quarta-feira, 22 de julho de 2026

Sobre as tarefas futuras da União das Mulheres

Discurso proferido pelo camarada Kim Il Sung perante as quadros da União das Mulheres, membros do Partido Comunista que participarão da Primeira Conferência da União das Mulheres Democráticas da Coreia do Norte

9 de maio de 1946

Devido ao velho conceito feudal de exaltação do homem e humilhação da mulher, as coreanas sofreram durante muito tempo maus-tratos, tanto por parte da sociedade quanto da família, e para elas era inconcebível sequer pensar em participar de atividades sociais. Sua personalidade permanecia como que amarrada a viver sob severas restrições. Nossas mulheres não podiam casar-se nem sair de casa livremente. Pior ainda, eram vendidas como se fossem qualquer objeto. Penosa e trágica, sobretudo, foi a situação das mulheres coreanas durante os trinta e seis anos de dominação colonialista dos imperialistas japoneses. A operária coreana, por ter sido privada de seu país, não recebia sequer a metade do salário pago à operária japonesa, embora realizasse o mesmo trabalho. Durante a Guerra do Pacífico, os imperialistas japoneses levaram à força muitas moças e jovens coreanas, trancando-as como prisioneiras em galerias de minas ou colônias cercadas por arame farpado, onde as exploravam como animais de carga, empregando-as na fabricação de material bélico. Chegaram até mesmo a levá-las para os campos de batalha, onde foram submetidas a toda espécie de atrocidades.

A desumana opressão e exploração, bem como as insuportáveis humilhações perpetradas pelos fascistas do imperialismo japonês contra sua dignidade, fizeram com que incontáveis mulheres coreanas perdessem os melhores anos de sua juventude e até mesmo a própria vida.

Para alcançar a completa emancipação social das mulheres e garantir-lhes os mesmos direitos dos homens, é necessário eliminar totalmente os resquícios do imperialismo japonês e os costumes feudais, construindo uma verdadeira sociedade democrática. A emancipação social das mulheres e a igualdade de direitos entre homens e mulheres constituem parte da revolução democrática, anti-imperialista e antifeudal, estando posteriormente vinculadas ao cumprimento das tarefas colocadas pela etapa superior da revolução.

Os comunistas coreanos, em particular as guerrilheiras antijaponesas, lutaram de armas na mão pela liberdade e pela independência da pátria, pela emancipação da mulher coreana e pela igualdade de direitos entre homens e mulheres, criando nessa luta um magnífico exemplo do movimento de libertação feminina. Na Guerrilha Antijaponesa, as mulheres desfrutavam de completa igualdade em relação aos homens e cumpriam tarefas revolucionárias de acordo com sua capacidade e talento.

As mulheres do norte da Coreia, já libertadas do jugo colonialista do imperialismo japonês, desfrutam hoje dos mesmos direitos que os homens na vida social e política. Quando foi realizada a reforma agrária, nossas camponesas participaram da distribuição das terras com os mesmos direitos que os homens, tornando-se também proprietárias dessas terras, assim como os demais camponeses. Além disso, muitas mulheres exercem cargos no Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte e em outros órgãos do Poder popular em todos os níveis.

Vejam o caso de vocês, quadros da União das Mulheres. Teriam vocês podido, em outros tempos, percorrer centenas de quilômetros para participar de uma conferência como esta? Certamente seus pais, sogros e até seus maridos não o teriam permitido. Hoje, porém, não são apenas as próprias mulheres que consideram vergonhoso permanecerem trancadas em casa como antigamente; também seus sogros e maridos não gostam de ver suas noras ou esposas afastadas da vida social. Isso demonstra que, no processo da revolução democrática, estão ocorrendo grandes mudanças na vida ideológica do povo.

Assim, a Primeira Conferência da União das Mulheres será realizada em circunstâncias de uma transformação radical na situação de nossas mulheres.

A Conferência deve tratar de uma pauta concreta, debater amplamente os problemas que merecem atenção no trabalho da União das Mulheres e adotar as resoluções necessárias para a construção da pátria democrática. Em particular, deve-se procurar garantir que o maior número possível de representantes intervenha na conferência, com base nos princípios democráticos. O êxito da Conferência dependerá, sobretudo, do papel desempenhado pelas militantes do Partido aqui reunidas. Vocês devem fazer todo o possível para assegurar o sucesso da Primeira Conferência.

Passarei agora a abordar algumas questões que a União das Mulheres deverá levar em consideração em seu trabalho futuro.

1. Sobre o trabalho organizativo da União das Mulheres

Para construir uma nova Coreia democrática, devemos incorporar firmemente amplos setores femininos às organizações da União das Mulheres. Essa questão assume atualmente uma importância extraordinária pelo fato de as tropas estadunidenses imporem a administração militar no sul da Coreia, instigarem Ri Sung Man e outros traidores da nação a dividir o país e recorrerem a toda espécie de manobras para suprimir as conquistas da reforma agrária e do Poder popular no norte da Coreia. As organizações da União das Mulheres devem incorporar às suas fileiras todas as mulheres, independentemente de suas crenças religiosas ou da posse de bens, com exceção da ínfima minoria de colaboradoras dos japoneses, traidoras da nação e outras reacionárias, unindo-as em torno de nosso Partido e do Poder popular.

Devemos transformar as organizações da União das Mulheres já constituídas em poderosas organizações centralizadas, dinamizar a vida orgânica de suas integrantes e converter a União das Mulheres em uma organização democrática de massas ainda mais forte. Apesar dos muitos êxitos alcançados em sua atividade anterior, a União das Mulheres apresentou não poucas falhas devido à sua curta história e à inexperiência de suas ativistas.

Para tornar-se uma poderosa organização de massas, a União das Mulheres deve, antes de tudo, desenvolver sua principal atividade entre as mulheres trabalhadoras. Entretanto, atualmente manifesta-se, em muitos casos, a tendência de concentrar seu trabalho organizativo nas cidades e localidades que são sedes de províncias, cidades e condados. Evidentemente, também é necessário reunir todas as donas de casa nas organizações da União e educá-las por meio do trabalho organizativo; porém, isso não basta. Vocês compreenderão claramente como é importante intensificar esse trabalho organizativo entre as mulheres trabalhadoras de nosso país, que odeiam profundamente o velho sistema social e demonstram entusiasmo pela construção de uma Coreia nova e democrática, pois sofreram a mais cruel opressão e exploração durante o período de ocupação do imperialismo japonês. Por essa razão, quando as organizações da União das Mulheres criarem raízes firmes entre as mulheres trabalhadoras, se desenvolverão e fortalecerão ainda mais como organizações de massas.

As quadros da União das Mulheres que são militantes do Partido devem dirigir-se diretamente às fábricas e aos campos e assumir pessoalmente o trabalho entre as mulheres trabalhadoras. Atualmente, as camponesas e operárias esperam que vocês as instruam e orientem no próprio local de trabalho. É precisamente nas fábricas e nos campos que se encontra o objetivo de seu trabalho. Contudo, como militantes do Partido, vocês devem não apenas ensinar e orientar as mulheres trabalhadoras desses locais, mas também aprender muito com elas.

A Primeira Conferência da União das Mulheres deve examinar, como o ponto mais importante da pauta, esse trabalho entre as mulheres trabalhadoras e, em seguida, adotar medidas concretas a esse respeito.

2. Sobre o trabalho de propaganda e educação entre as membros da União das Mulheres

Os costumes feudais que prevaleceram ao longo da história e a política obscurantista colonial imposta pelos imperialistas japoneses deixaram na consciência de nossas mulheres preconceitos profundamente nocivos. Como consequência, ainda hoje, apesar de o imperialismo japonês já ter sido derrotado e de o sistema de exploração feudal ter sido abolido graças à reforma agrária, o despertar político das mulheres continua sendo muito lento em comparação com o dos homens, e sua participação na vida social ainda é bastante reduzida. Em sua vida cotidiana, elas revelam frequentemente costumes atrasados herdados da velha sociedade. Não podemos ignorar esses fenômenos; devemos eliminá-los o quanto antes. Para isso, é necessário fortalecer o trabalho de educação entre as mulheres, elevando continuamente seu nível de consciência política e forjando-as por meio da atividade prática.

Pois bem, quem deve encarregar-se desse trabalho? Precisamente vocês, camaradas militantes do Partido, devem assumi-lo com dignidade. Isso porque vocês constituem a vanguarda mais consciente entre as mulheres e, além disso, conhecem melhor do que os homens a situação de suas camaradas e sabem do que elas necessitam.

É preciso orientar a propaganda e a educação entre as mulheres, principalmente, para que compreendam devidamente nosso Poder popular, apoiem ativamente todas as suas leis e resoluções e se esforcem conscientemente para cumpri-las de maneira consequente.

Como todas vocês sabem, as instituições dominantes durante a ocupação do imperialismo japonês, como o Governo-Geral e as administrações das províncias, cidades e condados, eram aparelhos da dominação colonial japonesa que oprimiam e exploravam o povo coreano e representavam os interesses desse imperialismo, de seus lacaios colaboracionistas, dos latifundiários e dos capitalistas. Em contrapartida, o Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte e os comitês populares em todos os níveis são autênticos órgãos do Poder popular, que protegem a vida e os bens do povo. Nosso Poder popular tem a missão de varrer todos os resquícios caducos e os costumes nocivos deixados pelo imperialismo japonês e pelo feudalismo, conceder à mulher os mesmos direitos que ao homem e cumprir devidamente as tarefas da revolução democrática. Por isso, devemos fortalecer a educação entre as mulheres para que apoiem ativamente o Poder popular e cumpram plenamente suas leis e resoluções.

Tem especial importância a educação destinada a fazer com que todas as mulheres participem ativamente da luta contra as conspirações dos inimigos para destruir o Poder popular. Atualmente, Ri Sung Man e outros lacaios pró-EUA e colaboracionistas dos japoneses, traidores da nação, instigados pelo imperialismo estadunidense, organizam abertamente atividades subversivas contra o norte da Coreia. O que eles mais temem é que a reforma agrária tenha sido realizada no norte da Coreia e que todo o nosso povo se una monoliticamente em torno do Poder popular. Isso os desespera e os leva a empregar os métodos mais pérfidos e dissimulados para destruir nosso Poder popular. Nessa situação, vocês devem elevar a visão política e o nível de consciência de nossas mulheres para que possam descobrir e frustrar a tempo as manobras subversivas dos inimigos.

As organizações da União das Mulheres devem intensificar o trabalho de propaganda e educação, sobretudo entre as operárias. Na prática, até agora, não trabalharam bem nesse sentido. No futuro, as quadros da União das Mulheres, membros do Partido, devem dirigir-se às fábricas e educar persistentemente as operárias, explicando-lhes os acontecimentos da atualidade e instruindo-as por meio de cursos políticos. Como ficou comprovado também na recente manifestação do Primeiro de Maio, o entusiasmo das operárias é muito elevado. As organizações da União das Mulheres poderão elevar ainda mais o entusiasmo dessas operárias pela construção do país se dedicarem maior atenção ao trabalho de propaganda e educação entre elas. Como as operárias geralmente trabalham concentradas nos centros de produção, esse trabalho educativo poderá ser realizado de forma planejada nos intervalos ou após o término da jornada de trabalho.

Além disso, as organizações da União das Mulheres devem impulsionar com maior vigor o trabalho de esclarecimento destinado a pôr fim às superstições e aos velhos costumes que ainda persistem entre as mulheres.

Ainda há mulheres que acreditam em divindades. Quando seus filhos ou maridos adoecem, recorrem a exorcistas ou adivinhos em vez de chamar um médico. Esses fenômenos ocorrem com maior frequência entre as camponesas. As organizações da União das Mulheres devem promover energicamente o trabalho de esclarecimento entre as mulheres para extirpar o quanto antes essas manifestações de atraso.

Entre algumas donas de casa ainda se manifestam, em grau considerável, os efeitos nocivos da educação de escravidão colonial e os resquícios do modo de vida dos imperialistas japoneses. Elas falam japonês diante dos filhos e vivem segundo os costumes impostos, em seu tempo, pelos imperialistas japoneses. Esse fenômeno é observado de forma mais acentuada entre as donas de casa das cidades e exerce uma influência negativa sobre as novas gerações.

Nosso país teve muitos generais célebres e homens de ciência patrióticos, e todos eles foram educados por excelentes mães. As mães desempenham um papel extremamente importante na educação dos filhos.

Nossas crianças são os futuros pilares e protagonistas da nova Coreia. Somente se forem bem educadas e se transformarem em pessoas que amem seu país, possuam conhecimentos e se comportem com dignidade, nosso país poderá prosperar. Devemos fortalecer o trabalho educativo entre as mulheres para que abandonem os velhos costumes e eduquem bem seus filhos.

Da mesma forma, é necessário melhorar a educação entre as mulheres para continuar desenvolvendo as belas qualidades morais próprias da mulher coreana.

Além disso, a União das Mulheres deve realizar amplamente a campanha de alfabetização entre as mulheres.

No passado, sob a dominação colonialista do imperialismo japonês, nem mesmo os homens podiam estudar adequadamente; quanto mais as mulheres, para as quais o estudo era absolutamente impossível. Sem instrução, as mulheres não poderão participar eficazmente da construção do país nem alcançar sua completa emancipação social. Hoje, ao contrário do passado, elas têm condições de trabalhar e estudar o quanto desejarem. A União das Mulheres deve impulsionar energicamente a campanha de alfabetização para que as mulheres possam trabalhar mais e melhor.

3. Sobre a organização e a mobilização ativa das mulheres na construção do país

Os imperialistas japoneses foram derrotados, mas deixaram em nosso país gravíssimas consequências. Ao fugirem, demoliram todas as fábricas, minas, ferrovias e demais instalações industriais que exploravam na Coreia para fins de saque colonial e arruinaram a economia rural. Em consequência de sua política de dominação colonial e de pilhagem, atualmente sofremos com a escassez de técnicos, matérias-primas e outros materiais. Nessas condições, o mais importante é que todo o povo — homens e mulheres, idosos e crianças —, firmemente unido em torno do Poder popular, mobilize-se com entusiasmo para reconstruir o país. Em particular, organizar e mobilizar ativamente as mulheres, que constituem metade da população de nosso país, para participar dessa tarefa tem um significado muito importante.

A tarefa mais urgente na construção do Estado é consolidar as conquistas da reforma agrária. Devemos, antes de tudo, aumentar a produção agrícola, demonstrando assim a superioridade do novo sistema de posse da terra, no qual não existem latifundiários e os camponeses são os proprietários da terra. Para isso, as camponesas, que representam metade da população rural, devem participar da produção agrícola com mais entusiasmo do que qualquer outro grupo. Essa é uma condição importante não apenas para colocar as mulheres em igualdade de condições econômicas com os homens, mas também para melhorar sua situação política.

Hoje, a participação das camponesas na produção agrícola já não é um trabalho forçado em benefício do imperialismo japonês e dos latifundiários, como acontecia no passado, mas sim uma luta para fortalecer, enriquecer e desenvolver o país, além de elevar seu próprio nível de vida. A União das Mulheres deve explicar detalhadamente essas questões às mulheres do campo, em palavras simples, para que participem ativamente da produção agrícola com uma atitude completamente diferente da de antes. Deve fazer com que semeiem toda a terra, sem deixar um só pedaço improdutivo, cuidem bem das plantações e obtenham colheitas abundantes.

Além disso, é importante fazer com que as operárias participem ativamente da construção do país.

Como assinalei brevemente acima, a situação das operárias durante o período do imperialismo japonês era incomparavelmente pior do que a das operárias de outros países. Por isso, as operárias coreanas lutaram corajosamente contra a opressão e a exploração colonialistas do imperialismo japonês. As greves das operárias da Fábrica de Borracha de Pyongyang e de outras fábricas constituem páginas brilhantes da história do movimento operário de nosso país.

Após a derrota dos imperialistas japoneses, suas fábricas e empresas passaram para as mãos de nosso povo. Ainda restam algumas sob administração privada, mas a maioria pertence a todo o povo. Como resultado disso, o caráter do trabalho e a situação das operárias mudaram radicalmente.

Antigamente, o trabalho era considerado a atividade mais desprezível, enquanto a exploração do trabalho alheio e o ócio eram tidos como algo sagrado. Essa concepção é equivocada e foi criada pelas classes exploradoras. Sob o Poder popular, o trabalho é verdadeiramente uma questão sagrada e honrosa. Quanto mais trabalharem nossos operários, mais riquezas criarão para o país e, consequentemente, mais elevado será seu nível de vida. Embora ainda exista em nosso país um pequeno número de empresários individuais, sob o Poder popular eles não podem explorar os operários arbitrariamente, como faziam durante o período da dominação colonialista do imperialismo japonês.

Hoje, nossas operárias trabalham nas mesmas fábricas em que, durante a dominação do imperialismo japonês, trabalhavam como escravas. No entanto, já não são assalariadas oprimidas e exploradas; agora são as proprietárias e honradas protagonistas da construção de seu país.

A União das Mulheres deve explicar claramente essa realidade às operárias, convidando-as a participar ativamente da construção do país com uma nova atitude diante do trabalho. Vocês, como quadros da União das Mulheres e militantes do Partido, devem ser as primeiras a inserir-se profundamente entre as operárias, animando-as e estimulando-as a trabalhar com entusiasmo para construir um país próspero e poderoso. Devem também fazer com que estudem diligentemente a técnica, trabalhem ainda mais e que muitas delas se tornem Heroínas do Trabalho.

A União das Mulheres deve também dedicar atenção minuciosa às condições de trabalho e de vida das mulheres, resolvendo prontamente suas necessidades.

Creio que entre vocês haja camaradas que foram operárias durante a dominação do imperialismo japonês. Como era sua situação naquela época? Para nossas operárias, casar-se era um ato de extrema ousadia; ter filhos, então, era pior ainda. Os capitalistas japoneses exploravam ao máximo as trabalhadoras solteiras, mas, quando elas se casavam, eram demitidas, pois consideravam que, ao se tornarem mães, produziriam menos. Poderia haver perversidade maior?

À mulher devemos conceder não apenas os mesmos direitos que ao homem, tanto no âmbito político quanto no econômico, mas também tratá-la com cuidado e consideração, pois ela é fisicamente mais frágil do que o homem e, além disso, cumpre os deveres da maternidade. É justo, portanto, que lhe sejam concedidas licenças antes e depois do parto, recebendo integralmente seu salário durante esse período.

No futuro, nosso Poder popular promulgará uma lei que concederá à mulher os mesmos direitos que ao homem em todos os aspectos do trabalho e da vida social. Contudo, esses direitos não lhes serão dados como um presente; para desfrutá-los plenamente, as próprias mulheres deverão conquistá-los por meio de seu trabalho e de sua luta.

Também é necessário mobilizar adequadamente as intelectuais para a construção do país.

Vocês não devem olhar com preconceito para as mulheres que receberam instrução durante o período da dominação do imperialismo japonês. As intelectuais de nosso país formadas sob essa dominação também foram vítimas das humilhações provocadas pela política de discriminação nacional do imperialismo japonês e, de forma alguma, exerciam cargos condizentes com seus conhecimentos; ao contrário, trabalhavam em ocupações humildes, como a de auxiliares de escritório. Por isso, elas também odiavam o imperialismo japonês e ansiavam pela libertação da pátria.

Nossas intelectuais podem prestar grandes serviços ao trabalho de alfabetização e esclarecimento das mulheres da cidade e do campo, bem como dedicar-se ao ensino, à cultura, à saúde pública e a diversas outras atividades. Algumas intelectuais progressistas já iniciaram seu trabalho integrando-se à sociedade. No entanto, ainda existem muitas que vacilam e não se decidem a participar das tarefas do Estado. As organizações da União das Mulheres devem fortalecer o trabalho político entre as intelectuais para que participem ativamente das atividades sociais.

Outra questão importante é a contribuição das mulheres sem trabalho remunerado e das donas de casa para a construção do Estado. Hoje, quando todo o povo é proprietário do país, elas não podem permanecer à margem dessas tarefas nacionais apenas por estarem nessa condição; elevar seu papel é tão importante quanto aumentar a participação das camponesas e das operárias.

Como, no passado, nossas mulheres coreanas não tiveram oportunidade de participar das tarefas do Estado nem das atividades políticas, ainda hoje se observam entre muitas donas de casa concepções equivocadas nesse sentido. Elas pensam que os assuntos do Estado dizem respeito apenas aos homens e que a elas basta cozinhar, lavar, cuidar dos filhos e limitar-se às tarefas do lar. Evidentemente, a mulher deve cuidar das questões domésticas, mas isso não pode servir de pretexto para mantê-la afastada das tarefas do Estado, pois, caso contrário, ela não poderá desfrutar dos mesmos direitos que o homem.

A União das Mulheres deve organizar e mobilizar eficazmente as mulheres sem trabalho remunerado e as donas de casa para as tarefas do Estado. Intensificando a luta contra os resquícios do passado, em especial contra o costume feudal de manter a mulher confinada ao lar, é preciso fazer com que todas essas mulheres, além de ajudarem seus maridos na construção do país, educarem bem os filhos e cuidarem diligentemente das tarefas domésticas, prestem também uma contribuição direta ao trabalho de construção estatal.

Para incorporar em massa as mulheres às atividades sociais, é necessário adotar medidas para a educação das crianças às custas da sociedade. As crianças que frequentam a escola não constituem grande obstáculo para que as mulheres se dediquem às atividades sociais. O verdadeiro problema são as crianças em idade pré-escolar. Quando a situação do país melhorar, serão criadas as condições para cuidar delas em creches e jardins de infância. Nosso desejo é construir desde já bons edifícios para criar as crianças às custas da sociedade, mas a situação atual não nos permite construir de uma só vez tantas creches e jardins de infância quanto necessitamos. Além dessa dificuldade econômica, precisamos também de pessoal qualificado para essas instituições.

Entretanto, isso não é motivo para permanecermos inativos até que as condições amadureçam por si mesmas. O Estado tomará medidas para resolver esse problema, mas é necessário também que a União das Mulheres estude formas de solucioná-lo com a participação das próprias mulheres. Se a União das Mulheres conseguir espaços livres entre as moradias, tanto nas cidades quanto no campo, e mobilizar mães experientes no cuidado de muitas crianças, poderão ser abertas pequenas creches. Inclusive, será possível instalar jardins de infância caso sejam convidadas a desempenhar essa função donas de casa que possuam certo nível de instrução.

É aconselhável que a União das Mulheres organize e administre um bom número de creches e jardins de infância de pequeno porte. Com o tempo, será acumulada a experiência necessária e, de acordo com as medidas do Estado, serão construídas numerosas creches e jardins de infância nas fábricas e nas aldeias.

A próxima Conferência deve discutir amplamente esses problemas e buscar soluções adequadas para eles.

Cumprindo com êxito as tarefas mencionadas, as organizações da União das Mulheres farão com que a mulher do norte da Coreia ofereça exemplos práticos do movimento de emancipação feminina às suas compatriotas do sul da Coreia, que vivem duramente oprimidas e exploradas pela administração militar estadunidense.

Vocês devem elevar continuamente seu próprio nível político e cultural no curso da luta pela construção de uma nova Coreia e não poupar esforços para eliminar a linha divisória do Paralelo 38, para que as mulheres do sul da Coreia também desfrutem da mesma liberdade e dos mesmos direitos de que gozam as mulheres do norte da Coreia.

Neste momento, todas as mulheres da Coreia voltam sua atenção para a Primeira Conferência da União das Mulheres. Por meio dessa Conferência, elas devem demonstrar que a mulher coreana, outrora socialmente humilhada, conseguiu unir-se em uma força organizada e coesa e que, com seu despertar político, participa da construção do país ao lado dos homens.

Conscientes do importantíssimo papel que desempenharão na Primeira Conferência da União das Mulheres, vocês devem envidar esforços ainda maiores para assegurar seu êxito, alcançando assim grandes realizações.

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