21 de janeiro de 1948
Para fazer de nosso país um Estado completamente soberano e independente, é preciso criar quanto antes as forças armadas populares regulares. Sobretudo, estando o país dividido em Norte e Sul devido à ocupação da Coreia do Sul pelo imperialismo estadunidense, esta criação se apresenta como uma tarefa da maior urgência.
Temos a força e a base para criar nós mesmos essas forças. Depois da libertação, fundamos o Partido, construímos o Poder popular e realizamos a reforma agrária e outras reformas democráticas. Estamos desenvolvendo a economia nacional planificada e uma cultura nacional florescente e brilhante. Nosso povo fez progressos verdadeiramente grandes nos campos da política, da economia e da cultura.
Baseando-nos nesses êxitos alcançados na construção da nova pátria, formaremos, em um futuro não distante, o Exército Popular da Coreia, autênticas forças armadas populares, com os filhos e filhas dos operários e camponeses emancipados, cuja espinha dorsal será constituída pelos combatentes forjados na Luta Armada Antijaponesa. Ao exército que haveremos de formar cabe o dever de defender as bases da democracia assentadas no Norte e os êxitos das reformas democráticas diante da agressão dos inimigos e lutar pela reunificação da pátria dividida e pela soberania e independência completas do país.
Nosso Exército Popular, como exército de um digno Estado independente, deve ter legitimamente um jornal que sirva de meio para a educação de seus homens.
Este jornal, como publicação a serviço dos militares que estão de guarda pela pátria, desempenhará o papel de propagandista, agitador e organizador que os eduque nas ideias do Partido do Trabalho, nas ideias do marxismo-leninismo. Será também seu verdadeiro amigo e seu próprio educador, assim como uma poderosa arma que esmague todo tipo de forças reacionárias e sua propaganda.
Para cumprir bem seu importante dever, o jornal deve ser redigido devidamente, de acordo com a peculiaridade, a missão e as tarefas imediatas da preparação combativa e política do Exército Popular.
Antes de tudo, deve explicar e propagar constantemente entre os militares o caráter e a missão do Exército Popular. Agora, em nosso país, existem não somente o Partido do Trabalho, mas também o Partido Democrático e o Chongu. Mas o Exército Popular que vamos criar servirá ao Partido do Trabalho, como suas forças armadas revolucionárias que lutem pela soberania e independência completas da pátria, pela liberdade e felicidade do povo, contra as forças imperialistas agressivas e os reacionários internos. Deve ser infinitamente fiel ao Partido do Trabalho, executando pontualmente as tarefas revolucionárias que este lhe confiar. Por isso, em seu seio devem predominar somente os ideais do Partido do Trabalho, as ideias do marxismo-leninismo. O jornal do Exército se manterá sempre firme neste princípio.
O jornal deve concentrar sua atenção em educar os militares nas brilhantes tradições revolucionárias de nosso Partido. Contamos com gloriosas tradições revolucionárias da Guerrilha Antijaponesa, que empunhou o fuzil e travou uma luta sangrenta e prolongada contra o imperialismo japonês bandidesco. No período da Luta Armada Antijaponesa, os guerrilheiros acumularam muita experiência ao combater valentemente contra os inimigos, mas, como não contávamos com nosso próprio poder estatal, não podíamos publicar esses fatos memoráveis para que fossem bem conhecidos pelo povo. Se hoje esses dados históricos forem resgatados e amplamente divulgados por meio do jornal do Exército, servirão como um excelente manual na educação dos soldados.
É também essencial incutir nos soldados o sentimento de orgulho e dignidade nacionais. Por terem estado submetidos à dominação colonial do imperialismo japonês nada menos que durante trinta e seis anos, os coreanos carecem do elevado sentimento de orgulho e dignidade por sua nação. O povo de um Estado independente que não tenha esse sentimento será incapaz de sustentar sua independência e, sobretudo, um exército que não se orgulhe de sua nação provocará a ruína do país. Por isso, o jornal do Exército deve publicar, aproveitando diversas formas e métodos, materiais que eduquem nos militares um profundo sentimento de orgulho e dignidade nacionais.
O jornal do Exército formará os militares no respeito e amor ao povo em qualquer tempo e lugar.
O nosso é um exército genuinamente popular, a serviço dos interesses da pátria e do povo. Como tal, deve amar e respeitar sempre o povo e ajudá-lo ativamente para conquistar seu grande afeto e confiança. Um exército que não seja amado pelo povo não poderá ser considerado um verdadeiro exército popular nem vencer o inimigo.
No período da Luta Armada Antijaponesa, nós instruímos os guerrilheiros inspirando-nos neste lema: "Os guerrilheiros não podem viver separados do povo, assim como o peixe não pode viver fora da água". A Guerrilha Antijaponesa saiu vencedora na luta contra o exército agressivo do imperialismo japonês naquelas difíceis condições porque lutou pelo povo e contou com seu ativo apoio e ajuda. O jornal militar orientará os militares a nunca esquecerem que nosso Exército está a serviço dos interesses do povo.
Divulgará amplamente todos os fatos exemplares dos quais os soldados foram protagonistas. Entre eles há muitos que sequer tiveram um nome digno, que foram vítimas da exploração e da opressão até o próprio dia em que nos libertamos. Se essas pessoas virem seu retrato e seu nome destacados no jornal, amarão com mais fervor a pátria e cumprirão melhor o serviço militar, com vontade e decisão de sacrificar a vida pela pátria e pelo povo.
O jornal do Exército deve prestar muita atenção à formação dos oficiais.
Entre eles observa-se a tendência de se mostrarem arrogantes, como os chefes militares do passado, vangloriando-se do uniforme militar com estrelas. Esta não é uma atitude digna de um exército revolucionário. Antigamente, na Guerrilha Antijaponesa, os comandantes poupavam e amavam os soldados como se fossem seus irmãos mais novos, e entre chefes e subordinados mantinha-se uma completa unidade. Este foi um dos fatores importantes da vitória da Guerrilha Antijaponesa sobre o imperialismo japonês.
No Exército Popular, chefes e subordinados devem estar fortemente unidos como camaradas revolucionários, herdando esses belos traços tradicionais da Guerrilha Antijaponesa; sobretudo, os oficiais darão provas de um comportamento simples e modesto e de infinito carinho por seus soldados. O jornal do Exército, paralelamente à missão educativa dos soldados e graduados, publicará sistematicamente os materiais necessários para incutir nos oficiais esse espírito.
O órgão do Exército Popular deve ser revolucionário e combativo, como os jornais que nós confeccionávamos antigamente no monte Paektu. E conseguirá isso se recolher as experiências da edição de publicações revolucionárias do período da Luta Armada Antijaponesa.
Os artigos do jornal deverão ser curtos, mas de rico conteúdo, de acordo com as peculiaridades dos militares. Sua linguagem deve ser compreensível para todos.
Uma redação adequada para o órgão do Exército Popular exige de seus jornalistas e redatores uma boa preparação político-ideológica e técnico-militar. É preciso formar solidamente suas fileiras com homens fiéis à pátria e ao povo, de elevado espírito de classe. Seria conveniente promover como jornalistas companheiros com perspectivas, selecionados nas unidades. E dar-lhes as devidas orientações. Em certo período inicial, eles encontrarão algumas dificuldades, mas, com o tempo, se tornarão excelentes jornalistas, se forem bem orientados.
É preciso assegurar aos jornalistas militares boas condições para que possam desenvolver sem obstáculos suas atividades nas unidades.
Estou certo de que os militares estão ansiosos pela chegada do dia em que poderão ler seu jornal. Acelerem, portanto, os preparativos para publicá-lo em breve.
Que alegria será a dos soldados do Exército Popular e da Guarnição quando receberem nos quartéis ou nas trincheiras seu jornal! Quando o Exército Popular, que será formado pela primeira vez na Coreia, puder publicar seu jornal e seus soldados puderem lê-lo, sua satisfação será muito grande, pois poderão extrair dele o alimento ideológico que os animará a obter maiores êxitos no estudo militar e político.
Mesmo nas circunstâncias tão difíceis do período da Luta Armada Antijaponesa, editamos o Jongsori, jornal interno da Guerrilha que nos serviu na formação dos guerrilheiros. Sabem que satisfação demonstravam quando o recebiam, embora não fosse impresso em máquinas tipográficas, mas reproduzido em mimeógrafo? Com a chegada de cada número, não cabiam em si de alegria. É claro que naquela época nos faltava papel e as condições eram difíceis, vendo-nos obrigados a ler cada exemplar por turnos, a tal ponto que as letras ficavam ilegíveis de tanto passar de mão em mão.
Hoje, que temos o poder, a situação é diferente. É necessário que façamos grandes tiragens de jornais para que todos os militares possam lê-los.
O jornal do Exército Popular é de categoria nacional, e seria bom editá-lo não em duas páginas, mas em quatro. No início terá um formato reduzido e sairá uma vez a cada dois dias, mas depois, acumulada certa experiência, passará paulatinamente a ser um órgão diário e de tamanho maior. Não é tão urgente publicá-lo agora em tamanho grande.
Sendo o jornal do Exército um poderoso meio de educação dos soldados, deverá ter desde já uma apresentação elegante e decente.
Seria conveniente intitulá-lo "Joson Inmingun", o mesmo nome que terá o exército que vamos criar. Desse modo, somente ao ver seu nome, os soldados sentirão elevado orgulho e responsabilidade por pertencer a um exército verdadeiramente popular, chamado a defender o país e a nação da agressão inimiga e a dedicar tudo aos seus interesses.
Quando nosso povo coreano teve seu próprio exército regular? A única coisa que conheceu no passado foi o exército japonês. E, por esse motivo, o título "Joson Inmingun" também serviria para que todos os coreanos sentissem dignidade e orgulho nacionais por terem seu próprio exército, para torná-los mais conscientes de que nosso Exército Popular é genuinamente tal por ser formado pelos filhos de operários e camponeses antes explorados e oprimidos, e encarregado de defender e proteger firmemente, até com a própria vida, os interesses da pátria e do povo.
Espero que vocês, fiéis a este propósito do Partido de criar um jornal para nosso Exército Popular, façam todos os esforços para trazê-lo à luz quanto antes.

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