quinta-feira, 4 de junho de 2026

Submissão aos Estados Unidos e ampliação dos armamentos que recebem zombaria e críticas dentro e fora do país

Há algum tempo, realizaram-se na prefeitura de Okinawa manifestações e concentrações populares exigindo uma “ilha pacífica” sem bases militares estadunidenses. Cerca de 2 mil pessoas participaram. Os manifestantes marcharam pelos arredores das bases dos EUA gritando: “Não transformem Okinawa em um campo de batalha.” O protesto voltou a demonstrar o sentimento dos habitantes de Okinawa, que desejam viver tranquilamente em uma terra sem a presença militar estadunidense.

Após estabelecer-se no arquipélago Ryukyu em junho de 1945, os Estados Unidos assinaram, em setembro de 1951, o Tratado de Paz de São Francisco (tratado de paz separado com o Japão), assumindo todos os poderes administrativos, legislativos e judiciais sobre Okinawa e transformando a ilha na maior base militar para suas ações na Ásia. À medida que crescia a luta dos moradores japoneses contra a ocupação de Okinawa, os círculos governantes dos Estados Unidos e do Japão fabricaram, em 1971, o chamado Acordo de Reversão de Okinawa. Em seguida, concluíram um acordo segundo o qual o Japão assumiria a “defesa local” de Okinawa e, em maio do ano seguinte, anunciaram que os direitos administrativos da ilha seriam devolvidos ao Japão. No entanto, Okinawa não foi efetivamente devolvida ao Japão, mas sim ainda mais fortalecida como base de agressão e posto avançado dos Estados Unidos. Atualmente, 70% das instalações de uso exclusivo das forças estadunidenses no Japão estão concentradas ali.

As bases militares estadunidenses estacionadas em Okinawa também são focos de diversos crimes.

Além do ruído constante das aeronaves militares dos EUA que decolam e pousam dia e noite em meio a exercícios de guerra, bem como dos acidentes frequentes, os crimes cometidos por militares estadunidenses mergulham os moradores em permanente ansiedade e medo. Muitas pessoas vivem sem saber quando ou onde poderão se tornar vítimas de estupros, roubos ou assassinatos cometidos por militares dos EUA.

Embora a luta dos habitantes de Okinawa pela retirada das tropas estadunidenses não cesse, a atitude das autoridades japonesas continua a mesma. Profundamente subordinadas aos Estados Unidos, fecham os ouvidos aos protestos populares e preocupam-se apenas em satisfazer os interesses de seu patrono.

Mesmo quando crimes hediondos cometidos por militares estadunidenses provocam indignação social ou quando acidentes causam danos à população, as autoridades os justificam como “atos indisciplinados de soldados individuais” ou “acidentes ocasionais durante treinamentos”, limitando-se a expressar “pesar” e recomendar a “prevenção de reincidências”. Alegam que a presença das forças estadunidenses em Okinawa está diretamente ligada à segurança do Japão e que, portanto, a população deve compreender e suportar a situação.

Contudo, não se pode ocultar o fato de que as tropas estadunidenses estacionadas em Okinawa são forças de guerra a serviço da estratégia de poder militar e hegemonia dos Estados Unidos na região da Ásia-Pacífico e que sua presença não garante a segurança do Japão, mas, ao contrário, cria ameaças.

Diversos meios militares dos Estados Unidos voltados, em caso de conflito, contra Estados soberanos independentes da região da Ásia-Pacífico encontram-se avançadamente posicionados nesse local. Por isso, Okinawa tornou-se um dos principais alvos de vigilância e atenção das potências vizinhas. Esses países advertiram que, caso o Japão tente violar sua soberania e segurança por meio da força, terá de pagar um preço insuportável, deixando clara sua posição de não tolerar aventuras militares por parte do país insular.

O motivo pelo qual as autoridades japonesas insistem em manter as bases militares estadunidenses em Okinawa, apesar disso, é que possuem intenções ocultas. Seu objetivo é satisfazer ambições militaristas apoiando-se nos Estados Unidos.

Para alcançar esse objetivo, difundem continuamente a teoria do “aumento das ameaças” provenientes dos países vizinhos e afirmam que o Japão precisa possuir um forte poder militar para garantir sua segurança. E não se limitam às palavras, passando também à ação. Procuram transformar o país em uma potência militar e em um Estado capaz de travar guerras.

As autoridades japonesas aumentam substancialmente os gastos militares todos os anos e aceleram o desenvolvimento e a aquisição de diversos armamentos ofensivos. Já revisaram os chamados “Três Princípios sobre a Transferência de Equipamentos de Defesa” e suas diretrizes operacionais e tentam inclusive modificar a chamada “Constituição pacifista”. Esse comportamento extremamente perigoso constitui um ato insensato de cavar com as próprias mãos a armadilha da autodestruição.

A política de submissão aos Estados Unidos e as manobras de ampliação dos armamentos das autoridades japonesas inevitavelmente resultarão apenas em fazer recair novamente sobre a cabeça de seu próprio povo uma chuva de fogo. Terão como consequência um resultado ainda mais trágico do que a derrota sofrida em meados do século passado.

A tragédia dos reacionários japoneses reside no fato de estarem tão tomados pelo fervor da nova agressão que não percebem isso.

Kim Su Jin

Rodong Sinmun

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