Nos países capitalistas, para a esmagadora maioria das pessoas pobres, morar em uma casa própria é um sonho ilusório que jamais poderá ser realizado. Isso porque, quando já é difícil até mesmo manter a própria subsistência, os preços das moradias continuam subindo.
Recentemente, nos Estados Unidos, o preço médio das moradias ultrapassou pela primeira vez na história os 400 mil dólares. Nas grandes cidades litorâneas, esse valor supera 1 milhão de dólares. Em Nova Iorque, o preço mediano de uma moradia varia entre 770 mil e 1,31 milhão de dólares, sendo de cerca de 1,3 milhão de dólares em Manhattan. Em Los Angeles, varia entre 1,1 milhão e 1,2 milhão de dólares. Em Seattle, o preço médio de uma casa independente situa-se entre aproximadamente 795 mil e 1.037.500 dólares.
Após mais de 70 anos de aumentos contínuos, os preços das moradias chegaram atualmente a um nível em que a esmagadora maioria das pessoas sequer consegue cogitar comprar uma única casa pequena e precária.
Os preços atuais das moradias são quatro vezes maiores do que os de 1950. Em grandes cidades como San Francisco e Nova Iorque, tanto os preços das moradias quanto os aluguéis registram uma taxa média anual de crescimento de 2,5%.
Também há uma enorme disparidade racial na questão habitacional. Apenas em San Francisco, por exemplo, os afro-americanos representam apenas 6% da população da cidade, mas correspondem a 34% da população em situação de rua.
Segundo os resultados de uma pesquisa de opinião publicada no fim do ano passado no site da revista estadunidense Politico, cerca de metade dos entrevistados lamentou estar sob grande pressão devido às despesas com alimentos, contas de água e eletricidade, atendimento médico, moradia e transporte.
Nos demais países ocidentais, a situação não é diferente.
Segundo dados divulgados pela União Europeia no fim do ano passado, nos últimos dez anos os preços das moradias nos países europeus aumentaram mais de 60%, enquanto os aluguéis subiram mais de 20%. Em março deste ano, o Instituto Nacional de Estatística de Portugal informou que os preços das moradias atingiram em 2025 o nível mais alto da história, representando um aumento de 8,5% em relação a 2024.
No passado, a União Europeia, ao contrário do que fazia com temas como agricultura, imigração e comércio, não tratava oficialmente da questão habitacional. Entretanto, à medida que os preços das moradias continuaram disparando, passou a sofrer pressão para agir. Assim, apresentou uma série de medidas, como a simplificação dos procedimentos administrativos relacionados à construção de moradias, o incentivo aos investimentos e a flexibilização das normas sobre subsídios estatais, mas com poucos resultados. Para aliviar relativamente a crise habitacional na Europa, seria necessário construir anualmente 2 milhões de moradias, mas essa perspectiva é extremamente sombria, pois a construção habitacional tornou-se inteiramente um meio de enriquecimento.
Também na região metropolitana do Japão os preços das moradias continuam aumentando. Segundo dados divulgados recentemente pelo Instituto de Pesquisa da Economia Imobiliária do país, o preço médio dos apartamentos recém-construídos na região de Tóquio atingiu, em maio, 162.860.000 ienes, um aumento de 15,9% em comparação com o mesmo mês do ano passado.
Está aumentando o número de pessoas que, por não conseguirem adquirir uma casa, vivem de aluguel em locais que sequer dispõem de instalações básicas de bem-estar. Aqueles que nem mesmo isso conseguem vivem em barracos feitos de lonas plásticas ou caixas de papelão, ou passam os dias no metrô, em porões ou nas ruas.
Nos países capitalistas, para um trabalhador comum adquirir uma casa digna, nem mesmo bastaria passar décadas destinando todo o dinheiro ganho, sem comer nem vestir-se.
Enquanto um pequeno número de ricos constrói mansões e casas de campo luxuosas por toda parte e ostenta sua riqueza, a esmagadora maioria dos trabalhadores apenas lamenta, sem sequer ousar sonhar com uma casa própria, diante dos preços das moradias que sobem sem parar. A disseminação do fenômeno de jovens desistirem do casamento também se deve justamente ao problema da moradia.
A explosão dos preços das moradias e dos aluguéis está provocando uma grave crise social. Em toda parte, os protestos não cessam.
As forças de extrema-direita fazem propaganda como se a causa da crise habitacional estivesse nos imigrantes, intensificando o confronto entre imigrantes e forças anti-imigração.
Por mais que os políticos burgueses exaltem até perder a voz a "prosperidade" e a "civilização" da sociedade capitalista, jamais conseguirão ocultar seu caráter antipopular. O problema habitacional, que nunca encontrará solução, é sua projeção mais evidente.
Ho Yong Min

Nenhum comentário:
Postar um comentário