do apelo da Frente Democrática para a Reunificação da Pátria, preparou os membros do Partido do Trabalho da Coreia do Sul para uma insurreição com o objetivo de destruir o Partido, criando assim para os inimigos um pretexto para a repressão e fazendo com que estes empreendessem prisões, encarceramentos e massacres em massa contra os membros do Partido e as personalidades democráticas.
Esse fato criminoso é claramente demonstrado, ainda que apenas pela confissão de Paek Hyong Bok, que já recebeu o julgamento do povo, segundo a qual ele destruiu diretamente as organizações do Partido do Trabalho da Coreia do Sul nas províncias de Jolla Norte e Kangwon e mandou prender cerca de 400 quadros do Partido.
Além disso, conforme as instruções dos imperialistas estadunidenses, Pak Hon Yong sistematicamente nomeou e colocou em cargos importantes os bandos de espiões liderados por Ri Sung Yop, sob seu comando, para destruir e desmantelar o Partido a partir de dentro, e, como resultado de dirigir e garantir suas atividades de destruição e sabotagem, fez com que, sob a direção direta de Noble, conselheiro político da Embaixada dos Estados Unidos em Seul, e de Nichols, da Seção de Inteligência Aérea do Comando do Extremo Oriente dos Estados Unidos, An Yong Tal, Jo Yong Bok e outros prendessem e assassinassem, em 27 de março de 1950, Kim Sam Ryong, responsável pela direção do Partido na cidade de Seul, destruindo finalmente a organização clandestina do Partido na parte sul e as forças democráticas.
Em particular, após o início da guerra de libertação da pátria, os cúmplices de Pak Hon Yong, tendo em vista ocultar seus crimes repugnantes cometidos anteriormente, juntamente com sua própria derrota, e garantir a continuidade de suas atividades antinacionais, organizaram, na região de Seul libertada, sob a direção direta de Pak Hon Yong, uma organização terrorista. Ri Sung Yop, que atuava como presidente do Comitê Popular Provisório da cidade de Seul, organizou, tendo como chefe Ri Jung Op, seu mais fiel subordinado, um grupo terrorista e confinou mais de 70 pessoas inocentes da população em um centro secreto de detenção instalado no porão daquele edifício, submetendo-as a torturas e perseguições cruéis. Sob o pretexto de garantir o sigilo, executou a tiros sete membros do Partido do Trabalho.
Além disso, Ri Sung Yop, que estava sob a direção direta de Pak Hon Yong, com o objetivo de realizar de maneira mais organizada e secreta os massacres terroristas contra os membros do Partido do Trabalho da Coreia do Sul e as personalidades democráticas, organizou, no início de julho de 1950, juntamente com An Yong Tal, uma organização secreta de assassinatos chamada "Comitê de Investigação de Terras". Essa organização assassina, sob o pretexto aparente de garantir os trabalhos do Estado, prendeu e massacrou pessoas que conheciam seus segredos e foi utilizada como instrumento para reunir os traidores.
Depois disso, embora tenha recebido de seus superiores a ordem de dissolver essa organização, Ri Sung Yop, que estava sob a direção de Pak Hon Yong, instalou, a fim de continuar realizando seus atos de massacres terroristas, uma chamada "Seção Especial" dentro do Quartel-General das Forças Voluntárias sob sua direção.
Assim, por meio dos grupos assassinos, isto é, pelo “Comitê de Investigação de Terras” e pelo "Departamento de Assuntos Especiais do Quartel-General das Forças Voluntárias”, numerosas pessoas, incluindo membros do Partido do Trabalho e personalidades democráticas, foram presas, torturadas e assassinadas.
O extremamente astuto e ardiloso Pak Hon Yong, a fim de manter em segredo os crimes cometidos por eles, procurou garantir secreta e ativamente os atos de terror e massacre praticados por Ri Sung Yop e outros sob sua direção, ao mesmo tempo que os instigava a se dedicar a atividades terroristas contra patriotas e pessoas inocentes.
Além disso, quando havia o risco de que fossem revelados os segredos dos crimes hediondos e abomináveis cometidos por eles, Pak Hon Yong não hesitou nem mesmo em assassinar seus próprios cúmplices. Assim, quando veio a público o fato de que, em julho de 1950, An Yong Tal havia denunciado Kim Sam Ryong à polícia-fantoche, fazendo com que ele fosse preso, Pak Hon Yong, para encobrir sua própria identidade criminosa e repugnante, instruiu Ri Sung Yop a colocar An Yong Tal numa formação destinada à linha de frente e a assassiná-lo secretamente.
Dessa maneira, Pak Hon Yong, o principal responsável, não apenas destruiu definitivamente o Partido do Trabalho da Coreia do Sul tendo os Estados Unidos como respaldo e sob suas instruções, como também, durante o período mais difícil da pátria, em conexão com a libertação de Seul, fez com que fossem presos e assassinados até os últimos membros do Partido do Trabalho da Coreia do Sul e até mesmo outras figuras patrióticas, enfraquecendo assim nosso Partido e cometendo atos criminosos destinados a afastar as massas do entorno do Partido.
III. Atos de conspiração para derrubar o governo da República
Camaradas juízes,
Pak Hon Yong, fiel lacaio dos invasores imperialistas estadunidenses, como já foi apontado, enquanto cometia múltiplos crimes contrarrevolucionários, antipopulares e antiestatais, tais como espionagem, destruição e enfraquecimento das forças democráticas, terrorismo e massacre, desde logo após a libertação de 15 de agosto, já havia sonhado com o estabelecimento na Coreia de um chamado “governo”, tendo Ri Sung Man como presidente e constituído por proprietários de terras e capitalistas, e empreendeu atividades criminosas para realizar esse objetivo.
O objetivo de tais atividades criminosas de Pak Hon Yong era estabelecer novamente em nosso país o antigo sistema capitalista; desde o primeiro dia em que, logo após a libertação, ele se disfarçou de suposto comunista e tomou o poder de direção do Partido do Trabalho da Coreia, buscou desenvolver uma organização de espionagem a serviço dos interesses dos imperialistas estadunidenses.
Posteriormente, em setembro de 1946, Pak Hon Yong recebeu de Hodge a ordem de atravessar para a parte norte da República, estabelecer uma base para atividades de espionagem dentro do Partido e do governo e realizar atividades de sabotagem destinadas a destruir e desintegrar o Partido do Trabalho da Coreia do Norte por dentro. Tendo conseguido infiltrar-se na parte norte da República disfarçado de patriota, Pak Hon Yong, para estabelecer a base de atividades da conspiração para derrubar o governo da República, infiltrou elementos contrarrevolucionários no Partido e nos órgãos do poder, tomou o controle da Gráfica nº 1 de Haeju e da Academia Política de Kangdong e utilizou-as para seus objetivos criminosos. Posteriormente, por ocasião da fundação do governo da República e da fusão dos Partidos do Trabalho do Norte e do Sul, em setembro de 1948, recebeu de Hodge a ordem de transferir por intermédio de Ri Sung Yop as atividades de espionagem para Ri Sung Yop e de examinar as estratégias para derrubar o governo da República. Pak Hon Yong, diretamente ou em conluio com Ri Sung Yop, enquanto ocultava as ações e a identidade de seus subordinados, elementos espiões e traidores, infiltrou elementos espiões e sabotadores nos órgãos do Partido e do poder e nas organizações sociais e, além de fortalecer ainda mais a base de suas atividades, por meio dos elementos de destruição e sabotagem infiltrados no Partido do Trabalho da Coreia, nos órgãos do poder e nas organizações sociais, procurou alcançar de uma só vez a derrubada do governo da República, afastando as massas populares reunidas em torno do Partido e do governo e enfraquecendo as atividades normais do Partido e do governo, mediante a disseminação e criação de toda espécie de métodos malignos e atividades de agitação.
As más ações de Pak Hon Yong tornaram-se ainda mais evidentes durante a Guerra de Libertação da Pátria.
À medida que a guerra se prolongava, ele, mudando os métodos, instigou seus cúmplices sob sua direção a provocar divisões internas no Partido, a diminuir a confiança e o prestígio do Partido e do governo e a se lançar de maneira ainda mais aberta contra e em difamação da política do Partido e do governo. Particularmente, dentro das organizações culturais e artísticas, procuraram constantemente fomentar a desconfiança e a intriga e, ao propagar a ideia de confronto entre o norte e o sul, estimularam a divisão ideológica dentro do Partido. Além disso, por volta de agosto de 1951, quando foi organizado o Departamento de Ligação dentro do Comitê Central do Partido, sob o pretexto de fortalecer o trabalho na parte sul, Pak Hon Yong, sob sua direção direta, reuniu no Departamento de Ligação seus cúmplices e homens de confiança. Com o objetivo de transformar o Departamento de Ligação em Estado-Maior das atividades conspiratórias para derrubar o poder popular da República, fez com que Ri Sung Yop dirigisse o Departamento de Ligação na qualidade de secretário do Partido, nomeou Pae Chol como diretor do Departamento de Ligação, Pak Sung Won como vice-diretor e Kim Ung Bin como diretor da Academia Kumgang, subordinada ao Departamento de Ligação.
O acusado Pak Hon Yong, a fim de criar uma base para as atividades destinadas a derrubar o governo da República, desde janeiro de 1951 conspirou para organizar, na região recém-libertada, centrada em Kaesong, um Comitê Popular Provincial de Kyonggi.
Com esse objetivo, Pak Hon Yong instruiu seu cúmplice Ri Sung Yop a fazer com que Pae Chol e Pak Sung Won iniciassem os preparativos para investigar a definição da região e selecionar os quadros. No final de fevereiro do mesmo ano, enfatizou a Rim Hwa, Pae Chol e Pak Sung Won que deveriam tomar Kyonggi sob seu controle e transformá-la em uma base para a formação de quadros e o desenvolvimento de forças necessárias à execução da derrubada do governo da República, acelerando sua realização. Além disso, conspirou para colocar seus homens de confiança, incluindo Pak Sung Won como presidente do recém-organizado Comitê Popular Provincial de Kyonggi, An Ki Sop como vice-presidente e Jon Gu Ha como secretário-geral.
Nessa conspiração para derrubar o poder, sob a direção de Pak Hon Yong, Ri Sung Yop, Pae Chol, Pak Sung Won, Rim Hwa e Jo Il Myong receberam a missão de promover ativamente a rebelião armada e as atividades conspiratórias destinadas à sua realização. No início de setembro de 1952, na sala de recepção de Pak Hon Yong, eles discutiram e decidiram a composição do chamado “novo governo” e do “novo partido” que pretendiam estabelecer no futuro.
Como resultado, para o chamado “novo governo” foram designados:
Como primeiro-ministro: Pak Hon Yong
Como vice-primeiros-ministros: Ju Nyong Ha e Jang Si U
Como ministro do Interior: Pak Sung Won
Como ministro das Relações Exteriores: Ri Kang Guk
Como ministro das Forças Armadas: Kim Ung Bin
Como ministro da Propaganda: Jo Il Myong
Como ministro da Educação: Rim Hwa
Como ministro do Trabalho: Pae Chol
Como ministro do Comércio: Yun Sun Tal
E Ri Sung Yop foi designado como primeiro secretário do “novo partido”.
Além disso, com o objetivo de combinar uma rebelião armada com o período da ofensiva das tropas estadunidenses, os cúmplices de Pak Hon Yong organizaram um comando da rebelião armada, composto por:
Comandante-em-chefe: Ri Sung Yop
Chefe do Estado-Maior: Pak Sung Won
Responsável pela organização militar: Pae Chol
Responsável pelo comando da rebelião: Kim Ung Bin
Responsáveis pela política e pela agitação: Rim Hwa, Jo Il Myong
E, somente na 10ª unidade guerrilheira subordinada ao Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido, haviam organizado, até janeiro de 1952, uma força armada de cerca de 4.000 homens, planejando, para mobilizá-los favoravelmente à rebelião armada, continuar incutindo neles ideias hostis à República, intensificar seu treinamento militar e, no chamado caso de emergência, mobilizá-los diretamente para a rebelião armada.
A esse respeito, Pak Sung Won, que era chefe do Estado-Maior do chamado comando da rebelião armada, confessou: “Quando a ofensiva das tropas estadunidenses começasse na frente e elas avançassem em direção a Pyongyang, as forças armadas previamente organizadas e formadas pelo comando da rebelião seriam concentradas nos arredores de Pyongyang e, sob o comando geral de Ri Sung Yop, as forças armadas seriam mobilizadas de uma só vez de acordo com o plano de operações da rebelião.”
Assim, o plano de dois golpes que Pak Hon Yong e seus cúmplices, os mais abomináveis e inimigos do povo que fazem o céu e os homens clamarem de indignação, haviam sonhado tinha, sem dúvida, o objetivo de realizar o “objetivo final” de Pak Hon Yong: fabricar um regime-fantoche do imperialismo estadunidense, tendo Ri Sung Man, Pak Hon Yong e outros traidores como chefes, e transformar a Coreia em uma colônia dos imperialistas estadunidenses.
Respeitado camarada presidente do tribunal,
Respeitados camaradas juízes,
Agora, os graves crimes acima apontados, cometidos pelo acusado de espionagem Pak Hon Yong, foram perpetrados, como parte da política de agressão ao continente dos bandidos imperialistas estadunidenses, destinada a invadir a União Soviética e a República Popular da China e a transformar a Coreia em sua colônia e em base logística para a agressão ao continente, sob suas instruções e instigações diretas.
Para realizar as criminosas ambições de seus mestres imperialistas estadunidenses, o acusado Pak Hon Yong não hesitou em empregar quaisquer métodos astutos e pérfidos ou quaisquer meios vis e desprezíveis, chegando até mesmo a revelar a natureza monstruosamente fascista de alguém que massacrou numerosos patriotas por meio de toda espécie de métodos cruéis, inimagináveis para um homem.
Desde o momento em que, em 1939, ao chegar a Seul, Pak Hon Yong estabeleceu amizade com missionários ligados ao serviço de espionagem estadunidense, todos os numerosos crimes cometidos por ele como fiel servidor da política de agressão imperialista estadunidense na Ásia e de escravização colonial da Coreia, traindo a pátria e o povo, especialmente os crimes cometidos desde 1939, quando estabeleceu ligação direta com os órgãos de espionagem estadunidenses e se tornou diretamente um espião contratado pelos Estados Unidos — inicialmente sob as instruções do espião estadunidense Underwood e, posteriormente, sob as instruções e o comando direto do comandante das tropas estadunidenses Hodge, que desembarcou na parte sul da República, do coronel estadunidense Nichols, oficial de inteligência aérea do Comando do Extremo Oriente dos Estados Unidos, do comandante da polícia militar da 24ª Divisão estadunidense, Baird, e do conselheiro político da Embaixada dos Estados Unidos em Seul, Noble — foram cometidos do início ao fim contra a pátria e todo o nosso povo.
Os crimes do acusado Pak Hon Yong, que, como o mais hediondo chefe de espionagem do imperialismo estadunidense, infiltrou-se na parte norte da República, chegando a se esconder até mesmo em importantes cargos do Partido e do governo, instigou seus lacaios a fornecer sistematicamente aos órgãos de espionagem estadunidenses informações secretas da República nos campos político, econômico e militar, ao mesmo tempo que fez com que numerosos membros do Partido e patriotas da República fossem presos, encarcerados e massacrados, e finalmente destruiu o Partido do Trabalho da Coreia do Sul, tendo ainda, aproveitando-se das difíceis condições do período da Guerra de Libertação da Pátria, chegado ao ponto de conspirar para uma “rebelião armada” destinada a derrubar o governo da República — tais graves crimes de traição à pátria, ativamente organizados e perpetrados pelo acusado Pak Hon Yong, correspondem respectivamente ao artigo 78, ao artigo 68, ao primeiro parágrafo do artigo 65 e ao segundo parágrafo do artigo 76 do Código Penal da República Popular Democrática da Coreia. Portanto, considerando a gravidade dos crimes por ele cometidos, reconhecemos que deve ser aplicada a pena máxima prevista pelos referidos dispositivos legais.
Os danos causados ao Estado e ao povo pelo bando de espiões encabeçado pelo acusado Pak Hon Yong, esse vil e repugnante espião-fantoche dos Estados Unidos, são incalculavelmente grandes, e a gravidade dos crimes que cometeram só pode ser respondida com a morte deles.
Respeitado camarada presidente do tribunal,
Respeitados camaradas juízes,
Hoje, todo o povo coreano observa atentamente o curso deste julgamento do acusado Pak Hon Yong, espião contratado do imperialismo estadunidense, um lobo sedento por crimes escondido com uma máscara, e deposita infinitas expectativas em vocês, que são os defensores legais e revolucionários das leis da República e do sistema de democracia popular.
Eu, não apenas em meu próprio nome, mas em nome de todos os patriotas que foram vítimas das cruéis e hediondas garras de Pak Hon Yong, chefe dos espiões contratados, e de seu bando, e que, carregando um ressentimento eterno, já jazem sob a terra, bem como em nome de seus pais, esposas, filhos e irmãos, apoio firmemente a acusação já apresentada contra o acusado Pak Hon Yong, espião do imperialismo estadunidense e inimigo do povo, e apelo a vocês para que o condenem à mais severa pena prevista pelo Código Penal da República.
Em nome do povo coreano, afirmo com convicção que este julgamento do acusado Pak Hon Yong e o julgamento justo e rigoroso de vocês servirão de exemplo para desferir um golpe mortal nas hediondas tentativas dos imperialistas estadunidenses e de seus lacaios, inimigos irreconciliáveis do povo coreano, contra nossa pátria e nosso povo, e desejo que ao acusado Pak Hon Yong, amaldiçoado espião do imperialismo estadunidense, cuja morte cem vezes não seria suficiente para apagar o ressentimento do povo, seja aplicada somente a pena de morte.
Após o término da alegação final do Procurador-Geral, o presidente do tribunal concedeu ao acusado o direito de fazer sua declaração final, e o acusado Pak Hon Yong declarou o seguinte.
IV. Declaração final do acusado Pak Hon Yong
A alegação final do Procurador-Geral é inteiramente justa. Sob minha direção, numerosas pessoas cometeram crimes repugnantes.
Portanto, como considero que sou inteiramente responsável por toda essa desgraça e pelos atos criminosos efetivamente cometidos, tendo em vista a gravidade dos meus crimes, conforme afirmou o Procurador-Geral em sua alegação final, a pena de morte é justa.
Além disso, a parte de minha declaração na sessão do julgamento da manhã em que afirmei como se eu não tivesse responsabilidade direta pela conspiração para organizar o “novo governo” e o “novo partido”, nem pela conspiração de rebelião armada, foi um sofisma, e por isso a retiro.
Sou inteiramente responsável porque fui o chefe dos espiões do imperialismo estadunidense e a pessoa que, por iniciativa própria, protegeu e garantiu tudo para que eles pudessem cometer os crimes que desejavam cometer.
Por fim, embora os crimes repugnantes, contrarrevolucionários, antipopulares e de traição à pátria que cometi no passado tenham sido hoje inteiramente expostos neste julgamento, peço que não sejam conhecidos apenas por aqueles que estão aqui presentes neste tribunal, mas que sejam divulgados amplamente entre o povo, para que sirvam de advertência sobre o destino final de um traidor da pátria.
No mesmo dia, às 19 horas, o presidente do tribunal e os membros do tribunal retiraram-se para deliberar e votar sobre a sentença.
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No mesmo dia, às 19h35, por delegação do presidente do tribunal, o membro do tribunal Jo Song Mo procedeu à leitura da sentença.
O presidente do tribunal comunicou ao acusado que ele poderia solicitar um indulto ao Presidium da Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia e declarou encerrada a sessão do julgamento às 20 horas do mesmo dia.
Tribunal Especial do Supremo Tribunal da República Popular Democrática da Coreia
Pyongyang
V. Sentença
Em nome da República Popular Democrática da Coreia
Em 15 de dezembro de 1955, o Tribunal Especial do Supremo Tribunal da República Popular Democrática da Coreia, constituído pelo camarada Choe Yong Gon como presidente do tribunal e por Kim Ik Son, Rim Hae, Pang Hak Se, Jo Song Mo como membros, realizou publicamente o julgamento, na presença do secretário Pak Kyong Ho, do processo contra o acusado Pak Hon Yong, indiciado pelos crimes previstos no artigo 78, no artigo 68, no segundo parágrafo do artigo 76 e no primeiro parágrafo do artigo 65 do Código Penal, sob a participação do Procurador-Geral do Supremo Tribunal, Ri Song Un.
Acusado: Pak Hon Yong
Data de nascimento: 28 de maio de 1900, homem
Domicílio de origem: vila de Sinyang, distrito de Sinyang-myon, condado de Yesan, província de Chungchong Sul
Endereço: Hwasong-ri, condado de Taedong, província de Pyongan Sul
Profissão: Ex-vice-presidente do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia; ex-vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores da República Popular Democrática da Coreia
O referido tribunal, com base nos materiais revelados durante a investigação preliminar e o julgamento, confirma os seguintes fatos.
Os imperialistas estadunidenses vêm persistindo por um longo período em suas ardilosas conspirações, fundamentadas no plano de fazer da Coreia sua colônia e, posteriormente, uma base militar para a invasão do Extremo Oriente contra a China e a União Soviética.
Depois que a Coreia foi libertada do domínio colonial do imperialismo japonês pelo grande Exército Soviético, os imperialistas estadunidenses, por ocasião do desembarque de suas tropas na parte sul do país, em setembro de 1945, violaram os compromissos internacionais relativos à Coreia e passaram abertamente a agir de maneira desenfreada para alcançar esse objetivo de agressão.
Depois de impedirem a fundação da República Popular Democrática da Coreia e, em oposição ao povo coreano, fabricarem um regime fantoche com os traidores vende-pátria de Ri Sung Man, estabeleceram na parte sul da República um sistema militar e policial fascista e perpetraram todo tipo de terror e massacre contra todos os elementos democráticos. Finalmente, em 25 de junho de 1950, ao iniciar a invasão armada da parte norte da República, que já haviam planejado e preparado, provocaram uma guerra fratricida com o objetivo de destruir o sistema de democracia popular estabelecido na parte norte da República e transformar toda a Coreia em sua colônia. Contudo, diante da heroica resistência do povo coreano, sofreram repetidas e vergonhosas derrotas, chegando finalmente a assinar o Acordo de Armistício em 27 de julho de 1953.
Durante esse período, paralelamente a essas ações diretas e desenfreadas, os imperialistas estadunidenses contrataram os espiões Ri Sung Yop, Ri Kang Guk, Jo Il Myong e o bando de Rim Hwa para reprimir a justa luta de unificação do povo coreano na parte sul, desmantelar e massacrar as forças do Partido e do povo, e novamente os enviaram para a parte norte da República, fazendo-os infiltrar-se profundamente no Partido e no governo para executar atividades de espionagem destinadas a detectar e obter informações sobre importantes segredos militares, políticos, econômicos e culturais. Além disso, com o objetivo de enfraquecer e extinguir a unidade patriótica do povo coreano, fizeram-nos realizar todos os tipos de manobras e artifícios destinados a criar calúnias, maquinações e desconfiança, chegando até mesmo a conspirar para desencadear uma revolta armada interna que, em coordenação com o avanço das forças inimigas, derrubasse o Partido e o governo. Assim, organizaram e manipularam uma série de crimes destinados a realizar a destruição a partir de dentro.
Ficou comprovado, pela sentença do Supremo Tribunal da República Popular Democrática da Coreia, proferida em Pyongyang em 6 de agosto de 1953 contra 12 acusados, entre eles Ri Sung Yop, que os atos de espionagem, as maquinações contrarrevolucionárias e os atos de conspiração para uma revolta armada acima mencionados foram organizados e executados tendo como chefe o empedernido espião Pak Hon Yong, que já desde 1939 desejava servir à invasão da Coreia pelos imperialistas estadunidenses.
I. O acusado Pak Hon Yong, por volta de 1919, quando trabalhava como redator da revista "Nyoja Siron", em Seul, através de sua amizade com Cha Mirisa, elemento pró-estadunidense que dirigia a referida revista, e com Underwood, estadunidense que atuava como missionário cristão e professor (mais tarde diretor) da Escola Profissional de Yonhui, passou a nutrir ideias de veneração aos Estados Unidos. Quando foi preso pela polícia japonesa no início de janeiro de 1925, desertou e, confessando ao Departamento de Investigação da Lei de Preservação da Segurança Pública as organizações clandestinas secretas do Partido Comunista da Coreia e da Liga da Juventude Comunista da Coreia em diversas localidades, incluindo Seul, Sinuiju, Pyongyang, Kanghwa, Taegu, Masan, Kwangyang e Anak, e denunciando seus dirigentes, serviu à repressão do movimento revolucionário coreano como lacaio do imperialismo japonês. Como recompensa por isso, foi libertado sob o pretexto de uma suposta “perturbação mental”, sob a alegação de “fiança”, e, em setembro de 1939, na prisão de Taejon, declarou sua “conversão ideológica”, jurando perante os imperialistas japoneses abandonar completamente o movimento revolucionário e prestar-lhes lealdade, sendo então libertado.
Por volta de 5 de outubro de 1939, o acusado Pak Hon Yong encontrou-se, no restaurante Paekhapwon, Jongno 3, em Seul, com Underwood, diretor da Escola Profissional de Yonhui e detetive de uma agência de inteligência estadunidense disfarçado de missionário cristão. Aceitando suas propostas e jurando a ele que serviria fielmente, como espião, à invasão da Coreia pelos imperialistas estadunidenses, recebeu de Underwood, em novembro do mesmo ano, instruções para infiltrar-se profundamente na clandestinidade, estabelecer firmemente sua base dentro do movimento revolucionário coreano, usurpar uma posição de liderança e, assim, contribuir futuramente para a invasão da Coreia pelos imperialistas estadunidenses, bem como para coletar e transmitir informações secretas. Como forma de colocá-las em prática, aproximou-se imediatamente do “Grupo Comunista” de Seul e, depois de tentar usurpar sua liderança, procurou transformar esse “círculo”, uma organização sectária dentro do movimento revolucionário coreano, em base para suas atividades sob as instruções de Underwood. Porém, quando começou a guerra entre o Japão e os Estados Unidos em dezembro de 1941, refugiou-se em Kwangju, na província de Jolla Sul, para escapar da repressão japonesa, onde permaneceu até a libertação, em 15 de agosto de 1945.
Quando a Coreia foi libertada do domínio colonial japonês pela força do grande Exército Soviético, em 15 de agosto de 1945, o acusado Pak Hon Yong decidiu continuar executando as instruções da agência de espionagem estadunidense. Para se disfarçar astuciosamente como um “patriota”, fingindo ter conduzido até o fim uma luta de guerrilha contra os japoneses, recorreu a artimanhas como enterrar alimentos nas montanhas. Depois, reunindo elementos oportunistas que haviam desertado e se afastado do movimento revolucionário, fabricou a história de que o “Grupo Comunista”, que ele dirigia, era uma organização que defenderia a revolução coreana até o fim, e, ocupando o cargo de secretário-geral interino do Partido Comunista da Coreia, aguardou o desembarque dos imperialistas estadunidenses na parte sul.
Quando as tropas estadunidenses desembarcaram na parte sul, em setembro de 1945, o acusado Pak Hon Yong encontrou-se secretamente, no início daquele mês, com Hodge, comandante das forças estadunidenses estacionadas na parte sul da Coreia, no edifício do Hotel Bando, em Seul, e, mediante um acordo secreto para fazer futuramente o Partido Comunista da Coreia submeter-se à política do governo militar estadunidense e cumprir as proclamações e demais decretos do governo militar estadunidense, jurou sua lealdade aos imperialistas estadunidenses. No início de novembro de 1945, em um encontro secreto com Hodge e Underwood no edifício do Hotel Bando, em Seul, o acusado Pak Hon Yong foi formalmente entregue a Hodge por Underwood, com quem mantinha uma ligação de espionagem desde antes. Na ocasião, recebeu de Hodge novas instruções: reunir suas forças e esforçar-se para consolidar firmemente sua posição dentro do Partido Comunista da Coreia; promover ativamente seus próprios homens no interior das organizações do Partido Comunista na região norte da Coreia; informar previamente sobre importantes atividades do Partido Comunista; fomentar ideias de divisão dentro do Partido Comunista; conduzir o Partido Comunista por métodos legais e conciliatórios em uma direção pró-EUA; impedir que fossem realizadas lutas como revoltas e greves contra o governo militar estadunidense; guardar rigorosamente os segredos de espionagem; e outras instruções, jurando a Hodge ser fiel à sua execução.
Com base nas instruções de Hodge acima mencionadas, o acusado Pak Hon Yong, utilizando a posição que ocupava dentro do Partido Comunista da Coreia, enfraqueceu e paralisou as forças combativas do Partido e realizou, em conformidade com a política dos imperialistas estadunidenses destinada a estrangular as forças democráticas e patrióticas do povo coreano em toda a parte sul, atividades sistemáticas e organizadas de espionagem, bem como diversas maquinações e atividades terroristas destinadas à destruição das forças democráticas.
Assim, no início de fevereiro de 1946, o acusado Pak Hon Yong encontrou-se secretamente com Hodge no edifício do Hotel Bando, em Seul, e forneceu-lhe dados sobre toda a estrutura organizativa do Partido Comunista da Coreia, desde o centro até as localidades, sua situação de funcionamento, a estrutura organizativa das organizações de massas sob a direção do Partido, bem como listas de espiões e informações sobre a situação política, entre outros materiais. Em março e maio do mesmo ano, forneceu a Hodge dados sobre a política de expansão do Partido Comunista da Coreia, a posição do Partido em relação à Comissão Conjunta URSS-EUA e as questões a serem discutidas. Em março de 1946, encontrou-se secretamente com Hodge no edifício do Hotel Bando, em Seul, e, após receber dele instruções para colocar Ri Sung Yop e Jo Il Myong em posições importantes do Partido e garantir e orientar suas atividades de espionagem, promoveu Ri Sung Yop de presidente do Comitê Provincial do Partido em Kyonggi a membro do Bureau Político do Comitê Central do Partido e confiou-lhe o trabalho de “infiltração nos partidos de direita”, enquanto promoveu Jo Il Myong a redator-chefe do jornal do Partido, Haebang Ilbo. Dessa maneira, conforme foi comprovado pela sentença do Supremo Tribunal da República Popular Democrática da Coreia de 6 de agosto de 1953, fez com que os espiões do imperialismo estadunidense Ri Sung Yop e Jo Il Myong fornecessem, em seis ocasiões distintas entre março de 1946 e setembro de 1947, importantes segredos relativos às atividades do Partido às agências de espionagem militar estadunidenses.
O acusado Pak Hon Yong encontrou-se secretamente com Hodge, em 5 de setembro de 1946, no edifício do Hotel Bando, em Seul, e recebeu dele a instrução de ir para o norte e realizar atividades destinadas a tomar o controle do Partido do Trabalho da Coreia do Norte e do regime da Coreia do Norte. Hodge também lhe ordenou que concedesse uma missão importante ao espião Ri Kang Guk e o enviasse para a Coreia do Norte, que o nomeasse para um cargo importante e garantisse suas atividades de espionagem. Depois de jurar cumprir essas instruções, o acusado, conspirando com Ri Kang Guk conforme o acordo secreto com Hodge, fez publicar uma declaração em nome da frente contra o governo militar estadunidense e, usando como pretexto uma “ordem de prisão” forjada com base nessa declaração, infiltrou-se na parte norte no início de outubro de 1946.
Primeiramente, no início de novembro de 1946, o acusado Pak Hon Yong enviou a Seul seu subordinado e agente de ligação, que na época era So Tok Un, para informar a Hodge que havia chegado em segurança a Pyongyang. Gradualmente, assumiu o controle da linha de ligação do Partido para o sul e utilizou-a para manter contatos de espionagem com Ri Sung Yop, que permanecera em Seul. Em fevereiro de 1947, por meio do responsável pela ligação do Partido do Trabalho da Coreia do Sul com a parte sul, enviou a Ri Sung Yop uma carta secreta contendo instruções sobre como estabelecer uma ligação com a rede de espionagem, juntamente com dados estatísticos sobre a economia nacional da Coreia do Norte, completando assim a linha de comunicação entre Ri Sung Yop e Hodge. Em abril de 1947, enviou dados sobre a posição que o lado soviético adotaria na Segunda Comissão Conjunta URSS-EUA, que seria retomada posteriormente. Em junho de 1948, enviou So Tok Un a Seul para que este transmitisse a Hodge importantes decisões do Partido do Trabalho da Coreia do Norte, documentos secretos internos do Partido e informações sobre a situação dos preparativos para as eleições dos deputados à Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia.
Enquanto realizava essas atividades de espionagem, o acusado Pak Hon Yong, conforme as instruções de Hodge, conseguiu promover, em fevereiro de 1947, o espião Ri Kang Guk, agente do coronel Baird, comandante da Polícia Militar da 24ª Divisão do Exército estadunidense estacionada na parte sul, para o cargo de diretor do Departamento de Relações Exteriores do Comitê Popular da Coreia do Norte. Nomeou-o ainda como seu representante ou responsável pela direção da Gráfica nº 1 de Haeju, garantindo ativamente suas atividades de espionagem. Como resultado, conforme comprovado pela sentença do Supremo Tribunal da República Popular Democrática da Coreia de 6 de agosto de 1953, Ri Kang Guk, utilizando seu cargo de diretor do Departamento de Relações Exteriores, transmitiu aos imperialistas estadunidenses, em cinco ocasiões, entre maio de 1947 e agosto de 1948, importantes segredos, incluindo dados sobre a Academia de Pyongyang; a organização e a situação do efetivo e da disposição das unidades do Exército Popular e das forças de segurança em áreas como Kanggye e Kaechon; os movimentos do comando das tropas soviéticas estacionadas em Pyongyang; informações secretas sobre as tropas soviéticas estacionadas na Coreia do Norte; a estrutura e as principais políticas do Comitê Popular da Coreia do Norte; a situação da implementação da reforma monetária; dados estatísticos sobre o plano econômico nacional da Coreia do Norte de 1947; e indicadores gerais relativos ao orçamento nacional de 1948. Além disso, em fevereiro e dezembro de 1947, informou diretamente Ri Kang Guk sobre importantes segredos do Partido e do Estado, fazendo com que este os transmitisse aos imperialistas estadunidenses.
Em junho de 1948, o acusado Pak Hon Yong informou Hodge sobre o plano de fundação da República Popular Democrática da Coreia e, diante da necessidade de intensificar as atividades de espionagem relacionadas a isso, solicitou temporariamente o envio do espião Ri Sung Yop, fazendo com que Ri Sung Yop fosse enviado. Em meados de setembro de 1948, em sua residência em Namsan-ri, na cidade de Pyongyang, discutiu com Ri Sung Yop as futuras atividades de espionagem. Como resultado, com base na instrução de Hodge de que “... com a fundação da República, a existência de Pak Hon Yong se tornou ainda mais valiosa para os EUA, portanto, no futuro, não realize diretamente atividades de espionagem, mas confie-as a Ri Sung Yop...”, o acusado Pak Hon Yong transferiu suas anteriores atividades de espionagem a Ri Sung Yop e concordou em utilizar suas importantes posições no Partido e no governo para garantir as condições e facilidades necessárias às atividades criminosas dos espiões contratados pelo imperialismo estadunidense, incluindo Ri Sung Yop e Ri Kang Guk. Pouco depois, em conexão com o retorno de Hodge aos Estados Unidos, eles receberam dele a nova instrução de que “... daqui em diante, atuem sob a direção de Noble, conselheiro político da Embaixada dos Estados Unidos em Seul...”, continuando suas atividades criminosas por meio de contatos com Noble. Os espiões que se infiltraram continuamente na região norte, tendo Pyongyang como centro, penetraram profundamente no interior do Partido e do governo, bem como de importantes órgãos, sob a direção faccionista do acusado Pak Hon Yong, chefe dos espiões contratados pelo imperialismo estadunidense, que usava os títulos de vice-presidente do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia, vice-presidente do governo da República e ministro das Relações Exteriores, continuando e ampliando as atividades de espionagem e outras maquinações contrarrevolucionárias, conforme comprovado pela sentença do Supremo Tribunal da República Popular Democrática da Coreia de 6 de agosto de 1953.
Ao mesmo tempo, em junho de 1948, o acusado Pak Hon Yong recebeu, por intermédio de So Tok Un, a instrução de Hodge para garantir a entrada e as atividades de espionagem de espiões que seriam enviados à Coreia do Norte, sob o pretexto de procurar “agentes de informação estadunidense”. Assim, na primavera de 1949, depois de providenciar vistos de entrada para os espiões Alice Hyon e Ri Sa Min, que se infiltraram sob o disfarce de exilados políticos, vindo dos Estados Unidos através da Europa, colocou Alice Hyon na Agência Central de Notícias ou no Ministério das Relações Exteriores e Ri Sa Min em uma posição importante na Frente da Pátria, garantindo suas atividades de espionagem.
As atividades de espionagem dos imperialistas estadunidenses contra a Coreia tornaram-se ainda mais intensas em 1950, à medida que avançava o chamado plano de “conquista do norte”. Assim, conforme comprovado pela sentença do Supremo Tribunal da República Popular Democrática da Coreia de 6 de agosto de 1953, Noble e o coronel Nichols, do Serviço de Inteligência Aérea do Comando do Extremo Oriente dos Estados Unidos, que atuava sob suas ordens, infiltraram na Coreia do Norte, em abril de 1950, o extremamente perverso traidor nacional Paek Hyong Bok, que havia sido chefe da Seção de Investigação Central do Departamento de Segurança do Ministério do Interior do governo títere de Ri Sung Man e anteriormente pertencera à alta polícia imperial japonesa, juntamente com os espiões do exército estadunidense An Yong Tal e Jo Yong Bok. Por ordem de Noble, o espião Ri Sung Yop fez Paek Hyong Bok infiltrar-se no Ministério do Interior da República, An Yong Tal no recém-organizado comando do Partido em Seul, e Jo Yong Bok no Departamento de Inspeção Popular do Gabinete, fornecendo-lhes, entre outras coisas, importantes segredos militares sobre as unidades aéreas do Exército Popular e importantes segredos internos do Partido, para que realizassem atividades de espionagem. Em maio de 1950, o acusado Pak Hon Yong encontrou-se com An Yong Tal e Paek Hyong Bok em sua residência em Namsan-ri, na cidade de Pyongyang, e ordenou a Ri Sung Yop que garantisse a proteção pessoal de Paek Hyong Bok, assegurando assim as atividades criminosas daqueles indivíduos.
Em dezembro de 1950, quando nossas forças retomaram a ofensiva, o acusado Pak Hon Yong passou a agir ainda mais secretamente com o objetivo de infiltrar os bandos de Ri Sung Yop e Ri Kang Guk, espiões contratados pelo imperialismo estadunidense, em posições cada vez mais elevadas, visando enfraquecer a força militar, política e econômica da República e conduzi-la à derrota final. Essas atividades criminosas continuaram até a prisão do bando de Ri Sung Yop, em 1953.
II. Desde setembro de 1945, o acusado Pak Hon Yong, ao mesmo tempo que realizava as atividades de espionagem acima mencionadas por meio de seus contatos com Hodge, também executava atividades de destruição e terror contra o Partido do Trabalho da Coreia do Sul e as forças democráticas patrióticas. Assim, o acusado Pak Hon Yong colocou desde cedo os espiões Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Ri Kang Guk e seus bandos em importantes posições do Partido e, sob o pretexto de que atacar excessivamente o governo militar estadunidense seria prejudicial às atividades políticas do Partido, empenhou-se em enfraquecer a luta patriótica dos trabalhadores da parte sul contra o imperialismo estadunidense, recorrendo a métodos como a abolição das greves conjuntas e de todas as formas de resistência. Por outro lado, o acusado Pak Hon Yong fez com que seus cúmplices, incluindo Ri Sung Yop, assassinassem fiéis quadros do Partido, atribuindo-lhes injustamente os estigmas de “traidores”, “suspeitos de espionagem” e “divulgadores de segredos do Partido”. Assim, entre maio e agosto de 1948, em 13 ocasiões, 42 membros do Partido do Trabalho da Coreia do Sul e personalidades democráticas foram assassinados no condado de Jangpung, na província de Hwanghae. No verão de 1949, em Yangyang, na província de Kangwon, Hyon In Cho e mais duas pessoas foram assassinados da mesma maneira. Em agosto de 1948, Kim Jae Gwan, então presidente do Comitê do Partido em Kaesong, e, em outubro do mesmo ano, So Ku Don, então presidente do Comitê do Partido no condado de Jangpung, foram presos com a intenção de assassiná-los da mesma maneira, mas o objetivo não foi alcançado porque o fato foi descoberto pelas forças de segurança da República. Esses fatos foram comprovados pela sentença do Supremo Tribunal da República Popular Democrática da Coreia de 6 de agosto de 1953.
Além disso, o acusado Pak Hon Yong, por meio de métodos que provocavam confrontos aventureiros, conduziu numerosos combatentes patrióticos ao massacre pelas mãos dos inimigos e entregou o Partido e as forças democráticas à destruição. Assim, embora desde 1948 o Partido lhe tivesse solicitado que tomasse medidas diante do fato de que os imperialistas estadunidense haviam organizado a chamada “Liga de Orientação” para destruir completamente o Partido do Trabalho da Coreia do Sul e realizavam uma repressão sangrenta e selvagem, o acusado Pak Hon Yong recusou deliberadamente o pedido, permitindo e garantindo por completo as operações de destruição dos inimigos. An Yong Tal e outros, cujas atividades criminosas eram protegidas e garantidas sob o patrocínio do acusado Pak Hon Yong, aproveitaram a publicação, em 18 de junho de 1949, do apelo da Frente Democrática pela Reunificação da Pátria como ocasião para comunicar a todas as organizações do Partido do Trabalho da Coreia do Sul instruções para se prepararem, sem princípios, para uma revolta e adotarem uma postura de mobilização geral. Com isso, forneceram aos imperialistas estadunidenses um pretexto para a repressão e expuseram as organizações do Partido diante de assassinos sedentos de sangue, permitindo-lhes realizar facilmente prisões e massacres em massa por toda a parte sul. Em 27 de março de 1950, Kim Sam Ryong, responsável pela liderança do Partido do Trabalho da Coreia do Sul em Seul e uma das últimas figuras que permaneciam, foi preso e assassinado por An Yong Tal, Jo Yong Bok e Paek Hyong Bok, cujas atividades criminosas eram protegidas e garantidas pelo acusado Pak Hon Yong, fazendo com que as organizações clandestinas do Partido, núcleo das forças democráticas da parte sul, fossem finalmente destruídas.
Além disso, sob a direção e organização direta de Ri Sung Yop, cúmplice do acusado Pak Hon Yong, An Yong Tal, Ri Jung Op, Paek Hyong Bok e outros, por ocasião da libertação da cidade de Seul, em 28 de junho de 1950, organizaram organizações secretas de assassinato denominadas “Comitê de Investigação de Terras” ou “Departamento de Assuntos Especiais do Quartel-General das Forças Voluntárias”. Contra mais de 70 pessoas inocentes, suspeitas de ocultarem seus crimes contrarrevolucionários, praticaram detenções ilegais, torturas cruéis e espancamentos, fuzilando sete delas, membros do Partido do Trabalho da Coreia do Sul. Quando, em julho de 1950, os crimes de An Yong Tal e outros relacionados à prisão de Kim Sam Ryong se tornaram conhecidos publicamente, o acusado Pak Hon Yong, para impedir que seus próprios crimes fossem descobertos, ordenou a Ri Sung Yop que incorporasse An Yong Tal às unidades guerrilheiras que se dirigiam para o sul e depois o assassinasse secretamente.
III. O acusado Pak Hon Yong, por meio de sua conspiração com Underwood, em outubro de 1939, entrou no caminho da traição contra a independência nacional e a democratização da Coreia. Esse era um caminho criminoso pelo qual, como lacaio dos inimigos, pretendia desarmar completamente a classe trabalhadora revolucionária coreana e, assim, garantir e realizar as ambições do imperialismo estadunidense de invadir a Coreia.
Logo após a libertação de 15 de agosto, aproveitando-se da situação em que as forças revolucionárias coreanas ainda não haviam conseguido alcançar plena unidade e coesão e em que as principais linhas políticas e organizativas de um partido revolucionário ainda não haviam sido apresentadas, o acusado Pak Hon Yong reuniu em torno de si espiões do imperialismo estadunidense, elementos pró-japoneses e desertores, promovendo-os a cargos importantes dentro do Partido Comunista da Coreia e, desse modo, estabelecendo sua própria base reacionária destinada a servir aos imperialistas estadunidenses. Com o objetivo de estabelecer na Coreia, antes da libertação, um sistema capitalista, fabricou o regime pró-estadunidense chamado “República Popular da Coreia”, tendo o traidor vende-pátria Ri Sung Man como presidente e os elementos traidores pró-estadunidenses e pró-japoneses como força representativa, e cometeu o crime de fazer o Partido Comunista da Coreia e a Frente Nacional da Coreia do Sul apoiá-lo, opondo-se assim ao estabelecimento de um regime popular no qual todo o poder seria exercido pelo próprio povo coreano.
Em 5 de setembro de 1946, o acusado Pak Hon Yong recebeu de Hodge a instrução de infiltrar-se na parte norte da República, estabelecer uma base sólida dentro do Partido e do poder popular e realizar atividades criminosas destinadas a destruir o Partido e os órgãos do poder a partir de dentro. Depois de entrar na parte norte, iniciou a execução da tarefa recebida de Hodge, infiltrando elementos contrarrevolucionários, incluindo Ri Kang Guk, Jo Il Myong, Ri Won Jo, Pak Sung Won e Rim Hwa na Gráfica nº 1 de Haeju e na Academia Política de Kangdong, manipulando-os e utilizando esses locais para a execução de suas atividades criminosas. Depois de, em setembro de 1948, com base na ordem secreta de Hodge, transferir suas atividades diretas de espionagem para Ri Sung Yop, concentrou todos os seus esforços em atividades criminosas destinadas a enfraquecer e destruir o Partido e os órgãos do poder a partir de dentro, ampliando gradualmente o alcance dessas atividades criminosas. Assim, desde outubro de 1946, o acusado Pak Hon Yong procurou aproximar-se da realização de seu objetivo criminoso final infiltrando espiões e elementos sabotadores no interior de importantes órgãos, incluindo o Partido, os órgãos do poder e o Exército Popular da Coreia, protegendo e dirigindo suas atividades criminosas.
Como resultado, Ri Sung Yop foi infiltrado nos cargos de secretário do Comitê Central do Partido, membro do Bureau e diretor do Departamento de Inspeção Popular; Jo Il Myong, no cargo de vice-ministro do Ministério da Cultura e Propaganda; Kim Jom Kwon, como vice-ministro do Ministério da Indústria Leve; Kim Kwang Su, como vice-ministro do Ministério do Comércio; Han Pyong Ok, como diretor do Departamento Geral da Retaguarda do Quartel-General Supremo do Exército Popular da Coreia; Ri Kang Kuk, como presidente da Companhia de Importação de Produtos Gerais do Ministério do Comércio; Jang Si U, como ministro do Comércio Exterior; Pae Chol, como diretor do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido; Pak Sung Won e Yun Sun Tal, como vice-diretores do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido; Ri Won Jo, como vice-diretor do Departamento de Propaganda e Agitação do Comitê Central do Partido; Kim Ung Bin, como diretor da Academia Kumgang; So Tok Un, como vice-diretor do Departamento de Organização do Comitê Central do Partido; An Yong Tal, como responsável pelas ligações da liderança do Partido do Trabalho da Coreia do Sul; Rim Hwa, como vice-presidente do Comitê Central da Associação Cultural Coreia-URSS; Kim Nam Chon, como secretário-geral da Federação Geral de Literatura e Artes; e Ri Jae U, como diretor do Departamento de Organização do Comitê Central da Federação Geral dos Sindicatos. Cada um deles foi levado a realizar toda espécie de maquinações políticas e atividades de sabotagem, provocando desordem e desmoralização.
Quando eclodiu a Guerra de Libertação da Pátria, em 25 de junho de 1950, o acusado Pak Hon Yong, ocultando sua intenção sinistra de destruir o Partido e as forças democráticas na parte sul, reuniu em Anju mais de 100 pessoas que estavam sob sua direção, com a intenção de assumir o controle dos órgãos do Partido e do poder em toda a região sul e, com base nisso, alcançar seu objetivo final de derrubar o regime da República. Nomeou-os e enviou-os como responsáveis pelos comitês de província, cidade e condado do Partido e pelos órgãos do poder nas regiões da parte sul libertadas pelo contra-ataque do Exército Popular da Coreia. Seu cúmplice Ri Sung Yop, enquanto ocupava o cargo de presidente do Comitê Popular Provisório da cidade de Seul libertada, também, com o objetivo criminoso de alcançar a mesma finalidade, colocou Kim Jom Kwon como presidente do Comitê Provincial do Partido em Kyonggi, An Yong Tal e posteriormente Pak Sung Won como presidentes do Comitê Popular Provincial de Kyonggi, e elementos contrarrevolucionários como An Ki Sop e Kim Yo Han como vice-presidentes do Comitê Popular Provincial de Kyonggi.
O acusado Pak Hon Yong, em abril de 1951, deu a Rim Hwa instruções para fazer com que elementos contrarrevolucionários assumissem a liderança no campo da cultura e das artes, fazendo com que estes criassem confrontos ideológicos e conflitos internos no seio da Federação Geral de Literatura e Artes.
O acusado Pak Hon Yong, aproveitando a criação do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia, em agosto de 1951, deu instruções a Ri Sung Yop, sob o pretexto de intensificar as atividades dirigidas à parte sul, para que organizasse esse departamento com seus homens de confiança e, tendo-o como centro, intensificasse e ampliasse as conspirações contra o Partido e o governo.
O acusado Pak Hon Yong, conspirando com Ri Sung Yop e outros, tramou, a partir de novembro de 1951, uma conspiração criminosa para organizar a província de Kyonggi, tendo a região de Kaesong como centro, e transformá-la em base para atividades criminosas contrarrevolucionárias.
Ri Sung Yop, Pae Chol, Pak Sung Won, Rim Hwa, Jo Il Myong e outros, dirigidos pelo acusado Pak Hon Yong, conforme comprovado pela sentença do Supremo Tribunal da República Popular Democrática da Coreia de 6 de agosto de 1953, durante o difícil período da guerra, em que o povo coreano se levantou em massa para aniquilar os inimigos, reuniram-se no início de setembro de 1952, no escritório de Ri Sung Yop, no Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia, e discutiram a realização de uma revolta armada para derrubar o Partido e o governo em resposta a uma esperada ofensiva militar das forças inimigas. Formaram um comando da revolta armada, tendo Ri Sung Yop como comandante-geral, Pak Sung Won como chefe do Estado-Maior, Pae Chol como responsável pela organização militar, Kim Ung Bin como responsável pelo comando da revolta, e Rim Hwa e Jo Il Myong como responsáveis pela propaganda e agitação. Posteriormente, em repetidas resoluções, procuraram aumentar a antiga 10ª Unidade de Guerrilha, planejada como força principal da revolta armada, até cerca de 4 mil homens e transferi-la para as proximidades de Pyongyang, onde seria estacionada. Ao mesmo tempo, tomaram medidas para intensificar a educação e o treinamento militar destinados a incutir ideias contrarrevolucionárias hostis à República nos membros dessa unidade e nos estudantes da Academia Kumgang. Em setembro de 1952, esses criminosos voltaram a reunir-se secretamente na residência do acusado Pak Hon Yong e, após derrubarem o Partido e o governo por meio de uma revolta armada, conspiraram em formar um "partido legal", destinado a enganar a classe trabalhadora coreana e permitir aos imperialistas estadunidenses completar sua invasão da Coreia. Planejaram ainda a criação de um “novo governo”, subordinado aos Estados Unidos e destinado a garantir os interesses das classes capitalista e latifundiária, que futuramente se uniria ao governo fantoche Ri Sung Man. Para isso, decidiram que Pak Hon Yong seria primeiro-ministro; Jang Si U e Ju Nyong Ha, vice-primeiros-ministros; Pak Sung Won, ministro do Interior; Ri Kang Guk, ministro das Relações Exteriores; Kim Ung Bin, ministro das Forças Armadas; Jo Il Myong, ministro da Propaganda; Rim Hwa, ministro da Educação; Yun Sun Tal, ministro do Comércio; Pae Chol, ministro do Trabalho; e Ri Sung Yop, secretário-geral do "novo partido".
O acusado Pak Hon Yong, desde o início da execução dos crimes, realizou incessantemente maquinações políticas, que se intensificaram especialmente durante o período posterior à sua infiltração na parte norte, em outubro de 1946.
O acusado Pak Hon Yong dedicou todos os seus esforços a reunir em torno de si os membros do Partido que haviam vindo da parte sul, enganando-os e conciliando-os para criar desconfiança em relação ao Partido e ao governo da República e, no caso dos elementos depravados, utilizando meios e métodos como encobrir seus crimes passados. Quanto aos militantes zelosos e realizadores fiéis às funções do Partido e do Estado, ameaçou-os, chamando-os de “traidores” e “desertores”, fazendo com que se tornassem pessimistas quanto ao futuro e abandonassem seus cargos. Astutamente instigou e incitou seu antigo homem de confiança Jang Si U a continuar cometendo crimes contra o Partido e o Estado. Por intermédio de So Tok Un, Ri Kang Guk e outros, sob o pretexto de angariar fundos para o Partido, administrou empresas de arroz e empreendimentos florestais, aproximando-se de numerosas pessoas sob o disfarce de falsificação de documentos. Além disso, fez grandes gastos econômicos em favor de seus homens de confiança sob sua influência, atraindo-os para uma vida dissoluta e luxuosa e, ao mesmo tempo, envolvendo-os em crimes contrarrevolucionários. O próprio acusado Pak Hon Yong também levou uma vida luxuosa e gananciosa, possuindo, no momento de sua prisão, 870 mil wons em moeda da República e 1.600 gramas de ouro puro.
Além disso, depois de assumir o cargo de ministro das Relações Exteriores, em setembro de 1948, o acusado Pak Hon Yong, disfarçando-se de “internacionalista”, atraiu numerosos homens de sua confiança para o Ministério das Relações Exteriores e os colocou em cargos importantes, continuando a realizar atividades criminosas e pérfidas destinadas a romper as relações amistosas com os países irmãos, incluindo a União Soviética e a República Popular da China. Para isso, envolveu ou aproximou de seus crimes contrarrevolucionários Ju Nyong Ha, ex-embaixador plenipotenciário na União Soviética, Kwon O Jik, ex-embaixador extraordinário e plenipotenciário na China, e Song Jong Chol, conselheiro da referida embaixada, fazendo-os repetidamente realizar atividades de difamação e incitação destinadas a caluniar e menosprezar a União Soviética e a China.
Os fatos acima são comprovados pelas declarações do acusado Pak Hon Yong durante a investigação preliminar e o julgamento, pelos testemunhos das testemunhas Han Chol, Kim So Mok, Kwon O Jik e outros, bem como pelos autos do processo criminal contra os 12 acusados, entre eles Ri Sung Yop, confirmados pela sentença do Supremo Tribunal da República Popular Democrática da Coreia de 6 de agosto de 1953, referentes aos artigos 78, 68, inciso 2 do artigo 76 e inciso 1 do artigo 65 do Código Penal.
O tribunal confirma que os atos de espionagem praticados pelo acusado Pak Hon Yong, que traiu a pátria e serviu ao imperialismo estadunidense com o objetivo de se opor à independência e à democratização da Coreia e derrubar o poder popular da República, bem como os atos de maquinação contrarrevolucionária, propaganda e agitação realizados com o mesmo objetivo, e os atos de proteção e garantia da execução da conspiração para uma revolta armada pelos bandos contrarrevolucionários de Ri Sung Yop e outros constituem crimes previstos nos artigos 78, 68, inciso 2 do artigo 76 e inciso 1 do artigo 65 do Código Penal. Assim, com base no Código de Processo Penal, este tribunal profere a seguinte sentença.
Dispositivo
Quanto ao acusado Pak Hon Yong, nos termos dos artigos 78 e 68 do Código Penal, condena-o à pena de morte e ao confisco de todos os seus bens. Nos termos do inciso 2 do artigo 76 do Código Penal, condena-o à pena de morte e ao confisco de todos os seus bens, e, nos termos do inciso 1 do artigo 65 do Código Penal, condena-o à pena de morte e ao confisco de todos os seus bens. Com base no inciso 1 do artigo 50 do Código Penal, condena o referido indivíduo à pena de morte prevista nos artigos 78 e 68 do Código Penal e ao confisco de todos os seus bens.
As provas anexadas a este processo serão devolvidas aos seus legítimos proprietários.
República Popular Democrática da Coreia
Tribunal Supremo
Tribunal Especial
Presidente do Tribunal, vice-Marechal da República Popular Democrática da Coreia
Choe Yong Gon
Kim Ik Son
Rim Hae
Pang Hak Se
Jo Song Mo
Na cidade de Pyongyang
Processo sobre a conspiração para derrubar o regime da República Popular Democrática da Coreia e as atividades de espionagem, terror e propaganda e agitação contra o Estado de Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Rim Hwa, Pak Sung Won, Ri Kang Guk, Pae Chol, Yun Sun Tal, Ri Won Jo, Paek Hyong Bok, Jo Yong Bok, Maeng Jong Ho e Sol Jong Sik
Ata de acusação
Processo sobre a conspiração dos acusados Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Rim Hwa, Pak Sung Won, Ri Kang Guk, Pae Chol, Yun Sun Tal, Ri Won Jo, Paek Hyong Bok, Jo Yong Bok, Maeng Jong Ho, Sol Jong Sik e outros para derrubar o governo da República Popular Democrática da Coreia e sobre suas atividades de espionagem, terror e propaganda e agitação contra o Estado
Com a derrota do imperialismo japonês em 15 de agosto de 1945, graças aos feitos militares do grande Exército Soviético na Segunda Guerra Mundial, a Coreia foi libertada do domínio colonial imperialista e abriu-se ao povo coreano o caminho para construir, por seus próprios esforços criadores, um Estado democrático, independente e soberano.
Entretanto, os imperialistas estadunidenses, que desembarcaram suas tropas na parte sul de nossa pátria, prosseguiram com sua política de agressão destinada a recolonizar a Coreia libertada e transformá-la em uma base militar para a agressão ao Extremo Oriente contra a União Soviética e a China.
Os invasores imperialistas estadunidenses, enquanto deliberadamente destruíam e violavam os tratados internacionais sobre a reconstrução e o desenvolvimento da Coreia como um Estado democrático, independente e unificado, reuniram os elementos reacionários vende-pátria, como pró-japoneses e traidores da nação, fabricaram órgãos de governo reacionários na parte sul da pátria e perpetraram um regime de terror reacionário contra o povo, ao mesmo tempo em que, após a libertação, tentaram destruir as diversas conquistas da construção democrática alcançadas pelos esforços criadores do povo da parte norte e se empenhavam freneticamente em derrubar a República Popular Democrática da Coreia, estabelecida pela vontade geral do povo coreano.
Os imperialistas estadunidenses, os mais execráveis inimigos do povo coreano, além de interferirem na República Popular Democrática da Coreia, mobilizaram plenamente as instituições de espionagem que haviam instalado há muito tempo na parte sul da República e os órgãos reacionários da camarilha de Ri Sung Man, e realizaram atividades de espionagem e sabotagem contra a parte norte da República, com o objetivo de facilitar a concretização de seus planos de agressão.
Os imperialistas estadunidenses, com o objetivo de destruir e enfraquecer por dentro o Governo da República Popular Democrática da Coreia e o Partido do Trabalho da Coreia, sua força dirigente, infiltraram habilmente em cargos dirigentes do Partido e dos órgãos do poder os traidores da revolução e os espiões assalariados Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Rim Hwa, Ri Kang Guk e seu bando, que já haviam cometido atos de traição e de venda da pátria desde o período do domínio japonês.
Ri Sung Yop e sua camarilha, que haviam se tornado lacaios do imperialismo estadunidense, cabeça da reação internacional, recebendo instruções de seus amos estadunidenses, perpetraram maquinações sinistras para derrubar o governo da República e atividades de espionagem, terror e massacre contra o Estado.
O bando de Ri Sung Yop, para alcançar o vil objetivo de derrubar o poder popular estabelecido na República sob a proteção do imperialismo estadunidense e instaurar um governo capitalista degenerado, utilizou os altos cargos que ocupavam nos órgãos centrais do Governo e do Partido para destruir e enfraquecer a unidade e a capacidade de luta do Partido, impedir e frustrar a execução das diversas medidas do Governo da República, provocar o afastamento entre o Partido, o Governo e as massas populares e, sob o apoio militar do imperialismo estadunidense, tentou derrubar o Governo da República por meio de uma insurreição armada.
O bando de Ri Sung Yop, espiões assalariados fiéis do imperialismo estadunidense, auxiliou a política de agressão do imperialismo estadunidense contra a Coreia, coletando e fornecendo segredos do Partido e do Estado e, especialmente durante a guerra, fornecendo diversos segredos militares, contribuiu ativamente para a execução da agressão do imperialismo estadunidense contra a Coreia.
O bando de Ri Sung Yop, para estabelecer sua base a fim de realizar a conspiração contrarrevolucionária e, além disso, por temer que seus planos criminosos fossem descobertos, assassinou numerosos revolucionários por meios astutos e cruéis.
Assim, por meio da investigação preliminar deste processo, foram comprovadas as atividades de conspiração para derrubar o governo da República e de espionagem, terror e massacre contra o Estado cometidas pelo bando de Ri Sung Yop como fiéis lacaios dos invasores imperialistas estadunidenses.
Atividades de espionagem realizadas em favor do imperialismo estadunidense
Os elementos espiões, tendo Ri Sung Yop à frente, juntamente com Jo Il Myong, Rim Hwa, Pak Sung Won, Ri Kang Guk, Jo Yong Bok, Paek Hyong Bok, Sol Jong Sik e outros, já imediatamente após o 15 de Agosto, atuaram como agentes do serviço de espionagem estadunidense, dedicando-se a atividades de espionagem contra a República.
Logo após a libertação de 15 de Agosto, os invasores imperialistas estadunidenses que desembarcaram na região sul começaram a utilizar como seus lacaios os elementos contrarrevolucionários infiltrados no interior do Partido Comunista.
Em janeiro de 1946, o órgão de espionagem estadunidense recrutou o acusado Ri Sung Yop, então membro do Comitê Político do Comitê Central do Partido Comunista, e Jo Il Myong, chefe da redação do jornal do Partido Comunista, para atividades de espionagem, colocando Ri Sung Yop como seu chefe.
O acusado Ri Sung Yop, ao depor sobre as circunstâncias em que estabeleceu contato com Baird, oficial estadunidense e assessor político do tenente-general Hodge, comandante das forças de ocupação estadunidenses na Coreia do Sul, em fevereiro de 1946, e sobre sua verdadeira essência ideológica, declarou:
"……Logo após a libertação de 15 de Agosto, para garantir minha posição política tendo os Estados Unidos como respaldo, eu vinha observando e demonstrando simpatia pela situação das tropas estadunidenses que haviam desembarcado na Coreia do Sul e, especialmente, aproveitei uma entrevista com um repórter de jornal militar estadunidense, organizada pelo Comitê Preparatório Nacional de Seul em setembro de 1945, para declarar que o Partido Comunista Coreano apoiaria futuramente a política das forças estadunidenses e buscaria relações amistosas com os Estados Unidos……" (Volume 1 dos registros, páginas 135—136)
Sobre as circunstâncias em que estabeleceu contato com Ri Sung Yop para atividades de espionagem, o acusado Jo Il Myong declarou o seguinte:
"……Certo dia, no final de fevereiro de 1946, o capitão da polícia militar Johnson, que havia me recrutado para o órgão de espionagem estadunidense, veio ao Haebang Ilbo, onde eu trabalhava, acompanhado de seu intérprete, e, enfatizando que eu deveria cumprir fielmente as obrigações de espionagem que havia prometido a ele, ordenou que, dali em diante, sob a direção de Ri Sung Yop e mantendo contato com ele, eu fornecesse todos os materiais secretos relativos às atividades.
Por ordem de Johnson, no final de fevereiro de 1946, na casa de Paek Sok Hwang, em Chongjin-dong, Seul, que era então o escritório da organização provincial de Kyonggi do Partido Comunista, transmiti a Ri Sung Yop as instruções de Johnson e prometi fornecer-lhe informações e materiais sobre a situação interna do Partido……" (Volume 1 dos registros, páginas 62—63)
Assim, por ordem do imperialismo estadunidense, os elementos espiões, tendo Ri Sung Yop à frente, dedicaram-se à contrarrevolução contra a República e, desde março de 1946, utilizando seus cargos dirigentes e sua autoridade dentro do Partido, atenderam à conspiração dos invasores imperialistas estadunidenses para destruir o Partido por dentro, fornecendo aos órgãos de espionagem estadunidenses materiais sobre toda a estrutura organizativa e toda a situação interna do Partido, desde o centro até as organizações locais do Partido do Trabalho da Coreia do Sul. (Volume 11 dos registros, páginas 63—64)
Além disso, eles continuaram fornecendo aos inimigos informações secretas de caráter político e econômico sobre a parte norte da República, juntamente com uma visão geral da situação, e, sobretudo, durante o período em torno da retomada da Segunda Comissão Conjunta URSS-EUA, em maio de 1947, coletaram e forneceram materiais sobre as posições políticas e a atitude da delegação soviética na Comissão Conjunta URSS-EUA (Registros vol 1, página 199, e Volume 2, páginas 121—124)
O acusado Ri Sung Yop, por servir fielmente como lacaio dos imperialistas estadunidenses, de acordo com os resultados de suas atividades, pôde, a partir de maio de 1947, atuar em contato direto com Noble (que era consultor do Departamento de Estado dos Estados Unidos e, na época, assessor político do Governo Militar estadunidense, posteriormente assessor político da Embaixada dos Estados Unidos).
O acusado Ri Sung Yop declarou no interrogatório sobre seu contato com Noble:
"……Por volta de maio de 1947, encontrei-me na delegacia de polícia de Sodaemun com o Dr. Noble, que então era assessor político do Governo Militar dos EUA. Naquela ocasião, o Dr. Noble me disse que os Estados Unidos não pretendiam invadir a Coreia, mas, como o governo da Coreia do Norte e o Partido do Trabalho se opunham ativamente aos Estados Unidos, se patriotas como você reunissem as forças intermediárias da esquerda e da direita na Coreia e estabelecessem um governo unificado, seria possível ter sucesso, e os Estados Unidos lhe dariam apoio ativo. Naquela época, como eu considerava que isso seria possível se dependesse do poderoso poder dos Estados Unidos, concordei em participar das atividades políticas de Noble e, seguindo suas instruções, rompi naquele dia meu contato com Baird e passei a manter contato exclusivo com Noble……" (Registros vol 1, páginas 149—150)
Ri Sung Yop e Jo Il Myong, que a partir desse momento se aliaram aos imperialistas estadunidenses, não limitaram seus atos de traição apenas à região da Coreia do Sul.
Isto é, em julho de 1948, Ri Sung Yop, aproveitando a oportunidade de ir para o norte, encontrou-se com Noble na residência de funcionários da Embaixada dos Estados Unidos situada atrás do Palácio Toksugung, em Seul, e declarou o fato de ter recebido instruções dele da seguinte maneira.
"……O Dr. Noble me deu instruções para que, ao ir para o Norte, estudasse concretamente a situação social da Coreia do Norte e me preparasse com uma base e todos os preparativos necessários para poder atuar politicamente……" (Registros vol 1, página 142)
Ri Sung Yop, enviado segundo as instruções dos imperialistas estadunidenses, instalou uma rede de espionagem na parte norte da República como uma filial do órgão de espionagem estadunidense e, para executar fielmente as instruções de Noble, manteve discussões secretas com seu cúmplice Jo Il Myong, que já havia ido para o Norte antes dele, ao mesmo tempo em que realizava atividades destinadas a reunir seus principais seguidores. Por volta de agosto de 1948, juntamente com Jo Il Myong, recrutou o acusado Pak Sung Won, então vice-responsável pela Gráfica nº 1 de Haeju, a fim de estabelecer um canal de comunicação para transmitir futuramente materiais de espionagem a Noble; no início de novembro do mesmo ano, recrutou Rim Hwa, então membro do conselho editorial da Gráfica nº 1 de Haeju, que desde por volta de novembro de 1945 vinha realizando atividades de espionagem em contato com Underwood, assessor do órgão de espionagem estadunidense estacionado em Seul, e com o oficial Robinson, ou com Sol Jong Sik, que era então chefe de opinião pública do Departamento de Informação do Governo Militar dos Estados Unidos. (Registros vol 2, página 61)
Os acusados Pak Sung Won e Rim Hwa confessaram que, por intermédio de Ri Sung Yop e Jo Il Myong, tomaram conhecimento de suas atividades de espionagem e que cada um deles havia participado delas. (Registos vol 5, página 73, e vol 6, páginas 67—68)
Por outro lado, o acusado Ri Sung Yop declarou que, por volta de setembro de 1948, havia recebido novas instruções para futuras atividades de espionagem por intermédio do elemento espião An Yong Tal, enviado a ele por ordem de Noble, da seguinte maneira.
"……Pouco depois de eu ter ido para o Norte, realizou-se a eleição dos deputados à Assembleia Popular Suprema e, ao perceber que seria difícil para mim voltar ao Sul, o Dr. Noble enviou An Yong Tal como contato. Encontrei-me com ele no início de setembro de 1948, na residência de Pak Hon Yong, em Namsan-ri, Pyongyang…… Naquela ocasião, An Yong Tal me transmitiu, por ordem de Noble, que, caso futuramente eu não pudesse voltar ao Sul, deveria realizar o trabalho em toda a frente a partir do Norte. Por isso, durante a discussão com An Yong Tal, combinamos que, nas futuras atividades de espionagem, terror e bandidagem, eu enviaria os materiais a Pak Sung Won, em Haeju, por intermédio de Jo Il Myong, para que ele os transmitisse ao Dr. Noble, e que eu deveria ir até ele e comunicar isso. Além disso, entreguei-lhe um resumo da Constituição da República, do programa do Governo, da composição do Governo e outros materiais, fazendo-o voltar ao Sul no início de setembro do mesmo ano……" (Registros vol 1, páginas 143—146)
Assim, o bando de Ri Sung Yop concluiu inclusive a organização e a instalação de sua rede de espionagem e o estabelecimento de um sistema de comunicação com os órgãos de espionagem, lançando as bases para amplas atividades de espionagem nos campos militar, político, econômico e outros.
Como também ficou comprovado no interrogatório do acusado Jo Il Myong, somente até outubro de 1949, o bando de Ri Sung Yop forneceu repetidamente aos órgãos de espionagem estadunidenses materiais sobre a situação interna do Partido do Trabalho da Coreia e do Governo da República, estatísticas sobre a recuperação e o desenvolvimento da economia popular e materiais secretos de Estado.
A esse respeito, o acusado Pak Sung Won também confirmou que, por ordem de Ri Sung Yop, enviava todos os materiais e informações que lhe eram transmitidos por meio de Rim Hwa, utilizando o canal de comunicação da Gráfica nº 1 de Haeju com o Sul, a An Yong Tal, que realizava atividades de espionagem em Seul por ordem de Ri Sung Yop, e que, por intermédio deste, os materiais eram entregues aos órgãos de espionagem estadunidenses. (Registros vol 6, páginas 67—72)
Em particular, Ri Sung Yop e seus cúmplices empenharam-se ainda mais, sob as instruções diretas dos órgãos de espionagem estadunidenses, em detectar informações militares com o objetivo de seu chamado plano de avanço para o Norte.
Especialmente por volta de abril de 1949, coletaram e forneceram importantes segredos militares, como o número de efetivos das diversas unidades do Exército Popular da Coreia e seus locais de estacionamento. (Registros vol 1, página 173)
O acusado Ri Sung Yop reconheceu esse fato durante o interrogatório e, confessando que utilizou seu cargo de secretário do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia para obter segredos militares da Guarda da República ao longo do paralelo 38, declarou o seguinte.
"……Por volta de setembro de 1949, aproveitando a atividade do Partido na região do paralelo 38, nas províncias de Hwanghae e Kangwon, percorri a área ao longo do paralelo 38, desde a região de Ongjin, na província de Hwanghae, na costa oeste, até Yangyang, na província de Kangwon, na costa leste, e a linha costeira do Mar Leste, coletando segredos militares, como o efetivo das tropas da Guarda da República posicionadas ao longo da linha do paralelo 38, a organização da disposição das forças armadas e seus locais de estacionamento……" (Registros vol 1, página 148)
Além disso, no verão de 1949, o acusado Ri Sung Yop enviou o acusado Jo Il Myong ao local para coletar informações militares sobre a situação da batalha do monte Unpha, e Jo Il Myong, ao chegar ao local, delegou essa tarefa a Pak Sung Won. (Registros vol 1, página 174, e Volume 2, página 95)
Tendo recebido as instruções de Ri Sung Yop por intermédio de Jo Il Myong, Pak Sung Won, em seguida, foi pessoalmente ao local e, ao mesmo tempo, enviou Jon Rak Hyon, da redação da Gráfica nº 1 de Haeju, para realizar uma inspeção no local, coletando segredos militares relacionados à situação da batalha, à disposição das tropas e outros aspectos, e relatando-os a Ri Sung Yop. (Registros vol 6, páginas 74—76)
Todas as informações militares acima mencionadas foram transmitidas por Ri Sung Yop a Noble. (Registros vol 1, página 175)
Com a intensificação das atividades frenéticas de preparação da agressão militar dos imperialistas estadunidenses, visando derrubar a República Popular Democrática da Coreia, as atividades de espionagem de Ri Sung Yop e seus cúmplices contra a República também se intensificaram.
Isto é, a partir de fevereiro de 1950, Ri Sung Yop estabeleceu contato com Jo Yong Bok, elemento espião estadunidense dirigido pelo coronel estadunidense Nichols, enviado a Seul, e pelos acusados Paek Hyong Bok e An Yong Tal, atuando como oficial de inteligência aérea do Comando do Extremo Oriente dos Estados Unidos e realizando espionagem militar contra a parte norte sob as instruções de Noble.
Ficou comprovado que esse plano de força dos imperialistas estadunidenses não tinha como único objetivo invadir a República Popular Democrática da Coreia, mas também visava à agressão contra a União Soviética e a China.
O acusado Paek Hyong Bok, que participou diretamente das atividades de espionagem contra a República em contato com o bando de Ri Sung Yop, declarou sobre o objetivo de suas atividades de espionagem:
"……No final de novembro de 1949, no escritório do chefe da Seção de Inspeção do Departamento de Segurança do Ministério do Interior, em Seul, participei de uma discussão com o coronel estadunidense Nichols sobre atividades de espionagem contra a parte norte. Naquela ocasião, ele me disse que, para os Estados Unidos e para o campo anticomunista em geral, a Coreia tinha maior valor como ponto central para a obtenção de segredos da União Soviética, da China e dos países satélites do que por seu peso em termos de valor territorial. Em particular, como a Coreia está dividida em duas regiões ao norte e ao sul do paralelo 38, habitadas pelo mesmo povo coreano, ela constitui o ponto mais favorável para atividades de espionagem……" (Registros vol 6, páginas 97—98)
Ri Sung Yop, mantendo contato desde fevereiro de 1950 com Jo Yong Bok, dirigido por Nichols, Paek Hyong Bok e An Yong Tal, encontrou-se com ele três vezes até novembro do mesmo ano, em seu escritório do Comitê Central Partido e em sua residência em Namsan-ri, Pyongyang, fornecendo-lhe segredos militares sobre as unidades aéreas do Exército Popular, bem como segredos sobre a situação interna do Partido do Trabalho da Coreia, para que fossem transmitidos aos órgãos de espionagem do exército estadunidense. (Registros vol 1, páginas 184—186)
Os acusados Jo Yong Bok e Paek Hyong Bok admitiram ter recebido de Ri Sung Yop, em três ocasiões, segredos militares e segredos relativos ao Partido. (Registros vol 8, páginas 159—161, e Volume 10, páginas 121—123)
Posteriormente, por volta de maio de 1950, Ri Sung Yop, que, por ordem de Noble, recebeu novas instruções de An Yong Tal, Jo Yong Bok e Paek Hyong Bok, que haviam ido para o Norte sob a missão de ocultar suas verdadeiras identidades, declarou o seguinte sobre o plano para executar essas instruções:
"……Em 10 de maio de 1950, juntamente com An Yong Tal e Jo Yong Bok, realizei uma discussão em meu escritório no Comitê Central do Partido sobre a execução das instruções do Dr. Noble.
Como resultado, decidi que eu continuaria coletando em Pyongyang os segredos do Partido e do Governo como antes; An Yong Tal recebeu a tarefa de examinar os diversos quadros da direção do Partido na parte sul que seriam enviados novamente e, ao retornar a Seul, infiltrar-se na direção de Seul e fornecer regularmente a Noble as informações internas; a Paek Hyong Bok foi dada a tarefa de infiltrar-se, conforme o plano, nos órgãos internos da República, proteger a segurança dos espiões enviados pelos Estados Unidos e pelo Governo de Ri Sung Man que se encontravam na região norte da República e, além disso, coletar informações mantendo contato comigo; finalmente, Jo Yong Bok deveria ir a Seul e trabalhar junto com An Yong Tal, mas, quando An Yong Tal fosse primeiro a Seul e retornasse trazendo os materiais de informação mais urgentemente necessários, ele deveria levá-los consigo e, por enquanto, ir a uma casa de repouso para descansar……" (Registros vol 1, páginas 210—220, e Volume 8, páginas 164—165)
Depois de elaborar assim um plano para executar fielmente as novas instruções de Noble, Ri Sung Yop, com o objetivo de continuar fornecendo materiais de informação por intermédio de An Yong Tal, tomou medidas para que ele continuasse atuando dentro do Partido, fazendo um falso relatório de que ele havia lutado sem se desviar. Nesse sentido, deu a An Yong Tal novamente a oportunidade de ser enviado no início de junho de 1950, para que ele se infiltrasse na direção do Partido em Seul e fornecesse regularmente segredos internos do Partido, prometendo também enviar Jo Yong Bok quando Noble solicitasse urgentemente materiais. Além disso, para garantir a comunicação rápida dos materiais de informação, enviou-o portando um rádio e códigos secretos de comunicação. (Registros vol 1, página 152, e página 206)
Posteriormente, o acusado Ri Sung Yop, utilizando sua autoridade como secretário do Partido, entregou Paek Hyong Bok aos órgãos do Ministério do Interior com o objetivo de infiltrá-lo nesses órgãos, enviando-o sob a condição de que ninguém o investigasse sem sua aprovação e de que fosse bem tratado; quanto a Jo Yong Bok, depois de combinar que o enviaria a Seul quando houvesse comunicação de An Yong Tal, enviou-o, por volta de meados de maio de 1950, à casa de repouso da organização de células do Partido na província de Kangwon para realizar atividades de espionagem. (Registros vol 1, páginas 202—203)
As atividades de espionagem do bando de Ri Sung Yop continuaram sem cessar depois disso. Quando começou a intervenção militar do imperialismo estadunidense contra a Coreia, eles, com o objetivo de ganhar ainda mais a confiança de seu amo, discutiram com An Yong Tal um plano para executar as novas instruções de Noble e, por volta do início de julho de 1950, por meio da rede de informações que An Yong Tal já havia operado, de pessoas sob sua influência e de seus cúmplices, como Rim Hwa, que vinha participando de atividades de espionagem, coletaram materiais de informação destinados a fornecer aos órgãos de espionagem estadunidenses dados sobre o estado de ânimo do povo em relação ao Partido e ao Governo, as expectativas do povo em relação ao Exército Popular e aos órgãos de retaguarda, entre outros. (Registros vol 2, página 57)
A esse respeito, o acusado Rim Hwa declarou durante o interrogatório que, por ordem de Ri Sung Yop, mobilizou as organizações do Partido do Trabalho da Coreia do Sul que estavam sob sua direção para coletar os materiais de informação acima mencionados e fornecê-los a Ri Sung Yop. (Registros vol 5, páginas 111—112)
Além disso, em março de 1951, quando o Exército Popular, por razões estratégicas, retirou-se temporariamente de Seul, Ri Sung Yop recrutou determinadas pessoas para suas atividades de espionagem e deixou-as em Seul a fim de manter contato com Noble.
Assim, as medidas para informar a Noble sobre a situação de suas atividades e receber suas instruções foram claramente confirmadas pelo depoimento de Kim So Mok, que, em julho de 1951, transmitiu a Ri Sung Yop as novas instruções de Noble. (Registros, vol. 1, pp. 221–224)
Como foi apurado durante a investigação preliminar, Ri Sung Yop e seus cúmplices, ocultando habilmente sua verdadeira identidade, a fim de ampliar ainda mais sua rede de espionagem, em julho de 1951 aliciaram o acusado Ri Kang Guk, então diretor do Hospital nº 58 do Exército Popular, para as atividades de espionagem.
O acusado Ri Kang Guk confessou durante o interrogatório que havia participado das atividades de espionagem e traição do grupo de Ri Sung Yop.
Ele era um típico espião contratado pelo imperialismo estadunidense que, já em 1935, em Nova York, havia jurado, por intermédio de um membro do serviço de espionagem estadunidense, atuar como seu agente e retornado à Coreia, e declarou o seguinte sobre as circunstâncias pelas quais, após a libertação de 15 de agosto, voltou a estabelecer ligação com os órgãos de espionagem estadunidenses:
"……Quando retornei da Alemanha, em outubro de 1935, encontrei Crowley (크로리) em Nova York e prometi a ele que, depois de retornar à Coreia, atuaria sob sua ligação e, por intermédio dele, fui apresentado a pessoas que futuramente trabalhariam comigo na Coreia, no Clube dos Trabalhadores Coreanos de Nova York…… Depois de retornar à Coreia, com o objetivo de cumprir a missão que havia recebido de Crowley, procurei estabelecer contato com ele e, por volta de fevereiro de 1942, em Seul, estabeleci relações com Kim Su Im, que, com o apoio de um missionário estadunidense, havia se formado em uma escola profissional de enfermagem e trabalhava como enfermeira no Hospital Severance, administrado por estadunidense, procurando, por meio dela, estabelecer contato com Crowley, e continuei fazendo esforços nesse sentido até a libertação de 15 de agosto."
Após a libertação de 15 de agosto, para realizar esse meu desejo, quando as tropas estadunidenses desembarcaram no sul da Coreia, tentei encontrar Crowley, mas, como ele não veio, com o objetivo de estabelecer ligação com os órgãos estadunidenses, a partir de setembro de 1945 empreguei minha amante Kim Su Im como guia no Hotel Bando, que era então utilizado como escritório pelo Comando das Forças dos EUA de Ocupação na Coreia, fazendo-a aproximar-se de Baird, coronel e comandante da Polícia Militar da 24ª Divisão do Exército dos Estados Unidos, e, por intermédio dela, fui apresentado pela primeira vez ao coronel, em junho de 1946, prometendo cooperar com ele sob sua ligação no futuro e, posteriormente, em setembro daquele mesmo ano, por ocasião de minha ida ao norte, passei a participar como seu espião……" (Registros, vol. 4, pp. 196–198)
Sempre fiel aos seus superiores, Ri Kang Kuk conquistou a confiança dos órgãos de espionagem estadunidenses e, em setembro de 1946, por intermédio do Governo Militar dos EUA, infiltrou-se na parte norte sob o disfarce de patriota.
O acusado Ri Kang Guk declarou o seguinte sobre o objetivo de sua ida ao norte: "……Recebi de Baird , comandante da Polícia Militar da 24ª Divisão do Exército dos Estados Unidos, a instrução de que, ao ir para o norte, deveria ocultar minha verdadeira identidade, infiltrar-me em uma posição de liderança nos órgãos do poder popular, descobrir e fornecer informações secretas importantes sobre a política, a esfera militar e a economia da Coreia do Norte, garantir a segurança pessoal dos espiões enviados pelos órgãos estadunidenses e, ao reunir companheiros dentro do Partido e dos órgãos do poder, receber instruções quando estes provocassem a destruição e a desorganização do funcionamento normal dos órgãos estatais……" (Registros, vol. 4, p. 101)
Tendo recebido essas instruções dos órgãos de espionagem estadunidenses e ido para o norte, o acusado Ri Kang Guk, a partir de janeiro de 1947, infiltrou-se no cargo de responsabilidade de diretor do Departamento de Relações Exteriores do Comitê Popular da Coreia do Norte e iniciou a execução das instruções de seu superior, o imperialismo estadunidense, passando posteriormente a coletar e fornecer continuamente importantes materiais de informação sobre os campos militar, político, econômico e outros da República. (Registros, vol. 4, pp. 103–105)
Posteriormente, em setembro de 1948, com a fundação da República, Ri Kang Guk foi destituído do cargo de diretor do Departamento de Relações Exteriores, de modo que já não podia, como antes, utilizar sua posição para facilitar suas atividades de espionagem. Contudo, em maio de 1950, por instrução dos órgãos de espionagem estadunidenses, encontrou-se por duas vezes, em sua própria casa em Pyongyang, com os espiões Alice Hyon e Ri Sa Min, enviados diretamente dos Estados Unidos, e manteve conversações secretas sobre o estabelecimento de ligações para atividades de espionagem. (Registros, vol. 4, pp. 172–174)
O acusado Ri Kang Guk, enquanto procurava estabelecer ligação com o acusado Ri Sung Yop, que atuava sob as instruções de Noble, em dezembro de 1946, por instrução de Baird, apresentou a Ri Sung Yop sua amante Kim Su Im, que era também amante de Baird e, na época, estava infiltrada no Partido do Trabalho da Coreia do Sul, com o objetivo de fazer com que Ri Sung Yop a utilizasse no partido. (Registros, vol. 1, p. 226; vol. 4, p. 102)
A esse respeito, o acusado Ri Sung Yop declarou que, quando entrou no norte por volta de dezembro de 1946 e depois retornou ao sul, encontrou-se em Seul com Kim Su Im, que lhe havia sido apresentada por Ri Kang Guk , e que, como já naquela época havia percebido que Ri Kang Guk estava atuando como agente do imperialismo estadunidense, incorporou-o às suas atividades de espionagem.
Tendo participado, por essas circunstâncias, das atividades de espionagem do grupo de Ri Sung Yop, Ri Kang Guk posteriormente, até outubro de 1952, coletou em quatro ocasiões importantes segredos do Partido e do Governo, incluindo segredos militares, e os forneceu a Ri Sung Yop. (Autos, vol. 1, p. 233; vol. 1, pp. 241–246)
Em seu depoimento, Yun Tae Hyon declarou que o fato de servir de intermediário entre Ri Kang Guk e Ri Sung Yop na transmissão dos materiais de informação tinha como objetivo ocultar a verdadeira identidade de Ri Sung Yop e de seus cúmplices. (Registros, vol. 5, pp. 131–132)
Em particular, a investigação preliminar deste caso revelou que Ri Sung Yop e seus cúmplices desviaram enormes quantias de fundos do Partido e do Estado para a execução de suas atividades de espionagem.
Isso foi confirmado, mesmo considerando apenas o período de fevereiro a início de junho de 1950, pelo depoimento do acusado Jo Yong Bok, segundo o qual ele recebeu de Ri Sung Yop, em duas ocasiões, milhares de dólares e os entregou a An Yong Tal, bem como pelo depoimento do acusado Paek Hyong Bok, segundo o qual An Yong Tal recebeu do chefe Ri Chol Ju, um coreano que trabalhava para os estadunidenses, 20 mil won sul-coreanos, enquanto ele próprio recebeu 30 mil won. (Registros, vol. 6, p. 108)
Além disso, isso foi ainda mais claramente demonstrado pelos numerosos bens e quantias de dinheiro constantes da Prova nº 1, que Ri Sung Yop forneceu a Jo Il Myong como remuneração por suas atividades de espionagem. (Registros, vol. 3, pp. 171–178)
Conspiração para destruir e enfraquecer as forças democráticas na parte sul e atos de terror e massacres
O grupo de Ri Sung Yop, ao mesmo tempo que atuava como espião dos órgãos de espionagem estadunidenses, sob suas instruções, cometeu atos de conspiração, terror e massacres destinados a destruir e enfraquecer as forças democráticas da República.
Seu objetivo era assassinar personalidades democráticas e dirigentes do Partido que constituíam obstáculos às suas atividades, tornando-se ainda mais fiéis aos imperialistas estadunidenses e, ao mesmo tempo, ocultar os crimes antipartidistas e antipopulares já cometidos por Ri Sung Yop e seus cúmplices.
Essa atividade consistia em cooperar, sob a direção direta de Noble, de acordo com o plano dos imperialistas estadunidenses e em consonância com o chamado slogan de "limpeza da retaguarda", para reprimir o Partido do Trabalho da parte sul que havia passado à clandestinidade.
Aproveitando o apelo emitido pela Frente Democrática, em 18 de junho de 1949, pela realização de eleições gerais para a reunificação pacífica da pátria, eles procuraram destruir as organizações partidárias por meio do grupo de Ri Sung Yop, com o objetivo de reprimir e eliminar esse movimento democrático. Assim, fizeram com que Noble instruísse An Yong Tal a incitar os membros do Partido do Trabalho e os indivíduos democráticos sob sua influência, difundindo entre eles, como opinião pública, o rumor de que "deveriam preparar uma revolta", aproveitando essa oportunidade, e instigando-os a responder ao chamado, criando assim condições que permitissem a eles destruir e enfraquecer facilmente as forças democráticas da parte sul.
Sobre essas atividades astutas e ardilosas de An Yong Tal, o acusado Paek Hyong Bok declarou o seguinte:
"……Por volta do início de janeiro de 1950, An Yong Tal apresentou um relatório ao Departamento de Segurança do Ministério do Interior do Governo de Ri Sung Man, em Seul, onde eu trabalhava, sobre as atividades de destruição que vinha realizando contra o Partido do Trabalho da Coreia do Sul e as forças democráticas da parte sul. Segundo seu conteúdo, quando, no verão de 1949, foi publicado o apelo da Frente Democrática pela reunificação pacífica, ele, sob as instruções de Noble e utilizando sua posição partidária, havia dado instruções às organizações partidárias subordinadas para que preparassem armas a fim de poder provocar uma revolta, dizendo que o Exército Popular logo avançaria, e que, somente em Seul, havia provocado seis mil casos relacionados a granadas de mão. Também me lembro claramente de que estava registrado no relatório que, ao informar Noble sobre esses fatos naquele momento, havia conseguido destruir e enfraquecer as forças democráticas……" (Registros, vol. 6, pp. 169–170)
Sobre essa intriga política de An Yong Tal, o acusado Jo Yong Bok, que estava sob sua direção, também prestou testemunho. (Registros, vol. 6, pp. 105–135)
A conspiração planejada do grupo de Ri Sung Yop para destruir e enfraquecer as forças democráticas da parte sul não terminou aí.
O grupo de Ri Sung Yop, empenhado em conhecer a situação clandestina do Partido na região de Seul e em destruir completamente sua direção, colocando-a sob seu controle, fez todo o possível para alcançar esse objetivo sob a direção e com o auxílio de seus superiores, os imperialistas estadunidenses.
Assim, em 27 de março de 1950, sob a direção direta de Nichols, coronel e oficial de inteligência aérea do Comando do Extremo Oriente dos Estados Unidos, o acusado Paek Hyong Bok, que era então chefe da Divisão Central de Investigação do Departamento de Segurança do Ministério do Interior do governo títere de Ri Sung Man em Seul, conseguiu finalmente prender Kim Sam Ryong, membro do Comitê Político do Partido do Trabalho da Coreia do Sul, com a cooperação de An Yong Tal e do acusado Jo Yong Bok.
O acusado Paek Hyong Bok declarou o seguinte sobre as circunstâncias em que, sob a direção de Nichols, prendeu Kim Sam Ryong:
"……Em janeiro de 1950, utilizando An Yong Tal, iniciei atividades de investigação com o objetivo de destruir a direção do Partido do Trabalho da Coreia em Seul.
Entretanto, como An Yong Tal havia ficado afastado das atividades práticas do trabalho partidário durante vários meses, não havia como encontrar a sede da direção do Partido em Seul.
Por isso, por sugestão de An Yong Tal, decidimos libertar Jo Yong Bok, seu subordinado, que havia sido preso e estava sendo interrogado na Delegacia de Polícia de Jongno, em Seul, e incorporá-lo às nossas atividades. Sob rigorosa garantia de sigilo, entreguei secretamente 300 mil won a An Yong Tal, que, por seu intermédio, os entregou à esposa de Jo Yong Bok, fazendo com que ela fornecesse dinheiro ao investigador para conseguir a libertação de Jo Yong Bok.
Entretanto, o processo de Jo Yong Bok já havia sido encerrado e, como havia muitas pessoas envolvidas em seu caso, ele não poderia ser libertado sem passar pelo promotor.
Por isso, por razões de garantia do sigilo, não podíamos levar o assunto até o promotor e fazer os arranjos necessários para libertá-lo. Isso porque poderiam surgir condições capazes de prejudicar a atividade após sua libertação. Assim, não tive outra alternativa senão resolver a questão da libertação de Jo Yong Bok sem divulgá-la amplamente. Por intermédio do chefe do Departamento de Segurança do Ministério do Interior, solicitei ao vice-ministro do Interior, Jang Kyong Gun, que convocasse Yun Myong Un, chefe da Delegacia de Polícia de Jongno, e lhe ordenasse libertar Jo Yong Bok, fazendo com que ele fosse imediatamente libertado. Externamente, fizemos parecer que ele havia sido libertado porque sua esposa já vinha negociando sua libertação havia algum tempo.
Desse modo, ao colocar An Yong Tal e Jo Yong Bok em atividade, conseguimos assumir normalmente o controle da estrutura da direção do Partido do Trabalho da Coreia em Seul e pudemos prender Kim Sam Ryong……" (Registros, vol. 6, pp. 91–92)
Jo Yong Bok, que se juntou ao grupo de Ri Sung Yop, traiu a pátria e o povo e entrou no caminho da contrarrevolução, declarou o seguinte sobre as circunstâncias de sua traição:
"……Por volta de meados de janeiro de 1950, tarde da noite, An Yong Tal e Paek Hyong Bok vieram à minha casa e disseram que haviam conseguido me libertar por seus próprios meios. Disseram também que todos os meus segredos haviam sido revelados e que, dali em diante, garantiriam minha atividade política, procurando me persuadir a aceitar sua proposta.
No entanto, a princípio recusei, para preservar minha dignidade. Então An Yong Tal me pressionou, dizendo: “Por que você é tão teimoso no Partido do Trabalho da Coreia do Sul? Até alguém como Ri Sung Yop está com um pé na República e outro na Coreia do Sul; por que deveríamos nos preocupar com coisas como essa? É realmente algo surpreendente.” Finalmente, preocupado com minha segurança pessoal e minha liberdade de atividade política, prometi atuar juntamente com eles……" (Registros, vol. 10, pp. 310–311)
Ele continuou declarando: "……Como eu havia trabalhado com Kim Chol Hong na linha direta de Kim Sam Ryong, coloquei An Yong Tal em contato com Kim Hyong Son, responsável especial pela direção do Partido em Seul. Assim, An Yong Tal pôde voltar a penetrar em seu interior como antes. Como a direção do Partido desconhecia nosso ato de traição, voltou a confiar em nós e, desse modo, chegou a conhecer até mesmo o paradeiro de Kim Sam Ryong……" (Registros , vol. 10, pp. 311–312)
Como exposto acima, o grupo de Ri Sung Yop fez com que dirigentes do Partido na parte sul fossem presos e assassinados e, ao mesmo tempo que destruía e enfraquecia as forças democráticas, continuou ocultando seus próprios crimes, assassinando, sob pretextos como "reacionário", "suspeita de espionagem" ou "garantia do sigilo da disciplina partidária", aqueles que não se adequavam aos seus propósitos.
Sobre essas atrocidades de assassinato cometidas sob as instruções de Ri Sung Yop e So Tok Un, o acusado Maeng Jong Ho declarou: "……No verão de 1949, quando eu responsável do departamento de ligação, recebi de So Tok Un a instrução de executar por fuzilamento Hyon In Cho e mais duas pessoas, que haviam entrado no norte depois de realizar atividades partidárias na parte sul e eram suspeitas de espionagem. Eu mesmo os investiguei, mas, como não havia nenhum fato que justificasse tal suspeita, hesitei em executá-los e, por não ter cumprido a ordem de Ri Sung Yop, fui alvo de um ataque. Depois disso, Ri Sung Yop instruiu o responsável pela direção do posto de ligação de Yangyang a assassiná-los……" (Registros, vol. 9, p. 55)
A testemunha Jon Gu Ha também declarou o seguinte sobre sua participação em atos de massacre semelhantes:
"……De maio de 1948, enquanto trabalhava como responsável pela coordenação do posto de ligação de Yongnam, condado de Jangpung, província de Hwanghae, até agosto de 1948, por instruções de An Yong Tal, assassinei em treze ocasiões 41 pessoas, sob pretextos como serem suspeitas de espionagem. Além disso, no início de agosto de 1948, recebi de An Yong Tal a instrução de assassinar Kim Jae Gwan, que era presidente do comitê partidista da cidade de Kaesong, e So Ku Don , presidente do comitê partidista do condado de Jangpung, alegando que eram agentes inimigos. Eu os capturei e mantive detidos, mas os guardas do Paralelo 38 descobriram o fato e, por isso, não pude assassiná-los……" (Registros, vol. 2, pp. 266–268)
Os atos de massacre de Ri Sung Yop e de seus cúmplices foram revelados por meio dos métodos de investigação utilizados após a descoberta do caso, quando foram enviados à região de Seul antes da libertação e confrontados com os fatos de maneira detalhada.
Ri Sung Yop, enquanto presidente do Comitê Popular Provisório da Cidade de Seul, instalou uma prisão no porão do edifício do comitê e formou uma organização de terror e massacre, tendo como chefe Ri Jung Op, seu mais fiel capanga.
O acusado Maeng Jong Ho, que participou diretamente dessa organização de terror e massacre, declarou o seguinte sobre os fatos dos massacres cometidos por ela: "……Logo após a libertação de Seul em 28 de junho, sob a direção de Ri Sung Yop, ordenei que executassem sete membros do Partido do Trabalho e outros cidadãos que estavam detidos no porão do Comitê Popular Provisório da Cidade de Seul, sob o pretexto de que isso era necessário para garantir o sigilo do trabalho partidário. Eles foram colocados em um caminhão de carga, levados às margens do rio Han e fuzilados……" (Registros, vol. 9, pp. 39–60)
Além disso, no início de julho de 1950, Ri Sung Yop organizou um "Comitê de Investigação de Terras", uma organização assassina chefiada por An Yong Tal.
Para garantir o sigilo dessa organização, eles procuraram realizar secretamente os atos de massacre, utilizando como pretexto externo a alegação de que estavam cooperando com os trabalhos do Estado. O acusado Ri Sung Yop declarou o seguinte sobre o objetivo da organização do "Comitê de Investigação de Terras".
"……No início de julho de 1950, em meu escritório no Comitê Popular Provisório da Cidade de Seul, discuti com An Yong Tal e organizei um comitê investigação de terras, cujo objetivo era eliminar aqueles que conheciam nossos segredos e aqueles que constituíam obstáculos para nós……" (Registros, vol. 1, pp. 243–244)
Posteriormente, em meados de julho, quando o grupo de Ri Sung Yop recebeu de seus superiores a ordem de dissolver essa organização, a fim de continuar mantendo sua conspiração, transferiu o chamado "Comitê de Investigação de Terras" para o quartel-general das chamadas Forças Voluntárias, que estava sob a direção de Ri Sung Yop, e passou a denominá-la externamente "departamento de assuntos especiais".
Depois disso, por meio dessas duas organizações assassinas, inúmeras pessoas, incluindo dirigentes partidários e personalidades democráticas, passaram a ser alvos de assassinatos. A testemunha O Sang Gun, que havia sido presa e mantida detida no departamento de assuntos especiais do chamado quartel-general das Forças Voluntárias e posteriormente resgatada por um órgão de segurança, declarou o seguinte:
"……Por volta de meados de julho de 1950, fui preso sem motivo algum por membros armados e detido em um lugar chamado quartel-general das Forças Voluntárias. Na prisão onde eu estava, havia cerca de 30 a 40 homens e mulheres detidos, entre os quais havia pessoas que, devido a torturas cruéis, haviam chegado a um estado de inconsciência.
Pouco depois, os órgãos de segurança tomaram conhecimento dessa situação e assumiram a custódia das pessoas que estavam detidas naquele lugar, possibilitando assim nossa libertação……" (Registros, vol. 7, pp. 171–172)
O fato de Ri Sung Yop e seus cúmplices terem organizado as mencionadas organizações assassinas também foi claramente confirmado pelos depoimentos de Choe Man Yong e Yun Tae Hyon, que participaram juntamente com eles dessas atividades criminosas. (Registros, vol. 1, p. 192; vol. 2, p. 11)
Em particular, o grupo de Ri Sung Yop não hesitava em assassinar até mesmo seus próprios cúmplices quando havia o risco de que esses segredos fossem revelados.
A esse respeito, Ri Sung Yop declarou: "……Por volta do final de julho de 1950, ouvi dizer que An Yong Tal havia sido responsável pela prisão de Kim Sam Ryong. Relatei esse fato a Pak Hon Yong e recebi dele a instrução de convocar imediatamente An Yong Tal, enviá-lo para a frente de combate e, caso lutasse bem, perdoá-lo, mas, caso contrário, executá-lo. Assim, aproveitando essa oportunidade para ocultar nossas atividades criminosas, coloquei An Yong Tal na unidade que estava sendo mobilizada para a frente e atribuí a Kim Jom Kwon a tarefa de executar An Yong Tal……" (Registros, vol. 1, pp. 154–155)
Ele continuou: "……No final de julho de 1950, com o objetivo de acobertar a qualquer custo os atos de destruição do Partido cometidos por An Yong Tal — que havia sido o responsável pela captura de Kim Sam Ryong —, foi dada uma ordem ao então chefe do quartel-general do Exército de Voluntários, Ri Sung Yop. A instrução era prender Jon Yong Ae, que trabalhava na seção especial do Partido, e forçá-la a declarar que ela havia delatado Kim Sam Ryong e Ri Ju Ha, provocando a prisão deles. Dessa forma, tentou-se fabricar e consolidar essa versão de qualquer maneira; contudo, sempre que se tentava investigar e apurar a fundo a verdade sobre esse fato, ele intervinha e tomava medidas para obstruir as investigações……" (Registros, volume 1, páginas 125–126) [1]
Quanto a esse fato, ele foi claramente confirmado mediante a declaração da testemunha Yun Tae Hyon e o depoimento de Jon Yong Ae. (Registros, volume 2, páginas 223 e 244)
A camarilha de Ri Sung Yop, dessa maneira, perpetrava sem qualquer escrúpulo assassinatos contra numerosas pessoas por meio de seus subordinados e organizações secretas e, chegando ainda mais longe, em janeiro de 1952, por temor de que fosse revelada a vida dissoluta de seu chefe e organizador de suas atividades antigovernamentais, Ri Sung Yop, chegou a planejar, sob o pretexto de preservar o chamado prestígio, até mesmo uma conspiração para ferir uma mulher inocente, dando instruções ao acusado Maeng Jong Ho. (Autos, volume 7, páginas 141–142)
Atos de insurreição armada para derrubar o poder da República
A camarilha de Ri Sung Yop, sob instigação dos imperialistas estadunidenses, paralelamente às atividades antinacionais, como espionagem contra a República, destruição e enfraquecimento das forças democráticas sul-coreanas e atos de terror e massacres, vinha tentando, sob sua direção direta e durante longo período, derrubar o governo da República.
No presente processo de investigação preliminar, ficou comprovado que as atividades conspiratórias da camarilha de Ri Sung Yop para derrubar o governo da República, realizadas sob a direção dos órgãos de espionagem estadunidenses, haviam sido protegidas e asseguradas por Pak Hon Yong, que, como carreirista e intrigante, havia sido alçado até os cargos de vice-presidente do Partido do Trabalho da Coreia e vice-Primeiro-Ministro.
A facção de Ri Sung Yop e seus cúmplices, já imediatamente após a libertação de 15 de agosto, valendo-se habilmente do carreirismo de Pak Hon Yong, vinham desenvolvendo atividades criminosas com o objetivo de se apoiarem inteiramente nos imperialistas estadunidenses e, sob sua ajuda, estabelecer um governo, a fim de recuperar seu "paraíso" capitalista e a liberdade de exploração.
O acusado Ri Kang Guk declarou a esse respeito:
"……Há muito tempo eu havia compreendido que a libertação e a independência da Coreia só poderiam ser alcançadas por meio do poder dos Estados Unidos e vinha esperando o apoio estadunidense. Por isso, imediatamente após a libertação de 15 de agosto, esperava que fosse estabelecido na Coreia um governo com o apoio e o respaldo dos Estados Unidos e, para isso, participei e atuei, juntamente com Pak Hon Yong e outros, na conspiração para fabricar a chamada 'República Popular da Coreia'……" (Registros, volume 4, páginas 135–136)
Os demais acusados, Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Rim Hwa, Ri Won Jo e outros, também reconheceram ter participado e atuado na conspiração para estabelecer a chamada "República Popular da Coreia", organizada com esse mesmo objetivo. (Registros, volume 2, páginas 12–13; volume 5, páginas 29–32 e 240–241; volume 7, página 73)
Além disso, quando, em dezembro de 1945, foram anunciadas as decisões da Conferência dos Ministros das Relações Exteriores de Moscou sobre a questão coreana, eles empreenderam atividades de oposição a elas, em consonância com a propaganda fabricada pelos imperialistas estadunidenses.
O acusado Jo Il Myong, valendo-se de seu cargo de editor-chefe do jornal Haebang Ilbo, órgão do então Partido Comunista, e o acusado Pak Sung Won, utilizando seu cargo de chefe da seção política do mesmo jornal, publicaram no Haebang Ilbo artigos contra a tutela. (Registros, volume 5, páginas 170–171; volume 6, página 123)
Os acusados Rim Hwa, Ri Won Jo e outros organizaram, no final de dezembro de 1945, no Teatro Meiji, em Seul, uma conferência intitulada "A decisão da Conferência dos Três Ministros das Relações Exteriores de Moscou é uma tutela; devemos nos opor a ela". (Registros, volume 5, página 175; volume 10, página 337)
Particularmente, durante o período em que se desenvolvia a Comissão Conjunta URSS-EUA, de 1946 a maio de 1947, em estreita ligação com a política de divisão da nação coreana promovida pelos imperialistas estadunidenses, eles, embora externamente apresentassem como única condição a criação de um governo central unificado em Seul, realizaram abertamente atos de divisão nacional destinados a perpetuar artificialmente a linha do Paralelo 38. (Registros, volume 2, páginas 15–16; volume 5, páginas 171–174)
Nesse sentido, os acusados Ri Kang Guk, Pak Sung Won, Ri Won Jo e outros confessaram que, desde setembro de 1946, haviam transformado a Gráfica nº 1 da Coreia em um antro de conspiração criminosa destinado a incitar ideias de divisão nacional e confronto entre Norte e Sul. (registros, volume 4, páginas 163–164; volume 6, páginas 127–130; volume 10, páginas 197–199)
Posteriormente, Ri Sung Yop e seus cúmplices, sob a direção direta dos imperialistas estadunidenses, aproveitando o estabelecimento da República, infiltraram-se, usando a máscara de patriotas, em importantes cargos de direção do Partido e dos órgãos governamentais e, utilizando suas posições e autoridade, intensificaram ainda mais suas atividades de sabotagem e intriga política, com o objetivo de fortalecer suas próprias forças e ampliar sua influência dentro do governo.
A esse respeito, o acusado Ri Sung Yop confessou que as atividades de intriga política que, tendo ele como principal responsável, havia realizado de maneira constante e ininterrupta, eram dirigidas, desde fevereiro de 1946, diretamente por instruções dos órgãos de espionagem estadunidenses. (Registros, volume 2, páginas 60–61)
Após o estabelecimento do governo da República, a camarilha de Ri Sung Yop, com o objetivo de ampliar as forças necessárias às suas atividades conspiratórias, empenhou-se freneticamente em colocar em altos cargos pessoas que lhes fossem mais fiéis dentre os degenerados, traidores da nação, elementos espiões e outros elementos contrarrevolucionários que durante longo tempo estiveram sob sua influência, ocultando seu passado e sua verdadeira identidade.
A esse respeito, o acusado Maeng Jong Ho declarou: "……No verão de 1949, recebi do então vice-diretor do Departamento de Organização do Comitê Central do Partido, So Tok Un, instruções de que, em relação à unificação dos Partidos do Trabalho do Norte e do Sul da Coreia, para poder ascender na carreira, eu deveria corrigir as partes impuras da minha autobiografia apresentada como documento de carreira e adorná-la com uma boa trajetória. Assim, falsifiquei meu passado impuro anterior a 15 de agosto e meu ambiente familiar, apresentando-me como um combatente revolucionário que havia lutado de maneira constante e ininterrupta……" (Registros, volume 9, página 25)
Além disso, os acusados Jo Il Myong, Pak Sung Won, Rim Hwa e outros também reconheceram que, por esse método, haviam se infiltrado em cargos de direção dos órgãos do poder e de outros órgãos estatais. (Registros, volume 5, página 161; volume 5, páginas 133–134; volume 6, página 100)
A astúcia da camarilha de Ri Sung Yop não se limitava a isso.
Para reunir elementos impuros ao seu redor, eles chegaram a aplicar até métodos de ameaça ou de suborno econômico.
A esse respeito, o acusado Ri Kang Guk declarou que, para reunir elementos impuros ao redor deles, haviam empregado métodos de suborno econômico por meio das empresas Tongbang e Yongmin, na cidade de Pyongyang. (Registros, volume 4, páginas 168–169)
Isso foi claramente confirmado pelas declarações dos acusados Ri Sung Yop, Rim Hwa e Jo Il Myong e pelo depoimento da testemunha Pak Il Ryong, diretor da Empresa Yongmin. (Registros, volume 2, página 178; volume 5, páginas 148–150)
Por outro método, a camarilha de Ri Sung Yop vinha realizando atos destinados a enfraquecer a unidade político-ideológica de todo o povo coreano para suas repugnantes e vis atividades de intriga política, afastá-lo do Partido do Trabalho da Coreia e do governo da República, distorcer e divulgar entre ele as políticas do Partido e do governo e incitar ideias destinadas a dividir a nação por meio da linha do Paralelo 38 rtificialmente criada.
Isso foi confirmado pelas declarações dos acusados Ri Sung Yop, Ri Kang Guk, Jo Il Myong, Pak Sung Won e outros. (Registros, volume 2, páginas 161–174; volume 5, páginas 221–225; volume 4, páginas 165–188; volume 6, páginas 109–111)
Posteriormente, as atividades de intriga política de Ri Sung Yop e outros foram realizadas de maneira ainda mais aberta por ocasião do envio de Ri Sung Yop a Seul, após o 28 de junho, como presidente do Comitê Popular Provisório da cidade de Seul.
O acusado Ri Sung Yop confessou que o fato de suas atividades terem se tornado abertas nesse período baseava-se nas instruções de Noble, recebidas por intermédio de An Yong Tal em Seul, no início de julho de 1950, e, sobre o conteúdo das instruções de Noble que lhe foram transmitidas por An Yong Tal, declarou o seguinte:
"……Em 26 de junho de 1950, ao retirar-se de Seul, Noble, por intermédio de An Yong Tal, instruiu-me a realizar atividades de espionagem e, ao mesmo tempo, aproveitar a oportunidade do desembarque das tropas estadunidenses em Inchon e Wonsan no futuro para organizar uma revolta popular na retaguarda do Exército Popular, cooperando com as tropas estadunidenses, e, nas regiões libertadas pelo Exército Popular, construir uma base de poder político, submetendo os elementos centristas e de direita sob o pretexto de fazê-los se entregar voluntariamente e organizá-los para que voltassem a se levantar quando as tropas estadunidenses avançassem." (Registros, volume 2, páginas 57–59)
Com base nessas instruções de Noble, Ri Sung Yop começou imediatamente, por volta de meados de julho de 1950, a atuar com o objetivo de reunir ao seu redor os chefes do campo reacionário e os elementos centristas e de direita sob sua influência, para executar as instruções recebidas. (Registos, volume 2, páginas 24–25)
Ele, para alcançar esse objetivo, reuniu no Comitê Popular Provisório da cidade de Seul e no chamado "Comitê de Investigação de Terras", organizado com o objetivo de realizar atos de terror e espionagem, seus homens mais fiéis, bem como desertores e traidores. Particularmente, com o objetivo de consolidar sua base na província de Kyonggi, seu local de nascimento, por métodos astutos, nomeou para cargos importantes seus subordinados, ocultando e disfarçando habilmente suas verdadeiras identidades: Kim Jom Kwon como presidente do Comitê do Partido da Província de Kyonggi, An Yong Tal como presidente do Comitê Popular Provincial, posteriormente sucedido por Pak Sung Won, An Ki Song (sogro de Ri Sung Yop) como vice-presidente, Kim Yo Hwan e Kang Dae Min como presidente e vice do Comitê Popular da cidade de Inchon, entre outros. (Registros, volume 2, página 26; volume 6, páginas 133–135)
A conspiração antinacional de Ri Sung Yop, que dessa maneira procurava consolidar sua base em Seul e na província de Kyonggi e transformá-la em uma poderosa base de atividades, continuou mesmo depois da segunda libertação de Seul, em 4 de janeiro de 1951, tendo ficado comprovado que essas atividades, conforme mencionado acima, eram realizadas com o objetivo de organizar uma revolta popular, com base nas ordens de Noble recebidas em Seul por intermédio de An Yong Tal. (Registros, volume 2, página 58)
Por volta do final de agosto de 1951, ao tomar conhecimento de informações de que os inimigos planejavam desembarcar em Wonsan e Anju, Ri Sung Yop tramou aproveitar essa oportunidade para provocar uma insurreição armada.
Prevendo que a situação militar sofreria uma mudança devido à nova ofensiva de outono das tropas estadunidenses e que, em relação a isso, seria criado um estado de confusão, ele procurou aproveitar essa oportunidade para provocar uma insurreição armada e derrubar o governo da República. Para isso, convocou a seu escritório seus subordinados Pae Chol, Pak Sung Won, Rim Hwa e outros, onde discutiram a organização de uma insurreição armada.
Sobre as circunstâncias da reunião daquele dia, o acusado Rim Hwa declarou o seguinte:
"……Ri Sung Yop disse que a situação militar sofreria uma mudança devido à nova ofensiva de outono das tropas estadunidenses e que, em relação a essa situação militar, seria criado um estado de confusão semelhante ao período da primeira retirada; se aproveitássemos essa oportunidade para organizar uma insurreição armada, seria fácil derrubar o Partido e o poder. Eu, Pae Chol e Pak Sung Won, que participamos da reunião naquele dia, concordamos inteiramente com a opinião de Ri Sung Yop e, na reunião secreta realizada naquele dia, decidimos organizar uma insurreição armada, aproveitando a confusão na retaguarda por ocasião da invasão das tropas estadunidenses e cooperando com elas, e, como forças para a insurreição, decidimos mobilizar os estudantes da Academia Kumgang e unidades armadas……" (Registros, volume 4, páginas 182–183)
Foi justamente a partir desse momento que eles entraram no caminho de tramar uma insurreição armada destinada a destruir e derrubar o Partido e o governo da República.
Posteriormente, no início de setembro de 1951, a camarilha de Ri Sung Yop convocou, sob a direção de Ri Sung Yop, uma reunião secreta para concretizar seus planos, discutindo os preparativos para estabelecer a base da organização e os membros do comando.
O acusado Jo Il Myong declarou o seguinte sobre as questões discutidas na reunião daquele dia: "……Como responsável pela direção da organização, foi decidido que Ri Sung Yop estaria no centro, enquanto eu e Rim Hwa atuaríamos como responsáveis pela organização política e de propaganda; Pak Sung Won, Pae Chol, Kim Ung Bin e outros foram escolhidos como responsáveis pelos diversos departamentos, formando o comando. Além disso, nessa reunião, discutimos e decidimos as tarefas imediatas para reunir pessoal. Assim, decidiu-se transferir a Academia Kumgang, órgão relacionado, para os arredores de Taechon-ri, no condado de Taedong, ao mesmo tempo em que se ampliaria o efetivo e se intensificaria o treinamento, se substituiriam os quadros da referida academia e das unidades e se fortaleceriam os postos de ligação subordinados, preparando-os para que pudessem ser mobilizados para atividades futuras. A questão de tomar medidas para o recrutamento foi confiada a Pae Chol, Pak Sung Won e outros, enquanto a mim e a Rim Hwa foi confiada a tarefa de ampliar nossas forças, reunindo ao nosso redor, tendo como centro os quadros sob nossa influência dentro de cada organização social, especialmente a Federação Geral de Literatura e Artes." (Registros, volume 4, página 227)
Ri Sung Yop, Pae Chol, Pak Sung Won e outros, com o objetivo de ampliar rapidamente suas forças armadas, colocaram como diretor e principais quadros responsáveis da Academia Kumgang seus subordinados mais fiéis, como Kim Ung Bin, Maeng Jong Ho e outros.
Dessa maneira, a camarilha de Ri Sung Yop promoveu todos os preparativos necessários para transformar a Academia Kumgang e os postos de ligação em antros de conspiração de uma insurreição armada, com o objetivo de derrubar o governo da República por meio de uma insurreição armada em apoio à ofensiva de outono das tropas estadunidenses, mas, devido à vigorosa luta do Exército Popular, a ofensiva de outono das tropas estadunidenses que eles esperavam foi frustrada. Apesar disso, os acusados Ri Sung Yop e outros, sob as instruções dos imperialistas estadunidenses, continuaram os preparativos para construir unidades armadas e uma base de forças a fim de concretizar seus planos.
A camarilha de Ri Sung Yop, com o objetivo de transformar o Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido no Estado-Maior de suas unidades armadas, concentrou no Departamento de Ligação pessoas com passado impuro, sob diversos pretextos relacionados ao trabalho, e, ao mesmo tempo, valendo-se habilmente das decisões do Partido e do governo e das responsabilidades partidárias e estatais que lhes haviam sido confiadas, realizou atividades para organizar e fortalecer unidades armadas.
A esse respeito, o acusado Pae Chol declarou o seguinte:
"……Enquanto ocupava o cargo de chefe do Departamento de Ligação do Partido, sob a direção de Ri Sung Yop, utilizando as decisões e a confiança do Partido e do governo, vim atuando para reunir pessoas de confiança sob nossa influência, a fim de fortalecer a Academia Kumgang, os guerrilheiros e cada posto de ligação como unidades armadas destinadas a serem mobilizadas para uma insurreição armada……" (Registros, volume 4, página 203)
Além disso, por volta de janeiro de 1951, Ri Sung Yop, tendo recebido do governo instruções para executar os preparativos para a organização do Comitê Popular da Província de Kyonggi, procurou aproveitar essa oportunidade para transformar a região que seria incorporada ao novo Comitê Popular da Província de Kyonggi em uma base para tramar sua hedionda conspiração.
Para alcançar esse objetivo, Ri Sung Yop instruiu Pae Chol e Pak Sung Won a realizar os preparativos para investigar a situação local e selecionar os quadros e, por volta do final de janeiro de 1951, reuniu em seu escritório no Comitê Central do Partido seus subordinados Pae Chol, Pak Sung Won, Rim Hwa e outros, explicando-lhes a "política administrativa" e o objetivo do Comitê Popular da Província de Kyonggi.
O acusado Pak Sung Won, que participou diretamente dessa reunião, declarou o seguinte:
"……Naquele dia, Ri Sung Yop nos disse que, segundo parecia, as autoridades superiores planejavam criar uma nova província de Kyonggi, tendo como centro a cidade de Kaesong, incorporando Kaepung, Yonbaek e parte do condado de Jangphung, na província de Hwanghae, e disse que estava previsto que eu fosse ser o presidente do Comitê Popular da Província de Kyonggi. Disse ainda que, se passássemos a controlar Kyonggi, poderíamos transformá-la em uma base para nossas forças revolucionárias e também em um centro para a formação de quadros. Por isso, deveríamos enviar urgentemente para lá quadros confiáveis e iniciar os preparativos, discutir antecipadamente os quadros dos órgãos do poder que seriam colocados ali e elaborar um plano e, dessa maneira, deveríamos, por qualquer método, assumir o controle de Kyonggi e transformá-la em nossa base de atividades……" (Registros, volume 6, página 170)
Com esse objetivo, Ri Sung Yop tentou colocar como presidente do Comitê Popular da Província de Kyonggi que seria organizado o acusado Pak Sung Won, como vice-presidente An Ki Sop e como secretário-geral Jon Gu Ha, entre outros subordinados mais fiéis a ele, mas seu plano fracassou. (Registros, volume 2, página 86)
Entretanto, a camarilha de Ri Sung Yop não abandonou sua repugnante conspiração antinacional. Em fevereiro de 1952, Ri Sung Yop recebeu do governo instruções para organizar uma unidade guerrilheira em Namyonbaek e garantir sua formação e as atividades agrícolas, e procurou transformar essa região em um ponto de expansão de suas forças, como havia planejado na conspiração para organizar o Comitê Popular da Província de Kyonggi, que já havia fracassado.
O acusado Ri Sung Yop declarou o seguinte sobre suas expectativas em relação à 10ª Unidade:
"……Eu pretendia constituir a nova 10ª Unidade de Guerrilha com pessoas que pudessem ser colocadas sob nossa influência entre os soldados desmobilizados e dispensados por ferimentos do Exército Popular, e aproveitar essa oportunidade para transformá-la em uma 'unidade armada' de guerrilheiros, fazendo com que eles cultivassem a terra e se tornassem autossuficientes, e, com base nisso, transformá-la em uma fonte de recursos financeiros necessários às nossas atividades e em uma base para a 'formação de quadros'.
Assim, juntamente com Pae Chol e Pak Sung Won, aproveitando essa oportunidade, reunimos, até janeiro de 1952, um total de cerca de 3.900 pessoas para fortalecer rapidamente nossas unidades armadas……" (Registros, volume 2, página 87)
Além disso, Ri Sung Yop nomeou seu subordinado, o acusado Maeng Jong Ho, como comandante da 10ª Unidade de Guerrilha e enviou como comandante da seção política o homem em quem mais confiava. (Registros, volume 2, página 87)
Ele instruiu os membros para que pudessem ser mobilizados a qualquer momento sob suas ordens e não apenas os educou com ideias de traição ao Partido e ao governo, como também, de março de 1952 a janeiro de 1953, realizou pessoalmente quatro inspeções da 10ª Unidade e encorajou e estimulou o comandante da unidade, Maeng Jong Ho.
A esse respeito, o acusado Maeng Jong Ho declarou o seguinte:
"……Por volta de setembro de 1952, Ri Sung Yop veio até mim e me deu instruções para fortalecer as forças da 10ª Unidade, formando quadros centrais entre aqueles que tinham experiência na luta guerrilheira no sul da Coreia, e, em um comício de boas-vindas do qual participaram cerca de 400 membros da 10ª Unidade, Ri Sung Yop elogiou e encorajou grandemente a coragem demonstrada pelos membros em sua chamada 'ideologia da libertação'…… Depois disso, por volta de outubro do mesmo ano, Ri Sung Yop voltou à 10ª Unidade e me disse que seria bom ocupar, na região do condado de Namyonbaek (Yonbaek Sul), uma área do tamanho do Reino de Mônaco, separá-la do poder da República e construir ali uma chamada utopia onde pudéssemos governar à nossa vontade, mantendo uma economia autossuficiente……" (Registros, volume 4, página 144; volume 9, páginas 146 e 155)
Ri Sung Yop e seus cúmplices Pae Chol e Pak Sung Won, em relação à organização da 10ª Unidade de Guerrilha, em março de 1952, posicionaram também uma unidade na província de Kangwon e nos arredores de Pyongyang, com o objetivo de mobilizá-las igualmente para sua conspiração de insurreição armada.
Posteriormente, mediante atividades intensas para reunir suas forças armadas, até setembro de 1952, reuniram cerca de 1.100 pessoas que estavam sob sua influência e incutiram nelas ideias hostis contra o Partido e o governo. (Registros, volume 2, página 75; volume 6, páginas 151–152; volume 7, página 198)
Além disso, Ri Sung Yop, Pae Chol, Pak Sung Won e outros, com o objetivo de ampliar e fortalecer ainda mais sua base, aumentaram os efetivos armados de cada posto de ligação e ampliaram sua estrutura sob o pretexto de realizar operações.
Em março de 1952, estabeleceram um novo posto de ligação central e, por volta de abril, colocaram o posto de ligação de Kaesong sob a subordinação direta do Departamento de Ligação do Partido. Posteriormente, em julho do mesmo ano, separaram novamente a ligação com o grupo de Ongjin do posto de ligação de Kaesong e estabeleceram uma base de ligação subordinada diretamente ao Departamento de Ligação. Depois, em outubro, aumentaram os efetivos armados de cada posto de ligação de 500, número existente em abril de 1952, para 800, procurando gradualmente incutir neles treinamento militar e ideias antipartidárias e antigovernamentais. (Registros, volume 2, páginas 75–76; volume 6, páginas 151–153; volume 7, páginas 199–201)
Em relação a isso, procuraram ampliar o Departamento de Ligação, impedir que seu trabalho sofresse qualquer interferência de qualquer setor da sede do Comitê Central do Partido, aumentar seu efetivo e trazer para dentro dele numerosos de seus subordinados, como Jo Il Myong. (Registros, volume 2, página 83; volume 6, página 177)
Com o objetivo de dirigir organizadamente uma insurreição armada para derrubar o governo da República, quando começasse uma ofensiva das tropas estadunidenses e estas avançassem na direção de Pyongyang, planejaram reunir previamente essas forças nos arredores de Pyongyang, colocá-las sob o controle do comando da insurreição armada já organizado tendo o Departamento de Ligação como centro e mobilizá-las, sob a direção geral de Ri Sung Yop, de acordo com o plano de operações da insurreição. (Registros, volume 2, página 61; volume 6, página 145; volume 7, página 249)
Ri Sung Yop e seus cúmplices, dessa maneira, ao mesmo tempo que preparavam unidades armadas para derrubar o governo da República por meio de uma insurreição armada, atuavam com o objetivo de fortalecer ainda mais sua base, atraindo para dentro do governo, de outros órgãos estatais e das organizações sociais pessoas que lhes fossem favoráveis.
Além disso, as atividades conspiratórias realizadas com esse objetivo também foram desenvolvidas no Ministério da Cultura e Propaganda, na Federação Geral de Literatura e Artes e na Associação Cultural da Coreia por seus cúmplices Jo Il Myong, Rim Hwa, Ri Won Jo e outros.
A esse respeito, o acusado Ri Won Jo declarou o seguinte:
"……Desde setembro de 1951, enquanto dirigia o trabalho da Federação Geral de Literatura e Artes, para fortalecer ainda mais nossas forças, incitei Kim Nam Chon a reunir, dentro da Federação Geral de Literatura e Artes, as pessoas que estavam sob a influência de Ri Sung Yop e a se esforçar para assumir o controle da direção da Federação. Para alcançar esse objetivo, apoiei ativamente suas atividades e, em janeiro de 1952, ordenei a Ri Tae Jun que integrasse a Agência Cultural e de Propaganda, a Agência de Literatura e Arte e a Editora da Federação Geral de Literatura e Artes, subordinadas à Federação, e, depois de incorporar Kim Nam Chon, nomeei-o redator-chefe……" (Registros, volume 10, páginas 66 e 101)
De acordo com os planos de Ri Sung Yop e seus cúmplices, depois de derrubar o governo da República, pretendiam estabelecer um governo capitalista, apoiando-se nos imperialistas estadunidenses.
Assim, no início de setembro de 1952, realizaram na residência de Pak Hon Yong uma reunião para decidir a composição do chamado "novo Partido" e do "novo governo" que pretendiam estabelecer no futuro.
O acusado Ri Sung Yop declarou o seguinte sobre o conteúdo discutido naquela reunião:
"……No primeiro domingo de setembro de 1952, na sala de visitas da casa de Pak Hon Yong, juntamente com Pae Chol, Jo Il Myong, Rim Hwa, Pak Sung Won, Yun Sun Tal e outros, discutimos e decidimos os líderes a serem indicados para o “novo governo” e o “novo Partido” que pretendíamos estabelecer depois de derrubar o atual governo da República.
Assim, decidimos indicar Pak Hon Yong como primeiro-ministro do novo governo; Ju Nyong Ha e Jang Si U como vice-primeiros-ministros; Pak Sung Won como ministro do Interior; Ri Kang Guk como ministro das Relações Exteriores; Kim Ung Bin como ministro das Forças Armadas; Jo Il Myong como ministro da Propaganda; Rim Hwa como ministro da Educação; Pae Chol como ministro do Trabalho; Yun Sun Tal como ministro do Comércio; e eu como primeiro secretário do 'novo Partido'." (Registros, volume 2, página 86)
Em relação a isso, o acusado Pak Sung Won declarou o seguinte sobre o caráter do "novo governo" que haviam planejado: "……Nós pretendíamos derrubar o sistema de democracia popular estabelecido na República e estabelecer um governo burguês que defendesse os interesses dos capitalistas, latifundiários e da pequena burguesia……" (Registros, volume 6, páginas 188–189)
Como exposto acima, ficou comprovado pela investigação preliminar deste processo que as ações concretas da camarilha de Ri Sung Yop consistiam em atividades de espionagem a serviço dos imperialistas estadunidenses, na destruição e enfraquecimento das forças democráticas do sul da Coreia, em atos de terror e massacres, bem como nos preparativos para uma insurreição armada destinada a derrubar o governo da República, e que tudo isso constituía uma parte das ações agressivas dos imperialistas estadunidenses contra a Coreia.
Crimes cometidos por cada um dos acusados
Os crimes cometidos individualmente por cada um dos acusados neste processo são, em concreto, os seguintes.
I. Ri Sung Yop
Após a Coreia ter sido libertada pelo Exército Soviético, ele ocultou seu passado de desertor e infiltrou-se no Partido e nos órgãos do poder, ocupando importantes cargos, como secretário do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia e ministro da Justiça, diretor do Departamento de Inspeção Popular e presidente do Comitê Popular Provisório da cidade de Seul. Quando, em setembro de 1945, as tropas estadunidenses entraram no sul da Coreia, declarou seu apoio à política estadunidense e, a partir de fevereiro de 1946, passou a participar diretamente dos órgãos de espionagem estadunidenses, cometendo, sob as instruções de Noble, consultor do Departamento de Estado dos Estados Unidos e conselheiro político da Embaixada dos Estados Unidos na Coreia do Sul, crimes antinacionais de espionagem, sabotagem, terror e conspiração para derrubar o governo da República.
a. Depois de participar, em 1946, em Seul, como espião dos órgãos de espionagem estadunidenses, realizou, sob instruções, atividades de espionagem em Seul, juntamente com o acusado Jo Il Myong, até fugir para o norte. Depois de chegar ao norte, a fim de assegurar de maneira ainda mais eficaz a espionagem contra a República, juntamente com Jo Il Myong, incorporou Pak Sung Won a partir de agosto de 1948 e, até maio de 1950, recrutou como espiões públicos outros elementos ligados aos órgãos de espionagem estadunidenses, como Rim Hwa, An Yong Tal, Jo Yong Bok e Paek Hyong Bok. Por volta de julho de 1951, também recrutou o agente de inteligência dos órgãos de espionagem estadunidenses, Ri Kang Guk, e, enquanto os dirigia, recolheu regularmente e forneceu aos órgãos de espionagem estadunidenses informações secretas dos diversos setores militares, políticos e econômicos do Partido e da República.
Além disso, com o objetivo de enfraquecer as forças que dificultavam suas atividades, em conluio com An Yong Tal, Jo Yong Bok e outros, realizou atividades destinadas a destruir e enfraquecer as forças democráticas sul-coreanas e, finalmente, em 27 de março de 1950, fez com que seus cúmplices An Yong Tal e Jo Yong Bok denunciassem o membro do Comitê Político do Partido do Trabalho da Coreia, Kim Sam Ryong, ao acusado Paek Hyong Bok, que era policial do regime-fantoche de Ri Sung Man, provocando sua prisão.
b. Com o objetivo de destruir e enfraquecer as forças democráticas e realizar atos de terror e massacre contra aqueles que conheciam seus crimes contra o Estado, desde 1948 deu instruções a An Yong Tal, Maeng Jong Ho e outros de seus subordinados para realizar atos de terror e massacre contra quadros do Partido e pessoas inocentes. Além disso, depois de ir a Seul após 28 de junho, com o objetivo de realizar massacres ainda maiores, organizou e dirigiu o chamado "Comitê de Investigação de Terras".
c. Juntamente com seus cúmplices Ri Kang Guk, Jo Il Myong, Pak Sung Won e outros, procurou afastar o povo do Partido e do governo, criar a divisão nacional e, além disso, nomeou e colocou desertores, traidores e outros elementos impuros em importantes cargos de direção do Partido e dos órgãos estatais, ampliando suas próprias forças e organizando e dirigindo-os para realizar todo tipo de atividades de intriga política.
Ficou completamente comprovado, pelas declarações dos acusados e pelos depoimentos das testemunhas, que, depois de receber, no início de julho de 1950, por intermédio de An Yong Tal, as instruções de Noble para organizar uma revolta na retaguarda do Exército Popular, ele, a partir de agosto de 1951, em conluio com os acusados Pae Chol, Pak Sung Won, Jo Il Myong, Rim Hwa e outros, organizou um comando de conspiração para uma insurreição armada com o objetivo de derrubar o governo da República Popular Democrática da Coreia e atuou como chefe na organização e fortalecimento das unidades armadas e da base de forças necessárias para realizar a insurreição.
II. Jo Il Myong, ex-vice-ministro da Cultura e Propaganda
Em 1934, abandonou o movimento revolucionário, desertou e, como instrutor de língua japonesa na chamada Escola Taehwa, em Seul, uma instituição japonesa destinada à conversão ideológica, passou a defender a ideologia da chamada unidade entre o Japão e a Coreia, tornando-se um traidor do povo coreano. (Registros, volume 5, páginas 153–156) Depois da libertação de 15 de agosto, a partir de fevereiro de 1946, passou a atuar como espião dos órgãos de espionagem estadunidenses.
a. A partir de março de 1946, sob as instruções dos órgãos de espionagem estadunidenses, juntamente com Ri Sung Yop, em cinco ocasiões até setembro de 1947, recolheu informações sobre a situação interna do Partido e outros dados secretos e os forneceu aos órgãos de espionagem estadunidenses. (Registros, volume 2, página 85; volume 5, páginas 122–124)
A partir de agosto de 1948, depois de, juntamente com Ri Sung Yop, incorporar Pak Sung Won, Rim Hwa e outros às suas atividades de espionagem, recolheu, juntamente com eles, informações secretas dos diversos setores políticos, militares e econômicos da República e as forneceu sistematicamente aos órgãos de espionagem estadunidenses. (Registros, volume 2, páginas 82–95 e 171–175)
b. Em julho de 1950, em Seul, conspirando com Ri Sung Yop, organizou uma seção dentro do quartel-general das Forças Voluntárias com o objetivo de assassinar os quadros que se opunham aos seus interesses e aqueles que conheciam sua verdadeira identidade, dirigindo suas atividades criminosas. (Registros, volume 2, páginas 121–129)
c. Participando das atividades de intriga política de Ri Sung Yop e outros, realizou toda espécie de propaganda antinacional destinada a consolidar a base necessária para conquistar suas próprias forças, afastar o povo do Partido e do governo e criar a divisão nacional. (Registros, volume 2, páginas 218–225) A partir de setembro de 1951, participou também das atividades de conspiração para uma insurreição armada de Ri Sung Yop e outros, ajudou a organizar seu comando de conspiração para a insurreição e assumiu a responsabilidade pela organização política e de propaganda durante a insurreição. Além disso, atuou para ampliar suas forças, introduzindo elementos impuros no Ministério da Cultura e Propaganda, e incitou o acusado Ri Won Jo a reunir elementos impuros dentro da Federação Geral de Literatura e Artes. (Registros, volume 5, páginas 230–235)
III — Ex-vice-presidente do Comitê Central da Associação Cultural Coreia-URSS, Rim Hwa
Em 1935, conspirou em conluio com a polícia japonesa para dissolver a organização cultural revolucionária, e, ocupando o cargo de diretor da pró-japonesa Associação de Proteção aos Literatos, cometeu atos de traição nacional, como a defesa da chamada ideia de unidade entre o Japão e a Coreia, com o objetivo de justificar a política colonial japonesa. (Registros, seção de provas, páginas 126–132.) Após a libertação de 15 de agosto, participou como agente de uma organização de espionagem estadunidense e, mantendo ligação com Ri Sung Yop e outros, cometeu atos de espionagem.
a) A partir de novembro de 1945, mantendo ligação com organizações de espionagem estadunidenses ou com o acusado Sol Jong Sik, que havia sido chefe de opinião pública do Departamento de Informação do Governo Militar dos Estados Unidos no Sul da Coreia, continuou coletando e fornecer-lhes segredos do Partido e das organizações culturais. (Registros, seção de provas, páginas 85–86.) A partir de janeiro de 1948, mantendo ligação de espionagem com o acusado Ri Sung Yop e conspirando com Jo Il Myong, Pak Sung Won, Ri Kang Guk e outros, transmitiu em mais de dez ocasiões informações sobre os diversos setores político, militar e econômico da República, destinadas a serem fornecidas às organizações de espionagem estadunidenses, e, após 28 de junho, em Seul, por instrução de Ri Sung Yop, coletou e forneceu informações políticas. (Registros, seção de provas, páginas 76–79 e 101–105.)
b) Participou das atividades de intriga política de Ri Sung Yop e, juntamente com Jo Il Myong, Pak Sung Won, Ri Won Jo e outros, reuniu ao seu redor traidores e outros elementos impuros, realizando atividades de propaganda e agitação contra as medidas do Partido e do Governo. (Registros, seção de provas, páginas 171–178.)
Em agosto de 1951, participou das atividades de conspiração para uma revolta armada, organizou o quartel-general da conspiração para a revolta e, durante o processo, juntamente com Jo Il Myong, assumiu a responsabilidade pela organização política e de propaganda e agitação, atuando para colocar sob seu controle as organizações culturais e artísticas a fim de reunir suas forças. (Registos, seção de provas, páginas 180–190.)
IV — Ex-vice-diretor do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia, Pak Sung Won
Após ser preso pela polícia japonesa em 1935, ele desertou e passou a atuar como informante deles, denunciando seus companheiros revolucionários. Ao mesmo tempo, trabalhando como jornalista do Maeil Sinbo, órgão de imprensa do Governo-Geral japonês da Coreia, cometeu atos de traição, utilizando o jornal para mobilizar os jovens coreanos para a guerra de agressão do Japão. (Registros, seção 6, páginas 95–96.) Após a libertação, ocultou seu passado e infiltrou-se no Partido.
a) A partir de agosto de 1948, integrou a rede de espionagem de Ri Sung Yop e, sob sua direção, até por volta de outubro de 1949, conspirando com Rim Hwa, Jo Il Myong e outros, continuou fornecendo, por intermédio de An Yong Tal, às organizações de espionagem estadunidenses informações secretas sobre os diversos setores político, militar e econômico da República. (Registros, seção 6, páginas 66 e 76.)
b) Conspirando com Ri Sung Yop e outros, juntamente com Jo Il Myong, Ri Kang Guk e outros acusados, continuou realizando todo tipo de intrigas políticas destinadas a promover a divisão nacional da Coreia, afastar o povo do Partido e do Governo e reunir ao seu redor traidores e elementos impuros. (Registros, seção 6, página 84; seção 6, página 30.)
A partir de agosto de 1951, com o objetivo de derrubar o Governo da República, formou, juntamente com Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Pae Chol, Rim Hwa e outros, o quartel-general da conspiração para uma revolta armada e, depois de assumir a responsabilidade como chefe de gabinete, juntamente com Pae Chol e sob a direção de Ri Sung Yop, realizou atividades preparatórias para a revolta armada, tais como ampliar suas forças e fortalecer as unidades armadas. (Registros, seção 6, páginas 157 e 181.)
V — Ex-diretor do Departamento de Relações Exteriores do Comitê Popular da Coreia do Norte e, imediatamente antes de sua prisão, presidente da Companhia de Importação de Produtos Gerais do Ministério do Comércio, Ri Kang Guk
Como desertor do comunismo, depois de concluir a Universidade de Berlim, na Alemanha, em 1935, ao retornar à Coreia, encontrou-se em Nova Iorque, nos Estados Unidos, com Crowley, dirigente de uma organização de espionagem estadunidense, e fez com ele um acordo secreto para manter futuramente ligações criminosas. (Registros, seção 4, páginas 196–197.)
a) Após jurar, em setembro de 1946, realizar atividades de espionagem para uma organização de espionagem estadunidense, infiltrou-se, a partir de janeiro de 1947, no cargo de diretor do Departamento de Relações Exteriores do Comitê Popular da Coreia do Norte e, até agosto de 1948, em cinco ocasiões, coletou informações secretas sobre os diversos setores político, militar e econômico da região da Coreia do Norte e as forneceu sistematicamente a uma organização de espionagem dos EUA. (Registros, seção 4, páginas 203 e 213.) Por volta de maio de 1950, prometeu aos elementos de espionagem Alice Hyon e Ri Sa Min, enviados diretamente dos Estados Unidos, realizar atividades de espionagem contra a República. (Registros, seção 4, páginas 73–74.)
A partir de julho de 1951, estabeleceu ligação com a rede de espionagem dirigida por Ri Sung Yop e, até outubro de 1952, em quatro ocasiões, coletou e forneceu informações militares e políticas secretas da República. (Registros, seção 4, páginas 226–228.)
b) Com o objetivo de realizar suas ambições políticas submetendo a Coreia aos imperialistas estadunidenses, sob a direção de uma organização de espionagem estadunidense, conspirou com Ri Sung Yop e continuou realizando atividades de intriga política destinadas, entre outras coisas, a ampliar suas forças, enfraquecer a unidade do povo coreano e dividir a nação. (Registros, seção 4, páginas 158–179; seção 4, páginas 141–123.)
VI — Ex-diretor do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia, Pae Chol
Após a libertação de 15 de agosto, recebeu a influência ideológica de Pak Hon Yong, Ri Sung Yop e outros. A partir de agosto de 1951, enquanto ocupava o cargo de diretor do Departamento de Ligação durante a guerra, juntamente com Ri Sung Yop, Pak Sung Won, Jo Il Myong, Rim Hwa e outros, formou o quartel-general da conspiração para uma revolta armada com o objetivo de derrubar o governo da República e, depois de assumir a responsabilidade pela organização militar, atuou, juntamente com Pak Sung Won, para ampliar suas forças e fortalecer a organização das unidades armadas com vistas à sua realização. (Registros, seção 7, página 186; seção 7, páginas 202 e 226.)
Além disso, durante esse período, Pae Chol realizou todo tipo de atividade de intriga política, como afastar o povo do Partido e do Governo e incutir ideias contrárias à Guerra de Libertação da Pátria. (Registros, seção 7, páginas 132 e 139.)
Em janeiro de 1952, sob o pretexto de encobrir a vida dissoluta de Ri Sung Yop e de supostamente garantir seu prestígio, ordenou ao acusado Maeng Jong Ho que assassinasse uma mulher inocente e, também por volta de janeiro de 1952, ordenou ao acusado Yun Sun Tal que assassinasse dois cidadãos inocentes. (Registros, seção 7, páginas 140–142; seção 7, páginas 127 e 131.)
VII — Ex-vice-diretor do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia, Yun Sun Tal
Antes e depois da libertação de 15 de agosto, foi um dos homens de confiança de Pak Hon Yong e, sob sua influência ideológica, a partir de junho de 1952, enquanto ocupava o cargo de vice-diretor do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido, participou da conspiração para uma revolta armada destinada a derrubar o poder da República, conduzida por Ri Sung Yop e outros, realizando atividades para fortalecer a organização das unidades armadas e ampliar suas forças, além de atividades de intriga política contra o Estado. Por outro lado, em setembro de 1952, participou das discussões para a formação de um governo criminoso tendo Pak Hon Yong como centro. (Registros, seção 9, páginas 306–310 e seção 9, página 322.)
Por volta de janeiro de 1952, após discutir o assunto com o acusado Pae Chol, ordenou o assassinato de três cidadãos inocentes. (Registros, seção 9, página 122 e seção 9, página 315.)
VIII — Ex-vice-diretor do Departamento de Propaganda e Agitação do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia, Ri Won Jo
De 1935 até 15 de agosto de 1945, trabalhou como jornalista do Joson Ilbo, órgão de imprensa a serviço do colonialismo japonês, ou como vice-editor-chefe da Casa de Publicação Taedong, em Seul, atuando para justificar a agressão japonesa contra a Coreia. (Registros, seção 10, páginas 77–78.) Após a libertação, infiltrou-se habilmente no Partido e, a partir de dezembro de 1945, participou das conspirações contra o Estado de Ri Sung Yop e outros, continuando, juntamente com Rim Hwa, Jo Il Myong, Pak Sung Won e outros, a conspirar para promover a divisão nacional, ao mesmo tempo que realizava diversas atividades de intriga política destinadas a afastar o povo do Partido e do Governo. (Registros, seção 10, páginas 46–52, 54–63 e 96–99.)
A partir de junho de 1951, enquanto ocupava o cargo de vice-diretor do Departamento de Propaganda e Agitação do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia, sob a influência de Rim Hwa, Jo Il Myong e outros, realizou diretamente atividades para colocar sob seu controle a Federação Geral de Literatura e Artes, com o objetivo de ampliar suas forças e, assim, destruir e derrubar o Partido e o poder estatal. (Registros, seção 10, páginas 65–71 e 100–104.)
IX — Ex-chefe da Seção de Investigação Central do Departamento de Segurança do Ministério do Interior do governo títere de Ri Sung Man, Paek Hyong Bok
Antes da libertação de 15 de agosto, ocupava o cargo de chefe de polícia e investigador da polícia superior japonesa, reprimindo o movimento de libertação nacional coreano. (Registros, seção 8, páginas 8–11.) Após a libertação de 15 de agosto, integrou a polícia títere de Ri Sung Man e, enquanto ocupava o cargo de chefe da Seção de Investigação dos Departamentos de Polícia das províncias de Jolla Norte e Kangwon, organizou e dirigiu pessoalmente a prisão e o massacre de mais de 200 pessoas, entre elas Hwang Ui Tae, então presidente do Comitê Provincial do Partido do Trabalho da Coreia em Jolla Norte, além de outros dirigentes do Partido e cidadãos patrióticos, destruindo assim as organizações provinciais do Partido em Jolla Norte e Kangwon. (Registros, seção 8, páginas 9–21 e 86.)
A partir de janeiro de 1950, por meio da ligação com o grupo de An Yong Tal, envolveu o acusado Jo Yong Bok em atividades de espionagem e traição e, em 27 de março do mesmo ano, com a ajuda deles, prendeu Kim Sam Ryong, membro do Comitê Político do Partido do Trabalho da Coreia. (Registros, seção 8, página 96.)
De fevereiro a abril de 1950, conspirando com Nichols, oficial de inteligência aérea do Comando do Extremo Oriente dos Estados Unidos, enviou Jo Yong Bok três vezes à parte norte da República, onde, mantendo ligação com Ri Sung Yop, coletou segredos militares da República e outros segredos do Partido e os forneceu às organizações de espionagem estadunidenses. (Registros, seção 12, páginas 22 e 40.) Em 8 de maio de 1950, por instrução direta de uma organização de espionagem estadunidense, mantendo ligação com Ri Sung Yop e tendo conhecimento de suas atividades de espionagem, infiltrou-se na parte norte da República, disfarçando sua entrada como se estivesse indo para o Norte por iniciativa própria, juntamente com os traidores An Yong Tal, Jo Yong Bok e outros. (Registros, seção 8, páginas 162, 168 e 102.)
X — Jo Yong Bok, ex-inspetor superior do Departamento de Inspeção Popular
Em junho de 1932, participou do movimento comunista no Japão, mas, depois de ser preso pela polícia, desertou e retornou à Coreia, onde passou a trabalhar como jornalista de jornais japoneses ou a administrar empresas privadas. Por volta de janeiro de 1950, tornou-se informante do policial fantoche Paek Hyong Bok e, sob suas instruções, ajudou a denunciar e prender Kim Sam Ryong. (Registros, seção 10, páginas 340–349.)
Depois disso, até abril de 1950, recebeu dele missões de espionagem e, em três ocasiões, entrou na parte norte da República, recebendo de Ri Sung Yop tarefas relativas às atividades do Partido, informações militares e outras informações, bem como instruções sobre medidas destinadas a ocultar as atividades de traição de An Yong Tal e as suas próprias, que transmitiu a Paek Hyong Bok durante a guerra. (Registros, seção 10, páginas 242–272.) No início de maio de 1950, por instrução de uma organização de espionagem estadunidenses, com o objetivo de realizar atividades de espionagem mantendo ligação com Ri Sung Yop, infiltrou-se na parte norte da República juntamente com An Yong Tal, o acusado Paek Hyong Bok e outros. (Registros, seção 10, páginas 353–1354.)
XI — Maeng Jong Ho, ex-chefe da 10ª Unidade de Guerrilha Popular da Coreia
Em 1934, participou de uma organização revolucionária, mas, depois de sair da prisão japonesa, desertou e, a partir de fevereiro de 1939, mantendo ligação com investigadores da alta polícia japonesa, passou a trabalhar como informante profissional do colonialismo japonês, denunciando muitos revolucionários. (Registros, seção 9, páginas 46–48.)
a) Por volta do final de 1947, recebeu instruções de espionagem de Ko Hak Rae, secretário de Jo Pyong Ok, chefe do Departamento de Polícia do Governo Militar dos EUA, e infiltrou-se na parte norte. Até o verão de 1948, em duas ocasiões, forneceu a Ko Hak Rae informações políticas, militares e econômicas, bem como a lista dos representantes da parte sul que participaram da Conferência Conjunta de abril de 1948. (Registros, seção 9, páginas 70–72.)
b) A partir de maio de 1947, participou das atividades de conspiração contra o Estado de Pak Hon Yong, Ri Sung Yop e outros, reunindo ao seu redor todo tipo de elementos impuros e realizando atividades de intriga política destinadas a afastar o povo do Partido e do Governo. (Registros, seção 9, páginas 82–87.) Além disso, a partir de fevereiro de 1952, enquanto ocupava o cargo de chefe da 10ª Unidade de Guerrilha, participou da conspiração de Ri Sung Yop e outros para derrubar o poder estatal e, sob as instruções de Ri Sung Yop, Pae Chol, Pak Sung Won e outros, realizou atividades para organizar e fortalecer as unidades armadas a serem mobilizadas durante a revolta armada. (Registros, seção 9, páginas 139–146 e 154.)
c) No início de julho de 1950, em Seul, conspirando com Ri Jung Op, um dos homens de confiança de Ri Sung Yop, e outros, com o objetivo de ocultar seus crimes e assassinar aqueles que se opunham às suas forças e aqueles que conheciam os segredos de suas atividades criminosas, mantiveram secretamente detidos, no subsolo do Comitê Popular Provisório de Seul, mais de 70 dirigentes do Partido, cidadãos inocentes e pessoas que trabalhavam em diversas instituições. Durante os interrogatórios, devido à intervenção dos órgãos do Ministério do Interior, não puderam continuar os assassinatos e, dentre eles, ordenaram a seus subordinados que fuzilassem apenas sete pessoas. (Registros, seção 9, páginas 59–60.)
XII — Sol Jong Sik, ex-chefe de opinião pública do Departamento de Informação do Governo Militar dos Estados Unidos no Sul da Coreia e, antes de sua prisão, membro da 7ª Seção da Direção Política Geral do Alto Comando do Exército Popular da Coreia
Antes da libertação de 15 de agosto, formou-se na Mount Union College e na Universidade Columbia, nos Estados Unidos, com bolsas concedidas por capitalistas estadunidenses. Após a libertação, a partir de novembro de 1945, enquanto ocupava o cargo de chefe de opinião pública do Departamento de Informação do Governo Militar dos Estados Unidos, realizou atividades para reprimir o Partido do Trabalho da Coreia do Sul e as forças democráticas. Além disso, por volta de maio de 1946, em conluio com o oficial estadunidense Robinson, pertencente ao Departamento de Informação, envolveu em atividades de espionagem Rim Hwa, que então ocupava o cargo de vice-presidente da Federação Geral das Organizações Culturais do Sul da Coreia, coletando informações secretas das organizações culturais do Sul da Coreia e do interior do Partido e fornecendo-as a Robinson. (Registros, seção 10, páginas 12–128.) Em setembro de 1946, sob garantia de Rim Hwa, ocultou sua verdadeira identidade e infiltrou-se no Partido, mas, em dezembro de 1949, desertou, aderiu à chamada Liga de Orientação, organização destinada à conversão ideológica, e, conspirando com a polícia fantoche, passou a cometer atos de traição, como criar obras literárias reacionárias destinadas a se opor e caluniar o Partido, o Governo da República e as forças democráticas. (Registros, seção 10, página 127 e páginas 228–230.)
Os acusados Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Rim Hwa, Pak Sung Won, Ri Kang Guk, Pae Chol, Yun Sun Tal, Ri Won Jo, Paek Hyong Bok, Jo Yong Bok, Maeng Jong Ho, Sol Jong Sik e outros reconheceram, cada um, os crimes que lhes foram comunicados durante a investigação.
Seus atos criminosos foram confirmados pelos depoimentos mútuos, pelos depoimentos das testemunhas e pelos interrogatórios.
Com base no exposto acima:
I — Ri Sung Yop, nascido em 8 de fevereiro de 1905
Endereço: condado de Taedong, província de Pyongan Sul
Profissão: ex-secretário do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia e ex-diretor do Departamento de Inspeção Popular
II — Jo Il Myong, nascido em 1º de dezembro de 1903
Endereço: cidade de Pyongyang
Profissão: ex-vice-ministro do Ministério da Cultura e Propaganda
Por terem organizado e dirigido uma organização conspiratória contra o Estado e sua direção, com o objetivo de destruir e derrubar, por meios violentos, o poder popular estabelecido na República; por terem realizado atividades de intriga política com o propósito de afastar o povo do Partido e do Governo e provocar a divisão nacional; por terem coletado informações políticas, militares e econômicas pertencentes aos segredos de Estado e fornecido tais informações às organizações de espionagem estadunidenses; e por terem cometido atos de terror com o objetivo de ocultar seus segredos criminosos, seus atos correspondem ao disposto nos artigos 78, 65, parágrafo 1, 76, parágrafo 2, 68 e 72 do Código Penal.
III — Rim Hwa, nascido em 13 de outubro de 1908
Endereço: condado de Taedong, província de Pyongan Sul
Profissão: ex-vice-presidente do Comitê Central da Associação Cultural Coreia-URSS
IV — Pak Sung Won, nascido em 28 de novembro de 1913
Endereço: cidade de Pyongyang
Profissão: ex-vice-diretor do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia
Por ter organizado uma organização conspiratória contra o Estado e sua direção com o objetivo de derrubar, por meios violentos, o governo da República, e por ter realizado atividades de intriga política, bem como por ter sido envolvido ou incorporado à rede de espionagem de Ri Sung Yop e outros, organizada com o objetivo de realizar espionagem contra a República, coletando e transmitindo informações pertencentes aos segredos de Estado, seus atos correspondem ao disposto nos artigos 78, 65, parágrafo 1, 76, parágrafo 2, e 68 do Código Penal.
V — Ri Kang Guk, nascido em 7 de fevereiro de 1906
Endereço: cidade de Pyongyang
Profissão: ex-presidente da Companhia de Importação de Produtos Gerais do Ministério do Comércio
Como espião de uma organização de espionagem estadunidense, coletou informações políticas, militares e econômicas pertencentes aos segredos de Estado e as forneceu a uma organização de espionagem estadunidense, além de ter participado e atuado na rede de espionagem de Ri Sung Yop e outros e realizado atividades de intriga política juntamente com Ri Sung Yop e outros. Seus atos correspondem ao disposto nos artigos 78, 65 e 76, parágrafo 2, do Código Penal.
VI — Pae Chol, nascido em 6 de janeiro de 1912
Endereço: cidade de Pyongyang
Profissão: ex-diretor do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia
VII — Yun Sun Tal, nascido em 16 de janeiro de 1914
Endereço: cidade de Pyongyang
Profissão: ex-vice-diretor do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia
Por ter organizado uma organização conspiratória contra o Estado e sua direção com o objetivo de derrubar, por meios violentos, o governo da República, por ter realizado atividades de intriga política contra o Estado e também por ter cometido atos de assassinato, seus atos correspondem ao disposto nos artigos 78, 65, parágrafo 1, 76, parágrafo 2, e 112, inciso 4, do Código Penal.
VIII — Ri Won Jo, nascido em 2 de junho de 1909
Endereço: cidade de Pyongyang
Profissão: ex-vice-diretor do Departamento de Propaganda e Agitação do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia
Por ter participado da conspiração contra o Estado de Ri Sung Yop e outros, destinada a derrubar o governo da República, e por ter atuado para ampliar suas forças, bem como por ter realizado atividades de intriga política, seus atos correspondem ao disposto nos artigos 78, 65, parágrafo 2, e 76, parágrafo 2, do Código Penal.
IX — Paek Hyong Bok, nascido em 24 de outubro de 1917
Endereço: Hyoryong-dong, distrito central de Seul
Profissão: ex-chefe da Seção de Investigação Central do Departamento de Segurança do Ministério do Interior do governo títere de Ri Sung Man
Por ter reprimido o movimento de libertação nacional enquanto ocupava cargos importantes na polícia japonesa ou na polícia títere de Ri Sung Man e, sob instruções de uma organização de espionagem estadunidense, por ter participado da rede de espionagem de Ri Sung Yop e outros e realizado atividades de espionagem contra a República, seus atos correspondem ao disposto nos artigos 99, 78 e 71 do Código Penal.
X — Jo Yong Bok, nascido em 3 de maio de 1909
Endereço: condado de Taedong, província de Pyongan Sul
Profissão: ex-inspetor superior do Departamento de Inspeção Popular
Por ter atuado como informante para a polícia títere de Ri Sung Man e, sob instruções de uma organização de espionagem estadunidense, ter realizado atividades de espionagem contra a República, mantendo ligação com o grupo de Ri Sung Yop, seus atos correspondem ao disposto nos artigos 78 e 68 do Código Penal.
XI — Maeng Jong Ho, nascido em 10 de agosto de 1911
Endereço: condado de Pyongsan, província de Hwanghae
Profissão: chefe da 10ª Unidade de Guerrilha subordinada ao Exército popular da Coreia
Por ter participado da conspiração de Ri Sung Yop e outros, organizada com o objetivo de destruir e derrubar o governo da República, e por ter atuado para fortalecer a organização das unidades armadas; por ter realizado atividades de intriga política com o propósito de provocar no povo a desconfiança em relação ao Partido e ao Governo e provocar a divisão nacional; e, além disso, por ter cometido atos de terror para ocultar sua verdadeira identidade e realizado atividades de espionagem contra a República mantendo ligação com organizações de espionagem inimigas, seus atos correspondem ao disposto nos artigos 78, 65, parágrafo 2, 76, parágrafo 2, 72 e 68 do Código Penal.
XII — Sol Jong Sik, nascido em 18 de setembro de 1912
Endereço: cidade de Pyongyang
Profissão: membro da 7ª Seção da Direção Política Geral do Alto Comando do Exército Popular da Coreia
Por ter cometido atos de traição, como coletar informações secretas das forças democráticas com o objetivo de reprimir o movimento democrático enquanto ocupava um cargo importante no Governo Militar dos EUA no Sul da Coreia, e por ter criado obras literárias contra o Estado em conluio com a polícia títere de Ri Sung Man, seus atos correspondem ao disposto no artigo 79 do Código Penal.
Este caso, com base no artigo 25 do Código de Processo Penal, está sujeito ao julgamento do Supremo Tribunal da República Popular Democrática da Coreia.
30 de julho de 1953
Procuradoria Suprema da República Popular Democrática da Coreia
Procurador-Geral Ri Song Un
II — Julgamento
Processo contra os acusados Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Rim Hwa, Pak Sung Won, Ri Kang Guk, Pae Chol, Yun Sun Tal, Ri Won Jo, Paek Hyong Bok, Jo Yong Bok, Maeng Jong Ho e Sol Jong Sik, relativo à conspiração para derrubar o governo da República Popular Democrática da Coreia e às atividades de espionagem, terror e propaganda e agitação contra o Estado.
3–6 de agosto de 1953
De 3 a 6 de agosto de 1953, o Tribunal Militar do Supremo Tribunal da República Popular Democrática da Coreia, em audiência pública, tendo como presidente do tribunal Kim Ik Son, presidente do Supremo Tribunal da República Popular Democrática da Coreia, e como juízes Pak Ryong Suk e Pak Kyong Ho, com a presença do secretário Kim Yong Su e a participação do vice-procurador-geral Kim Tong Hak, dos promotores Kim Yun Sik e Ri Chang Ho e dos advogados Ji Yong Dae, Ri Kyu Hong, Kim Mun Pyong, Jong Yong Hwa e Kim Pyong Ok, julgou o processo contra os acusados Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Rim Hwa, Pak Sung Won, Ri Kang Guk, Pae Chol, Yun Sun Tal, Ri Won Jo, Paek Hyong Bok, Jo Yong Bok, Sol Jong Sik e Maeng Jong Ho, relativo às acusações previstas nos artigos 78, 65, parágrafo 1, 68, 76, 72 e outros do Código Penal.
— 1º dia, 3 de agosto de 1953 —
Declaração de revisão
Juiz presidente: A partir de agora, procederemos ao julgamento do processo dos acusados Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Rim Hwa, Pak Sung Won, Ri Kang Kuk, Pae Chol, Yun Sun Tal, Ri Won Jo, Paek Hyong Bok, Jo Yong Bok, Maeng Jong Ho e Sol Jong Sik, pelos artigos 78, 65, 76 e 72, entre outros, do Código Penal. (10 horas da manhã)
Juiz Pak Ryong Suk, proceda à identificação dos acusados.
(O juiz Pak Ryong Suk identificou cada um dos acusados da seguinte maneira.)
1. Acusado Ri Sung Yop, nascido em 8 de fevereiro de 1905, sexo masculino
Domicílio de origem: Yongjong-myon, condado de Pupyong, província de Kyonggi
Endereço: Rimwon-myon, condado de Taedong, província de Pyongan Sul
Profissão: ex-secretário do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia e diretor do Departamento de Inspeção Popular da República Popular Democrática da Coreia
2. Acusado Jo Il Myong (pseudônimo Jo Du Won), nascido em 1º de novembro de 1903, sexo masculino
Domicílio de origem: Hupomae-ri, Hyonnam-myon, condado de Yangyang, província de Kangwon
Endereço: Kirim-ri, cidade de Pyongyang
Profissão: vice-ministro do Ministério da Cultura e Propaganda da República Popular Democrática da Coreia
3. acusado Rim Hwa, nascido em 23 de outubro de 1908, sexo masculino
Domicílio de origem: Gahoe-dong, cidade de Seul
Endereço: Nae-ri, condado de Taedong, província de Pyongan do Sul
Profissão: ex-vice-presidente do Comitê Central da Associação Cultural Coreia-União Soviética
4. acusado Pak Sung Won (pseudônimo Pak Il Chol), nascido em 28 de fevereiro de 1913, sexo masculino
Domicílio de origem: Hamang-ri, Yongju-eup, condado de Yongju, província de Kyongsang Norte
Endereço: Taesong-ri, cidade de Pyongyang
Profissão: ex-vice-chefe do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia
5. acusado Ri Kang Kuk, nascido em 7 de fevereiro de 1906, sexo masculino
Domicílio de origem: Sajik-dong, cidade de Seul
Endereço: Kirim-ri, cidade de Pyongyang
Profissão: ex-presidente da Companhia de Importação de Produtos Gerais do Ministério do Comércio da República Popular Democrática da Coreia
6. acusado Pae Chol, nascido em 6 de janeiro de 1912, sexo masculino
Domicílio de origem: Ahyon-dong, cidade de Seul
Endereço: Tosong-ri, cidade de Pyongyang
Profissão: ex-diretor do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia
7. acusado Yun Sun Tal, nascido em 16 de janeiro de 1914, sexo masculino
Domicílio de origem: Sudong-ri, Taegu-myon, condado de Kangjin, província de Jolla Sul
Endereço: Kiam-ri, condado de Taedong, província de Pyongan Sul
Profissão: ex-vice-diretor do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia
8. acusado Ri Won Jo, nascido em 2 de junho de 1909, sexo masculino
Domicílio de origem: Wonchondong, Toson-myon, condado de Andong, província de Kyongsang Norte
Endereço: Taetaryong-ri, cidade de Pyongyang
Profissão: ex-vice-diretor do Departamento de Propaganda e Agitação do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia
9. acusado Paek Hyong Bok, nascido em 24 de outubro de 1917, sexo masculino
Domicílio de origem: Wondung-ri, Yuchi-myon, condado de Janghung, província de Jolla Sul
Endereço: Yonhui-dong, cidade de Seul
Profissão: ex-chefe da Seção de Investigação Central do Departamento de Segurança do Ministério do Interior do governo títere de Ri Sung Man
10. acusado Jo Yong Bok (pseudônimo Pak Sang Ok), nascido em 21 de maio de 1909, sexo masculino
Domicílio de origem: Naeil-dong, Miryang-eup, condado de Miryang, província de Kyongsang Sul
Endereço: Jonggye-ri, Rimwon-myon, condado de Taedong, província de Pyongan Sul
Profissão: ex-inspetor superior do Departamento de Inspeção Popular da República Popular Democrática da Coreia
11. acusado Maeng Jong Ho (pseudônimo Ho Jong Il), nascido em 10 de agosto de 1911, sexo masculino
Domicílio de origem: Junam-dong, Jupuk-myon, condado de Kyongsong, província de Hamgyong Norte
Endereço: Rodong-ri, condado de Yonsan, província de Hwanghae
Profissão: ex-comandante da 10ª unidade da Guerrilha Popular da Coreia
12. acusado Sol Jong Sik, nascido em 18 de setembro de 1912, sexo masculino
Domicílio de origem: Hyoja-dong, cidade de Seul
Endereço: Koam-ri, condado de Taedong, província de Pyongan Sul
Profissão: ex-membro da da 7ª Seção da Direção Política Geral do Alto Comando do Exército Popular da Coreia
Juiz presidente: Os acusados receberam cópias do auto de acusação?
Acusados: Recebemos.
Juiz presidente: Quem são os promotores responsáveis pela acusação?
Promotor: O vice-procurador-geral da Procuradoria Suprema da República Popular Democrática da Coreia, Kim Tong Hak, e os promotores Ri Chang Ho e Kim Yun Sik.
Juiz presidente: Quem são os advogados de defesa?
Advogado: Sou Ji Yong Dae, advogado nomeado para a defesa do acusado Ri Sung Yop.
Advogado: Sou Kim Mun Pyong, advogado nomeado para a defesa dos acusados Rim Hwa, Ri Won Jo e Sol Jong Sik.
Advogado: Sou Ri Kyu Hong, advogado nomeado para a defesa dos acusados Jo Il Myong, Paek Hyong Bok e Yun Sun Tal.
Advogado: Sou Jong Yong Hwa, advogado nomeado para a defesa dos acusados Pae Chol, Jo Yong Bok e Pak Sung Won.
Advogado: Sou Kim Pyong Ok, advogado nomeado para a defesa dos acusados Ri Kang Kuk e Maeng Jong Ho.
Juiz presidente: Os acusados têm o direito de constituir advogados para que seus processos sejam solucionados de maneira justa e de requerer a adoção de testemunhas e outras provas.
O julgamento de hoje será realizado pelo tribunal composto pelo juiz presidente Kim Ik Son, pelos juízes Pak Ryong Suk e Pak Kyong Ho, com o secretário de audiência Kim Yong Su presente. Entre os membros deste tribunal e os oficiais presentes na audiência, caso alguma das partes tenha uma relação de inimizade pessoal com algum deles, ou considere que algum deles tenha relação com a solução do processo, ou por outros motivos não possa receber um julgamento imparcial, tem o direito de requerer a exclusão. Há algum pedido de exclusão dos membros do tribunal ou dos oficiais presentes na audiência?
Acusados: Não.
Advogados: Não.
Promotor: Não.
Juiz presidente: Há algum pedido de exclusão em relação ao vice-procurador da Procuradoria Suprema da República Popular Democrática da Coreia, Kim Tong Hak, responsável pela acusação?
Acusados: Não.
Advogados: Não.
Juiz presidente: Juiz Pak Kyong Ho, verifique se as testemunhas compareceram.
Juiz Pak Kyong Ho (ao secretário de audiência): Todas as testemunhas convocadas compareceram?
Secretário de audiência Kim Yong Ju: Das 13 testemunhas convocadas, 10, compareceram, e recebemos a comunicação de que as testemunhas Jon Yong Ae, Jon Gu Ha e Yun Tae Hyon não puderam comparecer hoje por motivos circunstanciais e comparecerão amanhã.
(O juiz Pak Kyong Ho identificou as 10 testemunhas presentes da seguinte maneira.)
Testemunha Ryo Kun Ho, 45 anos
Endereço: Chongam-ri, condado de Taedong, província de Pyongan Sul
Testemunha Yun Pyong Sang, 36 anos
Endereço: Kirim-ri, cidade de Pyongyang
Testemunha Kim Han Kyong, 51 anos
Endereço: Songok-ri, condado de Sunan
Testemunha Cha Yak Do, 36 anos
Endereço: Hoegi-dong, distrito de Tongdaemun, cidade de Seul
Testemunha Choe Man Yong, 42 anos
Endereço: Koryo-dong, cidade de Kaesong
Testemunha Ri Kyong Min, 31 anos
Endereço: condado de Namyonbaek, província de Hwanghae
Testemunha Jon U Han, 25 anos
Endereço: condado de Namyonbaek, província de Hwanghae
Testemunha Kim Hong Su, 34 anos
Endereço: Naedong-ri, condado de Taedong, província de Pyongan Sul
Testemunha Choe Song Hwan, 43 anos
Endereço: Kirim 1-ri, cidade de Pyongyang
Testemunha Pak Tae Ul, 46 anos
Endereço: Sochang-ri, distrito central, cidade de Pyongyang
Juiz Pak Kyong Ho: As testemunhas têm o dever, na qualidade de testemunhas dos 12 acusados, entre eles Ri Sung Yop, de declarar perante o tribunal, conforme a verdade dos fatos, tudo o que sabem sobre o presente processo. Ficam advertidas de que estarão sujeitas à responsabilidade criminal caso prestem falso testemunho ou deixem de declarar fatos de que tenham conhecimento. As testemunhas devem assinar e apor seu selo nas declarações de compromisso.
(As testemunhas assinaram e apuseram seus selos, cada uma, nas declarações de compromisso e retiraram-se para uma sala separada.)
Juiz presidente: Há algum pedido de convocação de outras testemunhas ou de novas provas?
Promotor: Não.
Advogados: Não.
Acusados: Não.
Juiz presidente: Há alguma objeção ao prosseguimento do julgamento sem o comparecimento de três das testemunhas convocadas?
Promotor: Não.
Advogados: Não.
Acusados: Não.
Juiz presidente: A partir de agora, será feita a leitura do auto de acusação contra Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Ri Kang Guk, Pae Chol, Rim Hwa, Maeng Jong Ho, Yun Sun Tal, Ri Won Jo, Paek Hyong Bok, Jo Yong Bok, Pak Sung Won e Sol Jong Sik.
(O juiz Pak Kyong Ho procedeu à leitura do auto de acusação.)
Juiz presidente: Os acusados reconhecem integralmente o conteúdo do auto de acusação?
Acusados: Reconhecemos integralmente.
Juiz presidente: Faremos um intervalo de 20 minutos.
Juiz presidente: Retomaremos o julgamento. (11 horas e 20 minutos)
Se houver alguma opinião sobre a ordem da instrução, manifeste-a.
Promotor: De acordo com o artigo 196 do Código de Processo Penal da República Popular Democrática da Coreia, proponho que a instrução seja realizada na seguinte ordem.
Primeiramente, deverão ser interrogados os acusados, na seguinte ordem: Jo Il Myong, Pak Sung Won, Rim Hwa, Paek Hyong Bok, Jo Yong Bok, Ri Kang Guk, Ri Sung Yop, Pae Chol, Maeng Jong Ho, Yun Sun Tal, Ri Won Jo e Sol Jong Sik. Em seguida, proponho que as testemunhas sejam interrogadas conforme o critério do tribunal.
Advogado Ji Yong Dae: Como opinião conjunta dos advogados de defesa, propomos que os acusados sejam interrogados na ordem em que estão relacionados no auto de acusação, começando por Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Rim Hwa etc., e que as testemunhas sejam interrogadas conforme o critério do tribunal.
Juiz presidente: Após deliberação sobre a ordem da instrução, foi decidido que os acusados serão interrogados na seguinte ordem: Jo Il Myong, Pak Sung Won, Rim Hwa, Paek Hyong Bok, Jo Yong Bok, Ri Kang Guk, Ri Sung Yop, Pae Chol, Maeng Jong Ho, Yun Sun Tal, Ri Won Jo e Sol Jong Sik, e que as testemunhas serão interrogadas conforme a necessidade do tribunal.
Interrogatório de Jo Il Myong
Juiz presidente: Acusado Jo Il Myong,
(O acusado Jo Il Myong dirige-se à tribuna para prestar depoimento.)
Juiz presidente: Diga sua trajetória.
Jo Il Myong: Nasci em 1º de novembro de 1903, em Hupomae-ri, Hyonnam-myon, condado de Yangyang, província de Kangwon, como filho mais velho de um proprietário de terras que possuía cerca de 15.000 pyong de terra, em uma família abastada, e cresci em condições de vida que não deixavam nada a desejar. Depois de me formar no curso de Letras da Escola Profissional de Yonhui, participei de atividades de reconstrução do Partido Comunista em Seul e outros lugares. Em novembro de 1929, fui preso pela polícia japonesa e, em abril de 1930, fui condenado a três anos e seis meses de prisão. Durante o cumprimento da pena, enfraqueci ideologicamente e me tornei covarde. Quando fui libertado da prisão de Sodaemun, em outubro de 1933, ao término da pena, cheguei a publicar uma declaração de conversão na qual afirmava que o movimento comunista poderia ser abandonado conforme as circunstâncias. Depois disso, voltei ao meu domicílio de origem, mas em dezembro de 1933 fui novamente preso pela polícia japonesa. Quando fui libertado em abril de 1934, já havia decaído completamente do ponto de vista ideológico, abandonei a greve que me havia sido confiada pela Internacional Comunista e, tendo-me desviado para buscar conforto pessoal, entrei no caminho da traição.
Do verão de 1934 à primavera de 1938, permaneci em meu domicílio de origem, dedicando-me à agricultura com empregados. Na primavera de 1938, mudei-me para Seul e, a partir de 1940, trabalhei como funcionário administrativo da Companhia Comercial Samgak, que atuava na mineração de tungstênio. A partir de junho de 1943, passei também a trabalhar no comércio de bebidas alcoólicas, levando uma vida despreocupada. Depois, a partir de fevereiro de 1944, fui empregado como encarregado de pedidos da gráfica de Taehwasuk, auxiliando ativamente a política colonial japonesa de transformar a Coreia em uma colônia.
De janeiro a março de 1944, trabalhei durante três meses como professor de japonês na escola noturna de Taehwasuk, auxiliando ativamente o chamado movimento de "japonização dos súditos do Império". Em julho de 1944, publiquei no periódico de Taehwasuk um artigo de caráter traidor defendendo o aprendizado da língua japonesa, cujo conteúdo enfatizava que "era preciso aprender japonês para se tornar súdito do Império".
A partir de janeiro de 1945, trabalhei como funcionário administrativo da Companhia de Transportes Taepyeong, da Companhia de Transporte Marítimo da Coreia, servindo ao transporte de materiais militares japoneses, enquanto também me dedicava ao comércio de bebidas alcoólicas, permanecendo assim até a libertação de 15 de agosto.
Ao receber a libertação de 15 de agosto, participei das atividades de organização do partido movido por uma ambição pequeno-burguesa de reconhecimento e por um desejo de ascensão social. Depois, em setembro de 1945, tornei-me chefe da redação do jornal Haebang Ilbo, órgão do Partido Comunista.
Depois que o Haebang Ilbo foi fechado em maio de 1946 devido à repressão do imperialismo estadunidense, a partir de maio de 1946 passei a trabalhar como membro da Secretaria do Comitê Central do Partido Comunista da Coreia, permanecendo ali até dezembro de 1946. Depois, tornei-me vice-diretor do Departamento de Quadros do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia do Sul, onde permaneci até maio de 1947. A partir de junho de 1947, fui redator-chefe do órgão do Partido do Trabalho da Coreia do Sul, Roryok Inminsa, até dezembro de 1947. Em dezembro de 1947, vim para o norte e, sob a direção de Pak Hon Yong, realizei trabalhos especiais do partido na parte sul até outubro de 1949.
A partir de dezembro de 1949, trabalhei como secretário do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia. Em agosto de 1950, tornei-me presidente do Comitê Popular Provisório da cidade de Seul. Depois da retirada, a partir de outubro de 1950, fui vice-diretor do 7º Departamento da Direção Política Geral do Exército Popular da Coreia. A partir de janeiro de 1951, fui chefe da Seção de Orientação de Estudos Políticos do Departamento de Propaganda e Agitação da Direção Política Geral do Exército Popular da Coreia. Em maio de 1951, tornei-me vice-redator-chefe da Editora Minju Joson e, em novembro de 1951, fui nomeado vice-ministro do Ministério da Cultura e Propaganda, cargo que ocupei até ser preso.
Juiz presidente: Fale sobre a atividade de espionagem entre os crimes do acusado.
Jo Il Myong: Quanto às atividades de espionagem, quando eu era chefe da redação do Haebang Ilbo, em fevereiro de 1946, fui preso enquanto dormia na casa de Choe Ok Hui, minha senhoria em Samchong-dong, cidade de Seul, junto com Ri Sung Yop, Choe Ok Hui e Jo Won Suk. Nós quatro fomos separados e detidos. Eu fui detido na Delegacia de Polícia de Songdong, onde um indivíduo chamado capitão Johnson, da polícia militar estadunidense, veio interrogar-me acompanhado de seu intérprete.
O capitão Johnson me interrogou, dizendo que eu havia tramado uma conspiração para assassinar Ri Sung Man. Quando neguei, ele disse que isso não podia ser acreditado e me ameaçou, afirmando que somente me perdoaria se eu me tornasse seu colaborador. Por isso, traí novamente e prometi cooperar ativamente com eles, tornando-me, a partir daquele momento, um espião dos Estados Unidos.
Alguns dias depois, eu, Ri Sung Yop e Choe Ok Hui fomos libertados. Quando nós três dormíamos em minha casa de aluguel, contei a Ri Sung Yop que havia cometido traição, e Ri Sung Yop apenas riu. Por isso, pensei que Ri Sung Yop também estivesse na mesma situação que eu.
Ao me libertar, o capitão Johnson, da polícia militar estadunidense, disse que viria me procurar no Haebang Ilbo alguns dias depois. Alguns dias depois, o estadunidense Johnson veio ao Haebang Ilbo conforme havia prometido e exigiu que eu cumprisse fielmente a missão de espionagem que havia assumido anteriormente. Perguntou se eu conhecia Ri Sung Yop e ordenou que eu recebesse instruções dele.
Ao mesmo tempo, disse que, no futuro, quando fosse necessário um contato especial, eu deveria procurá-lo no Hotel Bando. Concordei com isso e, alguns dias depois, fui à casa de Paek Sok Hwang, em Chongjin-dong, cidade de Seul, que era utilizada como escritório do Comitê do Partido Comunista da província de Kyonggi, onde encontrei Ri Sung Yop. Transmiti-lhe a ordem de Johnson para que eu trabalhasse sob sua direção, e Ri Sung Yop também concordou. Como ele perguntou se não deveríamos coletar e fornecer informações recentes, aceitei, e Ri Sung Yop propôs que fossem coletados e fornecidos dados sobre a estrutura organizativa central e local do Partido Comunista, a situação da distribuição das tarefas entre os quadros, a localização dos esconderijos, o número de membros do partido e outros dados.
Em abril de 1946, coletei informações secretas do partido com o conteúdo acima mencionado e, como primeira remessa, forneci-as ao serviço de espionagem estadunidense por intermédio de Ri Sung Yop.
Como segunda remessa, em maio de 1946, coletei e organizei informações secretas do partido, como as mencionadas anteriormente, bem como informações sobre as condições de vida da população na parte sul, e forneci-as a Johnson por intermédio de Ri Sung Yop.
Como terceira remessa, no final de 1946, após a fusão dos três partidos, houve mudanças entre os quadros. Por isso, em janeiro de 1947, organizei as informações secretas mencionadas anteriormente e os dados que havia coletado sobre as condições sociais da parte norte da Coreia, entreguei-os a Ri Sung Yop e fiz com que fossem fornecidos a Johnson.
Como quarta remessa, em junho de 1947, levando materiais que Ri Sung Yop havia forjado sobre a identidade e a atitude dos representantes soviéticos que participavam da Comissão Conjunta URSS-EUA, fui pessoalmente ao Hotel Bando. Na recepção, disse que havia vindo encontrar-me com Johnson e, quando me disseram para esperar, fiquei aguardando. Então Johnson me viu e mandou que eu entrasse. Fui para uma pequena sala num canto do segundo andar e, ao fornecer-lhe os materiais de espionagem, ele os recebeu dizendo "Thank you", após o que fui embora.
Depois, como quinta remessa, em setembro de 1947, preparei novamente informações secretas do partido na mesma linha das anteriores e forneci-as a Johnson no Hotel Bando. Depois disso, relatei o fato a Ri Sung Yop. Esses foram os fatos referentes ao fornecimento de materiais de espionagem que realizei na parte sul.
Juiz presidente: Fale sobre as atividades de espionagem que continuou depois de vir para a parte norte.
Jo Il Myong: No início de dezembro de 1947, por instrução de Ri Sung Yop, vim para a parte norte a fim de auxiliar o trabalho de Pak Hon Yong.
Depois de vir para o norte, quanto às atividades de espionagem com Ri Sung Yop, em julho de 1948, Ri Sung Yop veio para o norte e, em agosto, foi à minha casa em Kirim-ri, Pyongyang. Ele me perguntou quem era a pessoa mais confiável na gráfica de Haeju. Sabendo que isso se destinava à realização de atividades de espionagem, respondi que Pak Sung Won era a pessoa mais confiável. A razão era que Pak Sung Won havia se convertido durante o período do domínio japonês, era leal a Pak Hon Yong e sabia guardar bem os segredos, de modo que considerei Pak Sung Won a pessoa mais adequada. Essa foi minha primeira conversa com Ri Sung Yop sobre a organização da rede de espionagem.
Em outubro de 1948, discutimos concretamente as atividades de espionagem na casa de Pak Hon Yong, em Namsan-ri. Naquela ocasião, Ri Sung Yop disse que, na parte sul, faria com que An Yong Tal, em seu lugar, entregasse diretamente aos estadunidenses os materiais de espionagem, que atribuiria a Pak Sung Won a responsabilidade pela passagem da linha do Paralelo 38 e que, como estaríamos ocupados e não poderíamos sair frequentemente de Pyongyang, deveríamos estabelecer um contato entre Pyongyang e Haeju. Eu disse, então, que Rim Hwa seria adequado.
A razão era que Rim Hwa havia se convertido durante o período do domínio japonês e havia rumores de que atualmente mantinha relações com Sol Jong Sik. Além disso, como não poderia ir estudar na União Soviética e naquela época estava em Haeju, considerei que seria conveniente recrutá-lo. Assim, chamei Rim Hwa para incorporá-lo à rede de espionagem.
Depois de receber de Ri Sung Yop a lista dos nomes dos ministros e vice-ministros do Conselho de Ministros da República e dos diretores subordinados de cada um deles, oriundos da parte norte, organizei e compilei a lista dos quadros oriundos da parte sul. Em seguida, telefonei imediatamente para Pak Sung Won e pedi que Rim Hwa fosse a Pyongyang. Depois disso, recebi um telefonema de Rim Hwa, que estava na Companhia Yongmin, diante do Portão Taedong, dizendo que estava ali. Pedi-lhe que esperasse e, à noite, fui de carro buscá-lo e levei Rim Hwa para minha casa.
Ali, disse a Rim Hwa que Ri Sung Yop sabia que ele havia se convertido durante o período do domínio japonês e que mantinha relações com Sol Jong Sik. Ao mesmo tempo, contei-lhe o conteúdo das discussões que eu e Ri Sung Yop havíamos tido e disse que seria também vantajoso para ele ser leal a Ri Sung Yop, ordenando-lhe que obedecesse ativamente às instruções de Ri Sung Yop.
Rim Hwa concordou. Assim, incorporamos Rim Hwa ao nosso grupo e fizemos com que ele mantivesse contato uma vez por mês entre Ri Sung Yop e eu, em Pyongyang, e Pak Sung Won, em Haeju.
No dia seguinte, encontrei Ri Sung Yop na casa de Pak Hon Yong e informei-lhe que Rim Hwa havia aderido. Ri Sung Yop ordenou que Rim Hwa realizasse fielmente o trabalho, e Rim Hwa aceitou a instrução.
No dia seguinte, entreguei a Rim Hwa, na casa de Pak Hon Yong, em Namsan-ri, os materiais que reuniam as biografias dos ministros da República mencionados anteriormente, a situação do desenvolvimento industrial na parte norte e a situação do campo, para que os entregasse a Pak Sung Won, em Haeju.
Em novembro de 1948, quando Rim Hwa estava em Pyongyang, recebi dele o relatório de que havia entregado os materiais de espionagem anteriores a Pak Sung Won e transmiti essa informação a Ri Sung Yop.
Em fevereiro de 1949, recebi de Ri Sung Yop materiais secretos relativos à indústria da parte norte, contendo informações sobre a situação da reconstrução e do desenvolvimento das fábricas e minas, sua localização, capacidade de transporte ferroviário, rádio, linhas telegráficas, telefonia e aviação. Eu os organizei e acrescentei informações sobre a situação das relações com as tropas soviéticas e a lista dos membros do Comitê Central Conjunto dos Partidos do Trabalho do Norte e do Sul, entre outros dados, e entreguei-os a Ri Sung Yop. Ri Sung Yop entregou-os diretamente a Rim Hwa, que os transmitiu a Pak Sung Won para serem fornecidos à parte sul.
Essa foi a segunda vez.
Como terceira vez, em abril de 1949, Ri Sung Yop me entregou materiais sobre o número de efetivos das forças armadas, incluindo os comandantes do Exército Popular e as forças de cada ramo, além das estatísticas criminais de 1948 elaboradas pelo Ministério da Justiça. Eu os entreguei a Rim Hwa na Samgwangsa para que os transmitisse a Pak Sung Won. Naquela ocasião, também transmiti a Rim Hwa as palavras de cobrança de Ri Sung Yop contra Pak Sung Won por não entregar a tempo à parte sul os materiais de espionagem enviados de Pyongyang.
Como quarta vez, em julho de 1949, recebi de Ri Sung Yop cerca de dez folhas de documentos contendo as biografias dos membros do Comitê Político do Comitê Central do Partido e de outros quadros e entreguei-as a Rim Hwa no segundo andar da Samgwangsa.
Em julho de 1949, recebi de Ri Sung Yop a tarefa de coletar informações secretas militares sobre a batalha do condado de Ongjin. Fui a Haeju para encontrar Pak Sung Won, mas ele havia saído para Ongjin. Para encontrar Pak Sung Won, fui com Rim Hwa para a região de Ongjin e, no caminho, encontrei Pak Sung Won em Kyochon-ri. Dei-lhe a tarefa de coletar informações sobre a disposição das forças militares locais e os resultados dos combates, e retornar com elas a Pyongyang. Eu então voltei para Pyongyang.
Cinco dias depois, Pak Sung Won voltou trazendo informações que havia coletado sobre a situação dos combates de um pelotão das forças de segurança. Recebi os materiais e entreguei-os a Ri Sung Yop na casa de Pak Hon Yong, mas não sei se Ri Sung Yop os forneceu aos militares estadunidenses.
Em outubro de 1949, Ri Sung Yop me entregou materiais sobre a situação da disposição das unidades de guarda da linha do Paralelo 38 e ordenou que eu os copiasse e entregasse a Rim Hwa. Como não consegui copiá-los imediatamente e Rim Hwa chegou, entreguei-os a Rim Hwa para que os copiasse e levasse consigo, devolvendo o original a Ri Sung Yop.
Esses foram os fatos em que coletei informações sobre a situação militar, política e econômica da República e as transmiti aos serviços de espionagem estadunidenses na parte sul.
Além disso, durante o período da Guerra de Libertação da Pátria, depois da libertação de Seul em 28 de junho de 1950, fui a Seul por volta de meados de julho. Certo dia, Ri Sung Yop me chamou e disse que havia dado a Rim Hwa a tarefa de utilizar organizações culturais para coletar informações sobre as queixas e insatisfações dos habitantes de Seul em relação ao Governo, ao Partido e ao Exército Popular da República, bem como sobre suas expectativas em relação às tropas estadunidenses e às tropas fantoches, e pediu-me que o pressionasse para cumprir a tarefa. Transmiti a Rim Hwa as palavras de Ri Sung Yop e, em três ocasiões, recebi dele os materiais coletados e os entreguei a Ri Sung Yop. Dessa maneira, continuei minhas atividades de espionagem até o início de agosto de 1950.
Juiz presidente: Você já falou tudo sobre os crimes de espionagem?
Jo Il Myong: Sim, falei tudo.
Juiz presidente: Agora fale sobre os atos de terror e massacre destinados a destruir e enfraquecer as forças democráticas na parte sul e a encobrir seus próprios crimes.
Jo Il Myong: Para destruir e enfraquecer as forças democráticas na parte sul da República e encobrir nossos crimes, eliminamos quadros que não correspondiam aos cargos que ocupavam e distorcemos a política da República. Se devo relatar esses fatos, em meados de julho de 1950, quando fui a Seul, Ri Sung Yop me chamou ao escritório do Comitê Popular Provisório da cidade de Seul e disse que, se pessoas que conheciam nossos segredos fossem presas pelas instituições do Ministério do Interior, havia o risco de nossos segredos serem revelados. Por isso, ele havia ordenado a An Yong Tal que criasse um "Comitê de Investigação de Terras" para eliminar essas pessoas e me pediu que ajudasse nesse trabalho. Eu disse que ajudaria.
Depois, Ri Sung Yop me chamou novamente e disse que o "Comitê de Investigação de Terras" havia sido dissolvido devido à intervenção das instituições do Ministério do Interior. Perguntou então se seria conveniente organizar uma "Seção" no Quartel-General das Forças Voluntárias e transferir para ela esse trabalho a fim de continuar as atividades. Eu disse que sim.
Eu considerava que isso seria utilizado na conspiração de terror e massacre. Assim, organizamos um "Departamento de Assuntos Especiais" no Quartel-General das Forças Voluntárias, transferimos para ele o trabalho do "Comitê de Investigação de Terras" e recomendei meu cunhado Yun Thae Hyong como responsável. Depois, na casa de Pak Hon Yong, informei a Pak Hon Yon que havíamos transferido o trabalho do "Comitê de Investigação de Terras" para o "Departamento de Assuntos Especiais do Quartel-General das Forças Voluntárias" e escolhido Yun Tae Hyon como responsável pelo departamento. Ele aprovou, dizendo que estava de acordo.
Depois, para mostrar a Ri Sung Yop a situação do andamento desse trabalho, fui com ele ao Quartel-General. Ao percorrermos o local, vimos cerca de 30 pessoas sendo torturadas em um espaço de aproximadamente 20 pyong. Durante o interrogatório de Kim Hyong Ryuk, tanto eu quanto Ri Sung Yop o espancamos pessoalmente.
Entretanto, o "Departamento de Assuntos Especiais" acabou sendo dissolvido dentro de dez dias devido à intervenção das instituições do Ministério do Interior.
Além disso, quanto ao assassinato que cometi, ouvi de So Tok Un que havia se espalhado como rumor em Seul que An Yong Tal havia prendido Kim Sam Ryong. Como havia o risco de as instituições do Ministério do Interior tomarem conhecimento desse fato e An Yong Tal ser preso, fui imediatamente procurar Pak Hon Yong e relatei-lhe o ocorrido. Então Pak Hon Yong, enfurecido, ordenou que An Yong Tal fosse enviado para a guerrilha e eliminado. Transmiti essa instrução a Ri Sung Yop. A princípio, Ri Sung Yop pareceu surpreso, mas depois concordou. Alguns dias depois, An Yong Tal foi incorporado à unidade de guerrilha de Rim Jong Hwan e enviado para a frente. Mais tarde, soube que havia sido eliminado.
Juiz presidente: Preste depoimento sobre as atividades conspiratórias destinadas a derrubar o governo da República por meio de uma insurreição armada e estabelecer um governo contrarrevolucionário.
Jo Il Myong: Nosso grupo pretendia derrubar o atual Governo da República por meio de uma insurreição armada e estabelecer, por meio de nosso grupo contrarrevolucionário, um governo de capitalistas e latifundiários.
Essa conspiração de nosso grupo contrarrevolucionário vinha sendo realizada desde imediatamente após a libertação de 15 de agosto. Imediatamente após a libertação de 15 de agosto, iniciamos essas atividades conspiratórias com base nas chamadas "Teses de Agosto", intitulada "A situação atual e nossas tarefas", de Pak Hon Yong.
Por volta de janeiro de 1951, nosso grupo, tendo Ri Sung Yop como chefe, encontrava-se extremamente ansioso e inquieto.
Isso acontecia porque nossas forças haviam caído completamente na parte sul e estavam diminuindo dia após dia também dentro do Partido na parte norte, tornando absolutamente impossível conquistar o poder apenas com nossas próprias forças. Pensávamos que, se recebêssemos auxílio militar das tropas estadunidenses durante a guerra, seria possível realizar uma insurreição armada, mas temíamos que, se a insurreição fosse adiada, os crimes de nossos traidores e desertores pudessem ser revelados.
Em setembro de 1951, Ri Sung Yop mandou que fossem buscá-lo de carro da Editora Minju Joson. Quando fui ao escritório de Ri Sung Yop, ele estava junto com Pae Chol, Rim Hwa e Pak Sung Won. Depois de cumprimentá-los, Ri Sung Yop me chamou para perto e disse que os estadunidenses estavam preparando uma ofensiva de outono. Disse: "A ofensiva de outono dos estadunidenses é uma situação favorável para nós. Como podemos alcançar nosso objetivo realizando um golpe de Estado armado tendo como respaldo o poderio militar estadunidense, este é um momento extremamente bom para realizar uma insurreição armada", e perguntou qual era minha opinião. Eu também concordei, dizendo que era bom.
Quando perguntei sobre o método, Ri Sung Yop disse que seria conveniente utilizar as forças armadas da Academia Kumgang e juntar-se a elas quando as tropas estadunidenses se aproximassem.
Depois de reorganizarmos os lugares, continuamos discutindo a questão. Ri Sung Yop propôs a formação do comando da insurreição com as pessoas reunidas ali, ficando ele como comandante-chefe, Pak Sung Won como chefe do Estado-Maior, Pae Chol como responsável pela organização militar, Kim Ung Bin como responsável pelo comando da insurreição, e eu e Rim Hwa como responsáveis pela política, propaganda e agitação. A proposta foi aprovada por unanimidade.
Ri Sung Yop ordenou a Pae Chol e Pak Sung Won que transferissem a Academia Kumgang para o condado de Taedong, mais próximo de Pyongyang, e que substituíssem os quadros da academia e da guerrilha armada por pessoas de confiança. Eles aceitaram as instruções.
A mim e a Rim Hwa ordenou que trabalhássemos secretamente, nas organizações sociais e em nossos locais de trabalho, para reunir nossas forças. Aceitamos colocar isso em prática.
Depois, enquanto trabalhava no Ministério da Cultura e Propaganda, na primavera de 1952 recomendei o elemento incendiário Pak Chang Mo para o cargo de vice-diretor do Departamento de Cultura do Ministério da Propaganda, mas fui recusado pelo ministro da Propaganda. Em 1952, Ri Won Jo me instruiu a ampliar habilmente a influência da facção do sul dentro da Federação Geral de Literatura e Artes. Para colocar isso em prática, promovi e supervalorizei sem princípios os atores oriundos da parte sul que estavam no estúdio cinematográfico e no Teatro Nacional de Arte sob minha direção. Por exemplo, na classificação dos atores, elevei Ri Kyong Hwal da terceira para a primeira categoria.
As tropas estadunidenses que esperávamos não conseguiram entrar nem sequer um passo na parte norte devido às batalhas defensivas do Exército Popular, e, por isso, não conseguimos alcançar nosso objetivo. Contudo, não abandonamos o plano. No primeiro fim de semana de setembro de 1952, reuniram-se, na casa de Pak Hon Yong, Pae Chol, Pak Sung Won, Yun Sun Tal, Ri Sung Yop, Rim Hwa e eu.
Enquanto eu e Ri Sung Yop jogávamos janggi, Ri Sung Yop propôs que elaborássemos um governo de Pak Hon Yong. Rim Hwa propôs Jang Si U e Ju Nyong Ha como vice-primeiros-ministros; Pae Chol propôs Kim Ung Bin como ministro das Forças Armadas e Pak Sung Won como ministro do Interior; eu propus Rim Hwa como ministro da Educação; Ri Sung Yop como primeiro secretário do Partido; Rim Hwa propôs Jo Il Myong como ministro da Propaganda e Ri Kang Guk como ministro das Relações Exteriores; Pak Sung Won propôs Pae Chol como ministro dos Transportes e Yun Sun Tal como ministro do Comércio. As propostas foram aprovadas por unanimidade.
Juiz presidente: A promotoria faça o interrogatório.
Promotor: Quem é Johnson e a que órgão pertencia?
Jo Il Myong: Era capitão da polícia militar estadunidense.
Promotor: Preste depoimento sobre quando, depois de vir para a parte norte, você estabeleceu a rede de contatos de espionagem mediante discussões secretas com Ri Sung Yop.
Jo Il Myong: Em julho de 1948, Ri Sung Yop veio para a parte norte e, em agosto, foi à minha casa em Kirim-ri e me perguntou quem era confiável em Haeju. Recomendei Pak Sung Won, porque ele havia se convertido durante o período do domínio japonês, sabia guardar bem os segredos e, como responsável pela gráfica de Haeju, estava encarregado das relações de contato com o partido da Coreia do Sul, de modo que considerei Pak Sung Won a pessoa adequada.
Depois, em outubro de 1948, encontrei Ri Sung Yop na sala de recepção da casa de Pak Hon Yong, em Namsan-ri. Ri Sung Yop disse que, depois de vir para a parte norte, An Yong Tal estava encarregado dos contatos de espionagem na parte sul e que, por intermédio de Pak Sung Won, estabeleceria uma rede de contatos com An Yong Tal. Perguntou novamente se Pak Sung Won era realmente confiável, e respondi que era confiável.
Então Ri Sung Yop perguntou que tipo de pessoa seria adequada para fazer a ligação intermediária entre Haeju e nós. Recomendei Rim Hwa. A razão pela qual o recomendei era que eu sabia que Rim Hwa havia destruído a Associação Coreana de Artistas Proletários durante o período do domínio japonês e que, depois da libertação, mantinha relações com Sol Jong Sik, chefe de opinião pública do Departamento de Informação do Governo Militar dos Estados Unidos, além de estar atualmente em Haeju. Por isso, recomendei Rim Hwa. Ri Sung Yop concordou e ordenou que eu o chamasse.
Assim, por telefone, através de Pak Sung Won, que estava em Haeju, chamei Rim Hwa e o incorporei à rede de espionagem.
Promotor: Que rede de contatos de espionagem era utilizada para enviar informações ao sul da linha do Paralelo 38?
Jo Il Myong: Como Pak Sung Won controlava a rede de contatos da gráfica em Haeju, utilizávamos essa rede.
Promotor: Fale sobre os crimes de propaganda e agitação reacionárias que você cometeu.
Jo Il Myong: Quando as pessoas pertencentes ao meu grupo se reuniam, discutíamos queixas e insatisfações sem princípios sobre a situação na parte norte e fazíamos propaganda no sentido de afastar o povo do Partido e do Governo. Além disso, na primavera de 1949, disse a Ri Kang Guk que, embora se afirmasse que a vida do povo estava melhorando na República, os rostos das pessoas que andavam pelas ruas pareciam abatidos, então como se poderia dizer que a vida do povo estava estabilizada, fazendo assim propaganda falsa.
Promotor: Você alguma vez disse que era razoável que o Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte tivesse sido organizado pelas tropas soviéticas e que o governo da Coreia do Sul tivesse sido organizado pelas tropas estadunidenses?
Jo Il Myong: No outono de 1946, o Governo Militar estadunidense, sob o pretexto da chamada "coalizão entre esquerda e direita", pretendia colonizar a Coreia e utilizar os elementos reacionários coreanos como seus agentes.
Naquela época, recebi do Partido a tarefa de escrever uma declaração de oposição, mas, como já depositava esperanças nas forças dos Estados Unidos, procurei justificar a política estadunidense dizendo que, como no Norte da Coreia as tropas soviéticas haviam organizado o Comitê Popular da Coreia do Norte e no Sul da Coreia as tropas estadunidenses haviam organizado o governo, eu não poderia escrever uma declaração de oposição.
Promotor: Quando você saiu da prisão japonesa, disse que poderia abandonar o movimento comunista. Isso significa que pretendia abandonar completamente o movimento comunista?
Jo Il Myong: É exatamente o mesmo que dizer que o abandonaria completamente.
Promotor: Desde quando você atuou no grupo de espionagem?
Jo Il Myong: Desde fevereiro de 1946.
Promotor: Você coletou materiais de espionagem em conjunto com Ri Sung Yop?
Jo Il Myong: Ri Sung Yop os coletava enquanto ocupava um alto cargo, e, como eu podia ter acesso ao Comitê Central do Partido, obtive tais materiais e, acrescentando a eles os materiais que eu mesmo havia coletado, organizei-os e completei-os.
Promotor: Os materiais sobre o ponto de vista do lado soviético a respeito da participação na Comissão Conjunta URSS-EUA, que vocês forneceram aos militares estadunidenses, foram forjados por vocês ou eram previsões de vocês?
Jo Il Myong: Como eram materiais baseados em nossos pontos de vista subjetivos, não eram precisos.
Promotor: Ao realizarem atos de espionagem, vocês utilizaram muito a residência de Pak Hon Yong. Qual era a razão disso?
Jo Il Myong: A sala de recepção da residência de Pak Hon Yong em Namsan-ri funcionava como escritório de operações dos sul-coreanos, e, como So Tok Un trabalhava ali, nós a utilizávamos porque isso garantia o sigilo de nossas atividades.
Promotor: Meu interrogatório terminou.
Presidente do tribunal: Defesa, interrogue.
Advogado Ri Kyu Hong: No processo de cometer este crime, você chegou a refletir sobre si mesmo?
Jo Il Myong: Naquele processo, pensei que, agindo dessa maneira, poderia satisfazer minhas ambições políticas.
Advogado Ri Kyu Hong: Por qual incidente você foi preso e detido durante o período colonial japonês?
Jo Il Myong: Fui preso por estar relacionado ao Movimento de 10 de Junho.
Advogado Ri Kyu Hong: Meu interrogatório terminou.
Presidente do tribunal: Que tipo de governo é o chamado "novo governo" que os réus pretendiam estabelecer?
Jo Il Myong: O novo governo tinha duas condições básicas. A primeira era que fosse estabelecido pelas forças armadas dos Estados Unidos; a segunda era que fosse constituído mediante a eliminação e expulsão de todas as forças democráticas internas e a reunião das forças de Pak Hon Yong. Portanto, internamente, pretendia eliminar o sistema democrático popular da República e estabelecer um regime de capitalistas e latifundiários e, externamente, romper as relações diplomáticas com os Estados de democracia popular, aliar-se aos imperialistas estadunidenses e tornar-se um governo fantoche vendido ao estrangeiro.
Presidente do tribunal: Fale sobre o recebimento de recompensas de espionagem dos militares estadunidenses ou de Ri Sung Yop.
Jo Il Myong: Em 1950, em Seul, recebi de Ri Sung Yop mais de 60 objetos, entre eles anéis de ouro, além de pulseiras, grampos de cabelo e botões de ouro.
Presidente do tribunal: Isso foi confiscado ou você o manteve escondido?
Jo Il Myong: Eu os levei e mandei que minha esposa os guardasse. Quando a questão do meu sectarismo foi levantada na Quinta Reunião Plenária, disse a ela que, se isso fosse descoberto, eu seria fuzilado, por isso deveria guardá-los com muito cuidado.
Assim, minha esposa os levou ao cunhado e pediu que ele os guardasse, mas, quando este caso veio à tona, eles foram confiscados.
Presidente do tribunal: Qual foi o motivo que o levou, depois de ter praticado o movimento comunista durante o período colonial japonês, abandonado o movimento comunista ao sucumbir à repressão japonesa e, ainda assim, após a libertação, aproximar-se do Partido Comunista?
Jo Il Myong: Não foi verdadeiramente para servir ao Partido, mas porque eu havia estudado o marxismo e sabia escrever um pouco; por isso, aproximei-me de Pak Hon Yong e Ri Sung Yop com a intenção de tentar realizar minhas ambições políticas sob a proteção deles.
Presidente do tribunal: Diga como você entrou em contato com os espiões militares estadunidenses.
Jo Il Myong: Em fevereiro de 1946, fui preso pela Delegacia de Polícia de Songdong e interrogado pelo capitão Johnson, da polícia militar estadunidense, sob a acusação de participar de uma conspiração para assassinar Ri Sung Man. Quando neguei, dizendo que não havia participado de tal conspiração, ele disse que não podia acreditar em mim e que, se eu colaborasse com eles e realizasse atividades de espionagem, garantiria minha vida política. Então, submeti-me à ameaça de Johnson e prometi fazer o que ele exigisse. Alguns dias depois, Johnson foi à redação do Haebang Ilbo e me disse para cumprir fielmente as missões de espionagem, atuar sob as instruções de Ri Sung Yop e, especialmente, quando precisasse encontrá-lo, procurá-lo no Hotel Bando.
Presidente do tribunal: Você não tinha relações com outros estadunidenses além de Johnson?
Jo Il Myong: Eu soube que ele mantinha contato com Hodge.
Presidente do tribunal: Promotor, há mais alguma coisa a ser perguntada?
O promotor: Não.
Presidente do tribunal: A defesa tem mais alguma pergunta a fazer?
Advogados de defesa: Não.
Presidente do tribunal: Suspenderemos a sessão até às 15h30.
Interrogatório de Pak Sung Won
Presidente do tribunal: Daremos continuidade ao julgamento. (15h30)
Réu Pak Sung Won,
(Pak Sung Won dirige-se à tribuna de depoimentos.)
Presidente do tribunal: Diga o histórico do réu.
Pak Sung Won: Nasci em 1913, no condado de Yongju, na província de Jolla Norte, em uma família de camponeses médios. A partir dos dez anos, a situação econômica da família melhorou ainda mais, e cresci em uma família de latifundiários feudais que possuía 20 mil pyong de terras. O ambiente familiar da minha infância tornou-se a base que me conduziu ao caminho que culminou nos crimes como os de hoje. Meu avô e meu pai possuíam, ainda que de forma limitada, ideias democráticas. Sob essa influência, quando ingressei aos 13 anos na Escola Secundária Posong, fui influenciado pela Associação Hwayo. Aos 14 anos, durante o Movimento de 10 de Junho, participei, dentro da escola, da distribuição de panfletos e da greve estudantil conjunta, sendo preso pela polícia e detido por cerca de dez dias. Depois, em 1927, fui expulso da escola por causa de um incidente de greve estudantil conjunta e transferi-me para a Escola Jungdong, em Seul, onde passei a organizar um círculo de leitura.
Fui preso e fiquei detido durante cinco meses, sendo depois libertado com suspensão da acusação. Em seguida, quando ocorreu o Incidente Estudantil de Kwangju, voltei de Seul para minha cidade natal, Yongju, e dediquei-me à agricultura. Em junho de 1930, voltei a Seul e participei novamente do movimento estudantil, entre outras atividades. Em 1931, ingressei no curso de comércio da Escola Profissional Posong e, enquanto estudava, o caso do movimento estudantil foi descoberto pela polícia em 1932. Passei a me esconder e, posteriormente, exilei-me no Japão.
No Japão, conheci Ri Won Jo e Pae Cheol e, enquanto trabalhava no escritório do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, subordinado ao Sindicato Nacional dos Trabalhadores, fui preso em outubro de 1933, durante a repressão contra o Partido Comunista Japonês. Fiquei na prisão, fui julgado e libertado sob fiança em 1934. Ao sair da prisão, ingressei no Partido Comunista Japonês e, depois, voltei à minha cidade natal, onde desenvolvi um movimento rural. Fui novamente preso e libertado pela Procuradoria de Seul com suspensão da acusação. Após ser libertado, voltei novamente a Yongju e continuei minhas atividades. Em 17 de junho de 1935, fui preso e, enquanto era torturado, sucumbi diante deles. Não apenas isso, como também denunciei três companheiros, fazendo com que fossem levados a julgamento, e em 1937 declarei minha conversão perante o tribunal. A partir desse momento, decaí à condição de renegado. Como resultado da minha conversão, cerca de 40 companheiros também se converteram.
Depois, enquanto cumpria pena na prisão, fiz contribuições para o fundo de defesa nacional com os bônus que recebia pelo trabalho e, graças a isso, recebi o benefício de ser libertado antecipadamente, um mês antes do término da pena. Em retribuição, voltei a contribuir minha remuneração do trabalho para o fundo de defesa nacional e, imediatamente depois, entrei na Taehwasuk, começando a servir ao imperialismo japonês. Mais tarde, ingressei no Maeil Sinbo, órgão de imprensa do Governo-Geral, e trabalhei como jornalista. Durante esse período, empenhei-me amplamente em promover, por meio de artigos, o movimento de assimilação ao império japonês entre a juventude e os estudantes, bem como entre todo o povo.
Enquanto isso, ao chegar a 1944, diante das condições em que se tornava evidente que o Japão seria derrotado, observei corretamente a situação e, sentindo os perigos que me aguardariam após a derrota do Japão, comecei a me apresentar disfarçado de patriota. Ao mesmo tempo, demiti-me do Maeil Sinbo e, enquanto trabalhava como chefe interino da filial de Mungyong da empresa japonesa de mineração e processamento de papel, explorando a classe trabalhadora, recebi o 15 de agosto.
Ao encontrar a libertação de 15 de agosto, senti-me muito inquieto devido aos meus próprios crimes. Contudo, disfarçando-me de patriota, organizei no condado de Mungyong o Partido e o Comitê Popular, acumulando os cargos de presidente do Comitê Popular do condado e presidente do Partido do condado. Depois, fui convocado a Seul e, ocultando meu passado, trabalhei como diretor do departamento político de um jornal de Seul. Posteriormente, passei pelo Departamento de Propaganda do Partido e, a partir de janeiro de 1946, trabalhei como diretor interino do Departamento de Propaganda. Em outubro de 1946, fui para o Norte e, por instrução de Pak Hon Yong, fui enviado como chefe editorial da Gráfica nº 1 de Haeju, onde trabalhei.
No final de 1948, trabalhei como vice-editor-chefe da mesma gráfica e, posteriormente, como editor-chefe. Em julho de 1949, fui convocado e passei a trabalhar como diretor do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido. A partir de março de 1950, participei do movimento guerrilheiro. Em maio de 1950, fui para o Norte e, em junho do mesmo ano, assumi o cargo de diretor do Departamento de Organização do Partido da província de Jolla Norte. Quando começou a Guerra de Libertação da Pátria, fiquei em Kwangju. Em julho de 1950, por recomendação de Ri Sung Yop, tornei-me presidente do Comitê Popular da província de Kyonggi. Durante a retirada, trabalhei como vice-chefe político da Primeira Unidade Guerrilheira. Depois, em maio de 1951, fui para o Norte e fui designado vice-diretor do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido, cargo que ocupei até minha prisão.
Presidente do tribunal: Fale sobre as atividades de espionagem do réu.
Pak Sung Won: Eu pretendia derrubar o Partido e o governo existentes por meio de espionagem, rebelião armada e outros métodos, e estabelecer um sistema burguês. Primeiramente, falando sobre o conteúdo das atividades de espionagem, em conluio com Ri Sung Yop, Jo Il Myong e outros, forneci sistematicamente ao meu patrão estadunidense importantes segredos do Partido e do governo da República. Isso já ocorria desde quando eu era vice-editor-chefe da Gráfica nº 1 de Haeju.
Falando concretamente, em agosto de 1948, durante a Reunião dos Representantes Populares da Coreia do Sul realizada em Haeju, Ri Sung Yop, que havia ido ao Norte, encontrou-se comigo e me pediu que assumisse a responsabilidade de entregar um documento ultrassecreto destinado ao Partido do Trabalho da Coreia do Sul. A princípio, fiquei surpreso, mas aceitei o pedido. Naquela época, percebi que aquele documento era material de espionagem. A razão era que, embora houvesse uma rota de ligação com Pyongyang, ele não a utilizava e, em vez de passar pelo editor-chefe, dava a tarefa diretamente a mim. Apesar disso, aceitei por uma atitude de autopreservação destinada a ocultar meu passado impuro, bem como por uma base ideológica de carreirismo pequeno-burguês.
Depois, no outono de 1948, encontrei Ri Sung Yop na casa de Pak Hon Yong, em Pyongyang, e ele novamente me perguntou: "Você executará corretamente aquela questão de que falei anteriormente?". Quando demonstrei que concordava, Ri Sung Yop enfatizou que eu deveria assumir a responsabilidade por executá-la em absoluto segredo.
Depois disso, em dezembro do mesmo ano, Rim Hwa encontrou-se comigo e disse que, pouco depois de ter ido à casa de Pak Hon Yong, Ri Sung Yop havia chegado e, ali, novamente lhe perguntara se executaria fielmente o trabalho mencionado anteriormente. Ele me disse que Ri Sung Yop o havia ameaçado, dizendo em termos que deixavam claro que nós conhecíamos tudo sobre seus problemas do passado.
Depois disso, em Haeju, Rim Hwa me entregou um envelope. Quando o abri, encontrei uma lista dos quadros dos órgãos do Partido e do governo, seus históricos, além de materiais sobre a indústria e a economia da parte norte. Entreguei-os a An Yong Tal por meio da rota estabelecida. Depois disso, por esse método, entreguei a An Yong Tal, em um total de cinco ocasiões, segredos da República. E, a cada vez, relatei os resultados a Ri Sung Yop.
Falando concretamente sobre o conteúdo das informações que entreguei: (1) informações militares; (2) segredos do Partido e do governo; (3) conteúdos relacionados à construção da economia popular da República.
Como informações militares, tratava-se de dados sobre as forças do Exército Popular, as forças da Guarda do Paralelo 38 e sua disposição, além de relatórios detalhados sobre as batalhas em montanhas, como a do monte Unpha. Quanto aos segredos dentro do Partido e do governo, tratava-se de importantes decisões e medidas políticas; em particular, entreguei três cópias das decisões do Comitê Político do Partido. Quanto ao setor da economia popular, tratava-se de informações sobre a construção e recuperação das indústrias, a situação da produção e os planos futuros. Essas informações eram transmitidas ao sul por meio da rota de ligação da Gráfica nº 1 de Haeju.
Em junho de 1949, ocorreu a batalha do monte Unpha. Naquela ocasião, enquanto dirigia a guerrilha de Ongjin e o Partido, atuei na região de Ongjin com o objetivo de realizar operações combinadas com a Guarda do Paralelo 38. Naquele momento, Jo Il Myong e Rim Hwa foram a Ongjin e receberam a instrução de Ri Sung Yop, isto é, a ordem de coletar e fornecer informações sobre a situação dos combates na região de Ongjin e outros segredos da guerrilha. Eu enviei Jong Rak Gwan a Ungjin para investigar e coletar detalhadamente essas informações. Depois de fazer dois relatórios intermediários, quando o combate terminou, fui a Pyongyang levando os materiais secretos coletados. No escritório da casa de Pak Hon Yong, encontrei-me com Ri Sung Yop e lhe entreguei informações secretas sobre as operações da brigada da Guarda do Paralelo 38, operações de indução, bem como os membros e a localização do comando tático e materiais sobre os combates de Ongjin.
Devo acrescentar que a razão pela qual a casa de Pak Hon Yong foi regularmente estabelecida como nosso esconderijo foi, primeiro, porque Pak Hon Yong nos garantia politicamente e, segundo, porque ali era possível garantir o sigilo.
Depois, em setembro de 1949, Ri Sung Yop veio a Haeju e me disse: "Por instrução do Comitê Central do Partido, será realizado um trabalho de inspeção e atividade de ligação ao longo do Paralelo 38, relacionado à vida do Partido e aos assuntos militares, portanto, vamos cooperar juntos". Assim, participei com ele do trabalho de inspeção ao longo do Paralelo 38. Naquela ocasião, percebi que Ri Sung Yop demonstrava profundo interesse pela situação do Paralelo 38. Por isso, principalmente, enquanto inspecionávamos a situação da disposição das unidades da Guarda e das rotas entre Haeju e Pyongyang, coletamos informações.
Estou convencido de que as informações que coletei dessa maneira eram, para o imperialismo estadunidense agressor, as informações mais eficazes e constituíam os dados básicos que eles exigiam. Devo acrescentar sobre nossa relação com Pak Hon Yong. Eu soube que Pak Hon Yong nos garantia direta e ativamente, no plano político, em nossas atividades de espionagem e, ao mesmo tempo, dava instruções políticas. Segundo as palavras de Ri Sung Yop, Pak Hon Yong protegia muito o renegado An Yong Tal, aquele que, em conluio com Paek Hyong Bok, prendeu Kim Sam Ryong. Basta citar um exemplo. Portanto, posso dizer que Pak Hon Yong tornou-se diretamente o dirigente de nosso trabalho.
Presidente do tribunal: Fale agora sobre a conspiração para a rebelião armada.
Pak Sung Won: Falarei sobre a questão da rebelião armada.
Pak Hon Yong reuniu elementos impuros e renegados tendo Ri Sung Yop como núcleo e tentou derrubar o Partido e o governo existentes e estabelecer um governo fantoche do imperialismo estadunidense. A tentativa de rebelião armada, não apenas na Coreia do Sul, mas também na parte norte da República, não foi algo que surgiu de um dia para o outro, mas foi realizada por meio de uma conspiração prolongada durante um longo período. Inicialmente, eles tentaram infiltrar-se em postos importantes do Partido e do governo e destruí-los por meios legais, mas, como já mencionei anteriormente, não conseguiram realizar sua conspiração para derrubar o Partido e o governo existentes por métodos legais e, por isso, passaram a planejar uma rebelião armada. Essa conspiração para a rebelião armada já vinha sendo desenvolvida desde a Gráfica nº 1 de Haeju. A gráfica era a fortaleza da facção de Pak Hon Yong e foi organizada e administrada em outubro de 1946 por instrução de Pak Hon Yong e Kwon O Jik.
Isso, sob o pretexto de que era destinado ao Partido do Trabalho da Coreia do Sul, estava, na prática, sob a direção direta da facção de Pak Hon Yong e Ri Sung Yop. Aproveitando habilmente o carreirismo de Pak Hon Yong, utilizamos a organização como base de nossas maquinações, reunindo nela pessoas fiéis a Pak Hon Yong e Ri Sung Yop e renegados da revolução trazidos da parte sul. Além disso, sob o pretexto de garantir o sigilo dos assuntos relacionados ao Partido da parte sul, cortamos completamente as relações com o exterior e reunimos os que apoiavam Pak Hon Yong, transformando-a em uma fortaleza de Pak Hon Yong. Assim, nas reuniões do Partido, enviávamos mensagens a Pak Hon Yong e gritávamos vivas a Pak Hon Yong; durante o Congresso de Representantes de Haeju, cantávamos uma canção dedicada a Pak Hon Yong e também encenávamos uma peça chamada "Os que partiram", cujo conteúdo era mostrar os guerrilheiros da parte sul tombando sob os golpes do inimigo e gritando vivas a Pak Hon Yong.
Na revista "Roryokja", publicada por essa gráfica, quase nada era publicado sobre o Marechal Kim Il Sung e, em cada edição, Pak Hon Yong era apresentado de maneira exagerada, como se fosse um grande homem, inclusive com a publicação de sua fotografia, numa tentativa de reunir o povo da parte sul em torno de Pak Hon Yong. Além disso, a revista "Roryokja" quase não apresentava as obras de construção democrática na parte norte; em contrapartida, exagerava a luta guerrilheira na parte sul, divulgando os resultados das ações dos guerrilheiros como sendo três vezes maiores do que eram. É evidente que o objetivo de toda essa série de atos era tomar o poder e assumir o controle do Estado em nossas mãos. Em agosto de 1951, percebemos que não podíamos assumir o poder real do Partido e do governo existentes pelos métodos legais empregados até então. Isso porque todo o povo coreano apoiava absolutamente o Marechal Kim Il Sung e o governo da República e não apoiava alguns renegados como nós. Portanto, aproveitando a invasão armada do imperialismo estadunidenses, organizamos uma conspiração para uma rebelião armada e começamos a executá-la.
Por volta de setembro de 1951, pensamos que, se provocássemos uma rebelião armada aproveitando a ofensiva de outono das tropas estadunidenses, seria possível obter sucesso. Assim, aproveitando as condições em que Ri Sung Yop dirigia o Partido do Trabalho da Coreia do Sul e em que nosso grupo ocupava cargos como os de diretor e vice-diretor do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido, organizamos e dirigimos forças armadas sob o pretexto de serem unidades guerrilheiras.
Certo dia de 1951, quando fui ao quarto de Ri Sung Yop, Rim Hwa estava lá. Naquela ocasião, Ri Sung Yop propôs que realizássemos uma rebelião armada para derrubar o Partido e o governo. Nós concordamos com isso e decidimos que o momento seria quando as tropas estadunidenses avançassem e que avançaríamos em apoio às tropas estadunidenses.
Depois, no início de setembro de 1951, na presença de Ri Sung Yop, organizamos o comando da rebelião armada juntamente com Pae Chol, Rim Hwa e Jo Il Myong, e eu assumi a responsabilidade de chefe do Estado-Maior. Como preparativos, decidimos, primeiro, continuar aumentando as forças armadas; segundo, reunir forças, isto é, agrupar os elementos que nos seguiam e nomear quadros em quem confiávamos; e, terceiro, estabelecer bases para a rebelião armada, a fim de conduzi-la de maneira secreta e eficaz. Assim, utilizamos o Departamento de Ligação do Partido como nosso Estado-Maior e desenvolvemos o trabalho nessas três direções.
Para utilizar eficazmente, no momento da rebelião, a Academia Kumgang, uma unidade armada capaz de realizar diretamente a rebelião armada e dirigida pessoalmente por Ri Sung Yop, fizemos com que ela fosse transferida para os arredores de Pyongyang, substituímos os quadros por nossos homens de confiança, ao mesmo tempo em que ampliamos e reforçamos o armamento e intensificamos o treinamento militar. Dessa maneira, nomeamos, respectivamente, como nossos homens de confiança, Kim Ung Bin como diretor, Maeng Jong Ho como vice-diretor político e outros quadros. Entretanto, quando o avanço das tropas estadunidenses foi frustrado pela luta heroica do Exército Popular, o plano de rebelião armada que havíamos tramado não encontrou oportunidade para ser posto em prática e fracassou.
Contudo, continuamos com a conspiração para a rebelião armada. Em primeiro lugar, a educação na Academia Kumgang foi conduzida com base na linha carreirista de Pak Hon Yong, orientando-se exclusivamente no sentido de exaltar Pak Hon Yong. (.....................................................) *parte da página ficou corrompida
Tendo como centro Pae Chol e a mim, recrutamos e designamos renegados, seus familiares, parentes, amigos e outros elementos impuros. Como resultado de termos orientado que, na luta da parte sul, não se deveria fazer distinção quanto à origem social, 56% da composição dos quadros do Departamento de Ligação passou a ser formada por pessoas que não pertenciam às classes operária e camponesa.
Além disso, para reunir forças, sempre que surgia uma oportunidade, incutíamos nos membros do Partido do Trabalho da Coreia do Sul ideias de divisão nacional. Pae Cheol, Yun Sun Tal e eu distribuíamos 500 mil won do fundo do Partido aos instrutores e, usando o método de suborná-los, demonstrando como se somente nós tivéssemos o maior carinho pelos instrutores, gastávamos o dinheiro para reunir forças. Também os reuníamos por meio de ameaças.
Depois, em janeiro de 1952, Ri Sung Yop mandou que eu fosse ao seu escritório e, quando cheguei, apresentou a questão do estabelecimento de uma base para a rebelião armada. Disse que, em primeiro lugar, seria necessário organizar o Comitê Popular da Província de Kyonggi e transformá-lo em uma base da rebelião, constituindo seus quadros com um grande número de elementos impuros, incluindo a mim, Pak Sung Won. Eu e nossos homens de confiança apoiamos isso integralmente e começamos a organização, mas, como a organização do Comitê Popular da Província de Kyonggi foi interrompida por decisão do Comitê Político do Partido, essa conspiração também não pôde ser posta em prática. Depois disso, concentramos nossos esforços na formação de quadros e no acúmulo econômico, tendo como centro a 10ª Unidade de Guerrilha.
Dessa maneira, preparamos o golpe de Estado e passamos a elaborar a composição do chamado novo governo e do novo partido que seriam estabelecidos no futuro. Quanto ao seu conteúdo, no primeiro fim de semana de setembro de 1952, reunimo-nos na casa de Pak Hon Yong juntamente com Ri Sung Yop, Pae Cheol, Jo Il Myong, Rim Hwa e outros. Ficou decidido que Pak Hon Yong seria o primeiro-ministro, Jang Si U o vice-primeiro-ministro, Ju Nyong Ha e outras figuras ocupariam os cargos em cada ministério, e Ri Sung Yop seria o Primeiro-Secretário do Partido.
É indubitável que esse novo governo seria um regime que representaria os interesses dos capitalistas e dos latifundiários. Contudo, pode-se apontar duas diferenças em relação ao governo fantoche de Ri Sung Man: primeiro, seu dirigente não seria Ri Sung Man, mas Pak Hon Yong; segundo, o responsável pelo Partido não seria Kim Song Su, mas Ri Sung Yop. Outra diferença seria que, enquanto o governo de Ri Sung Man bajulava abertamente o imperialismo estadunidense, o novo governo usaria, na aparência, uma linguagem revolucionária.
Presidente do tribunal: Terminou o depoimento do réu. Promotor, interrogue.
Promotor: Quais foram as condições que permitiram que o réu, apesar de ter um passado impuro, se infiltrasse no Partido?
Pak Sung Won: Foi possível infiltrar-me porque tive a recomendação de Ri Jung Op, um renegado como eu.
Promotor: Quem você sabia estar por trás de Ri Sung Yop em suas atividades de espionagem?
Pak Sung Won: Percebi que, sem dúvida, era o imperialismo estadunidense.
Promotor: Então você também reconhece que é um lacaio do imperialismo estadunidense?
Pak Sung Won: Sim, reconheço.
Promotor: Qual foi sua atitude quando foram anunciadas as decisões da Conferência de Moscou dos Ministros das Relações Exteriores dos Três Países?
Pak Sung Won: A liderança do Partido Comunista da Coreia do Sul publicou uma declaração de oposição às decisões da Conferência de Moscou e, como eu também tinha ideias antissoviéticas, apoiei o movimento contra a tutela.
Promotor: Fale sobre as circunstâncias da época em que estabeleceu relações de espionagem com Ri Sung Yop.
Pak Sung Won: Naquela época, estávamos imediatamente antes das eleições gerais de 25 de agosto, que todo o povo coreano aguardava com entusiasmo.
Promotor: Na casa de quem vocês discutiram?
Pak Sung Won: Discutimos na casa de Kwon O Jik, em Haeju.
Promotor: Em que se baseou Jo Il Myong para recomendá-lo a Ri Sung Yop como uma pessoa capaz de realizar atividades de espionagem?
Pak Sung Won: Penso que porque ele conhecia bem meu ato de traição e, por isso, decidiu me aliciar.
Promotor: Jo Il Myong sabia do fato de que você havia traído?
Pak Sung Won: Sim, sabia.
Promotor: Fale novamente sobre as circunstâncias de suas atividades de espionagem.
Pak Sung Won: Desde o início eu sabia que Rim Hwa era um homem de confiança de Ri Sung Yop e, por intermédio dele, realizei todas as minhas ações, tendo entregado materiais em cinco ocasiões ao todo.
Promotor: Você verificou se todos os materiais de espionagem foram entregues aos imperialistas estadunidenses?
Pak Sung Won: Sim. Como resultado das verificações realizadas todas as vezes, soube que foram entregues corretamente e relatei isso a Ri Sung Yop.
Promotor: Conhece Choe Ui Bom?
Pak Sung Won: Ele era um indivíduo que eu tinha comigo como diretor do Departamento de Educação do Comitê Popular da província de Kyonggi, e, como foi revelado na Quinta Reunião Plenária, seu pai foi governador da Ilha de Jeju durante o domínio imperialista japonês, seu sogro era um pastor malicioso e ele é um elemento impuro proveniente de uma família de traidores.
Promotor: Qual foi a razão de os acusados terem atraído somente elementos impuros?
Pak Sung Won: Porque somente pessoas desse tipo poderiam se tornar nossos homens de confiança.
Promotor: Vocês pensavam que o "Novo Governo" que estavam organizando poderia coexistir com o governo fantoche de Ri Sung Man?
Pak Sung Won: Quanto a isso, eu pensava que, como o novo partido e o novo governo seriam organizados sob a proteção dos imperialistas estadunidenses, acabariam sendo formados como um governo títere ligado ao governo de Ri Sung Man, e que, depois disso, esse governo poderia se desenvolver de duas maneiras: uma seria ser absorvido pelo governo fantoche e, outra, degenerar em um completo instrumento dos imperialistas estadunidenses. Mesmo assim, no fim das contas, o novo governo representaria os interesses da pequena burguesia e, por isso, mesmo que fosse absorvido pelo governo de Ri Sung Man, que era um governo da grande burguesia, isso poderia ser suportado.
Promotor: Meu interrogatório terminou.
Presidente do Tribunal: Advogado, faça o interrogatório.
Advogado: Como era o ambiente familiar de Jo Il Myong até os vinte anos de idade?
Pak Sung Won: Seu pai era um latifundiário que possuía mais de vinte mil phyong de terras e levava uma vida luxuosa.
Advogado: Quando você escrevia artigos sobre os jovens coreanos sendo levados para o exército imperialista japonês, não tinha consciência nacional?
Pak Sung Won: Tudo isso foi uma ação determinada pelas condições objetivas, mas como poderia não haver consciência nacional?
Advogado: Você alguma vez recebeu de Ri Sung Yop uma recompensa por suas atividades de espionagem?
Pak Sung Won: Não.
Advogado: Meu interrogatório terminou.
Presidente do Tribunal: Em que período ocorreu a conspiração para a rebelião armada?
Pak Sung Won: Ocorreu repetidamente, conforme as circunstâncias, desde setembro de 1951 até o inverno de 1952.
Presidente do Tribunal: Quando foram organizados o "Novo Partido" e o "Novo Governo"?
Pak Sung Won: No primeiro fim de semana de setembro de 1952.
Presidente do Tribunal: Acusado Jo Il Myong! O conteúdo declarado por Pak Sung Won está inteiramente correto?
Jo Il Myong: Sim, está correto.
Presidente do Tribunal: (a Pak Sung Won) Quantas vezes vocês conspiraram na casa de Pak Hon Yong?
Pak Sung Won: Conspiramos dezenas de vezes.
Presidente do Tribunal: Qual é a base para considerar que Pak Hon Yong garantiu as atividades conspiratórias de vocês?
Pak Sung Won: Pak Hon Yong nos protegeu integralmente. Isso pode ser constatado pelo fato de ele ter se empenhado em colocar Jo Il Myong e Ri Kang Guk em cargos, e também podemos afirmar que ele nos garantiu integralmente, pois conduzimos a conspiração para executar a linha apresentada por ele.
Presidente do Tribunal: Em que medida as ações dos acusados fizeram com que as massas caíssem nas maquinações?
Pak Sung Won: Apenas alguns traidores e elementos renegados nos seguiram, e percebemos que, no dia em que nossa verdadeira identidade fosse revelada, nem uma única pessoa das massas nos seguiria.
Presidente do Tribunal: Promotor, há algo a acrescentar ao interrogatório?
Promotor: Não.
Presidente do Tribunal: Advogados, há algo a acrescentar ao interrogatório?
Advogados: Não.
Presidente do Tribunal: Declaro um intervalo de vinte minutos. (17h15)
Interrogatório de Rim Hwa
Presidente do Tribunal: Daremos continuidade ao julgamento. (17h35)
Rim Hwa! Venha à frente do banco de depoimentos.
Advogado Kim Mun Pyong: Rim Hwa está fisicamente debilitado, por isso pedimos que lhe seja permitido prestar depoimento sentado.
Presidente do Tribunal: (a Rim Hwa) Preste depoimento sentado. (Neste momento, o presidente do tribunal acrescentou: "Rim Hwa tentou suicidar-se no centro de detenção, quebrou as lentes dos óculos e cortou a artéria do braço direito, sofrendo uma grave hemorragia que o levou à perda de consciência. Posteriormente, sua vida foi salva mediante várias transfusões de sangue, mas, em consequência disso, seu corpo ficou debilitado.")
Presidente do Tribunal: Rim Hwa! Fale sobre sua trajetória.
Rim Hwa: Nasci em 1908 em uma família de camponeses pobres e, quando tinha quatro ou cinco anos, minha família passou a administrar um pequeno comércio. Cresci até os dezessete ou dezoito anos em um ambiente familiar pequeno-burguês. Desde 1921, frequentava a Escola Secundária Posong, em Seul, e foi nessa época que passei a me interessar por literatura e comecei a escrever poesias. Por volta de dezembro de 1926, juntamente com Ri Ki Yong, Han Sol Ya e outros, ingressei na Associação Coreana de Artistas Proletários, organização de literatura proletária formada em 1925 sob a influência do Partido Comunista da Coreia. A partir de aproximadamente julho de 1928, passei a trabalhar como membro do Comitê Central da Associação Coreana de Artistas Proletários e, posteriormente, a partir de abril de 1932, tornei-me seu secretário-geral e um dos integrantes da direção da literatura coreana.
Enquanto eu seguia esse caminho, em abril e maio de 1934, devido à repressão da polícia imperialista japonesa, a maioria dos dirigentes da Associação Coreana de Artistas Proletários que atuavam comigo, incluindo Han Sol Ya e Ri Ki Yong, foram presos pelo Departamento de Polícia de Jolla Norte. Naquela ocasião, eu estava doente e, por isso, não fui preso. Entretanto, amedrontado pela repressão imperialista japonesa que viria sobre mim no futuro, passei a pensar que um homem da cultura poderia sobreviver escrevendo obras em qualquer época e, em vez disso, aproveitaria essa oportunidade para bajular os imperialistas japoneses e buscar meu próprio conforto e segurança.
Assim, por volta do final de junho de 1936, encontrei-me com o japonês Saiga, chefe do Departamento de Polícia de Kyonggi, em Sinsol-dong, Seul. Quando ele me perguntou sobre minha intenção de dissolver a Associação Coreana de Artistas Proletários, apresentei-lhe, movido pela mesma intenção ideológica mencionada anteriormente, a declaração de dissolução da Associação Coreana de Artistas Proletários que eu havia assinado e estabeleci uma aliança completa com os imperialistas japoneses.
Depois disso, abandonei a posição de classe da literatura proletária e, defendendo a literatura pura, pratiquei atos em favor da "unidade entre a Coreia e o Japão" e contra a União Soviética e o comunismo. Assim, de agosto de 1935 até o início de setembro de 1937, permaneci na casa dos pais de minha esposa, na cidade de Masan, província de Kyongsang Sul, para tratar de uma doença. Em meados de setembro de 1937, retornei a Seul e, por volta de outubro daquele ano, passei a participar do Escritório de Observação de Seul, um agrupamento de pessoas que haviam traído a luta pela libertação nacional.
Ao mesmo tempo, administrava a "Hakyesa", uma instituição editorial legal dos imperialistas japoneses, com capital fornecido pelo empresário da mineração de ouro Choe Nam Ju. Por volta de abril de 1939, representando a "Hakyesa", participei de uma reunião de representantes de instituições editoriais e importantes escritores do meio literário, realizada no restaurante do Pumin-gwan, em Seul, por iniciativa do Departamento de Livros do Governo-Geral da Coreia. Nessa ocasião, respondi ao apelo de "cooperação com a situação nacional" feito pelo major Jong, representante do Departamento de Imprensa do "Comando do Exército da Coreia", estacionado em Ryongsan.
Por volta de junho do mesmo ano, encontrei-me em seu escritório com o japonês Yanabe, chefe do Departamento de Cultura da chamada "Liga da Mobilização Geral da População", e, durante uma reunião de aproximadamente trinta minutos, manifestei minha determinação de que os escritores coreanos cooperassem com a situação nacional e se empenhassem no fortalecimento da "unidade entre a Coreia e o Japão" e na formação do "espírito nacional". Nessa ocasião, Sajonsa, da mesma "Jogwangsa", também participou da reunião e chegou a fotografar a cena, fazendo com que ela fosse publicada na revista Jogwang, atraindo muitos trabalhadores do meio literário e o povo coreano a servir fielmente aos imperialistas japoneses.
Em setembro de 1939, publiquei diretamente no "Keijo Nippo" um artigo em japonês intitulado "Plantar palavras", incutindo o espírito japonês nos escritores coreanos.
Depois disso, por volta de junho de 1940, publiquei na revista "Amigo do Anticomunismo", órgão da "Associação Coreana Anticomunista", ensaios como "Passeio pelo Norte" e "Vento da Paz", inculcando nos leitores ideias antissoviéticas e anticomunistas.
De aproximadamente junho de 1940 até dezembro de 1942, trabalhei como consultor do Departamento de Literatura da empresa cinematográfica burguesa "Koryo". Por volta de março de 1942, corrigi pessoalmente os diálogos do filme de propaganda "Kimido Bogu", produzido pelo "Departamento de Imprensa do Comando do Exército da Coreia", destinado a enviar jovens coreanos para o serviço militar dos imperialistas japoneses.
De janeiro de 1943 a dezembro de 1944, trabalhei como consultor do "Instituto de Pesquisa de Cultura Cinematográfica da Coreia", onde editei o reacionário Anuário do Cinema Coreano e a "História do Desenvolvimento do Cinema Coreano", enfatizando que o desenvolvimento da cultura e do cinema coreanos deveria, naturalmente, ocorrer em colaboração com os imperialistas japoneses.
Depois disso, com a libertação de 15 de agosto, por volta do dia 18 daquele mesmo mês, em Seul, organizei, juntamente com Kim Nam Chon, Ri Won Jo, Ri Tae Jun e outros defensores da literatura pura burguesa, o Conselho Central para a Construção da Cultura Coreana e passei a trabalhar nele.
No outono de 1947, vim para Pyongyang com o objetivo de frequentar a Escola Superior do Partido da União Soviética, mas não pude ir por causa de minha trajetória passada considerada impura. Em 1947, por instrução de Pak Hon Yong, passei a trabalhar na Gráfica nº 1 de Haeju.
Assim, quando começou a guerra de 25 de junho, fui a Seul, organizei a Federação Geral da Cultura Coreana e trabalhei como seu vice-presidente.
Presidente do Tribunal: A partir de agora, fale sobre suas atividades de espionagem.
Rim Hwa: Como resultado de minha trajetória passada impura e da influência das condições objetivas, após a libertação de 15 de agosto passei a ter a ambição de conquistar a liderança nos setores da cultura e das artes. Assim, a partir de aproximadamente 18 de agosto de 1945, enquanto trabalhava em Seul como presidente do Conselho Central para a Construção da Cultura Coreana, por volta de outubro daquele ano estabeleci ligação com o Corpo de Contrainteligência do Exército dos Estados Unidos, órgão de espionagem dos imperialistas estadunidenses localizado em Taepyong-dong, distrito central de Seul, e entrei no caminho das atividades de espionagem que vendiam a pátria e o povo. Vou falar sobre as circunstâncias de minha ligação com esse órgão de espionagem.
Em outubro de 1945, certo dia, fui convocado ao Corpo de Contrainteligência do Exército dos Estados Unidos. Naquele dia, conversei com um estadunidense cujo nome e cargo desconheço, tendo como tema central minha trajetória. Na ocasião, ele me perguntou, como responsável por uma organização cultural, qual era minha atitude em relação aos militares estadunidenses, e eu manifestei minha intenção de apoiá-los enquanto eles não se opusessem à democratização da Coreia.
Depois, por volta de dezembro daquele ano, fui novamente chamado ao Corpo de Contrainteligência e compareci. Dessa vez, sem intérprete, encontrei-me em seu escritório com Underwood, conselheiro do órgão de espionagem, que dominava bem a língua coreana, e conversei com ele. Underwood perguntou sobre as atividades do Conselho Central para a Construção da Cultura Coreana que eu dirigia e, em seguida, disse que os militares estadunidenses realmente ajudariam a Coreia e que também estavam preparando muita assistência para o desenvolvimento cultural da Coreia, propondo que trabalhássemos em cooperação mútua no futuro. Concordei e prometi manter, dali em diante, relações e trabalhar em conjunto com o Departamento de Imprensa do Governo Militar dos EUA.
Depois disso, forneci materiais referentes à composição da organização e aos esquemas estruturais das organizações subordinadas a ela, como o Departamento de Construção Literária, o Departamento de Construção Cinematográfica e o Departamento de Construção da Dança, acompanhados das listas de seus dirigentes. Esses materiais foram preparados diretamente por mim e, conforme havia prometido a Underwood, foram entregues a ele por meio de um mensageiro em meados de dezembro de 1945.
Depois disso, passei a trabalhar mantendo relações com o Departamento de Imprensa do Governo Militar dos EUA. Quanto às circunstâncias dessa ligação com o Departamento de Imprensa, por volta de maio de 1946, certo dia, Sol Jong Sik, que na época era chefe de opinião pública do Departamento de Informação do Governo Militar dos Estados Unidos, veio ao meu escritório na sede da Federação Geral das Organizações Culturais e informou que Robinson, um estadunidense pertencente ao referido Departamento de Imprensa, havia solicitado encontrar-se com o responsável pelas organizações culturais. Concordei e, quatro ou cinco dias depois, fui procurar Sol Jong Sik, chefe de opinião pública do Departamento de Informação do Governo Militar dos Estados Unidos, para encontrar-me com Robinson. Por sua apresentação, encontrei-me com Robinson, prometi estabelecer relações com ele no futuro, mostrei-lhe o esquema da composição organizacional do Conselho Central para a Construção da Cultura Coreana que havia fornecido a Underwood e expliquei seu conteúdo.
Depois de estabelecer relações com Robinson, até antes de estabelecer ligação com Ri Sung Yop em agosto de 1947, forneci a ele, por intermédio daquele estadunidense ou de Sol Jong Sik, os materiais que havia coletado enquanto ocupava os cargos de chefe da Seção de Cultura do Departamento de Propaganda do Partido Comunista e vice-presidente da Federação Geral das Organizações Culturais Coreanas.
Esses materiais incluíam o sistema organizacional e as listas de dirigentes da Federação Geral das Organizações Culturais Coreanas da época; o sistema organizacional e as listas de dirigentes da Federação Geral dos Sindicatos e da Federação Geral dos Camponeses; as listas de dirigentes do Partido Comunista; os conteúdos decididos nas reuniões; a coletânea de documentos do congresso de unificação dos três partidos no sul da Coreia; materiais de propaganda sobre a linha correta recebidos por meio do Departamento de Propaganda do Partido Comunista; materiais de propaganda sobre as reformas democráticas realizadas no norte da Coreia, incluindo a reforma agrária; jornais e livros publicados na época no norte da Coreia.
Em três ocasiões, levei pessoalmente a Robinson, a seu pedido, materiais referentes à composição organizacional e às listas de dirigentes das diversas organizações democráticas do sul da Coreia mencionadas anteriormente, enquanto os demais materiais foram entregues a Sol Jong Sik. Essas foram minhas atividades de espionagem realizadas durante o período em que trabalhava no setor cultural da parte sul.
Depois disso, estabeleci ligação com Ri Sung Yop e passei a realizar atividades de espionagem. Falarei concretamente sobre minha relação com ele.
Quando encontrei Robinson por volta de junho de 1946, ouvi diretamente dele que havia boas pessoas entre os dirigentes do Partido Comunista e que pessoas como Ri Sung Yop, que estavam no campo da esquerda, apoiavam os Estados Unidos.
Por volta de abril de 1947, enquanto eu trabalhava como membro do Departamento de Cultura do Partido do Trabalho da Coreia do Sul e orientava organizações esportivas, conheci Hyon Hyo Sop, jogador de futebol sul-coreano. Na ocasião, ouvi de Hyon Hyo Sop que seu tio, o estadunidense de origem coreana, sua irmã Alice Hyon e Ri Sung Yop mantinham relações frequentes. Além disso, por volta de abril, ouvi de Kim Tong Sok, marido da cunhada de Ri Sung Yop, que na época trabalhava no Departamento de Propaganda da União da Juventude do sul da Coreia, que Ri Sung Yop encontrava-se frequentemente com Robinson e que, todas as vezes, ele próprio servia de intérprete.
Por isso, percebi que Ri Sung Yop tinha, sem dúvida, relações com os Estados Unidos. Assim, quando encontrei Ri Sung Yop, por volta de junho de 1947, no esconderijo do Secretariado do Partido do Trabalho da Coreia do Sul, no bairro de Ihwa-dong, em Seul, contei-lhe o que havia ouvido de Robinson sobre ele. Ele respondeu que também não se opunha aos Estados Unidos e que era bom manter contatos, na medida do possível, mas que era absolutamente necessário manter o segredo. Depois disso, informei aos estadunidenses do Departamento de Imprensa que pretendia estabelecer ligação com Ri Sung Yop, obtive sua aprovação e, sob a orientação de Ri Sung Yop, passei a fornecer informações e materiais aos estadunidenses.
Assim, antes de entrar no norte, em 1947, por instrução de Ri Sung Yop, as atividades de espionagem que realizei sob suas ordens consistiram em coletar e fornecer as listas de dirigentes das diversas organizações literárias e artísticas subordinadas à Federação Geral das Organizações Culturais Coreanas e informações sobre suas atividades.
Enquanto fazia isso, entrei no norte por instrução de Ri Sung Yop e passei a trabalhar na Gráfica nº 1 de Haeju. Certo dia, disseram-me que Jo Il Myong queria me encontrar, e, quando fui a Pyongyang, ele falou sobre a realização de um movimento cultural e artístico em apoio a Pak Hon Yong e Ri Sung Yop. Concordei e, posteriormente, na Pak Hon Yong, encontrei-me pessoalmente com Ri Sung Yop e recebi instruções concretas para assumir a responsabilidade de manter contato com Pak Sung Won. No dia seguinte, recebi de Jo Il Myong os primeiros materiais de espionagem e fui a Haeju para entregá-los a Pak Sung Won.
Depois disso, continuaram coletando materiais de espionagem e a entregá-los a mim. Por volta de janeiro de 1948, o conteúdo dos materiais de espionagem que recebi de Jo Il Myong pela primeira vez incluía documentos biográficos dos membros do gabinete do Governo da República, dados sobre a situação do desenvolvimento industrial do norte da Coreia e dados sobre a situação do desenvolvimento da economia rural do norte da Coreia.
Os materiais entregues pela segunda vez, por volta de fevereiro de 1949, incluíam dados sobre a situação do desenvolvimento da economia popular do norte da Coreia, a lista dos membros componentes do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia do Sul e do Norte e documentos registrando a situação da retirada das tropas soviéticas da região norte da Coreia.
Os materiais entregues pela terceira vez, por volta de abril de 1949, incluíam dados sobre o efetivo das forças armadas por ramo militar e seus locais de estacionamento, uma tabela estatística dos crimes de 1948 elaborada pelo Ministério da Justiça e três cópias das decisões do Comitê Político do Partido.
Todas as vezes, eu próprio entregava esses materiais a Pak Sung Won, fazendo com que ele os enviasse ao sul da Coreia.
Depois, com a guerra de 25 de junho, fui a Seul, que havia sido libertada, e encontrei Ri Sung Yop. Ele me instruiu a investigar e informar sobre as atividades e as medidas dos órgãos de inteligência militar, as relações de conflito entre eles, a situação ideológica das massas e os preços. Utilizando os homens de confiança da Federação Geral das Organizações Literárias e Artísticas que eu dirigia, realizei investigações e transmiti os resultados a Ri Sung Yop. Como esse trabalho demorou, cheguei inclusive a ser ameaçado por Ri Sung Yop para que me apressasse.
Então, no final de julho de 1950, ao ser enviado para acompanhar as tropas na frente do rio Rakdong, essa atividade foi temporariamente interrompida.
Em julho de 1951, quando me encontrei com Ri Sung Yop em seu escritório, juntamente com Ri Kang Guk, Ri Sung Yop disse a Ri Kang Guk que não seria bom que ele se encontrasse comigo com frequência e que, se tivesse materiais, deveria enviá-los por intermédio de Rim Hwa.
Em novembro de 1951, Ri Kang Guk veio ao meu escritório e disse, em conversa, que Jang Si U, Han Pyong Uk, Pak Hon Yong e outros expressavam descontentamento em relação ao Partido e ao Governo. Ao ouvir isso, transmiti essas palavras a Ri Sung Yop.
Em setembro de 1952, recebi de Ri Kang Guk informações de que: ① a situação do fornecimento de materiais militares para a frente havia melhorado e havia sido garantido um estoque de três meses de suprimentos militares; ② nas negociações de armistício de Kaesong, o representante chinês era mais forte do que o representante coreano. Transmiti essas informações a Ri Sung Yop.
Dessa maneira, continuei as atividades de espionagem que mencionei, desde o momento em que forneci materiais ao Departamento de Imprensa do Governo Militar dos EUA em 1946 até setembro de 1952.
Presidente do tribunal: Agora fale sobre a rebelião armada, mas, quanto ao conteúdo que os outros acusados já declararam, limite-se a declarar apenas as partes que não foram mencionadas ou os pontos que diferem dos depoimentos dos outros acusados.
Rim Hwa: Falarei agora sobre a rebelião armada e outras questões. É natural que elementos de espionagem vis como eu organizassem uma rebelião armada tendo os invasores imperialistas estadunidenses como seu respaldo.
Esse movimento de intrigas políticas foi empreendido tendo como ponto de partida meu movimento cultural antipartidista antes e depois da libertação, bem como as ideologias do heroísmo individual e do carreirismo.
Quanto ao conteúdo da organização da rebelião, é praticamente igual ao depoimento de Pak Sung Won e aos documentos, mas acrescento apenas que, no momento em que isso foi tramado na casa de Pak Hon Yong em 1952, eu mesmo recomendei diretamente Jang Si U e Ju Nyong Ha para os cargos de vice-primeiros-ministros.
Presidente do tribunal: Terminou o depoimento adicional do acusado Rim Hwa.
Promotor, faça o interrogatório.
Promotor: Dizem que você mantinha relações com o C.I.C. Que órgão é o C.I.C?
Rim Hwa: É um órgão de inteligência dos Estados Unidos.
*Counter Intelligence Corps (Corpo de Contrainteligência do Exército dos Estados Unidos)
Promotor: Você encontrou Underwood e conversou com ele sem intérprete. Até que ponto vocês conseguiam se comunicar?
Rim Hwa: Ele dominava suficientemente o coreano, como um coreano, por isso conseguíamos nos comunicar plenamente.
Promotor: Dizem que, durante sua conversa com Underwood, vocês estabeleceram relações de contato com o Departamento de Informação Pública sobre assuntos culturais. Qual era o conteúdo desse contato?
Rim Hwa: Tratava-se de eliminar a linha de classe proletária na literatura e estabelecer a literatura coreana como uma literatura a serviço do imperialismo estadunidense, bem como os métodos para isso.
Promotor: O movimento literário realizado pelo acusado durante o domínio japonês era um movimento literário de classe?
Rim Hwa: Não. Era uma literatura a serviço do Japão.
Promotor: Você já organizou alguma atividade de recepção às tropas estadunidenses?
Rim Hwa: Mobilizando cerca de 300 pessoas do meio cultural, realizei uma manifestação de recepção às tropas estadunidenses.
Promotor: Durante suas atividades de espionagem, você declarou que era responsável apenas pela questão das comunicações entre Ri Sung Yop, que estava em Pyongyang, e Pak Sung Won, que estava em Haeju. Porém, segundo o depoimento de Pak Sung Won, você também foi junto a Ongjin. Sendo assim, não se esforçou, além de estabelecer comunicações, também para coletar materiais?
Rim Hwa: Sim, foi isso mesmo.
Promotor: Por que você ficou responsável pelas comunicações entre Ri Kang Guk e Ri Sung Yop?
Rim Hwa: Ri Kang Guk era um elemento publicamente descontente, e, por questões de segurança das informações, seria desvantajoso que ele se encontrasse diretamente com Ri Sung Yop, que era constantemente acompanhado por um ajudante. Por isso, eu passei a fazer a comunicação intermediária.
Promotor: Diga o conteúdo da propaganda reacionária que você realizou na Federação Geral de Literatura e Arte.
Rim Hwa: Disse aos escritores da Federação Geral de Literatura e Arte que, como ainda não havia uma linha claramente estabelecida na Coreia do Norte, seria melhor que se abstivessem de escrever obras, paralisando assim sua criação e suas atividades de literatura e arte de classe.
Promotor: Qual era o motivo disso?
Rim Hwa: Isso se devia ao fato de que, se a literatura proletária florescesse vigorosamente, aquilo que era nosso acabaria arruinado e destruído; em outras palavras, o objetivo era introduzir uma ideologia reacionária nas atividades literárias.
Promotor: Meu interrogatório terminou.
Presidente do tribunal: Defesa, faça o interrogatório.
Advogado de defesa Kim Mun Pyong: Até que nível de educação escolar o acusado recebeu?
Rim Hwa: Frequentei a escola secundária até o quarto ano.
Advogado de defesa: Dizem que, durante a adolescência, sua vida se tornou mais próspera do que na infância. Qual foi a razão disso?
Rim Hwa: Isso se deveu ao fato de meu pai ter obtido algum sucesso no comércio.
Advogado de defesa: Depois de se casar, recebeu alguma ajuda econômica da família de sua esposa?
Rim Hwa: Recebi.
Advogado de defesa: Dizem que, após a libertação, você transmitiu a Underwood informações confidenciais da Federação Geral das Organizações Culturais Coreanas. Essa organização era de esquerda ou de direita?
Rim Hwa: Era uma organização de esquerda.
Advogado de defesa: Se lhe fosse concedida uma oportunidade de recomeçar, lutaria pela pátria, pelo Partido e pelo Governo?
Rim Hwa: Se me fosse dada uma oportunidade, dedicaria tudo de mim e lutaria pelos interesses do proletariado.
Advogado de defesa: Nosso interrogatório terminou.
Presidente do tribunal: Acusado Pak Sung Won!
Há algum ponto diferente no depoimento de Rim Hwa?
Pak Sung Won: Não há.
Presidente do tribunal: (a Rim Hwa)
Dizem que, durante a rebelião armada, você recebeu de Ri Sung Yop instruções para assumir o controle das organizações culturais. Diga qual era o conteúdo dessas instruções.
Rim Hwa: Em relação à rebelião armada, a intenção de Ri Sung Yop era assumir o controle dos elementos culturais descontentes, incitá-los e liderá-los para utilizá-los nos trabalhos da rebelião. Eu também tinha a mesma intenção, assim como os outros.
Presidente do tribunal: Diga se cumpriu essa tarefa.
Rim Hwa: Esforcei-me para isso. Como exemplo, mantive estreitas relações com Ri Won Jo, Ri Tae Jun e outros, provoquei conflitos entre os demais escritores e, aproveitando-me dessas divergências, procurei incitar e reunir os escritores provenientes da Coreia do Sul. Para isso, organizei atividades para exaltar os escritores provenientes da Coreia do Sul.
Juiz: Pak Sung Won e Jo Il Myong, há alguma diferença entre os atos efetivamente praticados pelos acusados e o depoimento de Rim Hwa?
Jo Il Myong, Pak Sung Won: Não há.
Presidente do tribunal: (a Rim Hwa) Quem são Underwood e Robinson?
Rim Hwa: Underwood pertence à C.I.C., e Robinson é um dirigente responsável do Departamento de Informação Pública.
Juiz: Quantas vezes você se encontrou com eles?
Rim Hwa: Encontrei-me com eles três vezes.
Presidente do tribunal: Quanto à sua relação com Ri Sung Yop, diga quantas vezes você transmitiu materiais de espionagem.
Rim Hwa: Fiz seis contatos com Pak Sung Won e, uma vez, coletei e forneci materiais sobre a situação ideológica de figuras militares, políticas e econômicas, entre outros, que haviam sido coletados em Seul por meio de organizações literárias.
Juiz: Qual era o cargo do acusado no "novo gabinete"?
Rim Hwa: Era na área educacional.
Juiz: Por que você recomendou Jang Si U e Ju Nyong Ha como vice-primeiros-ministros?
Rim Hwa: Porque eles eram muito próximos de Pak Hon Yong e de nós.
Presidente do tribunal: Promotor, há algo mais a perguntar?
Promotor: Não há.
Presidente do tribunal: Defesa, há algo mais a perguntar?
Advogado de defesa Ji Yong Dae: Farei apenas algumas perguntas. Quando Ri Sung Yop inspecionou a região do Paralelo 38, por que você o acompanhou?
Rim Hwa: Acompanhei-o até a região de Ongjin para ajudá-lo ativamente em suas atividades de espionagem.
Presidente do tribunal: Declaro um intervalo de 20 minutos. (7h20)
Interrogatório de Paek Hyong Bok
Presidente do tribunal: Retomaremos a audiência. (7h40)
Acusado Paek Hyong Bok! Diga sua trajetória.
Paek Hyong Bok: Nasci em 24 de outubro de 1917, em uma família de camponeses pobres. Depois de concluir a escola primária, dediquei-me à agricultura. Em 3 de outubro de 1940, fui aprovado no exame para a polícia colonial japonesa e, como um dos mais fiéis lacaios do imperialismo japonês, passei pela função de policial externo e guarda de detenção na Delegacia de Polícia de Jonju, na província de Jolla Norte, entre outras, até ser promovido a chefe de polícia. Desde 12 de março de 1945, encontrava-me como investigador do Departamento de Assuntos Especiais da Delegacia de Polícia de Jonju quando fui surpreendido pela libertação de 15 de agosto.
Após a libertação, temendo as forças democráticas por causa de meus atos de colaboração com o Japão, fiquei desempregado e recolhido em casa. Ao ouvir a proclamação de MacArthur, que ordenava o retorno aos cargos anteriores, ganhei coragem e, sem refletir sobre meus atos de traição do passado, ingressei nos órgãos policiais sob a proteção do imperialismo estadunidense. Trabalhei nas delegacias de polícia de Kunsan e Iri, na província de Jolla Norte, como chefe de assuntos judiciais, e posteriormente fui chefe de assuntos econômicos do Departamento de Investigação, vice-chefe do Departamento de Segurança e vice-chefe do Departamento de Investigação da Polícia da província de Jolla Norte. Em 1947, fui vice-chefe do Departamento de Vigilância e, posteriormente, em 1949, tornei-me chefe do Departamento de Vigilância da Polícia da província de Kangwon. Em novembro do mesmo ano, enquanto ocupava o cargo de chefe da Seção de Inteligência do Departamento de Vigilância do Departamento de Segurança do Ministério do Interior, dediquei-me freneticamente à repressão e às atividades contrarrevolucionárias, prendendo e encarcerando patriotas. Em maio de 1950, por instrução de Nichols, entrei no Norte sob o pretexto de ter vindo para cá por razões patrióticas.
Presidente do tribunal: Fale sobre suas atividades de espionagem.
Paek Hyong Bok: Falarei sobre as atividades de espionagem que pratiquei quando era chefe do Departamento de Vigilância de Kangwon. Sob as instruções de Nichols, comandante da Administração da Força Aérea dos EUA, eu coletava informações sobre a situação da aviação no Norte e outros segredos militares junto às pessoas que haviam vindo do Norte para o Sul e as entregava a ele. Como executei fielmente suas instruções, Nichols visitou Kangwon duas vezes e, em ambas as ocasiões, elogiou-me, promovendo-me, em novembro de 1949, a chefe da Seção de Inteligência.
Quando participei da reunião de informações e comunicações organizada em novembro de 1949, Nichols disse na ocasião: "A Coreia não é tão importante economicamente nem em termos de efetivos militares. Entretanto, para obter informações secretas sobre a China e a União Soviética, ela é mais vantajosa e importante do que qualquer outro país. Portanto, o que é considerado importante tanto na Coreia do Sul quanto nos países anticomunistas é o trabalho de vocês. Até então, o Departamento de Vigilância não havia conseguido apresentar muitos materiais de boa qualidade, mas, aproveitando a oportunidade desta mudança para a chefia da Seção de Inteligência, vocês, que estão encarregados do trabalho de informação, devem reconhecer esse ponto e trabalhar de maneira ativa e vigorosa."
Aceitei isso como correto e procurei colocá-lo em prática, mas não foi fácil. Assim, enquanto aguardava uma oportunidade, no início de dezembro de 1949, encontrei-me com Nichols e lhe entreguei materiais secretos do Partido do Trabalho da Coreia do Sul que haviam sido coletados na Delegacia de Polícia de Seul. Ele os anotou em um caderno e pareceu demonstrar satisfação. Eu o lisonjeei, dizendo que, embora ele demonstrasse satisfação, nós não estávamos satisfeitos com aquilo, e perguntei se não havia bons materiais que pudessem servir de referência para o futuro trabalho de inteligência. Ele respondeu que, naquele momento, não havia materiais particularmente bons, mas que nós conhecíamos bem a situação política, militar e econômica da Coreia do Norte. Perguntei onde havia obtido essas informações, e ele respondeu que as recebera de Noble. Disse que Noble mantinha relações com Ri Sung Yop e que, entre os muitos materiais recebidos de Ri Sung Yop, havia informações sobre a atitude dos representantes soviéticos que participavam da Comissão Conjunta URSS-EUA.
Foi então que fiquei admirado com as atividades de inteligência das tropas estadunidenses e jurei estreitar ainda mais minhas relações com elas no futuro.
Presidente do tribunal: Diga como veio a conhecer An Yong Tal.
Paek Hyong Bok: Conheci An Yong Tal porque ele foi preso e levado pela Polícia da província de Kyongsang Sul. Enquanto era interrogado, An Yong Tal pediu que o deixassem encontrar-se com o chefe da polícia. Pretendiam levá-lo a Pusan para executá-lo, mas, durante o interrogatório na Polícia, An Yong Tal disse: "Sou um dirigente do Comitê Central que trabalha junto com Kim Sam Ryong. Se me libertarem, vou prender Kim Sam Ryong." Por isso, a Polícia da província de Kyongsang Sul levou An Yong Tal para Seul e me contou o ocorrido.
Eu disse que as palavras de An Yong Tal provavelmente eram falsas, mas o chefe do Departamento de Vigilância de Kyongsang Sul, que o havia escoltado, pediu que eu me encontrasse pessoalmente com An Yong Tal. Então fui à hospedaria onde ele estava hospedado e me encontrei com ele. Depois, fui a um restaurante com An Yong Tal e o policial que o havia trazido e, enquanto comíamos, investiguei suas intenções. Ao ouvi-lo dizer que, se eu o fizesse encontrar-se com Jo Yong Bok, ele certamente prenderia Kim Sam Ryong, pensei que suas palavras não eram inteiramente falsas e decidi tentar utilizá-lo.
Recebi An Yong Tal do chefe do Departamento de Vigilância de Kyongsang Sul e, no dia seguinte, fui novamente a Iwon. Enquanto jogávamos hwatu, disse a An Yong Tal: "Aprovo que você vá à casa de Jo Yong Bok. Entretanto, como não podemos confiar em você, escreva também uma crítica ao Partido do Trabalho da Coreia do Sul." Disse-lhe ainda que, se seguisse bem nossas instruções, encobriríamos seus atos. Então An Yong Tal escreveu uma "Crítica Geral ao Partido do Trabalho da Coreia do Sul" de cerca de 60 páginas.
Todas essas medidas foram realizadas sob a aprovação ou as instruções de Nichols. Ao ler a crítica geral ao Partido do Trabalho da Coreia do Sul escrita por An Yong Tal, encontrei muitos materiais importantes. Entre eles estavam a lista e as trajetórias dos dirigentes enviados da parte norte para o Partido do Trabalho da Coreia do Sul; o fato de ele manter relações com o Dr. Noble; o fato de que, sob suas instruções, quando foi publicado o apelo para as eleições gerais Norte-Sul, ele me ordenou que instruísse os membros do partido a se mobilizarem totalmente, dizendo que o Exército Popular desceria em breve do Norte, com a intenção de fazer com que os membros do partido desconfiassem do Comitê Central; e o fato de que, em ligação com Ri Sung Yop, realizava atividades de espionagem junto com Noble.
Levei essa crítica a Nichols e lhe relatei o conteúdo. Ele ficou satisfeito e disse que queria encontrar-se com An Yong Tal. Então fiz a ligação entre os dois e, depois de incorporá-lo à rede de espionagem, providenciei sua libertação.
Em seguida, para estabelecer uma ligação entre An Yong Tal e Jo Yong Bok, enviei An Yong Tal à casa de Jo Yong Bok. Do lado de fora, ouvi a voz da esposa de Jo Yong Bok, que dizia de dentro da casa: "Venha à casa amanhã durante o dia." An Yong Tal saiu e disse que Jo Yong Bok não estava em casa e que voltaria no dia seguinte. No dia seguinte, enviei An Yong Tal novamente à casa de Jo Yong Bok. Jo Yong Bok disse que havia sido preso pela Delegacia de Polícia de Jongno. Então An Yong Tal propôs que, se fornecêssemos dinheiro, poderíamos fazer parecer que o Partido do Trabalho da Coreia do Sul o estava fornecendo, entregando-o à esposa de Jo Yong Bok para que ela subornasse o policial responsável pela falsificação dos documentos. Dei 300 mil won a An Yong Tal, que entregou o dinheiro à esposa de Jo Yong Bok. Ela subornou o policial responsável, mas Jo Yong Bok já havia sido encaminhado à promotoria.
Então, depois de pensar em outro método, fomos ao chefe do Departamento de Segurança e pedimos que, confiando em nós, libertasse Jo Yong Bok. O chefe do Departamento de Segurança ordenou ao chefe da Delegacia de Polícia de Jongno que libertasse Jo Yong Bok, mas, como o chefe da Delegacia de Polícia de Jongno não obedeceu, fomos novamente ao vice-ministro do Interior. O vice-ministro ordenou ao chefe da Delegacia de Polícia de Jongno que libertasse Jo Yong Bok, e assim Jo Yong Bok foi libertado.
Depois disso, como não podíamos deixar Jo Yong Bok somente aos cuidados de An Yong Tal, decidimos recrutá-lo diretamente. No início de janeiro de 1950, à noite, An Yong Tal e eu fomos à casa de Jo Yong Bok.
Ali, revelei minha identidade a Jo Yong Bok e propus que colaborasse comigo, mas, inicialmente, Jo Yong Bok não aceitou. Então An Yong Tal disse: "Até o secretário do Partido está envolvido com isso, e você ainda está sendo tão teimoso?" Jo Yong Bok, surpreso, perguntou: "Secretário?" An Yong Tal respondeu imediatamente que se tratava de Ri Sung Yop. Quando Jo Yong Bok abaixou a cabeça, perplexo, ameacei-o novamente, e, por fim, ele consentiu.
Mais tarde, An Yong Tal veio me dizer que havia dado a Jo Yong Bok a tarefa de prender Kim Sam Ryong. Em janeiro de 1950, por meio da operação de Jo Yong Bok, Kim Sam Ryong e An Yong Tal se encontraram, e An Yong Dal conseguiu obter informações sobre o esconderijo de Kim Sam Ryong. A partir de então, pude ouvir, do quarto ao lado de Kim Sam Ryong, todas as suas atividades, operações e situação operacional, além de vê-lo pessoalmente, tornando-me capaz de controlar Kim Sam Ryong à vontade.
Em fevereiro de 1950, Kim Sam Ryong deu a seguinte instrução: "An Yong Tal deve organizar o Partido, e Jo Yong Bok deve cuidar das comunicações com o Norte."
Naquela ocasião, An Yong Tal propôs: "Podemos prender Kim Sam Ryong agora. As forças de Kim Sam Ryong já desapareceram completamente e, se o prendermos agora, em seu lugar virá Ri Sung Yop ou Pak Hon Yong como secretário, portanto vamos prendê-lo imediatamente." Eu, porém, me opus a isso e não o prendemos. Mais tarde, ao saber que, em 26 de março de 1950, a Seção Central de Inteligência de Seul estava se movimentando freneticamente para prender Kim Sam Ryong, temi que nos roubassem o mérito e, por isso, eu mesmo dirigi An Yong Tal e os policiais e prendi o senhor Kim Sam Ryong.
Presidente do tribunal: Fale sobre as circunstâncias de sua entrada no Norte sob o pretexto de uma "ação patriótica".
Paek Hyong Bok: No início de abril de 1950, enviei Jo Yong Bok à parte norte para investigar, junto a Ri Sung Yop, a situação do Comitê Central do Partido na parte norte após a prisão de Kim Sam Ryong e quem o sucederia. Jo Yong Bok encontrou-se com Ri Sung Yop e, ao retornar, relatou que Ri Sung Yop havia dito que todos os dirigentes do Partido do Trabalho da Coreia do Sul haviam sido presos e que apenas An Yong Tal e Jo Yong Bok continuavam vivos, de modo que não poderiam deixar de ser considerados suspeitos, devendo-se encontrar uma maneira de evitar essa suspeita.
Transmiti esse fato a Nichols, e ele disse que deveríamos pensar um pouco sobre isso.
Em 25 de abril de 1950, durante uma reunião em minha casa com Nichols, An Yong Tal e outros, Nichols propôs que eu entrasse no Norte junto com An Yong Tal e Jo Yong Bok sob o pretexto de uma ação patriótica. Hesitei e disse que não poderia fazê-lo, mas An Yong Tal afirmou que a proposta de Nichols era boa, dizendo que, no Norte, aqueles que entravam sob o pretexto de uma ação patriótica eram tratados com indulgência e que, além disso, Ri Sung Yop estava no Norte, de modo que estaríamos seguros. Por isso, pensei que estaria seguro.
Nichols disse que era necessário proteger An Yong Tal e que, para isso, Paek Hyong Bok tinha obrigatoriamente de ir. Disse também que em breve seria iniciada a ofensiva para o Norte e que, se tudo desse certo, me faria chefe do Departamento de Segurança. Então consenti e comecei os preparativos para entrar no Norte.
Em 26 de abril de 1950, fui com Nichols ao Hotel Joson, onde recebemos uma mensagem de um estadunidense. No dia 28, encontrei-me com Noble junto com Nichols e An Yong Tal. Noble nos elogiou e nos deu as seguintes tarefas para depois de nossa entrada no Norte: ① comunicar a Ri Sung Yop que, logo após nossa entrada no Norte, seria iniciada a ofensiva para o Norte e que, quando a guerra começasse, deveríamos organizar propaganda afirmando que o Exército Popular havia sido o primeiro a invadir; ② apresentar Paek Hyong Bok a Ri Sung Yop e colocá-lo em um órgão do Ministério do Interior; ③ utilizar Jo Yong Bok ativamente quando necessário; ④ enquanto coletasse materiais de espionagem no órgão do Ministério do Interior, Paek Hyong Bok deveria proteger os espiões enviados do Sul.
Depois de receber essas tarefas, para poder entrar no Norte, fizemos primeiro com que fossem emitidas ordens de prisão contra An Yong Tal e Jo Yong Bok. Eu, para disfarçar minha entrada no Norte como uma ação patriótica, levei comigo materiais falsificados sobre as circunstâncias da prisão de Kim Sam Ryong, uma tabela orçamentária do governo fantoche e algumas páginas de documentos confidenciais do Departamento de Vigilância. Levei inclusive minha família e entrei no Norte em 7 de maio de 1950.
Cheguei a Pyongyang em 8 de maio e, por intermédio de Ri Sung Yop, procurei infiltrar-me em um órgão do Ministério do Interior.
Presidente do tribunal: Fale sobre seus atos de traição durante o período em que serviu na polícia.
Paek Hyong Bok: Durante nove anos e dois meses, servi na polícia do imperialismo japonês e do governo fantoche, atuando ativamente em favor dos imperialistas estrangeiros. Enquanto era vice-chefe do Departamento de Vigilância de Jolla Norte, destruí o Comitê provincial do Partido do Trabalho da Coreia do Sul. Para isso, levava dirigentes locais do Partido do Trabalho da Coreia do Sul para a província, descobria as organizações clandestinas, estudava métodos para destruí-las e os disseminava nas delegacias de polícia de toda a província. Em junho de 1948, fiz com que Hwang Ui Tae fosse executado.
Até então, ainda não havia casos em que a polícia realizasse massacres diretamente, mas fui o primeiro a cometer semelhante atrocidade. Em Jonju, encaminhei para julgamento cerca de 30 membros do Partido e prendi cerca de 50.
Quando era chefe do Departamento de Vigilância de Kangwon, fiz com que An, comandante do Departamento Militar do condado de Wonju, se tornasse informante e, em Seul, prendi cerca de dez de seus antigos colegas de escola. Depois, prendi mais cinco, fiz com que se tornassem informantes e os fiz ingressar na Liga de Orientação. Também recebi dos órgãos locais e fiz com que se tornassem informantes dirigentes do Partido, como Tong Pil Hyon, que haviam sido entregues em Seul, e massacrei dezenas de outras pessoas. Além disso, creio ter prendido mais de 80 pessoas.
Depois, enquanto era chefe da Seção Central de Inteligência, conforme já mencionei, capturei Kim Sam Ryong por meio de uma operação ardilosa e fiz com que numerosos membros do Partido do Trabalho da Coreia do Sul fossem presos e executados.
Assim, primeiro como chefe da polícia colonial japonesa e depois como chefe da polícia do governo fantoche de Ri Sung Man, desenvolvi grande habilidade nas atividades de investigação política sob as instruções e com a colaboração direta dos estadunidenses Noble, Nichols e outros, entregando-me freneticamente à destruição da luta do povo coreano por liberdade e independência.
Presidente do tribunal: Promotor, faça o interrogatório.
Promotor: Você nunca se encontrou diretamente com Ri Sung Yop?
Paek Hyong Bok: Em maio de 1950, Ri Sung Yop veio ao meu alojamento e perguntou sobre o caso dos agentes infiltrados no Ministério dos Transportes do governo títere e sobre o caso da prisão de Kim Sam Ryong, e eu lhe forneci todos os detalhes.
Promotor: Quando você perguntou a Ri Sung Yop se ele conhecia Noble, qual foi a expressão de seu rosto?
Paek Hyong Bok: Ele respondeu sorrindo: "Conheço-o bem."
Promotor: Quando vocês estavam na Coreia do Sul, como Noble e Nichols avaliavam Ri Sung Yop?
Paek Hyong Bok: Em julho de 1949, ouvi-os elogiarem muito Ri Sung Yop no escritório do chefe do Departamento de Vigilância. Depois de dizer isso, Noble mostrou uma expressão de arrependimento, então imediatamente o tranquilizei, dizendo que eu era uma pessoa fiel ao imperialismo estadunidense e que ele não precisava se preocupar.
Depois disso, em maio de 1950, quando eu estava prestes a entrar no Norte, Noble disse que no Norte havia patriotas como Ri Sung Yop.
Promotor: Enquanto realizava atividades de espionagem em ligação com An Yong Tal, Jo Yong Bok e outros, diga concretamente o que você considerava em cada um de seus movimentos e ações.
Paek Hyong Bok: Ao não prender Kim Sam Ryong, podíamos descobrir em detalhes os segredos dentro do Partido do Trabalho da Coreia do Sul, ao mesmo tempo em que descobríamos também as relações de contato entre o Partido do Trabalho da Coreia do Norte e o Partido do Trabalho da Coreia do Sul, além de podermos receber até mesmo os materiais de espionagem enviados por Ri Sung Yop.
Promotor: Que tipo de materiais de espionagem sobre assuntos militares e econômicos vocês receberam da parte norte?
Paek Hyong Bok: Eram principalmente mensagens codificadas transmitidas por rádio.
Promotor: Onde encontrou a possibilidade de ir secretamente para o Norte e realizar atividades de espionagem?
Paek Hyong Bok: Pensei que isso fosse possível porque Ri Sung Yop estava no norte.
Promotor: Há alguma despesa de operações registrada na declaração de despesas?
Paek Hyong Bok: Conforme expus à esposa de Jo Yong Bok, dei 300.000 wons, e, além disso, gastei muitas despesas de operações em diversos lugares.
Promotor: O que pretendia fazer ao infiltrar-se nos órgãos internos?
Paek Hyong Bok: Pretendia infiltrar-me por intermédio de Ri Sung Yop para ① proteger os espiões infiltrados pelo imperialismo estadunidense e ② realizar atividades de coleta de informações secretas.
Promotor: Qual foi o conteúdo da remuneração econômica que recebeu do imperialismo estadunidense?
Paek Hyong Bok: Recebi 3.000 dólares imediatamente antes de ir secretamente para o norte.
Promotor: Terminei o interrogatório.
Presidente do tribunal: Defesa, faça o interrogatório
Advogado Ri Kyu Hong: Quando você foi secretamente para o norte?
Paek Hyong Bok: Em 7 de maio de 1950.
Advogado: Depois de ir secretamente para o norte, você cumpriu as tarefas que recebeu do imperialismo estadunidense?
Paek Hyong Bok: Embora tenha tentado cumpri-las, não consegui colocá-las em prática.
Advogado: O que fez depois disso?
Paek Hyong Bok: Apenas tentei infiltrar-me nos órgãos internos e não fiz praticamente mais nada.
Advogado: Qual foi a razão de ter trabalhado como policial durante o domínio japonês?
Paek Hyong Bok: Porque era difícil viver da agricultura, então trabalhei como policial.
Advogado: Terminei o interrogatório.
Presidente do tribunal: Depois de prender o presidente do Partido do Comitê do Partido da Cidade de Jonju e mais de 50 pessoas, o que fez com elas?
Paek Hyong Bok: Depois de assassinar cerca de 20 pessoas, entregamos as restantes para julgamento, fazendo com que fossem executadas.
Presidente do tribunal: Depois de prender os quadros do Partido da província de Jolla Norte, como Rim O e Jong Rip, o que fez com eles?
Paek Hyong Bok: Foram assassinados.
Presidente do tribunal: Quem é responsável por isso?
Paek Hyong Bok: Sou inteiramente responsável por isso.
Presidente do tribunal: Depois de prender cerca de 20 patriotas na província de Kangwon, como foram tratados?
Paek Hyong Bok: Foram entregues à Delegacia de Polícia de Chunchon para que fossem executados.
Presidente do tribunal: Qual era o conteúdo da informação que Nichols disse, durante a reunião de contato dos chefes de investigação, ter sido transmitida por Ri Sung Yop a Noble?
Paek Hyong Bok: Tratava-se da questão da atitude dos representantes soviéticos que participariam da Comissão Conjunta URSS-EUA.
Presidente do tribunal: Quando foi ao esconderijo de Kim Sam Ryong, o que viu?
Paek Hyong Bok: Esse esconderijo era a casa de um parente de Ri Song Ju. Fui até essa casa e, através de um buraco, observei atentamente todos os movimentos de Kim Sam Ryong no quarto ao lado.
Juiz Pak Ryong Suk: Você também viu o rosto dele?
Paek Hyong Bok: No primeiro dia, não consegui de maneira alguma ver seu rosto. Então, no dia seguinte, pedi a An Yong Tal que, quando o senhor Kim Sam Ryong saísse do quarto, iluminasse seu rosto com uma lanterna diante da porta, e assim pude ver seu rosto.
Juiz: Quantas vezes recebeu, por intermédio de Jo Yong Bok, materiais secretos do Partido do Trabalho da Coreia do Sul?
Paek Hyong Bok: Recebi três vezes.
Juiz: Qual rota o réu utilizou ao entrar secretamente na Coreia do Norte?
Paek Hyong Bok: Utilizei a rota do Partido do Trabalho.
Juiz: Qual foi a razão pela qual, inicialmente, o réu ou Nichols se opôs à prisão de Kim Sam Ryong?
Paek Hyong Bok: Se Kim Sam Ryong fosse preso, haveria uma convulsão política dentro do Partido, o que não apenas revelaria a identidade de An Yong Tal, como também faria com que as organizações partidárias de base passassem ainda mais para a clandestinidade. Por isso, a fim de descobrir minuciosamente os segredos internos do Partido, adiamos sua prisão.
Presidente do tribunal: Promotor, há algo a acrescentar ao interrogatório?
Promotor: Não.
Presidente do tribunal: A defesa tem algo a acrescentar ao interrogatório?
Advogados: Não.
Presidente do tribunal: Com isso, encerramos a primeira audiência e retomaremos a segunda audiência amanhã, às nove horas da manhã.
Presidente do tribunal: A partir de agora, iniciaremos a segunda audiência. (Ao secretário do tribunal) Todos os réus e testemunhas compareceram?
Secretário do tribunal: Todos os réus compareceram, e todas as testemunhas que compareceram ontem também estão presentes.
Presidente do tribunal: Há alguma testemunha que tenha comparecido pela primeira vez hoje?
Secretário do tribunal: Como novas testemunhas, compareceram Jon Yong Ae, Yun Tae Hyon e Jon Gu Ha.
Presidente do tribunal: Juiz Pak Kyong Ho, confirme as novas testemunhas.
(O juiz Pak Kyong Hyo confirmou as novas testemunhas da seguinte maneira.)
1. Testemunha Jon Yong Ae, idade 42 anos
Endereço: Pyongyang, distrito de Taetaryong
2. Testemunha Jon Gu Ha, idade 44 anos
Endereço: condado de Cholsan, província de Pyongan Norte.
3. Testemunha Yun Tae Hyon, idade 36 anos
Endereço: Sungri, condado de Ryonggang, província de Pyongan Sul.
Juiz Pak Kyong Ho: As testemunhas têm o dever de prestar depoimento, de acordo com o que sabem, conforme exigido pelo tribunal. Se prestarem falso testemunho ou deixarem de declarar fatos que conhecem, terão responsabilidade criminal. Assinem e apliquem seus selos na declaração de compromisso anexa.
(As testemunhas assinaram e aplicaram seus selos nas respectivas declarações de compromisso.)
Presidente do tribunal: Somente Cha Yak Do permanecerá; as demais testemunhas devem retirar-se para a sala separada.
(As testemunhas, exceto Cha Yak Do, retiraram-se para a sala separada.)
Interrogatório da testemunha Cha Yak Do
Presidente do tribunal: Testemunha Cha Yak Do, você é Cha Yak Do?
Cha Yak Do: Sim.
Presidente do tribunal: Fale sobre as circunstâncias do assassinato de Kim Sam Ryong.
Cha Yak Do: Como eu servia como comandante da guarda policial do governo fantoche de Ri Sung Man, prestarei depoimento sobre as circunstâncias do assassinato de Kim Sam Ryong e Ri Ju Ha, ocorrido por volta das cinco horas da tarde de 26 de junho de 1950.
Às cinco horas da tarde daquele dia, fui chamado pelo comandante da Polícia Militar, coronel Song Yo Han. Quando fui até ele, o coronel disse que havia uma execução a ser realizada e que eu deveria ir junto com o chefe da Terceira Seção e o major do departamento jurídico para cumprir essa tarefa. Fui até onde estavam o major do departamento jurídico e o chefe da Terceira Seção e os cumprimentei, dizendo que daria minha colaboração. Então, o chefe da Terceira Seção disse que aqueles eram documentos de autorização para uma execução e que eu deveria examiná-los. Ao vê-los, constatei que Ri Sung Man havia assinado e aplicado seu selo. Entretanto, como havia de 20 a 30 documentos semelhantes também nos escalões inferiores, pensei que não havia necessidade de examiná-los e, sem verificar detalhadamente seu conteúdo, devolvi-os. Então me disseram para jamais mencionar aquilo.
O major do departamento jurídico trouxe dois jipes e, como queria levar alguns soldados, indiquei quatro homens.
Depois disso, o major Song Hyo Sun disse para irmos com o comandante, levando Kim Sam Ryong e Ri Ju Ha amarrados, a uma montanha próxima para executar a tarefa.
Cerca de 25 a 30 minutos depois, trouxeram os dois homens. Mandei que subissem de carro até a montanha atrás do quartel-general, e o chefe da Terceira Seção também veio acompanhando. Quando chegamos juntos ao alto da montanha, havia um local para enterrá-los a cerca de 200 metros dali. O sargento-mor Sa Chang Dong amarrou os dois a um pinheiro e cobriu seus olhos com gaze. Então mandou que eu me afastasse e recuei cerca de 12 a 13 metros. O chefe da Terceira Seção permaneceu ali e mandou que fossem executados naquele local. Mandei que disparassem e, quando haviam sido efetuados quatro disparos, ordenei que parassem. Então o chefe da Terceira Seção disse que, por estarem feridos, eles não morreriam facilmente, e mandou continuar.
Depois de confirmar que estavam mortos, ordenei que fossem arrastados e enterrados ainda amarrados. Depois, perguntei ao major do departamento jurídico por que não haviam retirado as algemas. Ele respondeu que, para retirar as algemas, seria necessário ir até a prisão porque não tinham a chave. Assim, foram enterrados com as algemas.
Tentaram colocar uma camada alta de terra, mas disseram que, como a terra era nova, ficaria com uma aparência ruim, e mandaram trazer grama para cobri-la. Então trouxeram grama e cobriram o local.
Presidente do tribunal: Promotor, interrogue.
Promotor: Quem prendeu Kim Sam Ryong?
Cha Yak Do: Não sei.
Promotor: Terminei o interrogatório.
Presidente do tribunal: Defesa, interrogue.
Advogado: Não temos perguntas.
Presidente do tribunal: Em que dia foram assassinados?
Cha Yak Do: Por volta das cinco horas da tarde de 26 de junho de 1950.
Presidente do tribunal: O que significa a ordem do comandante da Polícia Militar e o que significa a autorização do presidente?
Cha Yak Do: Isso significa que Ri Sung Man autorizou o assassinato de Kim Sam Ryong e Ri Ju Ha, e, como trabalhava junto com os militares estadunidenses, entendo que o comandante da Polícia Militar estadunidense deu a ordem para que eles fossem assassinados.
Presidente do tribunal: Foi confirmado se estavam mortos antes de serem enterrados?
Cha Yak Do: Ao ver que haviam sido atingidos pelos disparos, confirmei que estavam mortos.
Presidente do tribunal: Qual era a profissão da testemunha naquela época?
Cha Yak Do: Eu era comandante da guarda do quartel-general da Polícia Militar.
Presidente do tribunal Há algo a perguntar à testemunha Cha Yak Do?
(O promotor, os advogados e os réus responderam, todos, que não.)
Presidente do tribunal: A testemunha pode sentar-se.
Interrogatório de Jo Yong Bok
Presidente do tribunal: Jo Yong Bok, fale sobre seus antecedentes.
Jo Yong Bok: Nasci em 21 de maio de 1909, na aldeia de Kumchon-ri, condado de Miryang, província de Kyongsang Sul. Naquela época, as condições de minha família eram as seguintes: quando eu tinha seis anos, meu pai administrava uma farmácia de medicina tradicional coreana e nossa situação de vida não era particularmente difícil. Depois de frequentar a escola primária, ingressei, em 1925, na Escola Secundária Central de Kyongsong e, em fevereiro de 1930, poucos dias antes de me formar, no terceiro semestre da quinta série, fui expulso por estar relacionado ao Incidente dos Estudantes de Kwangju e, para evitar ser preso pela polícia, fui para Tóquio, no Japão.
Em Tóquio, ingressei no curso preparatório de dois anos da Universidade Hosei e, enquanto estudava, participei da Liga da Juventude Comunista. Em junho de 1932, ingressei no Partido Comunista Japonês e trabalhei sob a responsabilidade de distribuir o jornal "Akahata" na Universidade Hosei. Por volta de setembro daquele mesmo ano, fui preso pela polícia japonesa sob a acusação de ter ingressado no Partido Comunista Japonês e, por ser estudante, fui libertado com suspensão do processo, embora, naturalmente, tenha sido expulso da universidade.
Depois de ser libertado, por instrução do Comitê Distrital Noroeste de Tóquio, passei a realizar atividades de distribuição de jornais entre os trabalhadores do centro de recrutamento de mão de obra do distrito de Oshima, em Tóquio. Em março de 1933, quando os dirigentes do Partido do Distrito de Songbuk foram presos, fui obrigado a retornar à Coreia em agosto daquele ano. Naquela época, trabalhei como repórter na sucursal do Chosun Ilbo administrada por meu irmão em Miryang. A partir de setembro de 1934, trabalhei como escriturário na Companhia de Transportes da Coreia até o início de 1942. Depois de deixar a companhia de transporte, a partir de 1942, mantive minha vida administrando um moinho de arroz com um motor de sete cavalos de potência. Quando saí de Tóquio e retornei à Coreia, havia me afastado da organização e, depois disso, abandonei as atividades revolucionárias e, sem pensar em voltar a me relacionar com a organização, vivi até a libertação preocupado apenas com o conforto de cada dia. Esses foram meus antecedentes antes da libertação.
Presidente do tribunal: Continue falando sobre seus antecedentes após a libertação.
Jo Yong Bok: Soube que a libertação da Coreia havia sido alcançada graças ao papel decisivo do grande Exército Soviético. Naquele momento, uma nova aurora havia brilhado diante de mim. Após a libertação, ingressei no Partido Comunista e, de 3 de dezembro de 1945 a agosto de 1946, trabalhei como diretor do Departamento de Propaganda do Partido do condado de Miryang, na província de Kyongsang Sul. De setembro de 1946 a março de 1947, fui presidente do Partido do Distrito de Samnangjin, no condado de Miryang. A partir de abril de 1947, trabalhei como presidente do Partido do condado de Miryang. Fui convocado pelo Comitê do Partido da província de Kyongsang Sul do Partido do Trabalho da Coreia do Sul e, até julho de 1948, trabalhei como vice-diretor do Departamento de Propaganda.
Em agosto de 1948, quando estavam sendo realizadas as eleições dos deputados para a Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia, fui secretamente para o norte como representante do condado de Miryang para participar da Conferência dos Representantes Populares de Haeju. Após as eleições de 25 de agosto, estudei na Academia Política de Kangdong, de outubro daquele ano a fevereiro de 1949. Em março de 1949, por instrução de Jo Il Myong, fui a Seul com An Yong Tal para realizar atividades clandestinas do Partido. An Yong Tal foi secretamente para o norte em julho daquele ano. Depois disso, assumi o trabalho que An Yong Tal vinha realizando e trabalhei sob Kim Sam Ryong. Em setembro, fui preso pelo Corpo de Contraespionagem do Exército de Seul, mas fui libertado cerca de dez dias depois. Quando saí, An Yong Tal, que havia ido secretamente para o norte, havia retornado, e então voltei a trabalhar sob sua direção.
Presidente do tribunal: Fale mais sobre seus antecedentes após a libertação.
Jo Yong Bok: Depois de trabalhar em Seul sob a direção do Partido do Trabalho da Coreia do Sul, Kim Sam Ryong foi preso em 27 de março de 1950 e a organização foi destruída, por isso fui secretamente para o norte em maio.
Depois disso, durante a Guerra de Libertação da Pátria, voltei a Seul para trabalhar com as unidades guerrilheiras e as Forças Voluntárias. Em julho, fui enviado para a província de Kyongsang Norte, mas fui ferido no caminho de volta e passei a me tratar a partir de setembro. Em janeiro de 1951, retomei o trabalho. A partir de janeiro, trabalhei na organização do Comitê Popular da província de Kyonggi e como instrutor do Escritório de Ligação de Kaesong. No final de maio de 1952, passei pelo Departamento de Ligação e voltei a trabalhar como instrutor superior do Departamento de Inspeção Popular.
Presidente do tribunal: Entre os fatos criminosos, fale sobre os atos criminosos relacionados ao grupo de An Yong Tal e à prisão de Kim Sam Ryong.
Jo Yong Bok: Em dezembro de 1949, fui preso na Delegacia de Polícia de Jongno, em Seul, por causa do caso da organização do Partido do Trabalho da Coreia do Sul. Por volta de 10 de janeiro, eu deveria ser enviado, como todos os dias, ao gabinete do promotor. Na tarde do dia anterior, haviam me dito que, embora tivessem insatisfação comigo, por instrução dos superiores eu seria libertado.
Quando saí da Delegacia de Polícia de Jongno, minha esposa estava esperando diante da porta da delegacia. Enquanto íamos juntos para casa, minha esposa disse que An Yong Tal havia sido libertado em Pusan e que, naquela ocasião, An Yong Tal estava junto com outras pessoas, usando dinheiro do Partido. Quando entrei, An Yong Tal apresentou aquele homem a mim. Ele disse ser Paek Hyong Bok, chefe da Seção Central do Departamento de Investigação.
Então An Yong Tal me disse que eu havia sido libertado graças aos esforços de Paek Hyong Bok, e Hyong Bok me disse que havia conseguido minha libertação para que, no futuro, eu colaborasse com a Coreia do Sul, dizendo que eu deveria entender isso e cooperar bem. Naquela época, porém, recusei.
Recusei porque, devido às várias calamidades que sofri depois da libertação — isto é, minha mãe teve a perna quebrada após sofrer atos de terror por parte dos membros da Juventude Noroeste, e meu irmão foi preso pelo governo militar estadunidense e assassinado, entre outras coisas — eu nutria grande hostilidade contra o imperialismo estadunidense e a camarilha de Ri Sung Man.
Então Paek Hyong Bok disse que não apenas conhecia, por intermédio de An Yong Tal, todos os segredos dos membros do Partido do Trabalho, incluindo Kim Sam Ryong, como também, caso eu desertasse, garantiria minha vida política e me permitiria continuar trabalhando. Eu recusei novamente.
Então An Yong Tal disse: "Camarada, por que você é tão teimoso? Até o secretário do Comitê Central Partido está agora com um pé no Sul e outro no Norte, então por que nós, simples soldados rasos, precisaríamos ir tão longe?" Senti-me chocado ao ouvir a expressão "secretário do Comitê Central" e perguntei quem era. Quando me respondeu que era Ri Sung Yop, fiquei surpreso.
Diante de tais boatos, passei a ser perseguido sob a suspeita de que eu havia desertado e concordei com Paek Hyong Bok em fazer o que ele exigia. Este foi o primeiro passo para a captura do senhor Kim Sam Ryong. Naquele momento, Paek Hyong Bok e An Yong Tal perguntaram pelo estado do senhor Kim Sam Ryong, e eu respondi que ele estava bem. Como disseram que, ao mesmo tempo em que informássemos ao senhor Kim Sam Ryong que havíamos sido libertados, deveríamos iniciar o trabalho, aceitei isso. Quando me perguntaram qual era a situação de minha ligação com o senhor Kim Sam Ryong, respondi que havia uma ligação.
Depois de cinco ou seis dias, encontrei Kim Hyong Ryuk, que era responsável pela seção especial, no esconderijo que eu usava antes de ser preso pela Delegacia de Polícia de Jongno, e pedi que transmitisse ao senhor Kim Sam Ryong que eu e An Yong Tal não havíamos desertado e havíamos sido libertados em segurança. Três dias depois, transmiti o pedido de An Yong Tal para encontrar-se com o senhor Kim Sam Ryong e, dois ou três dias depois, veio, por intermédio de Kim Hyong Ryuk, a resposta de que queria encontrar-se com An Yong Tal. Assim, coloquei An Yong Tal em contato com Kim Sam Ryong.
Então, no início de fevereiro, o senhor Kim Sam Ryong ordenou que eu fosse secretamente para o norte para realizar trabalho partidário. Quando eu estava prestes a ir secretamente para o norte, An Yong Tal, dizendo que era uma instrução de Paek Hyong Bok, deu-me a tarefa de coletar informações sobre a situação política na parte norte e sobre as forças aéreas, e eu aceitei. Além disso, An Yong Dal disse que eu deveria obter essas informações de Ri Sung Yop.
Fui secretamente para o norte e, em Pyongyang, encontrei-me com Ri Sung Yop, informei sobre o trabalho partidário e tentei obter dele as informações que havia recebido de Paek Hyong Bok por intermédio de An Yong Tal. Quando fui secretamente para o norte, An Yong Tal havia me dito para obter informações de Ri Sung Yop, mas eu não conseguia falar diretamente sobre isso. Então perguntei a Ri Sung Yop como eram as forças aéreas na Coreia do Norte, e ele respondeu que havia uma divisão. Também perguntei como era o desempenho dos aviões, e Ri Sung Yop disse que eram um pouco superiores em desempenho aos usados durante a Segunda Guerra Mundial. Quanto à situação política, perguntei se as pessoas que ocupavam cargos importantes no Partido ou no governo diziam quando os militares estadunidenses se retirariam da Coreia do Sul. Ri Sung Yop respondeu de maneira despreocupada: "Eles podem retirar-se a qualquer momento; isso é uma decisão dos Estados Unidos. Mas, se os estadunidenses se retirarem, não sei se o Exército Popular conhece o trabalho partidário no sul."
Permaneci uma semana em Pyongyang e retornei a Seul, onde relatei isso a An Yong Tal. Essas informações chegaram aos militares estadunidenses por intermédio de Paek Hyong Bok. Assim, no início de março, recebi de An Yong Tal a instrução de ir secretamente para o norte, com a missão de informar sobre o trabalho partidário ao Partido do Trabalho da Coreia do Sul e, ao mesmo tempo, novamente recebi de Paek Hyong Bok a tarefa de investigar informações sobre as forças aéreas e a situação política.
Em Pyongyang, encontrei-me novamente com Ri Sung Yop e informei sobre o trabalho partidário, mas não consegui realizar efetivamente o trabalho de espionagem. Quando perguntei sobre a situação das forças aéreas, Ri Sung Yop disse que não sabia o número exato das tropas, mas que seu treinamento e sua capacidade técnica haviam melhorado. Assim, também transmiti isso a Paek Hyong Bok por intermédio de An Yong Tal. E, em 27 de março, An Yong Tal veio me procurar e disse que o senhor Kim Sam Ryong havia sido preso e que Kim Hyong Ryuk havia desertado.
Disse que havia sido preso em algum lugar de Sodaemun-dong, em Seul, e que, depois de encontrar-se com o senhor Kim Sam Ryong, encontrara-se com Paek Hyong Bok. Como este lhe perguntara onde Kim Sam Ryong estava hospedado, ele havia lhe contado e, então, Kim Sam Ryong fora preso.
Quando perguntei como estava organizada toda a organização e o que deveríamos fazer, An Yong Tal não soube responder. Por isso, fui secretamente para o norte pela segunda vez, em 2 de abril, para encontrar Ri Sung Yop. Dessa vez, encontrei-me com ele na sala de recepção de sua residência e, pela primeira vez, contei que eu e An Yong Tal havíamos desertado por influência de Paek Hyong Bok e que havíamos feito com que o senhor Kim Sam Ryong fosse preso.
Ao ouvir isso, Ri Sung Yop ficou inicialmente muito agitado. Quando perguntei sobre as medidas a serem tomadas dali em diante, ele disse que, como Kim Sam Ryong havia sido preso e a organização havia sido destruída, certamente seria estranho que, entre os membros da organização de An Yong Tal, apenas Jo Yong Bok estivesse a salvo. Perguntou se havia alguma medida para demonstrar que An Yong Tal e eu não éramos os que haviam prendido Kim Sam Ryong. Respondi que poderíamos dizer que Kim Hyong Ryuk havia desertado e feito com que Kim Sam Ryong fosse preso. Então Ri Sung Yop disse que isso não seria suficiente. Disse que era necessário tomar medidas minuciosas para fazer parecer que Jo Yong Bok e An Yong Tal não haviam prendido Kim Sam Ryong e ordenou que eu fosse imediatamente para Seul e elaborasse medidas para lidar com a situação. Perguntei quem substituiria Kim Sam Ryong, e Ri Sung Yop respondeu que isso ainda não havia sido decidido.
Fui a Seul e relatei a An Yong Tal e Paek Hyong Bok a situação do Partido e do grupo de Ri Sung Yop que eu havia acabado de conhecer. Dez dias depois, fui preso pelo Corpo de Contraespionagem da Marinha. Entretanto, pensei que não havia necessidade de me prenderem porque eu havia desertado, mas considerei que talvez tivessem feito isso para ocultar externamente o fato de que eu havia desertado. Pensei também que Paek Hyong Bok me libertaria, mas, mesmo depois de 20 dias, ele não veio me libertar.
Certo dia, o desertor Hong Min Pyo me interrogou e mandou que eu fornecesse a rota de trânsito pelo paralelo 38. Porém, não atendi ao pedido. Em 1º de maio, fui libertado incondicionalmente pelo Corpo de Contraespionagem da Marinha. Na manhã de 2 de maio, Paek Hyong Bok veio me procurar. Minha esposa o apresentou como a pessoa que havia vindo junto com An Yong Tal, e ele trazia uma carta de An Yong Tal. O conteúdo da carta era uma ordem para que eu fosse imediatamente. Então, fui com Paek Hyong Bok em um jipe em direção ao sul. Depois de sair do Corpo de Contraespionagem da Marinha, chegamos à casa de Paek Hyong Bok, onde An Yong Tal mandou que eu entrasse.
Quando An Yong Dal, Paek Hyong Bok e eu nos sentamos juntos, An Yong Tal disse que Paek Hyong Bok havia conseguido minha libertação e perguntou sobre a rota de trânsito pelo paralelo 38. Respondi que conhecia a região ao sul do paralelo 38, mas não sabia sobre a região ao norte.
Então disseram que, no máximo, deveríamos atravessar a linha do paralelo 38 antes do domingo seguinte e mandaram que eu investigasse a rota de trânsito pela linha do paralelo 38. Perguntei por que precisávamos atravessar o paralelo 38 com tanta pressa, e ele respondeu: "Nós já nos tornamos criminosos perante o Partido e a República, portanto, nossa única maneira de sobreviver é manter um pé na República e outro na Coreia do Sul. Até Ri Sung Yop faz isso; por que nós não poderíamos?"
An Yong Dal disse que eu e Paek Hyong Bok iríamos secretamente para o norte por indicação dos militares estadunidenses e que, se aproveitássemos bem essa oportunidade, poderíamos viver bem tanto na Coreia do Sul quanto na Coreia do Norte. Perguntei como poderíamos viver assim, e ele respondeu que Paek Hyong Bok era um alto funcionário do governo fantoche de Ri Sung Man e que, se fôssemos secretamente para o norte e fingíssemos que Paek Hyong Bok havia ido secretamente para o norte por sua própria iniciativa, poderíamos ocultar nossos crimes e seríamos considerados pessoas que haviam prestado um serviço ao governo fantoche de Ri Sung Man ao nos infiltrarmos no norte para causar perturbação. Disse que isso seria obter duas vantagens com uma só ação, e eu achei que talvez fosse possível.
Em seguida, ouvi de Paek Hyong Bok e An Yong Tal que, como eles atuavam sob o comando direto dos estadunidenses, o governo fantoche não conhecia sua verdadeira identidade. Portanto, se Paek Hyong Bok fingisse ter ido secretamente para o norte por sua própria iniciativa, An Yong Tal e eu continuaríamos recebendo a confiança do Partido. Paek Hyong Bok seria infiltrado nos órgãos internos da República, por intermédio de Ri Sung Yop, para estabelecer contato com os espiões que já haviam sido infiltrados na parte norte e também coletar por conta própria vários tipos de informações sobre a República. An Yong Tal voltaria à Coreia do Sul para infiltrar-se no Comitê Central do Partido da Coreia do Sul, enquanto todas as informações enviadas por Ri Sung Yop a partir do norte seriam transmitidas por An Yong Tal aos estadunidenses. Ao ouvir que essa era a tarefa que me caberia, senti-me inquieto.
Talvez para me tranquilizar, An Yong Tal disse: "Você mesmo não tem praticamente nenhuma tarefa. Basta investigar e fornecer a rota pela linha do paralelo 38 e ir secretamente para o norte com sua família. Depois de entrar no norte, cabe à sua própria liberdade decidir se irá ou não cooperar conosco." Disse ainda que nosso segredo não seria descoberto, mas que eu também não deveria falar imprudentemente sobre isso, pois, se dissesse essas coisas na República, seria preso e severamente punido. Atendendo às exigências deles, investiguei imediatamente a rota de trânsito do paralelo 38 e compreendi que, dessa maneira, ficaria diretamente ligado ao norte.
Em 7 de maio, eu, An Yong Tal e Paek Hyong Bok fomos secretamente para o norte levando nossas famílias. Esses foram todos os meus crimes cometidos na Coreia do Sul.
Por volta de 10 de maio de 1950, no dia seguinte à minha entrada secreta no norte, eu e An Yong Tal encontramos Ri Sung Yop em seu escritório. Como havia chegado um dia atrasado devido a um incidente no paralelo 38, não sei se Ri Sung Yop já havia recebido o relatório por intermédio de An Yong Tal, mas ele não me pediu um relatório.
Discutimos sobre a execução das tarefas que havíamos recebido dos militares estadunidenses. Ri Sung Yop disse que, como An Yong Tal havia vindo acompanhado de Paek Hyong Bok, havia conquistado a confiança e poderia continuar novamente o trabalho partidário. Disse também que, enquanto permanecesse em Pyongyang, eu deveria procurar selecionar pessoas para os cargos de liderança necessárias à reconstrução do Partido na Coreia do Sul, e afirmou que Paek Hyong Bok seria infiltrado nos órgãos internos.
O que esqueci de declarar anteriormente foi a tarefa que os estadunidenses deram: os Estados Unidos iniciariam em breve a invasão do norte e diriam que o Exército Popular havia lançado primeiro um ataque surpresa. Para isso, antes de iniciar a invasão do norte, bastaria vestir soldados do exército sul-coreano com uniformes do Exército Popular e fazê-los avançar para o sul na região montanhosa do paralelo 38, transmitindo pelo rádio que o Exército Popular havia iniciado a invasão.
Assim, Paek Hyong Bok decidiu infiltrar-se nos órgãos internos, enquanto eu ficaria à espera em um local de descanso, para entrar em contato com An Yong Tal caso houvesse alguma comunicação urgente depois que ele fosse para a parte sul.
Até aqui, falei sobre crimes, mas agora vou falar de fatos criminosos ainda mais graves. Em julho, depois do início da guerra em 25 de junho, fui a Seul e encontrei An Yong Tal no gabinete do presidente do Partido do Trabalho da cidade. Ele me contou que havia se infiltrado na organização do Partido na parte sul conforme surgiam oportunidades e que havia transmitido aos militares estadunidenses o plano de Ri Sung Yop para fazer parecer que o Exército Popular havia sido o primeiro a invadir.
An Yong Dal me contou que, quando os estadunidenses deixaram Seul em 25 de junho, Noble havia dito: "O Exército de Defesa Nacional iniciou a guerra de maneira desajeitada, mas é extremamente fraco. Contudo, não precisamos nos desesperar. Os Estados Unidos ajudarão a Coreia e entrarão na guerra, e as forças policiais da ONU também serão mobilizadas, com as forças da coalizão participando. Além disso, na situação atual, a União Soviética está adotando uma política de paz e não participará da frente coreana, enquanto a China está ocupada com sua própria unificação e não poderá participar da guerra coreana. Portanto, não há motivo para preocupação, pois isso se tornará uma guerra entre as forças da coalizão e o Exército Popular.
Assim, você não deve se desesperar e deve permanecer em Seul. Os militares estadunidenses voltarão a atacar, e, se o Exército Popular avançar apenas até o rio Rakdong ou até Kyongsan, na província de Kyongsang Sul, nós realizaremos desembarques em Wonsan, Inchon e outros lugares para cortar a Coreia ao meio, cercar e aniquilar as forças do Exército Popular que avançaram para o sul e avançar até a linha do rio Amnok para unificar a Coreia."
Mesmo sabendo desses importantes segredos militares, não os forneci ao Partido nem ao governo da República. Penso que, se tivéssemos fornecido essas informações a tempo, talvez tivéssemos conseguido evitar o período difícil que enfrentamos. Esses são todos os crimes que cometi até agora.
Presidente do tribunal: Promotor, interrogue.
Promotor: Mesmo que o réu ou An Yong Tal não tivessem desertado, o senhor Kim Sam Ryong teria sido preso?
Jo Yong Bok: Sim, nós desempenhamos um papel decisivo na prisão do senhor Kim Sam Ryong.
Promotor: Afinal, que resultado o papel dos réus trouxe?
Jo Yong Bok: Se não fosse pelo nosso papel, talvez o senhor Kim Sam Ryong jamais tivesse sido preso.
Promotor: (Ao presidente do tribunal) Interrogarei o réu Paek Hyong Bok.
Presidente do tribunal: Réu Paek Hyong Bok!
Promotor (ao acusado Paek Hyong Bok): Há alguma divergência entre seu depoimento de ontem e o depoimento de hoje do acusado Jo Yong Bok?
Paek Hyong Bok: Não há.
Promotor (ao presidente do tribunal): O interrogatório de Paek Hyong Bok terminou.
Presidente do tribunal: Paek Hyong Bok! Sente-se.
Promotor (ao acusado Jo Yong Bok): Você sabia para onde iam os materiais secretos do Partido que você fornecia a Paek Hyong Bok por intermédio de An Yong Tal?
Jo Yong Bok: Eu sabia que, por intermédio de Paek Hyong Bok, eram transmitidos aos estadunidenses.
Promotor: Quando o acusado foi até Ri Sung Yop e contou sobre a traição de An Yong Tal, o que Ri Sung Yop disse?
Jo Yong Bok: Não disse nada.
Quando soube que o senhor Kim Sam Ryong havia sido preso, a princípio ficou exaltado, mas depois disse: "Já que isso aconteceu, o que se pode fazer?", e ordenou que falsificássemos provas de que Kim Sam Ryong não havia sido preso por ter sido traído por An Yong Tal e por mim.
Promotor: Desde quando vocês três, An Yong Tal, Paek Hyong Bok e você, vinham discutindo sobre a entrada na parte norte?
Jo Yong Bok: Desde 2 de maio, no dia seguinte à minha libertação, depois de eu ter entrado na parte norte, descido para o sul, sido preso pelo serviço de contraespionagem naval e posteriormente libertado.
Promotor: Quem enviou vocês três para a parte norte?
Jo Yong Bok: Os estadunidenses.
Promotor: Quem garantiu a identidade de vocês na parte norte?
Jo Yong Bok: Quem garantiu nossa identidade na parte norte foi Ri Sung Yop.
Promotor: O acusado já tinha ligação com Paek Hyong Bok e An Yong Tal. Qual foi a razão para não revelar esse fato quando foi preso pelo serviço de contraespionagem naval?
Jo Yong Bok: A razão pela qual não revelei isso foi porque, se minha identidade fosse conhecida por Ri Sung Yop ou pelos escalões inferiores da polícia, havia o risco de nosso segredo ser revelado; além disso, eu tinha confiança de que Paek Hyong Bok me libertaria alguns dias depois.
Promotor: Qual foi a razão de você ter entrado na parte norte levando sua família?
Jo Yong Bok: Primeiro, isso servia como condição para ganhar confiança. Em particular, Paek Hyong Bok pretendia, vindo inclusive com sua família, disfarçar-se de modo a parecer que realmente estava entrando na parte norte por uma causa justa, enquanto eu e An Yong Tal pretendíamos parecer pessoas que haviam fugido para lá depois de serem perseguidas na parte sul.
Promotor: Quando transmitiu a Ri Sung Yop a instrução dos estadunidenses para fabricar materiais que demonstrassem que o Exército Popular havia realizado primeiro a ofensiva, o que Ri Sung Yop disse?
Jo Yong Bok: Disse que bastava disfarçar as forças do exército sul-coreano como Exército Popular na região montanhosa da linha do paralelo 38 e fazê-las invadir o sul, enquanto, pelo rádio, se transmitisse que o Exército Popular havia iniciado a invasão.
Promotor: Por que o acusado ficou em uma casa de repouso depois de entrar na parte norte?
Jo Yong Bok: Porque meu corpo estava debilitado e, como An Yong Tal estava na parte sul, eu precisava permanecer de prontidão para poder ir até lá sempre que fosse necessário manter contato estreito com ele.
Promotor: Como An Yong Tal e os acusados chamavam os materiais de espionagem?
Jo Yong Bok: Nós, por costume, dizíamos que havíamos trazido presentes.
Promotor: Meu interrogatório terminou.
Presidente do tribunal: O advogado de defesa faça as perguntas.
Advogado de defesa Jong Yong Hwa: O acusado trabalhou como inspetor superior do Departamento de Inspeção Popular. Você recebeu alguma remuneração econômica especial de Ri Sung Yop? Diga também como se tornou inspetor superior.
Jo Yong Bok: Embora, considerando minha capacidade e experiência, eu não tivesse qualificação para me tornar inspetor superior, penso que Ri Sung Yop me colocou nesse cargo com o objetivo de estreitar ainda mais, no futuro, a relação nós dois. Fora isso, não recebi nenhuma remuneração especial.
Advogado de defesa: Você disse que ficou chocado ao ouvir que Ri Sung Yop estava com um pé na Coreia do Sul e outro na República. Que relação isso tem com o fato de você próprio ter ficado com um pé em cada lado?
Jo Yong Bok: Eu próprio fui preso duas vezes pela polícia japonesa no Japão, duas vezes pela polícia imperialista japonesa na Coreia, duas vezes pela polícia sul-coreana depois da libertação e uma vez pelo serviço de inteligência militar estadunidense. Em todas essas ocasiões, mantive minha integridade e não cometi grandes faltas. Então, por que, depois de ser libertado pela polícia, fui levado à traição por Paek Hyong Bok e An Yong Tal? Naturalmente, se eu próprio tivesse uma forte consciência de classe e uma forte consciência partidária, não teria traído simplesmente porque Ri Sung Yop havia traído. Entretanto, depois da libertação, fui preso e torturado várias vezes e sofri atos de terrorismo por diversas vezes da Associação da Juventude do Noroeste, o que debilitou meu corpo e minha mente. Quando ouvi de An Yong Tal que Ri Sung Yop havia traído, minha vontade de continuar lutando foi quebrada e perdi a coragem.
Advogado de defesa: Quando você foi libertado pela polícia, An Yong Tal e Paek Hyong Bok vieram e exigiram que participasse de atividades de espionagem. Você recusou inicialmente, mas depois consentiu. Qual foi a razão disso?
Jo Yong Bok: Primeiro, pelo choque causado pelo fato de Ri Sung Yop ter traído e, em seguida, pela covardia de querer preservar ao menos minha própria vida por causa disso.
Advogado de defesa: Dizem que o pai do acusado tinha uma farmácia de medicina tradicional. Até que idade você levou uma vida abastada e como era a situação da propriedade de terras?
Jo Yong Bok: Meu pai e meu irmão mais velho tinham uma farmácia de medicina tradicional, e não possuíamos nenhuma terra. Vivíamos em condições de classe média com a renda da farmácia. O fato de eu próprio ter chegado à universidade deveu-se ao meu forte desejo de estudar e também ao fato de um amigo ter me ajudado financeiramente, pois minha família não arcava inteiramente com minhas despesas escolares.
Advogado de defesa: Meu interrogatório terminou.
Presidente do tribunal: Depois que os camaradas Kim Sam Ryong e Ri Ju Ha foram presos, quando o Partido enviou Kim Yong Pal para investigar as circunstâncias, o que você fez?
Jo Yong Bok: Quando Kim Yong Pal veio para investigar, fiz um relatório falso.
Na terceira vez que entrei na parte norte, Ri Sung Yop havia me ordenado que elaborasse materiais que demonstrassem que nós não havíamos prendido Kim Sam Ryong. Assim, seguindo essa instrução, entreguei a Kim Yong Pal os materiais que havíamos forjado.
Presidente do tribunal: Como você informou que Ri Ju Ha havia sido preso?
Jo Yong Bok: Depois que o senhor Kim Sam Ryong foi preso, sua esposa foi à casa de Ri Ju Ha acompanhada de uma pessoa de ligação. Essa pessoa de ligação foi presa e, não suportando a tortura, revelou o local onde o senhor Ri Ju Ha se encontrava. Foi assim que informei, por intermédio de Kim Yong Pal, que Ri Ju Ha provavelmente havia sido preso.
Presidente do tribunal: O que você disse sobre as circunstâncias da prisão de Kim Sam Ryong?
Jo Yong Bok: Disse que Kim Hyong Ryuk havia sido contatado e cometido tradição, e que ele havia procurado a casa de uma certa mulher que conhecia a residência do senhor Kim Sam Ryong. Por intermédio dessa mulher, teria descoberto a residência do senhor Kim Sam Ryong e o prendido.
Presidente do tribunal: Quando você entrou pela segunda vez na parte norte para estabelecer contatos de espionagem, que material recebeu de Ri Sung Yop?
Jo Yong Bok: Recebi materiais de códigos para radiocomunicação.
Juíza Pak Ryong Suk: Enquanto trabalhava como inspetor superior do Departamento de Inspeção Popular, quando Ri Sung Yop lhe ordenou que coletasse informações sobre os movimentos das famílias dos elementos reacionários, bem como materiais nos orfanatos, o que você pensou?
Jo Yong Bok: Pensei que Ri Sung Yop pretendia utilizar isso como material de espionagem.
Juíza: Para que você pensava que ele pretendia utilizar esses materiais posteriormente?
Jo Yong Bok: Pensei que pretendia subornar e reunir os elementos reacionários e utilizá-los posteriormente para satisfazer suas próprias ambições políticas.
Presidente do tribunal: Inspetor e advogado de defesa, há mais alguma pergunta complementar?
Promotor: Não há.
Presidente do tribunal: Acusado Jo Yong Bok, sente-se. (Jo Yong Bok senta-se.)
Pretendemos alterar parcialmente a ordem de julgamento já determinada e, em seguida, proceder ao julgamento do acusado Ri Sung Yop. Há alguma objeção?
Promotor: Concordo.
Advogados de defesa: Deixamos à discrição do tribunal.
(O tribunal delibera imediatamente.)
Presidente do tribunal: Foi decidido alterar parcialmente a ordem de julgamento e, em seguida, proceder ao interrogatório do acusado Ri Sung Yop.
Interrogatório de Ri Sung Yop
Presidente do tribunal: Daremos continuidade ao julgamento a partir de agora. (11 horas)
Acusado Ri Sung Yop!
(Ri Sung Yop dirige-se à frente do banco dos depoimentos.)
Você reconhece os fatos criminosos da acusação?
Ri Sung Yop: Sim, reconheço todos.
Presidente do tribunal: Fale sobre sua trajetória.
Ri Sung Yop: Nasci em 8 de fevereiro de 1905, no condado de Pupyong, província de Kyonggi, filho de um barqueiro. Depois, minha família mudou-se para Inchon e passou a administrar uma pequena hospedaria, e eu ingressei na Escola Comercial de Inchon. Foi nesse período que surgiu em mim o pensamento pequeno-burguês. Na época do Movimento de 1º de Março, eu era estudante, mas, levado pelo sentimento nacional, participei do Movimento de 1º de Março e, por ter me oposto ao imperialismo japonês, fui expulso da escola. Como também fui acusado de ter agredido professores japoneses, não conseguia emprego. Depois fui ao Japão para estudar trabalhando, mas retornei após três meses. Na época eu tinha 19 anos, e entrei para um grupo independentista, pretendendo ir para o Nordeste, mas não pude ir por causa de uma doença. Aos 20 anos, por intermédio de uma pessoa que havia vindo da União Soviética, tentei ir à União Soviética para estudar, mas essa pessoa foi presa pelos japoneses e novamente não pude ir. Depois, participei de uma associação de jovens nacionalistas. Em 1923, ingressei na Liga da Juventude Comunista e, em setembro de 1924, entrei para o Partido Comunista da Coreia.
Entretanto, considerando minha vida naquela época, eu não vivia como operário ou camponês, mas uma vida pequeno-burguesa. Por isso, não entrei no Partido movido por um desejo de conhecer verdadeiramente as duras condições de vida dos trabalhadores e pelo anseio genuíno de que os trabalhadores tomassem o poder; ingressei no Partido Comunista depois de ler vários livros sobre o comunismo e movido pelo sentimento de resistência nacional contra o domínio japonês, não sendo, portanto, um verdadeiro comunista. Em 1926, entrei na prisão de Sodaemun e, depois de ser libertado, voltei a participar do movimento. Fui para Inchon e trabalhei junto com o grupo de Jo Il Myong, mas fomos novamente descobertos, e fugi para Kyongsang, onde sofri de tuberculose e passei a viver trabalhando na pesca.
Em maio de 1931, seguindo as instruções de Pak Hon Yong, trabalhei, juntamente com Kim Hyong Son, que havia vindo da China, para reconstruir Comitê do Partido da província de Kyongsang Sul. Depois, fui a Taegu e outros lugares e, como parte da luta contra o domínio japonês, entrei no campo para colaborar com o movimento camponês. Em outubro de 1931, fui preso no incidente da Revolta de Outubro e, depois de cumprir minha pena e ser libertado, continuei novamente minhas atividades. Em 1937, fui preso outra vez, condenado em Hamhung e, depois de cumprir minha pena, fui libertado em 1939. Em 1940, fui preso novamente, e a polícia japonesa exigiu que eu me convertesse. Eu me opus a isso, mas Jo Pong Am, que pertencia à facção Hwayo e estava comigo, disse que, se eu saísse novamente para a sociedade, as coisas seriam diferentes e que eu não deveria insistir tanto, e então me converti. Dez dias depois, declarei minha traição e fui libertado, encontrando-me com Pak Hon Yong.
Trabalhei com ele até o final de 1940. Quando Pak Hon Yong passou à clandestinidade, pediu-me que também entrasse na clandestinidade. Porém, como eu havia acabado de começar a constituir minha vida familiar, disse que entraria na clandestinidade mais tarde. Assim, de maio de 1941 a junho de 1945, trabalhei como funcionário de um sindicato de comércio de arroz e, por fim, até como diretor de um sindicato de distribuição de alimentos, apoiando e colaborando com a política alimentar do imperialismo japonês.
Em 1943, quando a derrota do imperialismo japonês começou a se tornar evidente, movido pelo heroísmo e pelo desejo de ascensão, reuni alguns membros da facção Hwayo e comunistas em 1943 e, mantendo contato com a organização em Hamhung, realizamos uma reunião preparatória nacional, mas fomos descobertos pouco antes de 15 de agosto.
Após a libertação de 15 de agosto, participei da organização do chamado Partido Comunista de Jangan e trabalhei como seu segundo secretário. Embora eu próprio não fosse um verdadeiro comunista, permaneci ali por algum tempo, mas depois saí e, juntamente com Pak Hon Yong, reconstruí o Partido Comunista. Depois de atuar como presidente do Comitê do Partido da província de Kyonggi, trabalhei como membro do Comitê Central e do Comitê Político do Partido. Em 1946, quando Pak Hon Yong entrou na parte norte, fiquei responsável pelas atividades e, posteriormente, recebi dele instruções para entrar na parte norte. Em 1948, entrei na parte norte e, na época da fundação da República, ocupei o cargo de ministro da Justiça.
Presidente do tribunal: Fale sobre suas atividades de espionagem em ligação com os espiões estadunidenses.
Ri Sung Yop: Depois de estabelecer contato com Baird em fevereiro de 1946, conforme o coacusado Jo Il Myong declarou, forneci pessoalmente materiais de espionagem a Baird três vezes e, em duas ocasiões, mandei Jo Il Myong entregá-los a Baird. Em maio de 1947, quando eu estava detido na prisão Sodaemun, encontrei Noble. Como Noble me pediu que realizasse atividades de espionagem, aceitei e passei também a manter contato com ele.
Presidente do tribunal: Fale concretamente sobre suas atividades de espionagem.
Ri Sung Yop: Em fevereiro de 1946, fui preso junto com Jo Il Myong e permaneci detido na delegacia de polícia de Ponjong. Inicialmente, fui interrogado pelos policiais, mas depois fui entregue aos estadunidenses. Os estadunidenses deram-me a entender que me libertariam se eu realizasse atividades de espionagem. Como me opus, disseram que, se eu não atendesse às exigências do Governo Militar dos EUA, seria submetido a uma punição severa. Assim, devido à minha anterior ideologia de classe pequeno-burguesa, manifestou-se minha natureza covarde; sentindo primeiro que minha vida estava em perigo, aceitei suas exigências e fui libertado. Depois de ser libertado, encontrei Baird, que me instruiu a trabalhar mantendo contato com Jo Il Myong.
Depois disso, encontrei Jo Il Myong no Comitê do Partido da província de Kyonggi e combinamos que, dali em diante, cooperaríamos na coleta de materiais de espionagem. Quanto ao método de coleta e comunicação dos materiais de espionagem, eu tomava a iniciativa, mas, como exercia um cargo público, bastava que eu reunisse os materiais; Jo Il Myong os organizava e apresentava os relatórios. Uma vez a cada um ou três meses, eu me encontrava com Baird no Hotel Joson ou em frente à estação de trem e, ao todo, em três ocasiões, entreguei pessoalmente materiais de espionagem a ele e também forneci materiais por intermédio de Jo Il Myong.
Em maio de 1947, quando fui buscar a assinatura de Pak Hon Yong em um documento vindo da parte norte, fui descoberto pela polícia. Fugi por cerca de cinco ri, mas fui preso e detido na prisão de Sodaemun. Um estadunidense chamado Noble, juntamente com Jang Taek Sang, veio me visitar e disse que pretendiam formar um governo unificado que incorporasse até mesmo a direita e as camadas intermediárias, mas que elementos reacionários da parte norte se opunham a isso e que o Partido Comunista da Coreia do Sul também se opunha. Disse ainda que, se eu participasse disso e tentasse formar um governo unificado, os militares estadunidenses receberiam isso de bom grado e cooperariam ativamente comigo, instando-me a fazê-lo. Eu aceitei isso por covardia e devido às minhas ideias reacionárias.
As razões pelas quais aceitei foram, primeiro, o fato de eu ter participado do movimento revolucionário durante o período do domínio japonês, mas ter sucumbido à repressão japonesa, abandonado o movimento revolucionário e traído, o que constituía uma fraqueza política minha; segundo, porque eu tinha ambições de poder político. Nessa reunião, discutimos que, enquanto prosseguia a Comissão Conjunta URSS-EUA, o povo coreano ansiava pela formação de um governo unificado, bem como a questão de cooperar ativamente, dali em diante, com as atividades de espionagem.
Depois disso, até julho de 1947, transmiti por três vezes, oralmente ou por escrito, informações sobre a situação do Partido na parte sul, a situação econômica na parte norte e as condições de vida do povo. Noble disse que eu poderia encontrá-lo quando fosse à residência oficial da Embaixada dos EUA atrás do Palácio Toksu. Como eu havia aprendido um pouco de inglês durante o período do domínio japonês, quando fui encontrar Noble em três ocasiões, consegui comunicar-me com ele sem intérprete.
No outono de 1947, quando a Comissão Conjunta URSS-EUA fracassou, perguntei a Noble como fazer, já que a Coreia não havia conseguido estabelecer um governo unificado. Ele disse que havia um método, dando a entender que a Coreia poderia ser unificada até mesmo pela força militar. Em janeiro de 1948, encontrei-me com Noble e, ao cumprimentá-lo brevemente, ele me disse para não perder as esperanças, pois a unificação da Coreia seria alcançada por algum método.
Depois disso, encontrei-me com ele uma vez em maio e entreguei-lhe materiais. Em julho seguinte, como havia recebido de Pak Hon Yong a instrução para entrar na parte norte, encontrei-me com Noble, informei-o de que entraria na parte norte e disse que voltaria dentro de uma ou duas semanas, movido pelo objetivo de realizar minhas ambições políticas sob as instruções dos estadunidenses. Naquela ocasião, Noble me instruiu a investigar a situação na parte norte e, caso fosse difícil retornar à parte sul, permanecer ali trabalhando e fornecer materiais de espionagem.
Naquela ocasião, entrei na parte norte passando por Yangyang. Para que eu pudesse conquistar ainda mais a confiança na parte norte no momento da entrada, passei primeiro pela guerrilha do Monte Odae e depois entrei passando por Kangnung e Yangyang. Assim, pouco antes do Congresso de Representantes de Haeju, procurei Jo Il Myong, discuti as futuras atividades de espionagem e ordenei-lhe que estabelecesse as rotas e as pessoas envolvidas nelas.
No início de setembro de 1948, encontrei An Yong Tal na casa de Pak Hon Yong. An Yong Tal perguntou se eu conhecia Noble e disse que havia vindo após receber instruções dele, transmitindo-me a ordem de Noble para enviar materiais de espionagem. Fiquei preocupado por algum tempo, mas, movido por minhas ambições políticas, decidi continuar atendendo às instruções de Noble. Quando An Yong Tal partiu, enviei, por seu intermédio, as diretrizes políticas do Governo da República, documentos biográficos dos membros do Partido que haviam entrado no Gabinete da República e dos quadros do Norte e do Sul, bem como o projeto da Constituição.
Quanto à situação da transmissão dos materiais a Noble depois disso, como disseram ontem os coacusados Jo Il Myong e outros, Pak Sung Won, enquanto estava em Haeju, ficou responsável por transmitir os materiais para o sul; Rim Hwa ficou responsável pelos contatos intermediários; eu próprio coletava os materiais, ou Jo Il Myong os coletava e organizava. Dessa maneira, em seis ocasiões, transmitimos aos militares estadunidenses importantes decisões do Partido e do Governo, disposições militares e organização das forças armadas, bem como decisões do Comitê Político Central do Partido, ajudando assim os militares estadunidenses a facilitar a invasão da Coreia.
No final de 1949, como An Yong Tal havia entrado na parte norte, novamente reuni novos materiais referentes ao Partido e à administração e entreguei-os a An Yong Tal para que fossem transmitidos.
Quando Jo Yong Bok entrou na parte norte em abril de 1950, inicialmente eu não sabia que ele também estava envolvido na espionagem. Jo Yong Bok veio e disse que ele e An Yong Tal haviam prendido o senhor Kim Sam Ryong e outros. Naquele momento, embora eu fosse reacionário, ao ouvir que meus camaradas haviam sido presos, senti certa emoção; contudo, como meus próprios crimes eram muito graves, ordenei-lhe que voltasse à parte sul e elaborasse medidas para ocultar o fato de que os membros do Partido no sul haviam sido responsáveis pelas prisões.
Quando An Yong Tal, Jo Yong Bok e Paek Hyong Bok entraram na parte norte em maio de 1950, encontrei An Yong Tal em meu escritório do Comitê Central do Partido, por volta de 10 de maio. An Yong Tal falou sobre a prisão do senhor Kim Sam Ryong e transmitiu o conteúdo das instruções dadas por Noble.
Disse que Paek Hyong Bok deveria ser infiltrado nos órgãos internos, An Yong Tal deveria ser infiltrado no Comitê Central do Partido e que Jo Yong Bok deveria ser enviado para algum lugar adequado. Ao mesmo tempo, transmitiu também as palavras de Noble de que os Estados Unidos não podiam abandonar a Coreia por razões de sua política para o Extremo Oriente; que os Estados Unidos deveriam assumir o controle da Coreia do Norte e do Sul, e que isso deveria ser realizado naquele ano; que, para isso, seria necessário provocar uma explosão, mas, devido à opinião pública mundial, que se deveria encontrar um método para fazer parecer que o Exército Popular havia sido o primeiro a invadir.
Então, naquela ocasião, eu disse que bastaria transmitir pelo rádio que o Exército Popular havia iniciado a invasão e que seria conveniente vestir as tropas do Exército de Defesa Nacional com uniformes do Exército Popular, fazê-las avançar nas proximidades do paralelo 38 e divulgar que o Exército Popular estava avançando para realizar a invasão.
Depois disso, designei Ri Jung Op como responsável pelo Partido do Trabalho da Coreia do Sul e atribuí a An Yong Tal a responsabilidade pela coleta de informações, dizendo-lhe que, caso ocorresse qualquer situação de emergência no futuro, deveria entrar em contato por rádio. Dei-lhe também um código de rádio e um aparelho de rádio e o enviei.
Depois que An Yong Tal saiu para o sul em 10 de junho, pouco tempo depois Seul foi libertada pelo avanço do Exército Popular, e eu assumi o cargo de presidente do Comitê Popular da Cidade de Seul. Em 1º de julho, An Yong Tal veio me procurar e transmitiu-me a seguinte conversa que havia tido com Noble:
"Do ponto de vista da política para o Extremo Oriente, os militares estadunidenses não abandonarão a Coreia. Nós invadiremos por meio das forças armadas da ONU. Como a União Soviética está adotando uma política de paz, não participará da frente coreana, e como a China está ocupada com a reconstrução do pós-guerra, também não poderá participar da guerra na Coreia. Portanto, mobilizaremos grandes forças da ONU, desembarcaremos em Wonsan e Inchon, cercaremos o Exército Popular que avançou para Seul e o sul, cortaremos sua retaguarda, tornando difícil sua retirada e aniquilando-o, e avançaremos até os rios Amnok e Tuman. Assim, tanto você quanto nós teremos sucesso."
Ao ouvir isso, eu disse que, quando as forças da ONU invadissem, seria bom organizar uma revolta popular em Pyongyang em apoio a elas, pois isso demonstraria que as forças da ONU contavam com o apoio do povo coreano.
An Yong Tal disse então que muitos elementos centristas e de direita estavam escondidos em Seul, e que seria conveniente adotar uma política de clemência em relação a eles, induzi-los a se entregarem, incorporar ao nosso lado aqueles dentre eles em quem fosse possível confiar e prender e punir aqueles que se opusessem a nós.
Presidente do tribunal: Fale sobre o recrutamento de Ri Kang Guk para as atividades de espionagem.
Ri Sung Yop: Conheci Ri Kang Guk desde depois da libertação de 15 de agosto de 1945, quando ele trabalhava em Seul como secretário-geral do Comitê Preparatório para a Fundação do Estado e como secretário-geral do chamado Governo Popular. Depois disso, encontrei-o também várias vezes na casa de Pak Hon Yong.
Por volta de setembro de 1946, foi dada pelo Governo Militar dos EUA uma ordem para prender Ri Kang Guk, e ele entrou na parte norte. No final de 1946, entrei na parte norte para discutir assuntos do Partido e encontrei novamente Ri Kang Guk na casa de Pak Hon Yong. A partir desse momento, tornamo-nos próximos.
Assim, no final de 1946, encontrei Ri Kang Guk no escritório do diretor do Departamento de Relações Exteriores do Comitê Popular da Coreia do Norte. Naquela ocasião, Ri Kang Guk me disse que havia uma mulher chamada Kim Su Im em Seul, hospedada no Hotel Bando, que trabalhava em uma instituição militar estadunidense, e apresentou-a a mim como uma mulher que poderia ser utilizada.
Por isso, a partir do início de 1947, encontrei-me com ela três ou quatro vezes, na casa dela em Seul, transmitindo-lhe notícias de Ri Kang Guk. Contudo, era difícil utilizá-la para os trabalhos do Partido. Isso porque a própria Kim Su Im vivia como amante de Baird, da polícia militar estadunidense, e, por outro lado, pelo grande interesse que demonstrava por Ri Kang Guk, tive a impressão de que Ri Kang Guk mantinha algum tipo de relação com Baird por intermédio de Kim Su Im.
Depois, seguindo as instruções, ao entrar na parte norte por volta de julho de 1948, dei a An Yong Tal a tarefa de procurar Kim Su Im e utilizá-la, e retornei ao norte. Em setembro de 1948, encontrei An Yong Tal na casa de Pak Hon Yong, e ele me disse que Noble havia enfatizado que as mensagens que enviava para o sul não deveriam passar por nenhuma outra pessoa, mas somente por ele, An Yong Tal. Disse-me também que Kim Su Im estava realizando atividades de espionagem sob a direção de Baird, em ligação com o grupo de Ri Kang Guk.
Quando a República foi proclamada, em agosto de 1948, Ri Kang Guk havia sido afastado do cargo de diretor do Departamento de Relações Exteriores e estava decepcionado com suas perspectivas políticas. Encontrei-o na casa de Pak Hon Yong e aconselhei-o a não ficar decepcionado, a não expressar levianamente seu descontentamento e a manter-se discreto. Fiz isso porque temia que minhas atividades criminosas chamassem a atenção do Partido e do Governo.
Depois disso, Ri Kang Guk tornou-se diretor de um hospital húngaro, para onde havia sido enviado em Changchun, no Nordeste da China, e, depois de retornar à Coreia, em janeiro de 1951, veio ao meu escritório para cumprimentar-me por ocasião de uma visita ao Comitê Central. Naquele momento, Rim Hwa também havia vindo.
Então, disse a Ri Kang Guk que o Partido resolveria bem sua situação, que ele não deveria expressar nenhum descontentamento e que, como terceiros poderiam suspeitar ainda mais se ele se encontrasse frequentemente comigo, seria melhor que fosse um pouco mais discreto. Demonstrei assim minha compaixão por sua situação desfavorável e disse-lhe que, caso tivesse materiais relacionados à situação política que surgisse naquele momento, deveria transmiti-los individualmente por intermédio de Rim Hwa. Ri Kang Guk concordou e disse que faria isso.
Presidente do tribunal: Fale sobre a organização do "Comitê de Investigação de Terras" e a realização de atos de terrorismo.
Ri Sung Yop: No início de julho de 1950, An Yong Tal disse que, como parte do trabalho de conquistar elementos centristas e de direita, era necessário instalar um escritório. Como seria difícil para os agentes entrarem e saírem se colocássemos uma placa de uma instituição oficial, ele propôs que colocássemos uma placa com o nome "Comitê de Investigação de Terras". Aceitei a proposta e atribuí-lhe a responsabilidade.
O objetivo da instalação desse "Comitê de Investigação de Terras" era eliminar aqueles que pudessem revelar nossos segredos. Assim, foram realizados atos de terrorismo. Depois disso, não recebi relatórios e não sei que tipo de ações foram realizadas, mas, devido aos rumores de que o "Comitê de Investigação de Terras" estava substituindo as funções dos órgãos do Interior, recebemos de cima uma ordem para dissolvê-lo. Dissolvemos então o comitê, instalamos uma seção especial dentro do quartel-general das Forças Voluntárias e continuamos esse trabalho.
Quando fui ao quartel-general das Forças Voluntárias por volta de meados de julho, havia então entre 20 e 30 pessoas detidas. Vi que estavam sendo torturadas e cheguei até a incentivá-los, dizendo que estavam fazendo um bom trabalho, e dei instruções para que os detidos fossem rapidamente eliminados.
Presidente do tribunal: Fale sobre os preparativos para uma revolta armada visando derrubar o Governo da República e sobre as atividades conspiratórias para constituir o chamado "novo governo".
Ri Sung Yop: Recebi de Noble instruções para preparar uma revolta armada e, movido por minhas ambições políticas, comecei a prepará-la.
Em agosto de 1951, quando me reuni no meu escritório do Comitê Central com Pae Chol, Jo Il Myong, Pak Sung Won e outros, expliquei-lhes a situação militar e política da Coreia naquela época, isto é, que era previsível que os militares estadunidenses avançassem novamente em direção a Wonsan e Anju. Depois, como eu já havia cometido crimes, propus que aproveitássemos essa oportunidade para satisfazer minhas ambições políticas, derrubássemos o Governo da República e estabelecêssemos o governo que esperávamos. Todos eles concordaram.
Assim, em setembro daquele ano, convoquei Jo Il Myong, Rim Hwa, Pae Chol, Pak Sung Won e outros. Para realizar nossa revolta armada, decidimos aumentar o número de pessoas nas unidades de guerrilha que dirigíamos diretamente e na Academia Kumgang, inculcar-lhes ideias subversivas, ao mesmo tempo em que colocaríamos aqueles que nos apoiassem ativamente como quadros das unidades de guerrilha ou da Academia Kumgang.
Também atribuí a Pae Chol a responsabilidade de transferir os alunos da Academia Kumgang para os arredores de Pyongyang, para que pudessem ser imediatamente mobilizados em caso de emergência; a Rim Hwa, a responsabilidade de atrair e incorporar os artistas ao nosso lado; a Kim Ung Bin, a responsabilidade pelo comando militar para executar esse plano; Jo Il Myong e Rim Hwa assumiriam a responsabilidade política; Pak Sung Won seria responsável pelo Estado-Maior; e eu desempenharia o papel de comandante-chefe.
Fizemos esforços para colocar isso em prática, mas, como os militares estadunidenses não avançaram naquela ocasião, não conseguimos executá-lo.
Entretanto, sem abandonar o objetivo mencionado anteriormente e pretendendo realizá-lo no momento oportuno, era necessário continuar aumentando o efetivo e o armamento das unidades sob o pretexto de fortalecer as unidades de guerrilha e as atividades para o sul. Por isso, aumentamos o número de estudantes da Academia Kumgang e, como força de reserva, em março de 1952 fundamos a 10ª Unidade, subordinada ao Comando de Orientação das Guerrilhas, em Imsong-myon, condado de Namyonbaek, província de Hwanghae, com o objetivo de transformá-la em uma base de operações para o sul. Decidimos que um terço das colheitas produzidas ali seria utilizado como fundos políticos para as operações no sul.
Dessa maneira, sempre que surgisse uma oportunidade, eu pretendia utilizar as forças da 10ª Unidade para derrubar o Governo da República e aumentei seu efetivo para 4.000 pessoas.
Enquanto realizávamos essas atividades, com a eleição presidencial estadunidense e a candidatura de Eisenhower à presidência, tornou-se previsível uma nova ofensiva, e voltamos a intensificar ativamente a conspiração para derrubar o Governo da República.
No primeiro domingo de setembro de 1952, na casa de Pak Hon Yong, realizamos uma discussão preliminar sobre o gabinete que seria formado depois da derrubada do Governo da República, com participação de Pak Sung Won, Jo Il Myong, Yun Sun Tal, Rim Hwa e outros. Quanto à sua composição, discutimos Pak Hon Yong como primeiro-ministro; Jang Si U e Ju Nyong Ha como vice-primeiros-ministros; Pak Sung Won como ministro do Interior; Ri Kang Guk como ministro das Relações Exteriores; Jo Il Myong como ministro da Propaganda; Rim Hwa como ministro da Educação; Pae Chol como ministro do Trabalho; e Yun Sun Tal como ministro do Comércio. Eu seria o primeiro-secretário do Partido.
Presidente do tribunal: Faça as perguntas.
Promotor: O acusado foi preso pela polícia de Kyonggi junto com Jo Il Myong por volta de fevereiro de 1946 e, depois de prometer estabelecer contato com Baird, foi libertado. Diz-se que, dez dias depois, encontrou Jo Il Myong na casa de Paek Sok Hwang, em Chongjin-dong, Seul, e discutiu medidas para futuras atividades de espionagem. Fale concretamente sobre o conteúdo dessa discussão.
Ri Sung Yop: Dez dias depois de ser preso e libertado pela polícia de Kyonggi, convoquei Jo Il Myong e encontrei-me com ele na casa de Paek Sok Hwang, em Chongjin-dong. Jo Il Myong me disse que havia passado a realizar atividades de espionagem sob as ordens de Baird. Eu lhe disse que, dali em diante, deveríamos manter contato e realizar juntos atividades de espionagem, e Jo Il Myong respondeu que concordava. Assim, combinamos realizar atividades de espionagem para os estadunidenses, ficando decidido que, quando eu coletasse os materiais, Jo Il Myong os organizaria e os entregaria aos militares estadunidenses.
Promotor: A partir daquele momento, você começou as atividades de espionagem para os estadunidenses?
Ri Sung Yop: Sim.
Promotor: Depois de prometer realizar atividades de espionagem, quantas vezes você forneceu materiais?
Ri Sung Yop: Eu transmiti diretamente três vezes e Jo Il Myong transmitiu três vezes.
Promotor: Depois de entrar na Coreia do Norte em agosto de 1948, diga o conteúdo das medidas discutidas sobre as futuras atividades de espionagem quando você foi à casa de Jo Il Myong, em Kirim-ri.
Ri Sung Yoo: Depois de entrar na Coreia do Norte, procurei Jo Il Myong e discuti com ele sobre continuar realizando atividades de espionagem. Nessa ocasião, falei a Jo Il Myong sobre a seleção de pessoas para organizar a rede de espionagem. Jo Il Myong disse que deveríamos utilizar a rota controlada Gráfica nº 1 de Haeju e, mencionando os pontos fracos de Pak Sung Won, disse que Pak Sung Won poderia obedecer a nós. Assim, decidimos incorporar Pak Sung Won à rede de espionagem. Depois, fui à reunião dos representantes populares de Haeju e encontrei Pak Sung Won na casa de Kwon O Jik, onde discutimos os trabalhos futuros. Em seguida, fui apresentado a Rim Hwa e discutimos a ampliação das atividades de espionagem. Decidimos coletar todos os materiais e transmiti-los a Baird por intermédio de An Yong Tal.
Promotor: Qual foi a razão pela qual, em 1949, você inspecionou a região da Linha do Paralelo 38, incluindo Ongjin e Yangyang?
Ri Sung Yop: Inspecionei a Linha do Paralelo 38 com o objetivo de coletar informações de espionagem. Percorri a Linha do Paralelo 38 de Ongjin até Yangyang e, com base no que vi pessoalmente, preparei informações e as entreguei a Baird.
Promotor: Ao fornecer essas informações naquela ocasião, que benefício elas proporcionaram aos imperialistas estadunidenses?
Ri Sung Yop: Ao informar-lhes sobre a situação da disposição das forças militares na Linha do Paralelo 38, proporcionei-lhes um benefício decisivo para que pudessem elaborar planos de invasão militar contra a parte norte.
Promotor: Em seu depoimento, você diz que surgiu como partidário das duas partes. Fale sobre esse posicionamento.
Ri Sung Yop: No período inicial, quando as tropas estadunidenses e soviéticas estavam estacionadas, eu era partidário das duas partes, mas agora não sou mais partidário das duas partes; sou um completo lacaio do imperialismo estadunidense, um traidor que tenta conseguir uma posição sob o domínio deles.
Promotor: Diga concretamente o conteúdo das instruções que Noble lhe transmitiu por intermédio de An Yong Tal quando se retirou, em julho de 1950.
Ri Sung Yop: No início de julho de 1950, quando fui para o cargo de presidente do Comitê Popular Provisório da Cidade de Seul, An Yong Tal veio me procurar e disse: "Ao deixar Seul, Noble disse que, no início da guerra, pretendia mobilizar o exército japonês e as forças da ONU para travar a guerra, mas, como Ri Sung Man depositava grandes expectativas no Exército de Defesa Nacional, confiou a este a tarefa de combater o Norte. Quando a guerra começou, porém, descobriu-se que o Exército de Defesa Nacional não era confiável. Uijongbu já caiu e Seul também cairá, enquanto os dirigentes do governo estão se retirando. Mas não perca a esperança. Os Estados Unidos não abandonarão a Coreia por causa de sua política para o Extremo Oriente. Em setembro, mobilizarão grandes forças, desembarcarão em Inchon, Wonsan e outros lugares, cortarão a retaguarda do Exército Popular, o cercarão e aniquilarão, avançando até o rio Amnok. Nessa ocasião, Ri Sung Yop deverá organizar uma revolta popular em Pyongyang."
Promotor: Fale sobre o que você fez em Seul depois de 28 de junho.
Ri Sung Yop: Por intermédio de An Yong Tal, organizei o "Comitê de Investigação de Terras" e promovi um movimento de rendição, prendendo mais de 1.000 pessoas. Entre elas havia elementos reacionários e também pessoas que haviam mudado de lado. Tentamos utilizar os que haviam mudado de lado e executamos aqueles que conheciam nossos segredos. Entretanto, o comitê de investigação de terras foi dissolvido sob o pretexto de que estava desempenhando funções próprias dos órgãos do Ministério do Interior. Por isso, instalamos um departamento especial no quartel-general das Forças Voluntárias e continuamos esse trabalho. Quando fui inspecionar o departamento de assuntos especiais do quartel-general, vi cerca de 30 pessoas presas e sendo torturadas. Ao ver isso, disse que estavam fazendo um bom trabalho e dei instruções para que fossem executadas rapidamente. Em seguida, fui procurar os setores intermediários da direita e, embora exteriormente parecesse apoiar a República, utilizando palavras capazes de conquistar sua simpatia, reuni essas pessoas ao meu redor para satisfazer minhas ambições políticas.
Promotor: Houve alguma ocasião em que você fez os soldados do exército fantoche se alojarem juntos?
Ri Sung Yop: Eu não dei instruções nesse sentido, mas estive onde os soldados do exército fantoche estavam alojados juntos.
Promotor: Fale sobre o fato de ter enviado Rim Hwa para coletar informações de espionagem em Seul.
Ri Sung Yop: Dei a Rim Hwa a tarefa de coletar a opinião dos cidadãos de Seul sobre o Exército Popular, o governo da República e o Partido, e recebi relatórios várias vezes. Também investigamos a situação da população por meio dos comitês populares de cada localidade.
Promotor: Como foi elaborado o plano concreto para a insurreição armada?
Ri Sung Yop: Como preparação para a insurreição armada, fiz com que Pae Chol e Pak Sung Won aumentassem o número de pessoas na Academia Kumgang, substituíssem os quadros por pessoas fiéis a nós e incutissem ideias insubordinadas nos estudantes. Sob o pretexto de organizar o Comitê Popular de Kyonggi, realizamos investigações sobre o terreno e coletamos informações sobre os movimentos da população, a situação econômica e outros assuntos. Planejamos organizar o Comitê Popular de Kyonggi com pessoas da parte sul. Por outro lado, como grupos de ataque do exército fantoche frequentemente vinham à região de Namyonbaek, em Ongjin, causando desordem entre os camponeses durante o trabalho agrícola, tentamos estabelecer um sistema de milícia camponesa para garantir a independência tanto econômica quanto militar. Assim, primeiro organizamos a 10ª Unidade de Guerrilha em Namyonbaek e enviamos Maeng Jong Ho como comandante da unidade. Inspecionei esse lugar seis vezes, incentivando e mobilizando-os, e fiz com que o número de guerrilheiros chegasse a 4.000. Entretanto, eu não pensava que todos esses 4.000 seguiriam a nós. Enquanto concentrávamos muitos esforços na expansão da força armada, tentamos alcançar nosso objetivo reunindo ao nosso redor elementos descontentes que reclamavam sem fundamento e aqueles que haviam abandonado a luta na parte sul.
Promotor: Quando você tentou organizar o Comitê Popular da província Kyonggi, que expectativas tinha?
Ri Sung Yop: Eu sou originalmente da província de Kyonggi e conheço algumas pessoas ali, por isso queria criar minha própria base entre as massas. Sob o pretexto de realizar operações contra o Sul, enviaria agentes para incutir ideias de apoio a mim em cerca de 200.000 habitantes e, por meio da criação de uma independência econômica, pretendia estabelecer uma base material.
Promotor: Você pensava que isso era possível?
Ri Sung Yop: É claro que era evidente que os estadunidenses apoiariam ativamente apenas Ri Sung Man e que de modo algum dariam o poder a mim dizendo "tome, fique com ele". Mas, como eu já não tinha para onde ir, apenas tentei isso de maneira desesperada.
Promotor: O que aconteceu com a questão da transferência da 10ª Unidade de Guerrilha e da Academia Kumgang?
Ri Sung Yop: Pensei que seria melhor transferir a Academia Kumgang para um lugar mais próximo, pois ficava longe de Pyongyang, e preparar ali a insurreição armada. Tentei transferi-la, mas não consegui realizar efetivamente a mudança.
Promotor: O que você sabe sobre o assassinato de An Yong Tal?
Ri Sung Yop: Ele foi designado presidente do Comitê Popular de Kyonggi. Como circulava a opinião de que An Yong Tal era suspeito no caso da prisão do senhor Kim Sam Ryong, relatei isso a Pak Hon Yong. Como ele deu instruções para enviá-lo aos guerrilheiros e executá-lo, dei a Rim Jong Hwan instruções para executá-lo e o enviei para a frente, incorporado à sua unidade de guerrilha.
Promotor: Se o seu plano tivesse sido realizado, como pretendia resolver a relação entre o "novo governo" e o governo de Ri Sung Man?
Ri Sung Yop: Nossas tentativas, no fim das contas, não passaram de um castelo de areia. Isso porque, na Coreia do Sul, as facções de Kim Song Su e Ri Sung Man estavam lutando entre si, e os estadunidenses entregaram o poder a Ri Sung Man. Vendo isso, é evidente que os estadunidenses não nos dariam metade do poder. Os estadunidenses nos utilizarão para se opor à República e, no fim, simplesmente nos abandonarão. Noble disse "você é como Jang Myon", que tem "perspectivas para o futuro" e que "daria o poder", mas penso que isso não passava de palavras sem fundamento.
Promotor: Qual é o seu objetivo e qual seria a orientação política e a forma do novo governo que você estabeleceria depois de derrubar o atual governo?
Ri Sung Yop: Por causa dos meus próprios crimes, acabei me tornando um espião do imperialismo estadunidense e fui utilizado por eles. Se tivesse uma oportunidade de conquistar o poder, teria que tentar viver um pouco e, se não desse certo, só me restaria morrer. Embora tenha imaginado um novo governo, isso foi uma última tentativa desesperada, sem qualquer plano concreto, e, caso eu conseguisse tomar o poder, ele teria se tornado um governo que representaria os interesses da pequena burguesia.
Promotor: Segundo o depoimento de Jo Yong Bok, o acusado estava com um pé na República e outro na Coreia do Sul. O que você diz sobre isso?
Ri Sung Yop: O mundo está dividido em dois campos, e não se pode dizer que eu estava com um pé em cada lado, sendo alguém que se opunha à República e ajudava os Estados Unidos. Apenas, por ter ideias equivocadas, confiei nos estadunidenses como meus aliados e os ajudei.
Promotor: Terminei o interrogatório.
Presidente do tribunal: O advogado fará as perguntas.
Advogado Ji Yong Dae: Noble alguma vez prometeu que lhe daria alguma recompensa caso você realizasse atividades de espionagem mantendo contato com ele?
Ri Sung Yop: Ele não prometeu nenhuma recompensa econômica, mas disse que, se eu formasse um governo, me daria um cargo. Eu ter sido enganado por essas palavras lisonjeiras dos estadunidenses deve-se à minha covardia.
Advogado: Um comunista pode ter covardia?
Ri Sung Yop: Um comunista não tem covardia. Por isso, eu sou alguém que entrou no Partido por acaso e não sou um verdadeiro comunista.
Advogado: Você já havia mudado de lado antes de 15 de agosto; qual era o objetivo de voltar a participar dos trabalhos do Partido depois da derrota do imperialismo japonês?
Ri Sung Yop: Eu queria me inserir e tentar ascender na vida.
Advogado: Havia muitos partidos de direita nos quais você poderia se inserir; por que justamente entrou no Partido Comunista?
Ri Sung Yop: Porque eu sabia que os reacionários estavam destinados a desaparecer.
Advogado: Mesmo depois da morte de An Yong Tal, você continuou coletando informações de espionagem?
Ri Sung Yop: Depois disso, continuei coletando informações, mas não pude transmiti-las porque não havia ninguém a quem entregá-las.
Advogado: Você recomendou An Yong Tal para o cargo de presidente do comitê de Kyonggi?
Ri Sung Yop: Sim, eu o recomendei.
Advogado: Por que em determinada ocasião você o recomendou e, em outra, ordenou sua execução?
Ri Sung Yop: Como ele era nosso homem de confiança, em determinado momento o recomendei para um cargo elevado, mas, temendo que nossos crimes fossem revelados, ordenei sua execução para encobrir seus crimes.
Advogado: Você alguma vez fez uma autocrítica sobre o processo de seus crimes?
Ri Sung Yop: É vergonhoso dizer isso, mas fiz uma autocrítica depois da 5ª Reunião Plenária.
Advogado: Qual foi a razão para mandar Jo Yong Bok investigar as condições de vida das famílias dos reacionários?
Ri Sung Yop: Confesso que foi para coletar informações de espionagem por meios legais.
Advogado: O interrogatório terminou.
Presidente do tribunal: A ideia de tomar o poder era apenas uma fantasia, e a ideia de que vocês acabariam sendo utilizados pelos estadunidense era o que você pensava naquela época?
Ri Sung Yop: Naquela época eu não pensava assim, mas, refletindo agora, é isso que aconteceu.
Presidente do tribunal: Responda sobre suas intenções naquela época.
Ri Sung Yop: Naquela época, é claro que não era uma fantasia. Eu não acreditava integralmente em tudo o que os estadunidenses diziam, mas Noble disse que Ri Sung Man estava velho e que, fora ele, não havia ninguém de valor. Disse que eu tinha a idade de Jang Myon, era promissor e que poderiam me dar o poder. No início, acreditei que os estadunidenses fariam isso, mas, a partir do momento em que minha segurança pessoal ficou em perigo durante a Comissão Conjunta, comecei a desconfiar da atitude das tropas estadunidenses, pois elas não me ajudaram em nada. Entretanto, de qualquer maneira, o trabalho já havia começado, e eu pensava que, se o realizasse fielmente, eles me dariam algum cargo.
Presidente do tribunal: Não se tratava simplesmente de uma atitude passiva; seu objetivo não era estabelecer um governo reacionário dependendo do poder dos estadunidenses?
Ri Sung Yop: Eu tinha essa ambição. Quando as tropas estadunidenses avançassem, pretendia, coordenando-me com elas, provocar uma insurreição armada e estabelecer um governo reacionário sob as instruções das tropas estadunidenses.
Presidente do tribunal: Qual é a importância das informações de espionagem e que consequências você acha que foram provocadas ao entregá-las aos estadunidenses?
Ri Sung Yop: Primeiro, ao fornecer informações sobre a capacidade militar do Exército Popular que os estadunidenses queriam conhecer, eu lhes proporcionei vantagens. Segundo, permiti que conhecessem a situação do desenvolvimento industrial, que constitui a base estrutural da República. Terceiro, ao informar sobre os movimentos da população, permiti que conhecessem o grau de apoio popular ao governo da República.
Presidente do tribunal: Você não considera que isso era importante e tinha um significado decisivo?
Ri Sung Yop: Considero que era importante para os estadunidenses.
Presidente do tribunal: Qual era a situação política e ideológica do acusado imediatamente após 15 de agosto?
Ri Sung Yop: Fui influenciado pelas ideias de Pak Hon Yong. Ou seja, desde o período do Partido Comunista de Jangan, fui influenciado pelas ideias reacionárias de Pak Hon Yong e o considerei minha referência política.
Juiz Pak Kyong Ho: Fale sobre a relação entre o traidor da pátria Ri Sung Man e a facção de Pak Hon Yong.
Ri Sung Yop: Começarei falando sobre a situação de nossas atividades em Seul imediatamente após 15 de agosto. Era um fato que até as crianças sabiam: a Coreia foi libertada pela derrota do Japão graças ao papel decisivo das tropas soviéticas. Como exemplo, lembro-me de que, pouco antes da libertação, eu estava em algum lugar de Chungchong Sul, passando fome e deitado na beira da estrada, quando ouvi um camponês que passava dizer ao encontrar seu amigo: "Começou a guerra soviético-japonesa, então para que trabalhar?" Isso por si só permite compreender a situação.
Se Pak Hon Yong fosse realmente um comunista como ele próprio havia designado, quando as tropas soviéticas haviam entrado na Coreia do Norte, haveria necessidade de criar um Partido Comunista separadamente dentro de Seul? Naquela época, Pak Hon Yong dizia que o povo coreano não havia conseguido libertar a Coreia por suas próprias forças e, portanto, deveria fazer uma autocrítica. Mas o que o próprio Pak Hon Yong fez pelo povo coreano?
Além disso, apesar de haver patriotas que lutaram contra o imperialismo japonês no exterior, Pak Hon Yong organizou o Partido Comunista em Seul, expressando a intenção de se colocar à frente e agir como dono.
Quando, em 6 de setembro de 1945, organizamos em Seul a chamada República Popular, Pak Hon Yong também participou. Só pelo fato de que a composição do governo previa Ri Sung Man como único presidente, já não se pode considerar Pak Hon Yong um verdadeiro comunista.
O que isso expressava? Em conluio com os pró-estadunidenses e excluindo as forças democráticas, a facção de Pak Hon Yong, eu e Ri Kang Guk pretendíamos organizar uma República Popular que colocasse Ri Sung Man, Kim Ku e outros à frente.
Além disso, quando, em dezembro de 1945, saiu a decisão da Conferência dos Ministros das Relações Exteriores de Moscou sobre a questão coreana, ele se opôs a ela sem sequer conhecer seu conteúdo. Se fosse um verdadeiro comunista, deveria reconhecer que, tendo sido tomada com a participação da União Soviética, tratava-se verdadeiramente de uma decisão favorável ao povo coreano e deveria apoiá-la. Isso porque seria impossível que a União Soviética participasse de uma decisão prejudicial aos países fracos.
Apesar disso, Pak Hon Yong fez com que o Partido divulgasse uma declaração de oposição e realizou um movimento contra a tutela. Por isso, eu também apoiei os Estados Unidos e fiz uma declaração de oposição. Em última análise, significa que, sob a orientação de Pak Hon Yong, cometemos atos de traição.
É claro que nunca relatei a Pak Hon Yong nem discuti com ele minhas ações criminosas. Entretanto, é fato que Pak Hon Yong tinha hostilidade contra a República, expressava descontentamento sem fundamento e fazia vista grossa às nossas ações. Por isso, pude me tornar próximo de Pak Hon Yong e manter contatos cotidianos com ele.
Juiz: O acusado afirma que cometer atos de traição foi inevitável. Qual é a razão disso?
Ri Sung Yop: Quero dizer que, por ter uma base ideológica diferente, eu já havia desertado da revolução desde o período do imperialismo japonês e, como os estadunidenses se aproveitaram dessa minha fraqueza, depois que fui comprado por eles, não pude mais me desvencilhar e continuei cometendo crimes.
Juiz: Como você passou a realizar frequentemente conspirações e operações na casa de Pak Hon Yong?
Ri Sung Yop: No início, como eu não tinha casa, fiquei na casa de Pak Hon Yong. A sala de recepção daquela casa era utilizada como escritório de So Tok Un, onde eram realizadas as operações relacionadas com o Sul, e, sobretudo, Pak Hon Yong protegia bem elementos suspeitos como eu.
Presidente do tribunal: (Aos promotores e advogados) Se houver algo a acrescentar no interrogatório, façam as perguntas.
Promotores e advogados: Não há.
Presidente do tribunal: Suspenderemos a sessão até as 4h30 da tarde. (2h10)
Interrogatório de Ri Kang Guk
Presidente do tribunal: Daremos continuidade ao julgamento. Ri Kang Guk! Fale sobre sua trajetória.
Ri Kang Guk: Nasci em fevereiro de 1906 como o segundo filho de Ki Taek, de Joju-ri, condado de Yangju, província de Kyonggi. Quando eu tinha três anos, meu pai vendeu parte das terras e foi morar em Seul. Aos poucos, chegamos à situação de falência e passei a viver nas casas de parentes em vários lugares, incluindo Yongsan, na província de Chungchong Sul. Depois, fui transferido para a Escola Secundária Posong, onde estudei como bolsista durante todos os anos. Foi ali que as ideias democráticas começaram a se desenvolver e os sentimentos antijaponeses começaram a explodir.
Em 1930, formei-me na Universidade Imperial de Keijo. Nessa universidade, aprendi o marxismo-leninismo com o professor japonês Miyake. Criei e estudei um círculo marxista-leninista legal dentro da universidade, mas não fiz isso por ser um verdadeiro marxista-leninista; naquela época, o marxismo-leninismo estava em voga no meio acadêmico, e fiz isso por uma espécie de curiosidade e desejo de reconhecimento.
Estudei durante dois anos no laboratório de pesquisa da mesma universidade e, em 1932, graças ao apoio financeiro de meu cunhado Jo Jun Ho, fui estudar durante três anos na Universidade de Berlim, na Alemanha. Eu havia estudado o Iluminismo alemão na universidade, a Alemanha tinha um forte movimento socialista e Miyake havia retornado da Alemanha, razão pela qual fui estudar naquele país.
Cheguei à Alemanha em maio de 1932 e conheci comunistas alemães, dos quais recebi orientação. Ali, participei da Liga da Ciência Proletária e também da Associação dos Asiáticos Revolucionários. Em outubro de 1932, ingressei no Partido Comunista da Alemanha e fui responsável pelo grupo japonês. Desenvolvi atividades práticas comunistas até 1935, mas, devido às questões relativas às despesas de meus estudos, que haviam sido prometidas por apenas três anos, e porque pretendia retornar à pátria para participar do movimento, voltei à Coreia no final de janeiro de 1935.
Por ser considerado relacionado ao caso do professor Miyake, fui preso pela polícia japonesa imediatamente após retornar, mas fui libertado com suspensão do processo. Depois disso, enquanto trabalhava como funcionário de uma corretora administrada por meu cunhado Jo Jun Ho, continuei levando uma vida dissoluta.
Em abril de 1936, juntamente com Ri Ju Ha, estabeleci relações com a Organização Sindical Vermelha de Wonsan. Em outubro de 1938, o caso de Wonsan foi descoberto. Embora naquela ocasião eu devesse ter passado à clandestinidade, não o fiz e, depois de viver escondido, fui preso em novembro do mesmo ano.
Permaneci na prisão até maio de 1941, sem entregar meus companheiros. Quando a investigação preliminar foi encerrada, em maio de 1941, escrevi uma declaração de conversão dizendo: "Retiro-me do movimento prático comunista, mas não posso abandonar o marxismo", e fui libertado sob fiança.
Depois de sair da prisão em maio de 1941, fui novamente preso e, em maio de 1942, fui condenado a dois anos de prisão, com suspensão da execução da pena por cinco anos, e libertado. De maio de 1942 até 15 de agosto, não participei das reuniões de Taehwasuk nem realizei visitas a santuários. Enquanto isso, passei o tempo bebendo e jogando mahjong.
Embora eu tivesse mudado de lado durante o período do imperialismo japonês, havia jurado não colaborar com os japoneses. O apoio financeiro de Jo Jun Ho contribuiu para minha vida dissoluta, mas, por outro lado, também foi um dos fatores que impediram que eu me tornasse um colaboracionista ativo dos japoneses. No final do período colonial, preparei-me para receber a libertação junto com Jo Yong Tal.
Ao mesmo tempo que ocorreu a libertação em 15 de agosto, entrei no campo democrático. As razões foram: 1) entrei cegamente na atividade política sem sequer ter oportunidade de fazer uma crítica à minha própria vida passada; 2) como conhecia um pouco da situação mundial, compreendi que o campo democrático certamente venceria e me disfarcei de democrata, tentando temporariamente estabelecer relações com o imperialismo estadunidense como meio de alcançar minhas ambições políticas.
Sob a liderança de Ryo Un Hyong, participei dos trabalhos do Comitê Preparatório para a Fundação Nacional e também participei da organização do Partido Comunista de Pak Hon Yong. Eu não era totalmente firme, mas, de acordo com nossa orientação, procurei demonstrar entusiasmo pela democracia.
Em setembro de 1945, participei da organização da chamada República Popular e tornei-me secretário-geral. A partir de junho de 1946, trabalhei como secretário-geral do secretariado da Frente Democrática. Em setembro de 1946, após a publicação de uma declaração que expunha e condenava a política econômica de Hodge, foi emitida uma ordem de prisão contra mim e, por instrução de Pak Hon Yong, entrei na Coreia do Norte.
Depois de entrar na Coreia do Norte, trabalhei como pessoa próxima de Pak Hon Yong, de outubro de 1946 até o início de 1947. Em fevereiro de 1947, tornei-me diretor do Departamento de Relações Exteriores do Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte. A partir de setembro de 1948, fui diretor do Departamento de Regulamentos do Ministério do Comércio. Desde janeiro de 1950, trabalhei como diretor do Hospital nº 69 do Exército Popular e, a partir de janeiro de 1951, fui diretor do Hospital nº 72. A partir de novembro de 1952, trabalhei como presidente da Companhia de Importação de Produtos Gerais do Ministério do Comércio até ser preso.
Presidente do tribunal: Fale sobre as circunstâncias em que você estabeleceu contato com os espiões estadunidenses e sobre suas atividades de espionagem posteriores.
Ri Kang Guk: Se os outros acusados foram inevitavelmente reduzidos à condição de lacaios do imperialismo estadunidense, eu sou um lacaio voluntário do imperialismo estadunidense. Por isso, reconheço que sou ainda mais nocivo. A razão pela qual me tornei um lacaio do imperialismo estadunidense está no fato de ter sido fortemente influenciado pelo cosmopolitismo e de conservar fortes resquícios das ideias liberais burguesas, o que me levou a fazer uma avaliação elevada dos Estados Unidos e a alimentar a fantasia de que a Coreia seria libertada pelas forças estadunidenses.
Durante meus estudos na Alemanha, conheci um estadunidense chamado Crowley. Em nossas conversas, ele demonstrava interesse pela questão coreana e simpatia pelo marxismo, e estabeleci relações com ele. Quando retornei à Coreia em 1935, encontrei-o nos Estados Unidos. Como ele dizia estar interessado na libertação da Coreia, mantive contato com ele continuamente. Prometemos manter contato depois que eu retornasse, e foi nessa ocasião que percebi que Crowley estava ligado a uma agência de espionagem.
Também cheguei a encontrar e conversar com duas pessoas que se diziam comunistas estadunidenses. Logo após retornar à Coreia, por causa da repressão japonesa e para preservar minha vida confortável, não pude participar ativamente do movimento e também não consegui estabelecer contato com os estadunidenses. Em 1942, conheci Kim Su Im e pensei que havia encontrado uma maneira de estabelecer contato com a facção estadunidense, mas não consegui concretizá-la.
Depois da libertação de 15 de agosto, como a parte sul da Coreia estava ocupada pelo imperialismo estadunidense, passei a desejar ainda mais estabelecer contato com os estadunidenses. Entretanto, não tive uma oportunidade adequada e, com Hodge e Baird, mantive apenas relações oficiais.
Na tentativa de estabelecer contato com os estadunidenses, fiz com que Kim Su Im conseguisse emprego no Hotel Bando e outras coisas. Em junho de 1946, Kim Su Im me informou que havia estabelecido contato com o comandante da polícia militar, Baird. Encontrei-me imediatamente com Baird e prometi manter cooperação constante com ele. Entretanto, como naquela época eu criticava o governo militar estadunidense, assumi secretamente uma atitude de apoio ao governo militar estadunidense.
Depois disso, não houve oportunidades na parte sul, mas, em junho de 1946, concordei com a operação de cooperação entre esquerda e direita promovida pelo imperialismo estadunidense. Quando, em agosto e setembro de 1946, foi levantada a questão da fusão dos três partidos e o governo militar estadunidense tentou impedi-la, eu, exteriormente, apoiei ativamente a fusão dos três partidos, mas, nos bastidores, retardei esse trabalho.
Em setembro de 1946, foi emitida uma ordem de prisão. A razão foi que, embora eu pensasse em utilizar a força do imperialismo estadunidense para alcançar minhas ambições políticas e mantivesse contato com espiões estadunidenses, naquela época, enquanto ocupava publicamente o cargo de secretário-geral do secretariado da Frente Democrática, publiquei uma declaração condenando a política do governo militar estadunidense.
Quando a ordem de prisão foi emitida, por instrução do Partido para entrar na Coreia do Norte, escondi-me na casa de Kim Su Im e, por instrução de Pak Hon Yong, entrei na Coreia do Norte. Mesmo depois de entrar na Coreia do Norte, para estabelecer contato com o imperialismo estadunidense e também como meio de conseguir chegar até a Linha do Paralelo 38, fui encontrar Baird. Ele disse que não podia fazer nada porque a ordem de prisão havia sido dada por Hodge, mas propôs que continuássemos cooperando depois que eu entrasse na Coreia do Norte. Suas exigências eram: ① estabelecer uma ligação de Kim Su Im com o campo democrático; ② proteger as pessoas infiltradas pela Força Militar dos EUA na parte norte; ③ enviar os materiais de que eles necessitassem.
Em 13 de setembro de 1946, um estadunidense apresentado por Baird veio de Seul até Kaesong e, em Kaesong, entrei na Coreia do Norte com a orientação de Choe Man Yong. Depois de entrar na Coreia do Norte, contei a Pak Hon Yong que havia vindo em um carro estadunidense, mas Pak Hon Yong disse que, se eu falasse disso, levantaria suspeitas e que não havia necessidade de mencionar o assunto.
Depois de entrar na Coreia do Norte, procurei amigos, concentrando-me em elementos descontentes originários da parte sul, e estabeleci relações de amizade com Kwon O Jik, Han Pyong Uk, Jang Si U, Pak Sung Won, Rim Hwa e outros. Para cumprir as exigências de Baird, em outubro de 1946 recomendei a So Tok Un que utilizasse Kim Su Im e, em dezembro de 1946, propus a Ri Sung Yop uma maneira de apresentar Kim Su Im a ele.
De janeiro de 1947 a maio de 1948, forneci informações cinco vezes. O método consistia em utilizar Son Tae Hui, meu secretário e mensageiro de ligação do Partido: eu lhe entregava previamente os materiais de informação, ele os levava para a parte sul e os entregava a Kim Su Im, que por sua vez os transmitia a Baird.
Quanto ao conteúdo, a primeira vez foi por volta de março ou abril de 1947: o plano de desenvolvimento da economia popular de 1947.
A segunda foi em agosto de 1947: a posição do lado soviético e do lado norte-coreano na Comissão Conjunta e o organograma do Comitê Popular da Coreia do Norte.
A terceira foi em dezembro de 1947: informações detalhadas sobre a Academia Kumgang, incluindo o fato de que seu treinamento militar era semelhante ao das tropas regulares.
A quarta foi em março de 1948: a situação da execução do plano da economia popular de 1947.
A quinta foi em agosto de 1948: documentos para as eleições gerais de 25 de agosto e decisões do Comitê Popular da Coreia do Norte de 1948, incluindo a decisão sobre a nomeação de quadros. Além disso, havia dois documentos falsificados: ① a alegação de que havia interferência do comando das tropas soviéticas; ② a alegação de que havia grande descontentamento entre o povo porque a reforma monetária havia confiscado os bens dos pequenos comerciantes e artesãos.
A verdadeira natureza das minhas ações não surgiu de um dia para o outro, e, por estar ligado ao imperialismo estadunidense, pude fornecer facilmente os materiais que havia coletado. Depois de agosto de 1948, não consegui mais manter contato. Depois disso, a operação foi interrompida, mas isso não ocorreu porque eu tivesse rompido com ela; foi porque, em consequência do meu fracasso político, fiquei retraído.
Em julho de 1948, os espiões estadunidenses Alice Hyon e Ri Sa Min, enviados pelos militares estadunidenses, vieram me visitar. Em 1950, essas pessoas vieram novamente e, dando a entender que sabiam que eu mantinha relações com os militares estadunidenses, disseram que eram espiões dos militares estadunidenses e pediram minha cooperação. Depois de pensar cuidadosamente, respondi que nos encontraríamos posteriormente. Como eles não voltaram depois disso, não cheguei a estabelecer contato de espionagem com eles.
Em junho de 1951, fui ao Departamento de Organização do Partido e encontrei Ri Sung Yop. Ri Sung Yop disse que não seria bom que nos encontrássemos com frequência e que, se houvesse materiais a transmitir, eu deveria entregá-los por intermédio de Rim Hwa. Nesse momento, intuí que os "materiais a transmitir" significavam materiais de espionagem e concordei.
As razões pelas quais intuí que se tratava de materiais de espionagem foram: ① depois que apresentei Kim Su Im a Ri Sung Yop, ele havia dito que havia incorporado Kim Su Im; ② como não tinha recebido notícias de Kim Su Im desde agosto de 1948, pensei que ela havia rompido o contato comigo e estabelecido contato direto com Ri Sung Yop; ③ Ri Sung Yop certa vez me aconselhou a ter cuidado com minha segurança; ④ Ri Sung Yop fazia esforços para me utilizar.
Quanto à exigência de Ri Sung Yop, pensei que ele não estava solicitando informações de grande importância. Entretanto, quanto à minha suspeita de que Ri Sung Yop era um espião, eu estava certo ao pensar que ele era um lacaio do imperialismo estadunidense, mas estava errado ao pensar que ele havia se tornado espião somente depois de eu apresentá-lo a Kim Su Im. Certa vez cheguei a me atormentar pensando se Ri Sung Yop havia se tornado espião porque Baird o havia apresentado a Kim Su Im.
Pensei que bastaria aproveitar a opinião pública geral e contei a Rim Hwa tudo o que eu havia visto, ouvido e sentido, deixando que Rim Hwa selecionasse os materiais e os entregasse a Ri Sung Yop. O conteúdo que transmiti a Rim Hwa era o mesmo que consta de seu depoimento.
Presidente do tribunal: Promotor, faça as perguntas.
Promotor: Como se vê na trajetória apresentada pelo acusado em seu depoimento, não há contradição entre o caminho que ele percorreu e suas ações concretas?
Ri Kang Guk: Há contradição.
Promotor: Qual foi o objetivo de estudar no exterior e a razão para participar do grupo comunista?
Ri Kang Guk: Eu pretendia estudar o marxismo, mas, ao fazer uma crítica às minhas atividades posteriores, reconheço que não o fiz por interesses de classe ou pela revolução coreana, mas porque fui atraído pela corrente do marxismo como uma espécie de moda, movido por desejo de reconhecimento e ambição de ascensão.
Promotor: Qual foi o objetivo de participar do caso sindical junto com Ri Ju Ha em maio de 1941?
Ri Kang Guk: Não foi pela revolução, mas por desejo de reconhecimento e ambição política.
Promotor: Qual foi a razão para apoiar, logo após a libertação, a tese de Pak Hon Yong intitulada "A situação atual e nossas tarefas"?
Ri Kang Guk: Isso se deveu à minha ideologia oportunista e de traição e ao fato de eu não ter compreendido claramente a situação após 15 de agosto. Por outro lado, eu previa que, se permanecesse junto de Pak Hon Yong, poderia realizar meu desejo de ascensão. Por isso, embora soubesse que o conteúdo daquela tese era antipartidista e oportunista e que sua linha transformava o Partido em um partido pequeno-burguês, apoiei-a incondicionalmente.
Promotor: Como você avaliava a tese de Pak Hon Yong?
Ri Kang Guk: Desde quando discutimos o projeto da tese, eu pensava que ela era abertamente direitista, sectária e totalmente antipartido, e foi assim que a avaliei.
Entretanto, apoiei-a porque meu desejo de ascensão era maior do que os interesses da revolução e, para alcançá-lo, procurei agradar Pak Hon Yong.
Promotor: (Ao presidente do tribunal) Gostaria de fazer algumas perguntas a Ri Sung Yop.
Presidente do tribunal: Ri Sung Yop!
Ri Sung Yop: Sim!
Promotor: Você reconhece que pediu a Ri Kang Guk que enviasse materiais de espionagem por intermédio de Rim Hwa?
Ri Sung Yop: Sim, reconheço.
Promotor: Quantas vezes você recebeu os materiais de espionagem enviados por Ri Kang Guk?
Ri Sung Yop: Recebi quatro vezes por intermédio de Rim Hwa.
Promotor: O interrogatório de Ri Sung Yop terminou.
Presidente do tribunal: Ri Sung Yop! Sente-se.
Promotor: Fale sobre o que você relatou a Pak Hon Yong depois de entrar na Coreia do Norte.
Ri Kang Guk: Não relatei tudo o que havia feito na parte sul, mas apenas alguns fatos e que havia vindo em um carro estadunidense por intermédio de uma mulher próxima. Quando contei isso, Pak Hon Yong me aconselhou a nunca falar sobre isso em outro lugar e perguntou quem era essa mulher. Respondi que era uma mulher que, de modo geral, poderia ser utilizada dentro do Partido.
Promotor: Desde quando você sabia que Ri Sung Yop era o chefe dos espiões?
Ri Kang Guk: Desde setembro de 1948, eu pensava que ele havia caído nas mãos dos espiões estadunidenses, mas somente em julho de 1951, quando recebi dele instruções sobre a coleta de informações, compreendi precisamente que ele era um espião.
Promotor: O acusado disse que havia se juntado voluntariamente ao imperialismo estadunidense. Qual é a diferença entre você e os outros acusados?
Ri Kang Guk: Ideologicamente, eu era pior que os outros acusados, era ainda mais nocivo e, antes mesmo da libertação, já havia me tornado um espião.
Promotor: Você reconhece ter estabelecido contato com espiões internacionais?
Ri Kang Guk: Sim, reconheço.
Promotor: Depois disso, você ouviu notícias de Kim Su Im?
Ri Kang Guk: Ouvi. Soube que Kim Su Im havia sido executada pelos estadunidenses em 1950.
Promotor: Você recebeu materiais de espionagem de Han Pyong Uk, Jang Si U e outras pessoas?
Ri Kang Guk: Não os recebi diretamente deles; coletei essas informações durante nossas conversas.
Promotor: Por que entregou as informações coletadas a Ri Sung Yop?
Ri Kang Guk: Para fornecê-las ao imperialismo estadunidenses.
Promotor: O interrogatório terminou.
Presidente do tribunal: O advogado fará as perguntas.
Advogado Kim Pyong Ok: Depois de estabelecer contato com Baird, você não forneceu informações na parte sul?
Ri Kang Guk: Naquela época, não.
Advogado: Qual foi a razão para apresentar Kim Su Im a Ri Sung Yop?
Ri Kang Guk: Foi para ligar Kim Su Im ao Partido do Trabalho da Coreia do Sul, conforme exigência de Baird.
Advogado: O interrogatório terminou.
Presidente do tribunal: Você realizou, depois de entrar na Coreia do Norte, as tarefas que havia recebido de Baird?
Ri Kang Guk: Realizei.
Presidente do tribunal: Você reconhece a acusação de que realizava atos de maquinação regularmente?
Ri Kang Guk: Sim, reconheço. Os envolvidos nisso eram Ri Won Jo, Pak Sung Won, Han Pyong Uk, Kwon O Jik e outros, que eram seguidores diretos de Pak Hon Yong.
Presidente do tribunal: Qual é a essência da verdadeira natureza do acusado?
Ri Kang Guk: Sou um típico lacaio do imperialismo estadunidense.
Juiz Pak Kyong Ho: Kim Su Im é esposa do acusado?
Ri Kang Guk: Não é minha esposa, apenas minha amante.
Juiz: Qual é a verdadeira identidade de Crowley, Alice Hyon, Ri Sa Min (William Ri) e outros?
Ri Kang Guk: Todos eles são espiões estadunidenses.
Juiz: Quem estava por trás de suas atividades criminosas?
Ri Kang Guk: Pak Hon Yong. Ele nunca me disse diretamente para me tornar um lacaio do imperialismo estadunidense, mas pode-se dizer que ele era o garantidor de nossas atividades de espionagem, pois nos orientava em uma direção impura, procurava reunir elementos impuros ao seu redor utilizando-os, não fazia crítica nem revisão de suas atividades sectárias e considerava como sua conduta confiar neles incondicionalmente. Além disso, quando Ri Sung Yop e Jo Il Myong foram presos em Seul no início de 1946, Pak Hon Yong protestou no Norte contra a prisão deles e, depois que foram libertados, não houve qualquer revisão de suas condutas.
Presidente do tribunal (a Ri Sung Yop e Rim Hwa): Vocês têm alguma opinião sobre o que Ri Kang Guk declarou?
Ri Sung Yop: Rim Hwa: Não temos.
Presidente do tribunal: Declaro um intervalo de 30 minutos. (6h30)
* ```
*
```
Presidente do tribunal: Daremos continuidade à audiência. (7h)
Advogado Kim Mun Pyong: Rim Hwa não está em boas condições de saúde, por isso peço que lhe seja permitido retirar-se da sala para receber tratamento.
Presidente do tribunal: Qual é a opinião do promotor?
Promotor: Não tenho objeções.
Presidente do tribunal (a Rim Hwa): Retire-se para receber tratamento.
Interrogatório de Pae Chol
Presidente do tribunal: Pae Chol! Fale sobre sua trajetória.
Pae Chol: Nasci em 6 de janeiro de 1912 na cidade de Kaesong, em uma família de trabalhadores. Quando eu tinha sete anos, meu pai ingressou no Hospital Namsan de Kaesong e começou a professar o cristianismo. Como, a partir dos meus dez anos, ele atuava como evangelista cristão, nossa vida tornou-se próspera.
Depois disso, devido à sua vida dissoluta, meu pai perdeu o cargo de evangelista e começou a trabalhar no comércio de artigos diversos. Com isso, nossa família tornou-se ainda mais rica.
Em um ambiente como esse, desde pequeno fiquei imbuído de ideias pequeno-burguesas, e foram cultivados os elementos que me levaram a cometer, como hoje, crimes contra o Partido e o Estado.
Em 1927, concluí a escola primária e, em abril do mesmo ano, ingressei na Escola Secundária Central de Seul. Enquanto estudava, fui influenciado pelas ideias nacionalistas de Kwon Do Kyu. Por ter participado de uma greve escolar conjunta, fui suspenso. Depois, em abril de 1928, transferi-me para a Escola Secundária Songdo de Kaesong, onde, após conhecer Pak Rak Su, recebi formação marxista-leninista e organizei um círculo de leitura. Durante o Incidente Estudantil de Kwangju de 1929, como responsável pelo comitê de luta da Escola Secundária Songdo, organizei greves escolares conjuntas, manifestações e outras ações, sendo preso pela polícia e mantido detido por quatro meses, após o que fui libertado sem ser indiciado. Depois, estudei em uma escola para jovens ligada ao cristianismo em Seul e, em março de 1931, fui para o Japão, onde ingressei no curso noturno de Sociologia da Universidade Nihon. Ali participei da luta estudantil de esquerda, mas isso não partiu de eu estar ideologicamente armado; fui simplesmente arrastado pelo movimento de esquerda, que era uma espécie de moda entre os estudantes.
Depois de ingressar na Liga da Juventude Comunista e realizar suas atividades, fui preso e mantido detido por quatro meses. Fui libertado em abril de 1932 e, em outubro do mesmo ano, ingressei no Partido Comunista Japonês. Enquanto trabalhava no secretariado da filial de Kanto da Liga Anti-Imperialista, fui novamente preso e libertado sem ser indiciado em junho de 1933. Em setembro daquele ano, retornei à Coreia e, em setembro de 1934, trabalhei como professor na Academia Kwangsong, mas me demiti devido à interferência da polícia. No início de 1935, fui para o Japão e entrei como trabalhador na fábrica da Companhia de Fundição de Tóquio, com o propósito de trabalhar e tornar-me marxista-leninista. Durante quatro anos de trabalho, conquistei trabalhadores de primeiro, segundo e terceiro escalões para o campo de esquerda e fui demitido devido a uma luta por subsídios de fim de ano. Depois disso, encontrei camaradas da luta contra o imperialismo japonês, organizei células e me empenhei na coleta de materiais acadêmicos e literários. Em abril de 1940, fui preso e, um ano depois, libertado sem ser indiciado. Em julho de 1941, enquanto trabalhava como operário em uma fábrica de gelo da Companhia Pesqueira do Japão, estabeleci contato e desenvolvi atividades com Kim Kyong Jae, Kim Myong Hwa e Kojima Kiji.
Após 15 de agosto, no Japão, organizei a Liga dos Coreanos Residentes no Japão. Assumi o cargo de chefe do Departamento de Organização Central da Liga e de responsável financeiro do Comitê de Auxílio aos Combatentes Patrióticos, além de participar da Associação de Luta pela Salvação das Personalidades Democráticas. Em 14 de outubro de 1945, tornei-me membro do Comitê Coreano do Partido Comunista Japonês e, sob as instruções da Liga dos Coreanos Residentes no Japão, fui para Seul em janeiro de 1946 como presidente do Comitê de Seul da Liga dos Coreanos Residentes no Japão. Depois de atuar como membro do Comitê Executivo da Frente Democrática, trabalhei como vice-presidente da Liga de Seul. Em outubro de 1947, por instrução do Partido, fui enviado como orientador responsável do Comitê Partido da província de Kyongsang Norte. Depois da luta contra as eleições separadas de 10 de maio de 1948, fui para a província de Jolla Sul, assumindo a responsabilidade pelo Comitê do Partido da província. Fui preso pela polícia, mas fui libertado por volta das eleições de 25 de agosto, disfarçado de comerciante. Depois, atuei como presidente do Comitê do Partido da província de Kyongsang Norte. Em 31 de agosto de 1950, entreguei os trabalhos do comitê provincial ao presidente do Comitê Popular e, após partir em 24 de setembro, retornei e, passando pelo cargo de chefe do Departamento de Orientação da Guerrilha do Comando Supremo, trabalhei como diretor do Departamento de Ligação até ser preso em agosto de 1951.
Presidente do tribunal: Fale sobre o fato de ter traído a pátria e o povo e planejado uma revolta armada.
Pae Chol: No final de agosto de 1951, planejei uma revolta armada juntamente com Ri Sung Yop. Essa conspiração havia começado logo após 25 de junho.
Ao recordar os crimes históricos que me conduziram até essas atividades conspiratórias, no primeiro dia em que me tornei diretor do Departamento de Ligação, Pak Hon Yong disse que, embora fosse difícil orientar a partir do Norte enquanto o Partido na parte sul havia sido destruído, isso precisava ser feito. Disse também para reunir os quadros importantes na Academia Kumgang. Ri Sung Yop disse que, no Sul, o partido clandestino e as guerrilhas constituíam uma única estrutura unificada e que era incorreto separá-los, chegando a dizer que, se houvesse um armistício, bastaria que nos dessem Kaesong. As palavras de Pak Hon Yong significavam concentrar nossas forças no Norte, isto é, não enviar quadros importantes para o Sul, mas reuni-los na Academia Kumgang para atuar.
Essa maquinação estava ligada à revolta armada. No final de agosto de 1951, Ri Sung Yop me chamou, juntamente com Pak Sung Won, para discutir o projeto de uma decisão do Comitê Político intitulada "Sobre a política de fortalecimento do trabalho do nosso Partido nas regiões libertadas". Quando chegamos, Rim Hwa já estava lá.
Naquela ocasião, não apenas elaboramos a decisão do período de guerra de modo que pudesse ser aplicada às atividades conspiratórias de nossos elementos criminosos, como também, partindo de acusações infundadas contra o governo da República relacionadas à condução da guerra, apresentei a intenção conspiratória de derrubar o regime existente. Todos aprovaram isso e concordaram com a resolução de organizar e promover uma revolta armada. Naturalmente, isso era para realizar a linha política traidora de Pak Hon Yong. Então, quanto à questão de saber se as condições para organizar a revolta estavam objetivamente maduras naquela época, acreditávamos firmemente que estavam. E por quê?
1. Existia a condição de poder realizar isso tendo o imperialismo estadunidense como apoio e sob sua proteção, aproveitando as difíceis condições causadas pela guerra.
2. Através de duas retiradas, a maioria de nossos homens de confiança que estavam na Coreia do Sul havia entrado na Coreia do Norte, formando a base de nossas forças.
3. Com a organização do Departamento de Ligação, o Partido clandestino e as guerrilhas da parte sul foram colocados diretamente sob a liderança de Pak Hon Yong e Ri Sung Yop, e as forças armadas distribuídas entre as guerrilhas e cada posto de ligação estavam sob nosso comando, havendo também a possibilidade de expandi-las rapidamente.
Com base nesses pontos, concluímos que as condições para a organização da revolta estavam maduras. Isso foi um crime realizado inteiramente com base na linha de Pak Hon Yong e sob seu comando.
Como prova desse fato, em certa ocasião Pak Hon Yong nos instruiu a não enviar quadros das guerrilhas para a Coreia do Sul. Analisando isso, significava que deveríamos concentrar nossas forças. Além disso, Pak Hon Yong disse que, com a morte de Kim Sam Ryong e Ri Ju Ha, nosso grupo havia, na realidade, sido praticamente destruído na parte sul. Analisando isso, significava que os quadros partidários restantes deveriam todos se reunir em torno de Pak Hon Yong. Há ainda vários outros exemplos. Naquela época, havia justamente rumores de que Ri Sung Yop seria nomeado vice-primeiro-ministro. Nesse caso, excetuando-se o próprio primeiro-ministro, parecia que o poder efetivo do Gabinete acabaria sendo controlado por pessoas oriundas da Coreia do Sul, e consideramos isso uma oportunidade para tomar o poder por meios legais. Entretanto, Ri Sung Yop não se tornou vice-primeiro-ministro.
Aqui decidimos intensificar e fortalecer ainda mais os métodos da revolta armada e, por volta do final de agosto de 1951, decidimos levá-la adiante aproveitando a ofensiva de grande escala do imperialismo estadunidense.
Depois disso, no início de setembro de 1951, reunimo-nos no escritório de Ri Sung Yop — Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Rim Hwa, eu e Pak Sung Won — e realizamos uma discussão sobre a revolta armada. Assim, distribuímos as tarefas: organizar o comando da revolta; colocar o estado-maior da revolta no Departamento de Ligação do Partido; reunir as forças armadas com a 10ª unidade de guerrilha da Academia Kumgang e os membros de cada posto de ligação; e realizar a revolta aproveitando a grande ofensiva das forças estadunidenses e o momento de confusão dos órgãos do Partido e do poder estatal. Naquela ocasião, os elementos culturais impuros, tendo Rim Hwa à frente, ficaram encarregados de realizar um trabalho de propaganda favorável ao êxito da revolta. Para isso, planejamos reunir em torno de Pak Hon Yong e Ri Sung Yop todas as forças dos quadros oriundos da parte sul e dos membros dos comitês provinciais do Partido da Coreia do Sul, até o último dos elementos impuros, utilizando métodos de propaganda que distorcessem as políticas do Partido e do poder estatal existentes. Eu calculei que, para realizar esse trabalho, seria possível alcançar plenamente esse objetivo utilizando o Departamento de Ligação do Partido.
Naquela reunião, Ri Sung Yop propôs que, como as forças estadunidenses pretendiam desembarcar nas regiões de Wonsan e Anju e ocupar a Coreia dividindo-a em duas, seria necessário deslocar nossas forças armadas para perto de Pyongyang.
Aprovamos integralmente a proposta de Ri Sung Yop e decidimos transferir a Academia Kumgang para as proximidades de Pyongyang. Entretanto, depois, como a ofensiva estadunidense se tornou impossível devido à firme defesa do Exército Popular na situação da frente de batalha, acabamos transferindo-a para Sohung, onde havia uma base econômica sólida.
Devido a essa situação na frente de batalha, adiamos temporariamente a revolta armada e decidimos continuar fortalecendo nossas forças. Paralelamente, para realizar a revolta armada, selecionamos em grande número pessoas confiáveis entre os guerrilheiros e as reunimos na Academia Kumgang, aumentando o efetivo da Academia Kumgang para até 1.200 pessoas.
Ao mesmo tempo, para fortalecer as forças armadas, planejamos duplicar o Departamento de Ligação do Partido e decidimos aumentar o número de membros dos postos de ligação de 20 para 80 pessoas, realizando esse trabalho sob as instruções de Ri Sung Yop. Além disso, planejamos aumentar a 10ª unidade para uma força de 5.000 pessoas até o final de 1952. Assim, estabelecemos um plano para aumentar nossas forças armadas de 300 para 6.000 pessoas até o final de 1952. Esse fortalecimento das forças era realizado paralelamente ao trabalho de reforçar nossa base dentro do Departamento de Ligação, pois o Departamento de Ligação deveria desempenhar o papel de estado-maior. Dessa maneira, mediante as atividades ativas de Pak Hon Yong e Ri Sung Yop, o quadro do Departamento de Ligação foi aumentado de 20 para 60 pessoas.
Cerca de 60% desse pessoal era constituído por elementos que nos eram firmemente leais, entre os quais havia até ex-membros da polícia militar japonesa e até pessoas oriundas de famílias de grandes proprietários de terras. Dessa maneira, reunimos em nossas fileiras elementos extremamente impuros, chegando inclusive a incorporar policiais japoneses de caráter particularmente nocivo. Ao mesmo tempo, decidimos reunir, de modo geral, também os quadros de nível superior, intermediário e outros oriundos da parte sul. Para esse trabalho de fortalecimento das forças, no aspecto ideológico, introduzimos as ideias carreiristas de Pak Hon Yong e os conduzimos numa direção carreirista. Além disso, ao incutir a ideia nacionalista antissocialista de "A parte sul pertence ao povo da parte sul", tramamos a confrontação entre Norte e Sul. Depois, ao propagandear que os membros do Partido do Trabalho da Coreia do Sul não poderiam alcançar posições de destaque na Coreia do Norte, provocamos descontentamento entre eles e, por meio disso, fizemos uma tentativa sinistra de reuni-los em torno de nós. Dessa maneira, não apenas utilizamos métodos ideológicos para reunir forças, mas também passamos a empregar vários métodos econômicos para reunir elementos impuros.
Utilizando os recursos destinados ao Partido, distribuíamos diversos tipos de benefícios aos membros do Partido do Trabalho da Coreia do Sul, dizendo: "O governo da República não presta nenhuma assistência econômica, sem levar em consideração as difíceis condições dos membros do Partido da parte sul." Desse modo, procurávamos incutir neles a percepção de que somente o grupo de Pak Hon Yong e Ri Sung Yop era seu salvador, tentando assim reuni-los em torno de nós. Para consolidar nossa concentração de forças, aplicávamos o método de reprimir severamente até mesmo os menores opositores existentes em nossas fileiras.
Em terceiro lugar, para fortalecer as forças já reunidas, realizamos um trabalho de educação antipartidária. Seu conteúdo consistia em, por meio de publicações e outros diversos meios de propaganda, não divulgar de modo sobre o Marechal Kim Il Sung e sua história de luta como líder do povo, mas propagandear que era preciso lutar e morrer como Kim Sam Ryong e Ri Ju Ha, que o verdadeiro protagonista estratégico da revolução coreana era Pak Hon Yong e que nossas unidades deveriam manter a honra de serem dirigidas por Ri Sung Yop. Dessa maneira, procurávamos paralisar a consciência de classe dessas pessoas e, ao mesmo tempo, educá-las e incitá-las ao culto a Pak Hon Yong e Ri Sung Yop. Como resultado dessa educação, chegou-se inclusive a lançar, na 10ª unidade, um movimento para enviar mensagens de lealdade e felicitações a Pak Hon Yong e Ri Sung Yop.
A terceira categoria de atos criminosos no âmbito das atividades conspiratórias destinadas à reunião de forças estava relacionada à questão da organização do Comitê Popular da província de Kyonggi. Pretendíamos organizar, na zona libertada tendo Kaesong como centro, um Comitê Popular da província de Kyonggi, nomeando Pak Sung Won como presidente do Comitê Popular de Kyonggi e selecionando e colocando elementos impuros nos demais cargos de direção. Além disso, pretendíamos colocar elementos impuros como presidentes dos comitês populares das cidades e condados subordinados, criando assim em Kyonggi nossa base de poder, ou seja, uma base econômica e política. Com o objetivo de legalizar isso, Ri Sung Yop foi até a região libertada de Kyonggi e pressionou os trabalhadores partidistas de cada cidade e condado da zona libertada a criarem as bases materiais necessárias para o surgimento do Comitê Popular da província de Kyonggi, fazendo-os inclusive coletar os materiais necessários. Dessa maneira, elaboramos esse plano e exigimos que o Partido e o governo o adotassem. Entretanto, isso não chegou a ser realizado.
Em seguida, há a questão da organização do "novo Gabinete", no outono de 1952, cujo conteúdo é o mesmo já declarado pelos demais coacusados.
Presidente do tribunal: Fale sobre a situação dos atos terroristas, incluindo o massacre de pessoas inocentes.
Pae Chol: Para realizar nossa conspiração política, organizamos amplamente incidentes de terror e massacres. Como exemplo, quando, em outubro de 1952, o comandante da 10ª unidade, Maeng Jong Ho, veio ao meu escritório no Departamento de Ligação, eu lhe disse que já conhecia o fato de que havia muitas mulheres no comando da 10ª unidade. Depois de verificar a situação, ordenei que ele tomasse providências imediatas para eliminar aquilo.
A razão disso foi, primeiramente, porque temíamos que, ao surgir uma tendência de confraternização com as unidades de comando, a autoridade dos comandantes diminuísse e os membros comuns deixassem de executar fielmente suas orientações; em segundo lugar, porque nossas intrigas e conspirações políticas poderiam ser reveladas ao exterior por meio daquelas mulheres, e também porque havia o temor de que a autoridade dos quadros, tendo Ri Sung Yop como figura principal, pudesse ser diminuída. Além disso, havia uma mulher chamada Kim Jong Suk, que era secretária técnica de Ri Sung Yop, e, como se dizia que ela andava de um lugar para outro espalhando que havia sido infectada pela espionagem por Ri Sung Yop, ordenei que Kim Jong Suk também fosse devidamente tratada, pois temia que, se ela fosse deixada em liberdade, o conteúdo de sua vida pessoal licenciosa com Ri Sung Yop fosse revelado e, consequentemente, a autoridade de Ri Sung Yop diminuísse, além de haver preocupações quanto à preservação do segredo. Disseram-me que Ri Kwang Ho (pseudônimo Ri Chol), chefe do Estado-Maior da 10ª Unidade, havia tentado roubar automóveis e sal das forças de apoio e provocado um incidente de disparos de pistola na zona desmilitarizada. Como temia que, por causa desse fato, os órgãos internos inspecionassem as atividades da 10ª Unidade e descobrissem até mesmo nossos crimes, ordenei também que ele fosse devidamente punido. Depois, um chefe de posto de ligação trouxe-me um tal membro So, dizendo que ele havia se tornado um traidor. Temendo que, se o entregássemos ao Ministério do Interior, nossos segredos fossem descobertos, dei instruções a Yun Sun Tal e ao chefe do posto de ligação para que o punissem. A expressão "tratar devidamente", mencionada acima, era um termo usado entre nossos elementos subversivos, e significava simplesmente massacrar.
Quanto à relação com Pak Hon Yong, ele não nos dava publicamente instruções para nossas conspirações políticas e atividades de espionagem.
Entretanto, desde logo após a libertação, Pak Hon Yong nos protegia da mesma maneira e estimulava nossas ações subversivas; isto é, desempenhava secretamente um papel de organização e liderança. Isso é evidente com base no meu depoimento acima e nos depoimentos dos corréus.
Além disso, Pak Hon Yong tentou fazer uma resistência desesperada até o fim, isto é, depois da 5ª Reunião Plenária, em vez de criticar as tendências subversivas, disse a Pak Song Won que agora não lhe restava outra coisa senão dedicar-se à agricultura, fazendo assim uma última resistência desesperada.
Presidente do tribunal: O promotor fará as perguntas.
Promotor: Você realizou propaganda e agitação contra o Estado?
Pae Chol: Sim, realizei. Quando eu, Ri Sung Yop, Pak Sung Won, Yun Sun Tal e outros nos reuníamos, fazíamos habitualmente declarações contra o Estado.
Promotor: O que significa a expressão "tratar"?
Pae Chol: Era um termo que significava "massacrar" e que era usado entre nós.
Promotor: (A Ri Sung Yop, Jo Il Myong e Pak Sung Won) Vocês reconhecem os atos criminosos dos acusados apontados no depoimento de Pae Chol?
Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Pak Sung Won: Sim, reconhecemos.
Promotor: O interrogatório terminou.
Presidente do tribunal: O advogado fará as perguntas.
Advogado Jong Yong Hwa: Diz-se que o acusado era responsável pela organização militar na conspiração de um levante armado. O acusado possui conhecimentos de técnica militar?
Pae Chol: Não possuo muitos conhecimentos de técnica militar.
Advogado: Quanto o acusado desviou das finanças do partido para a conspiração política?
Pae Chol: Desviei aproximadamente 1.450.000 wons.
Presidente do tribunal: Na conspiração política que tinha Pak Hon Yong e Ri Sung Yop como figuras centrais, o que o acusado pretendia alcançar?
Pae Chol: Era exatamente o mesmo que Pak Hon Yong e Ri Sung Yop pretendiam alcançar.
Em outras palavras, pretendia derrubar o atual partido e governo e, estabelecendo um regime pequeno-burguês, realizar suas ambições políticas baseadas no carreirismo e no desejo de fama.
Presidente do tribunal: O acusado participou desta conspiração política sob coação ou participou voluntariamente?
Pae Chol: Participei voluntariamente.
Presidente do tribunal: Qual foi o seu papel nela?
Pae Chol: Fui mais ativo do que qualquer outro nessa conspiração e desempenhei um papel de liderança, manifestando intensa hostilidade contra aqueles que se opunham a nós.
Presidente do tribunal: Em que período pretendiam aproveitar para realizar o levante armado?
Pae Chol: Pretendíamos aproveitar o período da invasão das tropas estadunidenses.
Presidente do tribunal: Você considerava que as ambições dos acusados poderiam ser concretizadas?
Pae Chol: Naquela época, eu considerava que sim. Entretanto, depois de ser detido e refletir sobre isso, penso que não passava de uma ilusão semelhante à de um sapo dentro de um poço.
Juiz Pak Kyong Ro: Por que a casa de Pak Hon Yong foi sempre escolhida como esconderijo?
Pae Chol: A casa de Pak Hon Yong era adequada para garantir o sigilo e, por outro lado, contávamos com o apoio ativo de Pak Hon Yong.
Juiz: Qual foi a razão para organizar o gabinete de Pak Hon Yong?
Pae Chol: Isso ocorreu porque o objetivo de nossas atividades conspiratórias era justamente organizar um gabinete desse tipo.
Juiz: Ao organizar esse gabinete, que atitude vocês pensavam que Pak Hon Yong adotaria?
Pae Chol: Considerávamos que Pak Hon Yong apoiaria isso, porque esse governo se baseava firmemente nas condições que ele próprio havia apresentado.
Juiz: Qual é a natureza do novo gabinete?
Pae Chol: Trata-se de um regime fantoche burguês e reacionário, instrumento dos imperialistas estadunidenses, que não tem nenhuma relação nem com a classe proletária, nem com o comunismo, nem com o povo, nem com a democracia.
Presidente do tribunal: (Aos promotores e advogados) Não há mais perguntas?
Promotor e advogados: Não.
Presidente do tribunal: Declaro suspensa a sessão até as 10 horas da manhã de amanhã.
⏤ Terceiro dia, 5 de agosto de 1953 ⏤
Presidente do tribunal: Declaro aberta a audiência do terceiro dia.
(O presidente do tribunal confirmou a presença dos acusados e das testemunhas e, em seguida, mandou as testemunhas retirarem-se para uma sala separada.)
Interrogatório de Maeng Jong Ho
Presidente do tribunal: Maeng Jong Ho! Fale sobre sua trajetória.
Maeng Jong Ho: Nasci em 10 de agosto de 1911, no condado de Kyongsong, província de Hamgyong Norte, como filho mais velho de Maeng Kyong Jae, que trabalhava como auxiliar de prisão em Ranam. Aos seis anos, ingressei em uma escola particular de ensino de chinês clássico e, aos onze anos, entrei na escola primária, concluindo-a aos quinze anos. Em seguida, ingressei na Escola Secundária Superior de Kyongsong e, enquanto estudava, aos dezessete anos, participei de uma greve estudantil, pela qual fui suspenso por um ano. Depois, por causa do Incidente Estudantil de Kwangju, cumpri um ano de prisão na prisão Sodaemun, em Seul. Ao retornar à minha cidade natal, comecei o movimento clandestino a partir da organização de um pequeno grupo de jovens trabalhadores juntamente com os jovens do vilarejo e participei da organização da Shinganhoe.
Depois disso, trabalhei como aprendiz de carpinteiro em uma fábrica de carroças. Em 1932, fui para Juyun, onde conheci Jong Chang Sop, Pak Chi U e Jang Ki Nam, entre outros, e, juntamente com eles, organizei e desenvolvi atividades no Conselho Trabalhista de Kyongsong. Em abril de 1934, fui preso pela Delegacia de Polícia de Ranam e cumpri quatro anos de prisão na penitenciária de Hamhung. Fui libertado no início de janeiro de 1939 e retornei à minha cidade natal, onde não apenas participei ativamente das atividades da Liga de Proteção do Pensamento da região de Kyongsong, como também fui a Juyun, em Hamgyong do Norte, e trabalhei durante um ano no comércio de alimentos.
Depois disso, fui para Namyang, onde administrei um estabelecimento de vendas por consignação. Em seguida, fui para Seul e, de 1944 a abril de 1945, fingindo publicamente administrar uma empresa de mineração, viajei secretamente para a Manchúria, sob a proteção da polícia japonesa, dedicando-me ao comércio de ópio. Depois disso, em maio de 1945, encontrava-me como proprietário de uma mina no condado de Yanggu, na província de Kangwon, quando recebi a libertação de 15 de agosto.
Após a libertação de 15 de agosto, fui para Seul, apresentei minha trajetória e ingressei no Partido Comunista da Coreia. Depois, em março de 1946, atuei como vice-presidente do Comitê de Jung-gu, em Seul. No final de abril de 1947, tornei-me presidente do mesmo comitê e, a partir de agosto daquele ano, atuei como presidente do Comitê do Partido na província de Kangwon do Sul. Em novembro de 1947, por ordem do partido para ingressar no Norte, fui para o Norte e, depois de concluir a Academia Kangdong, trabalhei de maio de 1948 a setembro de 1949 como responsável por Yangyang, no centro de operações da Coreia do Sul. Após ir para Hamgyong do Norte, para me tratar de uma doença, retornei a Pyongyang e trabalhei no Departamento de Ligação. Em setembro de 1949, parti como instrutor político de uma unidade guerrilheira e, em novembro daquele ano, retornei ao Norte. Em março de 1950, pertencendo à unidade de Kom Sang O, participei da luta guerrilheira no monte Odae. Após o início da Guerra de Libertação da Pátria, fui para Seul e trabalhei como comandante de uma unidade guerrilheira, até encontrar Pak Hon Yong, que me enviou como comissário político da unidade guerrilheira de Ryosu-Sunchon. Em 25 de setembro de 1950, passei pela unidade guerrilheira da região de Hwanam e cheguei ao comando do 2ª Corpo de Exército. Foi em 1º de fevereiro de 1950 que encontrei Ri Sung Yop.
Assim, em janeiro de 1951, recebi de Ri Sung Yop a missão de trabalhar no Departamento de Direção Política e fui enviado para a frente oriental. Em maio daquele ano, sob a direção de Pae Chol, trabalhei como chefe de um posto de ligação. Fui chamado de volta por ter conduzido mal meu trabalho e permaneci na Academia Kumgang, depois da qual voltei a atuar como comandante da 10ª unidade de guerrilha.
Presidente do tribunal: Fale sobre os atos de repressão nacional que cometeu antes da libertação.
Maeng Jong Ho: No passado, fui um dos mais fiéis agentes do regime de dominação do imperialismo japonês.
Quanto à origem dos meus crimes, meu avô dizia que, mesmo quando havia yangban na Coreia, eles eram inferiores a nós. Como somos descendentes de Mêncio, somos superiores a qualquer yangban. Ao ouvir isso, desenvolvi grande orgulho por ser de origem yangban. A partir de então, passei a nutrir pensamentos egoístas e heroicos, tornando-me capaz de fazer qualquer coisa, a qualquer momento, se fosse em benefício dos meus próprios interesses. O fato de eu ter participado de uma greve estudantil ou do movimento clandestino não ocorreu em benefício dos interesses da pátria e do povo; tudo isso resultou do meu espírito egoísta.
Aos dezesseis anos, depois de me casar com a filha de uma família rica, desejei tornar-me, por qualquer meio, um yangban que, como meu avô havia dito, deixasse seu nome para sempre na história da Coreia. Assim, quando fui libertado da prisão de Hamhung, em 1939, escrevi uma declaração de conversão na qual renunciava completamente às ideias comunistas e saí da prisão. No verão de 1939, ingressei na Liga de Proteção Nacional organizada pelo Japão e, atuando como secretário, arrecadei 500 wons entre os cidadãos de Chongjin e entreguei o dinheiro à polícia japonesa. Também estava previsto que eu fosse prestar homenagem ao Santuário Kashihara, no Japão, por ocasião das comemorações do ano 2600 do calendário imperial japonês, mas, como eu só tinha um terno, não pude ir. Depois, quando os participantes da visita ao santuário retornaram, realizou-se uma reunião de relatório de retorno em Chongjin. Participei dessa reunião e fiz um discurso de boas-vindas, cujo conteúdo, sem dúvida, era um apelo para transformar a Coreia eternamente em escrava do imperialismo japonês.
Depois disso, enquanto praticava o contrabando de ópio em Namyang, fui descoberto pela polícia japonesa. Como não queria ser levado à prisão, procurei Takahashi, chefe da Seção de Assuntos Políticos da Delegacia de Polícia de Ranam. Ele me disse que me perdoaria, mas, como contrapartida, eu deveria investigar e fornecer informações sobre as tendências ideológicas dos coreanos. Aceitei essa tarefa e investiguei as tendências ideológicas de mais de cinquenta ex-presos políticos libertados dentro da jurisdição de Ranam, fornecendo-lhe essas informações.
Depois, ele disse: "Você deve conhecer os membros do Partido Comunista da Coreia que trabalham em Hamgyong Norte. Dizem que a maioria deles passa por Namyang para entrar no Nordeste da China ou na União Soviética. Descubra com que ideias eles estão entrando." Assim, investiguei o movimento dessas pessoas, redigi pessoalmente com minhas próprias mãos e lhe forneci essas informações.
Embora eu atuasse dessa maneira como informante da polícia, ela não me pagava nenhuma remuneração. Se Takahashi fosse uma pessoa importante, eu teria continuado atuando como seu informante, mas, ao descobrir que ele não era uma pessoa importante, abandonei posteriormente qualquer vínculo com ele.
Depois disso, fui a Seul procurar meu irmão mais novo, que havia servido durante muitos anos como policial e chegara a ocupar um cargo importante como investigador. Sabendo que ele era responsável pela vigilância de Jong Chang Sop , denunciei a ele que Jong Chang Sop havia retornado de Yan'an e estava realizando atividades na Siderúrgica de Chongjin. Por isso, recebi de meu irmão a tarefa de continuar vigiando-o. Posteriormente, Jong Chang Sop veio a Seul e, como certa pessoa chamada Chae Jon Yun informou que ele havia pedido que não contasse que estivera no interior, comuniquei esse fato ao meu irmão. Depois disso, mantive relações com o investigador Araki, da Delegacia de Polícia de Jongno, e, sob sua proteção, continuei praticando o contrabando de ópio e atuando como seu informante.
Acrescento ainda que, por eu ter participado anteriormente do movimento clandestino, o senhor Ho Hon me selecionou e chegou a me informar que a libertação não estava distante. Apesar disso, como resultado de eu ter denunciado Ho Hon ao investigador Araki, o senhor Ho Hon foi preso em Seul no inverno de 1944 e, felizmente, não morreu na prisão, chegando a vivenciar a libertação de 15 de agosto. Esta foi minha ação destinada a reprimir e destruir o movimento de libertação nacional antes de 15 de agosto.
Presidente do tribunal: Fale sobre as atividades de espionagem.
Maeng Jong Ho: A motivação para passar a realizar atividades de espionagem foi a seguinte: em dezembro de 1947, recebi uma ordem do partido para entrar na Coreia do Norte. Naquela época, eu procurava de alguma forma encontrar um meio legal de entrar no Norte levando minha esposa, meus dois filhos e os bens que possuía anteriormente. Foi então que, por acaso, encontrei meu colega de escola Hong Kil Song e, depois de pedir-lhe ajuda, por seu intermédio conheci Ko Hak Tae, então secretário do responsável dos Assuntos Políticos. Ofereci-lhe subornos e dinheiro e, obtendo sua garantia, consegui atravessar em segurança a linha do Paralelo 38 juntamente com minha família e meus bens, passando pela delegacia de polícia de Yanggu. Na ocasião em que me forneceu sua garantia, Ko Hak Tae exigiu, como contrapartida, que eu lhe fornecesse diversos materiais secretos do Norte, e eu aceitei essa exigência dele por intermédio de Hong Kil Song. A razão pela qual aceitei essa exigência era que, nas condições em que o país estava dividido entre Norte e Sul, eu queria preparar desde então as condições para ocupar algum cargo caso o governo de Ri Sung Man conseguisse unificar a Coreia no futuro. Em dezembro do mesmo ano, cheguei em segurança até Cholwon juntamente com Hong Kil Song, mas, como sua identidade não estava clara, ele teve de retornar novamente ao Sul. Naquele momento, escrevi e entreguei a Hong Kil Song, para que este os fornecesse a Ko Hak Tae, a lista dos diretores de cada departamento do Comitê Popular da Coreia do Norte, a lista dos diretores dos departamentos provinciais de assuntos internos, a situação da distribuição das tropas da Guarda do Paralelo 38 e os procedimentos para a prisão de membros do partido. Esta foi minha primeira atividade de espionagem. A segunda ocorreu depois que entrei na Coreia do Norte: escrevi em papel aquilo que eu próprio havia visto e ouvido sobre assuntos políticos, econômicos e militares e enviei esses materiais a Ko Hak Tae por intermédio do militante partidista Jong Hyong, que estava indo para o Sul. Penso que esses materiais foram fornecidos aos militares estadunidenses por intermédio de Jo Pyong Ok.
Presidente do tribunal: Fale sobre os atos de massacre.
Maeng Jong Ho: Quanto aos atos de terrorismo e ao conteúdo dos massacres contra o povo, em janeiro de 1949, alguns estudantes da Academia Kumgang, entre eles Hyon In Cho e Kang Chun Ja foram acusados de suspeita de espionagem. Recebi de So Tok Un, secretário de Pak Hon Yong, a ordem de levá-los até a linha do Paralelo 38 e eliminá-los. Depois de examiná-los, concluí que não havia fundamento para que fossem necessariamente mortos e que eles tinham apenas algumas deficiências em seu trabalho, por isso suspendi a execução. Depois, como Ri Sung Yop me insultou por não os ter matado e ordenou que fossem mortos rapidamente, em 2 de janeiro de 1949, eu e Ri Hak Su, juntamente com várias outras pessoas, os massacramos em uma sala do escritório de ligação. Eles morreram gritando "Viva o General Kim Il Sung!" e "Viva a República Popular Democrática da Coreia!". Depois, em 29 de junho de 1950, encontrei Ri Sung Yop e passei a ficar responsável pelas guerrilhas.
Certo dia, Ri Jung Op, responsável pela direção do Partido na cidade de Seul, mandou me chamar. Quando fui ao Comitê Popular Provisório da Cidade de Seul, um membro do grupo de operações da cidade perguntou por que aquelas pessoas estavam sendo detidas e torturadas. Quando fui ao porão, havia cerca de 50 pessoas detidas ali. Então perguntei àquela pessoa se haviam dado comida e água a elas, e ele respondeu que não, acrescentando que uma delas estava quase morta.
Naquele dia, Ri Jung Op havia prendido no porão dezenas de pessoas que haviam se entregado e desertores. Quando lhe disseram para entregá-las às autoridades internas, ele pediu que fosse elaborada uma lista simples com seus nomes e os fatos de seus crimes. Durante o processo de interrogatório, em três dias, outras aproximadamente 120 pessoas foram presas e trazidas para lá. Assim, interrogamos essas pessoas e as dividimos nas categorias A, B e C: na categoria A foram classificados aqueles que haviam desertado das guerrilhas; na B, os civis; e na C, os ex-soldados em retirada.
Como fui o principal responsável pelos interrogatórios, após examiná-los concluí que, dos 14 integrantes da categoria A, sete deveriam ser fuzilados. Relatei isso a Ri Jung Op, que ordenou que fossem tratados de maneira conveniente. Entretanto, temendo que pudesse haver problemas de responsabilidade posteriormente, perguntei novamente, e ele tornou a ordenar que fossem tratados de maneira conveniente. Então ordenei aos membros do grupo que os colocassem em um automóvel e os levassem ao rio Han, onde, ainda amarrados, foram jogados no rio e, em seguida, foram disparadas rajadas de metralhadora contra eles, sendo massacrados de maneira brutal. Os sete mortos eram ex-membros das guerrilhas. A razão pela qual os massacramos foi o temor de que, caso fossem entregues às autoridades internas, as atrocidades cometidas por nós sob o pretexto de atividades de guerrilha fossem reveladas.
Meus atos de terrorismo e massacre continuaram posteriormente, durante o período em que estive como comandante da 10ª unidade de Guerrilha, de fevereiro a dezembro de 1952, quando matei cruelmente, conforme bem entendia, membros que haviam fugido e pessoas suspeitas de espionagem, por meio de fuzilamentos, espancamentos até a morte e outros métodos. A razão pela qual cometi tais atrocidades foi a influência de Ri Sung Yop. Em março de 1952, Ri Sung Yop inspecionou a 10ª unidade e me deu ordens firmes para eliminar sem piedade aqueles que tentassem revelar os segredos da 10ª unidade e outros elementos suspeitos.
Como resultado de eu ter incutido essa concepção nos quadros e membros subordinados, em abril de 1952, entre três pessoas suspeitas de espionagem que haviam sido capturadas pela 36ª companhia, estacionada em Naesong, condado de Namyonbaek, uma morreu em consequência de tortura. Para informar esse fato a Pak Sung Won, então vice-chefe do comando regimental, enviei o oficial do Estado-Maior Ri Paek Rim. Ele voltou trazendo a instrução do diretor do Departamento de Ligação de que, como os dois sobreviventes poderiam descobrir que um dos três havia morrido após a tortura e, assim, haveria o risco de sua verdadeira identidade ser revelada, eles deveriam ser mantidos detidos e que se aguardasse até que fosse decidido o que fazer com eles. Como não houve qualquer questionamento sobre esse ato, também não responsabilizei de modo algum meus subordinados. Como consequência, os quadros da unidade passaram a ter a concepção de que era permitido matar pessoas suspeitas, e, em maio do mesmo ano, sob o pretexto de capturar espiões, mobilizei meus subordinados para revistar todas as aldeias ao longo de 30 a 40 ri na região de Yonsan, condado de Namyonbaek. A 37ª companhia prendeu o presidente do Comitê Popular de Sebang-ri sob suspeita de esconder espiões, levou-o a um quarto vazio de uma casa desocupada, espancou-o brutalmente e o matou. Ordenei ao comandante da 37ª companhia que o enterrasse secretamente. Posteriormente, quando o presidente do comitê partidista da aldeia perguntou sobre o ocorrido, menti, dizendo que o havíamos prendido, mas que o deixáramos escapar durante o caminho.
Em agosto do mesmo ano, fuzilamos uma mulher chamada Ri Sung Hwa, acusada de ter ligação com um grupo de traidores, e um membro das tropas que havia fugido, cujo nome não sei. Posteriormente, por volta de novembro do mesmo ano, em Ongjin, na província de Hwanghae, prendemos duas mulheres e dois homens cujos nomes desconheço, sob a acusação de venderem ópio. Depois de saquearmos bens deles avaliados em cerca de 1 milhão de won, temendo que o fato viesse à tona, fuzilamos essas pessoas. Além disso, prendemos e massacramos uma mulher que havia entrado na região com uma missão de espionagem, recebida de agentes inimigos, com o objetivo de disseminar propaganda de traição, juntamente com cinco membros de uma organização juvenil.
Em agosto de 1952, perguntei a Pae Chol sobre Kim Jong Suk, que havia sido secretária de Ri Sung Yop, pois ela estava doente na 10ª unidade, perguntando o que deveríamos fazer a respeito. Pae Chol respondeu que, nesse caso, isso poderia abalar o prestígio do senhor Ri Sung Yop, e ordenou que ela fosse eliminada. No entanto, por considerar que, do ponto de vista humano, não poderia chegar a esse extremo, não a matei e apenas a mantive isolada.
Posteriormente, recebi instruções para matar secretamente uma mulher chamada Pyon Me Ri, integrante da 10ª unidade, por estar grávida, e Ri Chol, oficial do Estado-Maior, porque, se viesse a público o fato de ele ter disparado uma arma na zona desmilitarizada de Kaesong, uma área desarmada, eu seria interrogado pelas autoridades internas. Mesmo tendo recebido essa ordem, considerando que somente os assassinatos que eu já havia cometido até então eram coisas que nenhum ser humano poderia fazer, e também porque eu pretendia, de alguma forma, garantir minha própria ascensão mantendo em minhas mãos as fraquezas de Ri Sung Yop e Pae Chol, não os matei.
Além disso, em maio de 1950, um estudante da Academia Kangdong, que havia partido em missão de trabalho para a Coreia do Sul, fora capturado pelo inimigo e, depois de enganá-los dizendo que realizaria atividades de espionagem, retornara e se entregara, foi massacrado pouco antes de 25 de junho por ordem de Ri Sung Yop.
Presidente do tribunal: Fale sobre os atos de conspiração.
Maeng Jong Ho: Desde o início, eu não tinha nenhum plano de provocar uma insurreição. Apenas, com o objetivo de promover minha própria ascensão, procurei realizar atividades de espionagem e, no processo de demonstrar lealdade para atender às ambições de Ri Sung Yop, cheguei até mesmo a me posicionar contra o primeiro-ministro Kim Il Sung. Isso ocorreu em 1947, quando os trabalhos da Comissão Conjunta URSS-EUA foram retomados. Eu descobri que Ri Sung Yop havia entrado na parte norte e, usando uma máscara, fingia trabalhar com o maior entusiasmo.
Houve uma ocasião em que fui convocado a Pyongyang por ter desempenhado mal o trabalho como diretor do Departamento de Ligação. Naquela ocasião, no início de dezembro de 1951, Pae Chol disse que, seguindo as instruções de Ri Sung Yop, pretendíamos criar com nossas próprias mãos um Comitê Popular de Kyonggi, com o objetivo de controlar Kyonggi, que tinha uma população de 200 mil habitantes e era economicamente autossuficiente. Foi então que percebi que Ri Sung Yop estava tramando algum plano perverso.
Assim, para ganhar o favor deles, procurei adulá-los e, como resultado, tornei-me comandante da 10ª unidade de guerrilha. Quando, juntamente com Ri Sung Yop, percorremos a região de Chongryong para escolher o local da base da 10ª unidade, Ri Sung Yop disse que o lugar era realmente muito bom e que seria ótimo podermos treinar guerrilheiros ali, tratar os doentes e também criar crianças. Eu concordei incondicionalmente com isso.
Depois disso, Ri Sung Yop e Pae Chol também me ordenaram várias vezes que reservasse uma boa área para a zona de guerrilha. Propus a Ri Sung Yop expulsar os habitantes daquela região, e ele aprovou a proposta. Assim, mandei fincar marcos para estabelecer uma zona especial e, depois de ameaçar os moradores com a ordem de que qualquer pessoa que entrasse nela seria sumariamente fuzilada, ignorando as instituições do poder popular e os órgãos internos, ordenei aos habitantes que deixassem suas casas até determinada hora todos os dias. Em seguida, tomei suas terras e casas e estabeleci a zona de guerrilha.
Ao escolher o local da base, procurei fazer com que ocupássemos uma região que sofresse o mínimo possível com ataques aéreos.
Além disso, Ri Sung Yop instruiu o presidente da aldeia a fazer com que eu me tornasse presidente do Comitê de Irrigação e a assumir completamente o controle daquela área. Além disso, quando a 10ª unidade de guerrilha passou a receber a denominação de 772ª unidade militar do Exército Popular da Coreia, agimos de maneira ainda mais ilegal sob o pretexto de sermos uma unidade militar.
Depois disso, eu defendi que nem todos os que viessem da Coreia do Sul poderiam se tornar membros do partido e, na prática, admiti pessoas no partido indiscriminadamente. O objetivo dessa conspiração era estabelecer uma base econômica para as operações no Sul, formar quadros, realizar atividades políticas e garantir a segurança de suas famílias, o que, em última análise, constituía um ato destinado a derrubar o governo da República. Nesse processo, sempre que se tratava de apoiar Pak Hon Yong e Ri Sung Yop, eu me empenhava com todo o entusiasmo.
Esses fatos, vistos superficialmente, foram executados sem apresentar nada de particularmente extraordinário, mas isso ocorreu porque foram empregados os meios e métodos mais astutos. Como exemplo, quando o instrutor político propôs utilizar como materiais de estudo os documentos da 4ª Reunião Plenária e o histórico discurso de fevereiro do Marechal Kim Il Sung, eu o interrompi, dizendo: "Quando é que as pessoas que realizam operações de guerrilha teriam tempo para fazer isso?", e ordenei, ao contrário, que os discursos e instruções de Pak Hon Yong e Ri Sung Yop fossem utilizados como materiais de estudo. Posteriormente, quando foi alegado que havia sido perdido o documento que continha a instrução oficial para estudar os documentos de guerra, também interrompi deliberadamente a atividade, dizendo: "Como vamos fazer isso sem sequer conhecer a situação real?". Assim, continuei educando os membros para incutir neles uma ideologia que lhes permitisse agir a qualquer momento de acordo com nossas exigências.
Depois, quando Ri Sung Yop veio à 10ª unidade acompanhado de Ju Nyong Ha, organizei uma recepção para apoiá-los. Coloquei no quadro de avisos o discurso de Ri Sung Yop, apresentando-o como um "boletim especial", e organizei peças teatrais e apresentações artísticas para recebê-los. Naquela ocasião, Pae Chol disse que simplesmente afixar o conteúdo do discurso de Ri Sung Yop no quadro de avisos não produziria efeito algum, e chegou-se a um nível próximo de proclamar "Viva Ri Sung Yop!", embora isso não tenha chegado a acontecer. Ao mesmo tempo, ensinávamos continuamente aos membros que nosso "líder" era Pak Hon Yong.
Quando chegaram as eleições em outubro, até mesmo oferecemos a Ri Sung Yop e Pak Hon Yong os impostos sobre as colheitas. Eu mobilizei os membros para saquear propriedades privadas e, com isso, equipar a 10ª unidade. Ri Sung Yop me elogiou e encorajou, dizendo: "Assim é que se deve fazer", e afirmou que seria bom criar ali algo do tamanho do Reino de Mônaco e reunir também as famílias vindas do Sul.
Presidente do tribunal: Promotor, faça as perguntas.
Promotor: O acusado admite ter participado da Liga de Proteção Nacional do Condado de Kyongsong e fornecido aos investigadores da polícia política informações sobre as tendências ideológicas de mais de 500 pessoas sob a jurisdição daquele condado?
Maeng Jong Ho: Admito.
Promotor: Como resultado de o acusado ter denunciado a seu irmão mais novo Jong Chang Sop, que trabalhava na Siderúrgica de Chongjin, quantos trabalhadores que trabalhavam ali foram presos?
Maeng Jong Ho: Cerca de 40 pessoas foram presas.
Promotor: Onde o acusado reuniu materiais para realizar atividades de espionagem?
Maeng Jong Ho: Reuni-os em Seul, Cholwon e outros lugares.
Promotor: Qual era o conteúdo das atividades de espionagem?
Maeng Jong Ho: Para destruir e enfraquecer o poder econômico da República, forneci informações sobre as políticas que estavam sendo implementadas naquele período, o conteúdo dos planos da economia popular, as listas dos chefes dos diversos departamentos e, como informação militar secreta, o fato de que a 5ª Divisão do Exército Popular estava estacionada em Sadong, Pyongyang.
Promotor: Quem eram os sete que foram levados ao rio Han e massacrados em Seul?
Maeng Jong Ho: Um deles era uma pessoa que havia fugido das guerrilhas, outro era uma pessoa que havia desertado do Partido do Trabalho da Coreia do Sul. Não me lembro bem dos demais, mas a maioria eram pessoas que representavam um risco de revelar nossos segredos.
Promotor: O interrogatório terminou.
Presidente do tribunal: A defesa faça as perguntas.
Advogado Kim Pyok Ok: Qual foi a razão pela qual o acusado pretendia entrar legalmente na Coreia do Norte quando entrou no país?
Maeng Jong Ho: A razão pela qual eu pretendia entrar de maneira legal era trazer comigo toda a minha família e meus bens.
Advogado: O acusado realizou atividades de espionagem por escrito?
Maeng Jong Ho: Quando Go Hak Rae exigiu que eu realizasse atividades de espionagem, ele pediu que os materiais fossem enviados por intermédio de seu tio. Por isso, forneci os materiais de espionagem por escrito, através de seu tio, Hong Kil Song.
Presidente do tribunal: Durante o período do domínio japonês, que tipo de recompensa o acusado recebeu por denunciar revolucionários aos japoneses e fazer com que fossem presos?
Maeng Jong Ho: Pude realizar livremente o comércio ilegal de ópio.
Presidente do tribunal: Como fazia isso?
Maeng Jong Ho: Eu dizia: "Vou trabalhar como informante de acordo com as exigências de vocês, portanto, em troca, façam vista grossa para o fato de eu transportar ópio."
Presidente do tribunal: Pretendia-se criar um Comitê Popular de Kyonggi. Quem pretendiam nomear como seu presidente?
Maeng Jong Ho: O presidente do comitê pretendia eleger como vice-presidente Pak Sung Won, An Ki Song e mais uma pessoa adequada.
Presidente do tribunal: Declaro um recesso de 15 minutos. (11 horas)
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Presidente do tribunal: Daremos continuidade à audiência. (11 horas e 15 minutos)
Se houver algo a ser perguntado como interrogatório complementar ao réu Maeng Jong Ho, interroguem-no.
Promotor: Farei algumas perguntas.
Embora Ri Sung Yop e Pae Chol tenham dado instruções para massacrar as mulheres chamadas Kim Jong Suk e Choe Won Sun, o réu não as executou. Diga o motivo pelo qual não executou essas instruções.
Maeng Jong Ho: Porque eu as conhecia bem. Se não as conhecesse, é claro que as teria assassinado.
Promotor: (Ao presidente do tribunal) Farei perguntas ao réu Ri Sung Yop.
Presidente do tribunal: Réu Ri Sung Yop!
Promotor: Tem alguma objeção ao depoimento de Maeng Jong Ho?
Ri Sung Yop: Maeng Jong Ho diz que eu apoiei indiscriminadamente todas as pessoas que vieram da parte sul, mas, na realidade, não foi assim. Eu apoiei apenas os elementos impuros e os traidores entre eles. Não tenho objeções quanto às demais partes.
Promotor: O interrogatório terminou.
Interrogatório de Yun Sun Tal
Presidente do tribunal: Réu Yun Sun Tal! Diga seu histórico.
Yun Sun Tal: Nasci em 16 de janeiro de 1914, em Sudong-ri, Taegu-myon, condado de Kangjin, província de Jolla Sul, como filho mais velho de Yun Jong Hyon. Naquela época, minha família possuía cerca de 12.000 pyong de terras agrícolas e campos, cultivando diretamente parte deles com trabalhadores contratados e arrendando outra parte. Meu avô era então uma pessoa obstinada e feudalista, mas participou do Movimento de 1º de Março, enquanto meu pai, desde cedo, era uma pessoa fortemente imbuída de ideias iluministas, opôs-se à adoção de nomes japoneses e mobilizou jovens de Taegu para organizar uma escola particular progressista e educá-los. Nesse ambiente, aos oito anos de idade, frequentei uma escola particular de chinês clássico e, depois, ingressei na escola particular organizada por meu pai. Durante meus estudos, os japoneses fecharam essa escola e fui transferido para a escola primária Jonbuk. Depois de concluir quatro anos nessa escola, ingressei no quinto ano da escola primária de Kanggyong, passando a viver longe de casa. Naquela época, meu tio, influenciado por meu pai, lia muitos livros e, ao mesmo tempo em que assimilava as ideias democráticas, realizava atividades de grupos de jovens e crianças no movimento de esclarecimento rural. A partir do sexto ano da escola primária, fui influenciado ideologicamente por meu tio. Naturalmente, não pude participar do movimento na prática. Assim, aos 18 anos, comecei a estudar junto com meus companheiros em um círculo de leitura. Enquanto isso, durante o Incidente dos Estudantes de Kwangju de 1929, fui preso pela polícia japonesa sob a acusação de ter participado dele, mas fui libertado alguns dias depois. Naturalmente, fui expulso da escola e, ao retornar à minha terra natal, meu tio continuava igualmente seu movimento ideológico. A partir desse momento, cresceu em mim a consciência e o desejo de que deveria trabalhar diretamente junto aos operários das fábricas. Foi então que, por intermédio de Ro Bong Ju, que era meu dirigente, conheci o camarada Sin Chol e, depois de ouvir dele sobre a importância dos trabalhadores ferroviários, prestei o exame para a escola de formação de maquinistas ferroviários, mas não fui aprovado. Pensando que poderia conseguir emprego se adquirisse conhecimentos de eletricidade, ingressei na Escola de Eletricidade de Seul, de dois anos de duração. Depois de me formar, consegui emprego como aprendiz de eletricista na Fábrica de Ferro de Yongdongpo e, sob a orientação dos camaradas An Pyong Chun e Ri Pyong Hui, que já atuavam na fábrica naquela época, participei diretamente das atividades. Entretanto, como aquele era um período em que eu ainda não possuía capacidade independente, limitava-me a cumprir fielmente as tarefas que me eram dadas pelos camaradas superiores. Enquanto recebia a orientação de An Pyong Chun, por volta de novembro de 1935 conheci o camarada Kwon Yong Tae e passei a receber sua orientação. Depois, liguei-me ao camarada Pak Yun Hyok e trabalhei nas ruas, mas isso consistia principalmente no processo de reunir e educar os camaradas que estavam dispersos. Depois de conseguir emprego como eletricista na Companhia Elétrica de Kyongsong, em abril de 1935, por volta de outubro de 1936 fui preso pela Delegacia de Polícia de Jongno, junto com Pak Yun Hyok e outros, devido ao caso da organização do Grupo de Kyongsong de Kwon Yong Tae. Fiquei detido enquanto aguardava julgamento e fui condenado a um ano de prisão, sendo libertado da prisão de Sodaemun por volta de julho de 1937. Depois disso, fui para minha terra natal e, na primavera de 1940, casei-me com minha esposa, Yu Bok Sun. Por volta de abril do mesmo ano, voltei a Seul e procurei os antigos camaradas, mas a maioria deles havia se tornado traidora. Assim, enquanto trabalhava em uma fábrica de papel em Tonam-dong, Seul, mantive contato com os camaradas das ruas. Por volta de agosto daquele ano, através da mãe de Pak Yun Hyok, conheci pela primeira vez o camarada Kim Sam Ryong e passei a receber sua orientação. No final de janeiro, fui à região de Kwangju, onde consegui emprego na companhia de eletricidade. Depois que fui para Kwangju, a organização foi destruída devido à prisão de Kim Sam Ryong e de outros camaradas, e perdemos o contato. No outono de 1941, o camarada Ri Sun Gum veio me procurar e restabeleceu o contato. Por intermédio dele, conheci Pak Hon Yong e considerei isso uma honra infinita, trabalhando sob sua orientação até o momento da libertação de 15 de agosto. Assim, embora meu histórico antes de 15 de agosto fosse complicado, após lutar sem conseguir resultados organizativos, encontrei a libertação da Coreia.
No final de julho de 1945, fui a Seul à procura do camarada Ra Nam Je, que havia ido para lá antes de mim para estabelecer contato com Seul, e lá recebi a libertação da pátria. Depois, em 17 de agosto, começando pelo encontro com Pak Hon Yong, encontrei os camaradas que estavam na clandestinidade e os que estavam nas prisões. Foi organizado o Comitê Preparatório para a Reconstrução do Partido Comunista da Coreia e surgiu sua tese. Apoiei a linha da tese de Pak Hon Yong chamada "A situação atual e nossas tarefas", colocando-o como líder de todo o povo e, movido pela ambição de que o poder da Coreia deveria ser assumido exclusivamente pelo Grupo de Kyongsong, concentrei todas as forças nele. Assim, por volta de 25 de agosto daquele ano, recebi do camarada Kim Sam Ryong a instrução de descer para Jolla Sul e organizar o Comitê do Partido da Cidade de Kwangju. Fui a Kwangju e, junto com os camaradas dos grupos que já atuavam e com os camaradas do Comitê Preparatório de Jolla Sul para a Reconstrução do Partido Comunista da Coreia, formei, em 15 de setembro, o Comitê do Partido da Cidade de Kwangju, tendo o camarada Yu Hyok como presidente do partido da cidade e eu como chefe de organização. Alguns dias depois, quando ele foi para o comitê provincial, tornei-me presidente do comitê do partido da cidade. Continuei atuando e, por me opor ao governo militar estadunidense, fui preso pela polícia de Kwangju por volta de meados de março de 1946. Fui condenado a um ano e seis meses de prisão e imediatamente recorri. Como resultado, por volta de meados de maio de 1947, os advogados lutaram utilizando a expressão "liberdade de imprensa" da declaração de Hodge e obtive uma sentença de inocência. Por volta do dia 20 do mesmo mês, fui novamente preso por policiais, mas, como estava claro que havia sido libertado da prisão, fui solto pouco depois. Depois disso, como não pude permanecer na região de Jolla Sul, o comitê provincial propôs a questão ao centro e fui chamado a Seul, onde, sob a orientação de Kim Sam Ryong e Ri Ju Ha, passei a trabalhar, a partir de dezembro daquele ano, como diretor do Departamento de Organização Central do Partido do Trabalho da Coreia do Sul. Então, no final de fevereiro de 1949, com a prisão de Ri Jung Op, que era chefe do Departamento de Organização, assumi seu cargo interinamente a partir de março. Porém, pouco depois, também fui preso pela Delegacia de Polícia de Songbuk. Após minha prisão, fui condenado a um ano e seis meses de prisão, com suspensão da execução por quatro anos, e, depois de ser libertado no final de junho do mesmo ano, restabeleci contato com o camarada Kim Sam Ryong por volta do início de julho e voltei a trabalhar como chefe interino do Departamento de Organização. Em 25 de agosto de 1949, fui novamente preso pela Polícia Metropolitana e fui libertado em 28 de junho de 1950, quando Seul foi libertada. Depois disso, por volta de 6 de julho, fui nomeado chefe do Departamento de Quadros do das Forças Voluntárias e comecei o trabalho inicial. Em seguida, sob instrução de Ri Sung Yop, em 1º de julho, quando as unidades de base das guerrilhas de cada província, compostas por Ri Jung Op, Ho Song Taek, Pak Se Yong, Kim Jom Kwon e So Tok Un. avançaram, fui também até a linha do rio Rakdong como comissário político. Por volta de 20 de agosto daquele ano, recebi do comandante da Frente, Kim Chaek, a instrução de transferir as guerrilhas para o Exército Popular. Depois de concluir os procedimentos de transferência, cheguei a Seul e, no início de setembro, fui a Pyongyang, onde fui nomeado vice-comandante político da 31ª Divisão do Exército Popular. Por volta de 20 de setembro de 1950, cheguei a Seul e, enquanto organizava a unidade, o inimigo desembarcou. Travamos combates defensivos por Seul até 27 de setembro. Por volta do dia 30 daquele mês, recebemos ordem de retirada e fomos até Kanggye. Como o Alto Comando havia ordenado que mantivéssemos a denominação da 31ª Divisão, recebemos reforços para a unidade e, por volta do final de dezembro, avançamos novamente até Yongju, em Kyongsang Norte. Depois, recebemos novamente ordem de retirada e chegamos à linha de combate. Em fevereiro de 1951, fui transferido para o cargo de vice-comandante político da 27ª Divisão e continuei os combates defensivos. Depois de concluir, de janeiro a abril de 1952, um curso de curta duração na Escola Militar Kim Chaek, preferi estar sob a direção direta de Pak Hon Yong e Ri Sung Yop a permanecer no exército. Propus isso a Pak Hon Yong e Ri Sung Yop e fui chamado de volta ao Comitê Central do Partido, passando a trabalhar no Departamento de Ligação a partir de maio. A partir de 16 de junho de 1952, fui formalmente aprovado como vice-diretor do Departamento de Ligação e trabalhei nesse cargo até ser preso.
Presidente do tribunal: Fale sobre os atos de terrorismo e massacre.
Yun Sun Tal: Por volta de agosto de 1952, durante uma reunião de todos os chefes dos escritórios de ligação, ouvi o relato de que um indivíduo chamado Song Ka Sok havia passado para o inimigo em duas ocasiões e entregado nossos agentes. Quando informei Pae Chol, ele ficou furioso e ordenou que fosse tratado adequadamente na frente de batalha. Assim, fiz com que a ordem fosse executada. Por volta de janeiro do mesmo ano, Ri Hyon Sang prendeu duas mulheres suspeitas de serem espiãs vindas da parte sul e perguntou como deveriam ser tratadas. Na ausência de Pae Chol, eu o substituí e dei instruções por telegrama para que fossem "tratadas devidamente", fazendo com que fossem massacradas.
Presidente do tribunal: Fale sobre os atos de conspiração.
Yun Sun Tal: Quanto aos atos de conspiração, devo dizer que, por ter continuado a receber a orientação de Pak Hon Yong antes e depois de 15 de agosto, nosso objetivo em tudo era elevar Pak Hon Yong à posição de chefe da República. Entretanto, quando trabalhava anteriormente na parte sul, essa ideia não era tão forte em mim. Quando fui chamado do exército para o Departamento de Ligação do Partido, era verdade que todas as regras do Departamento de Ligação não estavam de acordo com meus sentimentos. Contudo, no processo de viver naquele ambiente junto com Pae Chol, também fui gradualmente contaminado por aquele modo de vida. Comecei com pequenas insatisfações, essas insatisfações cresceram e, por fim, chegaram a constituir graves crimes contra a pátria. Um exemplo disso é o fato de que, no primeiro domingo de setembro de 1952, chegamos a discutir até mesmo a questão da formação de um novo governo na residência de Pak Hon Yong.
Presidente do tribunal: Promotor, interrogue-o.
Promotor: Quais eram as medidas para fortalecer as unidades armadas destinadas à insurreição?
Yun Sun Tal: Quando cheguei ao Departamento de Ligação, inicialmente o número de pessoas da 10ª Unidade era de 1.300, mas esse número foi aumentado e, posteriormente, chegou a 2.000. É claro que esse aumento contou também com o apoio de Ri Sung Yop, mas nós também temos responsabilidade por isso.
Promotor: O réu sabia qual era o objetivo de fortalecê-la?
Yun Sun Tal: É claro que pensei que seria utilizada para a insurreição armada destinada à formação de um novo governo, mas não conhecia os detalhes da questão como os conheço hoje.
Promotor: Já havia pensado sobre o caráter do "governo" que seria formado?
Yun Sun Tal: Não pensei especificamente sobre isso, mas, como na Coreia de hoje só se pode pensar em duas possibilidades, um sistema democrático ou um sistema burguês, naturalmente seria um governo anticomunista.
Promotor: O interrogatório terminou.
Presidente do tribunal: Advogado, interrogue-o.
Advogado Ri Kyu Hong: Desde quando o réu se tornou um traidor?
Yun Sun Tal: Desde que cheguei ao Departamento de Ligação.
Advogado: Qual é a base ideológica disso?
Yun Sun Tal: Como vinha recebendo a orientação de Pak Hon Yong desde antes de 15 de agosto, foi a partir de continuar, depois de 15 de agosto, a confiar inteiramente nele, venerá-lo e apoiá-lo.
Advogado: O interrogatório terminou.
Presidente do tribunal: Você disse que na Coreia não poderia ser formado outro governo além de um governo democrático ou de um governo capitalista. Que caráter teria o novo governo tendo Pak Hon Yong como líder?
Yun Sun Tal: É claro que, antes disso, eu não pensava que Pak Hon Yong previsse um governo burguês, mas, durante o presente processo de instrução preliminar, vim a saber que o governo que estávamos planejando era um governo reacionário.
Presidente do tribunal: Qual foi a razão pela qual você não recusou quando foi recomendado para o cargo?
Yun Sun Tal: Porque isso correspondia ao meu desejo de ascender na vida.
Presidente do tribunal: Isso foi um ato consciente ou inconsciente?
Yun Sun Tal: Foi um ato consciente.
Presidente do tribunal: Você disse que, na ausência de Pak Hon Yong, ele foi indicado para primeiro-ministro, e que o réu pensava que ele poderia assumir o cargo. Qual era a razão disso?
Yun Sun Tal: Como afirmaram os corréus, Pak Hon Yong era um carreirista e o chefe da facção sectária à qual pertencíamos, por isso pensei que ele poderia assumir o cargo.
Presidente do tribunal: Promotor, faça as perguntas que tiver.
Promotor: O que é, afinal, a linha de Pak Hon Yong?
Yun Sun Tal: É uma linha direitista e uma linha pequeno-burguesa que pretende colocar os militares estadunidenses acima dos militares soviéticos.
Promotor: Desde quando você compreendeu esse ponto?
Yun Sun Tal: Vim a saber disso durante o processo de instrução preliminar.
Promotor: Antes disso, você não sabia?
Yun Sun Tal: Antes disso, eu sequer pensava em criticar Pak Hon Yong e aceitava incondicionalmente tudo o que ele dizia, por isso nem sequer podia prever algo assim.
Promotor: Em seu depoimento, você disse que soube que Pak Hon Yong e Ri Sung Yop estavam errados. Então, que posição você assumiu?
Yun Sun Tal: Como eu não me opus aos seus atos impuros e, ao contrário, os apoiei, penso que assumi a mesma posição que eles.
Promotor: A quem serviam as políticas de Ri Sung Yop e Pak Sung Won?
Yun Sun Tal: A Pak Hon Yong.
Promotor: Você sabia que isso estava errado?
Yun Sun Tal: Tive a sensação de que estava errado.
Promotor: Mas qual foi a razão para defendê-lo ou executar ativamente suas instruções?
Yun Sun Tal: Considerando o resultado, pode-se dizer que os apoiei, mas, naquela época, eu não havia analisado nem estudado profundamente o conteúdo das instruções que eles davam.
Promotor: O interrogatório terminou.
Presidente do tribunal: Réus Ri Sung Yop e Pae Chol! O depoimento do réu Yun Sun Tal está correto?
Ri Sung Yop e Pae Chol: Está correto.
Interrogatório de Ri Won Jo
Presidente do tribunal: Réu Ri Won Jo! Declare seu histórico.
Ri Won Jo: Nasci em 2 de junho de 1909, em uma família camponesa em Pongjon, condado de Andong, província de Kyongsang Norte. Naquela época, as condições de minha família consistiam em uma casa e cerca de 1.000 pyong de arrozais e outras terras. Em 1918, aos 10 anos de idade, ingressei na escola primária. Assim, depois do Movimento de 1º de Março de 1919, minha família não pôde mais viver em nossa terra natal e fomos para uma região montanhosa a cerca de 30 ri de distância, onde cultivamos.
Em 1924, mudamo-nos para Taegu e, depois de continuar vivendo miseravelmente sem uma profissão definida, ingressei no ensino secundário, estudando com isenção das mensalidades. Depois de me casar em 1928, segui um colega de escola para o Japão, ingressei no departamento profissional noturno da Universidade Nihon e, enquanto estudava trabalhando como entregador de jornais e operário da construção civil, a partir de 1931 passei a receber as despesas escolares do empresário da mineração Kim Tae Won, formando-me em 1932 no departamento profissional da Universidade Nihon. Naquela época, minha família havia decaído e meu pai era fortemente imbuído de ideias feudais. Nesse ambiente, adquiri ideias nacionalistas. Em 1928, devido à prisão de meu amigo e de meu irmão mais velho, passei a ter ideias nacionalistas ainda mais firmes. Depois de me formar, queria escrever romances, mas, por várias circunstâncias, não consegui. Em abril de 1932, ingressei na Faculdade de Letras da Universidade Hosei e, a partir do momento em que comecei a ler o Akahata (órgão do Partido Comunista do Japão), participei da "Associação dos Amigos do Akahata", razão pela qual fui preso em novembro de 1932 e libertado após 29 dias. Participei dessa associação não verdadeiramente pelo movimento comunista, mas porque, levado por uma espécie de heroísmo e pela corrente de moda entre os intelectuais estudantis e pequeno-burgueses daquela época, li livros esquerdistas. Por isso, quando fui preso, fiquei com medo e, depois de ser libertado, nunca mais participei dessa associação.
Em 1935, formei-me na universidade e fui para Seul, onde consegui emprego como jornalista no jornal Joson Ilbo. Em 1937, fui promovido a chefe da seção de cultura e artes, trabalhando até 1939. Em julho de 1939, enquanto atuava como substituto do diretor da Companhia de Publicação Taedong, publiquei na edição de "Mineração da Coreia" conteúdos que apoiavam e aprovavam a política de pilhagem dos japoneses. Em abril de 1941, junto com um amigo, organizei a Fábrica de Produção Simyang, que fabricava filmes, e permaneci como seu dirigente. Quando essa companhia foi dissolvida, a partir de junho de 1944 fui contratado como colaborador da revista Jogwang, administrada pelo Joson Ilbo, e editei a revista, cujo conteúdo consistia em apoiar a pilhagem japonesa da Coreia. Continuei vivendo dessa maneira até a libertação de 15 de agosto. Depois da libertação, movido pela ambição de assumir a liderança no mundo literário e ascender na vida, organizei, junto com Rim Hwa, Ri Tae Jun e outros, o Conselho Central para a Construção da Cultura Coreana e, enquanto trabalhava como seu secretário-geral, ingressei no Partido Comunista em novembro daquele ano. De abril a setembro de 1946, trabalhei como chefe de redação do jornal Hyondae Ilbo e, durante esse período, também participei das atividades de ligação. Depois disso, fui preso sob a acusação de ter escrito no jornal conteúdos contrários à política dos militares estadunidenses. No início de 1947, entrei na parte norte e, em 1948, trabalhei como vice-chefe de redação na Gráfica nº 1 de Haeju. Quando Pak Sung Won, que era o chefe de redação, foi promovido a vice-responsável pela gráfica, também fui promovido e trabalhei como chefe de redação até o início da Guerra de libertação da Pátria. Depois disso, fui para Seul e trabalhei como editor-chefe do Haebang Ilbo. No início de abril de 1951, passei a auxiliar nas atividades do Departamento de Propaganda e Agitação da Frente do Comitê Central do Partido e, em junho daquele ano, fui nomeado vice-diretor do Departamento de Propaganda e Agitação, onde trabalhei.
Presidente do tribunal: Fale sobre os atos de traição.
Ri Won Jo: O ponto de partida dos crimes que cometi está no fato de que minha origem ideológica se encontrava na posição nacionalista pequeno-burguesa e de que, antes e depois da libertação, eu defendia a chamada literatura pura pequeno-burguesa. Depois da libertação, partindo do heroísmo e do egoísmo decorrentes da ambição de assumir a liderança do movimento literário, quando eu era secretário-geral do Conselho Central para a Construção da Cultura Coreana, organização formada por algumas pessoas, sob o pretexto de fortalecer essa organização, planejei estabelecer uma unidade com os intelectuais culturais ligados a Ri Sung Man. Naquela época, sob o slogan "traga uma grande figura em vez de dez medíocres", na prática entregamos aos reacionários posições de responsabilidade em cada setor. A razão pela qual fizemos isso foi que, se os escritores da linha da Associação Coreana de Artistas Proletários assumissem a liderança, não poderíamos alcançar nossas ambições. Naquela época, os escritores, artistas e dançarinos progressistas se opuseram à nossa organização e organizaram a Aliança dos Literatos.
Eu simpatizei com a chamada Tese de Agosto de Pak Hon Yong e, embora ela fosse direitista, divulguei-a como sendo progressista. Além disso, no final de 1945, participei de palestras contrárias às decisões da Conferência dos Ministros das Relações Exteriores de Moscou e também organizei uma manifestação de boas-vindas às tropas estadunidenses. Em abril de 1946, redigi a chamada proposta de cooperação entre a facção da República Popular e o Governo Provisório de Xangai e obtive a aprovação de Pak Hon Yong. Em dezembro de 1946, apoiei a tese literária de Rim Hwa, que defendia que nossa literatura não deveria se tornar literatura de classe. Dessa forma, minha linha literária e minha posição política eram pequeno-burguesas.
Quando trabalhava na Gráfica nº 1 de Haeju, também publiquei, junto com Pak Sung Won, Rim Hwa e outros, conteúdos que elogiavam o carreirismo de Pak Hon Yong e procuravam fomentar o afastamento entre o governo da República e o povo, o que também constituiu uma de minhas intrigas contra o Estado. Como exemplo, naquela época, sempre que se realizavam reuniões de células em Haeju, pendurávamos o retrato de Pak Hon Yong, adotávamos mensagens dirigidas a Pak Hon Yong e gritávamos vivas a Pak Hon Yong. Também pesquisávamos e propagávamos como meio de educação a questão de como justificar o carreirismo de Pak Hon Yong e reunir as massas em torno do grupo de Ri Sung Yop.
Em 1948, Rim Hwa escreveu um poema dedicado a Pak Hon Yong, fez com que Kim Nam Sun o lesse no Congresso de Representantes de Haeju e chegou a fazer encenar uma peça de conteúdo reacionário. Jo Il Myong dizia que Pak Hon Yong era nosso líder decisivo e que os textos escritos pelo "Povo de Haeju" eram os melhores da parte norte, afirmando até que, se os camaradas trabalhassem bem, a posição de Pak Hon Yong seria elevada, e, caso contrário, seria rebaixada.
Além disso, mesmo depois da fundação do governo da República em 1948 e da fusão dos Partidos do Trabalho do Norte e do Sul, continuamos divulgando o carreirismo de Pak Hon Yong. Para divulgar a superioridade da liderança de Pak Hon Yong e reunir as massas em torno dele, não apresentamos os diversos resultados da construção democrática na parte norte. Como exemplo, na Gráfica nº 1 de Haeju, dávamos mensalmente a maioria dos quadros 3.000 wons dos fundos do partido sob o pretexto de subsídios e também utilizávamos métodos de perseguição e vigilância contra membros do partido ingênuos que criticavam o grupo de Pak Hon Yong e Ri Sung Yop ou manifestavam oposição.
Além disso, eu, Pak Sung Won e Rim Hwa pretendíamos publicar uma coletânea de escritos de Pak Hon Yong. Eu revisei os manuscritos e Rim Hwa os apresentou a Jo Il Myong. Jo Il Myong chegou a fazer a revisão final, mas, no fim, a publicação não foi realizada. Fui nomeado vice-diretor do Departamento de Propaganda do Comitê Central do Partido sob a proteção de Pak Hon Yong e Ri Sung Yop e, em conluio com Jo Il Myong, Rim Hwa e outros, fiz todos os esforços possíveis para proteger incondicionalmente os escritores e artistas provenientes da parte sul. Também planejei, junto com Jo Il Myong, maneiras de assumir o poder por meio da criação de conflitos entre os escritores da parte norte e os intelectuais culturais vindos da União Soviética.
Presidente do tribunal: Promotor, interrogue-o.
Promotor: Desde quando o réu sabia que Ri Sung Yop, Rim Hwa, Jo Il Myong e outros estavam cometendo atos reacionários?
Ri Won Jo: Soube disso desde outubro de 1948, quando trabalhava na Gráfica nº 1 de Haeju.
Promotor: Naquela época, é verdade que o réu fazia propaganda para que fossem apoiados fielmente?
Ri Won Jo: Sim, é verdade.
Promotor: Então, como esse método era realizado?
Ri Won Jo: Por meio de propaganda e agitação através de publicações e propaganda e agitação verbal.
Promotor: Você reconhece que realizou atos idênticos aos praticados pelos corréus?
Ri Won Jo: Sim, reconheço.
Promotor: Que atos de conspiração você realizou para garantir isso?
Ri Won Jo: Quando eu era vice-diretor do Departamento de Propaganda do Comitê Central Partido, promovíamos a ampliação dos resultados realmente obtidos por Pak Sung Won na luta guerrilheira na parte sul. Além disso, ao dirigir as atividades da Federação Geral de Literatura e Artes, dividíamos seu interior entre norte e sul, realizávamos atividades para reunir elementos impuros e, ao mesmo tempo, reprimíamos os escritores provenientes da parte norte.
Promotor: O réu se esforçou para promover a ascensão de Pak Hon Yong. Qual era o conteúdo dessa ascensão?
Ri Won Jo: Fazê-lo tornar-se o líder do povo coreano.
Promotor: Quando estava na Gráfica nº 1 de Haeju, dizem que você divulgava de forma reduzida os diversos resultados alcançados na parte norte. Qual era a razão disso?
Ri Won Jo: Fiz isso por medo de que o ímpeto de apoio a Pak Hon Yong diminuísse. Em outras palavras, fiz isso porque temia o crescimento do poder da República.
Promotor: O interrogatório terminou.
Presidente do tribunal: Advogado, interrogue-o.
Advogado Kim Mun Pyong: Desde quando estava na Gráfica nº 1 de Haeju, você já conhecia os corréus?
Ri Won Jo: Não conhecia nenhum dos corréus.
Advogado: Qual era o objetivo de desejar ativamente a ascensão de Pak Hon Yong?
Ri Won Jo: Era para meu engrandecimento pessoal, pois, se Pak Hon Yong ascendesse, eu também poderia ascender ainda mais.
Advogado: Diz-se que, após receber críticas de Pak Hon Yong, você apresentou uma tese sobre a cultura. Qual era seu conteúdo?
Ri Won Jo: Era que nossa literatura não deveria tornar-se uma literatura classista. Eu não apenas publiquei isso em uma publicação, como também, em 1947, escrevi pessoalmente uma tese intitulada Literatura Nacional com esse mesmo conteúdo.
Advogado: Terminei minhas perguntas.
Presidente do Tribunal: Fale sobre o fato de ter protegido e encoberto os atos criminosos de Kim Nam Chon, valendo-se de sua posição para isso.
Ri Won Jo: Como resultado da inspeção da administração financeira da Frente Cultural, foi revelado que cerca de 200 mil wons haviam sido desperdiçados. Como parecia que Kim Nam Chon, que era o responsável na época, teria de assumir a responsabilidade, houve uma ocasião em que o protegi.
Presidente do Tribunal: Quando ocupava o cargo de vice-diretor de departamento, alguma vez recebeu de Pak Hon Yong ou Ri Sung Yop instruções sobre métodos a serem empregados para destruir a cultura e as artes?
Ri Won Jo: Nunca recebi instruções diretamente, mas eles sempre davam indiretas e vinham encorajando minhas ações antipartidárias.
Presidente do Tribunal: Fale sobre a verdadeira natureza de Pak Hon Yong.
Ri Won Jo: Nos depoimentos dos outros corréus, foi dito que a responsabilidade total por este caso recaía sobre Pak Hon Yong. No meu caso também, é claro, a primeira causa que me levou a cometer os crimes foi o atraso da minha ideologia. Entretanto, foi Pak Hon Yong quem, desde a época em que eu estava na Gráfica nº 1 de Haeju, introduziu em mim ideias nocivas. Por exemplo, em 1947, quando Jo Il Myong foi enviado à Gráfica nº 1 de Haeju, sob o pretexto de uma instrução especial, foi dito: “O povo de Haeju deve escrever melhor do que qualquer outro no norte”. Essas palavras incitaram pessoas de camada débil como eu a fomentar elementos de antagonismo entre o norte e o sul e as instigaram a seguir uma direção criminosa.
Presidente do Tribunal: Promotor, advogado, há mais alguma pergunta complementar?
Promotor e advogado: Não.
Presidente do Tribunal: Declaro uma pausa na sessão até as 16h30.
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Interrogatório de Sol Jong Sik
Presidente do Tribunal: Daremos continuidade à audiência. Acusado Sol Jong Sik! Fale sobre sua trajetória.
Sol Jung Sik: Nasci em 18 de setembro de 1912, no condado de Tanchon, província de Hamgyong Sul, como terceiro filho de Sol Tae Hwa, um nacionalista que havia sido alto funcionário do governo local e participante do movimento de iluminação (개화운동). Em março de 1929, concluí a escola primária e, a partir de abril do mesmo ano, estudei na Escola Agrícola de Seul, mas fui expulso por causa de minha relação com o Incidente dos Estudantes de Kwangju. Depois disso, ingressei na Escola Secundária Superior nº 3 da província de Liaoning, na China, onde estudei. A partir de março de 1933, estudei na Faculdade de Literatura da Escola Profissional de Yonhui, em Seul. Em 1935, fui ao Japão, transferi-me para a Escola Comercial Meiji e concluí meus estudos ali. Em 1936, ingressei na Faculdade de Literatura Yonhui e me formei em 1937. Depois, ingressei no curso de inglês da Universidade Mount Union, no estado de Ohio, nos Estados Unidos, onde me formei. Em seguida, fui pesquisador na Universidade Columbia, em Nova York. Em julho de 1940, retornei à Coreia e passei a administrar atividades como mineração, fazendas e pomares, até a libertação de 15 de agosto.
Após a libertação, fui de Kangnung, meu local de residência, para Seul, a pedido de meu segundo irmão, que morava naquela cidade. Ao chegar, ouvi dele que precisava negociar com as autoridades militares estadunidenses a reconstrução do jornal Tongaa Ilbo e que eu deveria assumir essa função. Enquanto conduzia essas negociações com a instituição militar estadunidense correspondente, localizada no Hotel Bando, em novembro do mesmo ano, por recomendação de Jong Min Sil, um dos membros do grupo de assessores de Hodge, que já era meu amigo, ingressei como chefe de opinião pública do Departamento de Informação do Governo Militar dos Estados Unidos e ajudei ativamente a política de invasão da Coreia pelos imperialistas estadunidenses.
Nesse processo, em 13 de setembro de 1946, infiltrei-me no Partido Comunista com as garantias de Rim Hwa e Kim Nam Chon, entre outros, e recebi do partido instruções para realizar atividades especiais relacionadas ao governo militar estadunidense, mas não as executei. Em janeiro de 1947, ingressei como vice-secretário-geral do chamado Comitê Legislativo Provisório da Coreia do Sul, uma organização criada pelo governo militar estadunidense, e trabalhei ali. Por volta de agosto do mesmo ano, fui aconselhado a renunciar por ter entrado em contato com trabalhadores culturais de Hwarang. Desde então, enquanto ocupava o cargo de chefe do Departamento de Literatura Estrangeira da União dos Escritores, dediquei-me principalmente à atividade de criação literária burguesa. Ao mesmo tempo, realizei atividades especiais como membro da seção de línguas estrangeiras voltada para a Comissão da ONU para a Coreia, e, por volta de fevereiro de 1948, por instrução do Comitê Central do Partido, ingressei como redator-chefe do jornal diário em inglês Seoul Times. Enquanto trabalhava ali, foi emitida uma ordem para fechar o Seoul Times, juntamente com uma ordem de prisão contra mim.
A partir de então, submeti-me completamente à burguesia. Assim, para ajudar a propaganda anticomunista e antissoviética dos imperialistas estadunidenses, participei da organização de manifestações antissoviéticas e me desviei, criando poemas e obras de caráter antissoviético, entre outras coisas. Depois, enquanto participava da Liga de Orientação, encontrei a libertação de 28 de junho em Seul.
Após a libertação, enquanto trabalhava na União dos Escritores, ingressei, a partir de 10 de setembro de 1950, na Sétima Seção do Departamento de Treinamento Cultural do Comando da Frente do Exército Popular da Coreia, onde realizei atividades de desagregação no exército. A partir de julho de 1951, trabalhei como intérprete da delegação do Exército Popular da Coreia nas negociações de paz de Kaesong, até ser preso.
Presidente do Tribunal: Fale sobre as atividades de espionagem.
Sol Jong Sik: Desde quando ocupava o cargo de chefe de opinião pública do Departamento de Informação, cometi atos de traição. Primeiramente, falarei sobre a estrutura organizacional e as funções dessa Seção de Opinião Pública.
A Seção de Opinião Pública do Departamento de Informação do Governo Militar dos Estados Unidos estava organizada nas seções de pesquisa de opinião pública, pesquisa política, análise política, tradução e registro de partidos políticos e organizações sociais. Sua missão básica não era apenas coletar informações sobre as tendências ideológicas e a opinião pública do povo, mas também investigar minuciosamente as atividades de organizações e personalidades de esquerda e organizar a repressão contra elas. Em última análise, essa Seção de Opinião Pública era uma agência de investigação de fachada, que fornecia materiais de informação às infames organizações de espionagem estadunidenses G-2 e CIA. Eu entrei nessa organização conhecendo bem seu conteúdo desde o início e, como seu primeiro chefe de opinião pública, desenvolvi ativamente minhas atividades.
Entrei em uma organização como essa devido à minha ideologia de admiração pelos Estados Unidos, que já possuía originalmente, e ao desejo de alcançar minhas ambições políticas e culturais futuras aproximando-me dos estadunidenses. Falando de modo geral sobre o conteúdo do meu trabalho como chefe de opinião pública, eu coletava, analisava e organizava informações sobre a situação interna. Primeiro, havia o trabalho de coleta de opiniões públicas: por meio de numerosos agentes de pesquisa de opinião, coletávamos diariamente cerca de 300 informações sobre as opiniões e tendências das massas em relação ao governo militar estadunidense, conforme as questões que surgiam em cada período, e as reportávamos ao governador militar por intermédio do diretor do Departamento de Informação, Newman. Segundo, havia o trabalho de tradução: traduzíamos sem exceção os artigos de orientação esquerdista de todos os jornais publicados em Seul naquela época, especialmente os de sete ou oito jornais de esquerda, e fornecíamos esse material às organizações CIA e G-2, ao Comando de Hodge e ao governo militar estadunidense, para que eles pudessem organizar com agilidade a repressão contra o campo de esquerda.
As traduções desse material eram feitas principalmente pelos funcionários subalternos das seções, mas eu marcava com lápis vermelho os materiais que deveriam ser traduzidos, e revisava cuidadosamente os materiais traduzidos, sob minha profunda atenção, para garantir sua integridade. Terceiro, havia o trabalho de investigar minuciosamente, a pedido de elementos de alta espionagem do exército estadunidense, como Robinson e Smith, a situação das atividades de cada partido político e organização social, as tendências ideológicas das pessoas pertencentes a essas organizações e suas atividades, fornecendo essas informações ao governador militar. O objetivo desse trabalho era fornecer a base para que os estadunidenses escolhessem seus lacaios e, ao mesmo tempo, determinassem os alvos da repressão. Sob a direção conjunta com os estadunidenses, coletei e forneci materiais políticos e ideológicos sobre cerca de 300 personalidades democráticas. Quarto, havia o trabalho de registro de partidos políticos, isto é, a investigação minuciosa do conteúdo de cada partido político e organização social, necessária para realizar o chamado registro de partidos políticos e organizações sociais. O objetivo desse trabalho era estabelecer a base necessária para organizar a repressão contra os partidos e organizações de esquerda. Nesses aspectos, cooperei ativamente com a política de agressão do imperialismo estadunidense.
Ao mesmo tempo, coloquei Rim Hwa, que era então o responsável pela Federação Geral das Organizações Culturais, em contato com o estadunidense Robinson. Depois disso, transmiti, em quatro ocasiões, importantes materiais secretos do meio cultural da Coreia do Sul de Rim Hwa a Robinson e pedi a Rim Hwa que coletasse e fornecesse informações sistematicamente. Entretanto, há algo que devo dizer: embora Rim Hwa tenha se disposto a apresentar o conteúdo disso no tribunal, ele evitou depor sobre suas partes importantes. Eu também sei que ele apresentou informações em quatro ocasiões ao todo, mas, além de continuar praticando a conduta incorreta de mentir, dizendo que foram apenas três vezes, Rim Hwa chegou a visitar a Seção de Opinião Pública e prometeu a Robinson e a mim que faria o trabalho cultural coreano se conformar à política do governo militar estadunidense. Depois disso, em várias ocasiões, proferi discursos diante de milhares de pessoas no Teatro de Seul e em outros locais públicos, afirmando, com conteúdo antipopolular, que a cultura coreana só poderia descobrir plenamente seu valor e desenvolver-se por meio do intercâmbio com a cultura estadunidense. Em seguida, enquanto ocupava o cargo de vice-secretário-geral do Comitê Legislativo, dediquei-me principalmente à tradução para o inglês, isto é, ao trabalho de traduzir todos os documentos trocados entre o Comitê Legislativo e o governo militar estadunidense, bem como os discursos de autoridades estadunidenses.
Presidente do Tribunal: Fale sobre as atrocidades que cometeu após ingressar na Liga de Orientação Pública.
Sol Jong Sik: Em seguida, falarei sobre o processo pelo qual passei a ingressar na Liga de Orientação Pública. Devido às minhas ações oportunistas, eu não gozava de plena confiança da esquerda e, além disso, como nem mesmo a direita confiava em mim, fui demitido do cargo de vice-secretário-geral do Comitê Legislativo. Naquela ocasião, pensando em aproveitar a oportunidade para avançar um passo a mais, criei obras de conteúdo reacionário, isto é, os romances longos "Juventude", "Corrente Fria" e "Corrente Quente", e, por causa disso, atraí a atenção da polícia-fantoche, que chegou a emitir uma ordem de prisão contra mim. Para escapar desse perigo, tomei uma decisão. Assim, fui à Delegacia Metropolitana da Capital e escrevi uma declaração de conversão ideológica, uma declaração de rendição voluntária e outros documentos. Ao denunciar cinco figuras de esquerda em seu conteúdo, desviei-me completamente. Desse modo, ingressei na Liga de Orientação Pública e, depois, sob o patrocínio da Liga, organizei manifestações anticomunistas e criei poemas reacionários e anticomunistas, realizando propaganda e agitação antidemocráticas. Como exemplo, compus um poema reacionário intitulado "Exército Vermelho, retire-se" e o recitei diante de mais de mil espectadores, durante um congresso literário de cooperação entre personalidades culturais realizado no Teatro de Seul. Além disso, esse poema foi publicado na revista mensal "Aegukja", órgão da Liga de Orientação Pública.
Presidente do Tribunal: Promotor, faça as perguntas.
Promotor: Qual foi o motivo de ter ocupado o cargo de chefe de opinião pública e em que consistia seu trabalho naquela época?
Sol Jong Sik: O motivo pelo qual trabalhei como chefe de opinião pública era colaborar com a política de agressão dos Estados Unidos. Meu trabalho consistia em traduzir diariamente, por meio dos jornalistas, de cinco a dez artigos e materiais de esquerda e fornecê-los ao governo militar estadunidense, além de auxiliar no trabalho de coleta de informações, conforme já declarei.
Promotor: Qual era o conteúdo do poema "Exército Vermelho, retire-se"?
Sol Jong Sik: Seu conteúdo era extremamente perverso, afirmando, em essência: “Quem é que bloqueou o paralelo 38? Quem é que trama a divisão da nação coreana de 30 milhões? É precisamente o exército soviético”. Os corréus Rim Hwa e Jo Il Myong também conhecem bem esse conteúdo.
Promotor: Qual era o objetivo de ter ingressado no Partido Comunista?
Sol Jong Sik: Como não sou alguém tão cego, eu sabia como o mundo estava se movimentando, isto é, que o campo democrático sairia vitorioso. Por isso, infiltrei-me no partido para alcançar minhas ambições oportunistas e, por outro lado, tentar escapar da responsabilidade pelos crimes que havia cometido quando era chefe de opinião pública do Departamento de Informação do Governo Militar.
Presidente do Tribunal: Advogado, faça as perguntas.
Advogado Kim Mun Pyong: Quando o acusado se desviou completamente?
Sol Jong Sik: Desde que ingressei na Liga de Orientação e Imprensa, em 1949.
Advogado: Quando deixou o Departamento de Informação?
Sol Jong Sik: Em novembro de 1946.
Advogado: Quando ocorreu a infiltração no partido?
Sol Jung Sik: Em setembro de 1946.
Advogado: Terminei minhas perguntas.
Juíz Pak Ryong Suk: Quantas vezes forneceu materiais de informação a Robinson em conluio com Rim Hwa?
Sol Jong Sik: Quatro vezes.
Juíz: Em que datas e quais foram os conteúdos dos materiais de espionagem fornecidos a Robinson?
Sol Jong Sik: Na primeira vez, em junho de 1946, entreguei alguns números do "Jongno", órgão do Partido Comunista da Coreia, e um exemplar da publicação "Explicação sobre a Reforma Agrária na Coreia do Norte". Na segunda vez, em julho de 1946, entreguei a estrutura organizacional e o conteúdo das atividades de cada partido político e organização social integrado à Frente Unida Nacional Democrática. O terceiro material que forneci foi, por volta de meados de agosto de 1946, a ata do congresso nacional de escritores. A quarta vez foi em uma data desconhecida, e o material consistia em documentos sobre as posições do lado soviético a respeito da Comissão Conjunta URSS-EUA, sobre a fusão dos três partidos da Coreia do Sul e em livros de literatura de esquerda. Todos esses materiais foram recebidos de Rim Hwa e eu mesmo os entreguei diretamente a Robinson.
Presidente do Tribunal (aos promotores e advogados): Há mais alguma pergunta complementar?
Promotor: Não.
Advogado: Não.
Presidente do Tribunal: O exame dos fatos relativos aos doze acusados foi basicamente concluído. Há mais alguma pergunta a fazer?
Promotor: Faremos as perguntas depois que terminar o interrogatório das testemunhas.
Advogado: Concordo com a opinião do promotor.
Interrogatório da testemunha Jon Yong Ae
Presidente do Tribunal: Façam a testemunha Jon Yong Ae entrar.
(A testemunha Jon Yong Ae entra)
Presidente do Tribunal: Você é Jon Yong Ae?
Jeon Yeong Ae: Sim, sou.
Presidente do Tribunal: Sobre os atos criminosos de quem a testemunha pretende depor?
Jon Yong Ae: Pretendo depor sobre os atos criminosos de Ri Sung Yop.
Presidente do Tribunal: Fale.
Jon Yong Ae: Falarei, como sei, sobre os atos criminosos do acusado Ri Sung Yop. Eu trabalhava para o partido desde logo após 15 de agosto e, devido à opressão do governo militar estadunidense e da camarilha de Ri Sung Man, desenvolvia atividades partidárias clandestinas em condições difíceis. Nesse processo, fui presa várias vezes pelos inimigos e sofri todo tipo de tortura, mas mantive minha lealdade ao partido sem me desviar. Então chegou a libertação de 15 de junho e, em meio à alegria de poder finalmente trabalhar tranquilamente, enquanto realizava atividades partidárias em Seul, certo dia um homem chamado Choe Man Yong, que parecia ter cerca de 30 anos, veio à minha casa acompanhado de outro homem e me prendeu. Quando perguntei por ordem de quem estava sendo presa, ele disse que era por ordem de Ri Sung Yop e, ameaçando-me com uma pistola, mandou que eu fosse com eles. Ao acompanhá-los, chegamos ao local da Companhia Têxtil Kyongsong, onde Choe Man Yong me ameaçou, dizendo: “Você denunciou Kim Sam Ryong e Ri Ju Ha e fez com que fossem presos e mortos, não foi? Confesse francamente o que aconteceu”. Diante de um fato completamente inesperado, sem saber do que se tratava, permaneci por um momento sem reação e depois recusei, dizendo que não sabia de nada, pois aquilo era um fato completamente sem fundamento. Apesar disso, continuaram a me pressionar para que confessasse tal fato. Enquanto isso, veio um jovem de cerca de 23 anos e disse para eu entrar no jipe e ir com eles. Quando entrei no automóvel, me levaram à sede das Forças Voluntárias. Ao entrar no terceiro andar, havia outro jovem, que me disse: “Escreva e assine uma confissão sobre Kim Sam Ryong e Ri Ju Ha”. Mas eu recusei até o fim. Então eles me levaram para uma sala ampla, amarraram-me e aplicaram tortura com água, a chamada tortura do avião e a tortura da motocicleta. Essas torturas continuaram desde o momento em que começou a escurecer até o amanhecer do dia seguinte. Durante esse processo, perdi a consciência cinco ou seis vezes. Entretanto, como não podia afirmar um fato sem fundamento, recusei até o fim, mas eles continuaram as ameaças e as torturas de maneiras ainda mais cruéis. Como resultado, fiquei com inúmeras feridas pelo corpo e perdi a consciência. Não sei quanto tempo havia passado. Quando recuperei a consciência e abri os olhos, a janela começava a ficar intensamente iluminada, e havia água espalhada por todo o meu corpo e ao meu redor. Naquele momento, quatro ou cinco jovens, homens e mulheres, que estavam ao meu lado e haviam participado da tortura, disseram: “Pensamos que essa puta tinha morrido, mas ela voltou a viver. Agora que amanheceu, não podemos massacrá-la, então temos de trancá-la numa cela para matá-la em algum lugar”, e me arrastaram para uma cela ampla. Havia ali oito pessoas que, assim como eu, haviam sido torturadas. Depois, por volta das três horas, um jovem disse que eu havia sofrido bastante e me levou de automóvel até minha casa.
Presidente do Tribunal: A testemunha sabe por que a camarilha de Ri Sung Yop cometeu tais atrocidades?
Jon Yong Ae: Ainda não sei.
Presidente (a Ri Sung Yop): Recebeu o relatório sobre o caso do interrogatório da testemunha Jon Yong Ae?
Ri Sung Yop: Sim, estou ciente.
Presidente: Promotor, defensor, interroguem a testemunha.
Promotor: Não há perguntas.
Presidente: Acusado Ri Sung Yop! Não tem perguntas a fazer à testemunha?
Ri Sung Yop: Não tenho.
Presidente: A testemunha pode sentar-se.
Interrogatório da testemunha Yun Tae Hyon
Presidente: Façam entrar a testemunha Yun Tae Hyon.
(A testemunha Yun Tae Hyon entra.)
Presidente: A testemunha é Yun Tae Hyon?
Yun Tae Hyon: Sim, sou eu.
Presidente: Sobre os fatos criminosos de quem a testemunha pode depor?
Yun Tae Hyon: Deporei sobre os fatos criminosos do acusado Ri Sung Yop.
Presidente: Declare os fatos de que tem conhecimento sobre os crimes de Ri Sung Yop.
Yun Tae Hyon: Em 29 de junho de 1950, por ordem dos superiores, cheguei a Seul e permaneci de prontidão como membro destacado em um antigo apartamento dos militares estadunidense. Cerca de um dia depois, Jo Il Myong veio e me disse para acompanhá-lo. Ao chegar, ele me apresentou To Yong Ho, responsável pela seção de assuntos especiais, sala 30 do terceiro andar do quartel-general das Forças Voluntárias. A partir de então, passei a trabalhar sob as ordens de To Yong Ho. Por instrução dele, recebi da seção de assuntos especiais cerca de 20 detidos e os objetos confiscados que eram administrados por Choe Man Yong. Disseram-me que os 20 detidos eram traidores, por isso foram examinados mediante tortura. Como não havia fundamento algum contra um deles, este foi libertado, enquanto os outros nove continuaram detidos e foram interrogados.
Cerca de dez dias depois, To Yong Ho disse novamente que deveríamos ir a algum lugar. Acompanhei-o até uma fábrica têxtil, onde encontramos Choe Man Yong. Ele apontou para algumas mulheres e disse para levá-las ao quartel-general. Perguntei quem eram aquelas mulheres, e To Yong Ho respondeu que uma delas se chamava Jon Yong Ae e que era uma traidora que havia denunciado Kim Sam Ryong e Ri Ju Ha, levando à morte deles. Então, levei-a da fábrica ao quartel-general e, a partir das nove horas daquela noite até as quatro da madrugada seguinte, submetemo-la a torturas com água, tortura do avião, tortura da motocicleta e outros métodos, obrigando-a a confessar atos de traição. Contudo, Jon Yong Ae insistiu até o fim que nunca havia cometido tal crime.
Durante esse processo de tortura, Jon Yong Ae perdeu a consciência cinco ou seis vezes. Ainda assim, o grupo, incluindo To Yong Ho e eu, continuou a pressioná-la para que confessasse e assinasse uma declaração afirmando ter assassinado Kim Sam Ryong e Ri Ju Ha, mas ela negou isso até o fim. Enquanto isso, na tarde do dia seguinte, um funcionário do Ministério do Interior veio e apontou uma arma para mim, ordenando que levantasse as mãos. Surpreso, levantei as mãos, fui desarmado e detido. Naquela sala, já estavam detidos cinco ou seis indivíduos que trabalhavam na seção de assuntos especiais. Algumas horas depois, ouvimos as vozes de Ri Sung Yop, Jo Il Myong e outros no andar inferior. Um dos integrantes daquele grupo abriu a porta, e fomos libertados.
Então, fomos à sala onde estavam Ri Sung Yop e Jo Il Myong. Ri Sung Yop estava muito exaltado, dizendo: "Seus desgraçados, comportem-se como devem". Depois disso, por ordem de Jo Il Myong, entregamos ao Ministério do Interior todos os que havíamos detido sob a acusação de serem traidores. Foi somente depois disso que tomei conhecimento da verdadeira natureza criminosa e antipartidária daquela Seção Especial.
Presidente: O promotor fará as perguntas.
Promotor: Explique como foi designado para o quartel-general das Forças Voluntárias.
Yun Tae Hyon: Entrei ali por apresentação de Jo Il Myong.
Promotor: Qual foi o motivo da tortura de Jon Yong Ae?
Yun Tae Hyon: To Yong Ho disse que ela era uma traidora que havia matado Kim Sam Ryong e Ri Ju Ha, e ordenou que a fizéssemos confessar dentro de 24 horas. Disse que aquela mulher era uma pessoa perversa que, mesmo depois de ser presa pela polícia fantoche, havia resistido até o fim, e enfatizou que deveríamos tratá-la com rigor, que não haveria problema mesmo se ela morresse durante a tortura, e que deveríamos torturá-la sem piedade. Foi por ordem dele que a torturamos.
Promotor (aos acusados Ri Sung Yop e Jo Il Myong): Têm alguma objeção ao depoimento da testemunha?
Ri Sung Yop e Jo Il Myong: Concordamos integralmente.
Promotor: Terminei o interrogatório.
Presidente: O advogado tem perguntas?
Advogado: Não tenho perguntas.
Presidente: A testemunha pode sentar-se.
Interrogatório da testemunha Jon Gu Ha
Presidente: Façam entrar a testemunha Jon Gu Ha.
(A testemunha Jon Gu Ha entra.)
Presidente: O senhor é Jon Gu Ha?
Jon Gu Ha: Sim, sou eu.
Presidente: Sobre os fatos criminosos de quem a testemunha pretende depor?
Jon Gu Ha: Deporei sobre os atos cometidos por An Yong Tal, que estava sob a direção do acusado Ri Sung Yop.
Presidente: Prossiga.
Jon Gu Ha: Eu conheci An Yong Tal enquanto trabalhava no Departamento de Ligação do Partido. Desde 1947, An Yong Tal viajava entre Pyongyang e outros lugares para manter contato e dirigia e supervisionava o trabalho através dos canais do Partido. Por volta de março de 1948, An Yong Tal me disse que, assim como os inimigos praticavam o terrorismo, nós também tínhamos o nosso terrorismo vermelho. Por isso, ordenou que qualquer pessoa que atravessasse o paralelo 38 fosse presa e executada, sem exceção. Eu lhe perguntei se seria possível fazer isso, mas ele respondeu que era uma ordem especial de Ri Sung Yop e que deveria ser executada.
Assim, entre maio e agosto de 1948, prendemos e executamos incondicionalmente todos os que atravessavam o paralelo 38, fossem pessoas que haviam ido do Norte para o Sul ou do Sul para o Norte. O total chegou a 42 pessoas. Acrescento ainda que, entre as instruções apresentadas por An Yong Tal, ele disse que deveríamos aproveitar o estado de exaltação provocado pelas eleições unilaterais de 10 de maio, que levaram à ruína nacional. Foi durante a execução desses atos que, por intermédio de An Yong Tal, mantive uma ligação estreita com Ri Sung Yop.
É claro que as instruções diretas eram dadas por An Yong Tal, mas, considerando que ele recebia ordens de Ri Sung Yop, bem como todas as ocasiões em que o próprio An Yong Tal declarou que se tratava de ordens de Ri Sung Yop, afirmo com segurança que esse caso de assassinatos foi organizado diretamente por Ri Sung Yop. Além das 42 pessoas que já mencionei, continuaram organizando massacres. Por exemplo, recebi de An Yong Tal a ordem de matar o presidente do Comitê Partido do condado de Jangpung e o presidente do Comitê do Partido da cidade de Kaesong. Prendemo-los e interrogamo-los, mas, ao constatar que não haviam cometido qualquer ato de traição, acabamos por libertá-los.
Presidente (ao promotor e ao advogado): Interroguem a testemunha.
Advogado: Não tenho perguntas.
Promotor: Gostaria de fazer uma pergunta ao acusado Ri Sung Yop.
Presidente: Acusado Ri Sung Yop!
Promotor: O senhor deu instruções para que todos os que atravessassem o paralelo 38, em qualquer direção, fossem incondicionalmente assassinados?
Ri Sung Yop: Não dei tal instrução diretamente. Contudo, como eu era o principal responsável por aquele grupo criminoso, isso ocorreu sob a minha influência.
Presidente: A testemunha pode sentar-se.
Advogado: Deixo a critério do tribunal.
Presidente: (Após deliberação imediata do tribunal.) Foi decidido encerrar os interrogatórios das testemunhas. As partes do processo têm alguma pergunta complementar a fazer?
Promotor e advogado: Não temos.
Presidente: Como os fatos criminosos dos acusados foram completamente esclarecidos, decidiu-se não prosseguir com os interrogatórios das testemunhas. Sentem-se.
(Todas as testemunhas se sentam.)
Presidente: Façam sair todas as testemunhas presentes no tribunal.
(Todas as testemunhas saem.)
Presidente: Com isso, encerramos a terceira sessão do julgamento. A quarta sessão do julgamento será aberta amanhã, às 10 horas da manhã. (20 horas)
― Quarta sessão, 6 de agosto de 1953 ―
Presidente: Daremos início agora à quarta sessão do julgamento. Se algum dos acusados tiver uma declaração complementar a fazer ou algum ponto a esclarecer, que se manifeste. (Os onze acusados, incluindo Ri Sung Yop, responderam, cada um, que não tinham nada a acrescentar.)
Paek Hyong Bok: Gostaria de dizer apenas uma coisa.
Quando, no segundo dia do julgamento, Jo Yong Bok declarou que havia desempenhado um papel decisivo na prisão do senhor Kim Sam Ryong, o presidente perguntou-me se o depoimento de Jo Yong Bok estava correto, e eu respondi que sim, que estava correto. Mas, na verdade, o correto teria sido responder que não foi Jo Yong Bok quem desempenhou o papel decisivo, mas eu. E eu também deveria ter dito que o depoimento de Jo Yong Bok estava correto quanto às demais partes.
Presidente (aos promotores e advogados): Há alguma pergunta complementar a fazer?
Promotores e advogados: Não temos.
Presidente: Faremos agora um intervalo de duas horas.
Presidente: Daremos prosseguimento ao julgamento. (12 horas.) A partir de agora, será apresentada a argumentação do promotor responsável pela acusação. (Após o término da argumentação, o presidente declarou o intervalo. 14 horas.)
III. Argumentação do Procurador do Estado
Argumentação do vice-procurador-geral Kim Tong Hak sobre o caso de conspiração para derrubar o governo da República Popular Democrática da Coreia e de espionagem, terrorismo, atos de propaganda e agitação contra o Estado, cometido pelos acusados Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Rim Hwa, Pak Sung Won, Ri Kang Guk, Pae Chol, Yun Sun Tal, Ri Won Jo, Paek Hyong Bok, Jo Yong Bok, Maeng Jong Ho e Sol Jong Sik.
Respeitável presidente e camaradas juízes,
No julgamento realizado ao longo de quatro dias neste tribunal, foram expostos claramente os diversos crimes hediondos cometidos pelo acusado Ri Sung Yop e pelos demais conspiradores, incluindo espionagem, terrorismo, massacres e a conspiração para derrubar o governo da República. O significado deste julgamento que os senhores examinaram é de grande importância.
Como ficou estabelecido na apreciação deste tribunal, os fatos imputados aos presentes acusados, qualquer que seja o ato considerado, não podem deixar de provocar o ódio e a indignação do povo coreano.
Isso se deve ao fato de que tais atos foram executados sob as ordens dos imperialistas estadunidenses, os inimigos irreconciliáveis do povo coreano e chefes da reação internacional, e também em conspiração direta com eles. Partindo justamente desse ponto, todos os fatos revelados durante o julgamento demonstram que o significado deste processo não se limita de modo algum a determinar os crimes individuais dos membros da camarilha de conspiradores contra o Estado e da rede internacional de espionagem, tendo Ri Sung Yop como chefe, nem a estabelecer a gravidade de cada um deles. Seu significado reside também no fato de que os planos conspiratórios do imperialismo estadunidense, os ferozes inimigos dos povos amantes da liberdade de todo o mundo, foram frustrados e expostos.
Desde o primeiro dia em que estenderam suas garras sobre a Coreia, os imperialistas estadunidenses, ambicionando a hegemonia mundial, apareceram como inimigos irreconciliáveis do povo coreano. Como apontou o Marechal Kim Il Sung, os saqueadores estadunidenses, ao ambicionarem a hegemonia mundial, procuraram transformar o território de nossa pátria em sua colônia, convertê-lo em uma base militar estratégica para a agressão à Ásia, especialmente contra a União Soviética e a República Popular da China, e escravizar o povo coreano. Foi precisamente há três anos, em 25 de junho de 1950, que instigaram seu instrumento, a camarilha de Ri Sung Man, a provocar uma guerra civil entre compatriotas na Coreia e, mobilizando diretamente suas forças terrestres, navais e aéreas, armadas com tecnologia moderna, bem como as tropas de seus países seguidores, violaram brutalmente os tratados internacionais e, aplicando os métodos mais desesperados, de agonia final e de ferocidade bestial, envidaram esforços frenéticos para concretizar seus sinistros planos. Contudo, como resultado da luta heroica de três anos do povo coreano em defesa da liberdade e da independência de sua pátria, contando com o apoio e a solidariedade dos povos dos países socialistas e de democracia popular, liderados pela grande União Soviética, e dos povos amantes da liberdade de todo o mundo, os imperialistas estadunidenses, após sofrerem enormes perdas humanas e materiais, foram derrotados e acabaram fracassando.
Assim, o fato de que, neste período em que se concretizou o armistício na Coreia, esteja sendo realizado o julgamento da camarilha de Ri Sung Yop provoca grande repercussão não apenas entre o povo coreano, mas também entre os povos amantes da paz de todo o mundo, que se opõem à guerra.
A camarilha de Ri Sung Yop aliou-se diretamente aos imperialistas estadunidenses e, sob suas ordens, infiltrou-se em importantes órgãos estatais de nossa República, ocupando durante longo tempo posições de liderança que lhe permitiram realizar atividades de espionagem com facilidade. Além disso, cometeu diretamente atos de sabotagem, terrorismo e massacre, tentando dividir e desintegrar nosso Partido e nosso Governo a partir de dentro, facilitando assim os ataques externos, ao mesmo tempo que procurava reunir forças contrarrevolucionárias, provocar uma insurreição armada e derrubar o governo da República. Particularmente, o fato de que essas ações tenham sido executadas de maneira ainda mais desesperada durante o processo da Guerra de Libertação da Pátria, por inimigos extremamente astutos e dotados de vínculos internacionais, confere um significado especial a este julgamento.
Respeitáveis camaradas juízes,
Como foi comprovado no julgamento deste caso, por trás da camarilha de Ri Sung Yop encontravam-se, como chefes, Noble, conselheiro político da Embaixada dos Estados Unidos na Coreia do Sul; Baird, comandante da Polícia Militar da 24ª Divisão do Exército dos Estados Unidos, que aparecera como o primeiro carrasco do povo coreano, mas acabou derrotado e partiu; Nichols, da Seção de Inteligência Aérea do Comando do Extremo Oriente dos Estados Unidos; e os conselheiros políticos da infame agência de espionagem estadunidense CIC, Johnson e Robinson, além de outros dos mais sinistros agentes de inteligência dos Estados Unidos.
Como os acusados confessaram individualmente durante o julgamento, ficou comprovado que eram, desde o princípio, falsos comunistas que adoravam os Estados Unidos e desejavam vender a pátria aos imperialistas estrangeiros, autoproclamados "ativistas revolucionários" sem qualquer vínculo com o povo.
Os depoimentos dos acusados Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Ri Kang Guk e dos demais conspiradores confirmaram isso claramente.
Ri Kang Guk já havia se encontrado, em 1935, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, com Crowley, dirigente de uma agência de espionagem estadunidense, com quem havia combinado secretamente manter vínculos criminosos no futuro. Como a ideologia de adoração aos Estados Unidos estava profundamente arraigada nele, logo no início do desembarque das tropas estadunidenses ele próprio se ofereceu para colaborar com a agência de espionagem estadunidense. Além disso, entregou sua amante, Kim Su Im, ao coronel Baird, comandante da Polícia Militar da 24ª Divisão do Exército estadunidense, como informante, fazendo com que ela coletasse e fornecesse habilmente informações importantes nos campos militar, político, econômico e outros.
Quando a eclosão da guerra se aproximava, por volta de maio de 1950, o acusado Ri Kang Guk encontrou-se por duas vezes, em sua própria residência, com os espiões Alice Hyon e Ri Sa Min, enviados diretamente dos Estados Unidos por instruções da agência de espionagem estadunidense, e prometeu coletar e fornecer informações sobre segredos militares e estratégias. Isso demonstra que as atividades de espionagem dos criminosos da camarilha de Ri Sung Yop não foram realizadas por alguma circunstância perigosa ocasional, mas partiram de uma necessidade ideológica e de classe inevitável, em sintonia com os imperialistas estadunidenses.
Durante o período de 1946 a 1947, quando se realizava a Comissão Conjunta URSS-EUA, eles destruíram as atividades organizativas de nosso Partido ao fornecerem à agência de espionagem estadunidense todos os tipos de informações confidenciais internas, especialmente o sistema organizativo do Partido do Trabalho da Coreia do Sul, desde o centro até as localidades, bem como todos os materiais relativos ao Partido, e colaboraram com a política criminosa do lado estadunidense destinada a sabotar o trabalho da Comissão Conjunta URSS-EUA.
As atividades de espionagem da camarilha de Ri Sung Yop tornaram-se gradualmente mais criminosas e expandiram-se de maneira astuta, conforme mudavam as circunstâncias internacionais e internas. Em julho de 1948, o conselheiro político Noble instruiu Ri Sung Yop: "Quando você for a Pyongyang, estude concretamente a situação social da Coreia do Norte e, antes de tudo, prepare uma base e todas as condições necessárias para poder expandir suas atividades políticas". Depois de receber essa instrução, a camarilha de Ri Sung Yop, ao entrar na Coreia do Norte, empregou todos os meios para se infiltrar em cargos importantes do Governo da República e do Partido, a fim de estabelecer suas posições.
Ri Sung Yop chegou a ocupar importantes cargos, como o de secretário do Partido do Trabalho da Coreia e diretor do Departamento de Inspeção Popular da República Popular Democrática da Coreia, enquanto Jo Il Myong infiltrou-se no cargo de vice-ministro da Cultura e Propaganda.
A camarilha de Ri Sung Yop e Jo Il Myong, para executar fielmente as instruções das agências de espionagem estadunidenses, empenhou-se freneticamente em reunir elementos suspeitos ao seu redor, com o objetivo de sistematizar e ampliar sua rede de espionagem.
Primeiramente, Ri Sung Yop e Jo Il Myong formaram uma rede de espionagem para manter contato com Noble. Assim, incorporaram à rede de espionagem Pak Sung Won e Rim Hwa, que haviam se infiltrado na Gráfica nº 1 de Haeju, bem como An Yong Tal, representante de Noble na parte sul-coreana; Ri Sung Yop e Jo Il Myong, na região norte; Rim Hwa, que era o principal responsável pelas comunicações entre Pyongyang e Haeju; e Pak Sung Won, que era o principal responsável por transmitir de Haeju para a região sul.
A partir de então, a camarilha de Ri Sung Yop forneceu repetidamente importantes informações pertencentes aos segredos de Estado da República, como diversas estatísticas e dados sobre o desenvolvimento da economia popular, documentos de avaliação de quadros dos diversos ministérios do Gabinete e do Comitê Central do Partido, políticas do Partido e do Governo, decisões do Bureau Político do Partido, entre outros.
Especialmente à medida que se tornava explícita a conspiração dos imperialistas estadunidenses para provocar uma guerra, Ri Sung Yop, utilizando seus cargos, sob o pretexto de realizar atividades de direção partidária, investigou pessoalmente, em setembro de 1949, a disposição e as posições das tropas de guarda da República estacionadas ao longo da linha do paralelo 38 e nas áreas costeiras, desde Ongjin, na província de Hwanghae, até Yangyang, na província de Kangwon. Em seguida, fez com que Jo Il Myong organizasse os dados e os transmitisse a Noble através da rede de comunicações já estabelecida. Também foi comprovado que, no verão de 1949, enviou Jo Il Myong e Pak Sung Won ao monte Kkatchi, sob o pretexto de realizar uma reportagem, a fim de investigar a situação dos combates e fornecer as informações a Noble.
Esses fatos foram plenamente comprovados pelos depoimentos coincidentes dos coacusados e pela declaração do próprio chefe deles, Ri Sung Yop: "Esses materiais permitiram que tivessem importância e desempenhassem um papel decisivo na provocação da guerra".
Sob o controle e a direção pessoal de Noble, da Embaixada dos Estados Unidos, e em conluio com Nichols, da Inteligência Aérea estadunidense, o acusado Jo Yong Bok aproximou-se do camarada Kim Sam Ryong, então membro do Comitê Político do Partido do Trabalho da Coreia e dirigente local do Partido do Trabalho da Coreia do Sul. A partir desse momento, foi reconstituída e ampliada a ligação da conspiração de espionagem e sabotagem da facção de Noble, que já mantinha "relações mútuas" com Ri Sung Yop e conspirava para derrubar o governo da República.
Paek Hyong Bok, carrasco que havia alcançado notoriedade nos principais cargos da polícia fantoche de Ri Sung Man por prender, encarcerar, torturar e massacrar centenas e milhares de patriotas, declarou no tribunal do julgamento, a respeito da ligação de espionagem entre a camarilha de Ri Sung Yop e as agências de inteligência estadunidenses: "Por volta do final de janeiro de 1949, no escritório do chefe da Seção de Investigação do Departamento de Segurança Pública do Ministério do Interior do governo de Ri Sun Man, em Seul, tive uma discussão com o coronel estadunidense Nichols sobre as atividades de espionagem contra o Norte. Naquela ocasião, ele me disse: 'Para os Estados Unidos e para o campo anticomunista em geral, a Coreia tem um valor maior como ponto de concentração para a obtenção de segredos dos países vizinhos, incluindo a União Soviética e a China, do que pelo seu peso em termos de valor estratégico. Especialmente porque, na Coreia, vivem os mesmos coreanos em duas regiões, norte e sul, divididas pelo paralelo 38, ela se tornou o local mais favorável para atividades de espionagem. Além disso, a missão de vocês, que realizam o mais alto nível de trabalho de inteligência na polícia sul-coreana, é importante...'". Ele também disse que "o doutor Noble já estava em contato com Ri Sung Yop, que se encontrava no Norte como representante, e que ele era um homem de excelentes habilidades políticas".
O acusado Paek Hyong Bok declarou, com evidente entusiasmo e admiração, que havia ficado inspirado e impressionado com essas palavras.
Assim, conforme declarou o acusado Jo Yong Bok, os conspiradores, pelo método de "matar dois coelhos com uma cajadada só", obtinham, por intermédio de An Yong Tal, inicialmente os segredos do Partido de Jo Yong Bok, que estava encarregado de parte do trabalho de estratégia política de Kim Sam Ryong, atribuíam-lhe missões de espionagem para que as transmitisse a Ri Sung Yop e recebiam as informações confidenciais internas do Partido. Os materiais de espionagem coletados por Ri Sung Yop eram recebidos por eles sob a forma do que chamavam de "presente", em três ocasiões, entre fevereiro e abril de 1950. Por meio dessa rede de comunicação de espionagem, procuraram empreender uma ofensiva final e desesperada contra o campo democrático e, intensificando ao extremo a repressão à luta clandestina na região sul, conforme desejava o acusado Ri Sung Yop, destruíram sua organização e fizeram com que o camarada Kim Sam Ryong fosse preso e assassinado pelas mãos do conspirador Paek Hyong Bok.
Além disso, os chefes desse grupo criminoso, temendo que sua verdadeira identidade fosse revelada em relação à prisão do camarada Kim Sam Ryong, enviaram o acusado Jo Yong Bok para a região norte, como meio de encobrir o caso, fazendo um relatório distorcido sobre a prisão de Kim Sam Ryong e para sondar a atitude do lado norte-coreano.
Ri Sung Yop recebeu o relatório de Jo Yong Bok, deu-lhe a instrução de "retornar rapidamente à região sul antes que sua verdadeira identidade seja revelada e tomar urgentemente todas as medidas necessárias para recuperar a confiança do Partido", e enviou-o novamente a Seul.
A agência de espionagem estadunidense, que era o quartel-general dos espiões, aprovou a "medida" de Ri Sung Yop, considerando-a uma excelente ideia. De acordo com os planos de Noble e Nichols, disfarçou o traiçoeiro Paek Hyong Bok como simpatizante do comunismo e, juntamente com An Yong Tal e Jo Yong Bok, infiltrou-o na região norte em 7 de maio de 1950, finalmente, sob a forma de uma "entrada voluntária no Norte". Depois disso, Ri Sung Yop tentou, para fins de espionagem, infiltrar Paek Hyong Bok nos órgãos do Ministério do Interior, conforme as instruções de Noble, enquanto enviou novamente An Yong Tal à região sul para transmitir a Noble as informações necessárias à conspiração dos imperialistas estadunidenses para provocar a guerra e suas próprias opiniões, mantendo Jo Yong Bok de prontidão para utilizá-lo na execução dos futuros planos criminosos.
Os coacusados, reconhecendo individualmente os crimes que haviam cometido para a realização desses planos criminosos e sua execução, confirmaram as acusações apresentadas neste caso. O principal acusado, Paek Hyong Bok, declarou no tribunal: "Nós, An Yong Tal, Jo Yong Bok e eu, recebemos de Nichols a instrução para preparar uma encenação de 'entrada voluntária no Norte', conforme as palavras de Ri Sung Yop, que havia ordenado que fossem tomadas medidas urgentes. A princípio, hesitei diante da questão de ir para o Norte, mas, quando, juntamente com An Yong Tal, recebi as instruções de Noble no Hotel Bando, ele nos persuadiu dizendo: 'Em breve lançaremos uma expedição ao Norte; quando começarmos o avanço contra o Norte, em um dia tomaremos Pyongyang, e então conversarei com o presidente Ri Sung Man para promovê-lo ao cargo de chefe de departamento', entre outras coisas. Assim, prevendo que em breve ocorreria a expedição ao Norte e acreditando que, ao entrar na Coreia do Norte, Ri Sung Yop, de quem Noble falava, me protegeria, decidi ir para o Norte".
Ele também declarou: "Noble instruiu categoricamente: 'Quando An Yong Tal for até Ri Sung Yop, deverá transmitir-lhe informações de que em breve será lançada uma expedição ao Norte. Na realidade, o Exército Nacional lançará primeiro a expedição ao Norte, mas, para atribuir ao governo comunista norte-coreano a responsabilidade pela provocação da guerra, é necessário obter os materiais exigidos pelo lado estadunidenses, para que se possa despertar a opinião pública internacional. Portanto, receba de Ri Sung Yop esses materiais de informação e retorne rapidamente à Coreia do Sul'". Depois de ir para o Norte, enquanto aguardava, sob a proteção de Ri Sung Yop, a oportunidade de se infiltrar nos órgãos do Ministério do Interior, ao encontrá-lo, declarou a Ri Sung Yop: "Depois de trocarmos informações sobre o doutor Noble, eu esperava pelas futuras atividades".
O depoimento do acusado Paek Hyong Bok foi claramente confirmado também pelo depoimento do coacusado Jo Yong Bok, e Ri Sung Yop reconheceu os depoimentos dos coacusados com a seguinte declaração. Ele declarou: "Ao ouvir as palavras de An Yong Tal transmitidas por Noble, reconheci em geral aquele plano criminoso e, antes de tudo, enviei An Yong Tal a Seul para transmitir a Noble que, em relação à urgente exigência de atribuir à República e às suas forças armadas a responsabilidade pela provocação da guerra, seria transmitida pelo rádio a notícia de que as forças armadas da República haviam invadido, e que, caso, em alguns pontos da região, as forças do Exército Nacional recuassem deliberadamente de um a dois quilômetros e provocassem um alvoroço dizendo que se tratava de um avanço do Exército Popular, seria possível atribuir ao lado do Exército Popular a responsabilidade pela provocação da guerra e despertar a opinião pública internacional".
Assim, conforme o próprio Ri Sung Yop declarou, ficou comprovado que a conspiração dos imperialistas estadunidenses e de seu instrumento, Ri Sung Man, para provocar uma guerra entre compatriotas, bem como a extrema repressão e a natureza bestial dos massacres em massa contra o campo democrático na região sul da República, estavam intimamente ligadas à camarilha de Ri Sung Yop, que hoje está sendo submetida ao julgamento do povo.
No início de julho de 1950, a camarilha de Ri Sung Yop realizou, juntamente com An Yong Tal, discussões para executar um novo plano já estabelecido e, por meio da rede de informações anteriormente operada por An Yong Tal, de pessoas que estavam sob sua influência e de coacusados como Maeng Jong Ho, que haviam participado de atividades de espionagem, passou a coletar informações sobre os diversos aspectos sociais, políticos e econômicos da região norte da República, destinadas a serem fornecidas às agências de espionagem estadunidenses.
Quando o Exército Popular se retirou estrategicamente de Seul, em março de 1951, eles incorporaram à sua atividade de espionagem indivíduos selecionados, deixando-os em Seul para manter contato com Noble, e foi comprovado que, em 1951, receberam novas instruções de Noble por meio de elementos de espionagem enviados por ele à região norte.
Por outro lado, a camarilha de Ri Sung Yop, preservando habilmente sua identidade por meio da "ocultação mútua" e da "proteção recíproca" entre os envolvidos nas atividades de espionagem, procurou enfraquecer o poder militar da República e coletar seus segredos para transmiti-los aos seus patrões estadunidenses, esperando uma derrota militar e trabalhando para proporcionar as condições necessárias às operações estratégicas do exército estadunidense. Para alcançar esse objetivo, ficou comprovado que, como já foi declarado, até por volta de outubro de 1952, em várias ocasiões, juntamente com Ri Kang Guk, que já havia sido registrado como espião internacional contratado de uma agência de espionagem estadunidense sediada no Departamento de Estado dos Estados Unidos, e com o acusado Rim Hwa, coletaram segredos militares e importantes segredos do Partido e do Governo e os forneceram às agências de espionagem estadunidenses.
Todos os materiais do caso comprovados acima confirmam, sem qualquer dúvida, que a camarilha de Ri Sung Yop conspirou para derrubar a República Popular Democrática da Coreia e vender nosso país aos imperialistas estadunidenses.
Respeitáveis camaradas juízes,
Esses acusados amaldiçoados, sob a direção direta de Noble e de acordo com o plano de guerra de agressão dos imperialistas estadunidenses contra a Coreia, colaboraram ativamente, sob o lema da chamada "limpeza da retaguarda", com a política de prender, encarcerar e massacrar em massa os patriotas, a fim de reprimir os partidos democráticos e organizações sociais que haviam passado à clandestinidade.
Ficou comprovado pelo depoimento do coacusado Paek Hyong Bok que, quando, em 1949, foi publicado o apelo da Frente Democrática para a Reunificação da Pátria, propondo eleições gerais como o único caminho para a reunificação pacífica da pátria, sob as instruções de Noble, a camarilha Ri Sung Yop ordenou que fossem preparadas armas para provocar uma insurreição, dizendo que o Exército Popular viria e avançaria, e que isso resultou, somente em Seul, em milhares de casos de insurreição, levando à prisão, detenção e massacre de numerosos patriotas. Além disso, fizeram com que o acusado Paek Hyong Bok, então chefe da Seção de Investigação da Divisão de Segurança Pública do Ministério do Interior do governo títere de Ri Sung Man, prendesse, em 27 de março de 1950, o camarada Kim Sam Ryong, membro do Comitê Político do Partido do Trabalho da Coreia, sob a direção direta de Nichols, da Inteligência Aérea do Comando do Extremo Oriente dos Estados Unidos, e com a colaboração de An Yong Tal e do acusado Jo Yong Bok. Mais ainda, para ocultar esses fatos criminosos, a camarilha de Ri Sung Yop não hesitou em massacrar numerosos inocentes, sob vários pretextos de "suspeita" ou de "segredo operacional".
Sobre esse fato, o acusado Maeng Jong Ho confessou: "No verão de 1949, quando eu era responsável pelo Departamento de Ligação, recebi de So Tok Un, um elemento suspeito, a ordem de executar duas pessoas que haviam entrado na região norte após realizar trabalho partidário, sob a acusação de serem espiões. Eu as interroguei, mas, como não havia qualquer indício de crime, hesitei em executá-las. Então, Ri Sung Yop me repreendeu por não ter executado sua ordem. Depois disso, o acusado Ri Sung Yop instruiu o responsável pelo posto de ligação de Yangyang a assassiná-las".
Os coacusados, tendo Ri Sung Yop como chefe, cometeram esses atos de terrorismo e massacre de maneira ainda mais cruel e astuta na região de Seul, zona libertada, após o início da guerra.
Ri Sung Yop, enquanto presidente do Comitê Popular Provisório da cidade de Seul, instalou uma prisão no porão do edifício daquele comitê, organizou uma organização de terrorismo e assassinato tendo como chefe seu mais fiel instrumento, e instruiu o coacusado Maeng Jong Ho a interrogar sob tortura membros do Partido do Trabalho de Kangnung e outras pessoas "suspeitas" de diversos "crimes". Depois, sete delas foram levadas de automóvel até a margem do rio Han e fuziladas sob o pretexto de "garantir o segredo", a fim de ocultar seus crimes.
O acusado Ri Sung Yop, com o objetivo de massacrar habilmente aqueles que conheciam seus segredos criminosos ou que poderiam atrapalhar suas atividades conspiratórias para derrubar o governo, organizou uma organização de assassinato chamada "Comitê de Investigação de Terras", tendo An Yong Tal como chefe. Quando esta foi dissolvida pelas autoridades superiores, instalou, em seu lugar, uma "Seção Especial" no quartel-general das Forças Voluntárias, a fim de continuar aquelas atrocidades e ocultá-las completamente. Ali, mais de 70 pessoas foram detidas e submetidas a torturas bestiais, sem qualquer vestígio de humanidade, até perderem a consciência, fatos claramente comprovados pelo depoimento da testemunha Yun Tae Hyon.
Dessa maneira, a camarilha de Ri Sung Yop, em oposição à política da República, cometeu atos criminosos e brutais ao prender e deter indiscriminadamente grandes quantidades de pessoas inocentes e submetê-las a torturas indescritíveis, afastando a população das zonas libertadas do governo da República. Quando havia o risco de que seus crimes contra o Estado fossem revelados, o bando de assassinos de Ri Sung Yop não hesitava em matar até mesmo pessoas de seu próprio grupo.
Para ocultar até o fim os crimes de An Yong Tal, que havia provocado a prisão do camarada Kim Sam Ryong e destruído o trabalho partidário na região sul, eles chegaram a cometer o ato conspiratório de prender uma mulher chamada Jon Yong Ae e fabricar a acusação de que ela havia denunciado o camarada Kim Sam Ryong, provocando sua prisão. Quando a opinião pública começou a tomar conhecimento da verdadeira identidade de An Yong Tal, para impedir que seus próprios crimes fossem revelados, ordenaram que An Yong Tal fosse enviado à unidade de Maeng Jong Ho, sob o pretexto de ser mobilizado para a frente, para que fosse assassinado.
Esses fatos foram comprovados hoje neste tribunal pelos depoimentos de Yun Tae Hyon, que testemunhou pessoalmente o tratamento dado a Jon Yong Ae, e da vítima Jon Yong Ae.
Os acusados Pae Chol, Yun Sun Tal, Pak Sung Won e Maeng Jong Ho, acusados juntamente com Ri Sung Yop, não apenas massacraram numerosas pessoas por meio de sua organização secreta, mas também tramaram e executaram uma conspiração para assassinar mulheres inocentes a fim de ocultar a vida dissoluta de Ri Sung Yop.
Respeitáveis camaradas presidente e juízes,
A camarilha de Ri Sung Yop, juntamente com as atividades de espionagem acima descritas e as atividades conspiratórias contrarrevolucionárias destinadas a destruir e enfraquecer as forças democráticas da Coreia do Sul e a cometer atos de terrorismo e massacre, também realizou uma conspiração para provocar uma insurreição armada com o objetivo de derrubar o governo da República.
Ao analisar o curso histórico dessa conspiração, considero necessário recordar sua ligação com todos os demais crimes cometidos pela camarilha de traidores.
O acusado Ri Kang Guk declarou no tribunal: "Eu reconhecia, há muito tempo, que a libertação e a independência da Coreia só poderiam ser alcançadas por meio das potências estrangeiras e esperava a ajuda dos Estados Unidos. Por esperar isso, embora reconhecesse plenamente que a chamada Tese de Agosto de Pak Hon Yong havia sido apresentada como uma obra antissoviética, de direita, oportunista e afastada dos princípios internacionalistas, movido pelos meus interesses de classe e pela ideologia de adoração aos Estados Unidos, participei e atuei diretamente na chamada conspiração de Pak Hon Yong para fabricar a 'República Popular da Coreia'".
A camarilha de Ri Sung Yop adorava os Estados Unidos havia muito tempo e havia declarado abertamente sua disposição de colaborar com eles. Para satisfazer suas ilusões e ambições, opuseram-se às decisões da Conferência dos Ministros das Relações Exteriores de Moscou, classificando-as como uma política de tutela, e procuraram dividir para sempre a nação coreana, criando desconfiança mútua entre os coreanos. Além disso, realizaram propaganda e agitação reacionárias, difamando e opondo-se ao sistema de democracia popular estabelecido na República e às suas políticas, e organizaram sistematicamente ações destinadas a afastar o povo do Partido do Trabalho da Coreia e do Governo da República.
Não pretendo recordar novamente esses fatos concretos, pois eles foram expostos de maneira tão clara no julgamento.
Contudo, considero necessário lembrar que, em junho de 1950, as atividades destinadas a derrubar o governo se intensificaram e se tornaram explícitas a partir da etapa de execução das novas instruções de Noble aos conspiradores que haviam fugido para Seul.
Isto é, Ri Sung Yop declarou: "Noble transmitiu-me, por intermédio de An Yong Tal, a seguinte instrução: 'Vocês não precisam ficar tão desanimados. No futuro, os Estados Unidos mobilizarão todas as suas forças militares, desembarcarão em Inchon e Wonsan, cercarão o Exército Popular que avançou para o Sul e avançarão rapidamente em direção aos rios Amnok e Tuman. Aproveitem esta oportunidade para organizar uma revolta popular na retaguarda do Exército Popular, cooperando com as tropas estadunidenses. Isso permitirá aos Estados Unidos esperar não apenas um sucesso militar, mas também um sucesso político'",
Assim, as atividades dos conspiradores para a derrubada do governo foram-se intensificando gradualmente na direção de uma convergência com as ações armadas dos imperialistas estadunidenses, e esses bandidos, utilizando os cargos oficiais que ocupavam, continuaram suas atividades conspirativas, lançando-se freneticamente à transformação em prática do plano criminoso da chamada "insurreição popular". Ri Sung Yop dava instruções às instituições culturais dirigidas pelo coacusado Rim Hwa, por meio das quais eram coletados diariamente até mesmo os materiais informativos necessários para esse fim.
Por volta do final de agosto de 1951, em relação à chamada ofensiva de outono dos Estados Unidos, considerando-a uma boa oportunidade, os acusados Ri Sung Yop, Paek Hyong Bok, Rim Hwa, Pak Sung Won e outros realizaram uma reunião secreta, na qual discutiram e decidiram organizar uma insurreição armada. No final de setembro do mesmo ano, sob a direção de Ri Sung Yop, estabeleceram uma liderança da insurreição. Assim, constituíram um comando da insurreição armada composto por Ri Sung Yop como comandante-geral da insurreição, Pak Sung Won como chefe do Estado-Maior, Pae Chol como responsável pela organização militar, Kim Ung Bin como responsável pelo comando da insurreição, e Jo Il Myong e Rim Hwa como responsáveis pela organização da propaganda e agitação política. Essa camarilha conspiradora elaborou planos minuciosos para a realização da insurreição armada e, com objetivos criminosos, ampliou e fortaleceu a Academia Kumgang e a 10ª Unidade de Guerrilha, tendo sido revelado que tentou transferir a Academia Kumgang para os arredores de Pyongyang, com um plano de utilizá-la urgentemente para um golpe de Estado.
Além disso, utilizando todos os tipos de pretextos, eles aumentaram o efetivo e o poderio armado da Academia Kumgang e das 10ª e 11ª unidades de guerrilha, substituíram os quadros por elementos impuros que lhes obedeciam cegamente e organizaram sistematicamente atividades educacionais, de propaganda e agitação destinadas a inculcar ideias reacionárias, criando condições para a realização da insurreição armada. Não só isso, aproveitando a instalação do Departamento de Ligação no Comitê Central do Partido, tentaram utilizá-lo para seus objetivos criminosos, transformando-o em um centro de concentração de elementos impuros e fazendo-o desempenhar o papel de Estado-Maior da insurreição armada. Simultaneamente à expansão e ao fortalecimento dessas forças armadas, a camarilha conspiradora também não negligenciou a obtenção das forças e instituições gerais necessárias à organização da insurreição.
Como declararam em seus depoimentos no julgamento Ri Sung Yop, Pae Chol e outros, eles afirmaram que, defendendo a criação de um Comitê Popular da Província de Kyonggi na zona libertada, esperavam transformá-lo em uma base para utilizá-lo em benefício de seu grupo criminoso e aproveitar a população de aproximadamente 200 mil habitantes que atuava clandestinamente naquela região.
O acusado Maeng Jong Ho declarou que "por volta de outubro do mesmo ano, Ri Sung Yop veio novamente à 10ª unidade e disse que seria bom ocupar uma área do tamanho do Reino de Mônaco, separá-la do poder da República e construir uma chamada 'terra ideal' onde pudéssemos governar à nossa vontade, mantendo uma economia autossuficiente".
Prevendo antecipadamente o sucesso da insurreição armada, no primeiro domingo de setembro de 1952, os acusados Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Rim Hwa, Pae Chol, Pak Sung Won e outros reuniram-se na residência de Pak Hon Yong e realizaram uma reunião sobre a organização do chamado "novo partido" e do "novo governo" que pretendiam estabelecer futuramente, decidindo que Pak Hon Yong seria o "primeiro-ministro"; Ju Nyong Ha e Jang Si U seriam os "vice-primeiros-ministros"; Pak Sung Won, o "ministro do Interior"; Ri Kang Guk, o "ministro das Relações Exteriores"; Kim Ung Bin, o "ministro das Forças Armadas"; Jo Il Myong, o "ministro da Propaganda"; Rim Hwa, o "ministro da Educação"; Pae Chol, o "ministro do Trabalho"; Yun Sun Tal, o "ministro do Comércio"; e Ri Sung Yop, o primeiro-secretário do "novo partido".
Respeitáveis camaradas juízes, agora falarei individualmente sobre os fatos criminosos e a responsabilidade legal de cada acusado envolvido neste processo.
1. Sobre o acusado Ri Sung Yop
Ri Sung Yop, inimigo do povo coreano, após a libertação da Coreia pelo Exército Soviético, infiltrou-se no Partido e nos órgãos do poder, ascendendo a cargos importantes, como secretário do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia, simultaneamente ministro da Justiça, diretor do Departamento de Inspeção Popular, e presidente do Comitê Popular da Cidade de Seul, desempenhando o papel de chefe na execução dos crimes em questão.
Quando os Estados Unidos entraram na Coreia do Sul, em setembro de 1945, declarou seu apoio à política das forças armadas estadunidenses e, a partir de fevereiro de 1946, passou a participar diretamente dos órgãos de espionagem militar estadunidenses, cometendo, sob as instruções de Noble, agente especial do Departamento de Estado dos EUA e conselheiro político da Embaixada dos Estados Unidos, atos criminosos contra o Estado, como espionagem, sabotagem, terrorismo e conspiração para derrubar o governo.
Em fevereiro de 1946, em Seul, juntamente com Jo Il Myong, forneceu aos órgãos de espionagem estadunidenses importantes materiais secretos relacionados aos assuntos internos do Partido e ao campo político. A partir de agosto de 1948, incorporou Pak Sung Won e, até maio de 1950, incorporou como espiões colaboradores outros agentes dos órgãos de espionagem estadunidenses, como Rim Hwa, An Yong Tal, Jo Yong Bok e Paek Hyong Bok. Por volta de julho de 1951, também incorporou Ri Kang Guk, espião contratado pelos órgãos de espionagem estadunidenses, e, enquanto os orientava, foi comprovado que coletava e fornecia sistematicamente aos órgãos de espionagem estadunidenses materiais secretos dos diversos campos político, econômico e militar do Partido e da República. Além disso, com o objetivo de destruir e enfraquecer as forças democráticas, aliou-se a An Yong Tal, Jo Yong Bok e outros, realizando atividades para destruir e enfraquecer as forças democráticas da Coreia do Sul. Finalmente, em 27 de março de 1950, fez com que seus cúmplices An Yong Tal e Jo Yong Bok denunciassem Kim Sam Ryong, membro do Comitê Político do Partido do Trabalho da Coreia, à polícia fantoche de Ri Sung Man, levando à sua prisão. Desde 1948, o acusado Ri Sung Yop também deu instruções a An Yong Tal, Maeng Jong Ho e outros de seus subordinados para massacrar em massa quadros partidários e pessoas inocentes que tinham conhecimento de seus crimes contra o Estado, a fim de ocultar seus atos criminosos. Além disso, após 28 de junho, para promover a repressão e o massacre das forças democráticas com a libertação de Seul, organizou e dirigiu grupos terroristas assassinos, como o chamado "Comitê de Investigação de Terras".
O acusado Ri Sung Yop, juntamente com seus cúmplices Ri Kang Guk, Jo Il Myong, Pak Sung Won e outros, conspirou para afastar o povo do Partido e do governo e provocar a divisão nacional. Além disso, recrutou e colocou traidores, renegados e outros elementos impuros em importantes cargos de direção dos órgãos partidários e estatais, ampliando suas forças e organizando e dirigindo-os para realizar todo tipo de atividade de intriga política. No início de julho de 1950, por intermédio de An Yong Tal, recebeu de Noble instruções para organizar uma insurreição popular na retaguarda do Exército Popular. A partir de agosto de 1951, com o objetivo de derrubar o governo da República Popular Democrática da Coreia, aliou-se aos acusados Paek Hyong Bok, Pak Sung Won, Jo Il Myong, Rim Hwa, Yun Sun Tal e outros, organizou um centro conspirativo de insurreição armada e, como seu comandante supremo, lançou-se freneticamente ao fortalecimento das unidades armadas e das bases de força necessárias para realizar a insurreição. Em setembro de 1952, atuou como chefe na conspiração para organizar o chamado "novo partido" e o "novo governo»" Esses fatos foram plenamente esclarecidos pelos depoimentos dos acusados e pelos testemunhos das testemunhas que lhes correspondem.
2. Sobre o acusado Jo Il Myong
Em 1934, ele se aliou aos imperialistas japoneses e, como instrutor de língua japonesa na Taehwasuk, em Seul, tornou-se conhecido como traidor do povo coreano por defender a chamada "unidade Japão-Coreia", a ideologia de escravização do povo coreano pelo imperialismo japonês. Após a libertação de 15 de agosto, infiltrou-se no importante cargo de diretor editorial do jornal do Comitê Central do Partido Comunista da Coreia, "Haebang Ilbo", e jurou colaborar na atividade de espionagem estadunidense. A partir de março de 1946, conspirando com o coacusado Ri Sung Yop, forneceu repetidamente aos órgãos de espionagem estadunidenses materiais de espionagem sobre os campos político, econômico e cultural. A partir de agosto de 1948, utilizando o cargo de vice-ministro da Propaganda da República Popular Democrática da Coreia, juntamente com Ri Sung Yop, Rim Hwa, Pak Sung Won e outros, coletou e forneceu aos órgãos de espionagem estadunidenses informações secretas sobre os campos militar, político, econômico e cultural da República. Em julho de 1950, juntamente com Ri Sung Yop, organizou, dentro do quartel-general das Forças Voluntárias em Seul, o "Departamento de Assuntos Especiais" um grupo terrorista e assassino, e dirigiu atos criminosos de massacre de patriotas para reprimir as forças democráticas e ocultar sua própria identidade criminosa. Ele começou se opondo às decisões da Conferência dos Ministros das Relações Exteriores de Moscou, após a libertação de 15 de agosto, e, posteriormente, participou das atividades criminosas de Ri Sung Yop e outros, realizando propaganda e agitação contra o Estado. A partir de setembro de 1951, juntamente com Ri Sung Yop e outros, realizou atividades conspirativas de insurreição armada para destruir o Partido e derrubar o governo da República. Foi comprovado que, na conspiração para organizar o chamado "novo governo", ocuparia o cargo de "ministro da Propaganda".
3. Sobre o acusado Rim Hwa
Rim Hwa, que na época dos crimes ocupava o cargo de vice-presidente do Comitê Central da Associação Cultural Coreia-URSS, já em 1935, em conluio com a polícia imperialista japonesa, destruiu a organização cultural revolucionária coreana "Associação Coreana de Artistas Proletários" e, como recompensa, recebeu o cargo de diretor da "Associação de Proteção aos Literatos", organização pró-japonesa. Para encobrir a política de colonização da Coreia pelo imperialismo japonês, dedicou-se a inculcar no povo coreano o veneno ideológico da chamada "unidade Japão-Coreia". Após 15 de agosto, infiltrou-se no Partido Comunista da Coreia defendendo a literatura pura burguesa e uma unidade ampla sem princípios. Já em dezembro de 1945, estabeleceu contato com Underwood, conselheiro do Corpo de Contrainteligência do Exército, órgão de espionagem estadunidense, e com Robinson, tenente estadunidense e conselheiro do Departamento de Informação do Governo Militar dos EUA, e realizou atividades de espionagem individualmente e, posteriormente, em conluio com Ri Sung Yop e outros. Participando das atividades criminosas de Ri Sung Yop e outros, formou uma camarilha com Jo Il Myong, Pak Sung Won, Ri Won Jo e outros, realizando atividades de propaganda e agitação contra o Estado e antissoviéticas.
A partir de agosto de 1951, participou das atividades conspirativas de insurreição armada, assumindo, juntamente com Jo Il Myong, a responsabilidade pelos assuntos políticos e pela propaganda e agitação, e continuou realizando atos destrutivos para estabelecer uma base própria no seio das organizações culturais e artísticas. Foi comprovado, pelos depoimentos mútuos dos acusados e pelos testemunhos das testemunhas, que ele obteve o cargo de "ministro da Educação" do chamado "novo governo".
4. Sobre o acusado Pak Sung Won
Como foi esclarecido no julgamento, quando foi preso já em 1935 no caso da Organização Sindical Vermelha, denunciou à polícia imperialista japonesa So Pyong Min e outra pessoa relacionada ao caso, fazendo com que fossem encarcerados. Em agosto de 1937, no tribunal do Distrito de Taegu, fez uma declaração de que se opunha ao comunismo e lutaria pela conversão ideológica. Posteriormente, como membro do comitê da Taehwasuk de Taegu ou jornalista do Maeil Shinbo, órgão de imprensa do departamento administrativo, atuou como lacaio do imperialismo japonês, tentando transformar os jovens patrióticos coreanos em bucha de canhão do imperialismo japonês, com declarações como "Jovens da península, avancem para a frente de batalha".
Após a libertação, ocultando seu passado contrarrevolucionário, infiltrou-se no Partido e, até o momento de sua prisão, chegou a ocupar o importante cargo de vice-diretor do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido.
Foi comprovado que, conspirando com Ri Sung Yop e outros cúmplices, cometeu atos de espionagem, propaganda e agitação contra o Estado e atividades conspirativas de insurreição armada, tendo obtido o cargo de "ministro do Interior" na reunião de organização do chamado "novo governo".
5. Sobre o acusado Ri Kang Guk
Antes de tudo, foi comprovado que ele era de origem de um grande proprietário de terras e que já durante o período do imperialismo japonês atuava como espião contratado pelo imperialismo estadunidense. Ou seja, em 1935, depois de ir à Alemanha e concluir a universidade, antes de retornar à pátria, passou por Nova Yorque, onde se encontrou com Crowley, dirigente de um órgão de espionagem estadunidense, e prometeu manter futuramente relações criminosas com ele, tornando-se assim um espião internacional registrado nos Estados Unidos. Também foi confirmado que, após a libertação de 15 de agosto, imediatamente se disfarçou de comunista com o objetivo de realizar suas ambições políticas e, por intermédio de Pak Hon Yong, então vice-presidente do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia e vice-primeiro-ministro do Gabinete, conseguiu ocupar um cargo importante.
Quando as tropas estadunidenses entraram na parte sul da Coreia, ele entregou sua amante Kim Su Im a um estadunidense chamado Baird, que agente de espionagem estadunidense na época, fazendo dela uma espiã dos Estados Unidos. Posteriormente, foi comprovado que se infiltrou habilmente na parte norte da República, até o paralelo 38, utilizando o automóvel do estadunidense Baird.
Enquanto ocupava o importante cargo de diretor do Departamento de Relações Exteriores do Comitê Popular da Coreia do Norte, entregou repetidamente importantes materiais de espionagem aos órgãos de espionagem estadunidenses. Especialmente, ao participar da rede de espionagem de Ri Sung Yop, forneceu várias vezes importantes materiais de espionagem mesmo durante o período da Guerra de Libertação da Pátria, realizando atos conspiratórios, como propaganda e agitação contra o Estado e atividades destinadas a enfraquecer a unidade política do povo coreano. Também foi esclarecido no julgamento que, na composição do chamado "novo governo", obteve o cargo de "ministro das Relações Exteriores".
6. Sobre o acusado Pae Chol
Como ex-diretor do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia, conspirou com Ri Sung Yop para destruir o Partido do Trabalho da Coreia e organizar uma insurreição armada com o objetivo de derrubar o governo da República. Responsável pelo comando da organização militar, participou ativamente do fortalecimento de sua base de forças e das unidades armadas, além de realizar propaganda e agitação contra o Estado para afastar o povo do Partido e do governo. Em janeiro de 1952, sob o pretexto de garantir o prestígio de Ri Sung Yop, ordenou ao acusado Maeng Jong Ho que assassinasse Kim Jong Suk e outras duas pessoas. Também foi comprovado que, conspirando com o acusado Yun Sun Tal, assassinou duas pessoas inocentes.
7. Sobre o acusado Yun Sun Tal
Como ex-vice-diretor do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido, participou das atividades conspirativas de insurreição armada da camarilha de Ri Sung Yop, cujo objetivo era derrubar o governo da República, e, ao mesmo tempo que se empenhava ativamente no fortalecimento de suas forças armadas, realizou atividades de propaganda e agitação contra o Estado. Na composição do chamado "novo governo", obteve o cargo de "ministro do Comércio" e, por volta de janeiro de 1952, conspirando com Pae Chol, assassinou duas pessoas inocentes sob a alegação de que eram "suspeitas" de espionagem.
8. Sobre o acusado Ri Won Jo
Foi comprovado que, antes de 15 de agosto, enquanto trabalhava como jornalista do Joson Ilbo ou como vice-editor-chefe da Editora Taedong, em Seul, atuou ativamente em apoio à política de colonização da Coreia pelo imperialismo japonês. Após a libertação, ocultando sua identidade contrarrevolucionária, infiltrou-se no Partido e chegou a ser nomeado para o cargo de vice-diretor do Departamento de Propaganda e Agitação do Comitê Central do Partido. Desde logo após a libertação de 15 de agosto, participou das atividades criminosas de Pak Hon Yong e Ri Sung Yop, realizando propaganda e agitação contra a República. Foi comprovado que, juntamente com os acusados Jo Il Myong, Rim Hwa e outros, realizou atos destrutivos em organizações sociais, incluindo a Federação Geral de Literatura e Artes, com o objetivo de ampliar suas forças reacionárias.
9. Sobre o acusado Paek Hyong Bok
Foi comprovado que ele, como chefe de esquadra da polícia imperialista japonesa e detetive do departamento de alta polícia, após a libertação de 15 de agosto, ocupando o cargo de chefe da seção de investigação dos departamentos de polícia das províncias de Jolla Norte e Kangwon, sob o regime policial fantoche, organizou e dirigiu a destruição dos comitês partidistas provinciais de Jolla Norte e Kangwon, tendo comandado diretamente o massacre de mais de 200 pessoas, incluindo o quadro dirigente partidário Hwang Ui Tae, que haviam sido presos. Ao estabelecer relações com An Yong Tal, não apenas fez com que Jo Yong Bok, que havia sido preso, se convertesse ideologicamente e o utilizou para prender o camarada patriota Kim Sam Ryong, como também, utilizando-o como espião do imperialismo estadunidense, a partir de fevereiro de 1950, conspirou com o oficial estadunidense da inteligência aérea do Comando do Extremo Oriente dos Estados Unidos, Nichols, e enviou Jo Yong Bok três vezes à parte norte da República, fazendo com que, juntamente com Ri Sung Yop, subtraísse segredos militares da República e importantes segredos do Partido e do governo.
Esse acusado repugnante conspirou com Noble, Nichols, An Yong Tal e Jo Yong Bok e, sob suas instruções, atravessou para o norte disfarçando sua entrada como uma "entrada na pátria por ato patriótico", com o objetivo de realizar atividades de espionagem. Sob a proteção de Ri Sung Yop, infiltrou-se nos órgãos do Ministério do Interior da República para realizar atividades de espionagem, fato que foi confirmado.
10. Sobre o acusado Jo Yong Bok
Em 1936, participou do movimento da Juventude Comunista e, após ser preso pela polícia imperialista japonesa, renegou suas convicções, tornando-se posteriormente jornalista de um jornal imperialista japonês e administrador de uma empresa privada. Após a libertação de 15 de agosto, infiltrou-se no Partido e, por volta de janeiro de 1950, aliando-se ao acusado Paek Hyong Bok, denunciou o camarada Kim Sam Ryong, fazendo com que fosse preso e assassinado. A partir de fevereiro de 1950, participou da rede de espionagem de Ri Sung Yop e, em várias ocasiões, forneceu a Paek Hyong Bok os materiais de espionagem que recebia de Ri Sung Yop, para que fossem entregues aos órgãos de espionagem estadunidenses. Foi comprovado que, em maio de 1950, sob instruções dos órgãos de espionagem estadunidenses, infiltrou-se na parte norte da República juntamente com os elementos espiões Paek Hyong Bok, An Yong Tal e outros, realizando atividades de espionagem.
11. Sobre o acusado Maeng Jong Ho
Foi comprovado que o acusado não apenas era um espião do imperialismo japonês, mas também um espião do imperialismo estadunidense e um assassino. Ao sair da prisão de Hamhung, em janeiro de 1939, tornou-se espião de Takahashi, chefe da seção de alta polícia da Delegacia de Polícia de Ranam. Denunciou e fez encarcerar numerosos patriotas, incluindo os envolvidos no caso dos trabalhadores da Siderúrgica de Chongjin, que se opunham ao imperialismo japonês, além de Ho Hon, Jong Chang Sop e Kim Ki Nam, e atuou na promoção da "unidade Japão-Coreia" e da transformação do povo em "súditos do Império". Com a libertação de 15 de agosto, dirigiu-se para a parte sul e, com a ajuda de Ri Sung Yop e outros conspiradores, ocultou habilmente sua verdadeira identidade, infiltrou-se no Partido e chegou a ocupar o cargo de vice-presidente do Comitê do Partido da Província de Kangwon do Sul. No momento de sua prisão em razão deste processo, ocupava o cargo de comandante da 10ª unidade de guerrilha.
Quando atravessou para o norte, no final de 1947, na condição de vice-presidente do Comitê do Partido da Província de Kangwon do Sul, levou uma carta de apresentação de Ko Hak Rae, secretário de Jo Pyong Ok, chefe do Departamento de Polícia do Governo Militar dos EUA, e, posteriormente, foi comprovado que, em duas ocasiões, forneceu a ele importantes segredos militares do Estado, incluindo informações sobre o estado de preparação do Exército Popular.
O acusado participou das atividades criminosas de Ri Sung Yop e seus cúmplices, especialmente da conspiração de insurreição armada destinada a derrubar o governo, realizou propaganda e agitação contra o Estado e colaborou ativamente no trabalho de fortalecimento das forças armadas para a derrubada do governo da República. Para ocultar seus crimes, por volta de julho de 1950, instalou uma prisão no porão do Comitê Popular da Cidade de Seul, onde, sob os pretextos de "garantia do segredo", prendeu mais de 70 quadros partidários que conheciam sua verdadeira identidade e pessoas inocentes, submetendo-os a torturas e interrogatórios, até que levou sete deles ao rio Han e os massacrou cruelmente. Como comandante da 10ª unidade de guerrilha, também cometeu atrocidades próprias de um assassino, tendo executado pessoalmente ou ordenado a seus membros que fuzilassem 13 guerrilheiros ou pessoas comuns, sob os pretextos de "garantia do segredo".
12. Sobre o acusado Sol Jong Sik
Antes da libertação de 15 de agosto, frequentou a Universidade Mount Union, nos Estados Unidos, e, após a libertação, ocupou o cargo de chefe de Opinião Pública do Departamento de Informação do Governo Militar dos EUA. Posteriormente, infiltrou-se na parte norte e, antes de ser preso, atuava como membro da 7ª seção do Departamento Político Geral do Exército Popular. A partir de novembro de 1945, atuou com o objetivo de reprimir o Partido do Trabalho da Coreia do Sul e o campo democrático, por volta de maio de 1946, estabeleceu uma ligação com Robinson, oficial estadunidense do Departamento de Informação, e, por intermédio do acusado Rim Hwa, que na época era vice-presidente da Federação Geral das Organizações Culturais da Coreia do Sul, coletou materiais secretos internos do Partido e os forneceu a Robinson. Em setembro, infiltrou-se no Partido com a garantia de Rim Hwa e continuou cometendo atos de traição, como criar obras literárias reacionárias que difamavam o Partido, o governo da República e o comunismo.
Pode-se confirmar que os atos criminosos de cada um dos acusados expostos acima correspondem às disposições legais indicadas na acusação, conforme foi esclarecido no julgamento. Portanto:
(1) Os atos criminosos dos acusados Ri Sung Yop e Jo Il Myong correspondem aos artigos 78, 65, parágrafo 1, 76, parágrafo 2, 68 e 72 do Código Penal da República.
(2) Os atos criminosos dos acusados Rim Hwa e Pak Sung Won correspondem aos artigos 78, 65, parágrafo 1, 76, parágrafo 2 e 68 do Código Penal da República.
(3) Os atos criminosos do acusado Ri Kang Guk correspondem aos artigos 78, 68 e 76, parágrafo 2, do Código Penal.
(4) Os atos criminosos dos acusados Pae Chol e Yun Sun Tal correspondem aos artigos 78, 65, parágrafo 1, e 76, parágrafo 2, do Código Penal da República.
(5) Os atos criminosos do acusado Ri Won Jo correspondem aos artigos 78, 65, parágrafo 2, e 76, parágrafo 2, do Código Penal da República.
(6) Os atos criminosos do acusado Paek Hyong Bok correspondem aos artigos 79, 78 e 71 do Código Penal da República.
(7) Os atos criminosos do acusado Jo Yong Bok correspondem aos artigos 78 e 68 do Código Penal da República.
(8) Os atos criminosos do acusado Maeng Jong Ho correspondem aos artigos 78, 65, parágrafo 2, 76, parágrafo 2, 72 e 68 do Código Penal da República.
(9) Os atos criminosos do acusado Sol Jong Sik correspondem ao artigo 79 do Código Penal da República.
Isso foi suficientemente confirmado pelos materiais da instrução preliminar e pelo julgamento.
Respeitáveis camaradas juízes, no julgamento, os atos criminosos daqueles malfeitores amaldiçoados sentados no banco dos réus foram esclarecidos sobretudo por meio das confissões e declarações dos próprios acusados. Ficou inequivocamente comprovado no tribunal que a camarilha de Ri Sung Yop, no passado, era composta por lacaios fiéis do imperialismo japonês e, atualmente, por espiões dos órgãos de espionagem dos novos senhores, os imperialistas estadunidenses, sendo feras de todo tipo de atividades de sabotagem, terrorismo, intriga e conspiração.
Esses indivíduos, que novamente tentaram colocar o povo coreano, libertado do domínio do imperialismo japonês e lutando heroicamente pela liberdade e independência da pátria, sob o jugo da escravidão dos imperialistas estadunidenses, opuseram-se às decisões da Conferência dos Ministros das Relações Exteriores de Moscou e sabotaram os trabalhos da Comissão Conjunta URSS-EUA, com o objetivo de se opor à reunificação pacífica de nossa pátria. Em conluio direto com o imperialismo estadunidense, realizaram abertamente atos de destruição da construção democrática da República, espionagem, terrorismo e massacres, chegando até mesmo a tentar derrubar o governo da República por meio de uma insurreição armada e, posteriormente, a fabricar até o chamado "novo governo".
Sob a direção direta do imperialismo estadunidense, esses indivíduos forneceram segredos dos setores militar, político e econômico, setores importantes da República, aos imperialistas estadunidenses, que realizavam preparativos de guerra frenéticos não apenas para colonizar nosso país e escravizar o povo coreano, mas também para invadir a União Soviética e a China, cometendo atividades de espionagem que facilitavam aos inimigos a provocação de uma guerra.
Foi comprovado que, durante o período em que nosso povo travava a justa Guerra de Libertação da Pátria contra as feras imperialistas estadunidenses e os traidores renegados da camarilha de Ri Sung Man, esses indivíduos realizaram atos destinados a enfraquecer e destruir o poderio armado de nosso Exército Popular e das guerrilhas populares, conspiraram ardilosamente para provocar, sob as instruções dos imperialistas estadunidenses, uma insurreição armada destinada a derrubar o governo da República e prepararam-na ativamente.
Eles, do início ao fim, procuraram enfraquecer as bases políticas e econômicas da construção democrática, realizando todo tipo de atividade de propaganda reacionária e contra o Estado com o objetivo de alcançar seus objetivos criminosos.
Esses repugnantes bandidos, para ocultar seus crimes, não hesitaram sequer em cometer atrocidades próprias de assassinos, como aterrorizar e massacrar pessoas inocentes.
Camaradas juízes,
Ao determinarem a pena correspondente àqueles espiões, sabotadores e conspiradores, espero que se lembrem mais uma vez dos atos criminosos repugnantes, astutos e pérfidos revelados durante os quatro dias de julgamento e que necessariamente se lembrem dos patriotas e das pessoas inocentes que foram sacrificados pelos atos de traição dos inimigos enquanto lutavam pela liberdade, independência e honra de nossa pátria.
Não há dúvida de que a sentença que vocês proferirem será necessariamente uma sentença que dará um severo aviso não apenas aos elementos como a camarilha de Ri Sung Yop, que procuram atentar contra a República, mas também aos imperialistas.
Como procurador do Estado, solicito a pena de morte para os acusados Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Rim Hwa, Ri Kang Guk, Pak Sung Won, Pae Chol, Paek Hyong Bok, Jo Yong Bok, Sol Jong Sik e Maeng Jong Ho, e, para os acusados Ri Won Jo e Yun Sun Tal, respectivamente, penas de prisão de 15 a 20 anos.
IV. Alegações dos advogados
Presidente do tribunal: Continuaremos o julgamento. (14h15)
A partir de agora, haverá as alegações dos advogados.
Alegação do advogado Ji Yong Dae em defesa do acusado Ri Sung Yop
Camaradas juízes do Tribunal Militar do Supremo Tribunal,
Foi-me atribuída a responsabilidade de defender o acusado Ri Sung Yop.
Por meio do julgamento realizado ao longo dos últimos três dias, as atividades conspiratórias de traição do acusado Ri Sung Yop e dos demais acusados foram expostas de forma clara e evidente. Reconheço também que os atos criminosos dos acusados, que procuraram destruir o povo coreano que aspira à unificação, independência e paz da pátria, são extremamente graves.
Entretanto, como advogado da República, desejo contribuir para um julgamento justo, garantindo plenamente o direito de defesa concedido a todos os acusados pelo artigo 86 da Constituição da República, e, por isso, gostaria de apresentar ao tribunal algumas questões a seguir.
Camaradas juízes,
Durante a condução deste julgamento, tanto os outros camaradas advogados quanto eu, que defendo o acusado Ri Sung Yop, fizemos poucas perguntas aos acusados.
Isso ocorreu porque os fatos da acusação foram comprovados detalhadamente no tribunal por meio das declarações francas dos acusados, dos testemunhos das testemunhas e das provas correspondentes, em razão da investigação minuciosa conduzida pelo tribunal.
Além disso, uma vez que, na rigorosa acusação apresentada pelo procurador do Estado, os crimes dos acusados foram logicamente comprovados por evidências científicas, não tenho nenhuma opinião a apresentar nem quanto ao reconhecimento dos fatos nem quanto à aplicação dos dispositivos legais.
O que pretendo dizer ao tribunal não diz respeito aos próprios crimes cometidos pelo acusado, mas às causas que levaram o acusado a cometer crimes tão traiçoeiros, antipopulares e antipartidários.
Como todos sabem, a Segunda Guerra Mundial foi preparada pelas forças reacionárias internacionais e provocada, no Oriente, pelo Japão militarista e, no Ocidente, pela Alemanha de Hitler. A guerra provocada por eles terminou com resultados que os imperialistas não haviam previsto. Em outras palavras, como resultado da guerra, o prestígio internacional da União Soviética cresceu e, em vez de a democracia desaparecer e enfraquecer, vários países da Europa Central e do Sudeste Europeu separaram-se do campo capitalista e estabeleceram sistemas de democracia popular. Os povos dos países coloniais e dependentes, em oposição à sua escravização, elevaram novas e poderosas lutas de libertação nacional, e a crise do sistema colonial imperialista tornou-se mais aguda.
Assim, já hoje um terço da humanidade se libertou da opressão do imperialismo, e o povo coreano também foi libertado do regime de dominação do perverso imperialismo japonês graças ao papel decisivo do glorioso Exército Soviético. De fato, no período pós-guerra, isso provocou um enfraquecimento ainda maior do capitalismo mundial; no campo imperialista, a crise econômica aumentou e as contradições entre o senhor estadunidense e seus lacaios se aprofundaram, enquanto as forças da democracia e do socialismo se fortaleceram ainda mais. Diante disso, os imperialistas estadunidenses começaram a ficar cada vez mais inquietos diante das conquistas alcançadas pela gloriosa União Soviética no campo comunista e do desenvolvimento econômico e cultural da República Popular da China e dos países de democracia popular. O poderoso desenvolvimento do movimento comunista e do movimento operário em todos os países capitalistas, assim como a ascensão da luta de libertação nacional nos países coloniais e dependentes, deixou-os ainda mais apreensivos.
Nessas circunstâncias, os imperialistas estadunidenses começaram a se esforçar para intensificar sua pressão contra a União Soviética e o campo democrático, utilizando centenas de milhões de dólares para organizar provocações de guerra e atos de sabotagem e enviando seus agentes, espiões e sabotadores aos países socialistas e de democracia popular para destruir as conquistas da construção democrática, recorrendo a todo tipo de plano sinistro.
Os pérfidos imperialistas estadunidenses aplicaram seus métodos insidiosos para destruir as diversas conquistas da construção democrática estabelecida na parte norte de nossa República e para implementar na Coreia sua política de transformação em país colonial e dependente. Ou seja, indivíduos como o comandante das forças de ocupação estadunidenses na Coreia, Hodge, e Noble, que foi funcionário contratado do Departamento de Estado dos EUA, conselheiro político do Governo Militar dos EUA e conselheiro político da Embaixada dos Estados Unidos, revelados no presente julgamento, foram justamente enviados para aplicar diretamente na Coreia os planos sinistros dos imperialistas estadunidenses.
Por isso, assim que esses indivíduos chegaram à Coreia, procuraram traidores e elementos impuros que pudessem servi-los fielmente como seus lacaios e, ao encontrar Ri Sung Yop, que era adequado para ser utilizado como seu agente, não deixaram escapar a oportunidade de empregá-lo.
Noble já havia explorado habilmente o fato de Ri Sung Yop ter renegado o movimento revolucionário e as circunstâncias de ele estar preso, conseguindo fazê-lo aceitar servir fielmente como seu lacaio.
Então, por que o acusado Ri Sung Yop tolerou atos tão traidores como esses e serviu como seu fiel servidor?
Eu procurarei encontrar a causa disso nas condições de vida social.
Há muito tempo, o senhor Karl Marx disse: "Não é a consciência dos homens que determina sua existência, mas, ao contrário, é sua existência social que determina sua consciência".
Reconheço que a vontade, as ideias e o aspecto moral do acusado Ri Sung Yop, que estou defendendo, foram formados sob o ambiente e as condições sociais em que ele cresceu, e que a influência do domínio imperialista atuou como uma parte importante da aceitação ideológica deste crime.
Como foi esclarecido no julgamento do processo, o acusado Ri Sung Yop nasceu em 8 de fevereiro de 1905, no condado de Puchon, província de Kyonggi, como filho de um barqueiro, e passou a juventude no ambiente familiar de uma família que administrava uma hospedaria.
Como este foi um período em que o bandidesco imperialismo japonês começava a infiltrar no nosso país sua política de escravização, ele recebeu uma educação escravista japonesa e, especialmente, formou-se numa escola comercial em Inchon. Em certa ocasião, tentou ingressar num grupo independentista, tentou ir ao Japão para estudar e também tentou estudar na União Soviética, mas não conseguiu concretizar nenhuma dessas coisas e, vagando sem saber para onde ir, acabou envolvendo-se por acaso no movimento comunista. No final do período do domínio japonês, trabalhou como diretor da chamada Corporação Alimentar, órgão criado pelo imperialismo japonês para saquear os cereais da Coreia.
Em semelhante ambiente de vida social, o acusado não pôde tornar-se um verdadeiro marxista e, como confessou francamente em sua confissão de culpabilidade apresentada durante o interrogatório preliminar, ele tinha, até o fim, uma enfadonha ideologia nacionalista burguesa e de modo algum era um verdadeiro comunista.
Por isso, não foi por acaso que, já em 1940, quando foi detido na prisão de Inchon, ele, colocando os interesses pessoais acima dos interesses da revolução e partindo de uma base ideológica egoísta que valorizava a comodidade, chegou até a fazer uma declaração de conversão, caindo completamente no caminho da traição.
Assim, o ambiente e as condições sociais em que o acusado viveu fizeram com que ele, embora se autodenominasse comunista, fosse possuidor de uma ideologia pequeno-burguesa e não conseguisse escapar do domínio de uma ideologia nacionalista burguesa reacionária e decadente. Desse modo, embora tenha recebido a libertação de 15 de agosto, não conseguiu seguir a linha democrática como alguém da nova Coreia e, ao contrário, sob o chauvinismo e o heroísmo, adotou ideias de admiração pelos Estados Unidos, submetendo-se a eles e dependendo deles, vendendo a pátria e o povo aos imperialistas estadunidenses e, até mesmo ajudando a agressão do imperialismo estadunidense, tramando e agindo movido por uma enorme ilusão para satisfazer sua suja ambição de poder.
Como expus acima, considero que o ambiente em que o acusado viveu formou sua decadente ideologia pequeno-burguesa e que, por não ter conseguido corrigi-la, isso se tornou uma causa importante para que, depois da libertação de 15 de agosto, ele continuasse traindo a pátria e o povo e cometendo atos criminosos, colocando-se ao lado dos inimigos.
Por isso, peço ao tribunal que, ao apreciar a responsabilidade do acusado, leve suficientemente este ponto em consideração.
Além disso, durante o julgamento, foi possível observar que o acusado Ri Sung Yop procurou relatar sinceramente diante do tribunal seus atos criminosos extremamente graves, sem ocultar nem um pouco seus crimes, e que também revelou com veracidade todas as suas opiniões criminosas errôneas, contribuindo ativamente para esclarecer a verdade dos fatos.
Peço que estes aspectos também sejam interpretados em favor do acusado e considerados como parte das circunstâncias, e com isso encerro minha defesa.
Defesa do advogado Kim Mun Pyong em favor dos acusados Rim Hwa, Ri Won Jo e Sol Jong Sik
Respeitados juízes do Tribunal Militar do Supremo Tribunal
A partir de agora, pretendo apresentar a defesa dos acusados Rim Hwa, Ri Won Jo e Sol Jong Sik, cuja defesa me foi confiada.
Antes de iniciar a defesa, gostaria de declarar que, como advogado que representa os interesses legais dos acusados, expresso também minha gratidão por terem garantido, durante os três dias de julgamento, que os acusados pudessem declarar livre e detalhadamente os fatos de seus crimes, mediante a rigorosa observância do sistema judicial democrático e humanitário da República.
Antes de iniciar a defesa, quero primeiramente falar sobre o significado que este julgamento possui. Senhores juízes, considero que o significado deste julgamento, que foi examinado com tamanha minúcia, não reside apenas em esclarecer os fatos dos crimes dos acusados e fazer uma avaliação jurídica a respeito deles, mas possui um significado político ainda maior, pois, ao desmascarar e denunciar a pérfida política de agressão dos imperialistas estadunidenses, que manipularam os acusados neste caso, permitiu-nos elevar ainda mais nossa vigilância diante da agressão do imperialismo estadunidense.
Mas será que o significado político deste julgamento se limita somente a isso?
O fato de que a guerra de agressão provocada pelos imperialistas estadunidenses terminou com a derrota dos imperialistas estadunidenses graças à tenaz luta do heroico povo coreano, e de que também foram descobertas e desmascaradas as atividades de espionagem, subversão e sabotagem do imperialismo estadunidense, tornou ainda mais claro no julgamento de hoje que as ambições agressivas dos imperialistas estadunidenses eram extremamente ilusórias.
O crime antiestatal cometido neste caso, tendo como chefe o acusado Ri Sung Yop, é, tanto em sua dimensão quanto em seu perigo social, um crime grave sem precedentes na história de nossa República até o presente. Considerando em conjunto os depoimentos dos acusados, que foram coerentes desde a investigação preliminar até o presente julgamento, e os testemunhos das testemunhas, considero, também na qualidade de advogado encarregado da defesa dos acusados, que os fatos da acusação apresentados contra eles são indubitavelmente claros.
Portanto, quanto aos fatos dos crimes dos acusados cuja defesa me foi confiada, não tenho fundamento para contestá-los, seja no reconhecimento dos fatos, seja na aplicação da lei, e não há margem para debate com o procurador do Estado.
Entretanto, isso não significa que eu esteja renunciando à defesa dos acusados. De acordo com o estabelecido pela Constituição da República e pela Lei de Processo Penal, procurarei cumprir de todo o coração e com toda a sinceridade o dever que me foi confiado como advogado da República, defendendo a legalidade no julgamento e apresentando minha opinião fundamentada sobre a avaliação dos fatos criminosos dos acusados, a fim de colaborar para que seja proferida uma sentença justa.
Respeitados camaradas juízes
Como já sabemos, os clássicos do marxismo nos ensinam que os fenômenos sociais, sejam eles quais forem, não existem isoladamente, mas existem mantendo determinadas relações com as coisas que os cercam.
Considerando que o crime também é um dos fenômenos sociais, penso que é necessária uma observação precisa do fato de que os atos criminosos antiestatais dos acusados neste caso também mantêm determinada relação com suas condições de vida.
Por isso, considero que, ao examinar os atos criminosos deste caso, não devemos limitar nossa consideração apenas aos atos objetivos dos acusados e à forma de seus crimes, mas, partindo do fato de que, como foi provado no julgamento, os crimes dos acusados neste caso constituíram uma parte dos atos de agressão dos imperialistas estadunidenses, os chefes da reação internacional, contra a Coreia, é necessário recordar mais uma vez, de maneira central, quão pérfida foi a política destinada a alcançar suas ambições agressivas na Coreia.
Desde o primeiro dia em que os imperialistas estadunidenses desembarcaram na parte sul de nossa pátria, dissolveram à força os Comitês Populares organizados por iniciativa do povo sul-coreano e, em seu lugar, estabeleceram seu governo militar; reuniram as forças reacionárias e fabricaram um regime fantoche tendo Ri Sung Man como chefe, não poupando meios nem métodos para aterrorizar, massacrar e prender numerosos patriotas e pessoas inocentes e reprimir as forças democráticas na parte sul de nossa pátria.
Isso foi executado por meio da infame proclamação de MacArthur, comandante das forças estadunidenses no Extremo Oriente e carrasco do povo coreano.
Por outro lado, também no aspecto militar, sabemos por muitos outros materiais do julgamento que os imperialistas estadunidenses transformaram a parte sul de nossa pátria em uma base militar para fazer da Coreia uma plataforma para a agressão ao continente, lançaram os jovens da parte sul como carne para seus canhões e infiltraram numerosos espiões e elementos de sabotagem na parte norte da pátria. Além disso, o fato de terem infiltrado espiões e elementos de sabotagem no Partido do Trabalho da Coreia e nos órgãos do poder da República, conspirando e tramando para derrubar o Partido e o Governo e restaurar o sistema capitalista de exploração, tornou-se ainda mais claro neste julgamento.
Além disso, na frente ideológica, os imperialistas estadunidenses, ao mesmo tempo que reproduziam na Coreia o sistema de educação colonial escravista imposto pelo imperialismo japonês, impunham ao povo da parte sul os mais decadentes costumes de vida ao estilo estadunidense, típicos do fim de uma época, e, por meio do engano e da mentira, fomentavam ideias antissoviéticas e anticomunistas. Em particular, os imperialistas estadunidenses reuniram os escritores reacionários que eram seus lacaios, tendo Pak Hon Yong como centro, organizaram na Coreia do Sul organizações culturais contrarrevolucionárias e fizeram com que eles se opusessem à verdadeira linha literária e artística da classe trabalhadora na Coreia, defendendo absurdamente a chamada ausência de caráter partidário da literatura e, sob os nomes de chamada literatura pura, literatura naturalista, etc., inculcando ideias burguesas reacionárias, procurassem paralisar o caráter revolucionário do povo sul-coreano, transformando-o em pessoas indiferentes à política, e conduzir o povo sul-coreano, juntamente com a admiração pelos Estados Unidos, à corrupção e à decadência. Os imperialistas estadunidenses não se limitaram a isso: infiltraram na parte norte da República, como seus lacaios, escritores e poetas reacionários, que, por meio de suas obras literárias e artísticas reacionárias, espalharam o veneno da ideologia reacionária e tentaram transformar a linha literária e artística progressista da República em uma linha literária e artística reacionária, procurando paralisar a consciência de classe e as ideias patrióticas do povo da parte norte da República. Assim, neste julgamento, foi claramente desmascarado o fato de que as garras criminosas dos imperialistas estadunidenses haviam se estendido até a parte norte da República também na frente ideológica.
Os que foram utilizados como lacaios diretos dos atos de agressão dos imperialistas estadunidenses acima mencionados foram justamente os acusados deste caso, e, como foi indicado acima, é precisamente pelo fato de os atos dos acusados constituírem uma parte dos atos de agressão do imperialismo estadunidense contra a Coreia que os fatos criminosos deste caso devem receber uma avaliação justa, e considero também necessário examinar a relação externa com os atos criminosos dos acusados. Por isso, é claro que os atos criminosos antiestatais dos acusados deste caso, tendo Ri Sung Yop como chefe, devem receber o ódio e a maldição de todo o povo coreano; além disso, ao recordarmos os atos de agressão do imperialismo estadunidense que dirigiu os crimes deste caso, considero que não podemos deixar de sentir ainda mais ódio, indignação e desejo de vingança contra os imperialistas estadunidenses, nossos inimigos jurados.
A partir disso, considero necessário esclarecer por quais motivos os acusados foram utilizados como lacaios da agressão do imperialismo estadunidense anteriormente mencionada e sob quais condições e ambiente sociais se formou a ideologia que os levou a ser utilizados dessa maneira. Isso porque, nos julgamentos da República, a determinação da pena é orientada pelo princípio de que, conforme estabelecido pelo Código Penal da República, devem ser considerados não apenas o grau de periculosidade do criminoso e do ato criminoso, mas também sua natureza, a personalidade do criminoso, os motivos do crime, etc.; por isso, considero que levar em conta a personalidade e os motivos criminosos dos acusados também em relação aos atos criminosos deles constitui um fator indispensável na determinação individual das penas dos acusados deste caso.
Partindo do ponto de vista acima, quero falar sobre as circunstâncias individuais dos acusados Rim Hwa, Ri Won Jo e Sol Jong Sik.
O acusado Rim Hwa nasceu em uma família pequeno-burguesa e cresceu em condições de vida relativamente confortáveis, chegando a estudar no Japão. Essa origem de classe, relacionada ao talento literário burguês que ele possuía desde os tempos de estudante sob a influência do sistema de educação escravista japonês, inevitavelmente fez com que ele surgisse como um escritor reacionário. Por isso, o acusado ingressou temporariamente, usando a máscara de poeta proletário, na Associação Coreana de Artistas Proletários, organização literária proletária coreana fundada em 1925, mas imediatamente caiu no caminho de tornar-se um lacaio do imperialismo japonês. Assim, conforme as instruções da polícia japonesa, o acusado vendeu ao imperialismo japonês a organização de artistas proletários que havia nascido sobre a base da tradição classista da literatura coreana, e utilizou seus conhecimentos literários em atos de traição destinados a submeter o povo coreano ao imperialismo japonês. Isso explica a posição de classe do acusado como intelectual pequeno-burguês, que, sob a influência do movimento operário então em ascensão na Coreia, havia se tornado, ainda que minimamente, um acompanhante casual do movimento operário, mas, assim que encontrou uma forte barreira, traiu imediatamente a revolução. A partir dessa posição de classe do acusado, não foi de modo algum casual o fato de, após a libertação da pátria, ele ter utilizado seus conhecimentos literários em favor do imperialismo estadunidense no lugar do imperialismo japonês e, posteriormente, ter sido introduzido na rede de espionagem de Ri Sung Yop, chegando finalmente aos crimes deste caso.
O acusado Ri Won Jo, sob a influência familiar de seu pai, que possuía ideias maniqueístas, e durante o processo de ir ao Japão na época de estudante e formar-se em uma universidade, chegou por certo período a possuir consciência nacional, mas depois não conseguiu se munir da ideologia revolucionária do marxismo-leninismo e, como intelectual pequeno-burguês, acabou enveredando por uma ideologia nacionalista burguesa reacionária e estreita.
Por isso, embora o acusado tenha participado em 1935, em Tóquio, da organização de um círculo de leitura, isso não se deu por um desejo de estudar o marxismo-leninismo revolucionário baseado em uma verdadeira consciência de classe, mas, como declarou no julgamento, limitou-se a participar movido apenas pela vaidade e curiosidade próprias de estudante. O fato de o acusado ter abandonado imediatamente esse movimento quando foi preso pela polícia japonesa depois de participar do círculo de leitura comprova isso. Além disso, a vida que o acusado levou depois de formar-se na universidade no Japão e retornar à sua pátria foi uma vida de jornalista a serviço do imperialismo japonês e uma vida literária a serviço deste.
O componente de classe intelectual pequeno-burguês do acusado, formado no processo de vida acima mencionado, tornou-se um dos importantes fatores ideológicos que fizeram com que ele fosse introduzido nos crimes deste caso e, juntamente com isso, o fato de o acusado Ri Won Jo ter sofrido durante muito tempo a influência ideológica de Pak Hon Yong, que já havia traído a organização, e do acusado Ri Sung Yop, tornou-se a causa direta que levou o acusado a ser introduzido nos atos criminosos deste caso.
O acusado Sol Jong Sik já durante seus anos de estudante formou-se em duas universidades nos Estados Unidos com o capital e a intermediação de estadunidenses. No processo de estudar nos Estados Unidos, levando uma vida confortável e luxuosa graças aos estadunidenses, o acusado adquiriu uma ideologia de admiração pelos Estados Unidos e aprendeu o chamado modo de vida estadunidense.
Essa situação do acusado fez com que o talento literário que ele possuía desde antes de ir para os Estados Unidos, sem ter oportunidade de receber a influência de ideias progressistas, inevitavelmente absorvesse a literatura burguesa decadente do imperialismo estadunidense, e esse resultado levou o acusado não apenas na literatura, mas em todos os aspectos políticos e econômicos, a estabelecer uma visão de mundo da burguesia reacionária.
Por isso, depois de retornar à pátria e receber a libertação do país, o acusado passou a ocupar o cargo de chefe de Opinião Pública do Departamento de Informação do governo militar estadunidense na parte sul e, posteriormente, infiltrou-se no Partido do Trabalho da Coreia do Sul.
Como exposto acima, os três acusados que defendo passaram por diferentes trajetórias de vida, mas considero inegável o fato de que todos eles foram influenciados por ideias reacionárias em ambientes de vida pequeno-burgueses.
Por último, o que quero dizer a respeito dos três acusados que defendo é, em primeiro lugar, a questão da necessidade de individualização na avaliação dos atos criminosos dos acusados.
O acadêmico soviético A. Ya. Vyshinsky, falando sobre a individualização dos crimes, disse: "Ao recordar que a diferença na duração das penas de prisão tem importante significado não apenas para aqueles que receberam uma sentença favorável, mas também para o Estado proletário que sabe respeitar a vida como o capital mais nobre, deve-se exigir do tribunal uma rigorosa individualização da pena".
Naturalmente, os crimes dos acusados deste caso possuem caráter organizado e coletivo, como forma agravada prevista pelo Código Penal da República, mas proponho que, como os atos dos três acusados que defendo não são idênticos, a avaliação dos crimes também seja rigorosamente individualizada.
Ou seja, há uma diferença entre o acusado Rim Hwa e o coacusado Ri Sung Yop, pois, enquanto Ri Sung Yop era o chefe, organizador e aquele que dava instruções e ordens dos crimes deste caso, o acusado Rim Hwa os executava; quanto ao acusado Ri Won Jo, deve-se reconhecer também a diferença pelo fato de que ele não participou da chamada organização do governo que tinha Pak Hon Yong como chefe, e tampouco participou uma única vez de atividades de espionagem; quanto ao acusado Sol Jong Sik, peço que se leve em consideração que seus atos criminosos foram cometidos na parte sul, que se encontrava sob o domínio do governo militar estadunidense e do regime fantoche de Ri Sung Man.
Em segundo lugar, assim como os demais acusados, os três acusados que defendo também estão declarando sem esconder nada sobre seus atos criminosos.
Considero que eles não apenas não tentaram ocultar seus crimes nem um pouco, como também, ao prestar seus depoimentos a partir de uma posição de autocrítica rigorosa, contribuíram para o esclarecimento preciso dos fatos. Esses fatos demonstram a mudança psicológica dos acusados durante o período que se estendeu da investigação preliminar ao julgamento.
Respeitados camaradas juízes
Estou convencido de que todas as circunstâncias acima que apresentei em minha defesa serão necessariamente consideradas na sala de deliberação e que será proferida uma sentença extremamente justa para os acusados.
Defesa do advogado Jong Yong Hwa em favor dos acusados Pae Chol, Pak Sung Won e Jo Yong Bok
Camaradas juízes da Tribunal Militar do Supremo Tribunal
Apresentarei a defesa de Pae Chol, Pak Sung Won e Jo Yong Bok.
Durante os três dias passados, participei, como advogado da República, do julgamento em que foram examinados os atos criminosos antiestatais dos acusados, a fim de cumprir meu dever.
Não posso deixar de me surpreender diante da extrema gravidade dos atos criminosos dos acusados deste caso.
Entretanto, devo reconhecer que me foi confiada a importante tarefa de participar deste julgamento, isto é, cumprir fielmente o dever de garantir plenamente aos acusados seu direito de defesa, conforme a Constituição da República Popular Democrática da Coreia.
Além disso, é necessário mencionar aqui que, apesar da gravidade de seus crimes, os acusados passaram pelo julgamento tendo seus direitos processuais plenamente garantidos de acordo com os princípios democráticos do sistema judicial da República.
Isso deve ter feito com que os acusados, que conhecem bem a política de terror policial dos traidores da camarilha de Ri Sung Man, que vendem o país na Coreia do Sul sob a proteção do imperialismo estadunidenses e massacram arbitrariamente pessoas inocentes e sem culpa alguma, sem sequer submetê-las a julgamento, simplesmente sob o pretexto de que desejam puni-las, sentissem ainda mais profundamente a natureza popular e a superioridade do sistema judicial da República.
Ao analisar os crimes deste caso, considero significativo falar brevemente sobre a situação atual.
O fato de que hoje o povo coreano, em condições nas quais conquistou uma gloriosa vitória na justa Guerra de Libertação da Pátria para repelir a agressão dos imperialistas estadunidenses, os chefes das forças reacionárias mundiais, e defender a liberdade e a independência da pátria, esteja julgando os espiões a soldo do imperialismo estadunidense neste caso possui, de fato, um significado enorme.
Os imperialistas estadunidenses estenderam suas garras de agressão, pensando que poderiam conquistar facilmente o povo coreano, mas, diante da justa luta do heroico povo coreano, foram obrigados a reconhecer sua derrota e, finalmente, não tiveram outra alternativa senão assinar o armistício.
Além disso, a pérfida conspiração dos imperialistas estadunidenses, que, por meio de artimanhas, infiltraram espiões e elementos de subversão e sabotagem na parte norte da República para enfraquecer internamente nosso Partido e o Governo da República e tentar frustrar a justa luta do povo coreano, foi finalmente desmascarada ainda mais claramente diante do povo coreano por meio deste caso.
Hoje, o povo coreano, tendo derrotado corajosamente em combate os imperialistas estadunidenses que se vangloriavam de sua "hegemonia de força", encontra-se fervilhando de emoção e júbilo pela vitória, cantando canções de triunfo; em várias localidades, incluindo a heroica cidade de Pyongyang, ecoam também bem alto os gritos de "Viva!" em comemoração desta vitória histórica, enviando ao mundo inteiro as celebrações desta vitória, enquanto os povos de todo o mundo também celebram nossa vitória.
Esta gloriosa vitória do povo coreano é, ao mesmo tempo, uma vitória das forças amantes da paz mundial e uma grande vitória que encoraja e estimula a luta de libertação nacional dos povos das colônias e dos países dependentes contra os imperialistas.
Por outro lado, esta gloriosa vitória demonstrou que os mitos da "onipotência militar", da "força invencível" e da "potência hegemônica" do imperialismo estadunidense foram completamente destruídos na frente coreana e que o prestígio externo do imperialismo estadunidense caiu por completo na terra da Coreia, como um mito que se desfaz.
O fato de que, em meio aos gritos de júbilo pela vitória histórica do povo coreano, estejam sendo julgados Ri Sung Yop e seu grupo de espiões a soldo do imperialismo estadunidense constitui uma vitória que consolida firmemente a vitória do povo coreano.
Desde os primeiros dias após a libertação de 15 de agosto, o imperialismo estadunidense, protegendo a camarilha de Ri Sung Man, enviou à parte norte da República espiões, elementos de subversão e sabotagem, assassinos e bandidos, com o objetivo de destruir os resultados da frente democrática alcançados na parte norte da República.
Durante a Guerra de Libertação da Pátria, o alcance dessas vis e sujas operações de sabotagem realizadas pelo imperialismo estadunidense foi ainda mais ampliado.
Ou seja, os imperialistas estadunidenses, aproveitando a situação alterada na República em consequência da guerra, enviaram à parte norte da República ainda mais elementos suspeitos como espiões a seu soldo, utilizando-os em sua guerra de agressão.
Como, no decorrer do julgamento, foi desmascarado e confirmado o fato de que Pae Chol, Pak Sung Won e Jo Yong Bok, os acusados que defenderei hoje, acabaram se tornando espiões do imperialismo estadunidense, devo declarar antecipadamente que minha defesa será conduzida sobre a base de que não há possibilidade de contestar os fatos criminosos dos acusados.
(1) O acusado Pae Chol, como declarou em seu depoimento, cresceu como intelectual pequeno-burguês em uma família de um missionário cristão e, movido pelo chauvinismo e pelo heroísmo, não ingressou no Partido com base no princípio da luta de classes, mas apenas por desejo de fama e em benefício de seus interesses pessoais; posteriormente, sob a direção direta da organização externa, isto é, de seu chefe Ri Sung Yop, caiu ainda mais rapidamente no pântano do crime. Isso pode ser constatado também pela declaração do próprio acusado: "Eu não recebi instruções diretas de Pak Hon Yong, mas esta atividade criminosa recebeu a influência ideológica e a garantia política de Pak Hon Yong". Por isso, pode-se compreender que as atividades antiestatais do acusado foram ainda mais estimuladas por Pak Hon Yong e Ri Sung Yop, e considero que precisamente este é um ponto que o tribunal deve levar em consideração.
(2) A seguir, falarei sobre o acusado Pak Sung Won.
Como o acusado declarou em seu depoimento, ele cresceu em uma família de latifundiários feudais e afirmou que "o fato de ter recebido a influência ideológica de Ri Sung Yop foi uma das causas da formação de minha visão de mundo". Considero que o tribunal deve levar em consideração o fato de que semelhante ambiente social do acusado estimulou nele ideias de chauvinismo e heroísmo, bem como sua declaração de que seus atos de traição "foram realizados sob a direção direta de Ri Sung Yop, recebendo a influência ideológica e a garantia política de Pak Hon Yong".
(3) Quanto ao acusado Jo Yong Bok, ele declarou em seu depoimento: "Até a libertação de 15 de agosto, trabalhei como secretário da Companhia de Transportes da Coreia e depois passei a administrar um moinho de arroz; isso fez com que se formasse em mim uma ideologia pequeno-burguesa, que coincidia completamente com a influência ideológica de Pak Hon Yong e se tornou uma das importantes causas que me levaram a cometer os crimes deste caso".
Entretanto, é necessário acrescentar algo importante: Jo Yong Bok se converteu quando foi preso pela polícia de Ri Sung Man, sob as garras do acusado Paek Hyong Bok, detetive da polícia terrorista de Ri Sung Man; além disso, pode-se dizer que a conversão de Ri Sung Yop fez com que o acusado caísse ainda mais facilmente no abismo do crime.
Concluindo a defesa dos acusados Pae Chol, Pak Sung Won e Jo Yong Bok, proponho ao tribunal que, considerando as diversas circunstâncias apresentadas acima e o fato de os acusados terem confessado conscientemente e com franqueza seus crimes, seja proferida uma sentença justa.
Defesa do advogado Kim Pyong Ok em favor dos acusados Ri Kang Guk e Maeng Jong Ho
Senhor presidente e camaradas juízes.
Durante os três dias de julgamento dos acusados, os fatos criminosos foram examinados sem deixar nada de fora, e agora resta apenas a proclamação da sentença dos acusados.
Como participante do julgamento, cheguei a sentir que os crimes cometidos de forma organizada por vários acusados, incluindo Ri Sung Yop, são crimes graves tanto por sua natureza quanto pelo grau de seu perigo social.
Como advogado encarregado da defesa dos dois acusados, Ri Kang Guk e Maeng Jong Ho, apresento a seguinte defesa.
Primeiramente, o acusado Ri Kang Guk, como ficou claramente demonstrado no julgamento, já havia recebido, quando concluiu a Universidade de Berlim, na Alemanha, em 1935, e retornava à Coreia, uma missão de espionagem dos imperialistas estadunidenses de um indivíduo chamado Crowley, dirigente de uma agência de espionagem estadunidense em Nova Iorque. Quando nossa Coreia foi libertada do domínio do imperialismo japonês graças ao papel decisivo das tropas soviéticas, em setembro de 1946, ele jurou atuar como espião da agência de espionagem estadunidense e, seguindo as instruções do imperialismo estadunidense, infiltrou-se na parte norte da República, ocupou importantes cargos estatais disfarçando-se de patriota e forneceu sistematicamente aos seus senhores imperialistas estadunidenses os segredos políticos, militares e econômicos da República. Por volta de maio de 1950, conspirou com Alice Hyon e Ri Sa Min, enviados diretamente dos Estados Unidos, prometendo realizar atividades de espionagem, subversão e sabotagem; a partir de julho de 1951, estabeleceu ligação com a rede de espionagem dos chefes de espionagem Pak Hon Yong, Ri Sung Yop e outros e, até que esses fatos fossem descobertos e desmascarados, cometeu, como fiel servidor dos imperialistas estadunidenses, atos criminosos vis e repugnantes de traição à pátria e ao povo.
Esses atos criminosos do acusado Ri Kang Guk ficaram claramente demonstrados nos registros da investigação preliminar e nos fatos examinados no julgamento, sendo confirmados pelos depoimentos das testemunhas e por outros documentos probatórios. Por isso, reconheço que não há fundamento para discutir os fatos da acusação e a aplicação dos dispositivos legais, e quero apenas falar sobre alguns pontos que devem ser considerados na determinação da pena do acusado.
Antes de tudo, um dos importantes fatores que levaram o acusado a cometer esses crimes pode ser encontrado no ambiente em que se desenvolveu ideologicamente e no qual se formou sua vontade.
O acusado Ri Kang Guk nasceu em 1906, período em que os imperialistas japoneses iniciaram sua invasão da Coreia, e posteriormente recebeu a chamada educação escravista de assimilação do imperialismo japonês, destinada a abolir a história e a cultura próprias da nação e entorpecer o povo coreano com ideias escravistas. Além disso, o acusado, como filho de um latifundiário, casou-se com a filha de um capitalista e, com a ajuda dela, foi estudar na Universidade de Berlim, na Alemanha, justamente no período em que o regime alemão estava sob o domínio de Hitler e o fascismo havia atingido seu auge.
Assim, o ambiente familiar no momento do nascimento do acusado, o ambiente social em que cresceu e sua educação fizeram com que ele se impregnasse de um individualismo e de uma presunção burgueses e, por fim, devido ao individualismo heroico e ao carreirismo, ele acabou inevitavelmente degenerando em um espião que vendeu a pátria e o povo.
O acusado declarou no julgamento: "Eu disse que estudava o marxismo-leninismo, mas como isso não chegou a arder em mim até se transformar em consciência de classe, não me encaminhei para modificar minhas antigas ideias, limitando-me a possuí-lo apenas como conhecimento".
Considera-se que justamente essas circunstâncias impediram o acusado de abandonar a essência reacionária que nele havia se formado e lhe permitiram cometer facilmente, sem remorso de consciência, crimes de traição à pátria e ao povo.
Outro fator que levou o acusado a cometer esses crimes está relacionado à política de agressão dos imperialistas estadunidenses, que, depois de desembarcarem na parte sul de nossa pátria, procuraram transformar a Coreia do Sul em sua colônia.
Desde o primeiro dia de seu desembarque, os imperialistas estadunidenses, com o objetivo de transformar o povo coreano em escravo colonial, reuniram grupos reacionários como latifundiários, capitalistas, pró-estadunidenses, pró-japoneses e traidores, fabricaram um aparelho de governo militar fiel a eles e impuseram um governo de terror fascista sobre o povo sul-coreano, ao mesmo tempo que se empenharam freneticamente em destruir todos os resultados da poderosa frente democrática alcançados pelo povo da parte norte por meio de sua iniciativa criadora após a libertação e, além disso, em derrubar a República Popular Democrática da Coreia.
O imperialismo estadunidense, com o propósito de desintegrar e enfraquecer internamente o nosso Partido do Trabalho da Coreia e o Governo da República, instigou a divisão nacional e enviou elementos de espionagem e sabotagem à parte norte da República, fazendo-os cometer atos de sabotagem, chegando até mesmo a provocar uma guerra de agressão. Entretanto, na Guerra de Libertação da Pátria, devido à luta heroica do povo coreano, o imperialismo estadunidense sofreu uma vergonhosa derrota e foi obrigado a assinar o Acordo de Armistício.
Por meio de todo o aspecto deste processo contra os presentes acusados, a natureza agressiva do imperialismo estadunidense foi mais uma vez exposta de maneira nua e crua. Durante o processo judicial, pela declaração do coacusado Paek Hyong Bok, pode-se conhecer suas ambições descaradas pelo fato de que Nichols, dirigente de uma agência de espionagem estadunidense, disse a Paek Hyong Bok: "A Coreia é importante não tanto pelo valor de seu território, mas especialmente como base de espionagem contra a União Soviética e a China"
Assim, penso que a política de agressão do imperialismo estadunidense, aproveitando-se do egoísmo individual e das ideias de busca de interesses dos acusados, criou ainda mais o ambiente e as condições para que os acusados pudessem tornar-se seus lacaios.
Isso pode ser constatado pelo fato de que, embora o acusado já tivesse ingressado em 1935 numa agência de espionagem do imperialismo estadunidense, somente passou a praticar diretamente atos de traição depois que o imperialismo estadunidense, após enviar monstros e capangas à Coreia, tornou-se ainda mais descarado.
Assim, considero que o acusado, partindo do egoísmo individual e do oportunismo, foi utilizado pela cruel política do imperialismo estadunidense e chegou a cometer crimes graves, conforme ficou demonstrado no tribunal.
Em segundo lugar, o acusado Maeng Jong Ho já havia se convertido em fevereiro de 1939, durante o período do domínio colonial do imperialismo japonês, e, servindo como informante secreto dos imperialistas japoneses, perseguiu e reprimiu muitos revolucionários. Depois da libertação de 15 de agosto, a partir de maio de 1947, participou ativamente das atividades conspiratórias antigovernamentais de Pak Hon Yong, Ri Sung Yop e outros, tornando-se seu homem de confiança. Além disso, recebeu uma missão de espionagem de Ko Hak Tae, secretário de Jo Pyong Ok, o chamado chefe do Departamento de Polícia do Governo Militar dos Estados Unidos, infiltrou-se na parte norte da República e praticou atividades de espionagem, ao mesmo tempo que conspirava com bandos armados. Durante a Guerra de Libertação da Pátria, quando Seul foi libertada, temendo que sua verdadeira identidade fosse revelada, confinou e massacrou mais de 70 quadros partidários e patriotas na cidade de Seul. Enquanto comandante da 10º unidade de Guerrilha, participou ativamente das conspirações de insurreição antigovernamental dos coacusados Ri Sung Yop, Pae Chol e outros. Esses crimes pelos quais foi acusado foram plenamente confirmados no tribunal pelas declarações e pelos testemunhos do acusado.
Quanto a esses crimes cometidos pelo acusado, todo o povo coreano não poderá conter sua ira e indignação. No que diz respeito a esses atos, um ponto que deve ser considerado na sentença é que, depois da libertação, o acusado não ousou apresentar-se diante do justo povo devido aos seus atos criminosos de traição cometidos no passado.
Entretanto, quando o imperialismo estadunidense desembarcou na Coreia do Sul, reprimiu as forças patrióticas e passou a reunir as agências de espionagem e os bandos reacionários que vinha organizando desde muito tempo antes, o acusado não teve outra alternativa senão confiar seu destino ao imperialismo estadunidense e aos grupos reacionários.
Assim, o acusado voltou a entrar no caminho da traição à pátria e ao povo e passou a executar sem hesitação qualquer ordem de seu amo.
Isso pode ser constatado, conforme o próprio acusado declarou no tribunal: "Como pessoa fiel a Ri Sung Yop, Pae Chol e outros, executei fielmente suas instruções e ordens". Essas circunstâncias também podem ser encontradas, conforme revelado no processo judicial, no fato de que, enquanto o acusado era comandante da 10ª unidade de Guerrilha Popular da Coreia, sob a influência dos coacusados, em alguns casos obedeceu diretamente às suas instruções, bem como em sua declaração sobre o massacre de quadros partidários e do povo na cidade de Seul em julho de 1950: "Ri Sung Yop, que naquela época me dirigia diretamente, ordenou que fossem massacrados, e eu ordenei aos meus subordinados que os massacrassem".
Os acusados cometeram crimes graves que jamais poderão ser lavados ao longo de milênios, tais como traição à nação, atos de insurreição armada e terrorismo.
Entretanto, hoje, no tribunal, o acusado declarou francamente que todos os seus atos haviam sido ilusórios.
Considero que as confissões acima dos acusados são uma expressão de arrependimento de seus crimes perante o povo.
Espero que a defesa que apresentei possa contribuir para a determinação das penas dos acusados e, com isso, encerro minha defesa.
Defesa do advogado Ri Kyu Hong em favor dos acusados Jo Il Myong, Yun Sun Tal e Paek Hyong Bok
Senhores juízes do Tribunal Militar do Supremo Tribunal
O presente caso da camarilha de Ri Sung Yop é extremamente grave, tanto pela natureza dos crimes quanto pelo seu grau de periculosidade social.
Entretanto, participei desta sessão com o objetivo de exercer, em favor dos acusados Jo Il Myong, Yun Sun Tal e Paek Hyong Bok, o direito de defesa dos acusados garantido pela Constituição da República.
O fato de os graves crimes da camarilha de Ri Sung Yop terem sido expostos diante de todos os trabalhadores que hoje desenvolvem uma árdua luta pela recuperação e pelo desenvolvimento da economia popular do pós-guerra mostrou quão ilimitadas são a unidade e a força das forças unidas de todo o povo coreano e do Partido do Trabalho da Coreia, força dirigente e orientadora do povo coreano, e que elas não podem ser quebradas por nenhuma força.
Além disso, conforme foi minuciosamente exposto neste tribunal, os imperialistas estadunidenses, os mais perversos inimigos do povo coreano, desembarcaram suas tropas na parte sul de nossa pátria, libertada pela força do grande Exército Soviético, e continuaram sua política de agressão com o objetivo de recolonizar a Coreia libertada e transformá-la em uma base militar de agressão no Extremo Oriente contra a União Soviética e a China.
Os imperialistas estadunidenses violaram descaradamente os compromissos internacionais de fazer a Coreia renascer e desenvolver-se como um Estado democrático, unificado, independente e soberano e, finalmente, em 25 de junho de 1950, provocaram a guerra da Coreia.
E, depois disso, fizeram uma propaganda falsa e forjada como se o Exército Popular da Coreia tivesse sido o primeiro a invadir.
Isso também é comprovado pela declaração do acusado Ri Sung Yop, segundo a qual ele havia recebido instruções do imperialismo estadunidense para fornecer materiais de propaganda falsificados que apresentassem a República Popular Democrática da Coreia como tendo sido a primeira a invadir, quando eles em breve avançariam ao Norte.
Senhores juízes
Os acusados, que haviam decaído à condição de lacaios do imperialismo estadunidense, servindo à reação internacional, foram fiéis às instruções de seu amo, o imperialismo estadunidense, e praticaram manobras sinistras para derrubar o governo da República, bem como atos de espionagem, terrorismo e massacres antinacionais.
Quanto aos crimes antinacionais, antipartidários e antipopulares dos acusados, os documentos pertinentes recolhidos durante a investigação preliminar, os depoimentos das testemunhas e as próprias declarações detalhadas dos acusados demonstraram uniformemente a base factual da acusação. Partindo dos princípios do julgamento da República, o mais justo e democrático, estou convencido de que será proferida uma sentença justa com base numa avaliação precisa dos crimes e do grau de periculosidade social de cada acusado neste caso, conforme confirmado no julgamento.
Assim sendo, em minha defesa dos acusados Jo Il Myong, Yun Sun Tal e Paek Hyong Bok, como este caso foi executado por muitos acusados, pretendo começar esclarecendo, antes de tudo, o papel de cada acusado no crime, o grau de sua participação e os limites da responsabilidade individual de cada um.
Primeiramente, os fatos da acusação contra o acusado Jo Il Myong consistem no seguinte: já em 1934, ele abandonou o movimento revolucionário, renegou-o e tornou-se um traidor que, como professor de japonês de uma instituição pró-japonesa de conversão ideológica, vinha propagando a chamada ideologia da "unidade entre o Japão e a Coreia". Depois da libertação de 15 de agosto, a partir de fevereiro de 1946, passou a trabalhar para uma agência de espionagem estadunidense e, mantendo contato com Ri Sung Yop, reuniu várias vezes, até dezembro de 1947, importantes materiais secretos do Partido e os forneceu à agência de espionagem estadunidense. A partir de julho de 1948, juntamente com Ri Sung Yop, incorporou Pak Hon Yong, Rim Hwa e outros à sua rede de espionagem e, depois de reunir materiais secretos dos diversos setores militar, político e econômico da República, forneceu-os sistematicamente à agência de espionagem estadunidense. Em julho de 1950, em Seul, conspirou com Ri Sung Yop e participou da organização do chamado "Comitê de Investigação de Terras" ou "departamento de assuntos especiais" dentro do quartel-general das Forças Voluntárias, participando de atos de assassinato contra quadros que contrariavam seus interesses e pessoas que conheciam sua verdadeira identidade criminosa. Participou de atividades conspiratórias antinacionais com o objetivo de derrubar o governo da República, realizou atividades de expansão da base para recuperar suas forças e manobras políticas. Além disso, participou da conspiração de insurreição armada da camarilha de Ri Sung Yop, organizou seu quartel-general e, durante a insurreição, se encerregaria das tarefas políticas e de propaganda e agitação, ao mesmo tempo que atuava para reunir os elementos impuros que haviam se infiltrado no Ministério da Cultura e Propaganda, a fim de ampliar suas forças, além de ter instigado o acusado Ri Won Jo a reunir elementos impuros dentro da Federação Geral de Literatura e Artes.
Quanto aos fatos acima, como podem ser suficientemente reconhecidos pelos materiais da investigação preliminar, pelos depoimentos das testemunhas e pela confissão franca do próprio acusado, eu, como advogado, não posso naturalmente contestá-los, nem tenho grandes argumentos quanto aos dispositivos legais aplicáveis.
Entretanto, embora o acusado Jo Il Myong já tivesse renegado em 1934 e, depois da libertação de 15 de agosto, seus crimes cometidos enquanto trabalhava para uma agência de espionagem estadunidense fossem graves, ouso dizer que os verdadeiros cabeças destes crimes eram justamente os chefes de espionagem do imperialismo estadunidense, Pak Hon Yong e Ri Sung Yop.
Isso fica claro também pela declaração do acusado Jo Il Myong sobre as circunstâncias em que estabeleceu contato com Ri Sung Yop para as atividades de espionagem: "No final de fevereiro de 1946, o capitão Johnson, que me havia recrutado para a agência de espionagem estadunidense, veio à redação do jornal Haebang Ilbo e me instruiu a, dali em diante, realizar todas as atividades sob a direção de Ri Sung Yop e, em ligação com ele, fornecer materiais secretos sobre todas as atividades relacionadas à missão de espionagem que havia prometido realizar". Também é claro pelo fato de que ele foi consideravelmente influenciado pela chamada "insurreição de outubro" criminosa de Pak Hon Yong; para alcançar sua própria ambição, ele a apoiou e a tomou como programa de ação, desempenhando assim um papel ainda maior em seus atos extremamente traiçoeiros.
Senhores juízes
O acusado Jo Il Myong não tentou ocultar nem esconder os fatos de seus crimes neste tribunal.
Ele fez uma autocrítica sobre sua própria responsabilidade. O acusado Jo Il Myong declarou: "Faço uma autocrítica de meus crimes. Admito que minhas atividades, pelas quais receberei a maldição de todo o povo, assumiram caráter criminoso. Admito que, como participante dos crimes deste caso, devo agora ser punido". Considero que o fato de ele ter chegado a proferir essas palavras é uma expressão de seu arrependimento pelos próprios crimes diante da pátria e do povo.
A seguir, os fatos dos crimes do acusado Yun Sun Tal são os seguintes: durante longo período, como homem de confiança de Ri Sung Yop e Pak Hon Yong, recebendo a influência de suas ideias impuras, a partir de junho de 1952, enquanto ocupava o cargo de vice-diretor do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido, foi utilizado na conspiração de insurreição armada da camarilha de Ri Sung Yop, cujo objetivo era derrubar o governo da República, realizou atividades para organizar e fortalecer unidades armadas e ampliar suas forças, bem como atividades de manobra política antinacional. Por outro lado, em setembro do mesmo ano, participou das discussões conspiratórias para formar um governo contrarrevolucionário criminoso centrado em Pak Hon Yong e, em novembro do mesmo ano, conspirou com o acusado Pae Chol e, sob suas instruções, assassinou dois cidadãos inocentes. O acusado Yun Sun Tal também reconheceu seus graves crimes.
Ele apoiou a camarilha de Ri Sung Yop e atuou conscientemente, afirmando que a origem disso remontava ao período imediatamente posterior à libertação de 15 de agosto. Além disso, declarou que, embora tivesse reconhecido que a chamada "linha de Pak Hon Yong" era criminosa e algo que todo o povo coreano não poderia tolerar, não tentou criticá-la nem expô-la.
Não se pode deixar de considerar extremamente graves também os crimes que ele cometeu sobre essa base ideológica. Entretanto, o que pretendo dizer sobre os crimes do acusado Yun Sun Tal é, antes de tudo, que, em suas atividades criminosas gerais, diferentemente do acusado Jo Il Myong, havia diferenças no grau de sua participação e na firmeza de sua convicção. Segundo o que ele afirma, o período em que passou a concordar ideologicamente com eles foi imediatamente após 15 de agosto. Entretanto, sua participação efetiva e suas ações nos crimes deste caso começaram em junho de 1952; ele não apenas seguiu as instruções de Ri Sung Yop, como também, no massacre de dois cidadãos inocentes em novembro do mesmo ano, agiu sob as instruções do acusado Pae Chol.
O acusado Pae Chol declarou: "Politicamente, Yun Sun Tal ainda é inexperiente e precisa estudar mais seis meses para poder acompanhar".
Na realidade, ele era executor da vontade criminosa de Ri Sung Yop e outros, e não o iniciador nem o protagonista desses crimes. O acusado Yun Sun Tal está hoje consciente da gravidade de seus atos criminosos e se arrepende deles.
Senhores juízes
No julgamento do acusado Yun Sun Tal, espero que seja proferida uma sentença que lhe dê a possibilidade de limpar completamente seus crimes perante o povo e dedicar o restante de sua vida ao trabalho em benefício do povo.
Por fim, quanto ao conteúdo dos crimes do acusado Paek Hyong Bok: já durante o período do imperialismo japonês, ele ocupou cargos como chefe de polícia e investigador da polícia política e reprimiu ativamente o movimento de libertação nacional coreano. Depois da libertação de 15 de agosto, continuou trabalhando na trama de Ri Sung Yop para derrubar o governo da República e, enquanto ocupava o cargo de chefe da Seção de Investigação do Departamento de Polícia de Kangwon, organizou e dirigiu diretamente a prisão e o massacre de mais de 200 pessoas, incluindo o ex-presidente do Comitê do Partido da província de Jolla Norte e outros quadros e patriotas. Em março de 1950, por intermédio dos renegados Jo Yong Bok, An Yong Tal e outros, prendeu Kim Sam Ryong e Ri Ju Ha, membros do Comitê Político do Partido do Trabalho da Coreia. A partir de fevereiro de 1950, em conluio com Nichols, oficial de inteligência aérea do Comando do Extremo Oriente dos Estados Unidos, sob ligação com Ri Sung Yop, reuniu segredos militares e nacionais da República com o objetivo de infiltrar o acusado Jo Yong Bok na parte norte da República e os forneceu às agências de espionagem estadunidenses. Em maio de 1950, por instrução direta de uma agência de espionagem estadunidense, sob ligação com Ri Sung Yop, infiltrou-se na parte norte da República juntamente com os renegados An Yong Tal e Jo Yong Bok, disfarçando sua entrada como se estivessem entrando na parte norte da República por motivos patrióticos, com o objetivo de realizar atividades de espionagem. O acusado Paek Hyong Bok reconheceu francamente, sem deixar nada de fora, esses fatos de seus crimes.
Mas como podemos explicar esses atos de Paek Hyong Bok? Segundo meu pensamento, sua origem social, sem dúvida, foi o que deu início aos seus atos. O acusado Paek Hyong Bok, conforme ele próprio declarou, começou ajudando a família nos trabalhos agrícolas, mas, quando decidiu deixar de ser agricultor para tornar-se assalariado, acabou tornando-se um cruel policial a serviço do imperialismo japonês. Esse foi seu ponto de partida. Por isso, como possuidor de ideias de heroísmo individual e carreirismo, acabou continuamente decaindo à condição de lacaio dos imperialistas estadunidenses.
Entretanto, hoje o acusado Paek Hyong Bok não apenas reconhece francamente os fatos de seus crimes, como também, ao prestar uma declaração complementar, afirma: "Quanto à afirmação de que Jo Yong Bok desempenhou um papel principal na prisão do senhor Kim Sam Ryong, não foi assim; fui eu quem desempenhou o papel principal". Além disso, ao expor a natureza dos atos de repressão e massacre bestiais dos imperialistas estadunidenses e da camarilha traidora de Ri Sung Man, seus lacaios, ele declarou: "A camarilha títere de Ri Sung Man, ao torturar e massacrar impiedosamente pessoas inocentes, nem sequer pensa em submetê-las a julgamento. Simplesmente acaba com elas por meio de terrorismo e massacres indescritíveis, sem qualquer condição". Assim, ao falar francamente sobre o conteúdo de todos os crimes e fazer uma autocrítica de seus próprios crimes, ele não está apenas reconhecendo os fatos de seus crimes, mas também expondo a natureza criminosa do imperialismo estadunidense e da camarilha traidora de Ri Sung Man.
Senhores juízes
Os atos dos acusados Jo Il Myong, Yun Sun Tal e Paek Hyong Bok constituem crimes tão enormes que são difíceis de descrever.
Entretanto, peço que se dê profunda consideração ao fato de que, ao exporem os fatos de seus crimes, os acusados agiram todos francamente, sem tentar ocultar ou negar qualquer um deles.
Considero que, ao determinar as penas que lhes serão impostas, todas as circunstâncias que mencionei acima devem necessariamente ser levadas em consideração.
Presidente do tribunal: Com isso, terminaram por completo as defesas dos advogados. Promotor, tem algo a contestar quanto às defesas dos advogados?
Promotor: Não.
V. Declarações finais dos acusados
Presidente do tribunal: Antes de votar a sentença, se tiverem algo a declarar por último, podem falar.
Declaração final de Jo Il Myong
Compreendo que todos os crimes que cometi são atos praticados contra o povo coreano, como seu perverso inimigo, pelos quais devo receber a maldição do povo coreano por todas as gerações. Como os crimes que cometi são tão extremamente atrozes e incomparavelmente pérfidos, aceitarei qualquer punição que o Estado me impuser.
Declaração final de Pae Chol
Os crimes que cometi são os mais vis e perversos da história dos crimes da humanidade. Portanto, devo ser amaldiçoado por todas as gerações dos descendentes do povo coreano. Sei muito bem que, mesmo que o Partido e o Estado me imponham qualquer punição severa por esse crime, ela ainda será insuficiente em comparação com o crime que cometi. Receberei a punição de bom grado, com o espírito de arrependimento que sinto hoje. Agradeço por terem garantido, durante o processo, a oportunidade de expor meus crimes perante o povo e de apresentar minhas desculpas.
Declaração final de Ri Sung Yop
Embora eu seja alguém que cometeu crimes graves que não podem ser lavados, não posso permanecer em silêncio e gostaria de proferir, por fim, algumas últimas palavras.
Depois que nós, nossa camarilha, fomos presos pelos órgãos judiciais da República Popular, apesar de sermos elementos extremamente perversos de terrorismo, durante a investigação preliminar fomos interrogados com plena garantia da legalidade, sem a menor violação dos direitos humanos, e recebemos um tratamento extremamente atencioso como seres humanos, pelo que agradeço.
Também durante o processo, realizado ao longo de quatro dias, deram-nos a oportunidade de prestar declarações livremente, permitindo-nos confessar e expor nossos crimes perante o povo, o que me possibilitou chegar a sentir o coração aliviado. Agradeço especialmente, por fim, o fato de terem inclusive designado advogados para nós.
Os fatos de meus crimes foram comprovados com precisão em todos os seus aspectos. De qualquer modo, aceitarei de bom grado qualquer sentença severa que nos seja imposta. Mesmo que eu tivesse vida, ainda seria insuficiente para lavar os crimes que cometi, mesmo que dedicasse toda ela a isso. Estou convencido de que os imperialistas estadunidenses, que instigaram e manipularam nossos atos criminosos, devem ser justamente punidos diante do nosso povo e dos povos de todo o mundo e de que certamente receberão sua punição.
Declaração final de Ri Won Jo
Cometi o crime de traição à pátria, o mais grave entre os crimes que uma pessoa pode cometer. O fato de eu ter sido submetido ao julgamento do povo não se deve a uma motivação casual, a um erro momentâneo ou a uma causa externa, mas é um crime inevitável cometido porque, originalmente, minha ideologia era contrarrevolucionária e reacionária.
Quando ocupava o cargo de vice-diretor do Departamento de Propaganda do Comitê Central do Partido, embora houvesse condições para que eu evitasse as consequências dos meus crimes, traí essas condições e, pelo contrário, passei ativamente a praticar atos criminosos contra o Estado e contra o povo.
Na acusação do procurador, foi afirmado que eu não havia participado de atos de espionagem nem da insurreição armada, mas, quanto aos motivos, objetivos e à essência do crime, não há absolutamente nenhuma diferença entre meus atos e a participação em uma insurreição armada ou em atividades de espionagem. A acusação do procurador é indescritivelmente indulgente em comparação com os crimes que cometi.
Ao refletir criticamente, durante o processo de investigação preliminar e o julgamento, sobre se ainda poderia despertar ao menos o último resquício de minha consciência, considero que, ao receber nesta sagrada corte, perante a pátria e o povo, a punição pelos crimes do passado, os atos criminosos já cometidos poderiam ser expiados. No entanto, reconheço que a raiz ideológica que me levou a cometer esses crimes ainda não foi completamente eliminada.
Tomarei a indulgente acusação do procurador do Estado como uma oportunidade instrutiva para transformar as raízes ideológicas do meu passado e juro que me arrependerei por meio de atos concretos. Aproveitando este julgamento como uma oportunidade, juro firmemente que reformarei minha ideologia e renascerei perante a pátria e o povo.
Declaração final de Ri Kang Guk
Embora eu seja um criminoso abominável que traiu a pátria e o povo, agradeço por me terem concedido, graças à especial consideração do Partido e da pátria, a oportunidade de fazer autocrítica durante a investigação preliminar e o julgamento. Aceitarei a punição que a pátria e o povo me impuserem.
Agradeço novamente perante a pátria e o povo por me terem concedido a oportunidade de, antes de morrer, confessar meus crimes diante do povo e morrer como uma pessoa correta.
Declaração final de Paek Hyong Bok
Durante a época do domínio japonês e, depois, sob a direção do imperialismo estadunidense, servi durante dez anos na polícia, recebendo meu salário do sangue e do suor do povo coreano, mantendo uma vida de luxo, massacrando o povo coreano e colaborando para transformar a Coreia em uma colônia permanente do imperialismo japonês. Além disso, depois que o imperialismo estadunidense iniciou a invasão da Coreia, esperei que os Estados Unidos estabelecessem uma dominação permanente sobre a Coreia, enquanto perseguia, reprimia, prendia, encarcerava e massacrava numerosos patriotas.
Está suficientemente comprovado que minha ideologia, formada ao longo desse extenso período, era completamente vende-pátria, inteiramente contrária ao Estado e egoísta. O simples fato de eu ter sido especialmente selecionado e enviado pelo imperialismo estadunidense à parte norte já permite compreender o quanto eu era um fiel instrumento dos imperialistas estadunidenses.
Depois de ser enviado à República como espião do imperialismo estadunidense, meu destino como traidor fez com que eu fosse capturado por órgãos internos da República. Logo após minha prisão, sinceramente, não queria revelar meus crimes. Pensava que, de qualquer maneira, morreria, e por isso não queria falar. Entretanto, depois de ser preso, fiquei comovido porque os órgãos da República me trataram do princípio ao fim com métodos pacientes, elevados, progressistas e humanitários, e então revelei toda a verdade sobre meus crimes.
Assim, acabei confessando meus crimes e expus claramente ao mundo todos os principais crimes que havia cometido. Aceitarei de bom grado, em todos os seus aspectos, a acusação do procurador do Estado. Não tenho a mínima queixa nem a menor contestação. Há uma coisa que desejo dizer primeiro: durante a investigação preliminar e o julgamento na República, fui tratado humanamente, apesar de ser um inimigo abominável, e, nesta corte, até o último momento, foi-me garantida plena liberdade por meio de um sistema jurídico democrático, progressista e elevado, que me concedeu a oportunidade de fazer minha declaração final.
Eu pensava que morreria sem parentes e em completo isolamento, mas, ao ver que até mesmo um advogado foi designado para me defender, sinto-me profundamente comovido. Não estou pedindo a redução da punição pelos meus crimes, mas passei a sentir verdadeiramente, em profundidade, a superioridade do povo coreano e de nossa pátria.
Há ainda uma coisa que desejo dizer: os coacusados chegaram a ficar diante desta corte porque, depois de terem sido presos e torturados por policiais abomináveis como eu, não puderam deixar de se tornar traidores. Por isso, considero-me duplamente criminoso. Hoje, entre os acusados presentes neste tribunal, há também uma pessoa como Jo Yong Bok, que lutou como um combatente sem se submeter ao imperialismo japonês, mas que, depois de ser presa por mim e submetida às ameaças e intimidações extremas que eu lhe impunha, acabou se tornando um traidor e, finalmente, veio parar nesta corte.
Sei muito bem que, como um traidor e torturador sem precedentes na história passada, responsável por descobrir e executar numerosos excelentes patriotas, atraí para mim a indignação crescente e a atenção de todo o povo coreano. Quanto ódio e ressentimento não sentirão por mim os familiares dos assassinados — suas esposas, filhos e parentes — e, na verdade, todo o povo coreano?
Prendi Kim Sam Ryong, um dos excelentes filhos do povo coreano, submeti-o a torturas e espancamentos, infligi-lhe maus-tratos e, conforme o depoimento da testemunha Cha Yak Do, coloquei-lhe algemas nos pés, amarrei-o a uma árvore, concentrei disparos contra seu peito, matei-o e depois o enterrei. Sei muito bem que recebo o ressentimento e a maldição de tantas famílias e de todo o povo coreano.
Considero que cometi mais crimes do que os mencionados na acusação do procurador e, se pudesse receber uma pena ainda maior, eu a aceitaria. Mas tenho apenas uma vida. Oferecerei minha vida para aliviar, ainda que em uma fração infinitesimal, o ressentimento dessas pessoas. Pedirei perdão por meio da morte. Por intermédio do presidente do tribunal, peço perdão a todo o povo coreano.
O que senti durante esse período foi que, sob a bandeira da República, o povo coreano construirá, em um futuro não muito distante, uma sociedade radiante e feliz. Aqui, oponho-me completamente à Coreia do Sul a e aos Estados Unidos. Também odeio a Coreia do Sul e os imperialistas estadunidenses.
Ao me punirem, será dada uma severa lição a pessoas obtusas como eu, que, na Coreia do Sul, ainda não reconhecem claramente seus próprios erros. Agradeço por me terem concedido a oportunidade de fazer minha declaração final.
Declaração final de Sol Jong Sik
Não tenho nenhuma queixa. Ao deixar este mundo, agradeço por poder falar tudo com sinceridade e clareza. Se fosse possível extirpar a carne apodrecida do meu cérebro, eu me submeteria a isso.
Durante a investigação preliminar, um dos meus irmãos mais novos ou um dos camaradas investigadores de antes me ensinou, dizendo: “Você está louco? O que é esse diretor estadunidense?”. Fiquei admirado com suas palavras e não consegui levantar a cabeça. Esse camarada era um trabalhador que antes, em Taebangjon, trabalhava na ferrovia, e era um camarada incomparavelmente superior a mim, que sequer sabia fazer autocrítica.
Eu não sabia nem mesmo fazer autocrítica e, no início, cheguei a discutir com esse camarada. Na fase inicial da investigação preliminar, eu não sentia remorso. Expressarei minha gratidão à República e confessarei aquilo de que me envergonho.
Na defesa do advogado, ele tratou com indulgência alguém como eu, um dos membros desse terrível bando. Se me permitem dizer, há algo que desejo revelar: quando ingressei no Partido, escrevi um poema intitulado “Agora, o que há para temer?”, no qual tinha em mente Pak Hon Yong, que hoje se tornou um inimigo, e o retratei como alguém a ser elevado à posição de líder. Foi um poema que escrevi para promovê-lo a essa posição.
Sofri durante três ou quatro dias, mas hoje estou bem. Eu era como algo podre e imundo que havia sido retirado de um esgoto. Objetivamente, qualquer pessoa que me observasse veria que eu era muito ruim, tanto em caráter quanto em ambição de ascensão, e, além disso, havia cometido crimes. Quem poderia dizer que eu não era uma pessoa má?
Em 1942, apenas li a obra de um japonês chamado Kawakami, intitulada “História da Pobreza”, e, depois disso, não pude ler absolutamente nenhuma obra de esquerda. Eu tinha muitos bens, mas, depois da libertação de Seul em 28 de junho, tudo aquilo deveria ser entregue aos que o necessitavam.
Quando soube que meu sobrinho havia ido à Coreia do Norte durante a Conferência Conjunta Norte-Sul e retornado, perguntei-lhe sobre isso. Quando ele elogiou a parte norte, dizendo que o poder da democracia que ouvíamos mencionar era impressionante, também chegamos a jurar que deveríamos seguir a parte norte.
Afasto-me acreditando que em breve virá uma sociedade na qual até as crianças poderão viver bem, na qual nosso povo poderá viver bem, uma sociedade democrática em que meus filhos e todas as crianças poderão viver bem. Como fui um instrumento e um servidor dos estadunidenses, aceitarei a punição que mereço pelos meus crimes.
Declaração final de Pak Sung Won
Os crimes cometidos por Ri Sung Yop e seu bando, que, sob a proteção do imperialismo estadunidense, traíram a pátria e o povo, foram completamente expostos, acumulando indignação e repulsa.
Eu mesmo passei a lamentar profundamente os crimes de nossa camarilha, expostos nesta sala de julgamento, e considero que, embora tardiamente, só consegui arrepender-me dos meus erros graças à justa consideração do Partido e do Governo. Se não tivesse havido a correta orientação do Partido e do Governo, meus crimes abomináveis teriam continuado até este momento.
Nesse sentido, considero que a acusação feita pelo procurador contra mim é inteiramente justa. A solicitação da pena de morte é apropriada, e eu mereço ser punido cem vezes. Como disse o promotor, ao executar completamente diante do povo esses inimigos abomináveis como eu, enquanto inimigos do povo, poderemos aliviar o ressentimento popular, elevar a hostilidade do povo contra os inimigos e, desse modo, demonstrar aos inimigos que o nosso desaparecimento constitui um golpe contra eles.
A explicação apresentada pelo advogado sobre os motivos dos meus crimes é diferente da minha própria intenção. Por mais reacionária que uma pessoa seja, por mais que seja inimiga do povo, quem não tem uma pátria que admire? Contudo, hoje, no meu último dia de vida, não tenho uma pátria à qual possa chamar de minha. Por mais traidor que eu seja, não posso chamar o regime de Ri Sung Man de pátria, e, tendo traído a República, também não tenho dignidade para chamar a República Popular Democrática da Coreia de minha pátria. (O acusado soluça e chora convulsivamente.)
Entretanto, neste momento em que meus crimes estão sendo julgados, a pátria de minha consciência é a República Popular Democrática da Coreia.
Por fim, embora eu seja um criminoso que, como os demais, traiu a pátria e o povo, se isso me for permitido, peço que me deixem odiar completamente o imperialismo estadunidense e chamar para sempre a República de minha pátria. (Todos os acusados soluçam e choram.)
Declaração final de Maeng Jong Ho
Os crimes da camarilha de Ri Sung Yop, espiões do imperialismo estadunidense e inimigos do povo coreano, que participaram da conspiração de uma insurreição armada, foram expostos detalhadamente durante a investigação preliminar e hoje, neste local.
Só posso lavar os crimes que cometi perante a pátria com minha única vida. Aceito de bom grado a acusação do procurador. Com a ampla divulgação dos fatos criminosos cometidos por nós, tais acontecimentos jamais voltarão a ocorrer em nosso Estado.
Agradeço ao procurador, ao advogado e ao tribunal por terem me feito compreender, ainda que minimamente, tanto durante a investigação preliminar quanto no julgamento, que meus atos eram errados.
Declaração final de Yun Sun Tal
Como traidor que se opôs à pátria e ao povo, não tenho nada a dizer. O procurador foi excessivamente indulgente em sua acusação contra mim.
O fato de os crimes que cometi serem um pouco menos numerosos que os dos outros acusados deve-se apenas ao período mais curto em que participei dos crimes. Se tivesse permanecido envolvido por mais tempo, também teria cometido mais crimes. Agradeço igualmente a todos os senhores por terem me aberto o caminho do arrependimento durante o período da investigação preliminar e deste julgamento, e por terem me ajudado a compreender o que é correto. Ao me aproximar da morte, desejarei o fortalecimento do glorioso Partido do Trabalho da Coreia. Ao receber uma punição severa, poderei expiar os crimes que cometi contra a pátria e o povo, e isso servirá de lição aos membros do Partido e ao povo que foram influenciados negativamente pelo nosso bando.
Declaração final de Jo Yong Bok
Sinto vergonha de falar como traidor do povo coreano. Por fim, agradeço por todas as benevolências do Partido e da República que recebi durante a investigação preliminar e nesta sala de julgamento.
Em seguida, desejo a bem-aventurança eterna dos camaradas que partiram antes de mim depois de trabalharem comigo e peço perdão diante das almas do senhor Kim Sam Ryong e do senhor Ri Ju Ha. Se, nesta corte, for atendido um pedido feito por alguém tão imundo quanto eu, desejo deixar uma única frase como testamento para meu filho:
“Você deve lutar, oferecendo tudo o que possui, contra o imperialismo estadunidense, que transformou este pai em um pérfido inimigo da pátria.”
Declaração final de Rim Hwa
Não tenho nada de especial a dizer.
Se ainda tenho a aparência de um homem e nasci como homem, agora, diante da oportunidade de fazer minha declaração final neste lugar, falo com um sentimento que não pode ser expressado em palavras. Agradeço por me terem concedido a oportunidade de deixar minha última voz no mundo e, movido pelo desejo humano, considero lamentável deixar passar esta oportunidade sem falar novamente.
Nossa camarilha disse muitas coisas, e eu mesmo também disse várias coisas. Contudo, aquilo que mais profundamente me impressionou foi a frase proferida pelo procurador do Estado no final de sua acusação: “Ao avaliar esta camarilha, lembrem-se dos que foram injustamente sacrificados durante a Guerra de Libertação da Pátria”.
Nossos crimes são indescritíveis. O que mais me amedronta é pensar que a responsabilidade hedionda de fazer o imperialismo estadunidense matar meus amigos, meus pais, meus filhos e meus parentes, e bombardear os lugares onde vivi, os caminhos por onde caminhei e as montanhas e rios de minha terra, recai justamente sobre mim. Não consigo descrevê-lo com nenhuma outra palavra.
Minha família também morreu nos bombardeios do imperialismo estadunidense. Mais do que o imperialismo estadunidense, fui eu mesmo o primeiro responsável pela morte de minha família. Eu, sem vergonha, pensava que os estadunidenses os haviam matado, mas o criminoso que matou meus próprios familiares sou eu mesmo. Nunca tive um pensamento mais aterrorizante do que esse.
Em minha declaração consta a frase: “Servirei novamente à pátria e ao povo”. Contudo, como sou alguém que matou seus próprios familiares, isso não me será permitido. No passado, os criminosos que mataram seus próprios familiares também não foram perdoados. Mesmo que alguém, ao julgar-me, considerasse perdoável o fato de eu ter matado meus próprios familiares, cidadãos de meu país e de minha pátria, eu mesmo não poderia me perdoar.
Por maior que seja o apego de uma pessoa à vida, minha vida, que perdeu seu valor, não poderá ser expiada por qualquer outra coisa. Somente por meio da morte poderei compensar meus crimes.
Tenho de dizer algo vergonhoso: durante o processo de investigação preliminar, tentei suicidar-me. Digo isso hoje, neste lugar, ao percorrer meu último caminho. Esse é o ato mais abominável que uma pessoa pode cometer. Não tentei morrer por ser corajoso. Isso se originou da minha própria vaidade e do meu desejo de reconhecimento.
Eu não queria receber uma sentença de morte nem tornar-me um criminoso, e essa raiz ideológica imunda foi também a origem de eu ter matado camaradas e traído a pátria; foi a origem que me fez dobrar os braços e derramar sangue. Em vez de expor diante das massas populares minha vaidade, meu desejo de reconhecimento e todos os meus crimes abomináveis, eu preferia morrer.
Essa ideologia dificultou a investigação preliminar e, durante o julgamento, impediu-me de prestar depoimento. Ao dizer estas palavras, expresso minha sincera gratidão por terem tratado humanamente até mesmo alguém tão abominável quanto eu.
Se me for permitido, assim como os outros acusados, também desejo, até o fim, erguer a cabeça e elevar a voz nesta corte do julgamento do povo, desejando glória à pátria e ao povo.
Senhores juízes do Supremo Tribunal, agradeço por terem criado as condições para que eu, que cometi crimes graves, pudesse estar satisfeito com tudo, desejar glória à pátria e morrer em paz.
Presidente do tribunal: Com isso, está encerrada a declaração final dos acusados. Agora suspenderemos a sessão para proceder à votação da sentença. (17 horas)
(Os membros do tribunal entram na sala de deliberação)
Presidente do tribunal: O juíz Pak Ryong Suk fará a leitura da sentença.
(O juíz Pak Ryong Suk lê a sentença.)
Presidente do tribunal: Informo aos acusados condenados à pena de morte que eles podem solicitar um indulto ao Presidium da Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia.
Com isso, declaro encerrado o julgamento do processo contra os acusados Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Rim Hwa, Pak Sung Won, Ri Kang Guk, Pae Chol, Yun Sun Tal, Ri Won Jo, Paek Hyong Bok, Jo Yong Bok, Maeng Jong Ho e Sol Jong Sik, pelos crimes de conspiração para derrubar o governo da República Popular Democrática da Coreia, espionagem, terrorismo e atividades de propaganda e agitação antiestatais. (20 horas)
República Popular Democrática da Coreia
Tribunal Militar do Supremo Tribunal
Presidente do tribunal, Kim Ik Son
Secretário da sessão, Kim Yong Ju
VI. Sentença
Em nome da República Popular Democrática da Coreia
De 3 a 6 de agosto de 1953, o Tribunal Militar do Supremo Tribunal da República Popular Democrática da Coreia, tendo como presidente do tribunal Kim Ik Son, presidente do Supremo Tribunal, como membros do tribunal os juízes Pak Ryong Suk e Pak Kyong Ho, e como secretário da sessão Kim Yong Ju, realizou uma sessão pública, na qual foram julgados os casos dos doze acusados Ri Sung Yop e Jo Il Myong, processados por crimes correspondentes aos artigos 78, 65, parágrafo 1, 76, parágrafo 2, 68 e 72 do Código Penal; Rim Hwa e Pak Sung Won, processados por crimes correspondentes aos artigos 78, 65, parágrafo 1, 76, parágrafo 2 e 68 do Código Penal; Ri Kang Guk, processado por crimes correspondentes aos artigos 68 e 76, parágrafo 2 do Código Penal; Pae Chol e Yun Sun Tal, processados por crimes correspondentes aos artigos 78, 65, parágrafo 1, 76, parágrafo 2 e 112, inciso 4 do Código Penal; Ri Won Jo, processado por crimes correspondentes aos artigos 78, 65, parágrafo 2 e 76, parágrafo 2 do Código Penal; Paek Hyong Bok, processado por crimes correspondentes aos artigos 79 e 71 do Código Penal; Jo Yong Bok, processado por crimes correspondentes ao artigo 68 do Código Penal; Maeng Jong Ho, processado por crimes correspondentes aos artigos 78, 65, parágrafo 2, 76, parágrafo 2, 72 e 68 do Código Penal; e Sol Jong Sik, processado por crimes correspondentes ao artigo 79 do Código Penal, tudo sob a participação do vice-procurador-geral Kim Tong Hak, dos promotores Ri Chang Ho e Kim Yun Sik e dos advogados de defesa Ji Yong Dae, Kim Pyong Ok, Kim Mun Pyong, Ri Kyu Hong e Jong Yong Hwa.
I — Ri Sung Yop — nascido em 8 de fevereiro de 1905, homem, tendo como registro de origem Uiri, Yongjong-myon, condado de Pupyong, província de Kyonggi, residente em Chonggye-ri, Rimwon-myon, condado de Taedong, província de Pyongan Sul, profissão: ex-secretário do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia e ex-diretor do Departamento de Inspeção Popular da República Popular Democrática da Coreia.
II — Jo Il Myong (pseudônimo: Jo Du Won) — nascido em 1º de dezembro de 1903, homem, tendo como registro de origem Hupomae-ri, Hyonnam-myon, condado de Yangyang, província de Kangwon, residente em Kirim-ri, cidade de Pyongyang, profissão: ex-vice-ministro da Cultura e Propaganda da República Popular Democrática da Coreia.
III — Rim Hwa — nascido em 23 de outubro de 1908, homem, tendo como registro de origem Gahoe-dong, cidade de Seul, residente em Nae-ri, distrito de Taedong, província de Pyongan Sul, profissão: ex-vice-presidente do Comitê Central da Associação Cultural Coreia-URSS
IV — Pak Sung Won (pseudônimo: Pak Il Chol) — nascido em 28 de fevereiro de 1913, homem, tendo como registro de origem Hamang-ri, Yongju-eup, condado de Yongju, província de Kyongsang Norte, residente em Taesong-ri, cidade de Pyongyang, profissão: ex-vice-diretor do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia.
V — Ri Kang Guk — nascido em 7 de fevereiro de 1906, homem, tendo como registro de origem Sajik-dong, cidade de Seul, residente em Kirim-ri, cidade de Pyongyang, profissão: ex-presidente da Companhia de Importação de Produtos Gerais do Ministério do Comércio da República Popular Democrática da Coreia.
VI — Pae Chol — nascido em 6 de janeiro de 1912, homem, tendo como registro de origem Ahyon-dong, cidade de Seul, residente em Tosong-ri, cidade de Pyongyang, profissão: ex-diretor do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia.
VII — Yun Sun Tal — nascido em 16 de janeiro de 1914, homem, tendo como registro de origem Sudong-ri, Taegu-myon, condado de Kangjin, província de Jolla Sul, residente em Kiam-ri, condado de Taedong, província de Pyongan Sul, profissão: ex-vice-diretor do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia.
VIII — Ri Won Jo — nascido em 2 de junho de 1909, homem, tendo como registro de origem Wonchon-dong, Tosan-myon, condado de Andong, província de Kyongsang Norte, residente em Taetaryong-ri, cidade de Pyongyang, profissão: ex-vice-diretor do Departamento de Propaganda e Agitação do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia.
IX — Paek Hyong Bok — nascido em 24 de outubro de 1917, homem, tendo como registro de origem Wondung-ri, Yuchi-myon, condado de Janghung, província de Jolla Sul, residente em Yonhui-dong, cidade de Seul, profissão: ex-chefe da Seção de Investigação Central do Departamento de Segurança do Ministério do Interior do governo fantoche de Ri Sung Man.
X — Jo Yong Bok (pseudônimo: Pak Sang Uk) — nascido em 21 de maio de 1909, homem, tendo como registro de origem Naeil-dong, Miryang-eup, condado de Miryang, província de Kyongsang Sul, residente em Jonggye-ri, Rimwon-myon, condado de Taedong, província de Pyongan Sul, profissão: ex-inspetor superior do Departamento de Inspeção Popular da República Popular Democrática da Coreia.
XI — Maeng Jong Ho (pseudônimo: Ho Jong Il) — nascido em 10 de agosto de 1911, homem, tendo como registro de origem Junam-dong, Jupuk-myon, condado de Kyongsong, província de Hamgyong Norte, residente em Rodong-ri, condado de Sinchon, província de Hwanghae, profissão: ex-comandante da 10ª unidade de guerrilha
XII — Sol Jong Sik — nascido em 18 de setembro de 1912, homem, tendo como registro de origem Hyoja-dong, cidade de Seul, residente em Koam-ri, condado de Taedong, província de Pyongan Sul, profissão: ex-membro da da 7ª Seção da Direção Política Geral do Alto Comando do Exército Popular da Coreia.
Este tribunal, com base nos materiais apresentados durante a investigação preliminar e o julgamento, confirma os seguintes fatos.
Desde o primeiro dia em que desembarcaram na parte sul da Coreia, os imperialistas estadunidenses se lançaram freneticamente à execução de seu perverso plano de transformar novamente a Coreia, libertada do domínio colonial japonês pelo papel decisivo do grande Exército Soviético, em sua própria colônia e, além disso, em uma base militar para a agressão ao Extremo Oriente dirigida contra a China e a União Soviética.
Assim, os invasores imperialistas estadunidenses, os mais abomináveis inimigos do povo coreano, movidos pela ambição de realizar a qualquer custo seus planos de agressão contra a Coreia, violaram descaradamente e de maneira arbitrária os compromissos internacionais relativos à questão coreana, reuniram os pró-japoneses e traidores da nação, organizaram na parte sul da República um aparelho de governo reacionário fascista, reprimiram o campo democrático e massacraram numerosos patriotas, ao mesmo tempo em que, seguindo sua política de agressão à Coreia, há muito tempo preparada e planejada, finalmente empreenderam uma intervenção armada em junho de 1950.
A camarilha vende-pátria de Ri Sung Yop, constituída por espiões contratados e traidores do imperialismo estadunidense, infiltrou-se em cargos importantes do Partido do Trabalho da Coreia e dos órgãos do governo da República para executar os vis e abomináveis planos de agressão do imperialismo estadunidense. Utilizando suas posições dirigentes, forneceu aos órgãos de espionagem estadunidenses importantes informações secretas nos diversos campos militar, político, econômico e cultural, ao mesmo tempo em que continuou realizando odo tipo de conspirações e maquinações criminosas, com o objetivo de dividir e destruir as forças unificadas de luta do povo coreano, impedir a realização das diversas medidas do Partido e do Governo, provocar o afastamento entre o Partido e o Governo e as massas populares e, em resposta às operações militares do imperialismo estadunidense, provocar uma insurreição armada, derrubar o governo da República Popular Democrática da Coreia, fundada pela vontade unânime do povo coreano, e estabelecer um governo colonial de latifundiários e capitalistas sob o domínio do imperialismo estadunidense.
Como ficou comprovado durante a investigação preliminar e o julgamento deste processo, os acusados Ri Sung Yop e Jo Il Myong, em fevereiro de 1946, passaram a atuar como espiões sob a direção de Noble, das forças especiais estadunidenses e responsável pela Seção de Pesquisa Política do Departamento de Informação do Governo Militar dos Estados Unidos na Coreia. Posteriormente, sob a liderança de Ri Sung Yop, passaram a realizar atividades de espionagem.
Dessa maneira, os acusados Ri Sung Yop e Jo Il Myong, que haviam se tornado espiões do imperialismo estadunidense, desde aproximadamente março de 1946 forneceram aos órgãos de inteligência estadunidenses os planos organizativos e a localização da direção do Partido Comunista da Coreia do Sul, tanto em seus órgãos centrais como locais, todos os materiais secretos internos do Partido e informações secretas sobre a situação política e econômica da parte norte da República.
A partir de maio de 1947, o acusado Ri Sung Yop estabeleceu contato direto com Noble, que era então contratado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos e principal conselheiro político de Hodge, comandante das forças estadunidenses estacionadas na Coreia do Sul, e, desde então, continuou suas atividades de espionagem sob suas instruções.
Antes de entrar na parte norte da Coreia, em julho de 1948, o acusado Ri Sung Yop procurou Noble e recebeu dele a ordem de investigar toda a situação na parte norte. Para cumprir fielmente essa ordem, o acusado Ri Sung Yop, juntamente com o coacusado Jo Il Myong, que já havia entrado na parte norte em dezembro de 1947, realizou consultas sobre a garantia “bem-sucedida” das futuras atividades de espionagem e se empenhou freneticamente na expansão e no fortalecimento da rede de espionagem.
Assim, em agosto de 1948, incorporou o coacusado Pak Sung Won, então vice-responsável pela Gráfica nº 1 de Haeju; em novembro do mesmo ano, incorporou o coacusado Rim Hwa, então membro do conselho editorial da mesma gráfica, que vinha praticando atividades de espionagem em contato com o coacusado Sol Jong Sik, que havia chegado à Coreia em novembro de 1945 e estava ligado a Robinson, oficial do Exército dos Estados Unidos e do Departamento de Informação do Governo Militar dos Estados Unidos na Coreia. Com isso, completou a linha de comunicação para transmitir a Noble os materiais de espionagem que seriam coletados posteriormente.
Em setembro de 1948, o acusado Ri Sung Yop recebeu de An Yong Tal, enviado por Noble, a ordem de que, caso não pudesse mais descer para o sul, deveria continuar trabalhando no norte como antes. Por intermédio de An Yong Tal, comunicou a Noble a linha de comunicação para a futura transmissão de materiais de espionagem e, ao mesmo tempo, forneceu informações secretas, incluindo aquelas relativas à formação do Governo da República.
Tendo assim estabelecido completamente as condições para as atividades de espionagem, incluindo a captura de elementos de espionagem e o estabelecimento de linhas de comunicação com os órgãos de espionagem estadunidenses, a camarilha de de Ri Sung Yop passou a se empenhar ainda mais intensamente na obtenção de informações militares destinadas ao chamado plano de “conquista do norte”, sob instruções diretas dos órgãos de espionagem estadunidenses.
Em setembro de 1949, o acusado Ri Sung Yop percorreu toda a região da linha do paralelo 38, desde a região de Ongjin, em Hwanghae, na costa oeste, até Yangyang, em Kangwon, na costa leste, examinando minuciosamente os efetivos das forças de segurança da República posicionadas ao longo do paralelo 38, seu estado de armamento, sua disposição e a localização dos quartéis das unidades, fornecendo a Noble materiais detalhados, acompanhados inclusive de mapas esquemáticos.
Além disso, no verão daquele mesmo ano, havia enviado o coacusado Jo Il Myong ao local para obter informações militares sobre a situação da batalha do monte Kkatchi. Jo Il Myong, por sua vez, atribuiu essa tarefa ao coacusado Pak Sung Won, que forneceu a Noble as informações militares secretas obtidas sobre a situação da batalha e a disposição das tropas.
À medida que se intensificavam as frenéticas atividades de preparação da agressão militar dos saqueadores imperialistas estadunidenses destinadas a derrubar o governo da República Popular Democrática da Coreia, as atividades de espionagem da camarilha dos acusados Ri Sung Yop, Jo Il Myong e Pak Sung Won também se tornaram cada vez mais abomináveis.
A partir de fevereiro de 1950, o acusado Ri Sung Yop estabeleceu contato com os coacusados Paek Hyong Bok e Jo Yong Bok, bem como com An Yong Tal, sob a direção de Nichols, oficial de inteligência aérea do Comando do Extremo Oriente dos Estados Unidos, que recebia instruções de Noble.
Posteriormente, até abril daquele ano, o acusado Ri Sung Yop, em três ocasiões, forneceu aos órgãos de espionagem do Exército dos Estados Unidos informações militares secretas e informações confidenciais sobre a situação interna do Partido do Trabalho da Coreia.
Em maio de 1950, o acusado Ri Sung Yop recebeu de An Yong Tal, Jo Yong Bok e Paek Hyong Bok, que haviam entrado na parte norte por instrução de Noble, uma nova ordem de Noble para fabricar e fornecer materiais de intriga política que fizessem parecer que o Exército Popular havia provocado primeiro a guerra que as forças estadunidenses iriam iniciar contra a República.
Para isso, o acusado Ri Sung Yop, por meio do rádio, realizou ampla propaganda afirmando que o Exército Popular havia iniciado a invasão e, ao mesmo tempo, por intermédio de An Yong Tal, transmitiu a Noble um plano criminoso segundo o qual, nas regiões montanhosas do leste, unidades do exército fantoche seriam enviadas disfarçadas de Exército Popular, enquanto cometiam atrocidades contra o povo, a fim de provocar uma reação da opinião pública entre as massas populares.
Além disso, atribuiu a An Yong Tal a responsabilidade de infiltrar-se na direção do Partido na cidade de Seul, investigar sistematicamente a situação interna e os segredos do Partido e fornecê-los a Noble. Ao mesmo tempo, para garantir a rapidez da comunicação em resposta às urgentes solicitações de informações de Noble, enviou-o de volta a Seul levando um rádio e um código secreto de disfarce.
Também infiltrou o coacusado Paek Hyong Bok nos órgãos do Interior da República, encarregando-o de proteger a segurança dos espiões enviados pelos Estados Unidos e pela camarilha de Ri Sung Man, bem como de obter informações secretas em contato direto com Ri Sung Yop; e encarregou o coacusado Jo Yong Bok da transmissão dos materiais de espionagem.
Quando começou a intervenção armada do imperialismo estadunidense contra a Coreia, o acusado Ri Sung Yop, a partir de julho de 1950, enquanto ocupava o cargo de presidente do Comitê Popular Provisório da cidade de Seul, sob um plano minucioso destinado a executar novas instruções de Noble, ordenou ao espião contratado pelo imperialismo estadunidense Rim Hwa que mobilizasse as organizações culturais sul-coreanas sob sua influência para investigar o estado de espírito do povo em relação ao Partido, ao Governo, ao Exército Popular e aos órgãos do Interior, com o objetivo de fornecer essas informações aos órgãos de espionagem estadunidenses.
Como a linha de comunicação de espionagem com Noble havia sido interrompida devido à retirada causada pelo avanço do Exército Popular, o acusado Ri Sung Yop fez com que Choe, de nome desconhecido, e Pak, de nome desconhecido, entre outros, atuassem com o objetivo de restabelecer essa linha. Como resultado, em julho de 1951, Pak entrou na parte norte levando uma nova instrução de Noble destinada a ser transmitida ao acusado Ri Sung Yop.
Em julho de 1951, o acusado Ri Sung Yop incorporou às suas atividades de espionagem o coacusado Ri Kang Guk, então diretor do hospital do Exército Popular da Coreia e espião contratado pelos militares estadunidenses, ampliando ainda mais sua rede de espionagem.
O acusado Ri Kang Guk já havia, em 1935, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, jurado atuar como lacaio do órgão de espionagem estadunidense.
Após a libertação de 15 de agosto, o acusado Ri Kang Guk, a fim de estabelecer contato com os órgãos de espionagem estadunidenses, fez com que, em junho de 1946, sua amante Kim Su Im passasse a viver como amante de Baird, comandante da polícia militar da 24ª Divisão do Exército dos Estados Unidos, utilizando esse meio para estabelecer contato com Baird. Posteriormente, em setembro de 1946, infiltrou-se na parte norte da República sob o disfarce de patriota, por meio de um passaporte falsificado pelo Governo Militar dos Estados Unidos. Antes de entrar na parte norte, o acusado Ri Kang Guk recebeu de Baird a ordem de infiltrar-se em cargos importantes dos órgãos do poder popular, destruir e paralisar o funcionamento normal dos órgãos estatais, investigar e fornecer informações militares, políticas e econômicas importantes sobre a parte norte da Coreia e, ao mesmo tempo, orientar e proteger os espiões enviados pelos órgãos de espionagem estadunidenses, comprometendo-se a executar tais tarefas.
Assim, a partir de fevereiro de 1947, o acusado Ri Kang Guk infiltrou-se em um cargo importante no Departamento de Relações Exteriores do Comitê Popular da Coreia do Norte e, paralelamente a todo tipo de maquinações destinadas a destruir e enfraquecer o poder popular da República, investigou e forneceu informações secretas importantes nos campos militar, político e econômico.
Depois do início da Guerra de Libertação da Pátria, em julho de 1950, o acusado Ri Kang Guk encontrou-se por duas vezes, em sua casa em Pyongyang, com os espiões Ri Sa Min e Alice Hyon, enviados pelos órgãos de espionagem estadunidenses, e realizou consultas sobre a execução de atividades de espionagem militar.
O acusado Ri Kang Guk, que participou das atividades de espionagem da camarilha de Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Pak Sung Won e Rim Hwa, posteriormente, até outubro de 1952, forneceu por quatro vezes, por intermédio de Rim Hwa, ao acusado Ri Sung Yop informações secretas importantes do Partido e do Governo, incluindo informações militares secretas.
Como ficou comprovado durante a investigação preliminar e o julgamento deste processo, a camarilha vende-pátria, incluindo Ri Sung Yop, por um lado, atuava como espiões sob as instruções dos órgãos de espionagem estadunidenses e, por outro, colaborava com a destruição do Partido do Trabalho da Coreia do Sul, em sintonia com o sinistro plano do imperialismo estadunidense chamado “expurgo da retaguarda” durante a guerra, cometendo, ao mesmo tempo, crimes destinados a destruir e enfraquecer as forças democráticas da República, assassinando numerosos quadros do Partido e personalidades democráticas a fim de encobrir seus próprios crimes antipartidários e antipopulares já cometidos.
An Yong Tal, que atuava sob a direção do acusado Ri Sung Yop, sob a direção direta de Nichols, oficial de inteligência aérea do Comando do Extremo Oriente dos Estados Unidos, associou-se ao coacusado Paek Hyong Bok, então chefe da Seção de Investigação Central do Departamento de Segurança do governo fantoche de Ri Sung Man, e incorporou o coacusado Jo Yong Bok às suas atividades de espionagem. Com sua colaboração, finalmente fez com que, em 27 de março de 1950, os camaradas Kim Sam Ryong e Ri Ju Ha, membros do Comitê Político do Partido do Trabalho da Coreia, fossem presos por Paek Hyong Bok.
Dessa maneira, a camarilha de Ri Sung Yop fez com que quadros dirigentes do Partido fossem presos e assassinados e, ao mesmo tempo em que repetidamente cometia crimes antipartidários e antipopulares destinados a destruir e enfraquecer as forças democráticas por meio de intrigas políticas astutas, assassinou indiscriminadamente numerosas pessoas para continuar encobrindo seus crimes tão abomináveis.
No verão de 1949, o acusado Ri Sung Yop ordenou ao responsável pela direção do posto de ligação de Yangyang que executasse a tiros duas pessoas de sobrenome Hon, sob o pretexto de serem suspeitas de espionagem. Além disso, por ordem de An Yong Tal, que estava subordinado diretamente ao acusado Ri Sung Yop, entre maio e agosto de 1948, em um total de 13 ocasiões, 42 patriotas foram assassinados sob o pretexto de serem traidores ou suspeitos de espionagem.
Além disso, no início de agosto de 1948, também por ordem de An Yong Tal, Kim Jae Gwan, então presidente do Comitê do Partido da cidade de Kaesong, e, por volta de outubro do mesmo ano, So Ku ton, então presidente do Comitê do Partido do condado de Jangpung, foram presos e encarcerados sob a acusação de serem traidores, com a intenção de assassiná-los, mas foram descobertos pela Guarda do Paralelo 38, e o objetivo pretendido não foi alcançado.
Os atos de terror e assassinato da camarilha de Ri Sung Yop foram realizados de maneira ainda mais cruel e astuta na região de Seul, libertada após o início da Guerra de Libertação da Pátria. Logo após a libertação de Seul, em 28 de junho de 1950, o acusado Ri Sung Yop, enquanto ocupava o cargo de presidente do Comitê Popular Provisório da cidade de Seul, formou uma organização de terror e assassinato e fuzilou 70 pessoas, entre membros do Partido do Trabalho e outros cidadãos, que estavam detidos no porão do prédio do referido comitê, sob o pretexto de garantir sua segurança.
Além disso, no início de julho de 1950, o acusado Ri Sung Yop organizou o chamado "Comitê de Investigação de Terras", uma organização assassina chefiada por An Yong Tal, com o objetivo de assassinar aqueles que conheciam os segredos de seus atos vende-pátria e aqueles que constituíam obstáculos para eles. Embora pouco depois tenha recebido de seus superiores a ordem de dissolver essa organização, a camarilha de Ri Sung Yop, para continuar mantendo sua conspiração de terror e assassinato, instalou um chamado "departamento de assuntos especiais" dentro do Quartel-General das Forças Voluntárias sob sua direção e transferiu para lá a organização tal como estava.
Por meio dessas duas organizações assassinas, numerosas pessoas, incluindo membros do Partido e personalidades democráticas, foram massacradas. A camarilha de Ri Sung Yop não hesitava em cometer assassinatos nem mesmo contra seus próprios cúmplices, sempre que existisse o risco de os segredos de seus crimes serem revelados.
Por volta do final de julho de 1950, quando se espalhou a notícia de que An Yong Tal, sob instruções do acusado Ri Sung Yop, havia prendido Kim Sam Ryong, o acusado Ri Sung Yop, depois de consultar Pak Hon Yong, com o objetivo de encobrir seus crimes, fez com que An Yong Tal fosse mobilizado para uma unidade de guerrilha que ia à linha de frente e lhe entregou os elementos necessários para executar An Yong Tal.
A camarilha de Ri Sung Yop assassinou, dessa maneira, inúmeras pessoas sem qualquer escrúpulo.
Por volta de janeiro de 1952, o acusado Pae Chol, alegando que havia o risco de ser revelado o comportamento depravado do coacusado Ri Sung Yop, que era o organizador de suas atividades antinacionais e seu cúmplice, conspirou até mesmo para assassinar mulheres inocentes, dando instruções ao coacusado Maeng Jong Ho sob o pretexto da chamada “preservação da integridade”.
Como ficou comprovado durante a investigação preliminar e o julgamento deste processo, a camarilha de Ri Sung Yop, fiel instrumento do imperialismo estadunidense, realizou atividades criminosas antinacionais, como espionagem, destruição e enfraquecimento das forças democráticas e terror e assassinatos, ao mesmo tempo em que, durante longo período, continuou sua conspiração para derrubar o governo da República.
A conspiração da camarilha de Ri Sung Yop para derrubar o governo da República foi protegida e garantida por Pak Hon Yong, que, com o objetivo de realizar sua ambição política de tomar o poder, havia se infiltrado até os cargos de vice-presidente do Partido do Trabalho da Coreia e vice-primeiro-ministro do Gabinete da República, onde tramava todo tipo de maquinações.
Logo após a libertação de 15 de agosto, a camarilha de Ri Sung Yop aproveitou habilmente as maquinações criminosas de Pak Hon Yong para tomar o poder e continuou realizando atividades conspiratórias criminosas com o objetivo de estabelecer na Coreia um governo fantoche do imperialismo estadunidense, isto é, um governo de latifundiários e capitalistas.
Quando, em dezembro de 1945, foi anunciada a decisão da Conferência dos Ministros das Relações Exteriores de Moscou sobre a questão coreana, os acusados Jo Il Myong e Pak Sung Won, em resposta à propaganda e às intrigas políticas dos imperialistas estadunidenses, publicaram no órgão do Partido Comunista artigos contra a “tutela”. Os acusados Rim Hwa e Ri Won Jo organizaram e participaram de apresentações de palestras cujo conteúdo era que a decisão da Conferência dos Ministros das Relações Exteriores de Moscou era uma “tutela” e que deveria ser combatida.
Durante o período de 1946 a maio de 1947, quando se realizava a Comissão Conjunta URSS-EUA, a camarilha de Ri Sung Yop, em estreita ligação com a política dos imperialistas estadunidenses de dividir a nação coreana, realizou abertamente a criminosa conspiração de divisão nacional destinada a dividir a Coreia em duas ao longo da linha do paralelo 38, artificialmente criada pelos imperialistas.
Nesse contexto, os acusados Ri Kang Guk, Pak Sung Won e Ri Won Jo, entre outros, uniram-se e, a partir de setembro de 1946, transformaram a Gráfica nº 1 de Haeju em um covil de intrigas criminosas destinado a cultivar e fomentar ideias de divisão nacional.
A camarilha de Ri Sung Yop, sob instruções diretas do imperialismo estadunidense, aproveitou a fundação da República para infiltrar-se nos cargos importantes do Partido e do Governo sob o disfarce de patriotas e, com o objetivo de ampliar as forças de suas atividades de intriga política, empenhou-se freneticamente em selecionar entre os elementos contrarrevolucionários — traidores da nação, espiões e outros — aqueles que lhes fossem mais fiéis, ocultando sua verdadeira identidade impura e promovendo-os a altos cargos nos órgãos do Partido e do Estado.
As atividades de intriga política da camarilha de Ri Sung Yop tornaram-se ainda mais explícitas depois de 28 de junho, quando Ri Sung Yop assumiu o cargo de presidente do Comitê Popular Provisório da cidade de Seul.
Em 26 de junho de 1950, ao retirar-se de Seul, Noble, por intermédio de An Yong Tal, ordenou ao acusado Ri Sung Yop que, além das atividades de espionagem, aproveitasse a oportunidade do futuro desembarque das forças estadunidenses para organizar uma revolta popular na retaguarda do Exército Popular, em coordenação com as operações militares estadunidenses, e que, nas áreas libertadas pelo Exército Popular, protegesse os elementos centristas e de direita sob o pretexto de uma política de clemência, para depois armá-los quando as forças estadunidenses avançassem, a fim de que voltassem a agir.
Ao receber essa ordem, a partir de julho de 1950, o acusado Ri Sung Yop, ao mesmo tempo em que protegia os chefes do campo reacionário e os elementos centristas e de direita sob sua influência e trabalhava para reuni-los ao seu redor, consolidou sua base na cidade de Seul e na província de Kyonggi e, com o objetivo de transformar posteriormente essa região em uma poderosa base de atividades, promoveu e concentrou em cargos dirigentes dos órgãos do Partido e do governo pessoas de sua confiança. Isso também foi realizado com o objetivo de organizar uma revolta popular sob as instruções de Noble.
A partir do final de agosto de 1951, em três ocasiões, o acusado Ri Sung Yop, imaginando que uma situação de confusão seria criada em decorrência da mudança da situação militar provocada pela ofensiva posterior das forças estadunidenses, decidiu aproveitar essa oportunidade para provocar uma insurreição armada e derrubar o governo da República. Para isso, juntamente com os coacusados Pae Chol, Pak Sung Won e Rim Hwa, organizou um comando da insurreição armada e decidiu mobilizar, como forças de insurreição, as unidades armadas que estavam sob sua autoridade.
Em várias reuniões secretas, foi decidido que, se as forças estadunidenses avançassem, seria realizada uma insurreição armada em coordenação com suas operações militares. Para preparar e executar a insurreição, foram designados: Ri Sung Yop como comandante supremo; o acusado Jo Il Myong e Maeng Jong Ho como responsáveis pelas organizações políticas e de propaganda e agitação; o acusado Pak Sung Won como chefe do Estado-Maior; o acusado Pae Chol como responsável pela organização militar; e Kim Ung Bin como responsável pelo comando das forças da insurreição armada.
Ao mesmo tempo, discutiram as tarefas imediatas para reunir as forças que seriam mobilizadas na insurreição armada e, a fim de mobilizar rapidamente, durante a revolta, as unidades previstas para participar dela, decidiram transferi-las para as proximidades de Pyongyang, ampliando seu efetivo e reforçando seu equipamento militar, bem como substituir e reorganizar as lideranças das unidades armadas por pessoas em quem pudessem confiar e fortalecer os postos de ligação subordinados ao Departamento de Ligação. A responsabilidade por essas tarefas foi atribuída aos acusados Pae Chol e Pak Sung Won.
Além disso, aos acusados Jo Il Myong e Rim Hwa foi atribuída a responsabilidade de maximizar sua influência nas diversas organizações sociais, começando pela Federação Geral de Literatura e Artes, concentrando em torno de si os elementos impuros sob sua influência. Assim, os acusados Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Pae Chol e Pak Sung Won colocaram os mais fiéis a eles, Kim Ung Bin e Maeng Jong Ho, como quadros responsáveis pelas unidades armadas e, ao mesmo tempo, empenharam-se freneticamente no fortalecimento da organização das forças armadas, concentrando pessoas com passado impuro para transformar o Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido em Estado-Maior das forças armadas.
Além disso, o acusado Ri Sung Yop, em novembro de 1951, fez com que o governo integrasse as regiões de Ongjin, Yonbaek, Kaepung, Jangdan, etc., que haviam sido libertadas, e estabelecesse o Comitê Popular da Província de Kyonggi, tendo Kaesong como centro, e, uma vez que isso fosse realizado, tramou freneticamente por todos os meios para transformar a área da província de Kyonggi em base de suas conspirações criminosas. Assim, o acusado Ri Sung Yop deu instruções aos coacusados Pae Chol e Pak Sung Won para que realizassem trabalhos de investigação da situação local e preparativos para a seleção de quadros, e, no final de novembro do mesmo ano, enfatizou que as localidades fossem transformadas em bases para a formação de quadros e o cultivo de forças, bem como em bases de suas próprias atividades, promovendo sua realização.
O acusado Ri Sung Yop, com esse objetivo antipartidário e antipopular, chegou a planejar colocar como presidente do recém-organizado Comitê Popular da Província de Kyonggi o acusado Pak Sung Won, como vice-presidente seu subordinado An Ki Song e, como secretário-chefe, Jong Yong Gu, entre outros de seus homens de confiança. Depois disso, em fevereiro de 1952, o acusado Ri Sung Yop tentou transformar os guerrilheiros que atuavam sob sua liderança em Namyonbaek em uma força para cumprir a ordem criminosa de assegurar as forças que havia planejado obter através da já frustrada conspiração de criação do Comitê Popular da Província de Kyonggi. Como resultado das atividades realizadas pelo acusado Ri Sung Yop, juntamente com os coacusados Pae Chol, Pak Sung Won e outros, para o rápido fortalecimento das unidades armadas, até 1952 haviam sido reunidas nas guerrilhas cerca de 3.900 pessoas no total. Para assegurar de forma “bem-sucedida” sua atividade conspiratória, o acusado Ri Sung Yop nomeou seu homem de confiança, o coacusado Maeng Jong Ho, como comandante da 10ª Unidade de Guerrilha, enviou Yu Won Sik também como diretor do comitê político do Partido e instruiu-os a fazer com que os membros pudessem ser mobilizados a qualquer momento para suas ordens criminosas e a educá-los com ideias que traíam o Partido e o governo.
Além disso, de março de 1952 a janeiro de 1953, o acusado Ri Sung Yop inspecionou pessoalmente a 10ª Unidade de Guerrilha em quatro ocasiões, incentivando e encorajando Maeng Jong Ho, comandante da unidade que atuava para realizar suas conspirações criminosas, e, ao mesmo tempo, estimulou os membros, elogiando grandemente sua chamada coragem de se afastar da “ideia de libertação”. Os acusados Ri Sung Yop, Pae Chol e Pak Sung Won, em relação à organização da 10ª Unidade de Guerrilha, transferiram, em março de 1952, as forças de Cholwon com o objetivo de mobilizar também as unidades regulares para sua conspiração de insurreição armada e atuaram ativamente para ampliar seu poderio armado.
A camarilha do acusado Ri Sung Yop, elouquecida com a conspiração de uma insurreição armada antinacional destinada a derrubar o governo da República, a fim de fortalecer ainda mais sua base, desde aproximadamente março de 1952, sob o pretexto das necessidades operacionais, aumentou os membros armados de cada posto de ligação e ampliou ou criou novas estruturas. A camarilha traidora de Ri Sung Yop, ao mesmo tempo que organizava e reorganizava as forças armadas para derrubar o governo da República por meio de uma insurreição armada, intensificou também, por intermédio dos acusados Jo Il Myong, Pae Chol, Ri Won Jo e outros, atividades conspiratórias destinadas a absorver, dentro dos órgãos estatais e organizações sociais, pessoas que pudessem ficar sob sua influência, fortalecendo ainda mais sua base; tais atividades foram realizadas ativamente também no Ministério da Cultura e Propaganda, na Federação Geral de Literatura e Artes, na Associação Cultural Coreia-URSS e na Federação Geral dos Sindicatos.
Enquanto promoviam ativamente, dessa maneira, a insurreição armada e as atividades políticas conspiratórias para sua realização, a camarilha de Ri Sung Yop, no início de setembro de 1952, realizou uma reunião na sala de recepção da casa de Pak Hon Yong, na qual, tendo Ri Sung Yop à frente, Pae Chol, Jo Il Myong, Rim Hwa, Pak Sung Won, Yun Sun Tal e outros se reuniram para decidir a composição do chamado “novo partido” e do “novo governo” que pretendiam estabelecer futuramente. Nessa reunião, foram respectivamente designados: como “primeiro-ministro” do novo governo, Pak Hon Yong; como “vice-primeiros-ministros”, Ju Nyong Ha e Jang Si U; como “ministro do Interior”, Pak Sung Won; como “ministro das Relações Exteriores”, Ri Kang Guk; como “ministro das Forças Armadas”, Kim Ung Bin; como “ministro da Propaganda”, Jo Il Myong; como “ministro da Educação”, Rim Hwa; como “ministro do Trabalho”, Pae Chol; como “ministro do Comércio”, Yun Sun Tal; e como primeiro-secretário do “novo partido”, Ri Sung Yop.
As sucessivas atividades criminosas traidoras, antipartidárias, antipopulares e antinacionais realizadas pala camarilha de Ri Sung Yop, esclarecidas acima, foram crimes que, ao mesmo tempo em que os imperialistas estadunidenses realizavam atos de agressão contra a Coreia e, especialmente, quando o povo coreano derramava seu precioso sangue e lutava contra os invasores armados do imperialismo estadunidense, foram cometidos para ajudar o inimigo; o Tribunal, confirmando que se tratava de crimes extremamente graves, antipartidários, antinacionais e antipopulares, reconhece os crimes de cada um dos acusados da seguinte maneira.
1. Acusado Ri Sung Yop — ex-secretário do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia e ex-diretor do Departamento de Inspeção Popular da República Popular Democrática da Coreia
Em 1934, na prisão de Pusan, ele jurou abandonar as atividades práticas do comunismo e, em 1940, converteu-se ideologicamente perante a polícia japonesa; após a libertação de 15 de agosto, ocultou seu passado impuro, infiltrou-se em importantes cargos do Partido e do governo e cometeu crimes antinacionais.
Em fevereiro de 1946, depois de ingressar em Seul no órgão de espionagem estadunidense, juntamente com o coacusado Jo Il Myong, realizou atividades de espionagem e, após entrar na parte norte, também juntamente com o coacusado Jo Il Myong, em agosto de 1948 ligou o coacusado Pak Sung Won e, posteriormente, até aproximadamente julho de 1951, os agentes de espionagem do órgão de espionagem estadunidense, os coacusados Rim Hwa, Jo Yong Bok, Paek Hyong Bok, Ri Kang Guk e An Yong Tal, às suas respectivas atividades de espionagem, auxiliando-os, e forneceu ao órgão de espionagem estadunidense, em um total de 18 ocasiões, importantes materiais secretos relativos aos setores militar, político e econômico do Partido e da República. Além disso, em conluio com An Yong Tal e o coacusado Jo Yong Bok, continuou realizando atividades conspiratórias destinadas a destruir e enfraquecer as forças democráticas da Coreia do Sul e, em 27 de março de 1950, fez com que estes entregassem Kim Sam Ryong, membro do Comitê Político do Partido do Trabalho da Coreia, ao coacusado Paek Hyong Bok, que havia sido policial do regime fantoche de Ri Sung Man, para que fosse preso.”
Em relação às atividades de espionagem contra a República e às intrigas conspiratórias destinadas a destruir e enfraquecer as forças democráticas, com o objetivo de aterrorizar e massacrar os funcionários que constituíam obstáculos às suas atividades antinacionais e aqueles que conheciam os crimes antinacionais que já haviam cometido, desde 1948, por meio de An Yong Tal, do coacusado Maeng Jong Ho e de outros homens de sua confiança, ordenou o terrorismo e o massacre de quadros do Partido e de pessoas inocentes; depois de 28 de junho, em Seul, com o objetivo de realizar massacres ainda mais amplos, organizou e dirigiu organizações assassinas como o chamado "Comitê de Investigação de Terras".
Desde logo após a libertação de 15 de agosto, sob o controle direto dos órgãos de espionagem estadunidenses, juntamente com os coacusados Ri Kang Guk, Jo Il Myong, Pak Sung Won e outros, tramou afastar o povo do Partido e do governo e dividir a nação; além disso, colocando elementos impuros, como desertores e traidores, em cargos importantes dos órgãos partidários e estatais, ampliou sua influência e organizou e dirigiu todo tipo de atividade política conspiratória.
No início de julho de 1950, recebeu, por intermédio do chamado An Yong Tal, a ordem de Noble para organizar uma revolta popular na retaguarda do Exército Popular e, a partir do final de agosto de 1951, com o objetivo de derrubar o governo da República Popular Democrática da Coreia, em conluio com os coacusados Pae Chol, Pak Sung Won, Jo Il Myong, Rim Hwa e outros, organizou o comando da insurreição armada e, como seu líder, atuou no fortalecimento das unidades armadas e da base de forças necessárias para alcançar esse objetivo.
2. Acusado Jo Il Myong — ex-vice-ministro do Ministério da Cultura e Propaganda
Em 1934, abandonou o movimento revolucionário e se tornou um traidor que, após sua conversão, atuava como professor de japonês no “Taehwasuk”, em Seul, propagando a chamada ideologia da "unidade entre a Coreia e o Japão" e traindo o povo coreano.
Após a libertação de 15 de agosto, a partir de fevereiro de 1946, ingressou como espião no órgão de espionagem estadunidense e, entre março de 1946 e setembro de 1947, juntamente com o coacusado Ri Sung Yop, forneceu ao órgão de espionagem estadunidense informações secretas, incluindo a situação interna do Partido. A partir de agosto de 1948, juntamente com o coacusado Ri Sung Yop, incorporou os coacusados Pak Sung Won, Rim Hwa e outros à sua rede de espionagem e, juntamente com eles, reuniu materiais secretos de todos os setores político, militar e econômico da República e os forneceu sistematicamente ao órgão de espionagem estadunidense.
Em julho de 1950, em Seul, conspirou com o coacusado Ri Sung Yop e, com o objetivo de assassinar os funcionários que constituíam obstáculos às suas atividades criminosas antinacionais e aqueles que conheciam sua verdadeira identidade, organizou o "departamento de assuntos especiais" dentro do Quartel-General das Forças Voluntárias e dirigiu os crimes.
Participou das atividades políticas conspiratórias da camarilha de Ri Sung Yop e realizou todo tipo de propaganda e agitação antinacional com o objetivo de ampliar suas próprias forças, afastar o povo do Partido e do governo e provocar a divisão nacional; a partir do final de agosto de 1951, participou das atividades conspiratórias da camarilha de Ri Sung Yop para uma insurreição armada, organizou seu comando da insurreição armada e, além de assumir a responsabilidade pela organização política e de propaganda e agitação durante a insurreição, realizou atividades para incorporar elementos impuros ao Ministério da Cultura e Propaganda a fim de ampliar suas forças; além disso, instigou o coacusado Ri Won Jo a reunir elementos impuros dentro da Federação Geral de Literatura e Artes.
3. Acusado Rim Hwa — ex-vice-presidente do Comitê Central da Associação Cultural Coreia-URSS
Em 1935, conluiou-se com a polícia japonesa e dissolveu a Associação Coreana de Artistas Proletários; enquanto ocupava o cargo de diretor da pró-japonesa “Associação de Proteção dos Literatos”, realizou atos de traição nacional, como defender a chamada "unidade entre a Coreia e o Japão"; após a libertação de 15 de agosto, ingressou como espião no órgão de espionagem estadunidense e, em conexão com a camarilha de Ri Sung Yop, realizou atividades de espionagem.
Desde dezembro de 1945, estabeleceu relações com órgãos de espionagem estadunidenses e com o coacusado Sol Jong Sik, que era chefe de Opinião Pública do Departamento de Informação do Governo Militar dos Estados Unidos na Coreia do Sul, e forneceu importantes segredos do Partido e de organizações culturais; a partir de novembro de 1948, firmou um acordo com o coacusado Ri Sung Yop sobre atividades de espionagem e, em conluio com os coacusados Jo Il Myong, Pak Sung Won, Ri Kang Guk e outros, forneceu secretamente, em um total de 10 ocasiões, informações dos diversos setores político, militar e econômico da República ao órgão de espionagem estadunidense; depois de 28 de junho, em Seul, por ordem do coacusado Ri Sung Yop, reuniu e forneceu informações políticas.
Participou das atividades políticas conspiratórias de Ri Sung Yop e, juntamente com os coacusados Jo Il Myong, Pak Sung Won, Ri Won Jo e outros, ao mesmo tempo que reunia desertores e outros elementos impuros ao seu redor, realizou propaganda e agitação antinacional contra as medidas do Partido e do governo; no final de agosto de 1951, participou das atividades conspiratórias de Ri Sung Yop e outros para uma insurreição armada, organizou o comando da insurreição e, juntamente com o coacusado Jo Il Myong, assumiu a responsabilidade pela organização política e pela propaganda e agitação, atuando para colocar as organizações culturais e artísticas sob seu controle a fim de reunir suas forças.
4. Acusado Pak Sung Won — ex-vice-diretor do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia
Em 1935, ele se tornou um traidor e, como informante secreto dos japoneses, continuou delatando os ativistas revolucionários; ao mesmo tempo, trabalhando como jornalista do “Maeil Sinbo”, órgão do Governo-Geral da Coreia, cometeu atos de traição destinados a mobilizar os jovens coreanos para a guerra de agressão japonesa.
Desde agosto de 1948, ingressou na rede de espionagem de Ri Sung Yop e, sob sua direção, até outubro de 1949, em conluio com Rim Hwa, Jo Il Myong e outros, continuou fornecendo, por intermédio do chamado An Yong Tal, ao órgão de espionagem estadunidense, informações secretas sobre os diversos setores político, militar e econômico da República.
Em conluio com a camarilha de Ri Sung Yop, tramou afastar o povo do Partido e do governo e provocar a divisão nacional, e continuou realizando atividades políticas conspiratórias destinadas a reunir ao seu redor traidores da nação e elementos impuros para fortalecer suas forças antinacionais; a partir do final de agosto de 1951, juntamente com a camarilha de Ri Sung Yop, organizou o comando da insurreição armada com o objetivo de derrubar o governo da República e, depois de assumir a responsabilidade como seu chefe de Estado-Maior, realizou, juntamente com o coacusado Pae Chol, atividades preparatórias para a insurreição, como a ampliação das forças e o fortalecimento das unidades armadas.
5. Acusado Ri Kang Guk — ex-diretor do Departamento de Relações Exteriores do Comitê Popular da Coreia do Norte; imediatamente antes de sua prisão, presidente da Companhia de Importação de Produtos Gerais do Ministério do Comércio
Em 1935, formou-se na Universidade de Berlim e, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, comprometeu-se a estabelecer relações de espionagem com o órgão de espionagem estadunidense.
Depois de ingressar, em setembro de 1946, em Seul, como espião do órgão de espionagem das forças militares estadunidenses, a partir de fevereiro de 1947 infiltrou-se no cargo de diretor do Departamento de Relações Exteriores do Comitê Popular da Coreia do Norte e, até agosto de 1948, em um total de cinco ocasiões, reuniu e forneceu ao órgão de espionagem estadunidense importantes segredos relativos aos diversos setores político, militar e econômico da região Norte; depois do início da Guerra de Libertação da Pátria, em julho de 1950, discutiu com os agentes de espionagem Alice Hyon e Ri Sa Min, enviados diretamente dos Estados Unidos, sobre a tarefa de detectar e fornecer segredos militares da República. A partir de julho de 1951, estabeleceu ligação com a rede de espionagem sob o comando do coacusado Ri Sung Yop e, até outubro de 1952, em um total de quatro ocasiões, reuniu e forneceu segredos político-militares da República.
Com o objetivo de subordinar a Coreia aos imperialistas estadunidenses e realizar suas ambições políticas, sob as instruções do órgão de espionagem estadunidense, conspirou com o coacusado Ri Sung Yop e continuou realizando atividades políticas conspiratórias destinadas a impedir a unificação do povo coreano e provocar a divisão nacional.
6. Acusado Pae Chol — ex-diretor do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia
A partir do final de agosto de 1951, juntamente com os coacusados Ri Sung Yop, Pak Sung Won, Jo Il Myong, Rim Hwa e outros, formou o comando da insurreição armada com o objetivo de derrubar o governo da República e, depois de assumir a responsabilidade pela organização militar, juntamente com o coacusado Pak Sung Won, executou o fortalecimento das unidades armadas para realizar esse objetivo; em setembro de 1952, participou da reunião destinada a constituir o chamado “novo governo”. Além disso, realizou todo tipo de atividade política conspiratória, como afastar o povo do Partido e do governo e incitar ideias contrárias à Guerra de Libertação da Pátria. Em janeiro de 1952, para ocultar a verdadeira identidade de Ri Sung Yop, ordenou ao coacusado Maeng Jong Ho que assassinasse mulheres inocentes e, no mesmo mês, ordenou ao coacusado Yun Sun Tal que assassinasse três pessoas inocentes.
7. Acusado Yun Sun Tal — ex-vice-diretor do Departamento de Ligação do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia
A partir de junho de 1952, participou das atividades conspiratórias de insurreição armada da camarilha de Ri Sung Yop, destinadas a derrubar o governo da da República, realizando atividades para organizar e fortalecer suas unidades armadas e ampliar suas forças, bem como atividades políticas conspiratórias antinacionais; além disso, em setembro de 1952, participou da reunião destinada a constituir o chamado “novo governo”, tendo Pak Hyong Yong como figura central. Em novembro de 1952, após discutir com o coacusado Pae Chol, fez com que três pessoas inocentes fossem assassinadas.
8. Acusado Ri Won Jo — ex-vice-diretor do Departamento de Propaganda e Agitação do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia
Desde 1935 até pouco antes da libertação de 15 de agosto, atuou como jornalista do jornal servil ao Japão “Joson Ilbo” ou como vice-editor-chefe da “Editora Taedong”, em Seul, trabalhando para justificar a agressão japonesa contra a Coreia; após a libertação de 15 de agosto, infiltrou-se no Partido e, desde dezembro de 1945, participou das conspirações antinacionais de Ri Sung Yop e outros, realizando, juntamente com os coacusados Rim Hwa, Jo Il Myong, Pak Sung Won e outros, atividades conspiratórias destinadas a provocar a divisão nacional, ao mesmo tempo que continuou realizando diversas atividades políticas conspiratórias para afastar o povo do Partido e do governo. A partir de junho de 1951, enquanto ocupava o cargo de vice-diretor do Departamento de Propaganda e Agitação do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia, em conluio com os coacusados Rim Hwa, Jo Il Myong e outros, continuou realizando atividades criminosas destinadas a colocar a Federação Geral de Literatura e Artes sob seu controle, com o objetivo de destruir e derrubar o Partido e o governo da República.
9. Acusado Paek Hyong Bok — chefe da Seção de Investigação Central do Departamento de Segurança do Ministério do Interior do governo fantoche de Ri Sung Man
Desde antes da libertação de 15 de agosto, atuava como chefe de polícia ou detetive da alta polícia da polícia japonesa e havia reprimido brutalmente o movimento de libertação nacional coreano; após a libertação de 15 de agosto, ingressou na polícia fantoche de Ri Sung Man e, enquanto ocupava o cargo de chefe da Seção de Investigação dos departamentos de polícia de Jolla Norte e Kangwon, organizou e dirigiu pessoalmente a prisão e o massacre de mais de 200 pessoas, incluindo Hwang Ui Tae, presidente do Comitê Provincial do Partido do Trabalho da Coreia em Jolla Norte, além de importantes quadros dirigentes do Partido e patriotas, destruindo assim os comitês provinciais do Partido em Jolla Norte e Kangwon. A partir de janeiro de 1950, sob ligação com o espião contratado pelas forças militares estadunidenses An Yong Tal, incorporou o coacusado Jo Yong Bok às atividades de espionagem traidoras e, em 27 de março do mesmo ano, com sua ajuda, prendeu o camarada Kim Sam Ryong, membro do Comitê Político do Partido do Trabalho da Coreia, e o camarada Ri Ju Ha. Em conluio com Nichols, oficial de inteligência aérea do Comando do Extremo Oriente dos Estados Unidos, entre fevereiro e abril de 1950, em um total de três ocasiões, entregou, por intermédio do coacusado Jo Yong Bok, ao órgão de espionagem estadunidense e, em 8 de maio de 1950, sob ligação com o coacusado Ri Sung Yop, recebeu diretamente do órgão de espionagem das forças militares estadunidenses a ordem de realizar atividades de espionagem e, juntamente com An Yong Tal, Jo Yong Bok e outros, infiltrou-se na parte norte da República, fingindo entrar no Norte por razões legítimas.
10. Acusado Jo Yong Bok — ex-inspetor sênior do Departamento de Inspeção Popular da República Popular Democrática da Coreia
Em junho de 1932, participou de um movimento no Japão, foi preso pela polícia e encarcerado; depois retornou à Coreia e passou a atuar como jornalista de um jornal japonês e a administrar uma empresa privada. Em janeiro de 1950, tornou-se um traidor e ingressou como informante do coacusado Paek Hyong Bok, da polícia fantoche de Ri Sung Man, e, por ordem deste, ajudou na prisão dos camaradas Kim Sam Ryong e Ri Ju Ha, membros do Comitê Político do Partido do Trabalho da Coreia.
Depois disso, entre então e abril de 1950, em três ocasiões, recebeu de Paek Hyong Bok missões de espionagem e entrou na parte norte, recebeu do coacusado Ri Sung Yop, juntamente com informações sobre as atividades do Partido e informações militares, instruções para tomar medidas destinadas a ocultar os crimes cometidos por ele e An Yong Tal em relação à prisão de Kim Sam Ryong e Ri Ju Ha, e transmitiu essas instruções ao coacusado Paek Hyong Bok. No início de maio de 1950, sob instruções do órgão de espionagem das forças militares estadunidenses e em ligação com o coacusado Ri Sung Yop, infiltrou-se na parte norte da República, juntamente com An Yong Tal, o coacusado Paek Hyong Bok e outros, com o objetivo de realizar atividades de espionagem.
11. Acusado Maeng Jong Ho — ex-comandante da 10ª Unidade de Guerrilha Popular
Em 1934, participou de uma organização revolucionária e, depois de ser libertado da prisão japonesa, tornou-se um traidor.
Desde fevereiro de 1939, em conluio com um detetive da alta polícia japonesa, atuou como informante profissional dos japoneses, delatando muitos combatentes revolucionários, incluindo Ho Hon e Jong Chang Sop, fazendo com que fossem perseguidos e detidos pelas autoridades.
No final de 1947, recebeu uma ordem de espionagem de Ko Hak Tae, secretário de Jo Pyong Ok, chefe do Departamento de Polícia do Governo Militar dos Estados Unidos na Coreia do Sul, e infiltrou-se na parte norte; até o verão de 1948, em duas ocasiões, forneceu a Ko Hak Tae informações políticas, militares e econômicas, bem como a lista dos representantes da parte sul que participaram da Conferência Conjunta de Representantes dos Partidos Políticos e Organizações Sociais da Coreia do Norte e do Sul, realizada em abril de 1948.
Desde maio de 1947, participou das atividades conspiratórias antinacionais de Ri Sung Yop e outros, reuniu ao seu redor todo tipo de elementos impuros e continuou realizando atividades políticas conspiratórias destinadas a afastar o povo do Partido e do governo; a partir de fevereiro de 1952, enquanto estava infiltrado como comandante da 10ª Unidade de Guerrilha, participou da conspiração de Ri Sung Yop e outros para derrubar o governo da República e continuou realizando atividades criminosas antinacionais, como organizar e fortalecer as unidades armadas.
Por volta do início de julho de 1950, em Seul, em conluio com Ri Jung Op e outros, com o objetivo de ocultar seus próprios crimes, para massacrar as forças que se opunham a eles e aqueles que conheciam seus segredos criminosos, manteve secretamente confinados mais de 70 quadros do Partido e pessoas comuns no porão do Comitê Popular Provisório da Cidade de Seul, submetendo-os a cruéis torturas; porém, devido às medidas dos órgãos do Interior, não pôde continuar o massacre que havia planejado e ordenou a seus subordinados que assassinassem apenas alguns deles.
12. Acusado Sol Jong Sik — ex-chefe de Opinião Pública do Departamento de Informação do Governo Militar dos Estados Unidos na Coreia do Sul e, imediatamente antes de sua prisão, membro da 7ª Seção da Direção Política Geral do Alto Comando do Exército Popular da Coreia
Antes da libertação de 15 de agosto, formou-se na Universidade Mount Union e na Universidade Columbia, nos Estados Unidos, com bolsas de estudo concedidas por estadunidenses; após a libertação de 15 de agosto, a partir de novembro de 1945, enquanto ocupava o cargo de chefe de Opinião Pública do Departamento de Informação do Governo Militar dos Estados Unidos na Coreia do Sul, realizou atividades destinadas a destruir e reprimir o Partido do Trabalho da Coreia do Sul e o campo democrático; em dezembro do mesmo ano, em conluio com o oficial estadunidense Robinson, do Departamento de Informação do Governo Militar dos Estados Unidos na Coreia do Sul, reuniu materiais secretos das organizações culturais e do interior do Partido na Coreia do Sul e os forneceu a ele; em setembro de 1946, sob garantia do coacusado Rim Hwa, ocultou sua verdadeira identidade e infiltrou-se no Partido, mas, em novembro de 1949, tornou-se um traidor, ingressou na organização de espionagem e vigilância chamada “Liga de Orientação Pública” e, em conluio com a polícia secreta, continuou cometendo atos de traição, como criar e publicar obras literárias reacionárias que se opunham e difamavam o Partido, o governo da República e o campo democrático.
Os fatos acima são confirmados pelos testemunhos das testemunhas Jon Yong Ae, Yun Tae Hyon e Cha Yak Do, bem como pelos depoimentos mutuamente concordantes dos acusados.
Os atos dos acusados Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Rim Hwa, Pak Sung Won, Ri Won Jo, Maeng Jong Ho e outros, que organizaram um comando com o objetivo de destruir e derrubar o governo da República e atuaram para sua realização, constituem, respectivamente, crimes previstos nos artigos 78 e 65 do Código Penal; os atos dos acusados Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Rim Hwa, Pak Sung Won, Ri Kang Guk, Jo Yong Bok, Maeng Jong Ho e outros, que forneceram ao inimigo materiais secretos relativos aos diversos setores militar, político e econômico da República, constituem, respectivamente, crimes previstos no artigo 68 do Código Penal; os atos dos acusados Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Rim Hwa, Pak Sung Won, Ri Kang Guk, Pae Chol, Yun Sun Tal, Ri Won Jo, Maeng Jong Ho e outros, que, por meio de intrigas políticas, realizaram propaganda e agitação antinacional, afastaram o povo do Partido e do governo e tramaram a divisão nacional, constituem, respectivamente, crimes previstos no artigo 76 do Código Penal; os atos dos acusados Ri Sung Yop, Jo Il Myong, Maeng Jong Ho e outros, que realizaram atos de terrorismo para ocultar suas atividades criminosas, constituem, respectivamente, crimes previstos no artigo 72 do Código Penal; os atos de traição dos acusados Paek Hyong Bok, Sol Jong Sik e outros, que, enquanto ocupavam cargos de responsabilidade no Governo Militar dos Estados Unidos na Coreia do Sul ou cargos importantes na polícia fantoche de Ri Sung Man, reprimiram o movimento democrático popular, constituem, respectivamente, crimes previstos no artigo 79 do Código Penal; o ato do acusado Paek Hyong Bok, que, sob instruções do órgão de espionagem das forças militares estadunidenses e em ligação com An Yong Tal, Jo Yong Bok e outros, forneceu materiais secretos relativos aos setores militar, político e econômico da República, constitui crime previsto no artigo 71 do Código Penal; e os atos dos acusados Pae Chol, Yun Sun Tal e outros, que assassinaram pessoas para ocultar seus crimes, constituem, respectivamente, crimes previstos no artigo 112 do Código Penal; confirmando que tais atos constituem os crimes correspondentes, o Tribunal, com base nos artigos 223 e 228, inciso 1, e 237 do Código de Processo Penal, profere a seguinte sentença.
Sentença
Quanto ao acusado Ri Sung Yop, nos termos do artigo 78 e do artigo 65, inciso 1, do Código Penal, fixa-se a pena de morte; nos termos do artigo 76, inciso 2, do Código Penal, fixa-se a pena de morte; nos termos do artigo 68 do Código Penal, fixa-se a pena de morte; e, nos termos do artigo 72 do Código Penal, fixa-se a pena de morte, respectivamente, aplicando-se, de acordo com o artigo 50, inciso 1, do Código Penal, a pena de morte prevista no artigo 68 do Código Penal. Confisca-se a totalidade dos bens que lhe pertencem.
Quanto ao acusado Jo Il Myong, nos termos do artigo 78 e do artigo 65, inciso 1, do Código Penal, fixa-se a pena de morte; nos termos do artigo 76, inciso 2, do Código Penal, fixa-se a pena de morte; nos termos do artigo 68 do Código Penal, fixa-se a pena de morte; e, nos termos do artigo 72 do Código Penal, fixa-se a pena de morte, respectivamente, aplicando-se, de acordo com o artigo 50, inciso 1, do Código Penal, a pena de morte prevista no artigo 68 do Código Penal. Confisca-se a totalidade dos bens que lhe pertencem.
Quanto ao acusado Rim Hwa, nos termos do artigo 78 e do artigo 65, inciso 1, do Código Penal, fixa-se a pena de morte; nos termos do artigo 76, inciso 2, do Código Penal, fixa-se a pena de morte; e, nos termos do artigo 68 do Código Penal, fixa-se a pena de morte, respectivamente, aplicando-se, de acordo com o artigo 50, inciso 1, do Código Penal, a pena de morte prevista no artigo 68 do Código Penal. Confisca-se a totalidade dos bens que lhe pertencem.
Quanto ao acusado Pak Sung Won, nos termos do artigo 78 e do artigo 65, inciso 1, do Código Penal, fixa-se a pena de morte; nos termos do artigo 76, inciso 2, do Código Penal, fixa-se a pena de morte; nos termos do artigo 68 do Código Penal, fixa-se a pena de morte, respectivamente, aplicando-se, de acordo com o artigo 50, inciso 1, do Código Penal, a pena de morte prevista no artigo 68 do Código Penal. Confisca-se a totalidade dos bens que lhe pertencem.
Quanto ao acusado Ri Kang Guk, nos termos do artigo 68 do Código Penal, fixa-se a pena de morte; nos termos do artigo 76, inciso 2, do Código Penal, fixa-se a pena de morte, respectivamente, aplicando-se, de acordo com o artigo 50, inciso 1, do Código Penal, a pena de morte prevista no artigo 68 do Código Penal. Confisca-se a totalidade dos bens que lhe pertencem.
Quanto ao acusado Pae Chol, nos termos do artigo 78 e do artigo 65, inciso 1, do Código Penal, fixa-se a pena de morte; nos termos do artigo 76, inciso 2, do Código Penal, fixa-se a pena de morte, respectivamente, aplicando-se, de acordo com o artigo 50, inciso 1, do Código Penal, a pena de morte prevista no artigo 78 e no artigo 65, inciso 1, do Código Penal. Confisca-se a totalidade dos bens que lhe pertencem.
Quanto ao acusado Yun Sun Tal, nos termos do artigo 78 e do artigo 65, inciso 2, do Código Penal, fixa-se a pena de 15 anos de prisão; nos termos do artigo 76, inciso 2, do Código Penal, fixa-se a pena de 15 anos de prisão; nos termos do artigo 112 do Código Penal, fixa-se a pena de 15 anos de prisão, respectivamente, aplicando-se, de acordo com o artigo 50, inciso 1, do Código Penal, a pena de 15 anos de prisão prevista no artigo 76, inciso 2, do Código Penal. Confisca-se a totalidade dos bens que lhe pertencem.
Quanto ao acusado Ri Won Jo, nos termos do artigo 78 e do artigo 65, inciso 2, do Código Penal, fixa-se a pena de 12 anos de prisão; nos termos do artigo 76, inciso 2, do Código Penal, fixa-se a pena de 12 anos de prisão, respectivamente, aplicando-se, de acordo com o artigo 50, inciso 1, do Código Penal, a pena de 12 anos de prisão prevista no artigo 76, inciso 2, do Código Penal. Confisca-se a totalidade dos bens que lhe pertencem.
Quanto ao acusado Paek Hyong Bok, nos termos do artigo 79 do Código Penal, fixa-se a pena de morte; nos termos do artigo 71 do Código Penal, fixa-se a pena de morte, respectivamente, aplicando-se, de acordo com o artigo 50, inciso 1, do Código Penal, a pena de morte prevista no artigo 79 do Código Penal. Confisca-se a totalidade dos bens que lhe pertencem.
Quanto ao acusado Jo Yong Bok, nos termos do artigo 68 do Código Penal, condena-se à pena de morte. Confisca-se a totalidade dos bens que lhe pertencem.
Quanto ao acusado Maeng Jong Ho, nos termos do artigo 78 e do artigo 65, inciso 2, do Código Penal, fixa-se a pena de 20 anos de prisão; nos termos do artigo 76, inciso 2, do Código Penal, fixa-se a pena de morte; nos termos do artigo 72 do Código Penal, fixa-se a pena de morte; nos termos do artigo 68 do Código Penal, fixa-se a pena de morte, respectivamente, aplicando-se, de acordo com o artigo 50, inciso 1, do Código Penal, a pena de morte prevista no artigo 68 do Código Penal. Confisca-se a totalidade dos bens que lhe pertencem.
Quanto ao acusado Sol Jong Sik, nos termos do artigo 79 do Código Penal, condena-se à pena de morte. Confisca-se a totalidade dos bens que lhe pertencem.
A pena de prisão do acusado Yun Sun Tal será contada a partir de 16 de março de 1953, data em que foi detido; a pena de prisão do acusado Ri Won Jo será contada a partir de 12 de abril de 1953, data em que foi detido.
A prova material nº 1 anexada a este processo será devolvida ao seu proprietário.
República Popular Democrática da Coreia
Tribunal Militar do Supremo Tribunal
Presidente do Tribunal, Kim Ik Son
Juíz Pak Ryong Suk
Juiz Pak Kyong Ho
Impresso pelo Departamento de Impressão em 8 de abril de 1955
Publicado em 10 de junho de 1955
Editor: Supremo Tribunal da República Popular Democrática da Coreia
Cidade de Pyongyang
Editora: Editora Estatal
Impressora: Fábrica Central de Impressão do Ministério da Cultura e Propaganda
Tradução: Lenan Menezes da Cunha


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