O Ocidente, que se gaba de sua “riqueza material” e de sua “civilização”, afunda-se cada vez mais no turbilhão da divisão social.
Problemas como a discriminação racial e étnica já existiam há muito tempo no Ocidente, mas novas questões espinhosas, incluindo a imigração, vieram à tona, agravando ainda mais a divisão social e intensificando os conflitos entre as pessoas.
Há pouco tempo, três pessoas foram mortas a tiros diante de um centro em San Diego, no estado da Califórnia, nos Estados Unidos. A polícia local declarou que o caso foi considerado um crime de ódio. Quase ao mesmo tempo, na província de Mersin, na Turquia, um homem abriu fogo em um restaurante e em outros locais, causando a morte de seis pessoas e ferindo outras oito.
Nos países capitalistas ocidentais surgem diariamente indivíduos moralmente deformados e verdadeiras feras humanas impregnadas de um extremo ódio ao próximo.
Por isso, até mesmo políticos ocidentais admitem que o capitalismo sofre de graves enfermidades nos campos político, moral, ideológico e cultural, encontrando-se em crise diante de sérios desafios internos.
A lei da selva, que atua como uma regra constante no Ocidente, é claramente um resultado inevitável de um sistema dominado pelo individualismo e pelo mamonismo, sendo impossível eliminá-la.
Originalmente, o individualismo surgiu no cenário histórico como uma ideologia da classe dominante, incapaz de sobreviver sem explorar os outros, sendo um produto do antigo sistema baseado na propriedade privada. Esse individualismo inevitavelmente divide a sociedade em classes antagônicas e intensifica os conflitos e as desigualdades.
Nos países capitalistas ocidentais, sociedades marcadas pelo individualismo extremo, ensina-se abertamente que, para satisfazer os próprios interesses, não se deve hesitar diante de quaisquer meios ou métodos, transformando as pessoas em seres extremamente egoístas.
Para que os seres humanos sobrevivam e se desenvolvam, é necessário que existam relações de cooperação baseadas na confiança e na ajuda mútua. Contudo, no mundo ocidental, sacrificar os outros para desfrutar do conforto próprio e preocupar-se apenas com os próprios interesses tornou-se algo legal e cotidiano. A satisfação dos desejos individuais é considerada a própria verdade.
As pessoas colocam os interesses individuais acima dos interesses sociais, e isso determina e domina as relações sociais. Nem sequer imaginam virtudes elevadas baseadas no senso de dever, responsabilidade ou consciência para com a sociedade. Como resultado, entre as pessoas predominam apenas a desconfiança, a hostilidade, o ódio e o antagonismo.
Em um livro didático universitário do Ocidente há a seguinte passagem:
“O objetivo do sucesso é, sem qualquer discussão possível, o poder, a riqueza e a glória. A forma de trilhar esse caminho e de colher seus frutos depende das capacidades potenciais de cada indivíduo. A base dessas capacidades potenciais é a consciência de sobrevivência segundo a qual ‘eu só vivo se esmagar você’.”
Essa é precisamente a concepção difundida na mentalidade das pessoas no mundo ocidental. O capitalismo é uma sociedade onde se acredita que só é possível sobreviver esmagando os outros. Por isso, no Ocidente, a máxima “o homem é o lobo do homem” tornou-se uma espécie de princípio natural de sobrevivência, marcado pelo ódio humano e pela lei da selva.
As pessoas carregam armas livremente e realizam verdadeiras caçadas humanas. Quando acreditam que seus interesses foram prejudicados ou simplesmente se sentem contrariadas, recorrem sem hesitação aos disparos.
Nos Estados Unidos, os crimes cometidos com armas de fogo ocorrem sem cessar, produzindo todos os anos dezenas de milhares de mortos e feridos.
Certa vez, uma emissora de televisão da Romênia divulgou uma pesquisa comparando o número de mortos dos Estados Unidos em períodos de guerra e de paz. Segundo o levantamento, embora cerca de 1,2 milhão de estadunidenses tenham morrido em guerras registradas na história do país, como a Guerra Civil, a Guerra Hispano-Americana e as duas guerras mundiais, o número de mortos por crimes com armas de fogo em tempos de paz supera amplamente esse total.
Não é por acaso que uma publicação estadunidense afirmou:
“Os estadunidenses vivem seus dias em meio à ansiedade e ao medo, como se estivessem em uma escuridão medieval, competindo para matar uns aos outros; isso é verdadeiramente lamentável.”
O mamonismo, o culto ao dinheiro, disseminado nos países capitalistas ocidentais é a principal causa da propagação da lei da selva em toda a sociedade.
O Ocidente é uma sociedade onde o dinheiro domina tudo. O dinheiro decide tudo e determina a posição social, a dignidade e o valor das pessoas. As relações humanas transformaram-se em relações monetárias frias, e sentimentos humanos como o amor e o afeto são tratados como meros subprodutos da sociedade. O destino das pessoas é manipulado pelo dinheiro.
“Tudo pelo dinheiro!”
Essa é a filosofia de vida da sociedade capitalista. Tal culto ao dinheiro gera graves males sociais.
Um órgão de imprensa europeu afirmou que, no mundo ocidental, a percepção de que o dinheiro é a única medida da atividade humana se aprofunda cada vez mais, dando origem à corrupção, à economia clandestina e à degradação da política, acrescentando:
“A febre do ouro, em sua forma mais agressiva e descarada, atormenta o Estado, a sociedade e a família, acelerando fenômenos negativos e provocando a criminalização de todos os aspectos da vida humana, desde a administração pública até as relações familiares.”
O mamonismo destrói brutalmente a moral e a ética das pessoas. Pelo dinheiro, não se hesita diante de qualquer ato.
No passado, um escritor inglês afirmou que “a espada mata o corpo humano, mas o dinheiro mata o espírito humano” e que “o ouro matou mais pessoas do que o ferro”, expressando de forma figurada os crimes cometidos em nome do dinheiro.
O sistema de propriedade privada do capitalismo ocidental é a origem da competição selvagem pela sobrevivência.
Numa sociedade baseada na propriedade privada e no individualismo, as pessoas inevitavelmente recorrem a quaisquer meios para aumentar sua riqueza pessoal. Como consequência, desenvolve-se uma feroz competição baseada na lei da selva.
A história já demonstrou que a propriedade privada é um sistema antipopular e reacionário.
Desde o final da década de 1980, os imperialistas e outras forças reacionárias passaram a exaltar a “superioridade” da propriedade privada e a pressionar os países socialistas para que abandonassem a propriedade social e restaurassem a propriedade privada. A chamada “superioridade” que propagavam nada mais era do que a intensificação da penetração do capital, tanto em seus próprios países quanto nos países que abandonaram o socialismo, visando acumular ainda mais riqueza através da competição baseada na lei da selva.
A competição fundada na propriedade privada inevitavelmente gera exploração e opressão, reduzindo os trabalhadores à condição de escravos do capital.
Hoje, nos países ocidentais, a desigualdade entre ricos e pobres aumenta sem limites. Isso demonstra o quanto a competição pela sobrevivência se tornou intensa.
Os monopólios utilizam todos os meios possíveis para obter lucros maiores, intensificando a exploração. Chegam até mesmo a sacrificar a classe média, que anteriormente constituía sua base de apoio.
Muitas pessoas que pertenciam à classe média nos países capitalistas estão caindo continuamente na pobreza e no desemprego.
Milhões de trabalhadores, transformados em vítimas e derrotados dessa competição pela sobrevivência, levantam-se em protestos exigindo a garantia do direito à existência e denunciando a exploração do capital. Nos países ocidentais, ocorrem diariamente manifestações de trabalhadores de diversos setores contra a crescente exploração dos monopólios e contra as políticas governamentais que os favorecem.
A classe capitalista reprime violentamente esses protestos. Os governos ocidentais utilizam diversos aparelhos repressivos para sufocar as lutas legítimas dos trabalhadores, ao mesmo tempo em que estimulam os abusos dos grandes grupos monopolistas.
Como consequência, as contradições de classe e os antagonismos sociais no capitalismo tornam-se cada vez mais profundos a cada ano.

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