Informe do camarada Kim Il Sung na Conferência de Ativistas dos Partidos Políticos e Organizações Sociais sob a direção da Frente Unida Nacional Democrática da Coreia do Norte
14 de junho de 1947
Cidadãos;
Queridos camaradas:
Nosso povo, com grandes esperanças e profundo interesse, acompanha atentamente o trabalho da Comissão Conjunta URSS-EUA. Isso é algo muito natural.
A decisão da Conferência de Moscou dos Ministros das Relações Exteriores dos Três Países sobre a Coreia corresponde aos interesses nacionais do povo coreano, razão pela qual contou com seu ardente apoio e acolhimento. No entanto, a resolução desta Conferência sobre o estabelecimento do governo provisório da Coreia ainda não se tornou realidade. Por isso, nosso povo, desejoso de que tal resolução seja posta em prática o quanto antes, saúda calorosamente a sessão da Comissão Conjunta URSS-EUA, que foi recentemente retomada, depositando nela grandes esperanças.
Saudamos o fato de que os delegados de ambos os países, a União Soviética e os Estados Unidos, tenham chegado, em princípio, a um acordo sobre os regulamentos a serem discutidos com diversos partidos políticos e organizações sociais para constituir na Coreia um governo democrático provisório.
Em nossa imprensa foi publicado o questionário sobre os princípios de composição do governo democrático provisório da Coreia e outro referente à plataforma e às políticas que tal governo aplicará, aprovados pela Comissão Conjunta URSS-EUA. Agora, vou me referir sucintamente às questões apresentadas nesses questionários.
Como todos sabem, nossa Coreia não é de modo algum um país pequeno, nem em quantidade de habitantes nem em extensão territorial.
A Coreia possui abundantes recursos subterrâneos, como carvão, ferro, zinco, molibdênio, níquel, etc.
Os coreanos são uma excelente nação, com uma história milenar e brilhantes tradições culturais.
Mas, após a ocupação pelos imperialistas japoneses, nossa nação mergulhou numa penosa situação de nação colonial, submetida a uma cruel opressão e a uma exploração selvagem, ficando para trás no desenvolvimento histórico mundial.
Os imperialistas japoneses transformaram nosso país em sua colônia completamente monopolizada, em sua fonte de fornecimento de matérias-primas e em base logística para a agressão ao continente.
Os imperialistas japoneses saquearam à sua vontade os recursos da Coreia e exploraram brutalmente o povo coreano. Nove décimos dos artigos exportados da Coreia iam para o Japão. Anualmente, expropriavam milhões de toneladas de minério de ferro e centenas de milhares de toneladas de ferro-gusa e aço.
Os imperialistas japoneses monopolizaram todos os ramos da economia de nosso país: a indústria, os transportes, as finanças, as comunicações e outros, extraindo deles abundantes lucros coloniais. Segundo dados oficiais do governo japonês, cerca de 90 por cento do bilhão de wons de capital nominal em ações existentes na Coreia em 1938 estavam nas mãos dos capitalistas japoneses.
Os salteadores colonialistas japoneses desprezavam os coreanos, considerando-os uma "nação inferior", e privaram nosso povo do direito de adquirir conhecimentos gerais e técnicos, procurando mantê-lo na ignorância e na escuridão.
Os imperialistas japoneses tentavam suprimir tudo o que era nacional no povo coreano, "convertê-lo em súditos do Império Japonês" e eliminar nossa cultura nacional.
Os magníficos filhos e filhas da Coreia travaram durante longo tempo uma luta de libertação nacional contra os saqueadores imperialistas japoneses. Somente um punhado de latifundiários feudais, grandes capitalistas e elementos reacionários traidores colaborou com os bandidos colonialistas. Nem a exploração impiedosa, nem os bárbaros genocídios cometidos pelos imperialistas japoneses ao longo de 36 anos puderam destruir o espírito nacional do povo coreano, que ansiava pela liberdade e pela independência, nem sua rica cultura.
A libertação da Coreia da dominação colonial do imperialismo japonês deu início a uma nova época mais gloriosa na história da nação coreana. Diante do povo coreano abriu-se um amplo caminho de livre desenvolvimento democrático e reconstrução da cultura nacional.
Nosso povo celebrará em breve o segundo aniversário de sua libertação da opressão dos saqueadores colonialistas japoneses, que se completará em 15 de agosto.
A mais importante conquista de nosso povo na Coreia do Norte após a libertação é o estabelecimento dos comitês populares, órgãos de poder verdadeiramente democrático. Os comitês populares em todos os níveis, desde os das comunas (ou bairros) e dos condados até o Comitê Popular da Coreia do Norte, eleitos pelo povo de acordo com o sistema eleitoral democrático, por sufrágio universal, igual, direto e secreto, são organismos do autêntico poder popular que representam os interesses de todas as classes e setores, com o apoio da Frente Unida Nacional Democrática.
Na Coreia do Norte, os comitês populares gozam de absoluto prestígio e profunda confiança entre as massas populares. Eles concluíram exitosamente as reformas democráticas em todas as esferas da política, da economia e da cultura e realizaram um trabalho perseverante para consolidá-las.
Na Coreia do Norte, as liberdades democráticas na vida política estão plenamente garantidas. As liberdades de palavra, de imprensa, de reunião e de associação são asseguradas; entrou em vigor o sistema de sufrágio universal, igual, direto e secreto; os órgãos judiciais e fiscais, completamente democratizados, garantem legalmente os interesses do povo.
Como resultado da reforma agrária, no campo desapareceram as relações de exploração feudal; com a nacionalização das empresas industriais e de transporte que pertenciam aos imperialistas japoneses e aos traidores da nação, os principais meios de produção passaram às mãos do povo; graças à promulgação da Lei do Trabalho, foram instituídos a jornada de 8 horas e o sistema de seguro social, libertando-se os operários da cruel exploração colonial. Em virtude da Lei da Igualdade dos Direitos do Homem e da Mulher, as mulheres também puderam participar ativamente, com os mesmos direitos que o homem, na construção da nova Coreia. O sistema de ensino mudou radicalmente, a rede de escolas de todos os níveis, orientadas para o desenvolvimento da cultura nacional e a formação de quadros nacionais, foi amplamente expandida; graças à democratização da saúde pública, os estabelecimentos médicos foram colocados a serviço das amplas massas populares.
Toda a população da Coreia do Norte participou ativamente da realização dessas reformas democráticas. Atualmente, nosso povo se esforça, demonstrando seu elevado entusiasmo patriótico e sua capacidade criativa, para erradicar o quanto antes as nefastas consequências da dominação colonial do imperialismo japonês e construir um Estado democrático, soberano e independente. Isso prova que as massas populares apoiam plenamente todas as reformas democráticas realizadas na Coreia do Norte.
Todas as atividades do Comitê Popular da Coreia do Norte, desde a libertação até os dias de hoje, brilharão para sempre na história da nova Coreia democrática.
Cidadãos:
Na edificação democrática da Coreia do Norte, alcançamos excelentes êxitos e acumulamos valiosas experiências, que têm, de fato, grande significado.
Baseando-me nos êxitos e experiências da construção democrática na Coreia do Norte, que vem contando com o apoio unânime do povo, vou expressar minha opinião sobre os problemas relacionados à composição do governo democrático unificado da Coreia que será estabelecido posteriormente, apresentados nos questionários da Comissão Conjunta URSS-EUA. Alguns problemas de princípio que apresento neste informe já foram discutidos e apoiados no Comitê Central da Frente Unida Nacional Democrática.
Sobre a composição do Governo Democrático Provisório da Coreia e dos órgãos do poder locais e seus princípios
A Coreia deve ser proclamada República Popular Democrática e seu poder em todos os níveis, desde o governo democrático provisório da Coreia até o comitê popular local, deve pertencer inteiramente ao povo.
O governo democrático provisório da Coreia deverá ser formado com a ampla participação dos partidos políticos e organizações sociais democráticos que apoiam a resolução da Conferência de Moscou dos Ministros das Relações Exteriores dos Três Países sobre a Coreia.
A rápida implementação desta resolução e a reunificação de nossa pátria sob a direção do governo democrático provisório da Coreia implicam o desenvolvimento de nosso país como Estado soberano e independente, livre da ingerência estrangeira, e a satisfação dos interesses básicos de nossa nação.
Consideramos que a Coreia deverá ser uma República popular democrática soberana, constituída por um parlamento e um governo que responda perante ele. Esta forma de composição estatal corresponde inteiramente aos interesses das massas populares de nosso país, que se encontra na etapa de renascimento nacional.
O Governo da República Popular Democrática da Coreia será ainda mais poderoso somente quando os partidos políticos e as organizações sociais democráticos participarem amplamente dele. É indispensável que o próprio povo decida a política de seu governo.
O governo democrático provisório deverá ser o órgão legislativo e executivo supremo do Estado democrático da Coreia até que sejam realizadas as eleições parlamentares de todo o povo.
Considero que a Assembleia Popular, como a prática já confirmou, é a melhor forma parlamentar.
É imprescindível conceder ao governo democrático provisório da Coreia os seguintes direitos: a elaboração da Constituição da República Popular Democrática da Coreia, a preparação e realização das eleições para o órgão legislativo central e para os órgãos de poder locais de acordo com a Constituição que será elaborada posteriormente, a formação do gabinete, a instituição e direção dos órgãos de poder locais, a orientação da política externa e do trabalho de defesa nacional, bem como outras atribuições essenciais para a administração do Estado.
Os órgãos de poder locais (províncias, cidades, condados, cantões e comunas) deverão assumir a forma de comitês populares eleitos por sufrágio universal, igual, direto e secreto, o que corresponde às exigências da verdadeira democracia, como comprovou a experiência prática.
O comitê popular é uma forma de poder surgida por iniciativa do próprio povo imediatamente após a rendição do imperialismo japonês, uma nova forma de administração estatal autenticamente democrática. Formado com a participação direta de todas as classes e setores do povo, é um órgão de poder baseado na frente unida dos partidos políticos e organizações sociais democráticos. Por meio do comitê popular, o povo coreano, pela primeira vez em sua história, participou diretamente da administração do Estado. Precisamente por esta razão, os órgãos de poder locais deverão consolidar sua forma de comitê popular, estabelecida por nosso povo, amada e apoiada por ele. O comitê popular deve ser o órgão supremo de poder na solução dos problemas locais de sua região e, ao mesmo tempo, cumprir infalivelmente as tarefas de significado nacional sob a direção do governo central.
Sobre a liberdade política do povo
O governo democrático provisório da Coreia deverá necessariamente promulgar um programa político capaz de assegurar os direitos do povo. O povo coreano, privado de todo direito e proteção durante o domínio dos saqueadores japoneses, agora, como cidadãos de um Estado democrático, soberano e independente, deve desfrutar obrigatoriamente de todos os seus direitos. O povo deverá ter asseguradas, antes de tudo, as liberdades de palavra, imprensa, associação, reunião, manifestação e religião.
Em todos os rincões da Coreia deve ser implantado um sistema eleitoral verdadeiramente democrático, baseado nos princípios do sufrágio universal, igual, direto e secreto. Deve-se conceder o direito de eleger e ser eleito, sem nenhuma restrição, à totalidade do povo, exceto a um punhado de pró-japoneses e traidores da nação que prestaram ajuda ativa aos bandidos coloniais imperialistas japoneses, inimigos ferrenhos do povo coreano.
O direito de voto deve ser concedido a todos os cidadãos que tenham completado 20 anos de idade, sem limitações por critérios de posição social, condição de propriedade, nível de instrução, crença religiosa ou tempo de residência.
As mulheres devem desfrutar dos mesmos direitos que os homens de eleger e ser eleitas. É preciso colocar em vigor em toda a Coreia a Lei da Igualdade dos Direitos do Homem e da Mulher e assegurá-la em todas as esferas da vida social: política, econômica e cultural. As mulheres devem receber salário igual ao dos homens por trabalho igual, e as mães e as crianças devem gozar de proteção especial.
O povo norte-coreano já desfruta desta liberdade política. No Estado democrático da Coreia, esta liberdade deverá ser garantida a todo o povo.
Sobre os direitos e deveres do cidadão
A República Popular Democrática da Coreia deverá necessariamente promulgar os direitos dos cidadãos à proteção dos bens privados, à inviolabilidade da pessoa e de sua residência, à garantia do sigilo das economias e da correspondência privada, ao ensino primário obrigatório geral, à assistência médica estatal e à pensão estatal por invalidez para o trabalho e por velhice. Os cidadãos, por sua vez, devem cumprir os sagrados deveres de consolidar e desenvolver, com tudo o que estiver ao seu alcance, o regime democrático do Estado, respeitar rigorosamente suas leis, adotar uma atitude honesta perante o trabalho nas empresas nacionalizadas e proteger cabalmente os bens do Estado e a riqueza social das cooperativas. Defender a pátria e servir voluntariamente no Exército Popular da Coreia devem ser os deveres sagrados e primordiais de todos os cidadãos da República Popular Democrática da Coreia.
Sobre a eliminação das nefastas consequências da dominação do imperialismo japonês
A fim de liquidar decisivamente as nefastas consequências da dominação do imperialismo japonês, é preciso identificar nos órgãos de poder centrais e locais e expulsar deles os elementos pró-japoneses e traidores da nação, descobertos ou ocultos, que prestaram ajuda ativa aos imperialistas japoneses. Ao mesmo tempo, deve-se travar uma luta decidida para exterminar os resíduos putrefatos da dominação do imperialismo japonês em todos os campos da política, da economia e da cultura.
Os elementos reacionários e antidemocráticos, que tentam desesperadamente destruir os fundamentos do regime democrático, deverão ser punidos com maior severidade de acordo com as leis da República.
Sobre a democratização dos órgãos judiciais
Com o objetivo de colocar o Estado democrático a serviço do povo, é necessário transformar democraticamente seus órgãos judiciais. É preciso abolir infalivelmente todas as leis da época do imperialismo japonês e elaborar novos códigos democráticos, penal, civil, de processo penal, etc. Todas as novas leis deverão ser elaboradas necessariamente de acordo com os princípios democráticos e com os interesses do Estado e dos cidadãos.
De acordo com esses princípios, deve-se modificar radicalmente o sistema judiciário em toda a Coreia. Para implantar um sistema de justiça, também é preciso aceitar os melhores e mais avançados exemplos dos países democráticos. O procedimento e a condução dos julgamentos, a formação dos tribunais e suas atividades cotidianas deverão ser realizados segundo os princípios democráticos; jurados do povo deverão participar dos trabalhos dos tribunais, os presidentes dos tribunais deverão ser eleitos e os julgamentos deverão ser realizados publicamente.
Sobre as questões do ensino e da cultura nacional
A principal tarefa da República Popular Democrática da Coreia na criação da cultura consiste em erradicar completamente os resíduos ideológicos do imperialismo japonês nos campos do ensino popular, da literatura e da arte, desenvolver rapidamente a cultura nacional, elevar o nível de conhecimentos de todo o povo e preparar numerosos quadros nacionais competentes, educados no espírito democrático, necessários para a economia e os órgãos estatais.
Atualmente, o problema da formação de técnicos reveste-se de grande importância. O Estado deverá, antes de tudo, proporcionar quadros pedagógicos competentes a todas as escolas, editar manuais, equipar adequadamente os laboratórios, produzir e fornecer os materiais escolares necessários ao ensino científico e técnico e proporcionar boas condições de trabalho aos professores e funcionários. É preciso criar numerosos estabelecimentos de pesquisa científica de todos os tipos e fazer com que todos os cientistas concentrem seu entusiasmo na solução das tarefas colocadas pelo desenvolvimento da economia nacional.
A literatura e a arte devem servir fielmente ao desenvolvimento de nosso Estado democrático.
Sobre a política econômica
Cidadãos:
Agora, vou me referir à política econômica do governo democrático provisório da Coreia.
Desde a libertação até os dias de hoje, na Coreia do Norte realizamos um grande trabalho e acumulamos ricas experiências no campo da construção econômica.
Nesse período, o comitê popular realizou a reforma agrária e a nacionalização das indústrias, dos transportes, das comunicações e dos bancos, aplicando ao mesmo tempo uma política de incentivo à empresa privada e à iniciativa criadora dos empresários particulares. Esta política proporcionou um enorme impulso ao desenvolvimento da economia rural, das indústrias e dos transportes e criou condições básicas favoráveis ao aumento da produção e à elevação do nível de vida do povo.
Tudo isso corresponde inteiramente às exigências de nosso povo, que aspira à democracia, e constitui problemas que nossa nação deveria necessariamente resolver para construir um Estado soberano e independente, rico e poderoso. São também a encarnação de seu anseio secular de libertar-se da exploração e da opressão do imperialismo japonês, dos latifundiários e dos capitalistas compradores.
Sob a dominação do imperialismo japonês, os camponeses da Coreia viviam em uma situação trágica. Em 1945, os latifundiários, que constituíam não mais de 4 por cento das famílias camponesas da Coreia do Norte, possuíam 58,2 por cento das terras cultiváveis, enquanto os camponeses pobres, que representavam 56,7 por cento das famílias camponesas norte-coreanas, possuíam apenas 5,4 por cento.
Os camponeses, para não morrerem de fome, viam-se obrigados, em condições de escravidão, a arrendar terras dos latifundiários, chegando a entregar pelo arrendamento mais de 60 por cento da colheita. Sob a dominação do imperialismo japonês, esse sistema de arrendamento era típico e generalizado no campo da Coreia. Naquela época, mais da metade das terras cultiváveis de nosso campo era entregue em arrendamento. Essa opressão e exploração por parte dos latifundiários feudais levava os camponeses coreanos à fome e à miséria.
Segundo os reduzidos índices publicados pelos próprios imperialistas japoneses, em 1940, 77 por cento das famílias camponesas de toda a Coreia esgotaram seus alimentos antes da colheita seguinte. Em consequência disso, 47 por cento das famílias camponesas de toda a Coreia contraíam, em condições brutais, empréstimos de cereais, o que as tornava completamente dependentes dos latifundiários.
Devido à cruel exploração dos latifundiários e ao impiedoso saque dos imperialistas japoneses, a economia rural ficou arruinada e a superfície das terras cultivadas e o número de animais domésticos reduziram-se ao máximo.
Tudo isso nos levou à conclusão de que era necessário acabar com a propriedade da terra pelos latifundiários e pôr fim ao arrendamento feudal.
Precisamente para acabar com essa injustiça secular, na Coreia do Norte foi realizada a reforma agrária. Esta foi efetuada com o apoio absoluto e a participação ativa de todos os camponeses. 99 por cento das terras que eram arrendadas durante a época do imperialismo japonês foram confiscadas sem indenização e distribuídas entre mais de 720 mil famílias camponesas com pouca ou nenhuma terra e peões agrícolas.
Além disso, como resultado da aplicação, pelo Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte, do sistema de imposto agrícola em espécie, os camponeses puderam dispor livremente, conforme sua vontade e conveniência, de 75 por cento de sua colheita, e os agricultores de roça puderam ficar com 90 por cento de sua colheita.
A reforma agrária abriu caminho para desenvolver a economia rural e elevar o nível de vida dos camponeses.
Atualmente, os camponeses norte-coreanos, libertados da exploração feudal, fazem todos os esforços para aumentar a produção agrícola e reorganizam sua economia doméstica. Apesar de várias regiões da Coreia do Norte terem sido afetadas por inundações em 1946, a colheita total de cereais aumentou mais do que em qualquer um dos anos anteriores. Em todas as zonas rurais da Coreia do Norte, os camponeses constroem novas casas. No condado de Kangso, província de Phyongan Sul, foram construídas, depois da reforma agrária, 1 886 novas casas, das quais 1 710 são de telhas.
Todos esses fatos comprovam as vantagens da reforma agrária, que pôs fim ao sistema de posse da terra pelos latifundiários e ao sistema de arrendamento feudal, predominantes durante a época do imperialismo japonês. Esta é a razão pela qual o novo governo democrático unificado que será estabelecido deverá aplicar infalivelmente a reforma agrária em escala nacional.
É desnecessário dizer que somente corresponde aos interesses dos camponeses aquela política agrária que ponha fim ao sistema de exploração feudal, que escravizou milhões de camponeses coreanos sob a dominação do imperialismo japonês, e que proíba sua restauração. É necessário expropriar as parcelas dos latifundiários e as terras que anteriormente pertenciam ao Estado japonês e aos japoneses, para entregá-las aos camponeses em usufruto perpétuo, assim como proibir a compra e venda das terras fornecidas pelo Estado. O mais justo e conveniente é distribuir gratuitamente as terras aos camponeses, tal como fez o Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte.
Também considero necessário que as instalações de irrigação passem a ser propriedade de todo o povo.
Cidadãos: O governo democrático provisório da Coreia deve necessariamente aplicar uma política de desenvolvimento, por todos os meios, das indústrias nacionais e de rápida melhoria da vida material e cultural de todo o povo.
A experiência da construção democrática na Coreia do Norte prova que é possível solucionar essa tarefa somente sob a condição de que sejam nacionalizadas as indústrias, os transportes, as comunicações e os bancos que anteriormente pertenciam ao Estado japonês, aos japoneses e aos traidores da nação.
Em princípio, as principais empresas industriais foram construídas com as forças, o sangue e o suor de nosso povo coreano e, por essa razão, é muito natural que sejam nacionalizadas e entregues à propriedade do povo.
É uma política mais justa fazer com que as empresas industriais, em vez de serem utilizadas em benefício de determinadas pessoas, passem à propriedade de todo o povo, transformando-se em fundamentos econômicos capazes de elevar o nível material de vida de todo o povo trabalhador. A nacionalização das indústrias, dos transportes, das comunicações e dos bancos significa transferir ao Estado poderosos meios para fortalecer a economia do país, com o objetivo de promover o bem-estar de todo o povo e elevar seu nível de vida material e cultural.
A nacionalização das indústrias, dos transportes, das comunicações e dos bancos, realizada em 10 de agosto de 1946 na Coreia do Norte, permitiu canalizar as forças de todo o povo para a solução das principais tarefas do desenvolvimento da economia nacional norte-coreana e desenvolvê-la de maneira planificada. Assim, já alcançamos grandes frutos na restauração e no desenvolvimento da economia nacional da Coreia do Norte.
Até 1º de janeiro de 1947, já haviam sido restauradas e colocadas em funcionamento 822 das 1 034 empresas nacionalizadas. A produção das empresas aumenta cada vez mais. A produção média mensal de 1947 cresceu em comparação com a de 1946: a eletricidade, 24%; o carvão, 60%; os metais ferrosos, 73%; a indústria de mineração, 34%; a indústria química, 16%; e a indústria leve, 74%, respectivamente.
Está claro que, se as indústrias, os transportes, as comunicações e os bancos não tivessem sido nacionalizados, esses êxitos não teriam sido alcançados.
É por essa razão que o governo democrático provisório deve empreender a nacionalização das principais indústrias em escala de toda a Coreia, com vistas a elevar o nível de vida material e cultural do povo e promover a economia da nação.
Junto com isso, o governo democrático provisório deve tomar medidas para proteger a propriedade privada dos cidadãos e desenvolver, por diversas vias, as capacidades criadoras dos industriais e comerciantes particulares que colaborem na restauração e no desenvolvimento da economia nacional.
O governo democrático provisório deve necessariamente aplicar uma lei trabalhista progressista, capaz de acabar para sempre com o regime de exploração colonial e melhorar radicalmente as condições de trabalho e de vida dos operários e empregados. Deve-se introduzir a jornada de 8 horas para todos os operários e empregados das empresas estatais, das cooperativas de consumo e das empresas privadas, e a jornada de 6 horas para os operários adolescentes de 14 a 16 anos de idade, colocar em vigor o sistema de seguro social obrigatório e adotar toda uma série de medidas para aumentar o salário real dos operários e empregados.
Deve conceder aos operários e empregados o direito de filiação aos sindicatos e estes, por sua vez, deverão esforçar-se para defender os interesses dos trabalhadores e elevar a produtividade do trabalho.
O governo democrático provisório deve acelerar o desenvolvimento do comércio estatal, das cooperativas de consumo e do comércio privado e assegurar a liberdade comercial. Somente assim será possível satisfazer melhor as necessidades do povo. Na etapa de restauração da economia estatal, existe certa necessidade de aplicar, como medida provisória, o regime de racionamento dos principais alimentos e artigos de primeira necessidade. Ao mesmo tempo, o governo democrático provisório aplicará uma política de redução dos preços das mercadorias, a fim de elevar o salário real dos operários e empregados. Deve controlar para que os preços das mercadorias não aumentem e combater infalivelmente os especuladores para reduzi-los.
O governo democrático provisório deve consolidar o sistema monetário e conduzir uma política financeira adequada para fortalecer a base das finanças do Estado.
Cidadãos:
Ao governo democrático provisório cabe a importante tarefa de realizar reformas democráticas em todos os domínios: político, econômico e cultural. Somente realizando reformas democráticas, como a reforma agrária, a nacionalização das indústrias e outras medidas destinadas a assegurar o desenvolvimento da cultura nacional e a democratização da vida sociopolítica, e garantindo os interesses do povo coreano, o governo democrático provisório da Coreia poderá desfrutar do apoio absoluto de todo o povo e mobilizar as massas trabalhadoras para a solução de suas importantes tarefas assumidas.
O povo coreano deve estabelecer o quanto antes um governo provisório autenticamente democrático, de acordo com a decisão da Conferência de Moscou dos Ministros das Relações Exteriores dos Três Países. Adiar a formação do governo provisório, ainda que por um único dia, causaria uma grande influência negativa sobre o desenvolvimento da economia nacional e a promoção do bem-estar material do povo.
O povo coreano está firmemente convencido de que a negociação que ocorre em Seul contribuirá para estabelecer, num futuro não distante, o autêntico governo democrático unificado e, então, a Coreia, como Estado independente, ingressará na Organização das Nações Unidas na qualidade de membro com direitos iguais.
Viva o povo coreano emancipado da longa opressão dos imperialistas japoneses!
Viva a unidade de nosso povo na luta pela democratização de nossa pátria e pela construção do Estado independente da Coreia!
Viva a independência da Coreia democrática!
Viva a República Popular Democrática da Coreia!

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