Por ocasião do quinto aniversário do surgimento da AUKUS, aliança técnica de segurança nuclear de caráter chauvinista encabeçada pelos EUA, que abala desde suas raízes o sistema internacional de não proliferação nuclear, a proliferação nuclear promovida por Washington manifesta-se de maneira mais acentuada do que nunca.
Recentemente, uma autoridade das forças navais estadunidenses declarou que o Japão já possui usinas nucleares e, portanto, dispõe da tecnologia que serve de base para os submarinos nucleares, razão pela qual a República da Coreia deve estabelecer como meta sua posse, tomando como premissa as características de um submarino nuclear capaz de navegar longas distâncias, e que seria um erro importá-lo apenas simbolicamente.
Essa incitação verbal aberta para que esses dois países os possuam constitui mais uma prova irrefutável que revela quem é o autor e o principal alvo da proliferação nuclear mundial.
A fim de pôr em prática a doutrina da América Primeiro, segundo a qual emprega todos os meios e métodos para não admitir a “dominação” e o “controle” de regiões estrategicamente importantes por outros países, os EUA elevam exponencialmente o grau de periculosidade da proliferação nuclear, colocando a AUKUS na vanguarda como base para a entrega de submarinos nucleares.
Por meio da venda de submarinos nucleares e da transferência de tecnologias nucleares à Austrália, do desenvolvimento conjunto de submarinos não tripulados para alto-mar e da realização regular de diversos exercícios militares conjuntos com seus aliados, os EUA expuseram a natureza conflituosa desse bloco militar e tentam generalizar suas experiências na República da Coreia, no Japão e em outros países aliados. Essa conduta perigosa causa profunda preocupação à sociedade internacional.
Com o objetivo de cumprir o plano de construir por conta própria um submarino nuclear, Seul propôs a Washington a questão da garantia de urânio enriquecido para o combustível nuclear e a emenda do “acordo de energia atômica entre os EUA e a República da Coreia” para obter o direito de enriquecê-lo, enquanto, entre os políticos de Tóquio, ouvem-se insistências na posse de submarinos nucleares. Essa realidade comprova que o projeto “AUKUS 2.0” de Washington, que possibilita a disseminação de tecnologias nucleares para uso militar entre seus aliados desprovidos de armas nucleares, entrou em uma etapa crucial de ampliação e execução.
A intenção imprudente da República da Coreia e do Japão de possuir submarinos nucleares indica até que ponto chegou o aventureirismo militar dos EUA para manter sob controle os Estados hostis da região da Ásia-Pacífico, lançando seus aliados como brigadas de choque.
Os EUA falam, por um lado, da preservação do sistema de não proliferação nuclear e, por outro, oferecem sem hesitação a seus aliados subordinados meios de ataque nuclear para obter benefícios financeiros. Sua conduta hipócrita não passa de uma artimanha pueril para encobrir seus crimes de proliferação nuclear.
A realidade atual, na qual estão em funcionamento normal o modelo de compartilhamento nuclear ao estilo da OTAN e suas ramificações, como o “Grupo Consultivo Nuclear EUA-República da Coreia” e o “Diálogo de Dissuasão Estendida EUA-Japão”, confirma claramente as consequências prejudiciais das manobras perigosíssimas dos EUA para o ambiente de segurança mundial.
As manobras irresponsáveis e nocivas do país norte-americano, cometidas de maneira cada vez mais aberta no domínio nuclear, constituem o fator mais perigoso que acelera a destruição do sistema internacional de não proliferação nuclear e obrigam nosso Estado a fortalecer incessantemente, tanto qualitativa quanto quantitativamente, os meios de dissuasão de guerra nuclear.
A sociedade internacional deve fazer, sem demora, uma avaliação imparcial e intransigente das manobras dos EUA, que provocarão uma situação catastrófica de efeito dominó nuclear ao promoverem a proliferação nuclear em todos os cantos do mundo, e empreender esforços unificados e responsáveis para rejeitá-las.
Choe Ju Hyon, comentarista de assuntos de segurança internacional
Agência Central de Notícias da Coreia

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