quarta-feira, 24 de junho de 2026

O imperialismo estadunidense é o provocador da Guerra da Coreia

A Guerra da Coreia da década de 1950 foi uma guerra de agressão preparada e provocada de forma planejada pelos imperialistas estadunidenses, que, orgulhando-se de serem a potência “mais forte” do mundo e possuindo uma história de mais de cem anos de agressões, buscaram destruir nossa jovem República e dominar o mundo.

Os provocadores recorreram a toda sorte de conspirações para transferir a responsabilidade para outros. Contudo, não conseguiram ocultar a verdade, e os bastidores do caso foram revelados ao mundo por meio de provas irrefutáveis.

Um roteiro de guerra impulsionado de forma planejada

Após a Segunda Guerra Mundial, os imperialistas estadunidenses definiram a dominação mundial como a direção geral de sua política externa e passaram a uma ofensiva desesperada para conter e eliminar o crescimento do socialismo e das forças democráticas.

Os dirigentes estadunidenses afirmavam que era preciso reconhecer que a grande responsabilidade de liderar o mundo havia sido atribuída aos estadunidenses; que o futuro dos EUA e da Europa dependia de vencer ou perder a luta contra o comunismo na Ásia; e que essa região decidiria o rumo da história mundial pelos próximos mil anos. Assim, a Ásia foi escolhida como principal alvo de agressão. A Coreia tornou-se o primeiro objetivo da invasão à Ásia devido à sua posição geoestratégica e a fatores políticos e econômicos.

Os formuladores da política estadunidense daquela época defendiam unanimemente que, para dominar o mundo, era necessário conquistar a Ásia; para conquistar a Ásia, era necessário ocupar a China; e, para ocupar a China, era necessário subjugar a Coreia.

Para concretizar esse objetivo, os EUA iniciaram os preparativos para provocar a Guerra da Coreia.

Foram mobilizados não apenas os departamentos de inteligência e operações, como o “G-2” e o “G-3” do Comando de MacArthur, mas também a “Seção de História”, composta por antigos oficiais superiores do exército japonês, e a organização “Kato”. Por meio desses grupos, os imperialistas estadunidenses elaboraram os chamados “Planos A, B e C”, dividindo a guerra em três etapas. A primeira etapa começaria com a guerra de agressão à Coreia conduzida pelas tropas invasoras estadunidenses e pelo exército títere da República da Coreia (A); a segunda envolveria a participação formal do exército japonês rearmado e das tropas nacionalistas de Jiang Jieshi, expandindo a guerra para a Manchúria (B); e a etapa final previa a ocupação de toda a Sibéria até os Urais (C).

Foi precisamente com base no “Plano A” que os imperialistas estadunidenses elaboraram o plano concreto de agressão à Coreia e decidiram provocar a guerra. Sobre isso, a revista japonesa "Jinbutsu Orai", em sua edição de setembro de 1964, revelou que o “Plano A” previa concentrar dez divisões estadunidenses e sul-coreanas ao longo do paralelo 38, criando duas zonas operacionais; as tropas da frente ocidental avançariam para Pyongyang, enquanto as da frente oriental marchariam para Yangdok e Wonsan; operações de desembarque naval e aéreo seriam realizadas ao norte de Pyongyang e Wonsan para ocupar toda a Coreia.

Em 1949, os EUA decidiram colocar em prática o plano de agressão e passaram a estimular continuamente o exército títere da República da Coreia a realizar provocações armadas. O objetivo era concretizar o plano de invasão ampliando esses incidentes. Naquele ano, o número de provocações armadas inimigas atingiu mais de 2.610 casos, mais de 2,8 vezes o registrado no ano anterior.

Entretanto, essas provocações fracassaram diante das firmes medidas defensivas adotadas pelas forças de guarda da República.

Após receber um relatório do chefe da missão militar estadunidense, Robert, segundo o qual o exército títere da República da Coreia não tinha capacidade para executar sozinho o plano de invasão contra nosso Estado, o presidente estadunidense Truman instruiu MacArthur a revisar o plano de provocação da Guerra da Coreia e adotar novas medidas. Como resultado, foi concluído o plano de invasão denominado “AL-3”, que previa a introdução das tropas estadunidenses estacionadas no Japão após o início da guerra. O documento ultrassecreto “NSC-68” também estipulava que, assim que a guerra começasse, seriam mobilizadas não apenas as tropas invasoras estadunidenses, mas também forças militares de países aliados.

Uma vez concluído o plano da Guerra da Coreia, os imperialistas estadunidenses passaram a ampliar em grande escala o exército títere da República da Coreia para garantir sua execução bem-sucedida. Além de aumentar o efetivo militar ativo, criaram organizações paramilitares e ministraram treinamento militar até mesmo aos estudantes.

Na época, uma publicação ocidental informou que o número de jovens da República da Coreia treinados militarmente de acordo com os planos de guerra dos EUA chegava a mais de um milhão, tendo como objetivo garantir uma superioridade de dez para um em relação às forças do Exército Popular.

Considerando o controle do comando do exército títere da República da Coreia um elo essencial dos preparativos de guerra, os EUA assinaram, em agosto de 1948, o “Acordo Administrativo sobre Assuntos Militares e de Segurança Provisórios para o Período de Transição” com a República da Coreia, assumindo o comando das forças da RC e o controle das bases e instalações militares. Conselheiros militares estadunidenses foram destacados desde os batalhões até os regimentos e divisões do exército títere, organizando as unidades e conduzindo os treinamentos segundo o modelo estadunidense.

Os imperialistas estadunidenses forneceram enorme assistência militar ao regime títere da RC e equiparam suas forças inteiramente com armamentos estadunidenses. Somente em 1949, entregaram mais de 105 mil fuzis e carabinas, mais de 2 mil metralhadoras pesadas e leves, mais de 50 milhões de munições, 50 mil minas terrestres, 79 embarcações e mais de 20 aeronaves.

Na época, especialistas militares do Comando de MacArthur vangloriavam-se de que o exército títere da RC era “o melhor exército da Ásia” e que poderia “aniquilar facilmente o Exército Popular”. No Congresso dos EUA, chegaram a declarar arrogantemente que “os mais de 100 mil soldados da RC armados com equipamento estadunidenses e treinados por oficiais estadunidenses concluíram todos os preparativos e podem iniciar uma guerra a qualquer momento”.

Os EUA também avançaram cuidadosamente nos preparativos para mobilizar as forças militares japonesas e as tropas nacionalistas de Jiang Jieshi na Guerra da Coreia.

No início de agosto de 1949, representantes da camarilha de Ri Sung Man e da camarilha de Jiang Jieshi realizaram conversações secretas sobre o fornecimento de aeronaves, navios, diversos armamentos e munições pelo chamado “governo” nacionalista em caso de eclosão da guerra, bem como sobre a participação de militares nacionalistas disfarçados com uniformes do exército títere da RC. Em meados de fevereiro de 1950, MacArthur, Ri Sung Man e Yoshida reuniram-se em Tóquio para discutir o estabelecimento de uma aliança militar em preparação para a Guerra da Coreia.

Os imperialistas estadunidenses reforçaram o posicionamento do exército títere da RC ao longo do paralelo 38 e, a partir de 11 de junho de 1950, emitiram uma ordem especial de alerta, colocando suas forças em completo estado ofensivo. Enviaram Dulles, conhecido defensor da guerra, à RC para realizar a inspeção final da prontidão das unidades da RC e fixaram o dia 25 de junho de 1950 como a data de início da guerra.

A verdadeira face do agressor revelada por completo

Após concluir os preparativos para a agressão, MacArthur convocou Ri Sung Man a Tóquio e lhe transmitiu instruções especiais compostas por 11 pontos relacionados à provocação da guerra. Nessas instruções estava estipulado que todas as forças do exército títere da República da Coreia ficariam sob o comando de MacArthur; que Ri Sung Man deveria desempenhar o papel de iniciador da guerra; que a RC títere e o Japão deveriam cooperar; e que o exército títere da RC deveria receber treinamento de oficiais oriundos do antigo exército japonês, entre outros pontos.

Depois de fornecer essas instruções a Ri Sung Man, os imperialistas estadunidense ordenaram que ele acendesse o pavio da guerra.

Na madrugada de 25 de junho de 1950, o exército títere da RC iniciou uma invasão armada contra nossa República.

Assim que a Guerra da Coreia começou, os EUA apresentaram à ONU, conforme o plano previamente elaborado, um suposto relatório do embaixador estadunidense na RC e da chamada “Comissão das Nações Unidas para a Coreia”, repleto de falsidades e enganos. Com base nesse material, convocaram uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU. Em seguida, apoiando-se nesses relatórios falsos que sequer haviam sido verificados, classificaram nossa República como “agressora” e fabricaram coercitivamente a Resolução nº 82, exigindo a retirada das forças de nosso Exército.

Em 27 de junho, numa nova reunião do Conselho de Segurança da ONU realizada por exigência dos EUA, o representante estadunidense descreveu o contra-ataque do Exército Popular da Coreia como um “ataque contra a própria ONU” e apresentou uma proposta recomendando que os Estados-membros da ONU prestassem à RC a assistência necessária para repelir a agressão armada e restaurar a paz e a segurança na região. Essa “assistência” significava, na prática, a ampla intervenção militar dos imperialistas estadunidenses e a participação de países aliados na Guerra da Coreia. Nesse mesmo dia, os EUA conseguiram que fosse aprovada a Resolução nº 83 do Conselho de Segurança da ONU, autorizando a intervenção militar na Coreia.

Em 7 de julho, fabricaram ainda uma resolução que colocava as forças dos países aliados que prestavam apoio militar à RC sob a jurisdição de um “Comando Unificado sob direção dos Estados Unidos” e autorizava o uso da bandeira da ONU.

Essa resolução sequer continha as expressões “envio de forças da ONU” ou “criação de um Comando das Nações Unidas”. Contudo, os imperialistas estadunidenses transformaram habilmente o “Comando Unificado” em “Comando das Nações Unidas” e suas próprias forças invasoras em “forças da ONU”. O comandante das forças estadunidenses no Extremo Oriente, MacArthur, passou a acumular o cargo de “Comandante das Forças da ONU”; o Comando das Forças dos EUA do Extremo Oriente, sediado em Tóquio, foi transformado no “Comando das Nações Unidas”; e as tropas estadunidenses e dos países aliados enviadas à Guerra da Coreia passaram a ser apresentadas como “forças da ONU”.

Dessa forma, os EUA utilizaram como pretexto as resoluções ilegalmente fabricadas pelo Conselho de Segurança da ONU para introduzir em larga escala forças agressoras na Guerra da Coreia e apresentaram suas operações militares como se fossem ações “defensivas”, conduzidas pela ONU e em cumprimento de sua missão.

As resoluções do Conselho de Segurança da ONU forjadas pelos imperialistas estadunidenses para usurpar o nome das Nações Unidas em favor de sua guerra de agressão foram inteiramente baseadas no roteiro estadunidense, constituindo atos totalmente ilegais e uma flagrante violação da Carta da ONU.

Em 25 de junho, o representante dos EUA junto à ONU leu ao secretário-geral da organização um relatório falso fabricado por seu próprio governo e insistiu repetidamente na convocação urgente do Conselho de Segurança.

Manipulado pelos EUA, o Conselho de Segurança da ONU aceitou integralmente a versão unilateral apresentada pelos imperialistas estadunidenses, sem realizar qualquer investigação ou verificação concreta sobre as circunstâncias da eclosão da Guerra da Coreia.

Foi assim que essas resoluções ilegais foram aprovadas.

Os imperialistas estadunidenses excluíram deliberadamente da discussão o representante da República Popular Democrática da Coreia, parte diretamente envolvida no conflito, convidando apenas o representante da RC títere para as reuniões e conduzindo o processo de forma a aprovar resoluções alinhadas com seus próprios interesses.

O artigo 27 da Carta da ONU estabelece que as resoluções do Conselho de Segurança sobre todas as questões devem ser adotadas mediante voto favorável dos membros do Conselho, incluindo o consentimento de todos os membros permanentes.

As resoluções do Conselho de Segurança relacionadas à Guerra da Coreia foram aprovadas ilegalmente sem a participação da União Soviética, membro permanente do Conselho.

Isso ocorreu porque, naquele período, o funcionamento do Conselho de Segurança encontrava-se paralisado. Em protesto contra o fato de a representação da China continuar sendo exercida pelas autoridades de Taiwan, a União Soviética recusou-se a participar das reuniões do Conselho de Segurança de janeiro até o final de julho de 1950. Aproveitando essa circunstância, os EUA levaram ao Conselho de Segurança as resoluções relativas à Guerra da Coreia.

Em um telegrama enviado ao secretário-geral da ONU, a União Soviética declarou claramente que as resoluções do Conselho de Segurança não possuíam validade jurídica por terem sido aprovadas sem sua participação; que constituíam uma grave violação da Carta da ONU; que permitiam que a bandeira das Nações Unidas fosse utilizada como cobertura para as operações militares agressivas dos EUA contra o povo coreano; e que, portanto, representavam atos ilegais e apoio direto à agressão armada contra o povo coreano.

Embora os imperialistas estadunidenses tenham tentado inverter a verdade e a mentira utilizando o nome do Conselho de Segurança da ONU, os fatos não puderam ser ocultados.

Os próprios livros publicados nos Estados Unidos afirmaram que o momento em que a guerra efetivamente começou era extremamente inadequado do ponto de vista da Coreia, levantando dúvidas sobre a alegação de um suposto “ataque surpresa” por parte do Norte.

Até mesmo MacArthur, que desempenhou papel central na provocação da Guerra da Coreia, confessou posteriormente: “Essa guerra foi planejada por mim.”

Devido à provocação da guerra pelos imperialistas estadunidenses, nosso povo e nosso exército foram obrigados a travar uma severa Guerra de Libertação da Pátria durante 1.129 dias para repelir a invasão armada imperialista e defender seu destino e seu futuro.

A verdade não pode ser enterrada nem apagada. A Guerra da Coreia, desencadeada pelo roteiro de agressão do imperialismo estadunidense, permanecerá para sempre como um fato histórico que expõe a verdadeira face dos imperialistas estadunidenses como criminosos de guerra.

Kim Su Jin

Nenhum comentário:

Postar um comentário