Diversos países do Ocidente estão afundando cada vez mais profundamente no pântano da divisão social e da instabilidade.
Em 16 de maio, ocorreram em Londres, capital do Reino Unido, manifestações promovidas por dois grupos fortemente antagonizados.
De um lado realizou-se uma manifestação anti-imigração organizada por forças de extrema-direita sob o lema “Vamos unir a Grã-Bretanha”; de outro, uma manifestação de apoio à Palestina promovida principalmente por grupos de imigrantes.
Nesse dia, a polícia mobilizou cavalaria, helicópteros, drones e até veículos blindados, alegando querer evitar confrontos entre os dois lados. Durante os protestos, dezenas de pessoas foram detidas. O primeiro-ministro Starmer lamentou que os organizadores das marchas estivessem “claramente promovendo o ódio e a divisão”.
As manifestações daquele dia mostraram claramente a realidade da divisão social existente no Reino Unido.
A divisão social nesse país tornou-se particularmente evidente desde o referendo de junho de 2016 sobre a saída da União Europeia.
Na ocasião, os partidários da saída venceram por uma margem estreita os defensores da permanência, o que agravou ainda mais as contradições entre os dois lados. A liderança do partido governante foi substituída várias vezes, e somente após mais de quatro anos o processo de saída foi concluído.
Mas os problemas não terminaram aí.
As turbulências políticas continuam ocorrendo sem cessar, tornando frequentes as trocas de primeiros-ministros. As ações das forças de extrema-direita alimentam ainda mais a crise política. Esses grupos desenvolvem atividades radicais contra a imigração e rejeitam outras etnias e culturas. No Reino Unido, a questão dos imigrantes tornou-se uma verdadeira “bomba prestes a explodir”.
Pouco tempo após Starmer assumir o poder em 2024, ocorreram distúrbios anti-imigração instigados pela extrema-direita.
Os tumultos espalharam-se pelo país sob a forma de atos violentos, incluindo agressões, destruição, saques e incêndios criminosos. Embora o governo tente reduzir as tensões entre os imigrantes e os grupos que se opõem a eles, seus esforços têm produzido poucos resultados.
Analistas avaliam que, diante da profunda divisão existente na sociedade, o governo britânico parece incapaz de lidar eficazmente com a situação.
O fato de o atual governo ter abandonado a promessa de “não aumentar impostos” e reduzido significativamente gastos relacionados ao sustento da população também está agravando a crise sociopolítica.
O número de pessoas que assinaram uma petição exigindo eleições antecipadas já ultrapassa um milhão.
Em meio ao aprofundamento da desconfiança em relação ao governo, o partido governista sofreu uma pesada derrota nas eleições locais realizadas no início de maio. Atualmente, o primeiro-ministro enfrenta fortes pressões para renunciar.
Veículos de imprensa avaliam que, mesmo que um novo governante assuma o poder, será difícil desfazer os problemas acumulados. Argumentam ainda que a combinação entre divisão social e dificuldades diplomáticas poderá conduzir o país a crises ainda maiores.
A situação na Espanha não é diferente.
Em 23 de maio, dezenas de milhares de cidadãos realizaram manifestações em Madri exigindo a renúncia do primeiro-ministro Pedro Sánchez. Líderes da oposição também participaram dos protestos.
O motivo das manifestações foi a sucessão de escândalos de corrupção envolvendo familiares e colaboradores próximos do primeiro-ministro.
Sua esposa encontra-se submetida a julgamento sob acusações relacionadas a transações empresariais ilegais, enquanto seu irmão está sendo julgado por suposto abuso de poder.
Um ex-primeiro-ministro considerado aliado político do atual chefe de governo também está sendo investigado por suposta participação em esquemas de lavagem de dinheiro.
Recentemente, a promotoria realizou buscas na sede do Partido Socialista Operário Espanhol, partido governante, para investigar sua situação financeira. O responsável pela administração dos recursos partidários encontra-se atualmente processado.
Além disso, várias figuras do partido estão sendo investigadas por supostas irregularidades na gestão dos fundos partidários e por tentativas de encobrir processos judiciais. Como resultado, a base política do governo está sendo profundamente abalada.
Os partidos que compõem a coalizão governamental vêm se distanciando do Partido Socialista Operário Espanhol, enquanto os partidos de oposição exigem a renúncia imediata do primeiro-ministro e a convocação de eleições gerais.
Embora em graus diferentes, todos os países ocidentais enfrentam graves crises provocadas por divisões sociais, turbulências políticas e escândalos de corrupção.
Analistas lamentam que o antagonismo entre os partidos políticos e a divisão social estejam se agravando continuamente, assumindo um caráter cada vez mais violento e tornando os compromissos e acordos políticos cada vez mais difíceis.
A sucessão de intensos protestos ocorridos nos últimos anos em diversos países ocidentais é vista como um sinal precursor de conflitos sociais de grandes proporções.
Ho Yong Min
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