12 de janeiro de 1948
Permitam-me transmitir minhas calorosas felicitações a todos vocês por terem participado com entusiasmo da luta pelas reformas democráticas após a libertação e, em particular, por terem cumprido vitoriosamente, no ano passado, o primeiro plano econômico nacional da história de nosso país, bem como expressar-lhes meu cordial reconhecimento pelo fato de estarem firmemente decididos a alcançar uma vitória ainda maior no novo ano de 1948.
Como todos vocês sabem, a façanha alcançada por nosso povo na Coreia do Norte é verdadeiramente grandiosa. Particularmente, no ano de 1947, obtivemos grandes êxitos na construção econômica. No ano passado, elaboramos pela primeira vez e cumprimos com sucesso o plano da economia nacional destinado a lançar as bases de uma economia nacional independente do país, consolidando ainda mais a vitória das reformas democráticas, e agora continuamos avançando rumo a uma nova vitória.
Em um breve período de pouco mais de dois anos após a libertação, nosso povo realizou um trabalho que outros países não poderiam executar nem mesmo ao longo de várias décadas. A vitória das reformas democráticas na Coreia do Norte e os brilhantes êxitos alcançados por nosso povo na construção de uma nova vida são amplamente conhecidos em todo o mundo e servem de exemplo estimulante para os povos de muitos países do Oriente. Dessa maneira, demonstramos, tanto no interior como no exterior do país, que a nação coreana é absolutamente capaz de construir com suas próprias forças um país rico e poderoso, política e economicamente independente, dotado de uma cultura brilhante, e marchar dignamente ombro a ombro com os povos de todos os Estados avançados do mundo.
Isso significa que a nação coreana não estava morta, mas vivia, e que não havia esquecido sua pátria nem renunciado à sua história, mesmo sob o cruel domínio de 36 anos do imperialismo japonês. Da mesma forma, isso confirma que, se nossa nação lutar ativamente com tão eminente caráter nacional e amor à pátria, poderá alcançar brilhantemente sua soberania e independência e jamais será pisoteada por qualquer agressor.
Como vocês bem sabem, que política atroz os imperialistas japoneses praticaram na Coreia! Esses sujeitos malignos oprimiram o povo coreano tanto quanto puderam, arrebataram tudo o que puderam, tentaram suprimir a história de nosso país, nossa cultura e nosso idioma e, por fim, insultando nossos antepassados, obrigaram os coreanos a mudar até mesmo seus sobrenomes. Também fecharam aos coreanos o caminho para receber educação e não lhes permitiram aprender as ciências e a técnica. Se fosse qualquer outra nação, talvez tivesse perecido para sempre sob semelhante perseguição e opressão.
Entretanto, o povo coreano, sem se curvar, conservou inalteradas a história de seu país e a inteligência nacional, amou sua cultura e não renegou seu idioma. Os coreanos se esforçaram para aprender sempre algo mais, aproveitando todas as oportunidades, e lutaram, superando todas as dificuldades, na expectativa do dia em que nossa nação ressurgiria. Por esse motivo, desde os primeiros dias da libertação, nosso povo começou a construir na Coreia do Norte um autêntico Estado democrático e independente, sem se deixar confundir nem por um instante. Já realizamos muito bem, em nossa língua, transmissões radiofônicas, editamos jornais, livros e manuais, ensinamos a história coreana às novas gerações e até dirigimos com nossas próprias forças a universidade, formando assim um grande número de quadros nacionais.
Ao fugirem às pressas da Coreia, os imperialistas japoneses zombaram de nós, dizendo que, sem eles, a indústria e os transportes da Coreia ficariam completamente paralisados. Entretanto, começamos imediatamente a operar as fábricas e colocamos os trens em funcionamento. Os foguistas de 17 a 18 anos de idade, que durante o período do imperialismo japonês eram apenas carregadores de carvão para os vampiros japoneses, tornaram-se hoje mecânicos e conduzem trens expressos. Foram reconstruídas grandes fábricas e empresas, como a Fábrica de Fertilizantes de Hungnam, a Fundição de Metais Não Ferrosos de Nampho, a Fundição de Ferro de Hwanghae, a Siderúrgica de Songjin, a Central Hidrelétrica de Suphung, etc., que funcionam normalmente e cumpriram todas brilhantemente o plano do ano passado.
É natural que tudo isso não tenha sido alcançado facilmente. Esses êxitos só foram possíveis graças à força unida de nosso povo emancipado, ao seu nobre entusiasmo patriótico, à sua indomável paciência para superar toda espécie de dificuldades, à sua profunda capacidade de investigação e ao seu poder criador.
Os reacionários riram de nosso plano, dizendo que era uma fantasia irrealizável, e houve também, em nossas fileiras, algumas pessoas que puseram esse plano em dúvida. Mas nosso povo, uma vez decidido a trabalhar, levou-o a cabo de maneira excelente, demonstrando elevado entusiasmo patriótico e atividade criadora. Isso merece verdadeiro elogio. É a resposta mais poderosa e o golpe mais firme desferido contra os imperialistas ianques, inclusive Hoover e seus lacaios, que propagaram que o povo coreano deveria submeter-se a uma tutela internacional de 25 anos, por não estar capacitado a exercer a independência. Com isso, convencemo-nos ainda mais profundamente de que a nação coreana é uma nação excelente, que nenhum agressor poderá subjugá-la novamente e que nossa nação não só poderá conquistar a independência, mas também construir uma Coreia rica e poderosa, avançada e democrática, e passamos a possuir um imenso orgulho nacional.
Entretanto, os imperialistas estadunidenses calculam que poderão escravizar novamente nossa nação, já que ela esteve submetida durante longo tempo à escravidão colonial do imperialismo japonês. Temos de demonstrar-lhes claramente quão estúpida é essa quimera.
O povo coreano de hoje não é o da antiga época da dinastia feudal de Joson. O povo coreano é um povo que lutou incansavelmente contra os agressores estrangeiros, sem sucumbir sequer sob a tirania do imperialismo japonês, e que, especialmente após a libertação, tornou-se mestre do país e possui firme confiança no caminho que deve seguir. Além disso, por meio da vitória das reformas democráticas e dos êxitos da construção econômica na Coreia do Norte, o povo coreano passou a possuir uma base sólida com a qual pode conquistar a soberania e a independência da pátria, bem como o orgulho nacional de poder resolver da melhor maneira todos os seus assuntos mediante seus próprios esforços, e uma firme confiança na vitória. Não existe neste mundo força alguma capaz de derrotar semelhante nação.
Essa dignidade nacional e essa confiança são muito valiosas na luta de libertação dos povos. Uma nação que careça delas pode arruinar-se, mas a nação que possua orgulho nacional e convicção na vitória é invencível.
Por que fomos agredidos pelo imperialismo japonês e não pudemos repeli-lo apenas com nossas próprias forças? Porque, no passado, eram insuficientes, sobretudo, nossa dignidade nacional e nossa confiança, e eram débeis o despertar e a força unida de nosso povo.
Entretanto, em pouco mais de dois anos após a libertação, o povo coreano despertou e se temperou; sua força cresceu incomparavelmente, e nossa dignidade nacional e nossa confiança elevaram-se como nunca antes. O orgulho e a dignidade de nossa nação, oprimidos e pisoteados pelo longo domínio colonial do imperialismo japonês, começaram a ressurgir na luta pela criação de uma nova vida após a libertação e ganharam asas à medida que os dias passavam. Esta é a conquista mais preciosa, aquela que não podemos obter com dinheiro nem trocar por coisa alguma. Isso constitui uma sólida garantia de que, no futuro, nossa nação será mais poderosa e nosso país florescerá e se desenvolverá ainda mais.
Nossa nação não pode mergulhar novamente em uma situação tão humilhante como a do passado. Nossa nação já se libertou completamente de semelhante situação e desenvolve uma luta inabalável pela soberania, pela independência e pela prosperidade da pátria. Se qualquer agressor pretender engolir novamente nossa Coreia, temos força e confiança suficientes para repeli-lo e defender a honra da pátria com a força unida de toda a nação.
Hoje, nossa nação é uma nação consciente de sua capacidade e de sua missão, uma nação poderosa que nenhuma força poderá subjugar ou pisotear. Particularmente, o povo norte-coreano tornou-se mestre do país, resolvendo todos os seus assuntos por si próprio e de acordo com sua própria decisão, e mestre de uma nova vida livre e feliz. Na Coreia do Norte, o povo não só se tornou mestre das principais indústrias e da terra, mas também, administrando-as e manejando-as da maneira mais eficaz, desenvolve rapidamente a economia do país e consagra todo o seu talento e vigor à construção de um Estado rico e poderoso, independente e avançado.
Entretanto, a Coreia do Sul encontra-se em uma situação diametralmente oposta à do Norte. Atualmente, na Coreia do Sul, os governantes de Estados subjugados, que servem a outros sem poder agir como mestres de seus respectivos países, foram levados para lá pelos imperialistas ianques e alardeiam que "independizarão" nossa Coreia. Trata-se, precisamente, da chamada "Comissão Provisória da ONU para a Coreia". Por acaso poderão fazer algo na Coreia aqueles que, subordinados a outro país e incapazes de tratar como devem dos assuntos do próprio país, lançaram seus povos na miséria?
Hoje, o problema coreano só pode ser resolvido pelos coreanos, e, fora do povo coreano, ninguém possui capacidade nem direito para solucioná-lo. Assim, uma organização como a "Comissão Provisória da ONU para a Coreia" não pode, de maneira alguma, resolver o problema coreano. Quem pode resolver o problema coreano não são os Estados Unidos, a Índia ou a Síria, mas unicamente o próprio povo coreano. Somente o povo coreano deve resolver o problema coreano com suas próprias mãos, e somente nós podemos resolvê-lo com toda a certeza.
Em princípio, a "Comissão Provisória da ONU para a Coreia" não veio à Coreia para resolver o problema coreano. O que fez foi apenas introduzir-se na Coreia como servidora dos imperialistas estadunidenses que tentam colonizá-la. Em outras palavras, chegou ali com o propósito de ajudar a fabricar um governo separado da Coreia do Sul, destinado a consolidar ainda mais e perpetuar sob outra aparência o domínio que hoje exerce Hodge, governador-geral dos Estados Unidos na Coreia do Sul.
Que diferença existe entre o governador-geral do imperialismo japonês e o atual governador-geral Hodge? Se há algo diferente, é apenas que a vida do povo se tornou mais miserável e a repressão mais despótica do que no período do governador-geral japonês. Verdadeiramente, apenas o mal se multiplicou extraordinariamente. O número de prisões aumentou, e os patriotas e democratas sofrem uma perseguição mais bárbara e cruel do que na época do imperialismo japonês. A quantidade de produtos agrícolas e bens entregues à força aumentou muito e, se no período do imperialismo japonês essa entrega era feita apenas na presença do policial, agora é imposta até mesmo por terroristas junto com os policiais. A quantidade de fábricas fechadas aumentou; o número de desempregados cresceu; o número de crianças que não podem frequentar a escola e de alunos expulsos dos estudos elevou-se muito mais. Tornaram-se mais numerosos os traidores da nação e os vende-pátrias, assim como os especuladores.
Portanto, o povo treme de medo e fome, e definha em meio à sua miséria e à privação de seus direitos. Não satisfeitos com isso, os imperialistas estadunidenses introduziram também a "Comissão Provisória da ONU para a Coreia", aproveitando-se da autoridade da ONU, a fim de exercer com maior rigor sua política de escravização colonial, quando se viram incapazes de fazê-lo apenas por meio da administração militar.
Entretanto, o povo sul-coreano, para não falar já do povo norte-coreano, não se deixará enganar e está plenamente decidido a combatê-la até o fim. Somente um número muito reduzido de reacionários, como Ri Sung Man, apoia e acolhe a "Comissão Provisória da ONU para a Coreia", apresentando descaradamente a palavra de ordem de oposição à retirada do exército estrangeiro, por temor à justiça do povo, o que não faz senão provocar indignação em todo o povo coreano.
A declaração do general Shtykov, representante da União Soviética, que propôs oferecer à nação coreana a possibilidade de decidir por si mesma seu destino, mediante a retirada simultânea dos exércitos soviético e estadunidense da Coreia, é uma proposta justa e razoável que indicou o caminho mais correto que a nação coreana tinha para conquistar, naquele momento, sua soberania e independência. Mas por que os grupos reacionários se opõem a todo custo a essa proposta? Esse punhado de reacionários opõe-se à retirada do exército estrangeiro para prolongar ao menos sua existência sob a proteção dos imperialistas ianques, pois, quando o exército estadunidense, que é seu amo e tutor, se retirar, sua fortuna cessará imediatamente. Além disso, esses sujeitos dão boas-vindas à "Comissão Provisória da ONU para a Coreia", instrumento de agressão do imperialismo estadunidense contra a Coreia, para depois servi-la como criados, vendendo-lhe pelo menos a Coreia do Sul em troca de "dólares" e submetendo-a para sempre ao imperialismo ianque.
Mas, quaisquer que sejam as manobras dos imperialistas ianques e de sua serva, a "Comissão Provisória da ONU para a Coreia", assim como as intrigas dos reacionários do país, elas fracassarão no fim das contas. E isso porque o povo coreano, que já demonstrou suas melhores qualidades nacionais e avança com firme confiança pelo caminho da soberania e da independência, não se deixa enganar por semelhantes maquinações, mas, unido como um só, luta resolutamente contra o inimigo.
Hoje, o povo norte-coreano emancipado leva uma vida digna e feliz, e nossa vida torna-se mais abundante dia após dia. Entretanto, não podemos esquecer nem por um momento a dolorosa realidade de que metade de nosso território de 3 mil ri está ocupada pelos imperialistas estadunidenses, e de que os irmãos compatriotas que têm o mesmo sangue de nossos antepassados sofrem sob a opressão e a fome. Nessas condições, é natural que o povo norte-coreano sinta profunda simpatia pela luta sangrenta travada por seus irmãos sul-coreanos e lhes ofereça o mais caloroso apoio.
Estamos certos de que também neste novo ano o povo sul-coreano lutará valentemente para esmagar as manobras agressivas do imperialismo ianque e realizar suas aspirações.
O povo da Coreia do Norte deve fortalecer ainda mais sua base democrática e alcançar maiores êxitos na construção econômica, a fim de conquistar a completa soberania e independência e a reunificação da pátria.
Pois bem, quais são as tarefas concretas que devem ser realizadas neste ano na Coreia do Norte? Embora já tenha me referido a esse respeito em meu discurso de Ano-Novo, gostaria de ressaltá-las novamente diante de vocês.
Antes de tudo, é importante aumentar ainda mais a produção e elevar o nível de vida do povo. Naturalmente, é verdade que, até agora, nossa economia nacional vem sendo rapidamente reabilitada e que a vida do povo melhorou consideravelmente. Mas nunca podemos nem devemos nos dar por satisfeitos.
Considerando o florescimento e o desenvolvimento ilimitados, bem como a vida abundante e civilizada que, no futuro, deverá alcançar um país cujo povo tomou o poder em suas mãos e se apoderou das artérias da economia, os trabalhos que realizamos até agora não passam dos primeiros passos. Como todos vocês sabem, na Coreia do Norte foram realizadas vitoriosamente as reformas democráticas, mas isso apenas criou condições favoráveis para que nossa sociedade se desenvolva, no futuro, como uma sociedade melhor e mais feliz para se viver. Além disso, em 1947 alcançamos um grande êxito na construção econômica, mas isso também não passa de um primeiro passo no desenvolvimento da economia nacional de nosso país e na melhoria da vida do povo. Alguns dizem: "A Plataforma dos 20 Pontos já não é necessária, pois foi totalmente cumprida na Coreia do Norte". Essa é uma ideia equivocada. É claro que cada ponto dessa Plataforma foi adotado como lei e está sendo efetivamente concretizado, mas ainda persistem práticas de diversas naturezas que a contradizem. Devemos consolidar e desenvolver ainda mais os êxitos alcançados na realização dessa Plataforma e lutar energicamente para concretizá-la em todo o país.
Em resumo, a vitória que obtivemos é grande, mas isso não significa que a transformação e a construção da sociedade tenham sido concluídas. Apenas se abriu diante de nós um caminho mais amplo para a construção democrática. Temos de continuar marchando com firme confiança pelo caminho de um desenvolvimento infinito, rumo a um futuro mais luminoso, e realizar todos os nossos trabalhos com qualidade ainda maior.
Por exemplo, a reforma agrária já foi realizada triunfalmente na Coreia do Norte. No entanto, isso não significa que o problema agrícola tenha sido totalmente resolvido em nosso país. Nossa agricultura deve desenvolver-se ainda mais, e devemos solucionar os problemas relacionados a ela assim que surgirem. No futuro, cabe-nos melhorar os métodos de cultivo, multiplicar os bois de tração, renovar e fornecer muito mais implementos agrícolas e realizar obras de irrigação em escala mais ampla. Sempre que tive oportunidade, ressaltei que não se deveria deixar a água dos rios correr inutilmente para o mar, mas conduzi-la aos arrozais, promovendo energicamente as obras de irrigação; e esta é, de fato, uma tarefa urgente. Em nosso país há muitas fontes de água e abundante energia elétrica, e também chegamos a fabricar motores com nossas próprias mãos. Nessas condições, se nos esforçarmos, poderemos realizar em grande escala trabalhos para transformar os campos de sequeiro em arrozais capazes de proporcionar uma colheita três vezes maior.
O mesmo ocorre com a nacionalização das indústrias. Foi promulgada a lei correspondente, e as principais instalações industriais monopolizadas pelos imperialistas japoneses passaram às mãos do povo, mas isso não significa que o problema da indústria tenha sido completamente resolvido. É preciso reconstruir as fábricas destruídas, erguer novas fábricas e administrar e manejar habilmente nossa indústria, convertida em propriedade do povo, aumentando assim rapidamente a produção. Somente então a construção de uma nova vida para nosso povo ganhará maior velocidade; nosso país se tornará um Estado rico e poderoso, soberano, independente e democrático, e todo o povo desfrutará de uma vida mais feliz e abundante.
Hoje, a vida do povo norte-coreano está melhorando de maneira verdadeiramente vertiginosa. Essa vida não pode ser comparada em nada com a dos trabalhadores coreanos na época do imperialismo japonês ou com a vida miserável do povo sul-coreano de hoje. Entretanto, não podemos estar satisfeitos com esse nível de vida. Nosso povo, que se tornou mestre do país, pode viver de maneira mais abundante e culta, e assim deve ser. Emancipar o povo e fazer com que todos vivam felizes e na abundância é nosso objetivo, e somente então se poderá dizer que a revolução terá triunfado completamente.
Da mesma forma, só poderemos receber o apoio do povo quando lhe proporcionarmos uma vida feliz. O povo apoia sempre o governo que assegura sua liberdade e felicidade e que melhora efetivamente sua vida. Somente assegurando realmente o bem-estar do povo nossa democracia poderá demonstrar sua diferença radical em relação à "democracia" dos países capitalistas, e todo o povo coreano se unirá firmemente sob a bandeira de nossa democracia, dizendo: "Verdadeiramente, nossa democracia é boa!".
Devemos aplicar na prática a genuína democracia, em vez de apenas falar sobre ela. Eis precisamente, por assim dizer, o ponto que nos distingue da reação. Os grupos reacionários da Coreia do Sul não proporcionam nada ao povo; apenas o saqueiam e gritam a plenos pulmões sobre democracia.
O que fizeram os grupos reacionários durante mais de dois anos após a libertação, período em que realizamos enormes trabalhos em benefício do povo e do país? O que fizeram além de vender o país por "dólares" e oprimir, matar e explorar o povo, fazendo-o tremer de medo, fome e frio? Por isso, o povo sul-coreano, longe de se deixar enganar por eles, indigna-se ainda mais, odeia-os e enfrenta-os.
Entretanto, o que realizamos distingue-se radicalmente do que eles fazem. Não apenas em palavras, mas na prática, trouxemos liberdade e felicidade ao povo e melhoramos incessantemente sua vida. Realizamos diligentemente trabalhos concretos e impulsionamos a construção e a produção. A prática é, precisamente, o melhor método de propaganda e a melhor política para nós. Para nós, nada é mais precioso que a prática, e é justamente por meio dela que conquistaremos o povo para o nosso lado e triunfaremos na revolução.
Também neste novo ano, devemos aumentar a produção, melhorar consideravelmente a vida do povo e fortalecer ainda mais nossa base democrática por meio da luta prática.
Nosso objetivo supremo é construir, em toda a Coreia, um Estado rico e poderoso, soberano, independente e democrático. Para alcançá-lo, é necessário desenvolver rapidamente a economia nacional na Coreia do Norte, consolidando assim ainda mais a base econômica e estabilizando e melhorando a vida do povo. Somente quando demonstrarmos mais claramente ao povo sul-coreano quão brilhante é a vida na Coreia do Norte, onde a democracia triunfou, e fortalecermos decisivamente o poderio da base democrática, poderemos antecipar o dia da completa soberania e independência da pátria.
Então, em que direção devemos reabilitar e desenvolver a economia nacional para fortalecer a base econômica e melhorar a vida do povo em um curto espaço de tempo?
Alguns insistem, equivocadamente, que se deve dar imediatamente preponderância à indústria pesada, enfatizando somente esse setor. Naturalmente, é importante restaurá-la e desenvolvê-la. Somente desenvolvendo-a poderemos lançar os alicerces de uma indústria nacional independente e criar também as condições materiais para elevar o nível de vida do povo.
Mas, nas nossas condições atuais, não podemos ampliar imediatamente a indústria pesada em grande escala, nem dedicar-nos exclusivamente a ela. Durante algum tempo, devemos priorizar a reconstrução e a reparação das fábricas já existentes da indústria pesada, para, dessa maneira, produzir e fornecer as matérias-primas e os materiais necessários ao desenvolvimento da economia nacional. Da mesma forma, devemos criar a indústria leve, que não possui nenhuma base, equilibrando-a assim com a indústria pesada, e também dar um impulso vigoroso ao desenvolvimento da economia rural. Somente então poderemos estabilizar e melhorar rapidamente a vida de nosso povo e manifestar em grau mais elevado o entusiasmo e a capacidade criadora das massas populares na construção econômica.
Assim, é um erro menosprezar a reabilitação da indústria pesada e o fortalecimento da base econômica do país, assim como também é equivocado não criar a indústria leve, destinada a elevar o nível de vida do povo, inclinando-se apenas para a indústria pesada.
A fim de melhorar a vida do povo, é necessário aumentar rapidamente a produção em seu conjunto, fabricar muito mais artigos de primeira necessidade e reduzir sistematicamente o custo desses artigos. Em toda parte, deve-se intensificar a luta pelo aumento da produção, seja nas cidades, nas zonas rurais, nas minas ou nas aldeias pesqueiras. Somente quando a produção aumenta e se fabricam muitos artigos de qualidade é possível ampliar ainda mais a produção, melhorar a vida dos trabalhadores e adquirir os artigos de que necessitamos imperiosamente, exportando parte de nossos produtos para países estrangeiros. Cada fábrica e cada trabalhador, qualquer que seja seu ramo, devem superar a meta de produção estabelecida e produzir em maior quantidade.
Antes de tudo, é necessário elaborar corretamente o plano econômico. Sem um plano correto, é impossível realizar qualquer coisa como se deve, muito menos desenvolver a indústria convertida em propriedade do povo. Devemos assegurar que cada ramo e cada empresa elaborem um plano correto e viável, com base em dados minuciosamente investigados e examinados.
A deficiência dos funcionários daqui reside no fato de lhes faltar o senso de planejamento no trabalho e de não saberem elaborar corretamente o plano econômico. Particularmente, a falta de planejamento manifesta-se de maneira grave no trabalho das cooperativas de consumo. Há mais de um funcionário que não conhece bem a situação real de seu ramo e não domina seu trabalho; nesse caso, não é possível traçar corretamente o plano nem impulsionar o trabalho com visão de futuro.
Nossos antepassados diziam que o plano diário é elaborado pela manhã e o plano anual, na primavera. Naturalmente, a primavera significa o início do ano. Podemos considerar grave o fato de que o plano deste ano ainda não tenha sido elaborado corretamente, apesar de já ter transcorrido metade do mês desde a celebração do Ano-Novo. Deve-se traçar corretamente o plano de 1948 com base em uma análise detalhada dos aspectos positivos e das deficiências do trabalho realizado no cumprimento do plano de 1947, e fazer com que até mesmo cada homem, para não dizer cada órgão e empresa, trabalhe normalmente de acordo com seu plano concreto.
Os planos econômicos devem estar relacionados entre si e ser planos reais, nos quais todas as condições sejam seriamente calculadas do ponto de vista de todo o Estado. Ao mesmo tempo, o plano deve ser, sem dúvida, progressista e ativo. Um plano passivo, considerado aceitável para manter o status quo, é inútil para nós e impede nosso avanço.
Se tomarmos como exemplo o condado de Kanggye, nele há, sobretudo, tantos recursos madeireiros quanto se possa desejar; mas por que não se prevê no plano produzir mais madeira bruta e fabricar em maior quantidade diversos artigos elaborados com ela? Seria bom produzir recipientes, móveis, mesas e cadeiras para os escritórios e escolas, assim como quadros-negros. Se esses artigos forem produzidos em grandes quantidades e vendidos a um preço conveniente, isso satisfará as necessidades do povo, aumentará os lucros das empresas e elevará a renda dos operários. Que excelente prática seria essa! Entretanto, o comitê popular do condado não orienta as empresas estatais, nem tampouco estimula os empresários privados a produzir esses artigos em grandes quantidades. Seria bom produzir esses artigos simples na cooperativa de consumo ou fazer com que particulares os fabricassem sob a gestão de algum tipo de empresa adequada para isso, reunindo suas forças e seus fundos. Chegou o momento em que os comerciantes e empresários privados devem realizar suas atividades comerciais e industriais por métodos justos, sem se dedicarem apenas à especulação.
Da mesma forma, por que não se previu no plano desenvolver mais a pecuária e a sericicultura nesta região tão excelente? Podem criar quantos porcos, ovelhas e bichos-da-seda quiserem, sem falar das vacas. Se assim fizerem, será bom, pois poderemos utilizar mais animais de tração, fornecer grande quantidade de alimentos suplementares nutritivos, disponibilizar muito mais matérias-primas, inclusive couro para artigos de uso diário, e obter em maior quantidade a matéria-prima da seda, vitalmente necessária à vida do povo. Por que não realizariam trabalhos tão proveitosos?
Devemos procurar que, também neste ano, cada família camponesa realize as atividades agrícolas e as economias secundárias com um plano correto que indique como e quais plantas semear; quais cereais e em que quantidade produzir; como e quantos animais domésticos criar; e quantos pil de tecido de algodão tecer. Também no nível da aldeia é preciso traçar um plano concreto para determinar quanto mais terreno de sequeiro deve ser desbravado; como realizar as obras de irrigação; quando e em que quantidade substituir os fertilizantes; como ajudar-se mutuamente na resolução do problema das sementes e como utilizar os animais de tração.
Da mesma forma, os comitês populares de comuna, cantão e condado, os partidos políticos e as organizações sociais, assim como outras instituições, devem elaborar corretamente seus planos de trabalho, impulsionando assim todos os trabalhos de maneira disciplinada. Desse modo, se todos os órgãos, empresas e indivíduos, desde as unidades inferiores até as superiores, elaborarem um plano justo e o superarem, demonstrando elevado entusiasmo patriótico e iniciativa criadora, certamente alcançaremos uma nova vitória.
Para nós, não há nada impossível ou irrealizável. Se continuarmos trabalhando com essa confiança e entusiasmo, obteremos um resultado ainda mais extraordinário. Deixemos que os grupos reacionários gritem à vontade. Se, passado algum tempo, fosse feito um balanço para verificar o que foi realizado e quem o realizou, o mundo se surpreenderia mais uma vez diante da grande façanha de nosso povo e do crime hediondo dos inimigos.
Uma tarefa importante que nos cabe realizar neste ano é aumentar a produção e, ao mesmo tempo, economizar. Por mais que aumentemos a produção, não obteremos um bom resultado se, em seguida, desperdiçarmos tudo por outro lado. Particularmente, dadas as condições de nosso país, onde tudo ainda é insuficiente, economizar e viver com modéstia adquirem uma importância estatal extraordinária. Em todos os lugares, desde os órgãos estatais até cada lar, devemos estabelecer plenamente um espírito de economia e de vida modesta.
Naturalmente, devemos cuidar e proteger os bens estatais, combater resolutamente toda espécie de investimentos desnecessários e desperdícios, e também impedir que se desperdice levianamente na vida individual. Daqui em diante, os órgãos e as organizações também devem deixar de oferecer banquetes com frequência, e cada lar deve abandonar categoricamente o hábito de desperdiçar excessivamente por meio da realização frequente de eventos, especialmente casamentos e funerais.
E devemos saber utilizar eficazmente os fundos estatais. Não faz muito tempo que começamos a construir e, por isso, podemos dizer que é agora que começam nossas grandes obras de construção. Entretanto, ainda se desperdiça inutilmente o dinheiro do país e do povo em diversos lugares. Erguem-se esta ou aquela lápide comemorativa ou monumento com centenas de milhares de wons e realizam-se "cerimônias" com banquetes por ocasião desta ou daquela inauguração. É preciso eliminar o quanto antes esses hábitos nocivos e estabelecer um regime de economia e utilização eficaz de todos os fundos em benefício do Estado e do povo.
Entre os coreanos ainda existe o defeito de aparentar saber quando não se sabe e aparentar possuir quando não se possui, e esta é uma grave doença. Nas condições atuais, não há nada de errado em vestir roupas de algodão e usar calçados de palha. Mas até os alunos do ensino primário pensam que não podem ir à escola se não lhes vestirem um traje europeu e calçados de borracha. Além disso, existem muitas tabernas em diversos lugares, e seria conveniente limitar seu número.
Dispomos de enormes reservas que permitem aumentar ainda mais a produção e melhorar com maior rapidez a vida dos trabalhadores por meio da economia. Devemos economizar os fundos, ainda que se trate de um jon, cuidar dos materiais, ainda que sejam poucos, e dedicar tudo o que for economizado à construção de uma pátria rica e poderosa. Este é nosso dever sagrado e esta é, precisamente, a ideia da edificação do Estado. Somente quando todo o povo acolher essa ideia e mobilizar todas as reservas e possibilidades para a causa da edificação do Estado poderá consolidar ainda mais a base democrática da Coreia do Norte e alcançar o quanto antes a completa soberania e independência e a reunificação democrática da pátria, que são as aspirações de nossa nação.
Devemos realizar com êxito a construção econômica na Coreia do Norte e, ao mesmo tempo, lutar, apoiando ativamente o povo sul-coreano, para realizar em escala nacional uma democracia como a da Coreia do Norte. Somente quando todo o povo do Norte e do Sul da Coreia se unir firmemente e desenvolver uma luta heroica poderá repelir os imperialistas ianques e os reacionários internos e conquistar a vitória final.
Atualmente, realizamos um trabalho de grande importância para o alcance dessa causa; refiro-me, precisamente, à elaboração da Constituição provisória da Coreia. Todos devem levantar-se em luta para que essa Constituição, que reflete a nova vida democrática conquistada pelo povo norte-coreano, se converta na Constituição de todo o povo coreano e para que se concretize definitivamente a edificação de um Estado democrático e independente, cujo verdadeiro mestre seja o povo.
A vitória pertence certamente ao nosso povo. Hoje contamos com todas as condições para alcançar a vitória. Dispomos das forças democráticas unidas e do genuíno Poder popular. Possuímos elevado orgulho nacional, ardente amor à pátria e firme confiança na vitória. Acumulamos muitas experiências na realização das reformas democráticas e na construção econômica e já formamos um bom número de quadros. Também desfrutamos do poderoso apoio e da ajuda desinteressada da grande União Soviética. Ninguém pode subjugar um povo assim, e nem mesmo os imperialistas ianques, com sua serva, a "Comissão Provisória da ONU para a Coreia", ou os reacionários internos, por mais desesperados que sejam seus esforços, poderão jamais deter o avanço do povo coreano. Certamente chegará o dia em que os agressores serão expulsos da Coreia, a camarilha reacionária, traidora e vende-pátria será castigada pelo povo e a Coreia alcançará a reunificação, a soberania e a independência.
Marchemos todos para a frente, com passos firmes e forças unidas, rumo à nova vitória!

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