terça-feira, 9 de junho de 2026

A Terra aquece sob ondas de calor precoces

No ano passado, a Organização Mundial da Saúde informou em um relatório que o número anual de mortes causadas por ondas de calor em todo o mundo chega, em média, a 546 mil, representando um aumento de 23% em comparação com a década de 1990.

Somente durante o verão do ano passado, formou-se uma “cúpula de calor” sobre os países da Península Balcânica, elevando as temperaturas em cerca de 10°C acima da média.

Como resultado dos fenômenos de calor extremo que vêm ocorrendo continuamente ao longo do ano em muitos países e regiões, cerca de 2.300 pessoas morreram em apenas dez dias em 12 grandes cidades da Europa Ocidental, incluindo Barcelona, Madri e Londres.

Prevê-se que a situação deste ano seja ainda mais severa, pois ondas de calor precoces estão atingindo diversas partes do planeta.

Recentemente, 37 pessoas morreram devido à persistência de uma onda de calor nos estados indianos de Andhra Pradesh e Telangana. Das 25 regiões mais quentes do mundo registradas no período, várias estavam localizadas na Índia, onde as temperaturas chegaram a atingir 47°C em algumas áreas. Foram emitidos alertas de calor, e idosos, gestantes, crianças e pessoas com doenças crônicas receberam recomendações para evitar sair de casa.

Em 27 de maio, a cidade de Mora, no sul de Portugal, registrou 40,3°C, superando os recordes de temperatura máxima para o mês de maio estabelecidos em 1953 e 2001. Prevê-se que as temperaturas também aumentem rapidamente nas regiões interiores do norte e do centro do país.

No mesmo dia, o governo italiano emitiu alertas vermelhos, o mais alto nível de alerta, para quatro cidades, incluindo Roma e Bolonha, devido à contínua elevação das temperaturas causada pela onda de calor precoce. O governo advertiu que os moradores, especialmente idosos, crianças e enfermos, poderiam sofrer danos à saúde em decorrência do calor extremo.

No Reino Unido, em 26 de maio, a temperatura ultrapassou os 35°C, mais de 2°C acima do recorde histórico para o mês de maio. Especialistas classificaram o fenômeno como algo extraordinariamente incomum.

A França também vem sofrendo com a onda de calor que chegou mais cedo do que o habitual.

Segundo informações disponíveis, a causa direta desta onda de calor é o fenômeno conhecido como “cúpula de calor”, no qual uma área de alta pressão permanece estacionária, aprisionando massas de ar quente.

Dados indicam que, nos últimos 30 anos, a temperatura na Europa aumentou em média 0,56°C por década, mais do que o dobro da média global.

Um especialista em meteorologia afirmou que a intensidade crescente das ondas de calor está relacionada ao fato de o planeta já ter atingido um elevado nível de aquecimento global, acrescentando que esta onda de calor recorde parece ter chegado de forma muito mais intensa e rápida do que o previsto.

Não é apenas a Europa que sofre com esse fenômeno; praticamente todo o mundo está sendo afetado. Em Déli, na Índia, a temperatura alcançou 45°C. Cerca de 30% das estações meteorológicas dos Estados Unidos registraram novos recordes anuais de temperatura máxima.

Em diversas regiões do mundo, muitas pessoas, especialmente idosos e indivíduos vulneráveis, estão morrendo em consequência das ondas de calor.

De acordo com uma análise da situação da mortalidade em 854 cidades europeias, mais de 175 mil pessoas morrem anualmente devido ao calor excessivo.

Estima-se que, por volta de 2050, cerca de metade da população europeia possa estar exposta, durante o verão, a riscos elevados ou muito elevados de estresse térmico.

O Comitê de Mudanças Climáticas do Reino Unido, órgão consultivo independente do governo britânico, advertiu que as ondas de calor cada vez mais intensas, bem como as inundações e secas, estão ameaçando o modo de vida da população. Segundo o comitê, até meados deste século mais de 90% das residências atualmente existentes poderão ser afetadas por ondas de calor ainda mais severas. Também previu que os verões mais quentes e secos, aliados ao crescimento populacional, poderão provocar na Inglaterra um déficit diário de abastecimento de água superior a 5 bilhões de litros.

Especialistas de vários países afirmam que, no futuro, fenômenos climáticos extremos e desastres naturais, como as ondas de calor, poderão ocorrer com maior frequência em qualquer lugar e a qualquer momento. Por isso, defendem a adoção urgente de medidas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Rodong Sinmun

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