segunda-feira, 15 de junho de 2026

Fortalecimento temerário das capacidades de ataque preventivo

Sempre que se elevam as vozes da comunidade internacional condenando o ressurgimento do militarismo, as autoridades japonesas justificam suas ações militares alegando que elas têm unicamente fins defensivos.

Recentemente, voltaram a discursar longamente afirmando que o Japão respeita a Carta das Nações Unidas e o direito internacional e que se esforça pela paz e pela segurança.

Entretanto, suas ações reais são completamente diferentes daquilo que propagandeiam.

No dia 7, as Forças Terrestres de “Autodefesa” do Japão realizaram um exercício combinado de fogo real no campo de treinamento Higashi-Fuji, na prefeitura de Shizuoka. Com a mobilização de numerosos efetivos das “Forças de Autodefesa”, bem como de diversos tipos de artilharia, tanques e outros equipamentos, foi conduzido de forma frenética um exercício militar que simulava a retomada de ilhas remotas.

Sob o pretexto de instruir os integrantes das “Forças de Autodefesa”, o Japão realiza desde 1961 exercícios combinados de fogo real todos os anos, mobilizando vastos contingentes de tropas e equipamentos e disparando munição real para fomentar o fervor pela nova agressão. O exercício deste ano pode ser considerado o maior da história em termos do número de efetivos mobilizados e da quantidade de munição consumida.

Exercícios que simulam operações reais, como retomadas de ilhas e desembarques, constituem, na prática, uma espécie de guerra experimental destinada a completar as capacidades de nova agressão.

A gravidade da questão não se limita a isso.

O que não pode passar despercebido é que, durante o exercício, foi realizado treinamento para o domínio da chamada “capacidade de contra-ataque”. Foram empregados mísseis de longo alcance e projéteis planadores hipersônicos, propagandeados como meios fundamentais dessa capacidade, além da mobilização de diversos tipos de drones, espalhando forte odor de pólvora.

É fato amplamente conhecido que a chamada capacidade de contra-ataque mencionada pelo Japão é, em essência, uma capacidade de ataque preventivo contra o adversário.

As autoridades japonesas inicialmente proclamaram que pretendiam possuir capacidade de ataque a bases inimigas, mas, quando a atenção interna e externa se concentrou sobre a questão, mudaram rapidamente a denominação para “capacidade de contra-ataque”. Contudo, a simples mudança de nome apenas evidencia ainda mais claramente o caráter enganoso dessa retórica.

Já em 2022, o Japão incluiu a posse da capacidade de contra-ataque em três documentos militares, entre eles a Estratégia de Segurança Nacional. Mísseis de longo alcance e projéteis planadores hipersônicos foram posicionados avançadamente em bases militares de Okinawa e de outras regiões, enquanto se planeja ampliar significativamente seus estoques ao longo da próxima década. No ano passado, foi criado um Comando Operacional Integrado, estabelecendo-se também um sistema que permite a utilização eficaz de mísseis de longo alcance em situações reais de combate. Como etapa seguinte, o Japão ingressou em um processo destinado a aperfeiçoar, em condições semelhantes às de guerra, sua capacidade de ataque preventivo contra os países vizinhos. Já no ano passado, durante os exercícios combinados de fogo real, as Forças Terrestres de “Autodefesa” realizaram simultaneamente uma exposição de armamentos e equipamentos, apresentando publicamente o lançador da versão modernizada do míssil antinavio terrestre Tipo 12. Na época, os meios de comunicação relataram que esse equipamento fazia parte da chamada capacidade de contra-ataque. Isso pode ser considerado uma preparação prévia do ambiente para ingressar no processo de aperfeiçoamento das capacidades de ataque preventivo.

Desta vez, o Japão foi além e passou à etapa prática, fazendo participar diretamente dos exercícios armamentos típicos de ataque preventivo, como os mísseis de longo alcance.

O fato das Forças Terrestres de “Autodefesa” estarem intensificando seriamente seus movimentos para aperfeiçoar capacidades de ataque preventivo deve ser visto como resultado direto das cada vez mais abertas manobras de militarização promovidas pelas autoridades japonesas.

Atualmente, as autoridades japonesas aceleram mais do que nunca suas iniciativas para revisar a Constituição e, ao mesmo tempo, procuram alterar as denominações hierárquicas dos oficiais das “Forças de Autodefesa”, aproximando-as das utilizadas pelo antigo exército imperial. Enquanto aumentam continuamente os gastos militares, pretendem ainda revisar novamente os três principais documentos militares. Isso demonstra que o atual gabinete de Sanae Takaichi concentra todos os esforços em transformar rapidamente o Japão em um autêntico Estado de guerra. Nesse contexto, o fato das Forças Terrestres de “Autodefesa” terem realizado exercícios combinados de fogo real e treinamento para o domínio da capacidade de contra-ataque indica que as autoridades japonesas estão impacientes por não conseguirem fazer ecoar os canhões da nova agressão.

O Japão já havia registrado em seu Livro Branco de Defesa que países vizinhos, incluindo o nosso Estado, constituem uma “ameaça iminente” e o “maior desafio estratégico sem precedentes”. Isso indica claramente qual é o principal alvo de um eventual ataque preventivo e o objetivo central de suas manobras de nova agressão.

Preso às ilusões do passado, incapaz de compreender a nova correlação de forças e entregue freneticamente a perigosas provocações militares, o Japão vem despertando a justa vigilância e a oposição da comunidade internacional.

Un Jong Chol

Rodong Sinmun

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