terça-feira, 9 de junho de 2026

Membro ou militante, ativista ou entusiasta?

Nos países capitalistas, a filiação partidária converteu-se há muito tempo em uma caricatura da atividade política. Milhões carregam uma carteira de membro sem jamais participar da luta, da educação ideológica ou da mobilização popular, limitando-se ao papel passivo de eleitores ocasionais. Em nítido contraste, na República Popular Democrática da Coreia, pertencer ao Partido do Trabalho da Coreia não é uma formalidade burocrática, mas uma responsabilidade revolucionária permanente. O militante deve demonstrar na prática sua devoção à causa socialista, assumindo sacrifícios, tarefas difíceis e obrigações políticas concretas em favor do Partido, da revolução e do povo.

O conceito de "Tangwon" (당원), frequentemente traduzido como “membro do partido”, possui um conteúdo político muito mais profundo do que qualquer definição encontrada nas democracias burguesas. Na realidade coreana, "Tangwon" significa essencialmente militante revolucionário. Não existe espaço para o parasitismo político, para a passividade ou para a participação meramente nominal. O "Tangwon" deve estar na linha de frente do trabalho produtivo, da educação ideológica e da implementação das políticas do Partido, transformando cada local de trabalho e cada comunidade em uma fortaleza da construção socialista.

Dentro dessa ampla base militante destacam-se os "Yolsongja" (열성자), os ativistas exemplares que personificam o ardor revolucionário. São homens e mulheres que se distinguem pelo entusiasmo inabalável, pela dedicação extrema e pela disposição de assumir as tarefas mais difíceis quando a Pátria e o Partido assim exigem. Os "Yolsongja" constituem a vanguarda da vanguarda, servindo como modelos vivos para seus camaradas e demonstrando, através de ações concretas, o significado genuíno da fidelidade revolucionária.

A ascensão a responsabilidades mais elevadas não significa afastamento das massas populares. Pelo contrário, quanto maior o cargo, maior a obrigação revolucionária de aplicar a Linha de Massas. Os dirigentes devem realizar orientações de campo, visitar fábricas, cooperativas agrícolas, escolas e canteiros de construção, compartilhar as dificuldades do povo trabalhador e escutar diretamente suas opiniões. A autoridade revolucionária não nasce do gabinete, mas da ligação orgânica com as massas e da capacidade de guiá-las na prática da construção socialista.

Dessa base militante emergem dois importantes pilares da liderança revolucionária: os "Kanbu (간부), ou quadros, e os "Ilgun" (일군), ou funcionários. Ambos são produtos da vida partidista e da experiência acumulada junto ao povo. Embora possuam funções distintas, compartilham uma missão comum: defender a direção do Partido, fortalecer a unidade entre o Partido e as massas e impulsionar a revolução e a construção socialista em todas as esferas da sociedade.

Os quadros carregam o peso da alta responsabilidade política e organizacional. Deles exige-se disciplina exemplar, lealdade institucional inabalável e capacidade de conduzir corretamente os coletivos sob sua direção. A retórica revolucionária enfatiza constantemente a necessidade de fortalecer sua formação política e ideológica para eliminar qualquer vestígio de burocratismo, autoritarismo ou privilégios. O verdadeiro quadro não se considera superior ao povo, mas seu mais consciente servidor político.

Os funcionários, por sua vez, são avaliados sobretudo por sua atitude prática e por seus resultados concretos. O ideal revolucionário exalta o funcionário que trabalha lado a lado com os operários, camponeses e intelectuais, que conhece profundamente as condições reais do trabalho e que executa as tarefas recebidas com precisão e espírito de abnegação. Por essa razão, o funcionário exemplar é frequentemente descrito como o verdadeiro “servidor do povo”, alguém que transforma a confiança das massas em realizações tangíveis para o fortalecimento do socialismo.

Uma característica marcante da vida partidista na RPDC é a severidade da autocrítica revolucionária. Quando o Partido combate o chamado "oportunismo de quadros" ou "burocratismo de quadros" (간부주의 ), não está atacando a liderança em si, mas sim os desvios que ameaçam sua natureza revolucionária. O autoritarismo, a corrupção, o abuso de poder, o distanciamento das massas e a busca de privilégios pessoais são denunciados como comportamentos incompatíveis com a honra de um quadro revolucionário e contrários ao princípio fundamental de servir ao povo.

Da mesma forma, as críticas dirigidas aos funcionários concentram-se na luta contra a incompetência, a passividade e o formalismo burocrático. O Partido exige que os funcionários apresentem resultados reais e não apenas relatórios ou declarações vazias. Toda manifestação de negligência, acomodação ou incapacidade de resolver os problemas concretos das massas é considerada um obstáculo à construção econômica socialista e deve ser corrigida mediante educação ideológica, disciplina organizacional e esforço redobrado.

É precisamente essa engrenagem de elevadas exigências políticas, ideológicas e práticas que diferencia o Partido do Trabalho da Coreia dos partidos burgueses do Ocidente. Enquanto estes frequentemente toleram a passividade e o oportunismo, o sistema partidário do partido dirigente da RPDC exige militância ativa, vigilância ideológica permanente, profunda fusão com as massas populares e dedicação integral à causa socialista. A legitimidade da liderança revolucionária não é medida por discursos ou títulos, mas pela capacidade de servir ao povo, defender a revolução e materializar, na prática, os ideais do socialismo.

Lenan Menezes da Cunha

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