quarta-feira, 22 de julho de 2026

Tarefas dos jovens na construção de uma Coreia democrática

Discurso proferido pelo camarada Kim Il Sung em uma conferência conjunta dos chefes das seções de trabalho juvenil dos comitês provinciais do Partido e dos presidentes dos comitês provinciais da União da Juventude Democrática

30 de maio de 1946

Na Coreia do Norte foi formado o Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte, verdadeiro Poder popular, e foi realizada a histórica reforma agrária.

Hoje, coloca-se diante do povo coreano a tarefa de edificar um Estado democrático, completamente independente, livre de toda dominação imperialista, assim como erradicar os resquícios do imperialismo japonês.

Esta é a tarefa de maior importância que hoje incumbe ao povo coreano.

Para levá-la a cabo, devemos, antes de tudo, consolidar a vitória da reforma agrária e continuar ampliando e fortalecendo as forças democráticas. Nossa juventude tem nisso uma responsabilidade muito grande. Ela é a força de choque na construção de uma Coreia democrática e a dona do futuro da Coreia. A realização da grande tarefa da construção de um Estado democrático e independente depende, em grande medida, da luta consciente da juventude.

Depois de 15 de Agosto, dia da libertação, nosso movimento juvenil experimentou um grande desenvolvimento. A União da Juventude Democrática reuniu mais de 800 mil membros sob a bandeira da democracia e realizou uma brilhante façanha na luta pela construção de uma nova pátria.

Entretanto, também existem sérias deficiências no trabalho da UJD. Devemos conhecê-las com clareza e corrigi-las a tempo. Lenin disse que não devia-se vangloriar da vitória, mas avançar sem descanso corrigindo erros e debilidades. Tenhamos sempre presentes essas palavras de Lenin.

Devido à dominação colonial do imperialismo japonês e à educação escravista que ele impôs aos jovens coreanos, permanecem em suas mentes muitos vestígios ideológicos desse imperialismo. Por isso, erradicar os resquícios das ideias antidemocráticas da mente dos jovens e formá-los na ideologia democrática deve ser o trabalho mais importante da UJD.

A UJD reuniu em suas fileiras mais de 800 mil membros, mas ainda não os forma nem os instrui devidamente. Esta é uma grande deficiência de seu trabalho. Deve estabelecer como tarefa central intensificar a educação política dos quadros e dos membros, com o objetivo de consolidar qualitativamente suas fileiras.

Vou me referir a algumas tarefas concretas que se apresentam no trabalho da Juventude.

Primeiro: ampliar e fortalecer as fileiras de quadros da União da Juventude Democrática. O fato de exigirmos o fortalecimento das fileiras de quadros nas organizações da UJD em todos os níveis não significa, de forma alguma, expulsar os quadros menos capacitados. Devem compreender que esse objetivo só pode ser alcançado quando, antes de tudo, forem bem educados os quadros que já estão em atividade. Além disso, é necessário promover com audácia jovens promissores para fortalecer as fileiras de quadros.

Segundo: as organizações da UJD em todos os níveis devem intensificar a educação política de seus membros. Dessa maneira, é preciso alcançar a unidade ideológica, fortalecer a coesão e fazê-los participar ativamente das diversas tarefas políticas e econômicas. Será necessário orientar os membros da UJD a participar ativamente do trabalho de agitação entre as massas, da luta de contraespionagem e de campanhas como as de semeadura, capina, aumento da produção agrícola etc., a fim de elevar sua consciência política por meio da luta prática.

Terceiro: os membros da União devem empenhar-se com entusiasmo na defesa dos bens do Estado e dos órgãos estatais e das organizações sociais. Nestes dias, elementos subversivos enviados pela camarilha de Ri Sung Man incendiaram e reduziram a cinzas uma grande serraria em Manpho e provocaram vários incêndios na Fábrica de Fertilizantes de Hungnam. Com frequência registram-se casos de negligência em relação aos bens do Estado, causando muitas perdas.

Os jovens que ainda não conseguiram libertar-se completamente dos resíduos ideológicos do imperialismo japonês não valorizam devidamente os bens do Estado e do povo. Precisamos inculcar nos jovens a ideia de cuidar e valorizar as riquezas do Estado, os órgãos estatais e as organizações sociais, utilizando para esse fim filmes, teatro, jornais murais e palavras de ordem, bem como organizar grupos de proteção dos bens do Estado para resguardar as ferrovias, pontes, estradas e fábricas contra os atos subversivos dos reacionários.

Quarto: é preciso ampliar a rede de propaganda da UJD e organizar um sistema de propaganda a cargo de seus membros. Todas as comunas rurais, fábricas e escolas necessitam de propagandistas da UJD.

Eles explicarão constantemente às massas as notícias do momento e conversarão com elas. Para isso, é muito importante possuir um estilo de trabalho de massas. Devem realizar propaganda escrita ou oral acessível às massas. Não se devem empregar, indiscriminadamente, palavras difíceis para elas. Há propagandistas que andam com caderninhos cheios de palavras difíceis e fazem discursos incompreensíveis para os ouvintes; isso é uma atitude de desprezo para com as massas.

No campo, é bom trabalhar durante o dia com os camponeses e fazer propaganda nos próprios arrozais ou campos de cultivo, aproveitando os momentos de descanso. Assim, os camponeses confiarão nos propagandistas e os receberão com satisfação. Mas ninguém dará atenção àqueles que passam o dia passeando pela aldeia enquanto todos os camponeses estão nos arrozais e nos campos e, à noite, quando eles já estão cansados, os reúnem para fazer propaganda.

Nossos propagandistas da UJD devem dizer o essencial, ainda que pronunciem apenas uma palavra, e não se transformar em "oradores" de frases vazias. Por isso, precisam estudar sem descanso para elevar seu nível teórico e saber analisar correta e cientificamente a realidade da Coreia.

Quinto: as organizações da UJD devem lutar ativamente, ajudando os órgãos de Segurança e os comitês populares a descobrir e aniquilar todos os espiões e bandos de assassinos e incendiários enviados pelos reacionários sul-coreanos. A luta de contraespionagem é um dever não apenas dos órgãos de Segurança e administrativos, mas também de todo o povo e, em especial, dos jovens. Por isso, os membros da UJD devem estar sempre vigilantes diante de tudo o que possa acontecer.

Sexto: é preciso trabalhar energicamente com os estudantes. Registraram-se casos em que certos estudantes, embora em pequeno número, participaram de atividades reacionárias contra a linha política do Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte e contra a reforma agrária. Isso demonstra claramente que nosso ensino democrático ainda não penetrou profundamente entre os estudantes e que na mente de alguns ainda subsistem influências nocivas do ensino escravista do imperialismo japonês.

No passado, a União da Juventude Democrática cometeu muitos erros em seu trabalho com os estudantes. Com frequência interrompia as aulas e reunia os estudantes para lhes fazer discursos de duas ou três horas. Isso jamais deverá voltar a acontecer. A UJD não deve ocupar-se de conversas supérfluas, mas dirigir todas as suas energias aos trabalhos mais essenciais.

Pensar que todos os estudantes são maus seria um grande erro. Quase todos são progressistas e apoiam nossa linha; apenas um pequeno número de mal-intencionados é reacionário. Portanto, não tratem todos os estudantes da mesma maneira. É imprescindível conhecê-los individualmente, orientá-los e educá-los, utilizando diversos métodos conforme a origem social de cada estudante. É preciso orientar os jovens estudantes a estudar profundamente a Lei da Reforma Agrária e a Plataforma de 20 Pontos, prestar ajuda ativa para estabelecer um governo democrático e preparar-se para ser amanhã pessoas úteis em todas as esferas da política, da economia e da cultura.

Sétimo: realizar, em ampla escala, o trabalho com as jovens. As integrantes da UJD devem ajudar a União das Mulheres em seu trabalho e participar da alfabetização das mulheres. A igualdade entre o homem e a mulher deve realizar-se, antes de tudo, dentro da União da Juventude Democrática. Em particular, a UJD deve concentrar seus esforços na formação de quadros femininos. Ainda que tenham capacidade limitada, deve promover com audácia as jovens para os órgãos da UJD em todos os níveis, para que desenvolvam sua iniciativa.

Oitavo: uma das tarefas mais importantes da UJD é fazer com que nossas crianças sejam excelentes pessoas no futuro, educando-as e formando-as bem, tanto espiritual quanto fisicamente.

A UJD deve assumir a responsabilidade pelo trabalho organizativo da União das Crianças e dirigi-la sempre com atenção. As organizações da UJD devem designar jovens capacitados para organizar estudos, esportes, jogos e outras atividades que mais agradem às crianças, bem como para conversar com elas.

Nono: a UJD deve fortalecer a solidariedade com as demais organizações de massas.

Atualmente, em algumas regiões existem divergências entre funcionários da UJD, da União das Mulheres, dos sindicatos e das associações camponesas. Apesar de suas diferentes características, tanto a UJD quanto as demais organizações sociais são organizações de massas, coletivos sociais que lutam juntas pela independência de nosso país e pela vitória da democracia. Enquanto essas organizações sociais não se unirem firmemente nem se ajudarem mutuamente, será impossível lutar sem reveses pela independência do país e pela democracia. Por isso, os quadros e os membros da UJD devem fazer todos os esforços possíveis para melhorar as relações e unir-se solidamente às demais organizações sociais.

Talvez vocês encontrem muitas dificuldades em seu trabalho. Os quadros da juventude devem ser combatentes revolucionários capazes de superar audaciosamente qualquer dificuldade, mantendo sempre uma firme confiança na vitória. Um excelente quadro a serviço do povo só pode formar-se e aperfeiçoar-se na luta contra as adversidades.

Para terminar, gostaria de reiterar mais uma vez que vocês devem ser verdadeiros amigos das massas: estar sempre entre elas, respirar o mesmo ar que elas respiram, trabalhar com elas e ajudá-las, aprender com elas e saber resolver os problemas de que padecem as massas.

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